Campos dos Goytacazes, pobre cidade rica, onde R$ 260 mil vão virar fumaça em um foguetório enquanto a multidão passa fome

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Pode até parecer perseguição, mas é apenas constatação.  É que hoje notei aqui o gasto de R$ 136 mil com a contratação do ex-professor de História da UNICAMP, Leandro Karnal, que virá a Campos dos Goytacazes para provavelmente brindar a plateia com mais uma daquelas suas palestras motivacionais com tintas de humanismo neoliberal.

Mas não é que hoje o Diário Oficial de Campos dos Goytacazes traz outra contratação de custo salgado, pois se irá gastar R$ 260 mil para a realização de “serviços pirotécnicos”. Em outras palavras, para “pocar foguete” (ver imagem abaixo).

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Não querendo parecer chato, mas já sendo, me pergunto se eu tenho que lembrar aos nossos ilustres governantes das milhares de pessoas que hoje percorrem latas de lixo para tentar garimpar alguma coisa para gerar recursos para, por exemplo, comprar comida? Não que eu não aprecia espetáculos pirotécnicos, mas será que em uma cidade que existe muita gente passando fome, gastar quase R$ 300 mil com foguetório é a forma mais apropriada de se usar dinheiro público? 

 

 

Campos dos Goytacazes, com escolas com salas sem porta, vai gastar R$ 136 mil sem licitação por uma palestra com Leandro Karnal. Pode isso?

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Uma colega que milita no ensino básico municipal me narrou recentemente as dificuldades encontradas para ministrar aulas em uma tradicional escola localizada no centro da cidade. O motivo, entre muitos, é prosaico: a maioria das salas daquela escola sequer possuem portas, tornando o ambiente escolar, no mínimo, bastante difícil de ser gerido.  Mas salas sem porta não são o único problema em uma rede municipal que custa bastante dinheiro aos cofres públicos municipais. Há escolas em que nem merenda chega, deixando as crianças passando fome.

O problema é que nem todos os custos são, digamos, minimamente justificáveis, especialmente em uma cidade em que milhares de famílias vivem abaixo da linha da miséria segundo dados oficiais do governo federal. Um exemplo disso é a contratação, sem licitação, de uma empresa cujo objeto é realizar uma palestra com o ex-professor de História da Unicamp, Leandro Karnal, por salgados R$ 136 mil (ver imagem abaixo).

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Se nada de ilegal houver com essa contratação, há que se perguntar da oportunidade e da razão para que se faça um gasto desse montante neste exato momento. Há que se lembrar que os servidores públicos municipais acabam de encerrar uma greve por estarem com salários congelados, pelo menos desde o governo de Rosinha Garotinho.  

Ao que parece não são apenas os shows sertanejos que precisam ter o seu custo para cofres municipais examinado com mais carinho.  

As cenas do Parque Saraiva como oráculo do que virá até as eleições de outubro. E adianto que nada será “normal”

Imagino que a maioria dos habitantes de Campos dos Goytacazes não tem muito conhecimento da localização do Parque Saraiva, um bairro que está localizado no II Distrito do município, Goitacazes. Assim, se nem os campistas sabem da existência desse pequeno bairro, composto por nove ruas perpendiculares à RJ-216, quiçá o resto dos brasileiros que se distribuem em país de dimensões continentais (ver mapa abaixo mostrando a localização do bairro).

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Mas apesar da desproporção escalar, o Parque Saraiva se transformou ontem (15/06) em uma espécie de antessala do que deverá acontecer nas eleições gerais que ocorrerão no Brasil (ou pelo menos se espera que ocorra) no mês de Outubro.  É que num ponto empoeirado daquele pequeno bairro, se aglomeraram apoiadores dos grupos políticos familiares que hoje se degladiam para dominar a política municipal, sob as vistas preocupadas do governador acidental do Rio de Janeiro, Cláudio Castro.  Diante de uma plateia numerosa, o que se testemunhou foram as mais puras formas de agressão verbal que se pode manusear para tornar direitos emmeros objetos de pura barganha política (ver vídeo abaixo).

A despeito do que possa parecer, o que ocorreu no Parque Saraiva é um retrato fiel de como a dominação ideológica de setores que se valem do estado para se manter em posições privilegiadas, enquanto a maioria da população pobre se vê cotidianamente privada de direitos constitucionais básicos, como, por exemplo, o direito à moradia digna.

O mais interessante é que no frigir dos ovos, o palanque que se tornou palco de trocas de farpas pontiagudas reunia apenas aliados do governador acidental Cláudio Castro, essa é a verdade inescapável.  Assim, se as agressões verbais, que ameaçaram deflagrar uma batalha campal de fins imprevisíveis, foram tão evidentes entre aliados (ainda que de ocasião), imaginemos o que poderá acontecer quando os encontros se derem entre adversários de direita e esquerda.

Como alguém já disse, esqueçam a ilusão de que haverá algum nível de normalidade cívica nos eleições de outubro. A poeira levantada nas proximidades do palanque montado para celebrar (no melhor estilo de campanha antecipada) um projeto de mirrados R$ 32 milhões é apenas o prenúncio do que virá até que cheguemos (se chegarmos) nas salas eleitorais.

Quem viveu a idade de ouro dos shows em Campos dos Goytacazes não se choca com a farra sertaneja revelada (sem querer) por Zé Neto

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Quem vive em Campos dos Goytacazes há mais de duas décadas como é o meu caso não pode estar  surpreso com o imbróglio envolvendo os shows de artistas sertanejos pagos regiamente com dinheiro público. É que aqui na capital mundial do chuvisco ocorreram nos primeiros anos da década de 2000 shows com os principais artistas brasileiros reunidos no tradicional Jardim São Benedito, sem que se soubesse muito bem quanto estava se gastando, sob o pomposo nome de “Viva Melhor, Viva Música” (ver imagem abaixo).

Políticas públicas de lazer em Campos dos Goytacazes: o que é ruim sempre  pode piorar | Uma edição dominical do “Viva Melhor, Viva Música” no Jardim São Benedito na região central da cidade de Campos dos Goytacazes

O mais interessante é que enquanto a classe média se divertia no Jardim São Benedito com nomes para lá de conhecidos, aos moradores dos bairros periféricos restava a locomoção até o Farol de São Thomé para presenciar shows de artistas locais, muitos dos quais depois passavam um verdadeiro perrengue para receber cachês mais modestos.

Esse acesso diferenciado aos shows foi meticulosamente documentado pela minha orientanda Denise Rosa Xavier que se tornou Mestre em Políticas Sociais após defender com sucesso a dissertação intitulada “Políticas de Lazer e Segregação Sócio-Espacial: o Caso de Campos dos Goytacazes (RJ).

A Telhado de Vidro acabou com a festa campista

O intenso uso de verbas públicas oriundas dos royalties do petróleo continuou firme até meados de 2008 quando ocorreu a famosa “Operação Telhado de Vidro” que resultou na prisão de quatorze pessoas, incluindo empresários, dois secretários municipais e o então procurador-geral do município. A Telhado de Vidro resultou ainda no afastamento temporário do cargo do então prefeito Alexandre Mocaiber. Naquela época a bagatela envolvida foi de alegados R$ 240 milhões de dinheiro público que teria sido desviado para, entre outras coisas, a realização de shows no Farol de São Thomé.

O que muita gente já não deve lembrar é que o nome “Telhado de Vidro” porque uma da empresas envolvidas nos casos de shows superfaturados se chamava “Telhado de Vidro Produções Artísticas” que faria parte de uma espécie de holding de empresas de shows pertencentes ao empresário Antônio Geraldo Seves.

Os shows sertanejos com dinheiro público podem ser o “Telhado de Vidro” da vez, só que em escala maior

Se os preços de shows praticados em Campos dos Goytacazes até a eclosão da “Telhado de Vidro” em 2008 fossem ajustados para os dias atuais não seria de se surpreender que estivessem no mesmo patamar.  Mas a semelhança não pararia por ai, pois se em Campos os shows eram pagos com recursos oriundos dos royalties do petróleo, ao menos no caso do show do cantor Gustavvo Lima que foi cancelado em Conceição do Mato Dentro (MG), os recursos para pagamento do artista viriam do Fundo de Compensação Financeira pela Exploração Mineral (Cfem)  que é pago pelas mineradoras às cidades onde há mineração . Em outras palavras, de roaylties da mineração.

Desta forma, dadas as semelhanças iniciais, não me surpreenderia que no caso de uma apuração mais ampla se descobrisse o uso de todo tipo de recursos que deveriam estar servindo para melhorar a qualidade de serviços públicos essenciais como saúde, educação, transporte e habitação. Aliás, quem quiser vir a Campos dos Goytacazes e se informar sobre a herança trágica deixada pelos shows superfaturados ainda encontrará muitas testemunhas oculares da idade de ouro dos shows turbinados com royalties do petróleo.

 

Um genocídio felino está em curso na cidade de Campos: por que é preciso responder a isso?

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Relatos vindos de diferentes meios estão dando conta que está em curso uma campanha (orquestrada ou não) de extermínio de gatos na cidade de Campos dos Goytacazes.  Ainda que o envenenamento de animais não seja um fato recente, a atual contagem de casos mostra que a escala de casos está fora do normal.  O veículo mais provável da maioria dos envenenamentos é um agrotóxico banido no Brasil, o inseticida aldicarbe. que é usado ilegalmente como raticida nas cidades brasileiras sob o codinome de “chumbinho”.

Há que se dizer que o aldicarbe foi retirado oficialmente do mercado desde 2012 por ser extremamente tóxico e causar sintomas agudos poucas horas após a sua ingestão, sendo considerado o agrotóxico mais tóxico já liberado no Brasil. Curiosamente, o aldicarbe era indicado para aplicação nas culturas de batata, café, citros e cana-de-açúcar. Como essa última cultura é a monocultura que domina a paisagem agrícola no município de Campos, o que deve ter gerado um grande excesso do aldicarbe proibido, agora transformado em primeira opção para a eliminação de animais indesejados, ratos ou quaisquer outros.

Assim, havendo a ferramenta perfeita, muita gente está procurando alguma loja para comprar um produto banido para envenenar gatos e outros animais que inadvertidamente ingerem comida que tenha sido propositalmente “batizada” com aldicarbe. A questão é que o responsável (ou responsáveis) pelo ato de envenenar animais pode ser enquadrado no crime de Crueldade contra Animais, que encontra respaldo legal na Lei de Contravencoes Penais e Lei de Crimes Ambientais (Lei 3688/41, art. 64 e Lei 9605/98, art. 32). No caso da venda do aldicarbe, o crime é Contra a Saúde Pública (art. 273 parágrafo 1º-B, inciso I e IV do Código Penal).

A coisa é que a isca que é provavelmente dirigida somente a animais pode também envenenar seres humanos, o que explica que o aldicarbe é responsável por 60% dos casos de envenenamento humano por chumbinho.

Mas o que o envenenamento dos gatos nos diz sobre a sociedade em que vivemos?

Tendo ouvido relatos e lido descrições de como os animais domésticos foram envenenados, uma característica comum é que os felinos mortos não eram errantes, mas viviam abrigados em residências onde eram cuidados e alimentados. Desse fato decorrem outros , como a possibilidade forte de que o envenenador seja um vizinho que conhecia o animal, e, mesmo assim, optou pelo seu extermínio, sem considerar os danos emocionais que seriam causados nos seus tutores, especialmente as crianças.

Mas o detalhe mais importante aqui me parece ser o fato de que esses inúmeros casos de envenenamento dispersos pela área urbana de Campos dos Goytacazes apontam que há uma espécie de predisposição para matar animais, o que, muitas vezes, poderia ser uma espécie um treinamento para eliminação de semelhantes. Se essa minha tese estiver correta, o problema diante de nós é mais grave do que algo que por si só já é grave.

Diante dessa conclusão eu sugiro que os casos de envenenamento sejam relatados via Boletim de Ocorrência às autoridades policiais, o que é facilitado pelo fato de que isso já pode ser feito pela rede mundial de computadores (no caso do Rio de Janeiro se faz um registro de ocorrência (RO), o que pode ser feito Aqui!).

Finalmente, as autoridades policiais e fiscais governamentais, a começar pelos fiscais do Ministério da Agricultura lotados em Campos dos Goytacazes, precisam realizar um levantamento urgente para identificar quem está vendendo ilegalmente o aldicarbe para que haja a devida punição legal dos mesmos.

 

Na educação municipal de Campos é assim: trabalhe hoje, mas sem saber quando o salário será pago

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Em Campos dos Goytacazes, professores contratados via processo seletivo simplificado trabalham sem saber quando vão receber

Os servidores municipais de Campos dos Goytacazes estão anunciando uma greve geral a partir de 3a .feira (17/05) para demandar a reposição de perdas salariais que a rica Prefeitura Municipal diz não ter como realizar, apesar de estar c om os cofres cheios. Apesar de achar a demanda dos servidores mais do que justa, eu fico pensando se a pauta de greve não deveria ser estendida para algo mais simplório e urgente: o pagamento dos salários dos servidores com contratos precários, especialmente aqueles servem à causa da educação.

É que ontem tive a oportunidade de conversar com um professor contratado via o famigerado “Processo Seletivo Simplificado” que nada mais que é um forma de precarizar o trabalho docente e, pior, que deixa os profissionais em condições desesperadoras. É que este profissional me informou que apesar de estar trabalhando, não possui a menor ideia de quando será pago.  Segundo ele, informes dados por colegas em situação semelhante dão conta que deverá esperar de 3 a 4 meses para ver dinheiro que lhe é devido por exercer funções docentes em condição precária.

Mais um detalhe aumenta a condição de indignidade dos educadores contratados em condições precárias pela Secretaria Municipal de Educação, comandada pelo professor Marcelo se refere ao montante legal de 20% para atividades de planejamento, as quais estão sendo reduzidas para 10%, o que é feito para aumentar a carga em sala de aula. Então, vejamos, trabalha-se mais em sala de aula para ficar sem sequer se saber quando o salário devido será pago.

Diante desse quadro é que anúncios de que, por exemplo, a subutilizada Cidade da Criança (que custou uma fortuna aos cofres públicos municipais) será transformada em um centro de referência em Educação Inclusiva me parecem surreais, como alardeado pelo prefeito Wladimir Garotinho em sua página na rede social Facebook (ver imagem abaixo).

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O problema é que sequer se paga os salários em dia, como esperar que os servidores precários tenham condições de realizar atividades como as que se espera seriam realizadas neste centro de referência? 

Como já bem disse a mãe do prefeito, Rosangela Matheus, Wladimir parece achar que está no cargo por causa dos seus olhos verdes e, em vez de observar como os que tocam o barco estão sendo tratados, prefere ficar exibindo seus supostos feitos nas redes sociais.  Um bom sinal de que se entende a importância do cargo ocupado seria evitar situações vexatórias como as que foram arroladas nesta postagem. Vamos lá prefeito, arregace as mangas e pague os salários dos professores contratos precários. Eles certamente vão agradecer.

 

 

Relatório anual da qualidade da água da “Águas do Paraíba” “esquece” dos agrotóxicos

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Como deve ter ocorrido com muitos consumidores cativos da concessionária “Águas do Paraíba”, recebi ontem minha conta do mês de maio acompanhada do “relatório anual de qualidade da água do sistema de abastecimento ETA Coroa  (ver imagens abaixo).

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Curiosamente, este relatório (sic!) não traz qualquer informação sobre medidas feitas para verificar a presença dos chamados micro-poluentes emergentes, dos quais os agrotóxicos são uma das espécies mais preocupantes pelo que a exposição crônica a eles pode causar na saúde humana.

Não custa lembrar que os dados divulgados pelo chamado “Mapa da Água” apontaram a presença de agrotóxicos na água que chega nas torneiras dos campistas. 

Aparentemente a “Águas do Paraíba” acredita que se os seus relatórios não trouxerem dados sobre esses contaminantes emergentes, isso significará que eles não estão sendo servidos na água que o campista recebe diariamente em suas torneiras a um custo nada camarada. O problema é que, como a ciência sempre mostra, a negligência no fornecimento do dado não significa que aquilo que foi medida deixa simplesmente de existir.

Wladimir versus Rafael: não tem nem como comparar

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Quem lê o que escrevo sobre a gestão do prefeito Wladimir Garotinho (Ex-PSD, atualmente sem partido) já deve ter notado que sou um crítico de parte significativa de suas práticas e projetos, pois as considero aquém do que a cidade de Campos dos Goytacazes precisa e, mais ainda, merece.  Um dos problemas que vejo em particular é o uso exagerado das redes sociais pelo jovem prefeito campista, pois existem momentos em que um grau de recolhimento lhe cairia melhor do que a super exposição que as mesmas proporcionam.

Por outro lado, a ação desastrada de realizar uma eleição para a mesa diretora da Câmara de Vereadores vem proporcionando uma alavancagem a seus opositores (alguns deles com menos qualidades do que as já demonstradas por Wladimir).  Não sei quem teve a infeliz ideia de realizar essa eleição intempestiva, mas o tiro claramente saiu pela culatra, e rende uma dor-de-cabeça claramente desnecessária ao prefeito de Campos já que ele precisa perder tempo precioso com ações que não são aquelas pedidas pela maioria da população.

Mas se olharmos a dita oposição na Câmara de Vereadores, a maioria dos vereadores e partidos que oposição ao governo municipal passaram quatro anos sentados confortavelmente na condição de bancada governista do governo de Rafael Diniz, certamente o pior (e olha que tivemos governos bem ruins desde que cheguei na cidade em 1997) de que tenho memória.  O cinismo é tão grande que até figuras de proa do governo de Rafael Diniz tem colocado a cabeça de fora dos buracos de onde se esconderam para criticar as ações de um governo que faz a maioria da população ter uma amnésia gostosa em relação ao desastre que o governo de Rafael Diniz representou para a cidade.

Eu também chamaria a atenção para aqueles opositores dentro da chamada “sociedade civil organizada” que, como os vereadores, passaram os anos de Rafael Diniz firmemente presos nas tetas dos cofres municipais, sem que houvesse qualquer retorno palpável para qualquer setor que fosse (a não ser aquele em que eles estão inseridos). Agora que as torneiras aparentemente foram parcialmente fechadas, vê-se o retorno da crítica aos feitos do prefeito dos mesmos que em um passado recente ficaram calados.

Em outras palavras, em minha opinião Wladimir Garotinho realmente comete erros facilmente evitáveis e também exagera na autopromoção que resvala em uma arrogância contraproducente, mas está longe de representar o desastre e o estelionato eleitoral que Rafael Diniz foi. Aliás, se olharmos a distância entre promessas e ações de forma minimamente justa, chegaremos à conclusão de que a distância entre os dois prefeitos é estelar, já que Rafael Diniz foi o próprio estelionato eleitoral, tendo punido os mais pobres com medidas draconianas, a começar pelo fechamento do Restaurante Popular, que contradisseram totalmente a sua propaganda eleitoral.

Alguém poderá se perguntar o porquê de eu estar escrevendo uma postagem que aparentemente defende Wladimir Garotinho. Esclareço que não tenho porque defender o atual prefeito já que não estou nem próximo de pertencer ao grupo político dele, nem me alinho com sua linha ideológica de governar. A questão aqui é só lembrar que o governo anterior era infinitamente pior e que alguns dos detratores do atual governo eram parte orgânica dele. É preciso lembrar isso, pois “Um povo sem memória é um povo sem história. E um povo sem história está fadado a cometer, no presente e no futuro, os mesmos erros do passado.”

Finalmente, e falando em Rafael Diniz, por onde anda mesmo o jovem ex-prefeito (agora não tão jovem) depois que a população o retirou da cadeira na qual nunca deveria ter estar? Provavelmente pensando que nas próximas eleições municipais seus malfeitos já terão sido esquecidos, permitindo então a ele poder voltar a tentar a sorte em algum cargo eletivo. Quem viver, verá.

IMTT reduz ciclovia e afunda Campos dos Goytacazes no passado

A cidade de Campos dos Goytacazes, especialmente a parcela que precisa sair de casa para trabalhar sem dispor de veículo próprio, está sob os efeitos dramáticos do colapso no serviços públicos de transporte. Nesse contexto de caos consentido pelo governo municipal, o que fazem os técnicos do IMTT? Optam pelo impensável ao reduzir o espaço disponível para as bicicletas para dar mais espaço para os automóveis (ver imagem abaixo mostrando a redução de um parte da “Ciclovia Patesko”).

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Aí é que eu digo: para que tentar modernizar e democratizar os acessos à cidade, se você pode afundá-la ainda mais na desigualdade e no atraso? Para que pensar em aproveitar as potencialidades que o terreno nos oferece e apoiar o transporte por bicicletas, se é possível caminhar no passo do siri para fincar a cidade de Campos dos Goytacazes no passado?

Asfalto sonrisal como dádiva de governo? Menos, prefeito Wladimir, menos…..

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Acabo de ler um artigo no site “Tribuna NF” sobre o aparecimento de buracos precoces no recapeamento realizado na rua Saldanha Marinha, o que configuraria o uso do chamado “alsfalto sonrisal, o que colocaria em xeque a longevidade da fina camada asfáltica que foi colocada para dar uma espécie de “lifting” nas faces esburacadas da maioria das ruas da região central da cidade de Campos dos Goytacazes.

Eu estaria faltando com a verdade se e que estou surpreso com essa revelação, pois tenho sido um observador privilegiado da forma caótica com que os trabalhos realizados pela empresa (ou empresas) contratada pela administração de Wladimir Garotinho têm sido realizados.  A forma aparentemente descoordenada com os serviços, entretanto, me parecem ser apenas a ponta de um iceberg, pois há algo mais importante que está ausente, qual seja, a predominância de um padrão de completa incivilidade na condução diária do trânsito, pois está muito difícil dirigir de forma segura e civilizada pelas ruas da cidade, na medida em que inexiste uma política municipal de trânsito e, pior, fica evidente que a Guarda Civil Municipal não possui o efetivo necessário para disciplinar os indisciplinados. Em outras palavras, há algo mais frágil em nossas ruas do que o asfalto sonrisal denunciado pela Tribuna NF.

Diante disso tudo, o que faz o prefeito Wladimir Garotinho? Vai para as redes sociais para mostrar a recuperação (capenga) das ruas centrais como alguma espécie de demonstração de dádiva divina. A isso eu respondo: menos, prefeito, menos.