Witzel diz que privatização resolverá problemas de saneamento: a população de Campos sabe muito bem que não

wilson-witzelO governador Wilson Witzel afirmou que os problemas nos serviços de água e esgoto só serão resolvidos com a privatização da Cedae.  Se vier a Campos dos Goytacazes e falar com a população irá saber que não

O governador Wilson Witzel (PSC) de faz alguns dias uma declaração para tentar justificar a sua ânsia em privatizar a Companhia Estadual de Águas e Esgotos do estado do Rio de Janeiro (Cedae). Segundo Witzel,  os “problemas no estado (do Rio de Janeiro) só serão resolvidos com a privatização da Cedae.

O governador Witzel deveria vir a Campos dos Goytacazes e conversar com a população que hoje paga por um dos serviços mais caros e ineficientes na coleta e tratamento de esgotos do Brasil. 

A razão do descontentamento é simples: por incontáveis ruas desta cidade, inclusive nas chamadas áreas nobres, esgota in natura brota a céu aberto, indicando a permanência de uma estrutura ultrapassada. Além disso, a tão decantada taxa de tratamento de esgotos, que melhora em cada propaganda, não está visualmente demonstrada na paisagem onde inexistem provas de que todos os níveis de tratamento efetivamente existem no município que hoje permite a exorbitante cobrança em que 100% da água consumida seja aplicada à coleta de esgotos.

Se a visita do governador Witzel for realizada em um dos pontos da chamada “periferia extrema”, a coisa vai ser ainda pior, pois não apenas faltam as estruturas de coleta e tratamento de esgotos, como em muitos casos o que chega no encanamento não é água, mas ar.  Nada que impeça a cobrança das contas pela concessionária que é muito boa de propaganda, mas não tão boa para prestar serviços de qualidade, mesmo em faça das contas salgadas que oferece aos seus consumidores tão cativos quanto incautos.

Se privatizar água e esgoto fosse mesmo a solução, cidades como Berlim (Alemanha), Paris (França) , Budapeste (Hungria, Bamako (Mali), Buenos Aires (Argentina), Maputo (Moçambique) e La Paz (Bolívia) não teriam decidido reestatizar seus sistemas de água e esgoto.

A verdade é que em quase 300 cidades do mundo, os governantes decidiram reverter o processo de privatização porque ficou demonstrado que o processo só encareceu os serviços e não trouxe as melhorias desejadas.  Mas para verificar isso, o governador Witzel apenas precisaria fazer uma pequena visita a Campos dos Goytacazes.  Se for por falta de convite, o governador Witzel pode se considerar, desde já, convidado.

Em uma gestão marcada pelo fechamento de escolas rurais, Campos dos Goytacazes realiza 2o. Seminário de Educação do Campo

escola ruralEm um cenário de fechamento de escolas rurais pelo governo Rafael Diniz, realização de seminário municipal sobre educação no campo é estratégica

Um dos aspectos mais negligenciados do caos reinante na educação municipal de Campos dos Goytacazes é o fechamento de escolas rurais pelo governo Rafael Diniz. Como já notei neste blog em 2018, a prometida valorização do ensino para crianças que moram nas extensas áreas rurais de Campos dos Goytacazes nunca levada à sério, e o que se viu foi a continuidade da prática de fechar escolas localizadas em áreas distantes como é o caso do Imbé.

Mas é justamente por causa da situação de grande precariedade que marca a atuação da gestão Rafael Diniz nas escolas localizadas em áreas rurais que ganha relevância a realização do Segundo Seminário Municipal de Educação que deverá ocorrer no dia 20 de Fevereiro no período de 08 às 17 horas nas dependências do campus Centro do Instituto Federal Fluminense (ver programação abaixo).

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Eu espero apenas que tanto o jovem prefeito Rafael Diniz ou o seu secretário municipal de educação, o sociólogo socialista Brand Arenari, não apareçam no evento apenas para prometer fazer nos 10 meses que restam de seu governo o que não fizeram nos 38 anteriores. É que aí já seria, como dizem os espanhóis, cara dura demais.

Mas olhando para a lista de palestrantes tenho a certeza de que a difícil situação das escolas rurais de Campos dos Goytacazes será abordada de forma compreensiva e aguda, pois se a situação das escolas urbanas já é crítica, imaginemos a condição em que estão aquelas localizadas no campo.

Essa é mole: quem fechou o restaurante popular, que reabra

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Um dos atos mais cruéis do estelionato eleitoral cometido pelo jovem prefeito Rafael Diniz contra a população mais pobre do município de Campos dos Goytacazes. Isso ocorreu com a promessa de que após saneadas irregularidades nunca claramente explicadas, o restaurante popular seria reaberto.

Pois bem, o fechamento ocorreu no já longínquo dia 09 de junho de 2017, e Rafael Diniz nem chegou perto de reabrir o restaurante popular. Enquanto isso, com seu trabalho incansável, as freiras do Mosteiro da Santa Face e do Puríssimo e Doloroso Coração de Maria têm assegurado que o número de pessoas passando não seja maior do que já é.

Agora, em pleno ano eleitoral, vejo uma falsa polêmica envolvendo apoiadores do prefeito e candidatos à sua sucessão sobre de quem seria a culpa do restaurante popular não estar aberto para matar a fome dos cidadãos mais pobres e economicamente marginalizados da nossa cidade.

Essa polêmica é falsa porque quem fechou, prometeu reabrir e manteve fechado o restaurante popular foi o prefeito Rafael Diniz e seus menudos neoliberais.  Se eles quiserem acabar com essa falsa polêmica, a coisa é simples: reabram imediatamente o restaurante. Do contrário, assumam que se comportaram e continuam se comportando de forma insensível e cruel com os que passam fome e não têm recursos financeiros para ter um prato de comida nas mãos.

Simples assim!

O drama dos RPAs revela a face mais impiedosa dos caos administrativo da gestão Rafael Diniz

Rafael-Diniz-posse-5-715x400Rafael Diniz prometeu mudança e entregou caos

Por força da convivência com profissionais que possuem contratos precários (os chamados RPAs) com a Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes sei que há um número incerto deles que se encontram sem pagamento não por um, mas por vários meses. Apesar disso continuam exercendo suas funções por causa do medo (ou seria certeza?) de que se pararem de trabalhar, nunca verão o pagamento dos que lhe és devido.

rpa_largeGrupo de RPAs protestam na manhã desta quinta-feira (30), na Avenida XV de Novembro, em ponto próximo ao Hospital Ferreira Machado

Se houvesse um barracão onde esses profissionais pudessem ir retirar comida usando o velho caderninho, teríamos a consumação de um contexto de trabalho escravo. Mas como isso não está (ainda) sendo feito, a situação dos RPAs acaba sendo naturalizada, como se isso fosse parte de um novo normal, enquanto milhares deles sequer são informados de quando se pretende pagar o que lhes é devido.

Mas a verdade é que a situação de milhares de famílias cujo sustento é (aliás, deveria ser) garantido pelos salários desses profissionais, se transformou em um agudo drama social, que não está merecendo a atenção devida, seja pelos administradores municipais, pelo Ministério Público, nem pela mídia corporativa.

Falta ainda uma explicação sobre o porquê do não pagamento desses profissionais. É que apesar da redução do orçamento municipal, Campos dos Goytacazes continua com um dos maiores volumes financeiros da federação brasileira. Com isso, não há como aceitar passivamente que os RPAs estejam sendo tratados de uma forma tão displicente e, pior, que ninguém resolva assumir a tarefa de defender algo em torno de 18.000 profissionais que estão dispersos por todos os setores do serviço público municipal. Aliás, cadê os sindicatos dessa cidade?

Todos se lembram das promessas eleitorais do jovem prefeito Rafael Diniz que se centravam em gerir melhor o bilionário orçamento municipal. Essas promessas são hoje enfeites em uma espécie de “museu de grandes novidades”.  Na prática, o que se viu desde o início desse caótico governo foi a materialização de um tremendo estelionato eleitoral ao qual se somam pitadas gigantescas de incompetência, arrogância e descaso sob a liderança serelepe de Rafael Diniz e seus menudos neoliberais.

Uma coisa é certa: a situação dos profissionais com contratos precários é inaceitável, e não podemos mais como sociedade democrática aceitar que, ainda por cima, o drama de milhares de famílias seja confinado ao esquecimento.

Evidências fotográficas de despejo de esgoto in natura no Canal de Cacomanga

Recebi hoje um interessante material fotográfico enviado pelo radialista Paulo André Netto Barbosa mostrando o que seriam evidências de despejo de esgoto “in natura” no  Distrito de Ururaí (ver imagens abaixo).

O problema aqui é que pelo menos parte desse esgoto é proveniente da rede implantada nas casas do programa municipal de habitação de interesse social, o popular “Morar Feliz, onde a empresa Águas do Paraíba supostamente cobra pelos serviços de coleta e tratamento do material captado.

Como as imagens deixam aparente a chegada de, pelo menos, parte desse material no Canal de Cacomanga, a questão que fica explícita é importante:  há alguém monitorando o funcionamento da rede de esgotos das unidades residenciais do “Morar Feliz” não apenas em Ururai, mas em outras áreas da cidade de Campos dos Goytacazes.

Ah, sim.  Após conversar com o radialista Paulo André Netto Barbosa, fui informado que moradores da área afirmam que a situação já os incomoda faz algum tempo, mas que ninguém aparece para fiscalizar o que está ocorrendo.

E pensar que estamos todos submetidos a uma taxa caríssima pela suposta captação e tratamento de esgotos. Aí eu pergunto aos leitores do blog:  é bonito isso?

Caos na saúde de Campos dos Goytacazes: inspeção de deputada bolsonarista termina em cafezinho

A deputada federal “Major Fabiana” (PSL/RJ), vice líder do governo Bolsonaro na Câmara de Deputados, começou o dia de hoje fazendo uma inspeção transmitida online no Hospital Geral de Guarus (HGG)  (ver vídeo abaixo).

Como se vê nas imagens acima,  “Major Fabiana” veio com a corda toda para avaliar o uso de supostos R$ 5 milhões de emendas parlamentares que ela teria conseguido liberar para a rede municipal de Saúde, o que em tese é algo mais do que justo e necessário.

Entretanto, algo muito diferente deve ter acontecido entre a visita que foi efetivamente realizada no HGG e outra que acabou ficando apenas no anúncio no Hospital Ferreira Machado. É que, acabo de ler no site “Diário da Planície” que a parlamentar bolsonarista acabou tendo um alegre encontro com o secretário municipal Saúde, o vereador Abdu Neme que incluiu ainda o deputado federal Marcão Gomes e o diretor do HGG, o médico e ex vereador Dante Pinto Lucas (ver imagem abaixo).

MAJOR-FABIANADo que riem os participantes desta conversa, a começar pelos deputados Marcão Gomes e Major Fabiana?

Dificilmente saberemos o que levou a mudança de postura da deputada entre a ida aos corredores do HGG e o alegre encontro com os representantes do governo Rafael Diniz. Entretanto, a postura alegre é mais coerente com a atuação parlamentar da “Major Fabiana” que é uma das líderes parlamentares de um governo federal que vem encolhendo a sustentação financeira do SUS, causando uma perda significativa de recursos para um sistema de saúde público que se vê cada vez mais sobrecarregado e subfinanciado. 

Enquanto isso, a população de Campos dos Goytacazes que não possui plano de saúde e tem na rede municipal a principal forma de acesso a serviços de saúde vai continuar padecendo em unidades hospitalares em condição caótica.

 

Orçamentos como peça de ficção só servem para o governante esconder para quem realmente governa

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O município de Campos dos Goytacazes deverá, salvo alguma surpresa a mais, conhecer o seu orçamento ao longo da semana que se inicia amanhã.  Quem assiste ao embate entre o jovem prefeito Rafael Diniz e uma parcela rebelada de sua antiga base de apoio (a mesma que permitiu a ele impor uma verdadeira derrama aos cidadãos campistas com aumentos de impostos e taxas) não pode ser arrastado para o falso debate de qual percentual de remanejamento orçamentário é correto ou não.

É que o real debate deveria ser sobre porque governantes apresentam orçamentos com um percentual de remanejamento que muitas vezes torna a peça que eles mesmo apresentam ao legislativo em uma mera peça de ficção.  O  contraponto de realidade é que o percentual autorizado para ser “remanejado” acaba se tornando uma poderosa ferramenta de arranjos e trocas de favores que raramente melhoram a eficiência dos dispêndios realizados.

Há que se lembrar que quando atuante vereador de oposição, o hoje prefeito criticava, com justeza em minha opinião, o montante de 50% de remanejamento que era aplicado pela ex-prefeita Rosinha Garotinho em suas propostas orçamentárias. Mas bastou sair da condição de pedra para a de vidraça que Rafael Diniz rapidamente mudou de opinião. 

A verdade é que governantes propõe remanejar a priori porque não se dedicam a produzir peças orçamentárias que reflitam as necessidades da maioria da população.  Além disso, é curioso que ano após ano, mesmo se sabendo as prioridades e urgências deste ou daquele ente federativo, os responsáveis pela preparação dos orçamentos não se dedicam ao trabalho mínimo de estabelecer estimativas claras sobre “entradas e saídas”, coisa que qualquer técnico de contabilidade pode fazer. Isso pode levar qualquer cidadão a se perguntar sobre onde está o ideal de boa-fé, transparência e veracidade daqueles que elaboram um orçamento público irreal desde o seu marco zero.

Mas tudo indica que os vereadores campistas irão permitir que Rafael Diniz e seus menudos neoliberais remanejem até 20% do orçamento que enviaram para análise e aprovação da Câmara Municipal. Desde já é importante que se cobre transparência não apenas para os montantes que forem aprovados, mas principalmente para o que vier a ser remanejado. É que determinadas alocações orçamentárias já são claramente irrealistas em face das necessidades da população. Se o remanejamento se concentrar em pastas e órgãos cujos orçamentos já são insuficientes, será preciso verificar para onde vai ser enviado o dinheiro e sob quais circunstâncias.

Aliás, como estamos em final de governo, fico curioso quem sofrerá mais os efeitos do tesourão neoliberal de Rafael Diniz e seus menudos neoliberais.  E antes que eu me esqueça, qual será o orçamento aprovado para fazer funcionar o restaurante popular cuja reabertura foi prometida por Rafael Diniz há mais de dois anos?