WikiLeaks mostra que NSA continua espionando Dilma Rousseff e outras autoridades federais brasileiras

dilma-obama-espionagem-500x250

Em sua recente visita aos Estados Unidos da América, a presidente Dilma Rousseff recebeu afagos do presidente estadunidense Barack Obama, que incluiu até a promessa de que não seria mais objeto de espionagem pela National Security Agency (NSA), aquela mesma que foi exposta por Edward Snowden.

Bom, mas como quem ouve declaração não vê a ação real, hoje (04/07) o site Wikileaks emitiu um comunicado de imprensa acompanhado de uma lista de telefones de altas autoridades brasileiras que tiveram (ou tem) seus telefones grampeados pela NSA (Aqui!).

wikileaks

Além disso, o comunicado de imprensa está acompanhado da lista de autoridades que estão com seus telefones grampeados pela NSA como mostram as imagens abaixo. E ai, além da presidente Dilma Rousseff, podemos ver que estão tendo suas conversas devidamente escutadas pelos espiões estadunidenses o ministro da Fazenda, os embaixadores brasileiros em Berlim e Paris, Antonio Pallocci, e os ministério das Forças Armadas. Isto sem falar nos telefones do avião presidencial!

wikileaks 1 wikileaks 2

 

A pergunta que fica agora: o que fará Dilma Rousseff para defender o Brasil da espionagem realizada pela NSA?

Sinais de fumaça no ar do Brasil!

Por Maria Orlanda Pinassi

Repressão-Greve-PR-2

Na era atual, sob o capitalismo monopolista, já se aprendeu ‘o que era útil sobre o fascismo’, os riscos que se devem evitar e como operar uma fascistização silenciosa e dissimulada, mas altamente ‘racional’ e ‘eficaz’, além de compatibilizável com a democracia forte.

Notas sobre o fascismo na América Latina. Florestan Fernandes.

No último mês de março assistimos a duas manifestações correlatas – uma no dia 13, outra no dia 15 -, revitalizando a suposta polarização da campanha eleitoral de 2014. De um lado, sindicatos e movimentos sociais umbilicalmente ligados ao PT saíram às ruas com uma missão no mínimo contraditória: defender Dilma (dos rumores de impeachment), a Petrobrás (dos rumores de privatização), a reforma política (no combate à corrupção, com um congresso quase todo ele implicado em alguma negociata, além do caráter francamente reacionário de seus deputados e senadores). E ainda protestar contra os golpes que esse mesmo governo que defende despeja sobre a classe trabalhadora a título de um “necessário ajuste fiscal”.  O destaque foi dado às MP’s 664/665, que redefinem, em detrimento dos trabalhadores, as regras do seguro-desemprego e ao FIES, cujo acesso, dificultado pelo MEC, testou a paciência e a credulidade de milhares de jovens de baixa renda que, nos anos anteriores, foram aliciados, mediante sistema de crédito, ao ingresso no ensino superior privado.

De outro lado, uma manifestação chamada pela direita jovem-oportunista dos “Vem pra rua”, Movimento Brasil Livre (MBL), entre outros, e por uma minoritária, mas ruidosa, extrema-direita (5% dos manifestantes do dia 15). De verde/amarelo, juntos e misturados a muitos outros simplesmente insatisfeitos com as medidas econômicas, e desiludidos com a crise política instaurada pelas denúncias do Mensalão e da Operação Lava Jato, gritavam palavras de ordem contra a corrupção. Mais ou menos conscientes, mais ou menos raivosos, racistas, homofóbicos, machistas, o perfil levantado dos participantes mostra que compõem, em sua maioria, a flexível classe média brasileira, a mesma que, ironicamente, o PT se ufanou de inflar nos primeiros 13 anos de governança.

Falsa polarização

Desde junho de 2013, a base aliada do governo federal apela para a formação de uma frente de “esquerda” como forma de conter as ameaças de golpe. Forja no medo e nos “riscos” de isolamento político uma polarização ideológica. Isso aconteceu quando a direita tomou as ruas de assalto para despolitizar a luta pela catraca livre. Surgia ali o bordão da anticorrupção que fez despencar os índices de popularidade até então confortáveis que Dilma herdou de Lula. Naquele momento, a presidente mostrou sua incultura política ao fazer tábula rasa das reivindicações populares, para contemplar justamente os anti-petistas com a promessa de um dispositivo moral: a reforma política.

Há muito tempo, porém, a “polarização” se realiza numa falsa alternativa – ou PT ou PSDB -, para o que afirmo ser um mesmo partido neoliberal com duas alas de direita. Pois ambos puseram em marcha um padrão de desenvolvimento nefasto do ponto de vista social e ambiental. Pelos serviços prestados ao capital, disputam as polpudas propinas das empreiteiras escolhidas para realizar as obras faraônicas do PAC, dos megaeventos esportivos, da especulação imobiliária etc. O PT está em seu 4º mandato porque foi bem mais eficiente com sua política de consenso (o lulismo), que conseguiu assegurar lucros astronômicos para as burguesias internas e externas e, numa obra de engenharia política exitosa, domesticou sindicatos e movimentos sociais outrora combativos.

A aparente novidade dos fatos é que a direita saiu da caserna para criar, com a ajuda da mídia, um clima de fascistização similar ao que se assistiu durante o regime civil-militar. Sem pretender minimizar os riscos que de fato corremos com toda essa movimentação sinistra, lembro que o processo pode ser a cereja de um bolo que se assa já há algum tempo. Por exemplo, para as populações pobres de maioria negra das periferias das cidades brasileiras, que sofrem cotidianamente forte criminalização seguida de pesada militarização de seus territórios, essa novidade já é sua velha conhecida.

Militarização, reforma agrária, trabalho escravo, questão indígena

Pelo andar da carruagem, imagina-se que o agravamento social dado pelo aumento da inflação e pelo crescimento das taxas de desemprego resultantes do endurecimento da nova gestão, intensifique ainda mais a necessidade de ativos militarizados pelo país. Uma movimentação vem se verificando no Planalto neste sentido, pois, até o final do ano, Dilma deve enviar ao Congresso uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para que a União divida com os estados a responsabilidade pelas políticas de segurança, que atualmente é uma atribuição dos estados da nação (1).

Nada disso, no entanto, é capaz de evitar, se é que não agrava ainda mais o quadro apresentado pela Anistia Internacional: o Brasil mata 82 jovens por dia. “Eles foram vítimas de 30 mil assassinatos em 2012; do total de mortes, 77% eram negros, o que denuncia um genocídio silenciado de jovens negros”. Além disso, entre os anos de 2004 e 2007, “matou-se mais no Brasil do que nas doze maiores zonas de guerra do mundo (…) quando 192 mil brasileiros foram mortos, contra 170 mil espalhados em países como Iraque, Sudão e Afeganistão”.

Importante registro dos fatos é que, com vistas a um assento no Conselho de Segurança da ONU, o governo Lula, assim como outros governos “progressistas” da América Latina, incentiva uma ofensiva no Haiti – a Minustah, uma intervenção repressiva denominada de “ajuda humanitária” pelo governo petista, fortemente rejeitada pela população local.

A democracia brasileira dos últimos anos pode ser questionada ainda pelo silêncio prolongado em relação à reforma agrária, bem como à onda de violência no campo. De acordo com informações do Centro de Documentação da CPT, Dom Tomás Balduíno, em 2014 já foram registrados 23 assassinatos em conflitos no campo, sendo que mais 3 estão sob averiguação.

Do mesmo modo, exemplificamos o aumento das denúncias de trabalho escravo pelo país afora. Para se ter uma ideia, o interior de São Paulo, estado mais moderno do país, registra um crescimento de 76% das ocorrências no ano de 2014. E ainda, o que dizer das condições subumanas a que são submetidos milhares de indígenas das mais diferentes etnias em todo o Brasil? Quando não morrem à míngua em reservas favelizadas ou nos barracos armados nas beiras de estradas, são assassinados por jagunços do agronegócio interessado em suas terras. Nestes casos todos, o governo atual, ao nomear Katia Abreu, sua ministra da agricultura, um nome que, nos quesitos truculência, trabalho escravo e devastação ambiental, dispensa maiores apresentações, se coloca como agente imediato do flagelo que atinge as populações pobres e vulneráveis do campo.

Esgotamento do atual padrão de desenvolvimento e a onda de contestação

Não, a polarização não aconteceu entre os dias 13 e 15 março. Ela é bem outra e remete ao esgotamento do padrão de desenvolvimento aplicado nos últimos 13 anos e cuja característica mais importante a ser ressaltada foi a competência de legislar contra a classe trabalhadora e obter, pela oferta de políticas compensatórias, sua adesão. Tudo indica que esse modelo está com os dias contados.

Prova disso é o fortalecimento de um país que não frequenta a mídia – quando frequenta é sob pesada censura – e que vem recompondo uma onda rebelde com aporte na luta de classes. Esse país também se revela nas ruas, mas, mais do que isso, ele se apresenta nas periferias, nos canteiros de obras, pátios de fábricas, garagens de ônibus, nas rodovias, por uma massa crescente de atingidos pelas políticas de desenvolvimento promovidas pelo aliancismo petista. Essa massa se empenha em lutas populares e contingentes, sem protagonismos, em lutas que se abrem para o enfrentamento direto em função de carências sociais crescentes e limites das mediações burocratizadas da democracia burguesa.

Neste quadro, predomina o papel desempenhado pela atual explosão de greves deflagradas – das 446 greves, em 2010, saltou-se para mais de 900, em 2013, e ainda para 1900, em 2014. Em alguns casos, as greves acontecem à revelia dos seus sindicatos pelegos – por trabalhadores dos setores públicos e privados, muitos dos quais terceirizados, precarizados. Ressalto o movimento articulado por garis e professores da rede pública do Rio de Janeiro, Paraná, São Paulo, pelos metroviários paulistas (neste caso, organizados por um sindicato combativo), por motoristas e cobradores em várias cidades brasileiras, pelos milhares de trabalhadores que frequentemente paralisam obras da magnitude das hidrelétricas de Belo Monte (PA) e de Jirau (RO), do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro – COMPERJ, dos megaeventos esportivos e culturais.

Revela-se o Movimento Passe Livre em luta pelo “transporte gratuito de verdade” e pela mobilidade urbana. Somente nestes primeiros dias de 2015 conseguiu realizar manifestações massivas pelo Brasil, com destaque para São Paulo, com a presença de mais de 10 mil pessoas. Ressalto o papel dos movimentos de luta por moradia e ocupação contra as violentas remoções e os enormes gastos públicos para atender aos interesses das empresas privadas envolvidas com o PAC, a COPA da FIFA, as Olimpíadas e com a especulação imobiliária, dentre os quais ganham relevo no último período o Movimento de Trabalhadores Sem Teto (MTST) e a Articulação Nacional dos Comitês Populares da COPA (ANCOP). Ressalto também os movimentos de denúncia da violência policial sobre as populações pobres das periferias, com destaque para as Mães de Maio, o Tribunal Popular – o Estado no Banco dos Réus, o Movimento Periferia Viva.Obviamente que as lutas do movimento estudantil fazem a diferença no combate à privatização velada que corrói a autonomia da universidade pública brasileira.

Massas mais politizadas, Estado mais militarizado

Localizados por vezes fora das vistas e do controle do Estado, esses movimentos, mais ou menos conscientemente, desencadeiam um efetivo processo de politização das massas, o que há tempos as formas tradicionais, institucionalizadas, ao adotarem a linha de menor resistência, abandonaram. Em alguns casos, atuam sem as mediações controladas pelo capital, e costumam remeter-se diretamente aos motes causais (econômicos) de seus infortúnios: salários, condições de trabalho, dos serviços de transporte, saúde, educação, moradia e terra são alguns dos seus alvos. Caso emblemático dessa ofensiva é o da luta dos indígenas pelaautodemarcação de terras (2).

A crise da água e da energia atinge, sobretudo, a população de baixa renda das cidades médias e grandes da região sudeste, constituindo uma questão de enorme gravidade, provocando manifestações vigorosas contra o racionamento, o fornecimento de água de qualidade duvidosa e os tarifaços praticados pelos órgãos incompetentes. A Revolta de Itu, cidade do interior do Estado de São Paulo, surge exatamente desse processo.

Se não se comportam como movimentos anticapitalistas, seu maior trunfo é que, dessa maneira, pouco ortodoxa, desnudam os limites cada vez mais estreitos do capital que, na atualidade problemática do governo Dilma, não pode, nem pretende atender às reivindicações populares mais elementares.

Por isso, mesmo esses movimentos tendem a se radicalizar e ser alvos de repressão policial ostensiva, de criminalização permanente, e seus manifestantes submetidos a condenações sumárias. Só pela violência a democracia vem tentando controlar as lutas. E para isso uma ditadura nos moldes de 64 não tem se mostrado assim tão necessária, pois, para grande parte da população brasileira, sobretudo se ela for pobre, negra, trabalhadora, inconformada, a violência do Estado, seja ele petista, peessedebista, não é ameaça, é uma realidade.

Sim, Florestan, na epígrafe que abre essa análise, tinha absoluta razão.

 Notas :

(1) http://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2014-11/dilma-enviara-pec-ao-congresso-para-uniao-atuar-com-estados-na-seguranca

(2) Ver sobre a luta dos Mundurukus por suas terras ameaçadas pela construção da hidrelétrica de São Luiz na região Norte do país. http://www.greenpeace.org/brasil/pt/Noticias/A-luta-dos-Mundurukus-contra-a-invisibilidade-/

Maria Orlanda Pinassi é professora do departamento Sociologia FCL/UNESP Araraquara. Membro suplente da ADUNESP Central.

FONTE: http://correiocidadania.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=10722%3Asubmanchete280415&catid=72%3Aimagens-rolantes

Fisgado no Swissleaks, HSBC pode fechar portas no Brasil

Envolvido em escândalos, banco HSBC pode deixar o Brasil, diz jornal Financial Times

HSBC 

Envolvido em uma série de escândalos e diante de fracos resultados financeiros em vários países, o banco britânico HSBC considera vender a operação de varejo e uma parte do seu banco de investimento no Brasil como parte do seu novo plano estratégico, segundo a edição online do jornal Financial Times. O desinvestimento no Brasil, conforme a publicação, faz parte do plano do banco de sair de mercados emergentes em um esforço para ser “simples e menor”.

Essa estratégia está acelerada e inclui não só venda de ativos no Brasil, mas também na Turquia, conforme publicou o FT, citando fontes que pediram anonimato. A saída de mercado emergentes vai, de acordo com a publicação, de encontro com o direcionamento anterior, que durante anos foi seguido pelo HSBC, de ser um banco global com atuação local.

Considerado o maior banco europeu em valor de mercado e com presença em mais de 80 países, a instituição tem adotado uma postura mais defensiva após o envolvimento em uma série de escândalos e ter apresentado o lucro anual mais baixo dos últimos cinco anos.

A filial do HSBC na Suíça é personagem central de um escândalo tributário que está sendo investigado em vários países. A subsidiária teria colaborado com algumas dezenas de milhares de clientes para evitar o pagamento de impostos. No Brasil, o HSBC também está sendo investigado por suposta relação entre contas da filial suíça com o escândalo de corrupção na Petrobras.

O Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, entrou em contato com a área de comunicação do HSBC em Londres, mas nenhum porta-voz estava disponível para comentar o tema.

Em fevereiro, o HSBC anunciou que a filial brasileira registrou prejuízo de US$ 247 milhões em 2014. Esse foi o pior resultado entre todas as filiais latino-americanas. A direção do banco explicou que o prejuízo foi gerado pelo ambiente econômico desfavorável e a continuidade dos ajustes gerados pelo reposicionamento do banco no País.

Em meio ao fraco resultado no Brasil, a instituição financeira fez uma grande provisão de US$ 640 milhões durante o 4º trimestre na América Latina, sem detalhar em qual país. Vale lembrar, porém, que várias instituições financeiras fizeram provisão ante o risco de eventual problema em empréstimos corporativos, especialmente ligados ao setor de petróleo e gás e construção.

Sem a provisão, o conjunto das unidades da América Latina do HSBC teria tido lucro ao invés do prejuízo reportado. Na região, as filiais mais importantes são do Brasil, Argentina e México.

O HSBC detalha anualmente o resultado financeiro de 21 filiais. Entre todas as subsidiárias, Brasil e Turquia têm reportado prejuízos consecutivos no segmento de varejo. Na filial brasileira, as perdas acontecem desde 2013. Na Turquia, a o resultado não é positivo desde 2012. Junto, o varejo das duas unidades gerou perdas de US$ 549 milhões nos últimos anos à sede. Entre as demais filiais, não há persistência de prejuízos como nos dois países emergentes.

No ano passado, a unidade de varejo da França também teve perda de US$ 181 milhões. O resultado negativo, porém, parece um ponto fora da curva, já que a unidade francesa apresenta normalmente o segundo melhor resultado da Europa – atrás apenas da sede no Reino Unido.

No início do mês, a imprensa mexicana também publicou que o banco inglês estuda vender os ativos no país e no Brasil. Segundo o jornal El Financiero os bancos Scotiabank e Ve por Más estariam negociando a compra. Procurado, o HSBC disse que não comentaria especulações de mercado.

Dieese: banco tiveram ano de recordes em lucros no Brasil

Mesmo num ano de crise como foi 2014, os cinco maiores bancos brasileiros tiveram recordes de lucro, segundo estudo do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). A informação é do portal UOL. As instituições ganharam com cobranças de taxas e serviços.

Segundo o levantamento, Itaú, Bradesco, Banco do Brasil, Caixa e Santander tiveram lucro de R$ 60,3 bilhões, o que significa 18,5% a mais que em 2013. “A rentabilidade seguiu elevada nos grandes bancos, mantendo o setor financeiro entre os mais rentáveis da economia nacional e mundial”, aponta o estudo.

FONTE: http://www.brasilpost.com.br/2015/04/18/hsbc-pode-deixar-o-brasil_n_7092064.html?utm_hp_ref=tw

Perto do fim da escravidão, 60% dos negros trazidos ao país eram crianças

Caetano Manenti, do UOL, no Rio

 

Reprodução/Johann Rugendas

Ilustração de 1835 mostra o porão de um navio negreiro. Estima-se que mais de 660 mil africanos escravizados morreram no caminho entre a África e o Brasil

Ilustração de 1835 mostra o porão de um navio negreiro. Estima-se que mais de 660 mil africanos escravizados morreram no caminho entre a África e o Brasil

Brasil e Portugal estão no topo de um ranking que não traz nenhum motivo de orgulho: os dois países são os maiores protagonistas do site Slave Voyages (em inglês, viagens escravas), onde estão catalogadas 29 mil travessias transatlânticas, que carregaram 9 milhões de escravos. No total, barcos com bandeira de Portugal/ Brasil chegaram a transportar 5,8 milhões de escravos. Em segundo lugar no número de escravos comercializados para a América, está o Reino Unido, com 3,3 milhões de escravos, especialmente com destino à Jamaica.

A Comissão da Verdade da Escravidão Negra da OAB-RJ (Ordem dos Advogados do Brasil) abre os trabalhos nesta segunda-feira (13) e já pediu ao Consulado dos EUA auxílio para trazer ao Brasil nos próximos meses os pesquisadores responsáveis pelo site.

Os números mostram que houve um forte aumento na quantidade de escravos jovens negociados nos últimos anos da escravidão no Brasil, justamente quando as leis abolicionistas se recrudesceram. Nos 200 anos anteriores a 1841, por exemplo, a proporção de crianças nos navios negreiros foi de 7,6%. Só nos últimos 15 anos deste período, o índice saltou para 59,5%. 

“No período ilegal do tráfico (a partir de 1831), era mais fácil para o traficante deslocar uma grande quantidade de escravos de uma região para outra se fossem crianças, já que havia entre elas menor resistência à escravidão”, explica o historiador Daniel da Silva, integrante do grupo –ligado à Universidade de Emory, em Atlanta (EUA)– que conduz o estudo desde a década de 1960.

O banco de dados possibilita novos registros de pesquisadores parceiros. A plataforma está dividida em duas: uma parte expõe os números dos documentos já obtidos; a outra faz projeções por meio de cálculos demográficos. 

A estimativa atual aponta que 45% dos escravos em direção à América vinham ao Brasil. Isso significa 5,5 milhões de negros trazidos à força para o país. Segundo os cálculos, 12% deles não desembarcaram aqui –estima-se que mais de 660 mil morreram antes do fim da viagem.

As principais rotas negreiras também são detalhadas no site. Os escravos comprados no Benin tinham o porto de Salvador como destino mais comum. Da Senegâmbia, saíam os escravos que trabalhariam no ciclo do algodão, no Maranhão. Era alto o índice de rebelião destes africanos –muitos deles, muçulmanos.

Somente no século 19 o porto do Rio de Janeiro torna-se o líder absoluto do continente em escravos desembarcados. A maioria expressiva veio de Luanda. O ano de 1829 foi o de comércio mais intenso no Brasil, com estimativa de 79 mil novos escravos. A remo e a vela, o bergatim tornou-se o tipo de embarcação que mais trouxe africanos ao país. O estudo ainda mostra o sadismo nos nomes de muitos desses barcos, como Caridade, Feliz Destino, Feliz Sociedade e Esperança.

Alguns documentos ajudam os brasileiros a supor como poderiam ser seus próprios nomes não fosse o batismo obrigatório por aqui. Em 1826, Bozo, Tozu, Boya e Dee saíram do Benin em direção a Salvador. Em 1832, Muamba, Malungo, Goma e Bungu deixaram Luanda rumo ao Rio. “O batismo cristão e a escravidão andam sempre juntos nesta história. Tinha que se batizar o escravo”, conta a historiadora Ivana Stolze, da Fundação Casa de Rui Barbosa. 

A fundação, em parceria com a PUC-RJ (Pontifícia Universidade Católica), está traduzindo o estudo para o português e deve colocá-lo no ar em outubro, quando lançar um site próprio sobre Memória da Escravidão e Abolição. “Além do público, a Casa também tem a missão de oferecer material para os professores e, assim, formar pesquisadores”, afirma Lúcia Maria Velloso, chefe do arquivo.

FONTE: http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2015/04/13/perto-do-fim-da-escravidao-60-dos-negros-trazidos-ao-pais-eram-criancas.htm

Syriza e Podemos: mostra que ainda espaço para utopia no “realpolitik”

Tem algum tempo que cansei de ouvir as lamúrias pragmáticas e anti-utópicas que são disseminadas pelos militantes e simpatizantes do PT (ou neoPT como alguns gostam), É que se prestarmos um pouco de atenção nas lamúrias que são jogadas para explicar a guinada à direita do partido, o que veremos é a defesa dos limites de uma política real que deixaria Harry Fukuyama (aquele que previu o fim da história após o desmantelamento do Muro de Berlim) feliz demais. É que, por detrás as lamúrias pragmáticas, o que se tem é a decretação cínica do  fim das utopias e das possibilidades de algo mais do que gerir bem o Estado burguês no horizonte dos partidos que se proclamam de esquerda.

Como estava dentro do PT quando o Muro de Berlim virou poeira, lembro bem desse chorôrô. É que mal tinham acabado de voltar de um curso de formação política na Alemanha Oriental, Lula e Zé Dirceu tiveram que se defrontar com o fim do falso socialismo, e a abertura de chances reais de ser rediscutida a construção de uma nova sociedade. Ali enquanto os trotskistas como eu viam a abertura de uma chance real de construção do socialismo, os pais do neopetismo viram uma derrota histórica e desmoralizante.

De lá para cá, o que se viu foi a contínua concessão aos ditames do mercado por um lado e, de outro, a completa adesão aos piores elementos da política burguesa e nas suas formas mais abjetas dentro da forma atrasada de desenvolvimento do Estado burguês no Brasil. 

E em função disso, é que temos todo tipo de ataque aos que ousam dizer que o realismo do PT não serve ao interesse dos trabalhadores, camponeses e à juventude do Brasil.  Qualquer sinal de crítica é logo tachado de ultra-esquerdismo e por ai vai.

Agora, me parece que o PT está para se defrontar um novo Muro de Berlim, só que agora saído das eleições gerais na Espanha e na Grécia. É que nesses países devem emergir vitoriosos partidos políticos que lembram muito o PT no seu nascedouro, e com muitas das mesmas contradições que o partido então tinha. E o mais interessante é que o Syriza na Grécia e o Podemos na Espanha resultam de um cansaço extremo com a mesma lógica de “realpolitik” abraçada por forças tradicionais da esquerda espanhola e grega, e que foi a mesma à qual o PT abraçou no Brasil.

Alguns dos “teóricos” neopetistas vão querer dizer que Espanha e Grécia não possuem a mesma importância geopolítica do Brasil, e outros trololós, o que condena Syriza e Podemos à inexpressividade. Tudo besteira, já que posicionados na periferia imediata dos mercados centrais, Espanha e Grécia poderão causar sérios abalos na ordem geopolítica comandada pela aliança EUA-Alemanha, e que hoje mantem a Europa numa condição de quase Estado de sítio. 

O fato é que se as pesquisas eleitorais que hoje dão vitórias para Syriza e Podemos se confirmarem, e esses partidos não abandonarem suas bandeiras políticas como fez o PT, o que deveremos ter é um abalo sistêmico no sistema político europeu e, por extensão, mundial.

Dai será só esperar as explicações estapafúrdias que os neopetistas irão tentar dar. A ver!

Financial Times: corrupção no Brasil inclui PSDB

Liberdade de expressão só é boa em Cuba?

Depois do reatamento das relações diplomáticas entre Cuba e os EUA, há uma onda de artigos e outros tipos de materiais avaliando o efeito que esta medida trará na liberdade de expressão na ilha governada por um partido dito comunista. Como sou de uma linha ideológica que teve militantes mortos ou aprisionados pelo governo liderado por Fidel Castro, não compartilho da ilusão de que lá se vive uma democracia proletária. Aliás, desde que Fidel decidiu abraçar o modelo inventado por Josef Stálin não haveria porque esperar que a ação do Partido Comunista Cubano se assemelhasse aos primeiros anos de governo revolucionário do Partido Bolchevique na Rússia revolucionária.

Mas  por que tantos, inclusive alguns militantes supostamente de esquerda, se preocupam tanto com a liberdade de expressão em Cuba, se está mais do que demonstrado que esse fetiche da democracia burguesa tampouco existe nos chamados países do capitalismo central? Além disso, depois das revelações de Edward Snowden, e da ação do governo britânico contra o jornal The Guardian que as publicou, ficou mais do que claro o tamanho da liberdade que se tem para expressar desacordo contra os governos centrais dentro de seus próprios limites territoriais.

E no Brasil, esse fetiche só serve mesmo para alimentar as paranoias esquisitas das viúvas da ditadura militar de 1964 que creem fielmente que hoje vivemos uma ditadura bolivariana e demandam a volta dos militares ao poder. De resto, liberdade de expressão não é algo tangível ou sequer alcançável num país onde persistem diferenças abissais entre ricos e pobres até que se resolva esse fosso.

Enquanto essa situação perdurar liberdade de expressão continuará sendo algo que a mídia corporativa alardeia toda vez que quer constranger algum governante para depois exigir gordas verbas publicitárias em troca de um tratamento mais ameno. Basta ver o que vem acontecendo com os diferentes governos comandados pelo dupla PT-PMDB para ver como a mídia corporativa usa e abusa de sua liberdade de se expressar, sem que se preocupe em, por exemplo, pagar os tributos devidos ao fisco nacional.

Assim, quem quiser realmente se preocupar com a liberdade de expressão que gaste suas energias no Brasil, e deixemos os cubanos cuidarem da deles.

O genocídio da juventude negra é um exagero conceitual?

Por Da redação

O genocídio da juventude negra é um exagero conceitual?DJ Cortecertu*, na página Bocada Forte

Genocídio dos nossos. Exagero conceitual?

O genocídio da juventude negra é realizado de formas diferentes. A mais sangrenta e cruel está nas esquinas, becos, vielas, na geografia caótica das favelas, comunidades que têm seus barracos que desafiam a arquitetura dita formal. Foram 56 mil pessoas assassinadas em 2012, sendo 30 mil jovens entre 15 e 29 anos, destes 77% jovens negros.

Outra forma igualmente cruel, mas não tão sangrenta – pelo menos num primeiro momento – não tem pólvora, fardas, balas endereçadas, balas perdidas. Esta forma dilui os acontecimentos pela negação da realidade, pelo seu foco no fator econômico e de classe. Dizem que brancos e negros são iguais na pobreza, mesmo sabendo que os alvos pobres têm pele escura. Os jovens negros morrem, são assassinados.

Existe também a indústria tecnológica da distração, vídeos bizarros, gatinhos fofos, piadas, conversas e mais conversas instantâneas sobre as últimas febres, os últimos memes. Brancos compartilham diversão com negros, negros compartilham diversão com brancos, mantendo o discurso sobre a violência longe, mas a prática assassina não fica distante. Fica perto de quem? Os jovens negros morrem, são assassinados.

A violência é ruim para todos, por que só as mortes de jovens negros estão em evidência?

Esta pergunta é feita por brancos ditos conscientes, brancos assumidamente racistas, brancos indiferentes, entretanto, é reproduzida por uma grande parcela dos negros. A resposta pode confortar os brancos, mas, para os jovens negros, o que resta é “conforto” do “descanse em paz”.

O genocídio da juventude negra é um exagero conceitual? Não. Vamos viajar. Se liga no castelo que será montado nas linhas seguintes.

Digamos que o Estado, na impossibilidade de fazer recuar os índices de homicídios entre os de pele mais escura, resolvesse equalizar esse espectro de morte contratando milícias para executar jovens brancos. Nada pessoal, apenas uma questão de equilibrar as estatísticas e mostrar que essa ideia de genocídio da juventude negra é uma balela.

Dói, né? Que crueldade. Agora que fiz muitos sentirem o que sentimos na PELE (e me considerarem racista), espero que além de levar a sério nossa luta, entendam de verdade que toda vida tem valor.

Se sempre utilizam nossa cor, a cor negra, para impor a desigualdade e mostrar que somos inferiores, é por meio da afirmação de nossa cor e conhecimento da nossa história que reergueremos nosso orgulho, moldaremos nosso presente, mudaremos nosso futuro.

Racismo às avessas? Por favor, não sejam ignorantes.

*Editor do Bocada Forte. Também é DJ, bibliotecário, produtor musical e colunista do jornal Brasil de Fato.

FONTE: http://www.revistaforum.com.br/rodrigovianna/plenos-poderes/o-genocidio-da-juventude-negra-e-um-exagero-conceitual/

Desfazendo mitos

Por Paulo Passarinho*

 

 Recentemente, setores que apoiam o atual governo divulgaram um manifesto onde, com toda razão, se posicionam contrariados com algumas das iniciativas da presidente reeleita. Particularmente, registraram seu descontentamento com a já confirmada nomeação de Joaquim Levy, como futuro ministro da Fazenda, e a possível ida de Kátia Abreu para o Ministério da Agricultura. Para os signatários deste manifesto, durante a última campanha presidencial teria ficado claro que eram dois os projetos em disputa e essas escolhas de Dilma representariam uma vitória, na prática, do projeto que foi derrotado.

Esta ideia da existência de dois projetos em disputa é totalmente questionável e realimenta ilusões sobre o verdadeiro caráter do modelo econômico em curso no Brasil, desde os anos 1990. Mais grave: fortalece a mitificação, promovida pelo lulismo, de um suposto neodesenvolvimentismo, com base, ao menos, em dois graves equívocos.

O primeiro equívoco relaciona-se ao fato – muito palpável – de os resultados apresentados pelos governos pós-2002 terem sido muito diferentes do período em que FHC esteve na presidência da República. A ampliação dos programas de transferência de renda, a ampliação da oferta de empregos, a recuperação do poder de compra do salário mínimo e a expansão do crédito são exemplos de efeitos obtidos ao longo dos anos em que o PT se encontra à frente do governo federal, e que se distinguem como diferenças importantes em relação à era tucana. Contudo, o fato de os efeitos terem sido diferenciados entre esses dois períodos de governo não significa, necessariamente, que tenhamos modelos econômicos ou projetos diferenciados.

 O segundo equívoco, mais grave, é de natureza conceitual e procura amparar essa avaliação – sobre alguns efeitos diferenciados entre esses dois períodos de governo – como uma clara evidência da constituição de um novo modelo econômico em curso no país. Esse equívoco vincula-se às visões que defendem que, especialmente a partir do final do primeiro mandato de Lula, assumimos um projeto neodesenvolvimentista, com taxas médias de crescimento da economia superiores ao período de FHC, melhor distribuição de renda e uma política externa “independente”.

 O fato de o Brasil ter experimentado uma taxa média de crescimento anual durante os dois mandatos de Lula (4%) superior aos oito anos de governo FHC (2,3%) não é, evidentemente, condição suficiente para a constatação de um novo projeto econômico em curso, mesmo se levarmos em conta uma suposta melhor distribuição de renda no país. O próprio desempenho da economia nesses primeiros quatro anos do governo Dilma mostra, muito bem, que até mesmo sob a ótica do “crescimentismo” vamos muito mal.

 No livro Desenvolvimento às Avessas – Verdade, má fé e ilusão no atual modelo brasileiro de desenvolvimento, Reinaldo Gonçalves, professor titular de Economia Internacional da UFRJ, resgata a historiografia econômica e destaca que as raízes do pensamento nacional-desenvolvimentista estão nas ideologias e políticas de desenvolvimento econômico da Grã-Bretanha, nos séculos XVI e XVII; da França, no século XVII; dos Estados Unidos, no final do século XVIII e na primeira metade do século XIX; da Alemanha, no século XIX; e do Japão, do final do século XIX e início do século XX.

 Este desenvolvimentismo – genuíno ou original – objetivava a formação de uma sólida base produtiva de capital nacional, baseada no trinômio industrialização substitutiva de importações/intervencionismo estatal/nacionalismo.

 Essas experiências desenvolvimentistas se diferem, por sua vez, do chamado nacional-desenvolvimentismo brasileiro, ou latino-americano, baseado nas formulações da escola cepalina. Reinaldo Gonçalves qualifica a nossa experiência desenvolvimentista, entre os anos de 1930 e 1979, como uma “cópia infiel” do nacional-desenvolvimentismo, ainda que ela tenha sido capaz de promover significativas mudanças estruturais, particularmente com a formação de uma economia industrial moderna. Contudo, tal processo de industrialização foi viabilizado com uma forte presença do capital estrangeiro, traço fundamental para o entendimento das limitações desse modelo e sua incapacidade de nos permitir um caminho sustentado para a superação do subdesenvolvimento e da dependência econômica que nos caracteriza.

 Lembro essas considerações, pois as mudanças constitucionais, as privatizações, os fundamentos macroeconômicos e as reformas institucionais e administrativas introduzidas no Brasil ao longo dos anos 1990 – nos governos de Collor, Itamar e FHC – foram mantidos e aprofundados nos últimos doze anos. Mudanças que ampliam a desnacionalização do parque produtivo brasileiro, aprofundam nossa regressão industrial, além de submeter e fragilizar o Estado brasileiro às pressões do chamado mercado. Características, portanto, absolutamente distintas de qualquer coisa próxima ao que podemos entender como desenvolvimentismo, original ou plagiado.

 Isso não significa que não tenhamos tido mudanças produzidas por necessidades conjunturais, como foi o caso da utilização dos bancos públicos, para a garantia da manutenção do mercado de crédito, na crise que se abriu a partir de 2008. Porém, esse tipo de heterodoxia – sob a ótica liberal – vem sendo aplicada até mesmo na Meca do pensamento ortodoxo, os Estados Unidos, com as suas fabulosas injeções monetárias anticíclicas, diretas aos bancos e instituições financeiras privadas.

 A apologia, portanto, da existência de um suposto neodesenvolvimentismo no Brasil atual é apenas mais uma construção ideológica que confunde, deseduca e desarma os setores progressistas da sociedade, contra a reforçada hegemonia dos bancos e multinacionais, os maiores defensores e beneficiários deste modelo.

* Paulo Passarinho é economista

FONTE: http://www.correiocidadania.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=10327:submanchete121214&catid=58:paulo-passarinho&Itemid=124

Um terço dos suicídios no mundo é por ingestão de agrotóxicos, diz OMS

Fernando Frazão/Agência Brasil

Facilidade na compra e desrespeito dos tratados internacionais estão entre os principais responsáveis pelo alto número de suicídios no campo

Por Bruno Pavan, Da Redação

A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou o relatório de prevenção ao suicídio que apontou que, em 2012, mais de 800 mil pessoas cometeram suicídio no mundo, o que significa que uma pessoa se mata a cada 40 segundos.

Publicado em setembro, o documento chamou a atenção para o fato de que um terço dos suicídios no mundo é cometido por conta da ingestão de agrotóxicos. Os casos são mais frequentes nas áreas rurais de países pobres na África, América Central e Ásia.  

O Brasil não fez parte do levantamento, mas, para o professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF), Marcos Antonio Pedlowski, o problema também vem crescendo de forma vertiginosa no país. “O suicídio em áreas rurais vem aumentando muito, é quase uma epidemia”, afirma.

Facilidade no acesso

O relatório aponta que as medidas propostas para diminuir esse tipo de problema passam por fazer cumprir as convenções internacionais sobre a venda, o comércio e o armazenamento de agrotóxicos no mundo.

Pedlowski reforça que muitos agrotóxicos que são vendidos no Brasil e proibidos em grande parte do mundo, possuem ação depressora que diminui o nível de atividade do cérebro. O fácil acesso que os trabalhadores rurais têm desses venenos acabam colaborando para que se cometa o ato do suicídio.

“O relatório reforça que o suicídio nunca é uma decisão definitiva da pessoa, ela sempre passa por um momento de dualidade. Se você tem acesso fácil aos agrotóxicos a pessoa pode se inclinar mais facilmente pela opção de se matar. A partir do momento que o produto sai da loja, não se tem mais controle nenhum sobre ele”, criticou.  

Projetos

Em 2013, a BASF S.A e a Raízen Combustíveis (Shell) foram condenadas a pagarem indenização de R$ 200 milhões de indenização coletiva dos trabalhadores de uma fábrica em Paulínia, interior de São Paulo.

Investigações que duraram anos comprovaram a negligência das empresas com a proteção dos trabalhadores na fábrica que produzia agrotóxicos. A indústria, que pertencia a Shell e foi comprada pela BASF, contaminou o solo e as águas subterrâneas com produtos químicos entre 1974 e 2002.

Os R$ 200 milhões pagos pelas empresas serão utilizados pelo Ministério Público do Trabalho para patrocinar estudos voltados à pesquisa prevenção e ao tratamento de trabalhadores vítimas de intoxicação, de adoecimento decorrente de desastres ambientais, exposição a substâncias tóxicas ou acidentes de trabalho que envolva queimaduras.

FONTE:http://www.brasildefato.com.br/node/30818