A derrota de Rafael Diniz como uma janela para o futuro

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O jovem prefeito Rafael Diniz (Cidadania) sofreu um duro revés ao ver seu “pacote de maldades” ser destroçado por uma nova maioria formada na Câmara Municipal de Campos dos Goytacazes.  Aliás, em Campos dos Goytacazes desde o final de 1997, nunca vi um prefeito perder tantas votações em tão pouco tempo. 

Esse ineditismo todo pode ser imputado a um senso fino de oportunidade que os vereadores que abandonaram sua base na Câmara que já sabem que a barca do governo Rafael Diniz estava prestar a ir a pique, com mais de um ano de governo pela frente. Assim, chama-se o que o chamado “G-8¨do que se quiser, mas seus membros estão apenas reconhecendo que não há futuro para quem ficar ao lado de um governo cuja incompetência é sombreada apenas pela sua infindável arrogância.

Logo no início de 2017, sob o impacto do massacre da serra elétrica que o ainda exultante vencedor das eleições do ano anterior promovia contra as políticas sociais existentes em Campos dos Goytacazes, avaliava que Rafael Diniz promovia em tempo recorde do “Garotismo”. É que negando todas suas próprias promessas, ele confirmava as acusações que foram feitas de que toda aquela conversa de mudança e modernização da máquina pública visava apenas pavimentar o caminho para a remoção dos pobres do orçamento municipal.

A estas alturas do campeonato, sabemos que esse governo pouco ou nada fez para a modernizar a forma de gestão municipal, e, de quebra, fez piorar áreas em que avanços tímidos tinham sido conseguidos a duras penas.  A cidade está literalmente de pernas para o ar, mas ao contrário do que quer nos fazer acreditar o prefeito, o problema não é a diminuição do orçamento, mas a forma com que se continuou gastando o que sobrou dos tempos áureos dos royalties que nunca mais voltarão.

Nunca é demais lembrar que apostas mal feitas, mais do que falta de dinheiro, contribuíram para desgastar e erodir o crédito político que a maioria esmagadora maioria da população campista concedeu a Rafael Diniz para que ele movesse a cidade para um futuro melhor. Vê-lo acusar os acusados de sempre, e não ser capaz de articular nem uma mísera autocrítica chega a ser doloroso para quem como eu quer o melhor para esta cidade e a maioria sofrida da sua população. Já para Rafael Diniz é apenas um constrangimento a mais. E, pior, imposto por ele a si próprio.

Aos que desejarem assumir o posto de prefeito em 2021, sugiro que analisem bem não apenas o quadro político e financeiro do município para medirem o tamanho das suas promessas. É que a população de Campos, especialmente a maioria que hoje sente no lombo os efeitos do extermínio das políticas sociais que Rafael Diniz promoveu, não parece disposta a apostar novamente em promessas vazias que chegam em campanhas publicitárias bem boladas. Quem insistir nesse modelo deverá ser abatido pela opinião pública sem dó nem piedade.

Finalmente, uma pequena nota para a repentina partida do agora, ou por agora, deputado federal Marcão Gomes (PL). Como parceiro de primeira hora e homem aparentemente ainda de confiança de Rafael Diniz, Marcão Gomes partiu em direção célere em direção ao planalto central com a volúpia de um adolescente. Sua partida em momento tão crítico para o governo de Rafael Diniz é uma espécie de monumento ao egoísmo. E, pior, sem que sua presença no governo tenha tido qualquer benefício para dinamização de um setor cuja paralisação teve dedo (senão a mão inteira) do próprio Marcão Gomes.  

Um convite à “Águas do Paraíba”: divulguem seus resultados sobre os níveis de agrotóxicos presentes na água servida aos campistas!

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Acabo de ter acesso a um simpático comunicado da concessionária “Águas do Paraíba” sobre a pesquisa do Ministério da Saúde e divulgado conjuntamente pela Repórter  Brasil e pela Agência Pública que apontou para a existência de resíduos de agrotóxicos que chega às torneiras da população de Campos dos Goytacazes, sendo que nove deles estariam acima dos limites permitidos pela lei brasileira (ver figura abaixo).

agrotoxicos acima do limite

Pois bem, diz a nota da Águas do Paraíba que “em conformidade com o Ministério da Saúde, através da Portaria de Consolidação Nº 5, anexo XX de 28 de setembro de 2017, são realizadas, semestralmente, análises de monitoramento em todos os sistemas de abastecimento. As análises contemplam 94 parâmetros, dentre eles os agrotóxicos e herbicidas citados na Pesquisa, respeitando os limites estabelecidos na Legislação Brasileira”, diz um trecho da nota de Águas do Paraíba.”

Diante da discrepância entre os resultados da pesquisa nacional que apontam que 9 agrotóxicos detectados estão acima do limite considerado seguro e o conteúdo da nota da “Águas do Paraíba” que aponta para o contrário, há uma forma rápida de se chegar à verdade dos fatos: que a Águas do Paraíba divulgue seus próprios dados, preferivelmente na forma de um relatório que seja disponibilizado publicamente na página oficial da empresa para que todos os que desejarem possam ter acesso.

Do contrário, só restará à Prefeitura Municipal e à Câmara de Vereadores agirem dentro do que determina a lei, especialmente no que se refere ao direito de todo cidadão campista ter direito a saber o que lhe é servido diariamente na água que chega em suas torneiras, para apurar o que realmente está acontecendo. Simples assim!