Desaparecimento de insetos sinaliza para apocalipse ecológico na Europa

O jornal britânico “The Guardian” publicou hoje um artigo assinado pelo editor de ciência do “Observer”,  Robin McKie, tratando do desaparecimento de diferentes espécies de insetos nas ilhas britânicas, no que parece ser a sinalização de que há um apocalipse ecológico ocorrendo debaixo de nossos narizes, na medida em que espécie antes abundantes estão com suas populações em franca diminuição [1].

apocalipse ecológico

As estatísticas apresentadas por McKie são particularmente sombrias. Segundo ele, populações nativas de joaninhas estão caindo; três quartos de espécies de borboletas – como a dama pintada e a borboleta de Glanville – caíram significativamente em números; enquanto as abelhas, das quais existem mais de 250 espécies no Reino Unido, também estão sofrendo grandes quedas em suas populações, com grandes abelhões amarelos, abelhas solitárias de ceramistas e outras espécies declinando acentuadamente nos últimos anos. Outros insetos ameaçados incluem a cigarra New Forest, o besouro bronzeado e o besouro de óleo.  

Quanto às mariposas, os dados são particularmente alarmantes. A mariposa tigre, que já foi difundida no Reino Unido, registrou uma queda de 99% nos seus números entre 1968 e 2007 e agora está ameaçada de extinção, um destino que também já se abateu sobre outras espécies nas últimas décadas.

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Um besouro bronzeado repousa sobre uma folha.

Este apocalipse dos insetos seria o resultado do impacto múltiplo dos impactos ambientais: poluição, mudanças de habitat, uso excessivo de agrotóxicos e aquecimento global. 

McKie sinaliza que este declínio na população de insetos poderá ter consequências cruciais no futuro da humanidade.  É que apesar de muitos insetos terem uma aparência inquietante,  eles estão colocadas na base da cadeia alimentar da vida selvagem, fato que os torna de vital importância para a composição e a natureza das áreas agrícolas.

Interessante notar que esse apocalipse ecológico já vem sendo sinalizado também com o desaparecimento de comunidades de aves que até recentemente possuíam populações consideráveis no continente europeu.

Somados os problemas com a diminuição das populações de insetos e aves sinalizam que as coisas não vão nada bem no tocante à manutenção da biodiversidade e, por extensão, dos sistemas produtivos agrícolas que, curiosamente, podem estar entre os principais vilões por essa hecatombe ecológica.


[1] https://www.theguardian.com/environment/2018/jun/17/where-have-insects-gone-climate-change-population-decline

 

Estudo mostra que 12% das espécies de pássaros estão sob risco imediato de extinção

fontes de ameaça 1

O jornal “The Guardian” divulgou hoje os resultados do relatório “State of the World´s Birds” que preparado pela BirdLife International, uma coalizão de organizações não-governamentais, que aponta para um dado mais do que preocupante: 12% das espécies já identificadas de aves estão sob risco de extinção [1].

estado dos passaros

 Dentre as espécies ameaçadas de extinção em nível global estão as de papagaios, corujas da neve e rolinhas. Mas o relatório informa que esta ameaça se estende a uma em cada espécie de aves, o que representaria uma drástica perda de biodiversidade, a qual poderia ter um imenso efeito dominó sobre toda a fauna, em função do papel chave que estas espécies ocupam na cadeia trófica.

O relatório mostra as principais fontes de ameaça às populações de aves que se encontram mais ameaçadas de extinção, sendo a agricultura a principal delas. Entretanto, existe uma grande gama de ameaças, tais como: exploração madeireira, espécies invasoras, caça, mudanças climáticas, expansão urbana, incêndios e supressão de incêndios, produção de energia e mineração, corredores de transporte, entre outras (ver figura abaixo).

fontes de ameaça passaros

No caso brasileiro, é importante notar que o Brasil concentra não apenas o maior índice de biodiversidade de espécies, mas como aqui estão atuando os principais vetores de extinção das aves. E em meio a esse processo com potencial completamente desestabilizador para os ecossistemas naturais, a bancada ruralista opera de forma diligente para objetivamente extinguir o processo de licenciamento ambiental que ainda oferece freios mínimos para a destruição dos habitats dos quais muitos aves dependem para sua existência.

Quem desejar baixar e ler o relatório “State of the World´s Birds“, basta clicar [Aqui!]


[1] https://www.theguardian.com/environment/2018/apr/23/one-in-eight-birds-is-threatened-with-extinction-global-study-finds

Pesticidas que matam abelhas também afetam aves

Pesticidas que já são suspeitos de matar abelhas também afetam populações de aves, de acordo com estudo

Richard Ingham, da 

Jacques Demarthon/AFP

 Abelha em flores

Abelha: ao acabar com insetos, inseticida afetou a capacidade das aves de procriar

Paris – Já suspeitos de matar abelhas, os chamados pesticidas neonicotinoides – ou neônicos – também afetam populações de aves, possivelmente eliminando os insetos dos quais se alimentam, revelou um estudo publicado na Holanda esta quarta-feira.

O novo artigo é publicado depois que um painel internacional de 29 especialistas revelou que aves, borboletas, minhocas e peixes estavam sendo afetados por inseticidas neonicotinoides, embora detalhes desse impacto sejam incompletos.

Estudando regiões na Holanda onde a água superficial tinha altas concentrações de uma substância química chamada imidacloprida, descobriu-se que a população de 15 espécies de aves caiu 3,5% anualmente em comparação com lugares onde o nível do pesticida era muito menor.

A queda, monitorada de 2003 a 2010, coincidiu com o aumento do uso da imidacloprida, destacou o estudo conduzido por Caspar Hallmann, da Universidade Radboud, em Nijmegen.

Autorizado na Holanda em 1994, o uso anual deste neonicotinoide aumentou mais de nove vezes em 2004, segundo cifras oficiais.

Descobriu-se que grande parte deste produto químico foi disperso em concentrações excessivas.

Ao acabar com os insetos – uma fonte de alimento crucial na época da reprodução -, ele afetou a capacidade das aves de procriar, sugeriram os autores, alertando que outras causas não poderiam ser excluídas.

Nove das 15 espécies de aves monitoradas eram exclusivamente insetívoras.

“Nossos resultados sugerem que o impacto dos neonicotinoides no ambiente natural é inclusive mais substancial do que foi reportado no passado”, revelou a pesquisa, publicada na revista “Nature”.

“No futuro, a legislação deveria levar em conta os efeitos em cascata potenciais dos neonicotinoides nos ecossistemas”, acrescentou.

Também chamados de neônicos, estes pesticidas são amplamente usados no tratamento de sementes para cultivos aráveis. Eles são projetados para serem absorvidos pela muda em crescimento e são tóxicos para o sistema nervoso central de pestes devoradoras de plantios.

Em um comentário publicado na “Nature”, o biólogo Dave Goulson, da Universidade de Sussex, na Grã-Bretanha, disse que os neonicotinoides podem ter um impacto de longo prazo nas populações de insetos.

Cerca de 5% do ingrediente ativo do pesticida é absorvido pelo cultivo, afirmou.

A maior parte do restante entra no solo e na água subterrânea, onde pode persistir por meses, ou até anos.

Diminuir à metade as concentrações pode levar mais de mil dias.

Como resultado, as substâncias químicas se acumulam, sendo os campos aspergidos sazonal, ou anualmente, afirmou.

Gordon disse que o processo é similar ao do DDT, um pesticida conhecido, cujos danos ao meio ambiente vieram à tona em 1962, graças à pesquisa de Rachel Carson, que resultou no livro “Primavera Silenciosa”.

A discussão sobre os neônicos tem aumentado desde o final dos anos 1990, quando os apicultores franceses culparam-nos pelo colapso das colônias de abelhas melíferas.

Em 2013, a Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA, na sigla em inglês) declarou que os pesticidas neônicos representavam um “risco inaceitável” para as abelhas.

A isto se seguiu um voto da União Europeia a favor de uma moratória de dois anos ao uso de três substâncias químicas neonicotinoides amplamente utilizadas nos cultivos de flores, que são visitados pelas abelhas.

Mas a medida não afeta a cevada e o trigo, nem afeta pesticidas usados em jardins e em áreas públicas.

No mês passado, a Casa Branca determinou que a Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos faça sua própria revisão sobre os efeitos dos neonicotinoides nas abelhas.

FONTE: http://exame.abril.com.br/tecnologia/noticias/pesticidas-que-matam-abelhas-tambem-afetam-aves