As lições da queda de Eike Batista

Por Juliano Medeiros*

Em lista divulgada no mês de março de 2012, Eike Batista era considerado o 8º homem mais rico do mundo, com um patrimônio estimado em R$ 34,5 bilhões de reais. Nos últimos meses, porém, tem estampado os jornais devido à decadência de seu império.

As empresas do grupo EBX somam prejuízos de quase R$ 25 bilhões. Apesar disso, as abordagens mais comuns na grande imprensa atribuem à “personalidade” de Eike as razões de sua derrocada: excesso de confiança decorrente do sucesso, a busca desenfreada por mais lucros e a falta de cautela diante investimentos arriscados…

Seria muito simples se o fracasso do maior grupo econômico privado do Brasil pudesse ser atribuído apenas à personalidade de seu principal executivo. A questão, porém, é que essa explicação não corresponde à verdade do fenômeno.

No controle do grupo EBX, Eike entrou de corpo e alma no mercado de capitais, um mercado sempre considerado de risco. Enfrentou uma brutal crise econômica expandindo e diversificando investimentos.

Nessa empreitada encontrou apoio de players de peso na bolsa de valores, além, claro, de generosos financiamentos públicos.

Segundo matéria publicada pela revista Exame, apenas entre 2005 e 2012, Eike Batista captou investimentos de 26 bilhões de dólares para as empresas que levou à bolsa. Também financiou o conglomerado com empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que chegam a R$ 10,4 bilhões.

Há muitas versões sobre as razões da queda de Eike, mas poucas delas chegam ao “X” da questão (com o perdão do trocadilho, já que o empresário tem um livro com esse nome).

A verdade é que Eike aproveitou-se da absurda dinâmica que comanda o mercado de ações e que permite que uma empresa recém-criada acumule “valor” equivalente a de grupos tradicionais com décadas no mercado. Um bilionário da especulação, com um império pouquíssimo produtivo, com exceção da MMX, mineradora vendida recentemente.

Além disso, a remuneração de seus executivos seguia uma lógica insana: enquanto outras multinacionais oferecem bônus atrelados ao crescimento de longo prazo das companhias, Eike distribuía dividendos atrelados ao preço das ações no curto prazo.

O resultado é que vários executivos da EBX ficaram milionários antes mesmo que a empresa tivesse extraído uma gota de petróleo. Tudo graças à valorização artificial – isto é, especulativa – das ações das empresas de Eike.

Alguns dirão que “essas são as regras do jogo”, que Eike está colhendo os frutos de uma estratégia arriscada. Acontece, porém, que neste “jogo” estão envolvidos milhões de empregos e enormes quantidades de recursos públicos oferecidos através de empréstimos (recursos que poderiam ser direcionados à infraestrutura nacional ou à ampliação de direitos como saúde e educação). Por isso é necessário discutir se este é um “jogo” interessante para o Brasil e o mundo.

No início, Eike foi financiado por grandes fundos privados. Não demorou muito para que fosse impulsionado também pelo BNDES.

Isso porque os governos petistas apostaram na estratégia dos “campeões nacionais”, preconizada pelo ex-presidente da instituição, Luciano Coutinho, que visava privilegiar grandes grupos econômicos privados que deveriam ser fortalecidos com a anunciada intenção de conter a internacionalização da economia brasileira.

Uma estratégia aparentemente bem-intencionada, mas com trágicas repercussões sobre o conjunto das cadeias produtivas nacionais. Isto porque, diferente de outros países que adotaram a mesma estratégia com suas empresas de ponta, o governo investiu nos gigantes do setor primário-exportador (a JBS Friboi, na exportação de carnes, ou Vale, na exportação de minério, por exemplo), aprofundando a monopolização – vide a quebra de diversos pequenos frigoríficos pelo país afora – e a fragilidade externa, já que quanto maior o grupo, mais dependente do mercado de ações, e assim, das flutuações do mercado internacional.

Claro que diante da explosão do preço das commodities no mercado internacional, a partir de 2005, era de se prever que os financiamentos seriam concentrados em empresas que exportassem esses bens (grãos, carne, minério de ferro, petróleo, etc.). Além disso, esperava-se que o boom das commodities pudesse acelerar os investimentos em infraestrutura, o que acabou não acontecendo – nesse caso a solução de Dilma foi a privatização de portos, aeroportos e rodovias.

Além disso, essa estratégia veio acompanhada de desindustrialização e fortalecimento do setor primário-exportador, um péssimo negócio para o Brasil.

Um país da periferia do sistema deveria investir no fortalecimento de cadeias produtivas capazes de aumentar a competitividade externa, diminuir a vulnerabilidade de nossa economia e ampliar o investimento produtivo, único gerador de empregos.

A queda de Eike, portanto, não se explica apenas pelas opções equivocadas do empresário. Ela é também expressão do fracasso de uma estratégia na qual estavam todos envolvidos, governo, acionistas e executivos de grandes grupos econômicos: a estratégia de apostar nuns poucos grupos econômicos, que apesar de concentrarem boa parte dos investimentos públicos e privados, não tem dado o retorno esperado.

Num tempo em que o mundo todo – de Piketty a Obama – consideram necessárias profundas mudanças nas “regras do jogo” o Brasil vai na contramão da história.

Como lembrou um intelectual de esquerda, o lulismo fez seus milionários: alguns deram certo – na JBS Friboi, TAM, Ambev, etc. – e outros não. Essa história toda ainda precisará vir à tona.

Que a debacle de Eike Batista sirva como alerta àqueles que ainda acreditam que apostar em “poucos e bons” é o melhor caminho.

*Historiador, é Secretário de Comunicação da Executiva Nacional do PSOL.

FONTE: http://www.viomundo.com.br/politica/juliano-medeiros-queda-de-eike-e-de-um-modelo-fracassado.html

Barões da carne se tornam bilionários com ajuda do BNDES

Paulo Fridman/Bloomberg
Logo da JBS

Logo da JBSJBS: os cinco irmãos Batista – Joesley, Wesley, Valere, Vanessa e Vivianne Batista – se tornaram bilionários

Blake Schmidt, da Bloomberg

São Paulo – Quando tentou comprar a National Beef Packing Co. e a Smithfield Beef Group Inc., ambas com sede nos EUA, em 2008, a produtora brasileira de carne bovina JBS SA foi recebida por uma onda opositora.

Procuradores-gerais de 13 estados americanos entraram com ações contra a empresa, que tem sede em São Paulo, alegando que a aquisição da National Beef, quarta maior embaladora dos EUA, ameaçaria a precificação competitiva ao criar um oligopólio liderado pela JBS, pela Tyson Foods Inc. e pela Cargill Inc.

Em campanha, Hillary Clinton disse ao Rapid City Journal, de Dakota do Sul, que seria contrária à compra da Smithfield e que iria “combater a consolidação”.

A família Batista, que controla a JBS, não desanimou. Desistiu da aquisição da National Beef, concluiu a compra da Smithfield e transformou a JBS em um império alimentar global — tudo com a ajuda de um banco estatal.

Com uma receita de R$ 110 bilhões (US$ 45 bilhões) nos últimos 12 meses, a JBS ofuscou a Vale SA neste ano e se tornou a maior empresa do Brasil depois da Petrobras. E também transformou cinco dos seis filhos do fundador da JBS, José Batista Sobrinho, em bilionários em dólares.

“Eles administram um negócio apertado”, disse Revisson Bonfim, chefe de análise de mercados emergentes da Sterne Agee Leach em Nova York. “Eles entram onde há muitos desperdícios e sabem como remover o desperdício. As aquisições sempre estiveram no DNA deles, mas foi depois que eles mudaram para os EUA que a coisa decolou”.

Após realizar mais de US$ 17 bilhões em aquisições, a JBS agora tem operações em cinco continentes e em 21 estados brasileiros. Os Batista, que não têm parentesco com o outrora bilionário brasileiro das commodities Eike Batista, estão sendo impulsionados pela maior recuperação das ações do índice da Bovespa neste ano.

A JBS deu um salto de 53 por cento nos últimos seis meses, empurrada pelo incremento dos preços da carne bovina e pelo fato de a Rússia ter cancelado a proibição para as fábricas de processamento de carne do Brasil.

Bilionários ocultos

Os cinco irmãos Batista – Joesley, Wesley, Valere, Vanessa e Vivianne Batista – têm uma participação equivalente na J&F Investimentos SA, a empresa holding por meio da qual eles e outros membros da família controlam a JBS e também investimentos em bancos, celulose, gado, produtos de limpeza e construção. Nenhum deles jamais apareceu individualmente em um ranking internacional de riqueza.

Um porta-voz da JBS disse que os irmãos preferiam não comentar essa reportagem e respondeu a outras perguntas sobre a empresa em um e-mail.

Um sexto irmão, José Batista Júnior, vendeu sua parte no negócio e se comprometeu a investir R$ 100 milhões para concorrer ao cargo de governador de Goiás, mas depois deixou a disputa para abrir caminho para um companheiro membro do PMDB.

O pai, José Batista Sobrinho, iniciou o império familiar do setor alimentício nos anos 1950, quando o presidente Juscelino Kubitschek implementou o plano “cinquenta anos em cinco” para acelerar a construção de Brasília, a nova capital do Brasil. Batista, que começou abatendo cinco cabeças de gado por dia, ajudava a fornecer carne para os trabalhadores que construíam a cidade.

Aquisições

O BNDES aprovou R$ 287 milhões em empréstimos para a empresa de José Batista Sobrinho antes de a companhia comprar as operações da Swift Co. na Argentina, em 2005.

Quando a JBS vendeu ações em uma oferta pública, em 2007, o braço de investimentos do banco aprovou uma participação de R$ 1,1 bilhão para ajudar a adquirir a Swift, na época a terceira maior empresa de carne bovina e suína dos EUA. De propriedade do Tesouro brasileiro, o BNDES anunciava a criação de uma “multinacional brasileira”.

Mais aquisições vieram na sequência, entre elas a da Pilgrim’s Pride, com sede em Pittsburgh, EUA, a da canadense XL Foods e a de quatro processadoras de carne brasileiras. A JBS adquiriu a empresa de lácteos Vigor em 2009 como parte da aquisição do Grupo Bertin SA.

O banco converteu R$ 3,5 bilhões de títulos locais da JBS em ações em 2011. O BNDES aprovou R$ 6 bilhões em ações e R$ 2,4 bilhões em empréstimos em uma década.

“O setor de carne bovina estava desorganizado, dividido, informal”, disse um porta-voz do BNDES em um e-mail. O ambiente “não permitia que o Brasil tirasse vantagem das vantagens competitivas do setor, um relevante criador de empregos”.

Batista, 81, transformou seus filhos em membros do conselho da empresa em 2005. Os irmãos Joesley, 42, e Wesley, 44, ampliaram sua importância dentro da empresa ao longo da expansão, até assumirem o comando, que estava nas mãos do pai, como presidente do conselho e presidente executivo da JBS, respectivamente.

Rich Vesta, que chefiou as operações da JBS nos EUA até 2010, disse que o apoio do BNDES não deveria diminuir o trabalho dos irmãos na empresa.

Desordens mentais

Os irmãos Batista são especialistas em introduzir eficiências em matadouros recentemente adquiridos, que dependem de trabalho manual, disse Vesta. Os trabalhadores aumentam as margens de lucro sendo os mais rápidos para separar as carcaças penduradas em cortes comercializáveis.

A JBS tem mais de 200.000 trabalhadores e capacidade para abater 100.000 vacas, 72.000 porcos e 13 milhões de aves por dia. A rotina nos frigoríficos pode ter um preço para os funcionários.

As ocorrências de desordens mentais e dos tecidos moles são três vezes maiores do que em outros setores, segundo procuradores do trabalho. Um trabalhador da JBS quase perdeu um braço tentando consertar um tanque de descarga congestionado em 2012, no estado do Mato Grosso. A polícia foi chamada para sua casa, em janeiro, depois que ele tentou serrar o membro paralisado como se fosse a cartilagem de uma carcaça bovina. A JBS disse que não teve culpa.

“É tenso”, disse Elias Vasconcelos da Costa, que recebia cerca de US$ 750 por mês em uma fábrica em Mato Grosso desossando até 50 carcaças por hora. “É preciso ser forte”.

“Ritmo frenético”

Os tribunais brasileiros raramente decidem a favor dos empregadores nos processos trabalhistas, que podem se estender por anos. Em um caso recente, o Tribunal Superior do Trabalho ordenou que a Seara, uma unidade da JBS, pagasse R$ 10 milhões a trabalhadores que foram demitidos por exigir intervalos no estado de Santa Catarina.

O juiz Alexandre Agra citou um “ritmo frenético” a temperaturas próximas de zero grau e a falta de intervalos apropriados. A empresa não respondeu a um pedido para comentar sobre o caso.

A JBS também foi acusada de comportamento predatório. A senadora Kátia Abreu, ex-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), acusou a empresa de “formação de monopólio” e disse que o apoio do BNDES é prejudicial para a concorrência.

Em um discurso no Congresso, ela acusou a JBS de enganar os consumidores com uma campanha publicitária que os encorajava a optar por sua marca Friboi por causa de seu selo de inspeção federal, quando mais de 200 outros matadouros também tinham sido aprovados em inspeções.

Influência política

Pelo menos um dos bilionários não gostou das declarações de Kátia Abreu. Em novembro, Joesley Batista se reuniu com o ministro da Casa Civil de Dilma Rousseff, Aloizio Mercadante, e fez lobby contra Kátia Abreu como potencial ministra da Agricultura por causa de suas críticas a respeito da empresa em discursos no Congresso, segundo um funcionário do governo com conhecimento do assunto, que pediu anonimato porque a reunião não foi pública.

As preocupações de Batista não afetarão a escolha de Dilma, disse a fonte.

A JBS, que neste ano foi a maior doadora da campanha de reeleição de Dilma, assim como da campanha do candidato derrotado, Aécio Neves, negou que esteja usando influência política para fazer lobby contra Kátia Abreu. A empresa disse que a existência de concorrência é uma prova do livre mercado.

O BNDES, que possui ações em mais de 130 empresas, detém uma participação de 25 por cento nessa empresa em ascensão, ao mesmo tempo em que ela se torna a maior financiadora de campanhas políticas do país. Embora empresas estatais não tenham permissão para financiar campanhas, o BNDES diz que não existe proibição quando as firmas estatais são acionistas minoritárias.

“Existem mais de 1.500 abatedouros operando no país”, disse a JBS. “A empresa não concorda que a participação do banco em seu capital interfira na concorrência”. A Caixa Econômica Federal, outro banco estatal, também tem uma participação na JBS.

As empresas J&F, lideradas pela JBS, financiaram quase um terço dos parlamentares da Câmara dos Deputados e distribuíram recordes R$ 387 milhões em ações nas eleições de 2014, segundo o Tribunal Superior Eleitoral.

O alcance de seu financiamento de campanha, que visa a apoiar o “debate democrático”, reflete seu tamanho como a maior empresa do Brasil, disse a JBS.

“Todas as doações da empresa seguem rigorosamente as leis eleitorais do Brasil”, disse a JBS em uma resposta por e-mail.

FONTE: http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/baroes-da-carne-se-tornam-bilionarios-com-ajuda-do-bndes

Eike Batista: do BNDES ao FUNDECAM?

A propalada visita do ex-bilionário Eike Batista que deve ainda estar em curso na Prefeitura de Campos dos Goytacazes foi anunciado como um encontro onde deverão ser discutidos projetos em empreendimentos rurais e hoteleiros.

Como Eike Batista hoje está com caixa para lá de baixo, uma possibilidade óbvia dessa visita é de que ele venha aqui tentar sensibilizar a prefeita Rosinha Garotinho e o ainda deputado federal Anthony Garotinho a lhe emprestar alguns milhões por meio do Fundo de Desenvolvimento de Campos (FUNDECAM). 

Que Eike Batista, acostumado aos empréstimos para lá de generosos do BNDES queira ainda mais apoio do tesouro público até é compreensível. Mas o município de Campos dos Goytacazes que ainda possui tantas outras necessidades deveria cogitar financiar Eike Batista? 

Essa é uma pergunta que pode valer muitas centenas de milhões de reais!

Justiça mantém liminar que suspende financiamentos do BNDES à Fibria Celulose

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Atendendo pedido do MPF, TRF2 negou pedidos da Fibria e do BNDES para cassar liminar proibindo qualquer financiamento destinado ao plantio de eucalipto ou à produção de celulose

O Ministério Público Federal conseguiu manter, na Justiça, a liminar que suspende o financiamento por parte do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) à Fibria, maior empresa brasileira de celulose e papel, destinado ao plantio de eucalipto ou à produção de celulose em área de quilombolas no Norte do Espírito Santo.

Em ação civil movida pelo MPF/ES, a Fibria é acusada de fraude na obtenção da área destinada à plantação de eucaliptos usados na produção de celulose.

Segundo a ação, no início da década de 1970, antigos funcionários da empresa teriam se habilitado como se fossem pequenos agricultores junto ao governo estadual capixaba, a fim de conseguirem títulos de domínio de terras devolutas. Em seguida, os empregados transferiram os títulos das propriedades localizadas entre Conceição da Barra e São Mateus para a Fibria. Na maioria dos casos, o período em que as áreas permaneciam no patrimônio jurídico do funcionário da empresa não excedia nem mesmo uma semana.

No processo, o MPF pede, além da devolução ao patrimônio público das terras obtidas por grilagem, que seja feita a titulação em favor de comunidades quilombolas de São Mateus e Conceição da Barra, quando comprovada sua ocupação tradicional na área, conforme determina a Lei Estadual 5.623 de 1998. Requer também que a Fibria seja condenada a reparar os danos morais coletivos dessas comunidades no valor de R$ 1 milhão.

A Lei Estadual 5.623/98 obriga o governo do Espírito Santo a emitir os títulos de propriedade às comunidades dos quilombos que comprovarem a ocupação tradicional em terras devolutas, em cumprimento ao previsto no artigo 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal.

Recurso

A manutenção da liminar foi decidida pela Quinta Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2) em dois agravos de instrumento. Além da Fibria, o BNDES apresentou recurso no TRF2, alegando que a operação financeira incluiria a disponibilização de uma linha de crédito para a empresa de cerca de R$ 167,7 milhões, para restauração, até 2019, de 21 mil hectares de mata atlântica na Bahia, no Espírito Santo e em Minas Gerais. Já a Fibria alegou que a realização de benfeitorias ou a transferência da propriedade a terceiros em nada prejudicaria uma eventual titulação de terras em favor dos quilombolas.

O parecer da Procuradoria Regional da República (PRR2) frisou que a manutenção dos financiamentos destinados ao plantio de eucalipto nas áreas discutidas não terá por consequência a melhoria ou a valorização das terras de ocupação tradicional quilombola, mas a continuidade da degradação do solo pelo cultivo de eucalipto e utilização de produtos químicos. Além disso, para a PRR, a clareza da fraude na obtenção das terras objeto de parte do financiamento leva à impossibilidade de que instituição financeira oficial, cujos investimentos são realizados com recursos públicos, financie atividade econômica explorada em área irregular e com reflexos graves nos direitos de comunidades tradicionais.

Decisão – Em seu voto, o relator dos agravos afirma que, pela transcrição de trechos de depoimentos prestados à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI da Aracruz), constantes da petição inicial da ação originária, é possível verificar o modus operandi da fraude: “Os funcionários declaravam-se agricultores e, tão logo legitimada a posse, repassavam-na à empresa”. A decisão rebate o argumento da Fibria de que não haveria estudos conclusivos sobre o seu projeto envolver áreas ocupadas por quilombolas, uma vez que as informações prestadas pelo Incra já permitem identificar a sobreposição das áreas quilombolas e exploradas pela agravante.

Esclarece o magistrado que “o tempo transcorrido desde a legitimação da posse pela empresa não pode servir de fundamento para permitir que a Fibria S.A. continue a dispor e explorar uma terra cuja ocupação, em princípio, deu-se de forma fraudulenta”. Para ele, a urgência da liminar se justifica, entre outros motivos, com o fato de que não há prova de que a empresa teria condições de devolver aos cofres públicos o total do empréstimo, caso o julgamento de mérito seja favorável ao Ministério Público Federal.

Por fim, a decisão destaca que a liminar expressamente suspendeu apenas o financiamento destinado ao plantio de eucalipto e à produção de celulose, não atingindo os recursos voltados para a restauração florestal e o cumprimento da legislação florestal.

O número do processo (primeira instância) para acompanhamento no site Justiça Federal (www.jfes.jus.br) é 0000693-61.2013.4.02.5003.

Clique aqui para ler o inteiro teor da decisão referente ao agravo da Fibria.

Clique aqui para ler o inteiro teor da decisão sobre o agravo do BNDES.

FONTE: http://noticias.pgr.mpf.mp.br/noticias/noticias-do-site/copy_of_geral/mpf-mantem-liminar-que-suspende-financiamentos-do-bndes-a-fibria-celulose

Eike Batista fala da perda do seu patrimônio, mas esquece dos que perderam o pouco que tinham

eike pobre

A entrevista abaixo, publicada pelo Jornal O GLOBO, apresenta a visão de Eike Batista sobre sua derrocada do alto da glória de ser um dos homens mais ricos para alguém que deve, segundo ele mesmo, US$ 1 bilhão. A leitura da entrevista nos revela um Eike Batista levemente mais humilde e capaz de reconhecer parcialmente sua própria culpa no trágico destino das suas empresas pré-operacionais.

Mas essa disposição a falar precisa ser relacionada aos processos que está tendo responder após as ações iniciadas pelo Ministério Público Federal no Rio de Janeiro e em São Paulo. Assim, parte do que está dito pode ser entendido como uma espécie de defesa prévia. Nada melhor para alguém totalmente encrencado do que tentar limpar uma imagem pública que, convenhamos, não é das melhores. Talvez se tivesse agido mais como formiga do que como cigarra, Eike Batista não tivesse que estar nesta posição de contrição.

Aliás, há algo que eu efetivamente não engulo. É que Eike Batista diz que suas empresas pré-operacionais foram projetos custeados pelo seu próprio bolso e que levaram todo o seu patrimônio. Ora, um exame minimamente atento do percurso de Eike de milionário a bilionário, e agora bilionário negativo, vai nos mostrar que o dinheiro da viúva foi usado para regar fartamente o seu complexo de empresas de Powerpoint. Além disso, Eike Batista parece esquecer que no rastro de sua megalomania no Porto do Açu centenas de famílias humildes foram expropriadas e, muitas delas, jogadas na beira da estrada apenas com a roupa do corpo e os poucos pertences que as máquinas da LL(X) não tinham passado por cima. Então, Eike Batista que me desculpe, mas esse lamentar é insuficiente para produzir a expiação pelo mal que foi cometido contra pessoas humildes e trabalhadoras. 

Uma nota interessante. Ao ser perguntado sobre as suas dívidas com o BNDES,  Eike Batista apontou o dedo para o lado dos novos controladores de suas ex-empresas, começando pela EIG Global Partners que controla a Prumo Logística. Interessante saber o que a EIG tem a dizer sobre isso. Afinal, com quem vai segurar o papagaio?

Eike Batista: ‘Botei do bolso. Levaram todo o meu patrimônio’

Empresário diz que tem dívidas de US$ 1 bilhão. E afirma ter sido ‘criado como um jovem de classe média’, quando perguntado sobre arresto de seus bens

POR MARIA FERNANDA DELMAS / GLAUCE CAVALCANTI

Eike Batista: “Talvez tocar cinco empresas foi muita coisa” – / Patrick Fallon/Bloomberg/30-4-2012

RIO – Pouco menos de um ano atrás, o tagarela Eike Batista se calou — à exceção de uma rara entrevista, em abril, ao “Wall Street Journal”, época em que começou a ser investigado pela Polícia Federal. A petroleira OGX entrara no fim de 2013 em recuperação judicial, um símbolo de seu império em derrocada. Ontem, após ter virado réu em ação penal no Rio, Eike decidiu falar. Dispôs-se a 20 minutos de entrevista, com breve exposição prévia sobre seu otimismo e a ressalva dos advogados de que não “saberia responder muito bem” às questões técnicas sobre a Justiça.

Acusado de manipulação de mercado e uso de informação privilegiada, diz que vendeu ações da OSX porque a empresa tinha de se enquadrar a uma regra de ter ao menos 25% de seu capital em Bolsa. E que as ações da OGX tinham sido dadas em pagamento de uma dívida.

Não permitiu ser fotografado. Com mais cabelos brancos, continua exibindo vaidade com os negócios, apesar de ter inserido mea culpa no seu vocabulário. Na conversa que teve antes da entrevista, repetia frases de um roteiro entregue às repórteres com sua defesa. Entre as frases: “Nunca tive a intenção de ludibriar nenhum investidor”.

Eike já foi o mais rico do país e o oitavo do mundo, com US$ 34,5 bilhões, segundo índice da Bloomberg. Agora, diz, sem rodeios, que tem patrimônio líquido negativo de US$ 1 bilhão.

O criador do grupo X, que detestava que tratassem seus projetos como “negócios de PowerPoint”, valeu-se várias vezes de um mapa exibido numa tela de computador para destacar os investimentos em curso no Porto do Açu, no Norte Fluminense. No mercado, o porto é tido como essencial para manter pagamentos a credores.

Perguntado sobre como a família reagia à possibilidade de arresto de bens, afirmou: “Fui educado como um jovem de classe média. Não sei se você perde isso, não.”

As denúncias do Ministério Público tratam de vendas de ações em dois momentos específicos do ano passado. Como o senhor explica isso?

Uma era pela obrigação de me enquadrar. Eu não queria, mas tive de me adaptar às regras do jogo. No segundo caso, eram ações que pertenciam a outro, não eram minhas ações mais. Foram vendidas para quitar dívidas.

O senhor já foi o homem mais rico do Brasil, com US$ 34,5 bilhões. Hoje (ontem) o BC encontrou e bloqueou R$ 117 milhões seus. Qual é seu patrimônio hoje?

Com toda essa renegociação da dívida, minha situação líquida de patrimônio hoje é de menos US$ 1 bilhão (US$ 1 bilhão negativo). É uma negociação de cinco a dez anos de prazo, em que eu trabalho para trazer novos investidores para instalar fábricas no Porto do Açu. Nesse prazo, vou fazer minhas ações se valorizarem. Eles (credores) hoje têm em garantia. Se o valor dobrar, triplicar, vou ter a chance de, na frente, isso sair positivo. Mas hoje minha situação é de menos US$ 1 bilhão líquido.

Isso contando imóveis, dinheiro no exterior etc.?

Tudo. Essa é minha situação hoje. Meu patrimônio.

Petróleo é um negócio de risco em qualquer lugar no mundo, mas vemos muitas companhias investindo nisso e tocando normalmente suas operações, mesmo com projetos ruins. Por que houve essa ruína com a OGX?

Primeiro, a OGX (rebatizada de OGPar e em recuperação judicial) ainda está em pé. Ela produz, tem a perspectiva do BMS-4 e novas parcerias. Na hora em que você vai produzir não é um quarto do que esperava, isso faz parte do negócio. Mas foi uma aposta muito grande que fiz. Podia ter vendido um pedaço antes.

A OGX está em pé, mas foi ela que causou a derrocada do seu grupo. O que poderia ter sido diferente na OGX?

Infelizmente, é um setor de risco muito alto. Confiei demais, até porque o Brasil é um país de baleias, toda semana a Petrobras anuncia uma descoberta. Eu ganho uma área gigantesca na maior bacia produtora do Brasil, e ela é um terço do que a gente imaginava em produtividade.

O senhor ainda não disse por que o problema da OGX causou toda essa crise. O que teria feito diferente?

Nada, nada, nada. O que se poderia dizer é que ninguém no mundo tem uma participação tão grande em uma empresa de petróleo. Deveria ter vendido participações, fechado o capital das companhias e ficado no mercado de private equity. É dinheiro privado que tem mais prazo, em que você aguenta o tranco numa queda gigante e tem chance de recuperar.

A interrelação entre as empresas X pode ter pesado na crise de confiança?

Lógico. Se esse negócio do Eike está mal, por que os outros não estariam? O que quero mostrar é que a venda para novos participantes mostra que a história é um pouco diferente. Não é porque é uma empresa de PowerPoint.

O senhor sempre defendeu investimentos no Brasil. O que acha de agora seus empreendimentos estarem passando para a mão de estrangeiros?

Que triste. Adoraria vender para brasileiros.

O senhor falou que não recebeu do seu corpo técnico as informações que deveria ter recebido. O senhor acha que errou na contratação ou, mesmo dizendo que trabalhava dia e noite, não enxergou o que estava acontecendo no grupo? Era pressão por resultados?

Contratei os melhores, e houve trocas. O pessoal que assumiu na segunda leva teve de completar os estudos que fizeram até a famosa data de junho, e estes são os resultados. Fomos transparentes, e eu confiante. A Petronas estava dando o aval num campo de petróleo, sócios mundiais de primeira linha. Eu não era especialista em petróleo, você vai ouvir as pessoas que falam. E tem um lado de furar sem saber qual é a produtividade do petróleo. Eu tinha confiança absoluta, e não sou tão criança… Aliás, vocês poderiam corrigir essa história de mais rico do mundo, eu já disse que queria ser o mais generoso do mundo. Corrijam isso para mim.

Infelizmente, a lista é dos mais ricos, não há lista dos mais generosos. Mudando de assunto, há empresas suas em recuperação judicial, outras operando, outras em situação difícil. Quais são as prioridades nas suas viagens ao exterior?

Por exemplo, trazer empresas coreanas para o Porto do Açu. Assim agrego valor aos meus ativos penhorados. Dou conselho a todos eles (investidores), todos eles me querem, porque eu concebi esse negócio.

Que lições o senhor aprendeu com a derrocada do grupo?

Nossa… Talvez tocar cinco empresas foi muita coisa. Teria sido mais fácil se elas não fossem de capital aberto, porque no setor privado, com private equity, você tem sete, dez anos para fazer. Você atravessa diferentes crises sem estar exposto àquele resultado trimestral que é duro e te cobra um preço alto. E esses projetos vão beneficiar o Brasil nos próximos 200 anos. Botei dinheiro do meu bolso, estou pagando minhas dívidas, levaram todo meu patrimônio, me deram a chance de nos próximos cinco a dez anos sobrar algo para mim. Por isso trabalho todo dia. Imagina poder pagar a dívida e ainda ficar com meus 20% do Açu?

O senhor pensa em ficar lançando mais negócios?

A prioridade é trabalhar na reestruturação, me dedicar a isso. Muita gente já me disse: “Eike, o que você passou muita gente não iria aguentar”.

Como sua família está lidando com a ameaça de arresto dos bens?

Não é fácil, né?

Mudou muito a rotina deles?

(Risos) Fui educado como um jovem de classe média. Não sei se você perde isso, não.

Quando o senhor vai negociar no exterior, há desconfiança?

No fundo, os investidores estrangeiros encaram pessoas que criam coisas desse porte como pessoas que merecem uma volta. Tem gente que me diz que tem interesse em investir capital comigo, em novos projetos. No Brasil, não, talvez porque eu não tenha falado neste ano e meio (com exceção de entrevista concedida ao “Wall Street Journal”, em abril passado).

O senhor avalia que houve uma superexposição sua?

Pode ter havido, mas eu tinha confiança nos projetos, e no fundo sempre quis passar uma mensagem aos jovens brasileiros de que este país precisa pensar grande, pensar projetos de infraestrutura. Sair desse raciocínio de puxadinho. Sem superexposição você não atinge o jovem.

No auge do grupo, muita gente queria trabalhar com o senhor. Hoje, consegue atrair gente para seus negócios?

Os executivos que trabalharam aqui que façam bom proveito dos recursos que ganharam, que tenham sucesso nos seus empreendimentos, estou tocando a vida com gente nova que gosta de trabalhar com alguém que sabe construir essas coisas.

Por que falar agora? Foi um erro não ter falado antes?

Talvez. Muitos investidores credores não gostam, na negociação, de ver falar. Vamos mostrar primeiro (a estruturação). Vou voltar a falar. Quem sabe me deixam até tuitar.

Como está a relação com o BNDES?

Meus projetos são de infraestrutura. Vocês sempre dizem que o dinheiro do BNDES deve ser usado para infraestrutura. E não foi dinheiro direto do BNDES, foi tudo garantido por bancos privados. Então, uau.

Há alguma pendência com o BNDES?

Não. Há sócios novos hoje, a EIG, hoje é em cima deles.

O senhor pensou em sair do Brasil?

Não, nunca.

O mercado falava muito que o senhor vendeu vento…

Térmicas são vento? Porto, vento? Como você tem uma empresa de petróleo, com as parcerias que elenquei, e não vou ser otimista, com os dados que eu tinha na mão? Quando um pilar quebrou, infelizmente derrubou a casa toda. Me ajudem a mostrar…

O governo dizia que queria outros Eikes Batistas…

Todo meu capital foi para fazer isso acontecer. Se não tivesse aqueles US$ 8 bilhões que investi nos projetos, isso não fica em pé. Porque aí o governo vai “diminui”, “encolhe”, cada um tem uma pauta, aí você tem de empurrar para fazer o certo, o antipuxadinho.

FONTE: http://oglobo.globo.com/economia/eike-batista-botei-do-bolso-levaram-todo-meu-patrimonio-13969727#ixzz3DgmbRoT0

Segredos do Neodesenvolvimentismo: BNDES não quer dizer para quem emprestou

BNDES recorrerá para não abrir dados de empréstimos

Ricardo Brito

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai recorrer da decisão da Justiça Federal em Brasília que obriga o banco a tornar públicas todas as operações de empréstimos e financiamentos feitas pela instituição que envolvam recursos públicos nos últimos dez anos. Na segunda-feira, 18, o juiz Adverci Mendes de Abreu, titular da 20ª Vara Federal da capital, atendeu a um pedido do Ministério Público Federal e condenou o BNDES a abrir as operações.

A assessoria de imprensa da instituição informou que o banco ainda “não foi intimado da sentença, mas tão logo isso ocorra vai recorrer”. A instituição lembrou que a decisão é de primeira instância e não há tem caráter de cumprimento imediato.

Em meados de janeiro, o Broadcast Político revelou que o BNDES “sonega” informações a órgãos de controle, como o Tribunal de Contas da União (TCU), o Ministério Público Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU). À época, o BNDES não quis divulgar ao TCU informações sobre a construção da hidrelétrica de Belo Monte, em Altamira (PA), cujo consórcio Norte Energia S/A vai receber R$ 22,5 bilhões do banco para levantar a usina. Ministros cogitaram aplicar uma multa ao presidente da instituição, Luciano Coutinho.

‘Exceção indevida’

Na sentença, o juiz Adverci Mendes de Abreu, titular da 20ª Vara Federal de Brasília, disse que a divulgação dos dados de operações com empresas privadas “não viola os princípios que garantem o sigilo fiscal e bancário” delas. Ele argumentou ser “indevida” enquadrar as operações do BNDES com empresas privadas na exceção prevista na Lei de Acesso à Informação, em vigor desde 2011, que permitira mantê-las reservadas. Segundo ele, “ao contratar com o poder público, tais empresas se sujeitam às regras de direito público, e, portanto, à lei da transparência”.

Na decisão, Mendes de Abreu estendeu os efeitos da abertura dos dados de operações também para a BNDESPAR, subsidiária do banco de fomento, e também para transações futuras. A multa por descumprimento da decisão é de R$ 50 mil por dia. A sentença prevê que as informações tenham de ser “integralmente” disponibilizadas no endereço eletrônico do BNDES e ainda que o Ministério Público poderá ter acesso a quaisquer operações independentemente de ordem judicial.

De acordo com a assessoria do banco, em nenhum momento a instituição alega não estar sujeita à Lei de Acesso à Informação. A instituição diz que são atendidas, por meio da lei, pedidos de informações de cidadãos, instituições e de órgãos da imprensa.

O BNDES informa que tem uma política de divulgação de seus financiamentos “pró-ativa” e destaca que “grande parte” dos pedidos de informação constantes na ação do MPF já é fornecida, como a descrição dos projetos. A instituição destaca ainda que a Lei de Acesso à Informação não revogou a Lei de Acesso à Informação. Por essa razão, determinadas informações têm divulgação limitada. Entre os exemplos, estão dados financeiros de empresas contratantes e que permitam a avaliação do spread bancário.

“Vale salientar que o BNDES fornece o máximo de informações possíveis sobre suas operações, que estão disponíveis para consulta por qualquer cidadão. São resguardadas apenas aquelas para as quais existam restrições legais que impeçam sua divulgação ou quando estejam relacionadas a questões de caráter comercial e concorrencial que possam prejudicar o BNDES ou seus clientes”, afirmou a instituição, ressaltando que ela é pioneira na disponibilização de informações por meio do site.

FONTE: http://atarde.uol.com.br/economia/noticias/1616608-bndes-recorrera-para-nao-abrir-dados-de-emprestimos

Do Blog do Prof. Roberto Moraes: Prumo (ex-LLX) recebe o maior crédito do BNDES em 2014

Por Roberto Moraes

A matéria está no Valor Online. Este novo volume de recursos de R$ 1,8 bilhão foi contratado em fevereiro deste ano, volume dividido em R$ 900 milhões para renegociação de empréstimos e outros R$ 900 milhões em dívida nova. Ao todo a Primo (ex-LLX) fica com um crédito contratado ao BNDES de R$ 2,3 bilhões.

Hoje, o fundo (banco) de investidores controla 52% do capital do Porto do Açu e, o empresário Eike batista, seu antigo controlador tem apenas 11,6% da empresa. A Prumo diz que até maio de 2015 os investimentos no Porto do Açu deverão estar concluídos.

Observem que a reportagem ainda trata projetos descartados ou adiados (sine-dia) como importação e movimentação de cargas de carvão (o projeto da Usina Termelétrica a carvão da ex-MPX, atual Eneva, teve sua licença ambiental caçada e o grupo alemão E.ON. controlador atual da Eneva, nada fala sobre o projeto da UTE à gás), e de produtos siderúrgicos (já que as duas siderúrgicas que forma desenhadas para o Distrito Industrial (DISJB), a Ternium e a Whuan desistiram dos seus projetos com a oferta em demasia de aço no mercado mundial.

Prumo tem maior contrato de crédito do BNDES no ano

Por Fábio Pupo | De São Paulo
A Prumo Logística (ex-LLX) figura no topo do ranking dos maiores empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) neste ano, de acordo com balanço divulgado nos últimos dias pela instituição. O montante de R$ 1,8 bilhão, contratado em fevereiro, reforça a política da instituição de dar prioridade a infraestrutura. Mas o mercado e o próprio banco veem o financiamento dos investimentos no setor como um desafio nos próximos anos.
A campeã Prumo faz as obras de implantação do porto de Açu, no município de São João da Barra (RJ), dedicado à movimentação de cargas gerais (carvão mineral, produtos siderúrgicos, granito e contêineres) e a serviços de logística para o setor de óleo e gás na Bacia de Campos.
O empréstimo do BNDES aprovado para a Prumo se divide entre R$ 900 milhões de dívida nova e outros R$ 900 milhões destinados a uma renegociação de empréstimo detido anteriormente por um banco privado.
Ao todo, a Prumo contratou com o BNDES R$ 2,3 bilhões de empréstimo-ponte com garantia dos bancos Bradesco e Santander. Além disso, emitiu R$ 750 milhões em debêntures, distribuídas pela Caixa Econômica Federal (CEF). Outros R$ 2 bilhões são capital próprio (chamado de “equity”). Segundo a Prumo, o montante de empréstimos se justifica pelo porto ser “um dos maiores empreendimentos de infraestrutura em execução no país atualmente”.
O novo empréstimo do BNDES vem após mudança de controle. Antes, a empresa era comandada pelo empresário Eike Batista, cujo conglomerado (o EBX) recebeu vários empréstimos do banco de fomento nos últimos anos – o que chegou a ser alvo de críticas do mercado. Hoje, o grupo americano EIG controla a Prumo (com 52% do capital) e Batista tem uma fatia minoritária de 11,6% da companhia.
A expectativa da Prumo é que os investimentos sejam terminados em maio de 2015, mas a operação já está ocorrendo com autorizações pontuais. “Esperamos, dentro de algumas semanas, obter todas as autorizações necessárias para o início da operação”, diz nota enviada pela assessoria de imprensa da Prumo. Nove empresas já assinaram contrato para instalação no Açu – entre elas, Anglo American, BP e GE.
Além da Prumo, outros exemplos contribuem para a força da infraestrutura na carteira do BNDES. Dos 15 maiores contratos do banco no ano (a análise se baseia no relatório mais recente disponível, sobre o primeiro trimestre), nove estão relacionados ao setor. Entre os responsáveis por influenciar os números, estão as recentes concessões em logística.
O segundo colocado no ranking do BNDES é o aeroporto de Viracopos, em Campinas. Foram dois contratos que somam R$ 1,5 bilhão. Outra concessionária, a do aeroporto de Brasília, obteve quase R$ 800 milhões para as obras de expansão. Ainda foram contempladas a concessionária da BR-101 no Espírito Santo e parte da Bahia (controlada pela EcoRodovias), que conseguiu R$ 267 milhões, e a concessionária de ferrovias MRS Logística (com R$ 114 milhões).
O peso maior da infraestrutura na carteira do banco no começo deste ano é uma tendência iniciada há cerca de três anos. Em 2010, por exemplo, a indústria tinha 47% de participação nos desembolsos, contra 31% da infraestrutura. Neste ano (dados até abril, os mais recentes), o cenário está invertido: a infraestrutura tem 37% de participação nos desembolsos, enquanto a indústria, 26%.
Claudio Frischtak, fundador da Inter.B Consultoria Internacional de Negócios, vê como um movimento natural o fato de a infraestrutura ocupar mais espaço no cenário do banco – o que pode ser explicado também por uma baixa demanda de crédito da indústria. “A indústria está indo mal e o setor de comercio e serviços também não está ‘bombando’. O que está acontecendo de maneira mais significativa são as obras de infraestrutura, impulsionada também por conta da Copa”, diz.
Apesar de ainda haver crescimento de desembolso neste ano em relação a um ano antes, a preocupação do mercado com a falta de fôlego do banco continua. “Eu sou um pouco cético no ritmo de o banco sustentar esse desembolso. A grande questão é se é sustentável. Acho que o problema maior será em 2015, por causa do progressivo deterioração da situação fiscal do país”, diz Frischtak. O economista se refere à preocupação sobre as contas públicas do país, já que o Tesouro Nacional tem feito repasses ao BNDES para garantir a liquidez da instituição.
Recentemente, foram mais R$ 30 bilhões repassados. Segundo Claudio Leal, superintendente de planejamento do BNDES, o montante foi “fundamental” para dar tranquilidade ao banco frente aos investimentos.
Leal afirma que é um desafio o volume de investimentos exigido pelas obras de infraestrutura no país, impulsionado pelas concessões. “É um desafio inclusive para o país. É preciso mecanismos alternativos e o desenvolvimento do mercado de capitais”, diz.
Apesar de haver prioridade ao setor de infraestrutura, Leal esclarece que essa política se refere a melhores condições de apoio, como em maiores níveis de participação no financiamento, mais prazo e menos custos. “Jamais haveria uma opção do banco de reduzir empréstimo para a indústria, que é algo tão importante”, diz.
Para Leal, a redução dos desembolsos para indústria reflete o momento econômico da atividade privada. “Os projetos de infraestrutura são definidos muito pelo calendário de licitações. Então o ritmo parte de definições regulatórias, ao contrário da definição privada da indústria de investir.”
FONTE: http://www.robertomoraes.com.br/2014/07/prumo-ex-llx-recebe-o-maior-credito-do.html?m=1

Estadão: BNDES perde disputa milionária para família de senador licenciado do PR do MS

Banco tentava se desfazer de ações do frigorífico Independência, adquiridas após injeção de R$ 250 milhões da BNDESPar na empresa

Mauro Zanatta – O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA – O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) perdeu, no fim de abril, uma disputa milionária na Câmara de Arbitragem do Mercado (CAM), vinculada à BM&FBovespa, na qual tentava se desfazer das ações do frigorífico Independência, da família do senador licenciado Antonio Russo (PR-MS), adquiridas em novembro de 2008, segundo apurou o ‘Estado’.

A BNDESPar, braço de participações acionárias do banco, injetou R$ 250 milhões no grupo para comprar 21,8% do capital da holding Independência Participações S.A., então dona do quarto maior frigorífico do País, com abate diário de 12 mil cabeças em 14 unidades de sete Estados e no Paraguai. O contrato, inspirado na política do BNDES de apoiar “campeões nacionais” para dominar globalmente alguns setores, previa investimentos de outros R$ 200 milhões, o que elevaria a 33% a participação do banco na empresa.

O processo de arbitragem, iniciado em 2010, é sigiloso. Nenhum envolvido quis falar, sob pena de sofrer sanções previstas nas regras da Câmara de Arbitragem da Bolsa. Mas o Estado confirmou o teor da sentença arbitral, cujos termos são definitivos e de cumprimento obrigatório, com quatro fontes ligadas à disputa. No fim, os árbitros negaram ao BNDES o uso da cláusula “direito de regresso”, que daria ao banco a opção de vender suas ações.

A família Russo e o BNDES alegaram, via assessoria, que não poderiam dar informações do processo sob pena de sofrer as sanções previstas no regulamento da câmara da Bolsa. Além da derrota no processo, a BNDESPar terá de bancar todas as custas arbitrais, despesas comuns e honorários de árbitros, por hora trabalhada, de peritos, assistentes e advogados das partes. O banco também terá de pagar multa e correção monetária. Estima-se, no mercado, um gasto acima de R$ 300 milhões com o litígio.

O grupo Independência entrou em recuperação judicial em 27 de fevereiro de 2009, três meses após o aporte milionário da BNDESPar. Depois do tombo, o banco acionou a câmara de arbitragem para tentar obrigar os atuais donos do grupo a recomprar as ações adquiridas em 2008. Os ativos do Independência acabaram nas mãos do JBS, maior frigorífico do mundo e dono da marca Friboi. Consultado, o JBS não se manifestou.

Vaivém

O tribunal arbitral, composto por três membros da câmara da Bolsa, avaliou o processo desde a instauração do procedimento, passando pela audiência de conciliação, até a produção de provas e as alegações finais. Foram vários meses de vaivém entre as partes. Em nota, a câmara da Bolsa informou que “os procedimentos arbitrais que tramitam perante a CAM são sigilosos”.

O governo admite a derrota e o constrangimento interno causado pelo investimento fracassado e, agora, a perda milionária. Fontes oficiais informaram ao Estado que, embora não esteja prevista a divulgação formal da sentença, é preciso relevar a decisão da BNDESPar em adquirir as ações. O primeiro argumento é de que o Independência era uma “estrela do mercado”, empresa das mais relevantes em um setor que “estava em alta” à época. A alegação é de que havia um contexto no mercado,

Parte do governo afirma até que o banco não tinha informações suficientes para tomar a decisão de investimento. Uma fonte ligada à disputa avalia que, como a qualidade das informações era “insuficiente”, o banco, insatisfeito, evitou o novo aporte de R$ 200 milhões. A decisão, segundo essa avaliação, foi tomada com base em “informações precárias”.

O frigorífico era quem deveria ter fornecido elementos para balizar a decisão do banco. Há indicações de que a prática do Independência afetou não só o BNDES, mas bancos como Citibank e Santander, que teriam emprestado US$ 100 milhões para a recompra de bônus emitidos pela empresa no exterior.

A operação teria sido cancelada logo após o anúncio da recuperação judicial. O Independência tinha credores de peso do setor financeiro, como JP Morgan, Bradesco, Itaú e Barclays, o que corroborava a “percepção generalizada” de que a empresa, cujo faturamento atingiu US$ 1,5 bilhão no auge, vivia “situação boa e sólida” à época.

FONTE: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,bndes-perde-disputa-milionaria,1165139,0.htm

As contas complicadas do Porto do Açu e o papel do BNDES neste imbróglio

Perdoem-me os áulicos do Porto do Açu que ainda insistem em ver o empreendimento iniciado pelo ex-bilionário Eike Batista como um farol para o desenvolvimento da região Norte Fluminense, mas há algo de errado nas contas financeiras do negócio. Comecemos por lembrar que em agosto de 2013, houve o anúncio de que a EIG Management Company iria desembolsar R$ 1,3 bilhão de reais para assumir o controle da então LL(X) (hoje rebatizada como Prumo) (Aqui!). Naquele momento as promessas era de que isso seria suficiente para concluir as obras do que então se chamava “Superporto do Açu”. 

Desde então, o que se lê aqui e ali é de que o Porto do Açu irá começar a funcionar ainda no primeiro semestre de 2014, em que pesem as informações de que há um problema crítico no abastecimento de energia elétrica para o interior do empreendimento como, aliás, já foi publicado no blog que o jornalista Esdras Pereira hospeda no site do Jornal Folha da Manhã (Aqui!).

Mas na semana que está se encerrando surgiu o anúncio de que o BNDES teria aprovado um empréstimo ponte para a EIG/Prumo no valor de R$ 1,8 bilhão para que seja investido na conclusão do Porto do Açu (Aqui!). Ai é que contas começam a ficar complicadas, e eu não falo apenas da parte financeira. É que no dia 12 de janeiro, o jornal Folha da Manhã publicou uma matéria sob o pomposo título de “Porto do Açu quase pronto para operar” (Aqui!), o que torna estranho que o BNDES tenha que liberar mais recursos para a conclusão da obra.  A verdade é que não é preciso ser economista ou matemático para notar que as contas não fecham. Afinal, se a EIG investiu R$ 1.3 bilhão para que mais esse empréstimo do BNDES para completar algo que já se inicia estar quase pronto para operar?

Há ainda que se lembrar que nenhuma das anunciadas vindas para a chamada retroárea do Porto do Açu vai se concretizar. Aliás, se nem as poucas empresas que estão já presentes não estão com o fornecimento de energia elétrica garantido, qual seria a corporação que viria começar um novo empreendimento numa situação em que a economia mundial simplesmente está com ojeriza de riscos? Essa é uma clara improbabilidade, e só os muito ingênuos ou os muito mal intencionados não vão conseguir entender o que eu estou falando.

Uma última palavra para o BNDES e seu empréstimo ponte para a EIG. O que mais me chama a atenção nessa operação é que salvo engano, a EIG é na prática uma gerenciadora de fundos de investimento que atuam na área energética. Isso deveria significar que a EIG deveria estar atraindo capitais externos para investir no Porto do Açu sem precisar de um empréstimo graúdo do BNDES que, aliás, o faz, ao menos em parte, com dinheiro do Fundo de Apoio ao Trabalhador (FAT). Será que ninguém na diretoria do BNDES vê que esse é um empréstimo com um grau alto de risco? Eu que nem economista sou, sinto o cheiro de problemas bem perto.

Todas essas questões são ainda agravadas pelo fato de que enquanto o Porto do Açu recebe bilhão após bilhão de dinheiro público na mesma região persiste uma condição de total desrespeito à centenas de famílias que tiveram suas propriedades expropriadas a preços que o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro está considerando como irrisórios? E, pior, um número significativo dessas famílias continua sem ver a cor do dinheiro? Isto sem falar no absurdo que muitos agricultores continuam a ser cobrados para pagar os valores devidos do Imposto Territorial Rural (ITR)?

Ai é que eu digo: contas complicadas e BNDES cada vez mais enrolado!

Eike Batista está vendendo mais anel: agora é a SIX

A agência Bloomberg está noticiando que o bilionário argentino Eunerkian está em tratativas para comprar os 33% que o seu outrora companheiro de bilhões Eike Batista dispõe na SI(X) (Aqui!) . Para que não se lembra, a SI(X) é aquela empresa de semicondutores localizada na cidade de Ribeirão das Neves (MG) cuja construção está sendo custeada com um generoso financiamento do BNDES.

Essa desnacionalização da SI(X) é apenas mais uma das muitas que a derrocada do conglomerado de Eike Batista causou. Esse aspecto, que tem sido pouco debatido, é a faceta mais óbvia de um processo de desnacionalização de áreas estratégicas da economia brasileira. E a isso, os neopetistas chamam de “neodesenvolvimentismo”. Eu prefiro chamar de recolonização. No caso, da SI(X), os senhores coloniais estão logo ali em Buenos Aires.