Óleo na Baía da Guanabara! Novas imagens da Ahomar mostram impactos do novo incidente ambiental

Graças ao pescadores da Associação Homens e Mulheres do Mar da Baía de Guanabara (Ahomar), que estão se mobilizando para documentar os impactos de um novo vazamento de petróleo que ocorreu no dia de ontem (08/12), que já obrigou uma ampla mobilização por parte de entes privados e órgãos ambientais como mostram as imagens abaixo.

Este slideshow necessita de JavaScript.

A amplitude das consequências de mais um vazamento de grandes proporções ainda levará algum tempo para ser estabelecida, mas é importante o que os pescadores ligados à Ahomar estão fazendo desde que se tomou conhecimento do incidente que aparentemente começou com uma tentativa de furto em um oleoduto no município de Magé.

Os pescadores artesanais que sobrevivem daquilo que conseguem pescar no ecossistema da Baía da Guanabara serão os principais prejudicados com mais este incidente, mas certamente não serão os únicos. Há que se cobrar diretamente da Petrobras e dos órgãos ambientais para que sejam medidas imediatas de contenção e mitigação dos efeitos inevitáveis que esse derramamento acarretará para o ecossistema e para as comunidades que dependem de seus serviços ambientais.

 

Ahomar denuncia novo desastre ambiental na Baía da Guanabara

Furto malsucedido de óleo seria a causa do incidente.

vazamento 0

Um vazamento de óleo na Baía de Guanabara foi detectado, na manhã deste sábado, por pescadores da Associação Homens e Mulheres do Mar da Baía de Guanabara (Ahomar). O líquido se estendeu pela região de Duque de Caxias, Magé e chegou à Ilha de Paquetá.

O vídeo abaixo mostra imagens coletadas pelos pescadores e ativistas ligados à Ahomar que foram os primeiros a inspecionar os impactos causados por mais esse derramamento de óleo na Baía da Guanabara.

A Transpetro informou que este derramamento decorreu de  uma tentativa de furto em um oleoduto, o que teria provocado o vazamento. A companhia afirmou que interrompeu as operações imediatamente. Segundo a empresa, as equipes de emergência foram acionadas, e que está mobilizando os recursos necessários para a limpeza e a recuperação das áreas atingidas [1].

Agora, imaginemos como ficará a situação ambiental na Baía da Guanabara com a ideologia de deixar os poluidores livres para poluir, a qual deverá ser a tônica do governo Bolsonaro que ainda nem conseguiu decidir se haverá ministério do meio ambiente e quem seria o ministro. 


[1] https://odia.ig.com.br/rio-de-janeiro/2018/12/5600752-vazamento-de-oleo-atinge-caxias-mage-e-paqueta.html

 

Convite: lançamento do documentário “RIO OU VALÃO” no Museu da Vida (FIOCRUZ)

Convite: lançamento do documentário “RIO OU VALÃO” no dia 3 de Outubro no Museu da Vida (FIOCRUZ) de 13 às 17h.

rioouvalao

Em que condições as populações servidas pelas sub-bacias da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, e outras igualmente degradadas, encontram a água para uso? Degradação, iniquidades socioambientais, e o [urgente] acesso universal à água são alguns dos temas problematizados pelo documentário É Rio ou Valão?, produzido pela VídeoSaúde Distribuidora (ICICT/Fiocruz). O filme será lançado na próxima terça-feira (3/10), no auditório do Museu da Vida, no Campus Fiocruz Manguinhos, das 13h às 17h. O evento é aberto ao público.

O filme, que tem caráter educativo, foi financiado com recursos do edital Capes-ANA e produzido com jovens estudantes da rede pública estadual de ensino do Rio de Janeiro. Desenvolvido por iniciativa do Observatório da Sub Bacia Hidrográfica do Canal do Cunha, com apoio da Cooperação Social da Presidência da Fundação, o documentário aborda a questão dos usos e acessos aos recursos hídricos em territórios vulnerabilizados social e ambientalmente.

É Rio ou Valão? foi viabilizado por meio da parceria com a Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAPS), Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (Ensp/Fiocruz), Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz), e a ONG Verdejar Socioambiental.

Como parte da programação de lançamento, será exibida a peça Vamos Verdejar do Ponto de Cultura Luiz Poeta Verdejar, além da exibição do documentário, debate com os produtores do filme, e sessão musical temática. As inscrições podem ser feitas no local.

Realização: Observatório da Sub-bacia Hidrográfica do Canal do Cunha

Pescadores da Guanabara farão protesto durante a procissão de São Pedro

PROCISSÃO MARÍTIMA EM HOMENAGEM A SÃO PEDRO – PADROEIRO DOS PESCADORES(AS) – DIA 29 DE JUNHO (QUINTA FEIRA)

TRABALHADORES DO MAR PROTESTAM CONTRA REFORMA DA PREVIDÊNCIA E PELA DESPOLUIÇÃO DA BAÍA DE GUANABARA

 O Fórum dos Pescadores e Amigos do Mar e o Movimento Baía Viva estarão promovendo um protesto durante a procissão marítima na Baía de Guanabara no dia 29 de Junho (quinta-feira) quando é comemorado o Dia de São Pedro, que é considerado o Padroeiro dos pescadores(as).

 Uma embarcação estará disponível para os movimentos sociais, simpatizantes e parceiros com VAGAS LIMITADAS, SENDO NECESSÁRIO A PRÉVIA CONFIRMAÇÃO DA PRESENÇA pelos telefone/wathsapp: (21) 99734-8088 ou 99700-2616: o barco sairá às 7:30h (da manhã) do Quadrado da Urca, na Zona Sul do Rio de Janeiro.  

 Diante da grave crise econômica do país que tem provocado a perda de direitos da classe trabalhadora e da poluição que tem gerado um forte empobrecimento e o desmantelamento cultural das comunidades pesqueiras, a manifestação nas águas da Baía tem como principais reivindicações:

– Nenhum direito a menos: contra a reforma da Previdência que retira direitos dos trabalhadores(as) do mar e afeta a aposentadoria desta categoria, obrigando a trabalharem por mais tempo. Apoiamos a Greve Geral no dia 30 de Junho convocada por todas as centrais sindicais.

 –  A retomada imediata das obras do Programa de Despoluição da Baía de Guanabara (PDBG, atual PSAM – Programa de Saneamento dos Municípios) com prioridade para a conclusão dos troncos coletores de esgotos de diversas ETEs (estações de tratamento de esgotos) que, apesar de construídas a mais de uma década, atualmente tratam um volume irrisório de esgotos, enquanto a Baía de Guanabara recebe 18 mil litros de esgotos por segundo, o que tem contaminado os rios que deságuam na Baía e prejudicado a pesca.

Pescadores e ecologistas exigem também: maior controle e fiscalização das indústrias que diariamente lançam metais pesados e óleo; a implantação da coleta seletiva nos municípios, reflorestamento, proteção da Biodiversidade como o boto-cinza que encontra-se ameaçado de extinção (eram 800 indivíduos em 1990 e atualmente são apenas 38), monitoramento ambiental, redução das áreas de fundeio no interior da Baía – impulsionada pelo Pré-sal – que provocam um aumento das áreas de exclusão de pesca onde os pescadores artesanais são proibidos de trabalhar.

Passado 10 meses das Olimpíadas de 2016, para a qual o Governador do Estado Pezão (PMDB) prometeu ao Comitê Olímpico Internacional (COI) a “despoluição de 80% da Baía de Guanabara”, lamenta-se que este prometido “Legado Olímpico Ambiental” não tenha se efetivado. Ou seja, a prometida despoluição da Guanabara (ainda) não saiu do papel!

– Pagamento pela PETROBRAS da indenização financeira determinada pela Justiça pelo vazamento ocorrido no dia 18 de Janeiro de 2000 de 1,8 milhões de litros de óleo nas águas da Baía num oleoduto que liga a REDUC (Refinaria Duque de Caxias) ao Terminal da Ilha D´Água, vizinho à Ilha do Governador. A produtividade pesqueira na Baía foi reduzida em 90% devido a este desastre ambiental. Já se passaram 17 anos e até hoje a petroleira se nega a indenizar as comunidades pesqueiras pelos prejuízos que vem sofrendo ao longo do tempo. Já são 16 anos de Impunidade sem qualquer responsabilização dos que provocaram este Crime Ambiental.

Na época, o duto desta unidade da PETROBRAS NÃO TINHA LICENÇA AMBIENTAL para operar e a extensa rede de dutos e gasodutos da REDUC também não tinha sequer Sistema de Desligamento Automático em caso de vazamentos, o que contribuiu decisivamente para ampliar o impacto do desastre ambiental.

A própria Justiça reconheceu que, ao longo de todo este período (17 anos!), a PETROBRAS vem adotando sucessivas manobras protelatórias para não efetuar o pagamento das indenizações de milhares de pescadores(as) o que, na prática, tem servido para perpetuar uma situação de Impunidade Ambiental e de injustiça social.

– Políticas públicas para a pesca e aqüicultura, com participação das comunidades, e destinação de recursos financeiros da União Federal, do Estado e dos municípios para implantar: fábricas de gelo, escolas de pesca, aquisição de novas embarcações, capacitação profissional, projetos de aquicultura, saneamento básico das comunidades pesqueiras que oram excluídas do PDBG/PSAM.

Remoções e poluição da Baía da Guanabara: duas faces da moeda olímpica

duas faces.jpg

Com o megaevento do Comitê Olímpico Internacional (COI) ainda em seus primeiros dias, há um confronto retórico sobre o que seria o legado dos Jogos Olímpicos sobre a cidade e, principalmente, sobre a maioria de sua população.  

Felizmente para que não fiquemos neste debate dependendo de velhos clichês como o do “complexo de vira lata”, uma rica literatura já existe para que possamos sair do senso comum. Eu mesmo acabo de receber duas obras publicadas pelo Mórulo Editorial, com apoio da Fundação Heinrich Böll, que se colocadas juntas mostram que certos aspectos são indissociáveis de forma precisa e apoiada em dados objetivos da realidade.

Falo aqui da política sistemática de remoções nas áreas afetadas pelos megaeventos esportivos, começando pelos Jogos Panamericanos de 2007, passando pela Copa Fifa de 2014, e chegando nos Jogos Olímpicos de 2016.  Como bem mostram Lucas Faulhaber e Lena Azevedo na obra “Remoções no Rio de Janeiro Olímpíco”, a política de remoções faz parte de um processo sistemático de desrespeito aos direitos humanos que aprofunda o processo de segregação sócio-espacial e de desigualdade social.  É que, ao mesmo tempo que se removem os pobres, há um processo de investimento de capitais que valorizam as áreas de onde eles foram removidos, numa dança combinada entre agentes do Estado e os especuladores que se enriquecem com a apropriação dos melhores setores da cidade do Rio de Janeiro.

Essa atuação sistemática do Estado para remover populações pobres tem seu complemento numa atuação igualmente organizada de não cumprir compromissos na área ambiental que terminam novamente impactando os mais pobres.  Essa outra face da moeda é mostrada por Emanuel Alencar no seu “Baía de Guanabara, descaso e resistência” também publicado pela Mórula Editorial com apoio da Fundação Heinrich Böll.   A partir do que Emanuel Alencar nos mostra é possível ver que a manutenção do processo de degradação ambiental da Baía da Guanabara não é por falta de investimentos, mas por uma política sistemática de não dar continuidade a ações básicas, como a conexão das redes de coleta de esgotos, que termina punindo diretamente os que mais dependem daquele ecossistema, os pescadores artesanais.

O fato é que não há como se debater de forma minimamente séria o tal do “legado olímpico” se não conectarmos essas duas faces do problema. É que remover os pobres para regiões remotas do município do Rio de Janeiro e manter a Baía da Guanabara poluída tem como efeito uma maior acumulação de riqueza em poucas mãos.

Para os interessados em adquirir essas duas obras, basta clicar (Aqui!)

Roda de Conversa e lançamento de livro: Baía de Guanabara – Descaso e Resistência: a visão da sociedade civil, movimentos sociais e academia

roda de conversa

O movimento Baía Viva, Fórum dos atingidos pela Indústria do Petróleo e Petroquímica nas cercanias da Baía de Guanabara (FAPP-BG), Ibase,Casa Fluminense e Fundação Heinrich Böll Brasil convidam todas e todos para a atividade “Baía de Guanabara – Descaso e Resistência: a visão da sociedade civil, movimentos sociais e academia,” parte da Jornada De Lutas Contra Rio 2016, Os Jogos Da Exclusão.

Nossa ação combinará cultura e uma roda de conversa para refletirmos sobre as ameaças ao paraíso que é a Baía de Guanabara, revelando as violações de direitos que sofrem as populações de seu entorno, mas buscando evidenciar propostas de soluções para despoluição.

Na ocasião teremos um relançamento do livro “Baía de Guanabara – descaso e resistência,” editado pela Fundação Heinrich Böll Brasil e Mórula, com a presença do autor Emanuel Alencar.

Programação:
9:30h – Abertura – Performance cultural

10:00h – Roda de Conversa
Moderação: Henrique Silveira – Casa Fluminense e Nahyda Franca – Ibase
Palestrantes:
Emanuel Alencar – jornalista e autor do livro “Baía de Guanabara – descaso e resistência”
Roberta Alves (Docinho) – ACEX – Associação Carioca de Catadores e Ex-catadores – Jardim Gramacho/D. de Caxias
Sérgio Ricardo Verde – Movimento Baía Viva
Sebastião Raulino – FAPP
Breno Herrera – Pesquisador Lieas – UFRJ, analista ambiental ICMBio
Além de outros participantes a confirmar

11:00h – Debate

12:00h – Performance e lanche de encerramento

A atividade acontece na sala 303 A do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ, Largo do São Francico, 1. 

Matéria da Bloomberg joga luz sobre assassinato da geógrafa Priscila Pereira no Rio de Janeiro

Jornalistas apontam combate à corrupção nos projetos da despoluição da Baía da Guanabara como causa mais provável.

Em artigo publicado no dia de hoje (28/07) pela Bloomberg News, os jornalistas David Biller e Michael Smith oferecem uma visão completa das prováveis causas do assassinato da geógrafa Priscila de Góes Pereira no dia 05 de Outubro de 2015 nas proximidades da estação Maria da Graça do metrô do Rio de Janeiro (Aqui!) (ver reprodução parcial abaixo).

priscila.jpg

E a versão que emerge desta matéria bem cuidada nada tem a ver com as insinuações levantadas na época de que Priscila Pereira teria a ver com questões passionais, mas sim com a postura que a geógrafa assassinada tinha em suas funções profissionais no “PROGRAMA DE SANEAMENTO DOS MUNICÍPIOS DO ENTORNO. DA BAÍA DE GUANABARA(PSAM) (Aqui!).

Ainda que a matéria não aponte para os potenciais mandantes do assassinato de Priscila Pereira, o que os jornalistas da Bloomberg mostram é que ela era pressionada para receber propinas que possibilitassem, entre outras coisas, a cobrança por serviços prestados nos esforços feitos para despoluir a Baía da Guanabara até o início dos Jogos Olímpicos.

Em outras palavras, o assassinato de Priscila Pereira nada teria tido a ver com paixões mal resolvidas, mas sim com sua indisposição para tolerar e aceitar propinas. 

O interessante é que agora chegamos à exposição deste crime e de suas potenciais ligações com o fracasso do programa de despoluição da Baía da Guanabara pelas mãos de dois jornalistas que trabalham para a Bloomberg, e não para um dos grandes veículos mantidos pela mídia coporativa brasileira.  Aliás, essa é a primeira notícia que esta matéria traz: a mídia estrangeira fazendo jornalismo investigativo de qualidade, enquanto a brasileira segue tentando nos distrair com cenas de grandeza que não resistem a um escrutínio minimamente sério. 

No meio disso tudo há que se ter na memória a pessoa de Priscila Pereira que teve sua vida ceifada por se comportar de forma honrada e ética. Essa perda somada à condição deplorável em que a Baía da Guanabara se encontra são parte de nossa tragédia cotidiana.

priscila pereira

No período em que foi assassinada, a geógrafa Priscila Pereira desenvolvia pesquisas na área do planejamento governamental sob a perspectiva do desenvolvimento territorial e regional, através do grupo de Pesquisa do Laboratório Estado, Economia e Território (LESTE/IPPUR/UFRJ).

Pelo menos com essa matéria da Bloomberg o que eu espero é que a investigação desse assassinato tenha a prioridade que merece, e até hoje não teve.