
A morte de dois trabalhadores sem terra no município de Quedas do Iguaçu, no extremo oeste do Paraná (Aqui!), é apenas mais um episódio de um processo da temporada de caça aos pobres que ousam resistir que está ocorrendo no Brasil. Há poucos dias, capangas haviam colocado fogo num acampamento em Cacaulândia em Rondônia (Aqui!). Enquanto isso na Bahia, um líder indígena da etnia Tupinambá foi preso numa reintegração de posse promovida numa área que foi designada como terra indígena, mas que ainda aguarda ação do governo federal para sua demarcação (Aqui!).
Esses três casos são apenas a ponta de um imenso iceberg de repressão e violência contra setores organizados da maioria pobre da população brasileira. E a violência vem pelas mãos de jagunços ou por agentes do próprio Estado. A marca que unifica essas ações de truculência explícita é a negação do direito dos pobres à condições minimamente dignas de existência. E não é à toa que a violência que ocorre no campo sempre cai sobre “sem terras” ou índios. É que nesses dois grupos está concentrada a disputa pela propriedade da terra no Brasil.
Qual é a ligação imediata entre a violência que grassa nos campos e florestas com o impeachment (quer dizer golpe institucional) que se quer promover contra Dilma Rousseff? Eu diria que é o fato de que, apesar de todas as suas contradições e omissões, o governo Dilma ainda não faz o trabalho completa de eliminar fisicamente os que ousam demandar seus direitos. Dai para a ação de jagunços ou do braço armado do Estado é um passo. E tudo isso colocado, podemos entender a sanha de tirar Dilma Rousseff da presidência custe o que custar.
E que ninguém se engane. A violência que está aparecendo agora nas áreas rurais é a mesma que floresce a olhos vistos há bastante tempo nas principais cidades brasileiras. A diferença é que a explicitação e o aprofundamento da crise sistêmica por que passa neste momento o capitalismo mundial, e que possui particularidades ainda mais drásticas no Brasil, torna a eliminação dos pobres uma necessidade para aqueles que querem continuar se apropriando de toda a riqueza, de forma a torná-la ainda mais concentrada. É por isso que nunca ouviremos ninguém batendo panelas nas áreas mais abastadas quando for para denunciar a morte de trabalhadores de sem terra ou a repressão à lideranças indígenas.