Baía da Guanabara, um paraíso intoxicado pela indústria do petróleo e gás

No dia 11 de novembro publiquei neste blog um texto sobre a situação de calamidade criada na Baía da Guanabara pela indústria de petróleo e gás que transformou um rico ecossistema em uma zona aberta de sacrifício, com a instalação de múltiplos terminais e pontos de despejos de todo tipo de poluição química. Pois bem, no dia de ontem, o jornal O Globo publicar uma matéria intitulada “Paraíso hostil: óleo, lixo, esgotos e efluente tóxicos. tudo vai parar na Baía da Guanabara” de autoria do jornalista Rafael Galdo (ver imagem abaixo).

paraiso hostil 1

A matéria faz uma descrição bem elaborada dos diferentes tipos de fontes de lançamento de poluentes no interior do ecossistema da Baía da Guanabara, e traz um mapa que aponta para a situação razoavelmente heterogênea em termos de níveis de degradação, bem como os principais “players” envolvidos na chegada de substâncias químicas que afetam a vida em uma região de alto interesse ecológico (ver mapa abaixo).

paraíso tóxico

O interessante é que, muito em função da ação de monitoramento realizado pela Associação Homens do Mar da Baía da Guanabara (Ahomar), há um conhecimento relativamente forte das principais fontes de poluição em pontos principais da baía. Tal conhecimento deveria estar permitindo, por exemplo, que órgãos ambientais (i.e., INEA e IBAMA) realizassem ações para coibir atividades ilegais e que atentam contra a integridade ecológica da Baía da Guanabara.  Entretanto, como relatado na matéria assinada por Rafael Galdo, isto aparentemente não está ocorrendo na forma e intensidade necessárias para se evitar uma degradação ainda maior.

O que me parece evidente é que além dos problemas já tradicionais de lançamento de esgotos in natura e de lixo, o crescimento desenfreado e descontrolado das atividades de petróleo e gás representam atualmente o maior risco ambiental e social não apenas para o interior da Baía da Guanabara, mas também para os mais de 11 milhões de habitantes localizados no seu interior ou entorno. 

Apesar deste ser um tema “batido”, me parece que em 2022 há que se cobrar uma ação mais diligente dos órgãos ambientais e também da comissão de meio ambiente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), na medida em que os riscos existentes poderão gerar ainda um evento de grandes proporções no interior da Baía da Guanabara.

Finalmente, há que se enfatizar a importância do trabalho do pescadores da Ahomar que estão desenvolvendo ações de monitoramento das atividades poluidoras, sem as quais não teríamos como saber o que está acontecendo em um dos mais belos cartões postais do Brasil que foi transformado em “paraíso hostil”.

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