STJ aponta risco de ruptura na barragem do Vale em Barão de Cocais (MG)

brucutuA mina de Brucutu em Minas Gerais (Crédito: Vale)

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu nesta quinta-feira (22/04) restabelecer decisão que impede a retomada das atividades na barragem Norte/Laranjeiras, de propriedade da Vale, em  Barão de Cocais (MG).

A empresa cortou a produção da mina de Brucutu – a maior mina de Vale em Minas Gerais – em dezembro para avaliar a estabilidade da barragem.

O processamento úmido em Brucutu  foi suspenso em fevereiro de 2020 a pedido do Ministério Público local após  o desastre da barragem de rejeitos em Brumadinho , que deixou 243 mortos.

A recente decisão do STJ se baseou em nova informação do Ministério Público Federal (MPF), que relatou risco de rompimento na barragem Norte/Laranjeiras.

Um relatório recente da Agência Nacional de Mineração (ANM) constatou “incertezas sobre o comportamento geomecânico da barragem e sua fundação e a existência de materiais de baixa resistência na estrutura”.

O MPF informou que um estudo realizado no local demonstrou “o aparecimento de fissuras na estrutura da barragem, cujas causas ainda não foram identificadas”.

Com a decisão do STJ, foi restabelecida a decisão da Justiça estadual que havia suspendido a operação da barragem em 2019.

A Vale afirmou em nota à imprensa que a decisão não tem efeito prático, uma vez que já desativou a barragem de Norte/Laranjeiras.

“A Vale continua realizando estudos e monitorando as condições da estrutura, além de obras para melhorar a segurança da barragem”, disse a mineradora.

Brucutu, que tem capacidade anual de 30 milhões de toneladas de minério de ferro, está produzindo a uma taxa anual de apenas 10 milhões de toneladas.

A Vale reportou queda de 19,5% na produção em relação ao trimestre anterior no 1T20, adicionando combustível à alta do preço do minério de ferro.

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Este texto foi escrito originalmente em inglês e publicado pelo Minning.com [Aqui!].

Na véspera do aniversário de Brumadinho, análise mostra que cenário pré-rompimento se repete em outra mina da Vale em MG

Um artigo de autoria da jornalista Beatriz Jucá que foi publicada ontem pelo jornal  El País abordou a situação de 50 barragens de rejeitos que se encontram em situação de alto risco apenas no estado de Minas Gerais.

el pais barragens

Um dos aspectos críticos abordados por Beatriz Jucá é o fato de que a capacidade de inspeção por parte dos órgãos responsáveis contínua aquém da necessidade de monitorar a situação de estruturas que não estão dentro do level adequado de confiabilidade. Em função disso, a reduzida equipe de fiscais da Agência Nacional de Mineração teria visitado apenas 274 das 816 estruturas sob sua responsabilidade.

A consequência objetiva disso é que estruturas que podem estar em condição crítica não foram ainda elevadas a essa condição não o foram simplesmente porque as equipes de fiscalização não foram capazes de inspecioná-las.

Pois bem, desde o rompimento da barragem da mineradora Vale em Brumadinho, venho publicando uma série de postagens apresentadas análises produzidas pelo arquiteto Frederico Lopes Freire a partir de imagens de satélite disponibilizadas pelo Google Earth.

Como amanhã se completa um ano do rompimento da barragem de rejeitos em Brumadinho, estou disponibilizando uma nova análise produzida por Lopes Freire apresentando a situação em outra unidade da Vale, a mina de Brucutu, que fica localizada no município de São Gonçalo do Rio Abaixo.  Após analisar o conjunto de imagens disponíveis a partir de 2003 que os mesmos sinais existentes na situação pré-rompimento em Brumadinho também estão presentes na Mina de Brucutu.

Interessante notar que no artigo do El País, a  Mina de Brucutu não está incluída na lista das 22 barragens que já foram interditadas pelos órgãos de monitoramento.

Abaixo as análises produzidas por Frederico Lopes Freire.

Análise de imagens da Barragem construída no período de 2014 a 2015, Mina Brucutu, São Gonçalo do Rio Abaixo – MG

Este é um relatório pessoal, com base em observação direta de imagens de satélite disponibilizadas no Google Earth.

Imagem 01 – Localização

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Na parte inferior da imagem de localização aparece a Barragem Córrego do Canal que foi desativada pela Vale. Foi também analisada com o uso das imagens do Google e apresentava sinais de deterioração. Evidenciava estar atingindo o limite de sua capacidade.

Sendo a mina de Brucutu uma das maiores, senão a maior, jazida de minério em operação da Vale, era evidente a necessidade de se construir uma alternativa para depósito dos rejeitos.

As imagens a seguir mostram um histórico da escolha do local para a construção, evidenciando uma total despreocupação com aspectos que hoje, após o desastre de Brumadinho, tornaram-se fundamentais para impedir ocorrências semelhantes.

Imagem 02 – Datada de 25 de maio de 2003

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A imagem acima, datada de 2003, mostra a área escolhida praticamente virgem, com seu relevo acidentado e caracterizado por semelhanças físicas com a região de  Brumadinho. Hoje sabemos da importância fundamental destas semelhanças no colapso da barragem de Brumadinho.

A linha na cor vermelha, mostra o perímetro aproximado do conteúdo da barragem em  31 de agosto de 2018, ou seja, 3 anos após a conclusão da obra. Podem ser visto claramente córregos existentes e pequenos alagamentos indicativos de possíveis nascentes, dentro do perímetro indicado.

O local onde vai ser construída a estrutura da parede de contenção está indicado no alto da imagem. As linhas azuis indicam a direção e percurso das águas pluviais das elevações adjacentes.  

Imagem 03 – datada de 07 de maio de 2013

Esta imagem de 2013 demonstra que até esta data nada havia sido construído. Importante para comparação com a Barragem de Brumadinho, cuja construção se iniciou em 1982, com 8 aumentos sucessivos em sua altura, até atingir 87 metros em 2013 e se romper em 2019.

Foram 37 anos até o rompimento.

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Imagem 04 – datada de 20 de julho de 2015

Nesta imagem de 2015 a construção está praticamente concluída. Ainda não é possível constatar o lançamento de rejeitos mas o acúmulo de águas de diversas origens é claramente visível. A linha vermelha indica o futuro perímetro do conteúdo em 2018.

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Imagem 05 – datada de 20 de julho de 2015

Aproximando-se a mesma imagem anterior, é possível constatar a curvatura da estrutura da barragem no sentido a montante. Sem dúvida uma construção bastante acelerada e já com dimensões finais de altura e volume.

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Imagem 06 – datada de 31 de agosto de 2018

Imagem datada de agosto de 2018, apenas 3 anos ( 2015 a 2018 ) após conclusão da obra, mostra o acúmulo de água junto a parede da barragem, bem como a visível deformação de toda a estrutura em direção a jusante.

Sinais de absorção de água e infiltrações no talude de contenção e base da barragem podem ser constatados. Tais sinais foram constatados na Barragem de Brumadinho, mas ao longo de um período de observação de 8 anos ( 2011 a 2018 ). 

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Imagem 07 – datada de 13 de março de 2019

Aproximando-se a última imagem disponível, 13 de março de 2019, permanece o acúmulo de água e todos os sinais de alerta da imagem anterior.

No relatório que fizemos em fevereiro de 2019, utilizando o mesmo método de análise cronológica das imagens Google, da ruptura de Brumadinho, apontamos tais sinais.

Enviei este relatório sobre Brumadinho para uma empresa especializada, a World Mine Tailings Failures.Org, tendo despertado o interesse deles, principalmente após a divulgação do vídeo frontal da ruptura que visualmente confirmava a análise feita.

Hoje mantenho contatos com a organização e, através dela, com especialistas de diversos países, obtemos destes importantes informações sobre características da liquefação estática, agora comprovadamente razão fundamental para os desastres de Mariana e Brumadinho.

Os sinais da atuação destas características, origem e consequências, estão claramente visíveis .

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Uma das orientações mais importantes recebidas de especialistas de renome mundial, é evitar de toda maneira possível, a contínua absorção de água pela parede das barragens, mantendo-se a distância águas superficiais e drenando-se outras origens.

Tal não ocorre na barragem em análise.

Vale interrompe parcialmente o trabalho na segunda maior mina de minério de ferro

brucutuBrucutu é a segunda maior mina do Brasil, atrás apenas de Carajás. (Imagem de Ricardo Teles | Vale.)

Por Cecilia Jamasmie para o Mining[Dot]Com

A autoridade federal de mineração do Brasil ordenou que a Vale (NYSE: VALE) interrompa as operações em parte de sua mina de minério de ferro Brucutu, a maior em Minas Gerais e a segunda maior da empresa, atrás de Carajás.

A Agência Nacional de Mineração (ANM) disse que sua decisão se baseou no entendimento de que a produtora de minério de ferro sediada na cidade do Rio de Janeiro havia excedido o limite de reserva mineral aprovado para a área de exploração em questão.

A Vale entende que todos os requisitos da agência para operar a frente de mineração foram cumpridos e relatados no plano de utilização econômica enviado à agência em 2017 e tomarão as medidas apropriadas neste caso”, afirmou o comunicado.

A empresa, maior produtora de minério de ferro do mundo, disse que a suspensão não afetará a produção da mina, que faz parte do complexo de Minas Centrais.

A mineradora também reafirmou suas vendas projetadas de minério de ferro e pelotas de 307 a 332 milhões de toneladas para 2019.

A Brucutu, com capacidade anual de 30 milhões de toneladas de minério de ferro, está em operação há 13 anos.

A Vale foi forçada a interromper as operações na mina em fevereiro, após uma decisão judicial que proibia a Vale de armazenar rejeitos na barragem de Laranjeiras, em Brucutu.

O veredito seguiu o desastre da barragem de rejeitos em Brumadinho, que deixou quase 300 pessoas mortas.

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Este artigo foi publicado em inglês pelo site Mining[Dot]Com [Aqui!].