Em plena expansão da variante Delta, crianças campistas serão enviadas para “covidários” presenciais

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Em plena disseminação da perigosíssima variante “Delta” no Brasil, eis que como pai estou sendo praticamente forçado a recolocar o meu filho em aulas presenciais que estão sendo impostas pela rede particular de ensino de Campos dos Goytacazes, sob os auspícios da gestão do prefeito Wladimir Garotinho (PSD).

Essa predisposição de jogar roleta russa com a saúde de de milhares de crianças vem acompanhada de um “termo de responsabilidade” que coloca sob os pais toda a carga em caso de algum filho adoecer com COVID-19.  Esse termo de responsabilidade recaindo sobre as costas dos pais é um atestado de incapacidade das escolas cujos proprietários sabem que não têm como garantir a perfeita higienização dos ambientes escolares ou, tampouco, impedir que crianças sejam crianças e passem a ter a interação física que as faz crianças.

O interessante é que a maioria das  escolas certamente está reinserindo os seus estudantes/clientes dentro das escolas sem que os profissionais de educação estejam pelo menos com a primeira dose da vacina.  Essa seria uma obrigação mínima para a retomada da presença das crianças nas escolas, mas nem isso a Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes  cuidou de colocar como obrigação dos proprietários como condição para a retomada das aulas presenciais. E friso novamente: em plena disseminação da variante Delta!

A consequência disso que narrei é que as crianças campistas não estão sendo retornadas para escolas, mas para covidários.  Quero apenas ver como ficarão os proprietários e os gestores públicos que estão permitindo que isso venha a ocorrer quando os primeiros surtos ocorrerem.  Adianto que de minha parte não haverá sossego para os que estão operando essa transformação.

E eu pergunto para que está se fazendo isso? Pela preocupação com a aprendizagem das crianças ou para a retomada das receitas geradas quando as crianças estão presencialmente nas escolas (agora transformadas em covidários)?

Cartórios de Campos dos Goytacazes registram 1º semestre com mais óbitos e menos nascimentos da história

Nunca se morreu tanto em um primeiro semestre como em 2021. Cidade também registrou crescimento vegetativo negativo pela primeira vez na história
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A pandemia da COVID-19 vem causando um profundo impacto nas estatísticas vitais da população brasileira. Além das quase de 2 mil vítimas fatais atingidas pela doença, o novo coronavírus vem alterando a demografia de uma forma nunca vista desde o início da série histórica dos dados estatísticos dos Cartórios de Registro Civil de Campos dos Goytacazes, em 2003: nunca se morreu tanto e se nasceu tão pouco em um primeiro semestre como neste ano de 2021, resultando, pela primeira vez na história da cidade, em um crescimento vegetativo negativo em um semestre completo.

Os dados constam no Portal da Transparência do Registro Civil (https://transparencia.registrocivil.org.br/inicio), base de dados abastecida em tempo real pelos atos de nascimentos, casamentos e óbitos praticados pelos Cartórios de Registro Civil do País, administrada pela Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil), cruzados com os dados históricos do estudo Estatísticas do Registro Civil, promovido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base nos dados dos próprios cartórios brasileiros.

Em números absolutos os Cartórios campistas registraram 3.055 óbitos até o final do mês de junho. O número, que já é o maior da história em um primeiro semestre, é 54% maior que a média histórica de óbitos de Campos, e 32,5% maior que os ocorridos no ano passado, com a pandemia já instalada há quatro meses no estado. Já com relação a 2019, ano anterior à chegada da pandemia, o aumento no número de mortes foi de 34,6%.

Com relação aos nascimentos, a cidade registrou o menor número de nascidos vivos em um primeiro semestre desde o início da série histórica em 2003. Até o final do mês de junho foram registrados 4.055 nascimentos, número 7% menor que a média de nascidos na cidade desde 2003, e 2% menor que no ano passado. Com relação à 2019, ano anterior à chegada da pandemia, o número de nascimentos caiu 11% na maior cidade do Norte Fluminense.

O resultado da equação mostra que a diferença entre nascimentos e óbitos que sempre esteve na média de 2.380 nascimentos a mais, ficou positiva em 1.000 óbitos, ou seja, mesmo com a pandemia, Campos registrou mais nascimentos do que óbitos no semestre e um aumento de 58% na variação em relação à média histórica. Em relação a 2020, o aumento foi de 45,5%, e em relação a 2019 foi de 56,4%.

“O Portal da Transparência vem sendo usado por toda a sociedade para ter um retrato fiel do que tem acontecido no País neste momento de pandemia”, explica Humberto Monteiro da Costa, presidente da Arpen-RJ. “Os números mostram claramente os impactos da doença em nossa sociedade e possibilitam que os gestores públicos possam planejar as diversas políticas sociais com base nos dados compilados pelos Cartórios”, completa.

Natalidade e Casamentos

Embora não seja a regra, a série histórica do Registro Civil demonstra que o aumento no número de casamentos está diretamente ligado ao aumento da taxa de natalidade em Campos, o que deve fazer com que os nascimentos ainda demorem um pouco a serem retomados, já que no primeiro semestre de 2021 a cidade registrou o sexto menor número de casamentos desde o início da série histórica.

Apenas 10,3% menor que a média histórica de casamentos no primeiro semestre da cidade de Campos dos Goytacazes, o número de matrimônios em 2021 mostra considerável recuperação em relação às celebrações do ano passado, fortemente impactadas pela chegada da pandemia que adiou cerimônias civis em virtude dos protocolos de higiene necessários à contenção da doença. Até junho deste ano os Cartórios celebraram 1.080 casamentos civis, número 30% maior que os 833 matrimônios realizados no ano passado, mas ainda 14% menor que os 1.255 casamentos celebrados em 2019.

Sobre a Arpen/RJ

A ARPEN-RJ, entidade de utilidade pública, nos termos da lei 5462/2009, se destina, entre os objetivos estatutários, a promover o aperfeiçoamento do registro civil de pessoas naturais e de interdições e tutelas no estado do Rio de Janeiro, bem como apoiar as iniciativas nacionais nessa área.

Agronegócio como vetor de surto de COVID-19 em Campos dos Goytacazes

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As evidências de que o chamado “agronegócio” (cujo nome verdadeiro é latifúndio agro-exportador) é um dos principais responsáveis pela ampla circulação do Sars-Cov-2 no Brasil são inúmeras e já estão sendo documentadas pelos pesquisadores brasileiras sob a forma de artigos científicos (Aqui! e Aqui!). Mas agora uma reportagem do Portal Viu mostra que mesmo aqui na planície dos Goytacazes, temos o agronegócio sucro-alcooleiro jogando o papel de reunir trabalhadores em condições propícias para a contaminação e ampla circulação do vetor da COVID-19.

Como bem mostra a reportagem publicada pela Agência Fonte Exclusiva sobre o assunto, um total de 40  trabalhadores envolvidos no corte da cana foram identificados como portadores do coronavírus dentro de uma pousada que abrigava duas dezenas de cortadores de cana, o que demonstra que há um surto em curso, enquanto os trabalhadores são deixadas à mercê da própria sorte após dias exaustivos no corte da cana.

O mais curioso é que segundo novas matérias sobre o assunto apontando que até agora o Ministério Público do Trabalho (MPT) aparentemente ainda não se moveu para apurar as responsabilidades por essa contaminação em massa dos trabalhadores da cana em Campos dos Goytacazes.  Tal fato me parece incompreensível, mas apenas confirma que quando se trata de enfrentar as mazelas causadas pelo modelo agro-exportador, a velocidade dos entes estatais é muito lento, mas muito lento mesmo.

Políticas públicas de lazer em Campos dos Goytacazes: o que é ruim sempre pode piorar

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No início de 2004 a minha então orientanda no Programa de Políticas Sociais, Denise Rosa Xavier, defendeu com grande êxito a sua dissertação de Mestrado cujo título era ” Políticas de Lazer e segregação socioespacial: O caso de Campos dos Goytacazes, RJ”.  Nas suas conclusões, Denise Xavier apontou para o fato inescapável de que pode-se
afirmar que a distribuição do lazer existente na cidade de Campos dos Goytacazes se dava então de forma centralizada e concentrada em eventos de custos elevados, privilegiando o acesso a membros da classes mais abastados, o que apenas reforçava um padrão de exclusão espacial dos mais pobres.

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Os campistas mais antigos irão lembrar que o período abordado no estudo foi justamente a época áurea dos shows custeados pelos royalties do petróleo que colocava os principais artistas para darem shows gratuitos no Jardim São Benedito, enquanto que os mais pobres eram empurrados para shows com artistas locais na Farol de São Thomé sob a mesma legenda do “Viva melhor, Viva Música”.  Nesse sentido, Denise Rosa Xavier pontuou com correção que aquele contexto se traduzia “em práticas aparentemente excludentes, pois ao investir em um lazer espetáculo e centralizando-o em determinados locais, o poder público acabava por reforçar a segregação socioespacial da cidade, dividindo-a de
acordo com o poder político e econômico das classes sociais que a compõem“. E mais simplesmente que tal dicotomia de locais servia apenas para reforçar a exclusão social em Campos dos Goytacazes.

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Curiosamente, passadas quase duas décadas daquela conclusão certeira, pouco ou nada sobrou no município de Campos dos Goytacazes em termos de políticas públicas voltadas para o oferecimento de equipamentos de lazer para a sua população. Nesse sentido, uma recomendação deixada por Denise Rosa Xavier em 2004 parece um prenúncio do que deveria ter sido feito e nunca foi. É que ao notar a incipiente consolidação das políticas municipais de lazer por causa da natureza elitista das ações centradas em shows, Denise Xavier apontou que seria necessário que “no âmbito da esfera pública municipal, no sentido de propiciar a população de Campos dos Goytacazes, fosse estabelecida uma politica de lazer universalista e que minimizasse as distâncias sociais existentes no município”.  

Tragicamente a inexistência de políticas de lazer de caráter universalista resultou, especialmente no âmbito da pandemia da COVID-19, na opção pela utilização de espaços ainda mais elitistas nos quais a maioria da população campista não teve qualquer possibilidade de acesso.  Diante disso, o que temos é que situações que podem ser consideradas ruins sempre possuem espaço para piorar, especialmente sob governos que se valem do elitismo para se manterem no poder.

Finalmente, se algum consolo há é o fato de que um trabalho acadêmico concluído há mais de 17 anos ainda possui a capacidade de explicar como chegamos até aqui em função da sua densidade teórica e empírica, o que apenas reforça o papel da Uenf em produzir ciência que seja útil para a criação de uma sociedade mais justa e democrática, como propunha Darcy Ribeiro.

Quem desejar ler a íntegra da dissertação de mestrado de Denise Rosa Xavier, basta clicar [Aqui!].

Pesquisadores da UENF lançam obra sobre a vegetação das praças de Campos dos Goytacazes

Como resultado de uma série de pesquisas lideradas pela professora Janie Mendes Jasmim, do Laboratório de Fitotecnia da Universidade Estadual do Norte Fluminense, a cidade de Campos dos Goytacazes agora tem uma espécie de radiografia da situação da arborização em suas praças.   É que acaba de ser lançado o E-book “Guia de Vegetação de Praças de Campos dos Goytacazes”, no qual estão disponíveis informações detalhadas acerca da composição da vegetação existentes nas praças campistas.

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A obra faz parte de um projeto mais amplo que envolve atividades de pesquisa e extensão que ocorrem sob a supervisão da professora Janie Jasmim.  O E-book traz os resultados da pesquisa de iniciação científica da graduanda  Mariana Elene Costa Pereira, em que foi feita a identificação, quantificação e georreferenciamento das espécies existentes em 17 praças da região central de Campos dos Goytacazes,

Este trabalho está tendo uma sequência na forma de um inventário das árvores das principais ruas e avenidas também da região central. Os resultados preliminares dessa fase da pesquisa acabam de ser apresentados no XIII Congresso Fluminense de Iniciação Científica (CONFICT).

O grupo de pesquisa liderado pela professora Janie Jasmim também já realizou um diagnóstico participativo das áreas verdes campistas, no qual foram entrevistadas 1700 pessoas (100 por praça). Atualmente, a pesquisa está em outra etapa,  onde os pesquisadores envolvidos estarão conduzindo outro diagnóstico, agora sobre a arborização de ruas e avenidas por meio de Google forms (pretendemos fazer de forma presencial, logo que possível).

Para os interessados em conhecer mais essas atividades de pesquisa e extensão, grupo de pesquisa da professora Janie Jasmim criou dois perfis no Instagram: @arborizaçaourbanauenf; @verdeurbanocamposdosgoytacazes.

O E-book “Guia de Vegetação de Praças de Campos dos Goytacazes” pode ser baixado [Aqui!].

Números discrepantes da pandemia da COVID-19 colocam em xeque a “Fase Verde” adotada em Campos dos Goytacazes

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Já externei neste blog minhas dúvidas sobre a pertinência da adoção da chamada “Fase Verde” em Campos dos Goytacazes, pois informações chegadas de diferente partes do município dão conta de que está ocorrendo um agravamento dos casos de infecção e morte por COVID-19 em áreas onde até recentemente os efeitos da pandemia estavam razoavelmente leves.

A partir dessas dúvidas realizei um levantamento em três fontes de dados (Ministério da Saúde, Secretaria Estadual de Saúde e Prefeitura Municipal ) para verificar inicialmente como anda a totalização de óbitos por COVID-19 em Campos dos Goytacazes.

Na base de dados do Ministério da Saúde, o total de óbitos é de 1.440  e 26.383 casos confirmados (ver figura abaixo).

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Quando verifiquei a base de dados da Secretaria Estadual de Saúde, os dados que apareceram são ligeiramente diferentes, com o total de mortos sendo de 1.449 e os mesmos de 26.383 de infecções (ver figura abaixo).

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Entretanto, ao se acessar a página oficial da Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes na rede social Facebook, o número de mortes causadas por COVID-19 cai para 1.408, enquanto que o número de infecções sobe para 33.925 casos (ver figura abaixo).

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Aqui fico realmente curioso, pois como podemos ter nos registros da Prefeitura de Campos dos Goytacazes, 7.542 infecções a mais do que o que consta no Ministério da Saúde e na Secretaria Estadual de Saúde, enquanto que o número de mortes a diferença é de 41 mortes a menos em relação aos dados federais e 32 em relação aos dados estaduais.

Além dessas divergências, há que se notar que os dados da Prefeitura estiverem corretos, temos ainda 8.934 casos ativos da COVID-19 no município de Campos dos Goytacazes.

Uma consequência das discrepâncias observadas me parecem óbvia. É que ao se inflar o número de infecções e se diminuir o de mortes, o que temos é a redução da taxa de letalidade da COVID-19 em Campos dos Goytacazes. Com isso, se viabiliza por exemplo a adoção da chamada “Fase Verde”. 

Entretanto, algo ainda mais importante em minha opinião a partir da análise apenas dos dados de infecções e óbitos nas bases analisadas se refere à forma que está se dando monitoramento, investigação e encerramento dos casos de COVID-19 pela Vigilância Epidemiológica de Campos dos Goytacazes. No mínimo, fica evidente que está havendo uma inexplicável incongruência com os dados disponíveis nos níveis nacional e estadual.  A questão importante é do porquê que isto está ocorrendo e por responsabilidade de quem.

 

Campos dos Goytacazes registra mais de 100% de aumento nos óbitos por COVID-19 frente à média da pandemia em no mês de maio

Dados dos Portal da Transparência dos Cartórios de Registro Civil revelam que mesmo com queda nos óbitos em comparação com o mês passado, números ainda estão acima da média

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Com o segundo pior número de mortes desde o início da pandemia da Covid-19 em Campos dos Goytacazes, o mês de maio mostrou queda nos números da doença e com isso, um indício de que a vacinação na cidade começa a surtir efeito. Mas se comparados com a média de óbitos causados pelo novo coronavírus desde a chegada da doença na cidade, o mês que se encerrou registrou aumento de 114% no número de falecimentos, registrando 224 mortes, frente a uma média de 87 óbitos.

Os números de maio só são melhores quando comparados com os números de óbitos registrados em abril deste ano. Na comparação com março, maio aponta aumento de 88% no número de óbitos, enquanto na comparação com abril houve queda de 23,3%. Em números absolutos, maio registrou 224 óbitos causados pelo novo coronavírus, março 119, e abril 292.

Os dados constam no Portal da Transparência do Registro Civil (https://transparencia.registrocivil.org.br/inicio), base de dados abastecida em tempo real pelos atos de nascimentos, casamentos e óbitos praticados pelos Cartórios de Registro Civil do País, administrada pela Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil), e podem ainda sofrer mudanças, uma vez que o prazo legal para envio de óbitos à plataforma nacional pode chegar a até 12 dias do falecimento. 

“É possível acompanhar mês a mês a variação dos dados de óbitos pelo Portal da Transparência dos Cartórios de Registro Civil e o que ela nos mostra é que mesmo com a diminuição de óbitos na faixa etária que já foi vacinada, os números ainda são muito expressivos e estão muito acima da média historicamente registrada do Estado. Portanto, nos mostra o quanto a vacinação tem sido eficaz e por este mesmo motivo, o quanto ela deve ser acelerada para que mais vidas sejam poupadas”, explica Humberto Costa, presidente da Arpen RJ.

Maio/20 x Maio/21

Um ano depois, maio de 2021 registrou aumento de 322% dos óbitos em Campos dos Goytacazes em comparação com o mesmo mês de 2020. Em números absolutos foram 224 mortes no mês passado frente a 53 em maio do ano passado. Na mesma comparação, 18 Estados apresentam números maiores este ano, enquanto nove apresentam redução quando comparados ao mesmo período do ano passado.

Já no Brasil, maio de 2021 registrou um aumento de 71,9% dos óbitos no Brasil em comparação com o mesmo mês de 2020. Em números absolutos foram 49.282 mortes no mês passado frente a 28.667 em maio do ano passado. Na mesma comparação, 18 Estados apresentam números maiores este ano, enquanto nove apresentam redução quando comparados ao mesmo período do ano passado.

Sobre a Arpen/RJ

A Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado do Rio de Janeiro (Arpen/RJ) representa os 179 cartórios de registro civil, que atendem a população em todos os 92 municípios do Estado, além de estarem presentes em todos os distritos e subdistritos, realizando os principais atos da vida civil de uma pessoa: o registro de nascimento, casamento e óbito.

FONTE: Assessoria de Imprensa da Arpen Rio de Janeiro

Campos dos Goytacazes entra em uma incrível “Fase verde” com 1.400 mortos por COVID-19

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Com o município de Campos dos Goytacazes contabilizando 1.400 mortes oficiais por COVID-19, o prefeito Wladimir Garotinho (PSD) anunciou que entramos na chamada “Fase Verde” do chamado “Plano de Retomada das Atividades Econômicas e Sociais”. As razões para isso seria, entre outras coisas, o fato de que o município chegou a 160 mil pessoas vacinadas com a primeira dose, o que significa 31% da população, e segunda dose com quase 70 mil vacinados”, ou o equivalente a 14% da população.

Quem se pergunta sobre qual seria o limiar de segurança para uma abertura mínima de atividades comerciais não essenciais, tenho a dizer que 14% de imunização total é um valor irrisório em face da presença de variantes altamente contagiosas como a “Delta” que surgiu inicialmente na Índia, mas que já está instalada por aqui.

Em outras palavras, permitir a abertura quase total de atividades não essenciais é irresponsável do ponto de vista do controle da pandemia, pois o que deveria estar vigindo por aqui é a Fase Vermelha, dada o andamento em ritmo de tartaruga de pata quebrada do processo de vacinação. Para quem ainda não sabe, no dia de hoje estão vacinadas mulheres na idade 49 anos, o que indica a lerdeza em que a vacinação está ocorrendo.

Eu só posso concluir que o prefeito Wladimir Garotinho está tentando uma forma de “make up kisss” com o tal setor produtivo que se levantou contra ele por causa da derrama fiscal que ele pretendia aprofundar, seguindo aí sim os passos lépidos de Rafael Diniz.

A informação que eu disponho é que no interior do município os casos de COVID-19 estão em fase explosiva, com famílias inteiras sendo gravemente contaminadas. Eu mesmo tive hoje a triste informação de que perdi mais um conhecido por causa da COVID-19. Mas como ele era um trabalhador pobre, a sua morte não deve ter sido incluída nos cálculos políticos que nos colocaram na “Fase Verde”.

O curioso é que na manhã desta 3a. feira (22/06), a agência do Banco Santander localizado no Boulevard Francisco de Paula Carneiro amanheceu fechada, sem qualquer surpresa para mim, porque um surto de COVID-19 se instalou entre os bancários que ali trabalham (ver imagem abaixo).

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Em Campos dos Goytacazes, ensino híbrido em meio ao ascenso das contaminações é uma certeza de desastre sanitário

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As razões que guiam a Secretaria Municipal de Educação de forçar os profissionais da educação a aplicar um nebuloso modelo híbrido de ensino, em meio ao que tudo indica seja uma terceira onda aguda e letal da pandemia da COVID-19, não tem outro nome que não seja “convite para o desastre”. É que conhecendo a precariedade que cerca a aplicação dos tais padrões de segurança sanitária que supostamente deveriam reger o convívio aglomerado no Brasil, a única coisa certa é que teremos mais contaminações e provavelmente mortes não apenas entre os profissionais da educação, mas também entre crianças e familiares. E tudo isso para quê? Atender as pressões dos donos das escolas particulares que querem retomar uma normalidade impossível? 

Não há como ficar assistindo esse absurdo de forma passiva, pois já temos um alto número de mortes entre profissionais de educação no município de Campos dos Goytacazes. Cabe ao SEPE e ao SIPROSEP defender os profissionais da educação municipal dessa decisão absurda. A nós que vivemos nessa cidade cabe denunciar esse despropósito, pois senão nos tornaremos cúmplices do que irá acontecer.  

O que será preciso para sensibilizar o prefeito Wladimir Garotinho e seus secretários para que ajam com um mínimo de racionalidade e não imponham esse modelo híbrido que resultará em mais mortes em um município que já perdeu 1.392 vidas para a COVID-19? Que o Brasil chegue a 1 milhão de mortos na pandemia?

Finalmente, uma curiosidade: o press release da Secretaria Municipal de Educação diz que “as condições sanitárias atuais do município, que estão controladas”.  Esse controlada é por quem? Só se for pelo SARS-COV-2 e pela COVID-19. E isso tudo em meio à ampla circulação da variante indiana.  A COVID-19 e os donos de casas funerárias agradecem!

Meu nome é Wladimir, mas pode me chamar de Rafael

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Se for feita uma retrospectiva dos primeiros cinco meses do governo Wladimir Garotinho (PSD) à frente do executivo municipal de Campos dos Goytacazes, a primeira sensação é de um tremendo “dejà vu” (literalmente o que já foi visto) em relação ao governo de Rafael Diniz. É que Wladimir vem repetindo a mesma fórmula que mistura derrama fiscal e ataques aos servidores públicos, além de uma estranha propensão a contratar empresas cujo CNPJ foi obtido fora dos limites municipais, o que configura uma sinistra tendência a desconstituir o que resta da economia municipal.

A verdade é que entre um aumento de imposto e outro, incluindo ainda uma estranhíssima lei que implica na expropriação de terras privadas, Wladimir Garotinho demonstra a mesma ojeriza demonstrada por Rafael Diniz em relação aos servidores públicos municipais. A diferença é que Wladimir está associando a cassação de direitos e  benefícios a um projeto explícito de privatização de setores essenciais, a começar pelos serviços municipais de saúde.

Há que se considerar ainda que Wladimir não possui um séquito de menudos neoliberais como o que seguiu Rafael Diniz até os últimos dias de seu infeliz governo. No lugar dos jovens bem barbeados e de cabelos tratados, Wladimir retornou parte da velha guarda que serviu seu pai e  sua mãe, o que, convenhamos, não muda a natureza neoliberal desse início de governo.

Em comum com o grupo de Rafael Diniz, e talvez em tons mais fortes, Wladimir volta a apresentar as mesmas certezas de destino manifesto que o coloque em um suposto padrão de alta moral que o habilita a desqualificar as críticas como se todos os seus críticos fossem piromaníacos institucionais que não querem o melhor para a cidade de Campos dos Goytacazes. Nós que já vivemos o governo dos pais sabemos que esse é um tipo de selo de qualidade do Garotismo, mas é desapontador ver que Wladimir continua com o mesmo tipo de pensamento, apesar de ser reconhecidamente um sujeito afável e com tintas de boa praça. O problema é que na hora de governar traços pessoais não são suficientes para imprimir uma marca própria na forma de governar.

Finalmente, na obra “Dezoito Brumário de Louis Bonaparte”, Karl Marx disse que “a história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa.”.  No caso envolvendo os governos de Rafael Diniz e Wladimir Garotinho, entretanto, fica difícil saber se estamos diante da farsa ou da tragédia, mas está claro que estamos diante, infelizmente, da repetição de uma forma de governar que não resolve nada, e piora tudo.