Prisão de Régis Fichtner deverá causar insônia no Norte Fluminense

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Régis Fichtner, último à direita, na hoje infame “Festa dos Guardanapos” que reuniu Sérgio Cabral e outros convivas num restaurante em Paris.

A mídia corporativa está anunciando hoje mais uma rodada de prisões no Rio de Janeiro envolvendo as estripulias do grupo liderado pelo ex (des) governador Sérgio Cabral. O maior “peixe” da tarrafada de hoje é o ex-todo-poderoso (des) secretário Régis Fichtner [1,2,3]. Apesar das acusações veiculadas contra Fichtner estarem indo em direções opostas ao Norte Fluminense (mais especificamente para longe dos municípios de São João da Barra e Campos dos Goytacazes), o estresse com a prisão dele deverá ser alto entre agentes públicos e privados que frequentaram o seu gabinete com alto grau de assiduidade.

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Para quem não se lembra foi Régis Fichtner que tratou diretamente das rumorosas desapropriações que arrancaram centenas de agricultores de suas terras no V Distrito de São João da Barra. Aliás, Fichtner fez isso no público e no privado, na medida em que seu escritório de advocacia foi parte diretamente interessada em sabe-se lá quantos processos cujos pedidos de imissão provisória de posse tramitaram em velocidade estelar pelo fórum de São João da Barra, a partir do seu envolvimento com a LL(X) de Eike Batista [4 e 5].

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Em reunião realizada no dia 30 de Julho de 2010 dentro do Palácio Guanabara para tratar das desapropriações no V Distrito, Régis Fichtner aparece ao fundo conversando com o então vice (des) governador Luiz Fernando Pezão.

Além das desapropriações, agora sabemos que Régis Fichtner também tratava de vantagens fiscais, compra e venda de precatórios e interferência em processos licitatórios. Como o Porto do Açu foi um dos megaempreendimentos que mais mobilizaram interesses dentro do (des) governo Cabral, não me surpreenderia se num futuro não muito distante viéssemos a saber de atos pouco republicanos envolvendo agentes públicos e privados.  O pior para os eventuais interlocutores de Régis Fichtner por estas paragens é que o seu caso não está sendo tratado localmente, mas faz parte da Operação Lava Jato, sendo cuidado diretamente pelo juiz Marcelo Bretas.

Agora, como em várias outras fases da Lava Jato Rio, a única coisa que aqueles que não participaram da “rave” comandada por Sérgio Cabral e seu grupo podem fazer é sentar e esperar para ver quem vai ser o próximo a ser preso. Aos que participaram certamente restará o consumo de anti ansiolíticos. A ver!


[1] https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2017/11/23/ex-secretario-da-casa-civil-do-rio-e-empresarios-sao-alvo-de-desdobramento-da-lava-jato.htm.

[2] https://extra.globo.com/noticias/brasil/lava-jato-prende-ex-secretario-de-sergio-cabral-mira-em-alexandre-accioly-22102204.html

[3] http://odia.ig.com.br/rio-de-janeiro/2017-11-23/lava-jato-pf-prende-ex-chefe-da-casa-civil-do-governo-cabral.html

[4] https://blogdopedlowski.com/2017/01/31/porto-do-acu-pezao-e-regis-fitchner-participaram-de-reuniao-que-discutiu-desapropriacoes-no-v-distrito/

[5] http://www.jb.com.br/rio/noticias/2013/08/10/moradores-desapropriados-pelo-governo-no-porto-do-acu-denunciam-cabral-e-eike/

O lixo nossa de cada dia

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Há alguns dias conversei com um comerciante que me disse estar cansado de recolher lixo acumulado na porta do seu estabelecimento em função da diminuição do número de varredores de rua ligados à empresa Vital Engenharia.  Reconheço que naquele momento encarei a reclamação como um das muitas que as pessoas fazem apenas para exercitar a arte de reclamar.

Mas ao ler a matéria/press release publicada pelo jornal Folha da Manhã cujo título era um simplório “Contrato cai mais R$ 2 milhões”, comecei a entender que a reclamação daquele comerciante tinha mais base do que conferi ao ouví-lo [1].

A questão que aparece nessa “redução” no preço do contrato com a Vital Engenharia é simples: qual foi o mecanismo adotado para obtê-la? É que se foi apenas diminuindo o volume de serviços prestados com a demissão de trabalhadores, essa economia é ilusória, na medida em que teremos uma piora inevitável dos mesmos.

Outro aspecto que é pouco comentado quando se fala de limpeza e recolhimento de lixo se relaciona ao fato de que as partes mais ricas da cidade de Campos dos Goytacazes são melhor servidas por este tipo de serviço, deixando as áreas mais pobres em condições piores, com o inevitável acúmulo de lixo em ruas e residências.  Por isso, seria importante que fosse informado qual foi o volume da redução no nível dos serviços prestados pela Vital Engenharia e qual foi o padrão espacial da mesma. Em outras palavras, se os trabalhos de limpeza diminuíram, essa diminuição foi homogênea ou não? 

O aspecto crucial, e que me parece importante de apontar, é que o acúmulo de lixo e piora nos serviços de varrição tem o potencial de aumentar problemas em várias áreas.  Creio que não preciso lembrar que o eventual aumento de lixo não recolhido trará o aumento de vários tipos de doenças, sobrecarregando a já exausta estrutural municipal de saúde.

Desta forma, essa questão deveria ser melhor explicada, já que aos olhos mais treinados, essa economia está parecendo aquela que se convenciona chamar de “porca”. A ver!


[1] http://www.folha1.com.br/_conteudo/2017/10/politica/1226436-contrato-cai-mais-r-2-milhoes.html

 

Lendo o oráculo do Bastos: tem aumento na passagem de ônibus no forno!

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Dada a sua posição privilegiada dentro do atual governo municipal, o jornalista Alexandre Bastos é tratado por mim como uma espécie de oráculo das medidas que estão sendo gestadas pelo jovem prefeito Rafael Diniz e seus menudos neoliberais, mas não foram ainda anunciadas publicamente.  Isso me parece natural, pois além de jornalista com ampla circulação no mundo político campista faz alguns anos, Alexandre Bastos é atualmente o chefe de gabinete de Rafael Diniz.  Nesse sentido, o seu blog é inevitavelmente um local onde procuro coisas que ainda estão por acontecer e que nos chegam na forma, digamos, de premonições.

Vejamos assim o caso da postagem mostrada abaixo e que foi publicada no dia de ontem onde é abordada a questão do aumento de tarifas de ônibus em vários municípios petrorrentistas como Campos dos Goytacazes o é [1].

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Um grave problema com a premonição em tela é a relação estabelecida entre crise financeira e o aumento do valor da passagem de ônibus. É que essa relação omite o fato de que os prefeitos destes municípios tinham outra opções para não acabar com o subsídio dada à população para custear a passagem de ônibus e decidiram o contrário. Além disso, também se omite o fato de que na imensa maioria dos casos, o aumento de tarifas não tem nada a ver com os custos das empresas, mas muito mais com a necessidade dos seus proprietários continuarem auferindo fabulosas taxas de lucros, sem que se disponham a oferecer serviços com um padrão mínimo de qualidade.

Mas pelo que disse inicialmente, essa postagem no oráculo (quer dizer, blog) do jornalista Alexandre Bastos sinaliza que vem aumento no preço das passagens de ôninbus em Campos dos Goytacazes num futuro não muito distante. Isto sem que qualquer medida para melhorar serviços prestados tenha sido sequer anunciada.  Será que é essa a “mudança” que vamos ter até o final de 2020? Melhor consultar o oráculo!


[1] http://www.blogdobastos.com.br/crise-financeira-gerou-aumento-do-valor-da-passagem-em-sjb-sao-fidelis-e-cabo-frio/

 

(In) segurança na Uenf: mais um compromisso descumprido por Rafael Diniz

Em Fevereiro de 2017, após uma série de atos de vandalismo e furtos no campus da Universidade Estadual do Norte Fluminense, o prefeito de Campos dos Goytacazes, o jovem Rafael Diniz, pareceu (notem que estou dizendo “pareceu”) lançar uma tábua de salvação para a calamitosa situação de (in) segurança públicada causada pela asfixia financeira imposta pelo (des) governo Pezão.

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É que supostamente atendendo a um pedido do reitor da Uenf, Prof. Luís Passoni, houve a sinalização de que a Guarda Civil Municipal iria iniciar o policiamento no interior do campus Leonel Brizola e em outras unidades existentes em Campos dos Goytacazes [1].

Agora, mais de oito meses depois desse compromisso do jovem prefeito,  duas coisas efetivamente aconteceram no campus da Uenf. A primeira foi a ocupação de uma edificação pelo Grupamento Ambiental da Guarda Civil Municipal em troca do reforço de policiamento que nunca veio. A segunda, que é quase um desdobramento natural, do descumprimento do compromisso assumido por Rafael Diniz foi a ocorrência de uma espiral de violência que inclui arrombamentos, atos de vandalismo, e furtos de equipamentos científicos que já causaram pesadas perdas financeiras à Uenf.

O interessante é que Rafael Diniz vem anunciando uma série de parceiras com as universidades locais como sendo uma prova de que pretende utilizar todo o potencial intelectual nelas existentes para desenvolver saídas para a grave crise financeira em que o município de Campos dos Goytacazes está imerso neste momento.  

Na prática se vê que nem honrar as contrapartidas acertadas pelos acordos feitos está sendo cumprido. Por essas e outras é que o governo “da mudança” está cada vez mais parecido com o (des) governo Pezão.  E no caso da Uenf o governo municipal está se tornando um parceiro na consolidação do projeto de destruição em curso. Simples assim.


[1] http://www.uenf.br/dic/ascom/2017/02/20/ascom-informa-20-02-17-2/

A “pequena” lacuna na decisão judicial sobre a greve dos rodoviários de Campos

Ônibus voltam a circular

Abaixo posto a decisão da juíza do trabalho Raquel Pereira de Farias Moreira que decidiu favoravelmente a uma Ação Pública impetrada pela Prefeitura de Campos dos Goytacazes contra o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes de Cargas e Passageiros de Campos dos Goytacazes e outros visando interromper a greve iniciada no dia de ontem.

A decisão da meritíssima é toda calcada na essencialidade do serviço prestado pelos rodoviários de Campos dos Goytacazes e na necessidade da manutenção do transporte público de passageiros no município.

Essa decisão só possui uma “pequena” lacuna. Ela é completamente omissa sobre a causa do movimento paredista, qual seja, o atraso no pagamento de salários e demais direitos que têm sido sonegados pelos donos das empresas de ônibus aos seus empregados.

Diante dessa “pequena” lacuna: essa é a justiça do trabalho ou dos patrões? Bom, deixa para lá.  E que certas perguntas possuem respostas que são tão auto evidentes que dispensam o questionamento.

Quanto à gestão do jovem prefeito de Campos dos Gpytacazes, me parece altamente pedagógico que a única ação tomada seja contra os trabalhadores que estão sem salários. Mas o que esperamos de uma gestão que também deve salários à parte mais precarizada de seus próprios servidores? Essa é a famosa pedagogia da superexploração do trabalhador posta em funcionamento explícito. Que bela  mudança!

A crise do transporte coletivo em Campos: um exemplo lapidar de incompetência

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Uma pessoa com quem eu conversei sobre os efeitos negativos do fim da passagem social incluiu a diminuição de passageiros como algo que naturalmente ocorrerá, causando prejuízos aos donos de empresas de ônibus e, principalmente, à população que depende dos transportes públicos para se locomover pelo amplo território municipal. 

Eis que ontem (ainda não se sabe como a banca vai tocar nesta 3a. feira, trabalhadores das empresas Rogil, São João, Turisguá e Siqueira resolveram suspender suas atividades para cobrar o pagamento de salários e direitos que estariam atrasados por vários meses [1].

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A reação de todos os envolvidos (desde responsáveis pelo órgão municipal responsável pela área, passando pelo sindicato da categoria, e chegando aos donos de empresas) parece estar fazendo cara de paisagem frente a algo que já deveria ter acendido um sinal de alerta, já que os prejuízos financeiros dos trabalhadores são inevitáveis, contribuindo ainda para o aumento da tensão social num momento de grave crise.

Mas adivinhem sobre quem está caindo o ônus de não terem utilizado os canais formais para decretarem a suspensão do trabalho até que os atrasados sejam pagos? Os trabalhadores, é claro. É como se reagir ao descalabro de trabalhar e não receber agora tenha virado a raiz do problema, e não o fato de termos empresários de um ramo que depende de concessão pública simplesmente não pagarem o salário devido aos seus empregados.

Pior é ver a completa inação do governo municipal frente à causa primária da paralisação, já que a única ação prática que parece estar sendo tomada é entrar na justiça para forçar a volta dos funcionários das empresas ao trabalho. E sem que os salários sejam pagos! Aliás, essa coisa de pagar salários parece estar virando algo secundário, já que está se tornando uma prática corrente não cumprir a obrigação patronal de ressarcir os trabalhadores pelo tempo que executam suas tarefas profissionais.

O pior é que diante da grosseira incompetência do governo municipal, não me surpreenderia que venhamos a assistir a uma liberação extensiva das tarifas de ônibus sem que sequer os salários atrasados sejam pagos. Se isso se confirmar, veremos a oposição popular ao governo do jovem prefeito Rafael Diniz aumentar ainda mais.  A ver!


[1]  http://www.folha1.com.br/_conteudo/2017/10/geral/1225714-transporte-coletivo-paralisado-em-campos-nesta-segunda.html

E o troféu de vencedor vai para…. Anthony Garotinho!

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Analisando friamente os dois últimos dias em Campos dos Goytacazes, não hesito em afirmar que Anthony Garotinho já conseguiu o seu intento de desestabilizar seu incontáveis adversários e retomar a primazia do debate político.

Para isso contou com a ajuda insubstituível do jovem prefeito Rafael Diniz e seu trupe de menudos neoliberais que se esforçam para entregar uma pauta incontável de tópicos com os quais Anthony Garotinho pode usar a sua verve para desmoralizar quem prometeu mudança e até agora só entregou uma mal disfarçada guerra aos pobres.

Apesar de nem tudo serem flores para Anthony Garotinho,  há que se reconhecer que ele é um “fast learner”, ou seja, consegue aprender com uma velocidade muito acima da média.  

Além de ser um indivíduo que aprende fácil, Anthony Garotinho ainda conta com o inevitável e genuíno descontentamento que borbulha nas imensas camadas pobres da população que votou em Rafael Diniz e hoje se vê como o único alvo de uma guerra seletiva ao déficit financeiro que assombra os cofres do município. Aliás, o maior problema para Garotinho será superar a falta de estruturas comunitárias que agilizem a organização da revolta que é real e sobre a qual ele não possui nenhum controle.

Enquanto isso, ao governo municipal resta a dura tarefa de entender que a primazia do controle político do município que foi dada praticamente de mãos beijadas para Anthony Garotinho não será retomada apenas com a colocação de imagens em caixões ou com a manifestação favorável da mídia corporativa. Se conseguirem fazer isso, talvez Rafael Diniz e seus menudos neoliberais ainda peçam ajuda aos universitários (ou melhor universidades) para que se formulem políticas estratégicas para preparar o município de Campos dos Goytacazes para o futuro pós-royalties que se avizinha rapidamente.

Charge publicada no dia de hoje (07/10) pelo jornal Folha da Manhã reproduzindo suposto diálogo ocorrido na frente do Centro Adminsitrativo José Alves de Azevedo.

Do contrário, o caixão com as fotografias de Anthony e Rosinha Garotinho será apenas uma espécie de auto premonição para uma administração municipal que semeou ventos e colheu tempestades.

garotinho caixao

E de adiantará as fotos “ops” na entrega de veículos assegurados por emenda parlamentar de  um deputado federal  condenado em última instância pelo Supremo Tribunal Federal justamente pelo suposto envolvimento no superfaturamento de  ambulâncias [1]! 

Por último, volto a citar a minha impaciência com os partidos políticos que se dizem de esquerda. Ao ficarem paralisados frente ao embate que está ocorrendo, estas agremiações nada fazem para que se possa superar a dicotomia em curso. E, pior, deixam abandonado o trabalho de defender os pobres da guerra promovida contra eles pelo governo Rafael Diniz. Depois não adianta reclamar dos métodos de ação de Anthony Garotinho. É que pelo menos ele age.


[1] http://www.jornalterceiravia.com.br/2017/05/02/paulo-feijo-e-condenado-a-12-anos-por-envolvimento-na-mafia-das-sanguessugas/