Na Campos dos Goytacazes pós-eleição, exemplos do bom vencedor, do mau e do bom perdedor

Campos-Wladimir-Caio-e-Bruno-scaledEm Campos dos Goytacazes pós-eleição, exemplos do bom vencedor, do mau e do bom perdedor

Após um segundo turno mais apertado do que eu mesmo previa, temos na manhã da segunda-feira duas situações opostas. Enquanto, o vencedor do segundo turno, Wladimir Garotinho se manifestou em prol da unidade das forças políticas do município para trabalharem para a construção de saídas para a grave crise em que nos encontramos, o perdedor, Caio Vianna, deu uma de Donald Trump dos trópicos, e não só se recusou o cumprimentar o vencedor, como também acenou seus lenços molhados pelas lágrimas da derrota em direção ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Como não sou eleitor nem do vencedor nem do perdedor, posso tecer a consideração de que havendo novas eleições o resultado final será o mesmo. É que Caio Vianna, mesmo tendo usado de todas as táticas possíveis para agitar o espectro do anti-garotismo, acabou derrotado. O que faria ele para mudar seu destino trágico? Passaria a repentinamente a se concentrar em apresentar apenas projetos de governo como forma de convencer os eleitores que não votaram nele nesse segundo turno? Aparentemente não, pois se fosse para fazer isso, já teria feito agora.

Muito melhor fez o médico Bruno Calil que, em vez de pedir outra chance imediata para derrotar Wladimir Garotinho, se manifestou no sentido de desejar ao vencedor um bom governo, além de colocar seus projetos à disposição para os esforços que serão necessários para começar os esforços para nos tirar do buraco em que estamos.

Em síntese, nessas eleições vimos na prática quem se sabe se comportar dignamente como vencedor e como perdedor. De minha parte, espero o TSE chancele o resultado das urnas e nos poupe de mais um ciclo eleitoral, e que tenhamos a devida oportunidade para realizar uma transição que permita ao futuro prefeito começar a tirar seus projetos do papel.  Meus que a primeira coisa a ser feita seja a reabertura do restaurante popular, pois quem tem fome, tem pressa. 

Graças ao governo desastroso de Rafael Diniz, a família Garotinho retoma no voto a prefeitura de Campos dos Goytacazes

De virada, Wladimir Garotinho vence eleição e é o novo prefeito de Campos

Em setembro de 2017 (ou seja com menos um de governo) indiquei que as ações do jovem prefeito Rafael Diniz iriam servir para que o grupo político do ex-governador, tal como um Fênix, pudesse ressurgir das cinzas no cenário municipal. Hoje, pouco mais de 3 anos após aquela postagem, eis que o deputado federal Wladimir Garotinho (PSD) venceu Caio Vianna (PDT) por uma margem até mais apertada do que esperava (ver abaixo o gráfico com a margem da apuração).

resultado segundo turno

Agora resta esperar o que vai acontecer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) quanto à chancela da candidatura a vice-prefeito de Frederico Paes (MDB) e de que possíveis efeitos isso poderá ter sobre a homologação da vitória de Wladimir Garotinho.

A lição que parece ficar é que a influência de Anthony Garotinho e seu grupo na política municipal ainda vai perdurar por muito tempo, e que não serão derrotas eventuais que vão mudar isso.  A questão é que enquanto perdurarem as profundas desigualdades sociais que existem em Campos dos Goytacazes sempre haverá apelo para aqueles que se disponham a manter, ainda que precariamente, os pobres no orçamento municipal. 

O ex-governador Anthony Garotinho saúda populares que se aglomeram em frente da sua casa para festejar a eleição de seu filho Wladimir para ser o próximo prefeito de Campos dos Goytacazes

E diga o que se disser de Anthony Garotinho, ele claramente inocolou em pelo menos dois dos seus filhos o gosto pela disputa política. Assim, mesmo que ele esteja alijado das disputas como participante direta, isso não significante que não será influente.

Quanto ao ainda prefeito Rafael Diniz, quem desejar culpá-lo pela volta da família Garotinho à chefia do executivo municipal o fará com toda razão. Afinal, com um governo desastroso como o dele, a volta da família Garotinho à prefeitura de Campos dos Goytacazes se tornou praticamente uma certeza.

Final de campanha é marcado pela judicialização e pelas acusações mútuas. E os projetos de governo?

campos

Os últimos dias do majoritariamente apático segundo turno das eleições municipais ganharam muita emoção com a volta à cena de segmentos da justiça que, para surpresa de poucos, resolveu sair à caça de eventuais crimes cometidos pela chapa liderada por Wladimir Garotinho (PSD), e também pelos resultados espetaculares de institutos de pesquisa não tão espetaculares assim que projetaram uma corrida muito apertada para definir quem será o próximo prefeito de Campos dos Goytacazes.

Algo notável que não aconteceu foi o altamente antecipado julgamento pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) da situação do candidato a vice-prefeito de Wladimir Garotinho, o empresário Frederico Paes (MDB). Essa não votação da situação em torno de Frederico Paes era uma espécie de aposta daqueles que desejam derrotar no tapetão a chapa que está difícil de derrubar no voto.

Aos eleitores campistas sobrou ainda um final de campanha pouco lustroso para a democracia municipal, pois houve a repetição de táticas que pouco servem para consolidar opções baseadas em projetos de governo, com a insistência de acusações inter-familiares que, convenhamos, irão influenciar muito pouco a opção de voto de cada um.

No meio do caminho ainda houve o esquisito vazamento de um áudio atribuído ao vereador José Carlos (Cidadania) em que se fazia o reconhecimento de algo que até a mais ingênua das corujas buraqueiras que habitam o campus da Uenf já sabem de cór e salteado. É que nesse áudio a voz atribuída a José Carlos admite algo óbvio, qual seja, que membros do governo Rafael Diniz atuaram e continuam atuando em prol da candidatura de Caio Vianna (PDT). Ora bolas, o que as pessoas esperavam? Que o ainda prefeito Rafael Diniz em um gesto de repentina graciosidade tivesse liberado os membros do seu partido para apoiar a candidatura de Wladimir Garotinho? Certamente, ainda que rejeitado publicamente, o apoio de Rafael Diniz deve ter sido bem vindo por Caio Vianna, pois aquele que se alia com o PSL não vai rejeitar qualquer tipo de apoio, diria Carlos Lupi.

A única questão que realmente parece importar é sobre os critérios que farão os eleitores decidirem por este ou aquele candidato. A minha expectativa é que não seja por causa desta ou daquela denúncia requentada, mas por causa dos projetos apresentados por cada um dos que chegaram ao segundo turno. É que, do contrário, não haverá como cobrar o cumprimento das promessas de campanha. Afinal, quem vota medindo a quantidade de lama que colou na parede, acaba abrindo mão do poder de fiscalizar quem foi eleito. 

Mídia local embarca com a cara e coragem na previsão eleitoral do Paraná Pesquisas: jornalismo ou fake news?

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A mídia corporativa local embarcou com fervor na “pesquisa” eleitoral que o “Paraná Pesquisas” realizou para o segundo turno que irá determinar o futuro prefeito da cidade de Campos dos Goytacazes. Houve quem enfatizasse a “respeitabilidade” da empresa de pesquisas eleitorais que ascendeu para a glória nas eleições presidenciais de 2018.

Pois bem, e o que disse a pesquisa que foi curiosamente bancada pelo próprio “Paraná Pesquisas” e que boa parte da mídia campista saudou efusivamente? A incrível virada do candidato Caio Vianna (PDT) que derrotaria Wladimir Garotinho (PSD), impondo uma espetacular mudança de disposição do eleitorado que há tempos não é vista em Campos dos Goytacazes.

Não vou nem alongar na pesquisa em si, pois nada melhor que o resultado das urnas para se verificar se a previsão feita por uma dessas muitas empresas que vivem de gerar pesquisas eleitorais chegou perto ou não.

O que eu quero indicar aqui é a minha surpresa com a completa falta de apuração jornalística sobre como o “Paraná Pesquisas” chegou a resultados tão bombásticos. É que todos sabem que no primeiro turno, Wladimir Garotinho alcançou 42,94% e Caio Vianna 27,71%.  Com isso, para que os números encontrados pela apuração feita por conta própria fossem críveis, haveria que praticamente todos os votos válidos dados a todos os demais nove candidatos tivessem migrado para Caio Vianna, sobrando apenas uma migração residual para Wladimir Garotinho. E isso me parece o que os gringos chamam “wishful thinking” (ou seja, pensamento fantasioso).

Eu que não sou proprietário de veículo de imprensa mandaria apurar como o Paraná Pesquisas chegou a esses resultados antes de sair disseminando números que parecem ser mais propaganda do que notícia. Mas vá lá, cada um dos com seus motivos.  Mas que ninguém depois reclame se forem, mais uma vez, expostos ao vexame de terem seu produto descoberto como “fake news” e não como aquilo que dizem entregar que seria jornalismo de qualidade.

Na trilha da campanha: Wladimir Garotinho oferece visão para ações em áreas estratégicas caso seja eleito

Em um esforço para oferecer clarificação sobre alguns aspectos que considero importantes para a próxima administração municipal, formulei quatro perguntas para serem respondidas pelos dois candidatos que participarão do segundo turno em Campos dos Goytacazes. Contactado, o candidato Wladimir Garotinho (PSD) já enviou suas respostas que publico logo abaixo. Convite similar já foi feito a Caio Vianna, e continuo aguardando a posição do candidato do PDT. Caso ele envie suas respostas, as mesmas serão também  publicadas na íntegra.

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Blog do Pedlowski (BP):  Um dos principais desafios que as áreas urbanas irão enfrentar nos próximos anos e décadas serão os efeitos das mudanças climáticas. Entre estes efeitos estão as chuvas extremas e os longos períodos de seca. Como você pretende atuar para deixar o município melhor preparado para responder a estes desafios?

Wladimir Garotinho (WP): É preciso equilibrar as contas e vou governar com pessoal técnico, capacitado e comprometido com a cidade, para recuperar capacidade de investimento em infraestrutura. Precisamos avançar com obras, há recursos do Banco Mundial, verbas federais e estaduais, vamos buscar diálogo para soluções de um grande projeto de irrigação. O atual governo não investiu nada em obras, que aquecem a economia, a construção civil, garantem mobilidade, preparam a cidade para os efeitos dessas mudanças climáticas. Vou integrar os órgãos da Administração Pública em nível municipal, estadual e federal, formar um plano de contingência.

BP: O município de Campos possui diversas instituições universidades que desenvolvem projetos de pesquisa com grande potencial de geração de renda. No entanto, até hoje não foi criada uma secretaria de Ciência e Tecnologia. Se for eleito, qual seria sua posição em torno da criação dessa secretaria?

WP: Eu sou deputado federal e em meu mandato uni partidos de diferentes linhas ideológicas para aprovar uma emenda coletiva para retomar as obras do campus da UFF, liberando mais de R$ 40 milhões. Quadros de universidades participaram de um grupo de mais de 114 técnicos, pesquisadores, professores, pessoas capacitadas, que durante 10 meses discutiram um projeto para a cidade. O nosso projeto para a cidade tem na inovação e na tecnologia uma prioridade para reduzir custos, garantir serviços e eficiência na gestão pública, e também para agregar valor à agricultura, à indústria, ao comércio, e atrair novas empresas e gerar oportunidades. Vamos discutir todas essas questões com os polos de ensino superior, dos centros de pesquisa, das universidades em um projeto de apoio ao processo de retomada da economia.

BP: município possui 11 assentamentos de reforma agrária que produzem grande quantidade de alimentos que em sua maioria acaba exportada para outros centros urbanos. Se eleito, o que faria para apoiar o desenvolvimento desses assentamentos e da agricultura familiar como um todo?

WP: Nós vamos apoiar o pequeno produtor local, vamos ajudar a organizar a agricultura familiar, com a participação das universidades, para agregar valor e gerar renda no campo. A nossa ideia é criar um selo municipal de qualidade de nossos produtos. Não basta produzir, mas também apoiar a distribuição, com um moderno centro de distribuição, que pode atrair pequenas indústrias para beneficiamento. Vou apoiar a organização dos pequenos produtores em modelo de associativismo e, por isso, vamos ter ao nosso lado as universidades, as instituições e centros de pesquisa e extensão, e também a Organização das Cooperativas do Brasil para inovar, capacitar, qualificar e ajudar a organizar a atividade produtiva.

BP: Há algo que eu não perguntei e que você acha importante falar para a população de Campos?

WP: O nosso governo vai ter o olhar voltado para as pessoas, para o cidadão. Vou montar uma equipe técnica para propor a modernização de nossa legislação, tornar mais ágil a estrutura pública para atrair e instalar novas empresas. Vamos instalar a Zona Especial de Negócios na Baixada Campista ao lado do Porto do Açu. Vamos governar com justiça social, reabrindo o Restaurante Popular e garantindo a segurança alimentar. Fazer com que as Vilas Olímpicas voltem a atender crianças, jovens e idosos. Estou me reunindo com técnicos, trabalhadores e empresas para a gente ter um transporte coletivo que funcione de verdade. E logo no início de nossa gestão vamos acabar com aquela estação de passageiros feita com tendas e banheiros químicos, toda improvisada. A mobilidade urbana eficiente oferece acesso a serviços públicos, irriga a economia no comércio, gera empregos.

Dicas para o futuro prefeito: Campos dos Goytacazes precisa caminhar para frente

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Em que pese o fato de que até as pedras que se movem no Paraíba do Sul sabem que, salve o efeito do judicialismo eleitoral, o futuro prefeito de Campos dos Goytacazes. Mas como as urnas sempre podem render surpresas, vou me dedicar minhas humildes dicas para Caio Vianna.

Olhando o que os dois candidatos enviados pelo voto popular para o segundo turno, notei poucas propostas concretas. No caso Caio Vianna, identifiquei a ideia de retomar o financiamento de bolsas de estudos em instituições privadas como uma daquelas propostas que a experiência feita no governo de seu pai e mentor resultou em quase nada o que é muito próximo de ser nada. Já no rol de Wladimir Garotinho, apesar de visualizar a intenção de retomar as políticas sociais destroçadas por Rafael Diniz, mas sem muita convicção.

Entretanto, os dois candidatos compartilham para mim o mesmo problema: não ofereceram propostas que permitam tirar o município do atoleiro em que se encontra no período pós petrorrentismo. O baú de ideias dos dois parece repetir uma mistura de velhas ideias e práticas com a ignorância das urgências que estão postas.

Além disso, mesmo o bordão de que Wladimir é melhor do que Caio porque vai repetir a busca de recursos em Brasília, que marcou até aqui seu mandato para deputado federal, não é algo que pode ser tomado como sério por uma simples fato: a PEC do Teto dos Gastos impede qualquer tipo de investimento vultoso nos municípios, e não será com as migalhas fornecidas por emendas parlamentares que iremos criar um novo ciclo virtuoso na economia local.

As respostas que precisamos estarão no plano municipal, essa é a verdade. Nesse caso, o futuro prefeito terá que entender que há um potencial muito grande para que o município seja um criador e difusor de tecnologia. É que aqui existem instituições universitárias que produzem ciência e tecnologia e que já mostraram ter um enorme potencial para contribuir para o necessário alavancamento de iniciativas em prol do desenvolvimento econômico do município. Obviamente falo aqui do IFF, da Uenf, da Uff e UFRRJ, já que a pesquisa é algo incipiente (para não dizer completamente ausente nas instituições privadas de ensino superior). Uma forma de agilizar e potencializar a produção de tecnologia a partir das instituições públicas de ensino seria a criação da Secretaria Municipal de Ciência e Tecnologia, a quem seria destinada a tarefa de apoiar aquelas iniciativas de interesse direto do município. Aliás, o atraso na criação desta secretaria é algo que mostra quão atrasada tem sido a forma de gerir o município. Se tivéssemos imitado o que fez Campinas a partir da instalação da Unicamp, o mais provável é que Campos dos Goytacazes já estivesse auferindo ganhos econômicos com seus avanços no campo da ciência e da tecnologia.

Outro setor que os dois candidato a prefeito apenas murmuram propostas foi na área agrícola. Ambos falaram em apoiar a agricultura municipal, mas não deixaram explícito como fariam isso. No caso de Wladimir Garotinho, a presença do aplicado Frederico Paes já sinaliza que a agricultura que será privilegiada será a da monocultura da cana-de-açúcar, o que considero um equívoco colossal. A razão é simples: o ciclo sucro-alcooleiro está encerrado em Campos dos Goytacazes em função da concorrência desproporcionalmente mais capitalizada de outros centros, a começar por São Paulo. A saída aqui seria investir no processo de agregação de valor na agricultura familiar, aproveitando a existência não apenas de 10 assentamentos de reforma agrária, mas de centenas de pequenos produtores que produzem grandes quantidades de alimentos, os quais acabam sendo exportados para outras partes do Brasil. O futuro prefeito deveria criar uma secretaria do desenvolvimento agrário que focasse na criação de cooperativas e agro-indústrias de base familiar. Com isso, haveria uma dinamização de diversos setores da economia familiar e a ampliação da renda agrícola.

Um terceiro aspecto essencial que precisa ser atacado é a reconstituição das políticas sociais. Ao contrário do que pleiteiam as cassandras do fiscalismo, as políticas sociais são um elemento chave para a retomada da atividade econômica, especialmente em um período de forte desemprego causado, entre outras coisas, pela pandemia da COVID-19. Assim, o futuro prefeito deverá resistir às pressões e chantagens para ter a coragem de remanejar partes do orçamento que permitam não apenas a reabertura do restaurante popular, mas também a volta da passagem social e de algum programa assemelhado ao Cheque Cidadão. A verdade é que só com essas políticas sociais reestabelecidas teremos a capacidade mínima dos mais pobres de se alimentar todos os dias.  Aqueles que se opõe à volta dessas políticas sociais o fazem porque querem que esses recursos para si mesmos, mantendo a lógica de que a retirada de recursos públicos para as elites é investimento e o financiamento de programas que minimizem a miséria é “populismo”. 

Lembro ainda ao futuro prefeito de que vivemos um período de mudanças climáticas que irão afetar o município de Campos dos Goytacazes das mais diferentes formas. A inexistência de qualquer setor que possa discutir os ajustes às mudanças climáticas significa nos condenar a um futuro ainda miserável.  As modelagens científicas permitem dizer que partes da Baixada Campista deverão ser invadidas pelo mar, enquanto que a malha urbana principal deverá sofrer cada vez mais com eventos meteorológicos extremos, condenando vários bairros a permanecerem alagados por várias semanas por ano.  Nesse sentido, uma administração minimamente moderna terá que estar antenada com a questão das mudanças climáticas, pois elas e suas consequências são imparáveis.

Parando por aqui, um elemento final de reflexão: todas as indicações vindas da Europa e dos EUA (com a eleição de Biden) é de que o ciclo neoliberal entrou em seu processo de agonia final.  Com isso, teremos uma retomada da primazia do Estado como elemento norteador da economia global. Tentar impor a continuidade mesmo modelo de destruição do Estado implantando por Rafael Diniz e seus menudos neoliberais resultará no aprofundamento da crise atual.  Uma administração minimamente capacitada de ser chamada de democrática terá que entender essa mudança da direção dos ventos da economia global sob pena do eleito ser amanhã o que Rafael Diniz se tornou hoje.

Em Campos dos Goytacazes, Rafael Diniz colheu o que plantou e ressuscitou o “Garotismo” como principal força política

Família-GarotinhoPopulação puniu Rafael Diniz por seu estelionato eleitoral, e promoveu a ressurreição do “Garotismo” que tem agora a chance real de voltar a comandar a prefeitura de Campos dos Goytacazes

Os resultados das eleições municipais em Campos dos Goytacazes marcam no caso das escolhas para quem será o próximo prefeito o enterro inapelável das políticas de extermínio das políticas sociais executadas pelo jovem prefeito Rafael Diniz. A colocação em quarto lugar, pouco acima da professora Natália Soares (uma candidata com muito menos dinheiro e tempo de TV) mostra que o estelionato eleitoral que Rafael Diniz cometeu não passou, felizmente, em brancas nuvens para a maioria da população que o elegeu de forma acachapante em primeiro turno em 2016. É a consumação do famoso bordão “colheu o que plantou”.

Mas além de afundar nas urnas de forma igualmente acachapante, Rafael Diniz propiciou a ressurreição do grupo político do ex-governador Anthony Garotinho que quase logrou eleger em primeiro turno o deputado federal Wladimir Garotinho.  E nem as manobras feitas para judicializar mais uma vez as eleições municipais vão servir para obscurecer o fato de que o “Garotismo”, tal como uma Fênix, renasceu das cinzas para voltar a ser a principal força política do município. Até porque o “Arnaldismo” é uma espécie de gene mutante do Garotismo e que, dada a questão etária do principal representante dessa variante, tenderá a se confrontar com um beco evolutivo porque isso é o que acontece com variações mutantes na natureza. E  há que se lembrar que entre cópia e original, a população já mostrou muitas vezes que prefere o original.

Quero notar ainda a minha satisfação com os votos recebidos pela Professora Natália Soares do PSOL. É que com uma campanha bem menos turbinada financeiramente foi possível difundir uma proposta de gestão municipal que finalmente nos ofereça um caminho para além das disputas entre grupos cuja gênese é basicamente a mesma, e cuja diferenciação se deu por motivos que não são exatamente aqueles que deveriam ser.  A minha expectativa é que o bom trabalho iniciado pelo PSOL se amplie para além do cacoete identitário, e que os membros do partido consigam fazer conexões para aquelas amplas faixas da população que se movem mais pelas necessidades que lhes são historicamente negadas do que por identidades que não lhe caem bem por não resolverem uma questão básica: quem tem fome, tem pressa.

Um último detalhe. Há agora quem venha dizer que previu isso ou aquilo, e que se sabia desde sempre que esse ou aquele candidato chegaria aqui ou ali. Essa tipo de atitude chamada nos EUA de “Monday morning quarter back” (ou artilheiro de futebol de segunda-feira de manhã) é não apenas oportunista, mas de péssimo gosto já que ficava óbvio que as previsões feitas eram daquelas do tipo “joga-se o papel picado do alto do prédio para ver que bicho dá”.   Nesse caso, há que se notar que há “artilheiro de segunda feira” que questionou as pesquisas eleitorais da agência de monitoramento “Fonte Exclusiva“, ligada ao Portal Viu que acabaram sendo aquelas que chegaram bem mais perto dos resultados finais do primeiro turno.

Finalmente, quero dizer que os dois candidatos que foram para o segundo turno (Wladimir Garotinho e Caio Vianna) aproveitem a oportunidade que lhes foi oferecida pela população para apresentarem seus planos concretos de governo. Essa será a única garantia de que não sigam o mesmo destino trilhado pelo agora defenestrado Rafael Diniz. É que está mais do que demonstrado que a população de Campos dos Goytacazes não aceitará mais o tipo de estelionato eleitoral que foi cometido por Rafael Diniz. E que vença aquele que convencer a população que seu plano de governo é melhor. Afinal de contas, essa cidade precisa sair da beira do abismo em que se encontra.

Votei para marcar o fim da onda Bolsonarista

ondaOnda bolsonarista não se repetirá nas eleições de 2020, e isso deverá aumentar os problemas de Jair Bolsonaro

Acabo de retornar do campus da Uenf onde fui votar nos meus candidatos para prefeita (Profa. Natália Soares – 50) e vereador (Cristiano Papel – 50123).  Afora as ruas do entorno que foram emporcalhadas por candidatos sujismundos, a área de votação estava bastante calma e a tranquilidade imperava.

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Além dos meus votos específicos, essa eleição marca para mim o fim da breve onda Bolsonarista que varreu o Brasil em 2018. Pela forma que as eleições transcorreram em meio à pandemia letal da COVID-19 não tenho dúvidas de que o breve reinado de Jair Bolsonaro e  as forças retrógradas chegará ao fim já neste primeiro turno com a derrota da maioria dos candidatos que tentaram colar a sua imagem no presidente da república.

Em Campos dos Goytacazes, a vitória eleitoral pode até não ser dela, mas o lançamento da candidatura do PSOL marcou um ponto de inflexão em relação à inação das forças de esquerda ocorrida em 2016. Além disso, a desenvoltura apresentada pela Professora Natália Soares em um plantel de candidatos majoritariamente masculino é um excelente sinal que aponta para as possibilidades existentes de se fazer uma forma diferente de política, que começa por não ter nenhuma ligação com as oligarquias familiares que controlam a política local.

Entendo que em ocorrendo um segundo turno, o melhor seria que se evitasse a judicialização da disputa e que os candidatos restantes façam vários debates em  que se concentrem a explicar as suas propostas e não em atacar o DNA alheio. Só assim o eventual vencedor poderá ter a real legitimidade para mudar o rumo catastrófico em que o jovem prefeito Rafael Diniz entregará a cadeira de prefeito a quem quer que vença. 

Aliás, falando no brevemente ex-prefeito Rafael Diniz, eu só espero que ele possa aprender algo com o resultado amargo que as urnas deverão lhe confirmar que a maioria da população de Campos dos Goytacazes não mais o quer como chefe de executivo, muito em parte em função do estelionato eleitoral que sua gestão representou desde o dia em que ele tomou posse. Quem sabe assim, ele possa um dia voltar a transitar com alguma tranquilidade pelas ruas da cidade.

Já no plano nacional, antecipo que os resultados das urnas não apenas trarão mais dissabores ao presidente da república que, certamente, será o maior derrotado de um processo eleitoral em que ele não conseguiu lançar o seu próprio partido político. Com isso, seus apoiadores espalhados por dezenas de siglas caminham em sua maioria para a derrota, fato esse que deverá se somar a uma série de dificuldades já vividas por Jair Bolsonaro. 

Apesar dos graves problemas existentes, a questão ambiental está ausente das eleições de 2020

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Com pouco mais de 30 minutos de chuva torrencial, as ruas no entorno do mercado municipal foram novamente inundadas

Um dos aspectos mais exemplarmente ausentes da atual campanha eleitoral tem a ver com a situação ambiental do município de Campos dos Goytacazes, especialmente no que se refere aos novos padrões climáticos que estão sendo estabelecidos na Terra em função do processo de aquecimento global.

A falta desse debate reflete uma visão envelhecida de gestão, pois deixa sem qualquer perspectiva de melhora uma área que já se sabe será  fundamental nos próximos anos e décadas. E essa ignorância (proposital em muitos casos) dos problemas ambientais não ocorre por falta de elementos objetivos que possam instruir os candidatos mais cotados para serem o próximo prefeito para que prestarem mais atenção no que já está acontecendo em nossa cidade.

Ontem, por exemplo, bastaram pouco mais de 30 minutos de chuvas torrenciais para que partes da área urbana, inclusive a mais valorizada que é a região da Avenida Pelinca, ficassem completamente alagadas, oferecendo riscos a motoristas e aos moradores da região (ver vídeo abaixo).

Alguém poderá dizer que esse é um problema recorrente e que não há nada de novo sobre o assunto. Mas a questão é que, ao desconhecer o paulatino agravamento do problema e seus impactos sobre o município de Campos dos Goytacazes, corremos o risco de vermos a situação entrar em um processo de deterioração muito rápida.

Em um estudo de minha co-autoria com o mestrando do Programa de Pós-Graduação em Políticas Sociais da Uenf, André Moraes Barcellos Martins de Vasconcellos,  e que foi recentemente apresentado no 17o. Congresso Nacional do Meio Ambiente, abordamos a situação entre 1991 e 2012 dos alagamentos e inundações causados por chuvas em Campos Goytacazes, verificamos que os danos materiais e sobre os moradores foram significativos (ver figura abaixo).

inundaões alagamento

O problema é que a análise que realizamos dos mapas contidos no Plano Diretor Municipal aprovado em 2020 detectou a ausência de referências às zonas de recorrente alagamento na área urbana, o que pareceu indicar uma contradição entre a estratégia de gestão apresentada no próprio plano e a realidade que se coloca após a ocorrência de chuvas.

Este resultado indica a necessidade de uma averiguação do real impacto trazido pela ocorrência de chuvas em Campos dos Goytacazes, sobretudo tendo em conta que o advento das mudanças climáticas deverá agravar a ocorrência de alagamentos e inundações, vindo a produzir mais danos à infraestrutura urbana, e a população, especialmente aqueles segmentos habitando as áreas mais vulneráveis. E o pior é que são justamente os mais pobres que têm arcado com o grosso das consequências da ausência de um modelo de gestão ambiental que esteja à altura das transformações climáticas que estão ocorrendo.

Por isso é que a completa omissão das questões ambientais no atual ciclo eleitoral não apenas reflete o atraso em que Campos dos Goytacazes se encontra nessa área estratégica, mas também, dependendo de quem vencer a eleição, contribuir para perpetuar e aprofundar os problemas que já existem. O fato é que a ausência de um debate sobre as questões ambientais é um reflexo da falta de um projeto de transformação da realidade socioambiental existente em Campos dos Goytacazes,  e que é marcada por uma profunda segregação entre pobres e ricos.

Em tempo: na gestão do jovem prefeito Rafael Diniz, que felizmente está chegando ao seu final melancólico, a secretaria municipal de Meio Ambiente foi deixada com um orçamento para lá de pífio, sendo que em 2019 o valor alocado não chegou a R$ 3 milhões de reais. Mas como mostra o gráfico abaixo, Rafael Diniz achou que o pouco ainda era muito e reservou mirrados R$ 1,586 milhões para 2020.

meio ambiente

Com isso, Rafael Diniz e seus menudos neoliberais explicitam a compreensão de gestão ambiental que os move, qual seja, nenhuma. Assim, nenhuma surpresa com os problemas que serão deixados sem solução para quem vier a vencer o pleito municipal em 2020.  É por isso que sinceramente torço para que o próximo prefeito entenda o imenso problema que é ter uma cidade que está completamente para as profundas mudanças ambientais que ocorrerão em nosso município nos próximos anos. 

Eleição para prefeito de Campos dos Goytacazes sob a égide do tapetão

tapetão

Antes que alguém se apresse a dizer que estou de braços dados com o grupo político do ex-governador Anthony Garotinho, informo que a minha candidata a prefeita no pleito que se avizinha é a professora Natália Soares, candidata a prefeita pelo PSOL.  

Esclarecida a minha posição de eleitor, vamos para o fato que motiva esta postagem que é o esquisitíssimo indeferimento da candidatura a vice-prefeito do empresário Frederico Paes na chapa encabeçada pelo deputado federal Wladimir Garotinho.  Não tivesse sido a chapa sido deferida em primeira instância, inclusive com o voto favorável do Ministério Público Eleitoral, não estaríamos agora com a peculiar situação de uma chapa que tem a sua cabeça de chapa deferido, enquanto que o vice-prefeito está indeferido e sem condição legal de ser substituído. 

Não quero parecer prisioneiro de teorias da conspiração, mas fica a sensação inevitável de que o deferimento em primeira instância não passou de um “ambush” (que em bom português significa emboscada). É que se o indeferimento tivesse ocorrido já na primeira instância, o mais provável que a troca tivesse ocorrido dentro do limite legal, e as eleições municipais não teriam que estar agora mais uma vez sob a égide do tapetão.  Digo que isso porque até o pocaçu mais ingênuo que vive no campus da Uenf sabe que Wladimir Garotinho perigaria se eleger até se a minha falecida mãe fosse sua candidata a vice.

Também considero curioso que tenha sido a chapa do candidato Bruno Calil a que forçou o indeferimento de Frederico Paes, dado o apadrinhamento público que o pessoal da bandeira laranja recebe do deputado estadual Rodrigo Bacelar. Aliás, o mar de bandeiras laranjas que se espalha pela cidade, ainda que empunhada por pessoas com caras para lá de desanimadas, mostra que dinheiro não parece ser problema para Bruno Calil e seu padrinho político.

Falando em Bruno Calil, considero curioso que ele até recentemente propagava teorias negacionistas acerca da letalidade da pandemia da COVID-19, sendo ele um médico. Daí decorre que todo o discurso de que irá cuidar melhor das pessoas vai por água abaixo. Pois, afinal, quem nega a COVID-19

Mas o negacionismo em relação à COVID-19 talvez não seja o pior negacionismo impulsionado por Bruno Calil. É que ao tentar retirar Wladimir Garotinho do pleito com base em uma tecnicalidade, o que o candidato de Rodrigo Bacelar faz é colocar a legitimidade de todo o processo eleitoral em estado de risco. É que se ele tiver sucesso, as pessoas que querem eleger Wladimir Garotinho (e nas ruas elas não parecem ser poucas) para ser o próximo prefeito de Campos dos Goytacazes estarão na justa razão de se negar a reconhecer a legitimidade de qualquer que seja eleito a prefeito em sua ausência.

Se isso acontecer, à grave crise econômica e social que a cidade de Campos dos Goytacazes será acrescida uma de natureza política, levantando a possibilidade de consequências para lá de indesejáveis. Por isso, até para dar condições de governabilidade para o próximo prefeito, o melhor é que aqueles que não possuem votos suficientes para serem eleitos não apelem para a vitória no tapetão.

Eu, por exemplo, não vejo como grandes as chances da minha própria candidata chegar ao segundo turno. Entretanto, considero que o lançamento de uma candidatura do PSOL e a condução dada à sua campanha já representa uma retumbante vitória para os eleitores que não querem ficar presos nas velhas disputas paroquiais e familiares, preferindo apostar no fortalecimento na organização política dos trabalhadores e da juventude campistas.