Vídeo mostra invasão da água do mar nas ruas da Barra do Açu

Mesmo aqueles que ainda não se sensibilizaram com a situação dramática que vive os moradores da Barra do Açu, situada a menos de 7 km do Porto do Açu, deverão ficar espantadas com o que mostra o vídeo que foi produzido no dia de hoje por um morador daquela localidade. Pelo menos para mim me fez lembrar aquele épico pós-apocalíptico estrelado por Kevin Costner , o Waterworld. E como no ficção, a raiz do problema real que vivem hoje os moradores da Barra do Açu não está na natureza, mas na forma com que a sociedade capitalista se apropria dos bens coletivos.

 

O Diário: Mar volta a avançar entre Xexé e o Açu

Divulgação
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Equipes da Defesa Civil de Campos vão interditar nesta quarta-feira o trecho entre a localidade do Xexé, na praia do Farol de São Tomé, em Campos e o distrito do Açu, no litoral de São João da Barra. O mar voltou a avançar e invadiu a variante construída pela Prefeitura de Campos, através da secretaria de Obras, Urbanismo e Infraestrutura. A orientação é que os motoristas que estiverem no Farol, com destino ao Porto do Açu, não utilizem a estrada litorânea e, sim, o caminho alternativo a RJ-216, entrando em Baixa Grande, na rodovia municipal, que liga o distrito à localidade de Capela de São Pedro, onde tem acesso novamente à estrada litorânea. “Logo cedo, a Defesa Civil estará no local para interditar a estrada. A nossa recomendação é que não utilizem esta estrada. O mar está avançando e é perigoso que o veículo seja arrastado para o mar”, informa o secretário da Defesa Civil, Henrique Oliveira.

No último dia 6, foi necessária a primeira interdição na estrada litorânea entre o Xexé e Maria da Rosa, no Cabo de São Tomé. Devido à destruição de trecho da estrada, na curva situada nas proximidades da Ponte sobre o Rio Açu, em Maria Rosa, a Defesa Civil de Campos interditou a estrada para evitar acidente, com queda de veículos dentro do mar. Esta semana, foi concluída a construção de variante para facilitar o acesso no local mas, com o avanço do mar, o novo acesso foi destruído.

FONTE: http://www.odiariodecampos.com.br/mar-volta-a-avancar-entre-xexe-e-o-acu-18324.html

Porto do Açu: blitzkrieg de propaganda e as disputas que correm na surdina

Nos últimos dias temos assistido a uma verdadeira “blitzkrieg” propagandística para alardear vários feitos que estariam sendo alcançados pela Prumo Logística no Porto do Açu. Até ai tudo muito coerente, pois a imprensa local tem está de excessiva boa vontade desde quando este megaempreendimento ainda era controlado pelo ex-bilionário Eike Batista. Dai que a atual repercussão das notas da competente assessoria de imprensa da Prumo Logística não me surpreende. Mesmo porque o hábito do cachimbo deixa a boca torta, já diz o velho adágio.

Agora, fontes bem informadas e atentas em relação ao que ocorre de forma mais subliminar no Porto do Açu me chamou atenção para dois fatos interessantes que ocorreram em setembro de 2014, mas que passaram totalmente sem ser noticiados.

O primeiro, como mostra a imagem abaixo, foi um comunicado de “fato relevante! feito no dia 11/09/2014 pela Prumo Logística anunciado o cancelamento de um contrato de locação com a Eneva (ex- MP(X)) em área dentro do Porto do Açu, supostamente pelo não cumprimento de condições comerciais.

Z PrumoMas rápida no gatilho, já no dia 12/09/2014, a Eneva também comunicou ao mercado que não concordava com a decisão da Prumo Logística de cancelar o contrato de locação que concedia à ex-MP(X) a posse de terras dentro do Porto do Açu.

Z EnevaTudo estaria bem se a disputa tivesse ficado apenas no campo dos comunicados ao mercado, e que as empresas (as duas ex-componentes do combalido império “X”, diga-se de passagem) não tivessem levado o problema para os tribunais. Acontece que não foi isso o que aconteceu, e agora o problema está estabelecido.

Mas qual é afinal o problema, já que esse tipo de disputa é corriqueira no mercado de locação de terras? A resposta a esse pergunta poderá vir nas próximas semanas na forma de um prometido comunicado da Eneva, e ai o interessante será saber o que de luz teremos sobre uma série de contratos sobre os quais não se tem conhecimento algum. A ver!

 

 

Porto do Açu: leitor envia mais informações sobre desapropriações realizadas na Barra do Açu

Depois da postagem que fiz hoje sobre a situação das desapropriações feitas pela Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (CODIN) na localidade de Barra do Açu para beneficiar o conglomerado econômico do ex-bilionário Eike Batista, outro leitor do blog entrou em contato para apresentar mais detalhes da problemática que aflige hoje em torno de 2.000 proprietários de lotes urbanos naquela localidade.

Vejamos o que diz este leitor:

Professor Pedlowski, se for ajudar a complementar essa informação, envio em anexo a quantidade de lotes e os loteamentos que foram desapropriados, só recebeu quem morava lá e aceitou os valores impostos pela LLX. São muitos terrenos (cerca de 1900) que foram desapropriados e sem dúvida mais de 90% dos proprietários ainda não receberam 1 centavo até hoje.”

Eis os anexos que o leitor enviou

Parte1 Parte2 Parte3 parte4

 

O interessante é notar que apenas no loteamento Praia dos Cariocas II, onde estava localizado o lote da pessoa que escreveu primeiro, o total é de 303 lotes! 

Agora, o que me parece mais grave é a confirmação de um padrão que eu já havia observado entre os agricultores onde a maioria dos que receberam alguma compensação financeira era formada por proprietários que fizeram algum tipo de acordo com a LL(X), enquanto os que haviam sido desapropriados pela CODIN continuam até hoje esperando pelas devidas compensações financeiras.

Essa situação me parece requerer uma pronta investigação por parte do Ministério Público, visto que até onde eu saiba, os direitos de propriedade não foram abolidos no Brasil, em que pesem os decretos de desapropriação promovidos pelo (des) governo Cabral/Pezão em prol de Eike Batista.

Finalmente, eu fico apenas pensando quanto será o custo final da conta que será produzida ao se calcular os valores que são devidos a todos os proprietários, rurais ou urbanos, que tiveram suas terras expropriadas, mas que continuam até hoje a ver navios, e que não são aqueles que Eike Batista prometia iriam transformar o Porto do Açu na “Roterdã dos trópicos”.