E se Eduardo Cunha fosse ateu?

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Uma das coisas que mais causa horror a muitas pessoas com que converso sobre minhas posições acerca da religião é exatamente o fato de que eu não possuo uma.  Parece que a mim falta alguma coisa fundamental para que eu alcance os critérios éticos com que as pessoas pensam se guiar.  Não sei o que é pior na reação das pessoas: o asco ou o dó que vejo em suas faces em face da minha falta de afiliação religiosa.

Mas como nunca tive religião, essa postura não me incomoda, pois entendo a perspectiva da qual a maioria dos religiosos partem para se posicionarem, qual seja, que a afiliação religiosa concede um certo tipo de selo de garantia moral à pessoa que se declara convencido de que há um ser sobrenatural que rege nossas vidas e destinos. 

Pois bem,  a curiosa situação do deputado Eduardo Cunha que acaba de ser pego em um complexo enredo de contas secretas na Suíça que teriam abastecidas com recursos oriundos de fontes ilegais parece confirmar a minha percepção de que aos que declaram ser religiosos sempre cabe uma tolerância que aos ateus não é dispensada.  O pior é que mesmo em face de todas as provas enviadas pelo Ministério Público da Suiça, o silêncio protetor permanece.

Aí é que me ocorre perguntar aos leitores deste blog: o que aconteceria se em vez de religioso declarado, Eduardo Cunha se revelasse um ateu? Será que haveria tanta tolerância às suas incongruências entre o que prega e o que pratica?