Felipe Quintanilha, suas tendas improvisadas e a proeza de piorar algo que já era péssimo

quintanilha

Felipe Quintanilha, o mentor do sistema integrado de transportes que conseguiu a proeza de piorar algo que já era péssimo.

Há algo muito misterioso (ou sei lá, muito explícito) cercando o imbróglio dos “terminais” improvisados que o Instituto Municipal de Trânsito e Transporte (IMTT) sob o comando do honorável Felipe Quintanilha fez colocar, até em locais proibidos, sob a desculpa (esfarrapada) de acelerar a aplicação de um sistema de transporte integrado que até agora fez de tudo, menos integrar.

É que não pode ser a simples incompetência que está nos fazendo assistir à piora de algo que já era claramente ruim.

Mas vá lá, pode ser só incompetência mesmo. Enquanto isso o relógio das eleições municipais continua seu tic tac tic tac implacável. E ainda tem gente que culpa os pobres pela possível volta de uma das dinastias políticas da cidade à cadeira de prefeito de Campos dos Goytacazes….

(In) feliz aniversário! Fechamento do restaurante popular de Campos completa 2 anos

restaurante-popularFechamento do restaurante popular completa 2 anos enquanto a fome grassa no município de Campos dos Goytacazes.

Há exatamente dois anos o governo do jovem prefeito Rafael Diniz (PPS) fechou o restaurante popular de Campos dos Goytacazes sob a alegação de que a cidade vivia uma crise financeira sem precedentes na história do município.  Algumas centenas de milhões tendo sido gastos depois e com a conversa da herança maldita de Rosinha Garotinho esquecida como se nunca tivesse existido, os mais pobres desta cidade continuam privados de um importante instrumento de alívio da fome que os persegue cotidianamente.

O interessante é que no já longínquo dia 31 de Outubro de 2018, a prefeitura de Campos fez informar que havia um plano de reabertura do restaurante popular que seria reaberto sob o pomposo nome de “Centro de Segurança Alimentar e Nutricional” (ver imagem de matéria publicada pelo jornal Terceira Via logo abaixo).

jtv restaurante popular

Esta demora toda é inexplicável, não apenas para mim que tenho o que comer todos os dias, mas principalmente para aqueles cidadãos que estão no lado perdedor de um modelo social que enriquece poucos às custas da miséria da maioria. 

A fome, alguém deveria informar o jovem prefeito de Campos, é algo urgente e inescapável.  A fome é como já disse um representante da FAO, Jean Ziegler, órgão das ONU para a questão da alimentação, a fome é uma espécie de genocídio silencioso que se abate sobre os mais pobres.  Por isso, minimizar a fome de centenas de pessoas deveria ser a primeira prioridade de um governo que prometeu mudar a forma de governar a nossa cidade. Mas está cada vez mais óbvio que matar a fome dos mais pobres e despossuídos não é prioridade para este governo.

Por isso, no dia desse (in) feliz aniversário de 2 anos do fechamento do restaurante popular, não há nada que possa ser celebrado. Quando muito podemos lamentar que um político jovem e que se elegeu ao fomentar com êxito a esperança de milhares de pessoas, tenha gerado um governo com práticas tão antigas como a de aparecer para aplicar veneno contra mosquitos transmissores de doenças, apenas depois que se constatou que o nosso município está na inglória segunda posição de mais acometido pela dengue no estado do Rio de Janeiro (ver imagem abaixo).

rafael diniz

Ministério Público instaura inquérito para apurar agrotóxicos na água de consumo em… São Carlos (SP)

agua de consumo

Em um desdobramento que deveria estar ocorrendo em todo o Brasil, o Ministério Público do Estado de São Paulo decidiu abrir um inquérito civil público para apurar a notícia publicada de forma conjunta pela ONG Repórter Brasil e pela Agência Publica sobre o processo de contaminação da água destinada para consumo humano por um coquetel de resíduos de 27 agrotóxicos.

Como divulguei os resultados desta pesquisa para o município de Campos dos Goytacazes e mostrei que o mesmo problema está afetando a água que chega nas nossas torneiras a partir da distribuição realizada pela concessionária “Águas do Paraíba“, fico curioso para saber quando o MP do Rio de Janeiro vai instaurar um inquérito aqui em nossa cidade.

Afinal, agrotóxico contamina lá, contamina cá. Resta saber se o MP de cá fará como o de lá. Eu sinceramente espero que sim.

Instaurado inquérito para apurar contaminação de água para consumo humano em São Carlos

Reportagem identificou 27 tipos de agrotóxicos em amostras

Com o objetivo de apurar notícia de contaminação da água destinada ao consumo humano no município de São Carlos, o promotor de Justiça Flávio Okamoto instaurou inquérito civil no dia 3 de maio. O membro do MPSP pretende identificar eventuais responsabilidades junto ao Serviço Autônomo de Água e Esgoto de São Carlos (Saae) sobre os 27 tipos de agrotóxicos que teriam sido identificados na água, de acordo com reportagem publicada pela ONG Repórter Brasil.

A matéria citada pelo promotor na portaria de instauração compilou dados obtidos junto ao Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Sisagua), do Ministério da Saúde, revelando que os testes realizados pelo SAAE de São Carlos revelaram a contaminação do líquido. Ainda de acordo com a reportagem, 21 dos agrotóxicos encontrados na água são de uso proibido na União Europeia em razão dos riscos que oferecem à saúde e ao meio ambiente. “(…) conforme noticiado, no Brasil há somente limites individuais para cada tipo de agrotóxico, de modo que a presença de todos os 27 tipos na água potável, ainda que dentro dos limites de cada um deles, pode representar mais de 2.700 vezes o limite de 0,5 microgramas de agrotóxicos totais por litro d’água, adotado pela União Europeia”, diz a portaria.

Entre as diligências determinadas no inquérito está o envio de ofício ao Saae para que o órgão informe, em 30 dias, sobre os testes realizados na água para consumo humano (tipos, periodicidade etc.) e sobre eventuais desconformidades detectadas nos últimos 5 anos em relação a todas as substâncias químicas que representam risco à saúde, listadas em portaria do Ministério da Saúde. Já a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), Grupo de Vigilância Sanitária XII de Araraquara e a Vigilância Sanitária Municipal de São Carlos deverão encaminhar informações que entenderem pertinentes a respeito da notícia publicada pela Repórter Brasil, com sugestão de medidas que possam minimizar a contaminação de águas superficiais e subterrâneas por agrotóxicos.

O Escritório de Defesa Agropecuária de Araraquara, por sua vez, foi acionado para encaminhar relatório das atividades desenvolvidas em cumprimento ao artigo 15 do Decreto Estadual n°. 44.038/1999, informe como é realizado o controle da aquisição e utilização de agrotóxicos, bem como da destinação das embalagens vazias, e apresente sugestão de medidas que possam minimizar a contaminação de águas superficiais e subterrâneas por agrotóxicos.

Esta matéria foi inicialmente publicada no site do Ministério Público do Estado de São Paulo  [Aqui!]

G1 faz ampla matéria sobre agrotóxicos na água das torneiras no Rio de Janeiro

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O site G1 publicou na manhã desta 6a. feira (26/04) uma ampla matéria sobre o processo de contaminação por agrotóxicos da água que chega nas residências de 50 municípios do interior do estado do Rio de Janeiro.

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Considero que todos os eventuais defeitos que qualquer matéria jornalística possa conter, os responsáveis por essa publicação fizeram um excelente trabalho em termos de investigar a situação dos 50 municípios onde surgiram evidências de contaminação por agrotóxicos da água que chega nas torneiras.

Interessante notar que a matéria do G1 ratifica a informação de que 9 dos 27 agrotóxicos estudados estão acima dos níveis máximos permitidos pela legislação no município de Campos dos Goytacazes.  Esta informação vai de encontro à nota oficial circulada pela concessionária Águas do Paraíba que afirmou o contrário.

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Rafael Diniz: o governo do “Vai Ter” e não o “Da Mudança”

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Rafael Diniz que fez história ao vencer em primeiro turno, ainda não fez o governo da “Mudança”, sendo até aqui o do “Vai Ter”.

Tive a paciência de ouvir por uns 10 minutos a entrevista que o dublê de jornalista, blogueiro e secretário de governo, Alexandre Bastos,  concedeu no programa “Folha no Ar”, e tiro uma primeira conclusão sobre o governo do jovem prefeito Rafael Diniz: esse não é o governo da mudança, mas o do “Vai Ter”.

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Segundo o o dublê de jornalista, blogueiro e secretário de governo, Alexandre Bastos, o governo de Rafael Diniz agora vai!

É que ouvindo as falas de Alexandre Bastos, o que mais ficou marcado é que o governo Rafael Diniz está se preparando para dar uma “virada” nas suas práticas que têm sido, supostamente, técnicas e que passarão agora, segundo ele sob os olhares vigilantes da justiça, para um perfil mais “político”, seja lá o que isso signifique.

Mas afora prometer fazer em 20 meses o que não foi feito em 28, há ainda espaço para ataques nada sutis para quem aparece como candidato forte ao pleito municipal de 2020, no caso o deputado federal Wladimir Garotinho que foi acusado literalmente de estar tentando impedir a concretização de um projeto municipal, o que não foi explicado porque até hoje não saiu do papel.  Mas para valer mesmo só os ataques a Wladimir que claramente se colocou como candidato, o que ameaça a intenção também declarada de Rafael Diniz a concorrer à reeleição.

O mais curioso é que no caso do restaurante popular, informação sobre quando o mesmo será reaberto nada foi dito.  Aliás, demonstrando um desconhecimento constrangedor, Alexandre Bastos nem sabia dizer qual vai ser o novo do restaurante popular, como se o problema de centenas de pessoas que hoje passam fome fosse apenas uma questão “técnica” de mudança de nome.

Outra pérola é que foi dito que a passagem social do governo Rosinha foi quem quebrou as empresas de ônibus em Campos dos Goytacazes. Essa afirmação não só foi apresentada sem dados concretos que demonstrem a veracidade da mesma, mas desafia a realidade de que durante os mandatos de Rosinha Garotinho não havia o caos que hoje está estabelecido nos serviços de transporte público.  E quem fala isso não sou eu, mas as pessoas humildes com quem interajo e dizem sentir traídas pela piora significativa desses serviços.

Uma pergunta que não foi feita é de quanto deixou de ser entregue na via de aportes públicos às empresas de transporte público com o fim daquela política social, nem de como o aumento da dificuldade de locomoção dentro do município afetou, por exemplo, o comércio local, especialmente aquele destinado aos segmentos mais pobres da população e que funcionavam no centro da cidade de Campos dos Goytacazes.

Finalmente, eu realmente fico curioso para saber como nos próximos 24 meses se pretende dar uma virada nos rumos do governo de Rafael Diniz para que este saia do real do “Vai Ter” para o prometido durante a campanha que era o “Da Mudança”. É que, entre tantas outras coisas, a legislação eleitoral vai começar a estabelecer gargalos para que governantes que queiram concorrer ou apoiar outros candidatos possam realizar gastos sob a forma de políticas setoriais, incluindo a reabertura do restaurante popular. 

A verdade é que o “tic-tac” do relógio não para, enquanto o governo de Rafael Diniz segue sua sina do “Vai Ter”.  Vai chegar uma hora que não haverá espaço nem para promessas ou, tampouco, para ações concretas. E quando isso chegar, não vai adiantar demonizar os adversários políticos que irão, com toda legitimidade, escancarar a falta de ações concretas de um governo que prometeu mundos e fundos e até hoje não passou do “Vai Ter”. 

Um convite à “Águas do Paraíba”: divulguem seus resultados sobre os níveis de agrotóxicos presentes na água servida aos campistas!

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Acabo de ter acesso a um simpático comunicado da concessionária “Águas do Paraíba” sobre a pesquisa do Ministério da Saúde e divulgado conjuntamente pela Repórter  Brasil e pela Agência Pública que apontou para a existência de resíduos de agrotóxicos que chega às torneiras da população de Campos dos Goytacazes, sendo que nove deles estariam acima dos limites permitidos pela lei brasileira (ver figura abaixo).

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Pois bem, diz a nota da Águas do Paraíba que “em conformidade com o Ministério da Saúde, através da Portaria de Consolidação Nº 5, anexo XX de 28 de setembro de 2017, são realizadas, semestralmente, análises de monitoramento em todos os sistemas de abastecimento. As análises contemplam 94 parâmetros, dentre eles os agrotóxicos e herbicidas citados na Pesquisa, respeitando os limites estabelecidos na Legislação Brasileira”, diz um trecho da nota de Águas do Paraíba.”

Diante da discrepância entre os resultados da pesquisa nacional que apontam que 9 agrotóxicos detectados estão acima do limite considerado seguro e o conteúdo da nota da “Águas do Paraíba” que aponta para o contrário, há uma forma rápida de se chegar à verdade dos fatos: que a Águas do Paraíba divulgue seus próprios dados, preferivelmente na forma de um relatório que seja disponibilizado publicamente na página oficial da empresa para que todos os que desejarem possam ter acesso.

Do contrário, só restará à Prefeitura Municipal e à Câmara de Vereadores agirem dentro do que determina a lei, especialmente no que se refere ao direito de todo cidadão campista ter direito a saber o que lhe é servido diariamente na água que chega em suas torneiras, para apurar o que realmente está acontecendo. Simples assim!

Travessão pergunta: cadê o fumacê, Rafael?

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O mosquito Aedes Aegypti transmite chikungunya, dengue e zika. Pexels

Hoje tive acesso a informações vindas do distrito de Travessão que aquela localidade está severamente impactada por um surto da  febre chikungunya, que é uma doença viral transmitida pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus. Famílias inteiras estão acamadas, sendo que nos casos dos mais sortudos nem todos estão ficando enfermos ao mesmo tempo, o que nem sempre é o caso.

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Uma reclamação de quem me deu a notícia desse surto de chikungunya é que, enquanto a população sofre, não há sequer notícia da passagem do tradicional “fumacê” que historicamente é utilizado para diminuir o tamanho das epidemias associadas ao Aedes aegypti. 

Noto ainda que, ao contrário de governos anteriores, não há no site oficial da Prefeitura informações sobre o que está sendo feito para conter o surto de chikungunya, nem quais são as medidas que estão sendo adotadas para facilitar o tratamento dos que já foram infectados pelo vírus.

Aliás, tampouco tenho visto na mídia corporativa local entrevistas ou comunicados do Centro de Controle de Zoonoses e Vigilância Ambiental que nos davam, ao menos, a noção do que estava ocorrendo durante a ocorrência de surtos de doenças transmitidas por mosquitos, e cujos impactos são bastantes diferenciados em partes do município, atingindo de forma mais dura os bairros e localidades cuja população é majoritariamente menos favorecida economicamente, como é o caso do já citado Distrito de Travessão.

Nesse sentido, não me parece demais perguntar: cadê o fumacê, Rafael?