Rejeito da Vale que escapou em Brumadinho chegará ao Rio São Francisco

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Afora a crescente tragédia humana que está ficando evidente após o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais ter reconhecido que pelo menos 200 estão desaparecidas na região diretamente impactada pelo rompimento das barragens que a mineradora Vale possuía no município de Brumadinho, há ainda o fato de que os rejeitos que escaparam irão impactar o Rio Francisco, do qual o Rio Paraopebas é um dos afluentes ( ver mapa abaixo).

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Com isso, a Vale esta contribuindo para impactar outra bacia hidrográfica importante após o Tsulama da Samarco ter praticamente arrasado a do Rio Doce em 2015.

Mas mesmo antes do material que escapou dos reservatórios da Vale chegar ao São Francisco, os impactos socioambientais serão fortíssimos já que o Rio Paraopebas é uma fonte importante de suprimento de água para os 48 municípios localizados na sua bacia hidrográfica.

As primeiras imagens sobre o impacto da massa de rejeitos sobre a calha principal do Paraopebas já mostram que os efeitos serão drásticos (ver vídeo abaixo), sendo esperado que pelo menos 19 municípios sejam diretamente afetados pela massa de lama que escapou em Brumadinho.

Agora vamos ver como se comportam as autoridades estaduais de Minas Gerais e, principalmente, o governo Bolsonaro que já estava em negociações avançadas com as mineradoras para afrouxar o processo de licenciamento ambiental da mineração.

Se com o processo existente a Vale permite esta sucessão de graves incidentes ambientais, imagine-se o que acontecerá se ela própria puder emitir as licenças ambientais para suas atividades de mineração.

Novo incidente ambiental com barragem da Vale em Minas Gerais

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Barragem da mineradora Vale se rompeu em Brumadinho, na Grande Belo Horizonte, nesta sexta-feira FOTO: UARLEN VALERIO/O TEMPO/FOLHAPRESS

 

Por diversas vezes apontei que a impunidade garantida à mineradora Vale no caso do rompimento da barragem de Fundão em Bento Rodrigues (o tenebroso Tsulama da Samarco) era uma espécie de autorização para a repetição de novos incidentes ambientais em Minas Gerais.
Como previsto hoje o estado de Minas Gerais foi palco de um novo e grave incidente ambiental envolvendo uma barragem de rejeitos pertencente à Vale, agora no município de Brumadinho que se situa na região metropolitana de Belo Horizonte.

antes e depois

Vista aérea da área do rompimento da barragem de rejeitos da mineradora Vale em Brumadinho (MG) – antes e depois do incidente desta 6a. feira.

Segundo informou o jornal “O Tempo”, a Vale afirmou que possui três barragens na região de Brumadinho associadas à Mina do Córrego do Feijão. Já ao jornal Folha de São Paulo, a Vale informou que capacidade de estocagem estimada no sistema de barragens existente em Brumadinho seria de de 12,7 milhões de metros cúbicos de rejeitos.

Como já ocorreu no caso de Mariana, vídeos mostrando a situação criada pelo rompimento desta barragem da Vale já estão circulando nas redes sociais, o que facilitará a disseminação das informações acerca da real gravidade de mais este incidente ambiental (ver vídeo abaixo).

Segundo o Portal BHAZ, a Polícia Militar de Minas Gerais informou que o rompimento da primeira barragem sobrecarregou provocou a ruptura de um segundo depósito, ampliando a gravidade do incidente ambiental de Brumadinho. Segundo o Portal BHAZ, a região central de Brumadinho está sendo evacuada, pois o caminho da lama passa pelo rio que corta a cidade e há possibilidade de inundação.

As primeiras informações confirmam que, como ocorreu em Bento Rodrigues, áreas habitadas próximas à área do rompimento foram atingidas, o que está obrigando ao Corpo de Bombeiros a agir para retirar pessoas que estão presas dentro da lama. Segundo informações do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais há pelo menos 200 pessoas desaparecidas na região atingida pela rejeitos que vazaram dos reservatórios da Vale, o que representa uma perda humana sem precedentes em acidentes de mineração, mesmo para os padrões brasileiros.


Como se vê, a impunidade com que foi brinda no caso do Tsulama da Samarco acabou servindo para que a Vale não realizasse o devido esforço para repetir novos incidentes ambientais na grande quantidade de depósitos de rejeitos no território de Minas Gerais. Agora, vamos ver como se comportarão as autoridades estaduais de Minas Gerais.