PT Campos: um compromisso férreo com a derrota

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Por Douglas Barreto da Mata

Eu assisti ao programa do Igor José Alves com o professor  Luciano D’ Angelo: triste, lamentável, por onde quer que se olhe.  Não apenas pelos erros analíticos do fracasso eleitoral do PT local, afinal, ele tem o direito legítimo de defender as escolhas que fez. 

A narrativa não é execrável por essa razão.  Mas sim pela hipocrisia.  Ora pelotas, participar do jogo e reclamar depois do placar e do juiz é algo lamentável.  Ouvir o professor Luciano D’ Angelo falar de dinheiro e abuso de poder econômico em Campos dos Goytacazes, enquanto o partido governa Maricá, e um oceano de dinheiro, é de doer os ouvidos.

Fica a questão, quer dizer que no município de Maricá, que é governado pelo PT desde 2008,  a política é feita por frades e freiras?  Por lá, a população votou no PT pelo programa, princípios de esquerda e por uma execução orçamentária acima de qualquer problema? Entendo.

Porém, eu não gostaria de entrar por este campo movediço, até mesmo porque, há alguns anos, quando eu declarava minha crença em aspectos moralistas da política, fui advertido pelo mesmo professor Luciano D’ Angelo que me disse: “A questão da corrupção ou do moralismo não devem ser o principal norte da política”.

Anos depois, com a devassa hipócrita da Lava-Jato, entendi aquele argumento como uma premonição corretíssima.  Eis que, agora, me deparo com o professor Luciano D’ Angelo fazendo o discurso oposto do que fez antes.  Pior, faz um discurso oposto ao que praticou nessa eleição, porque até as placas de mármore da Praça 4 Jornadas sabem que o PT local funcionou como linha auxiliar da oposição, e pelo que se diz, teve bons motivos para tanto.

Alguns chamam essa conduta de hipocrisia. Eu chamo de esquizofrenia moral, para não usar termo mais pesado.  Enfim, parece que a surra que o PT de Campos levou nessa eleição de nada serviu.  A proposta de criar um grupo com o (derrotado, com meros 372 votos) ex-reitor da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) para dar conta de fiscalizar o atual governo é de dar vergonha alheia.

Ótimo.  Mas o problema é um ex-gestor público que sentou em cima de 20 milhões de verbas da Alerj, por anos, dinheiro destinado para restauração do Solar do Colégio (Arquivo Público), e que, por completa ineficiência, quase houve o desabamento daquele patrimônio histórico, ter legitimidade para apontar erros de gestão em uma prefeitura do tamanho da campista, ou de quem quer que seja. O ex-gestor de universidade pública, que não deu conta de 20 milhões de verbas, vai poder tecer críticas sobre um orçamento de 3 bilhões?  Algo parecido com Jefferson Azevedo criticando o IDEB, quando sua gestão rebaixou drasticamente o aproveitamento dos alunos do IFF no Enem/Enad.

Enfim, a caravana seguirá, e os cães permanecerão ladrando.  Lamentável.

Campos, um município que flerta com a crise climática

20240924solimoesgreenpeace1Protesto do Greenpeace Brasil no leito seco do Rio Solimões: seca extrema leva rios na Amazônia e Pantanal a mínimas extremas (Foto: Nilmar Lage / Greenpeace)

Há poucos meses um professor da Universidade Nacional de Brasília (UNB) veio a Campos dos Goytacazes para participar de uma banca examinadora na Uenf e me confessou sua surpresa com a completa inexistência de matas ciliares ao longo dos corpos hídricos sobre os quais ele sobrevoou antes de aterrisar no Aeroporto Bartolomeu de Lizandro. Segundo esse professor que é um estudioso dos chamados serviços ecossistêmicos, a falta de matas ciliares seria um péssimo prenúncio para a capacidade de adaptação às oscilações climáticas que estão ocorrendo como parte do “novo anormal climático”.

Disse a esse pesquisador que o que ele tinha visto era apenas a ponta de um iceberg de um longo histórico de destruição ambiental que ocorreu para a implantação de diferentes monoculturas na região Norte Fluminense, sendo a cana de açúcar a mais persistente.

Graças à monocultura da cana não apenas tivemos ao longo do Século XX a quase completa destruição das florestas de Mata Atlântica, mas também o avanço sobre importantes corpos hídricos que foram drenados para que os latifundiários locais pudessem ter mais terra, sendo a Lagoa Feia o maior exemplo disso.

Se olharmos também para a situação periclitante do Rio Paraíba do Sul que continua sendo represado e drenado de grandes quantidades de água antes de chegar em nosso município, o que temos é uma espécie de um grande acidente ambiental em desenvolvimento diante dos nossos olhos.  Ao se permitir o represamento continuado do Paraíba do Sul em combinação com a quase completa remoção das florestas naturais e matas ciliares, o que está se plantando é uma grande crise hídrica que poderá deixar Campos dos Goytacazes pendurada na broxa, na medida em que poderemos virar uma cidade construída ao longo de um leito de rio seco, ao menos em partes do ano.

Enquanto o problema que se coloca diante de nós tem uma escala de grande tragédia socioambiental, as respostas até aqui são, no mínimo, inexistentes.  O chamado comitê de bacia do Baixo Paraíba do Sul e Itabapoana não passa de uma sigla quando se trata de enfrentar as causas da crise hídrica que se desenvolve diante de nossos olhos, enquanto órgãos ambientais como o Inea e o Ibama seguem o mesmo caminho de omissão.

Para piorar o que já é ruim, os municípios desta região, com Campos no leme, não possuem nada próximo do que se poderia chamar de um plano de adaptação climática que comece a proteger os nossos rios e lagoas. É como se todos os prefeitos, a começar por Wladimir Garotinho, achassem que tudo que está por vir de ruim se dará por obra divina.  Wladimir Garotinho, inclusive, conseguiu o feito de fechar a secretaria municipal de Meio Ambiente, justamente em um momento em que a crise climática se torna cada vez mais óbvia e com efeitos ambientais drásticos. 

Apesar da crise climática e suas consequências sobre a disponibilidade de água terem sido ilustres ausentes das eleições municipais recentemente realizadas, o fato inescapável é que precisamos começar a trilhar um caminho diferente de forma urgente. Em uma uma mesa de debate realizada durante a XI Jornada de Políticas Sociais realizada nos dias 8 e 9 de outubro, um dos palestrantes sugeriu que o prefeito de Campos fizesse uma espécie de “Plano Marshall” do reflorestamento, de modo a amenizar a crise climática e seus efeitos sobre a disponibilidade de água e a temperatura. Para o palestrante, com esse plano de reflorestamento, o prefeito conseguiria não apenas gerar um grande número de empregos, mas também abriria um novo horizonte ambiental para Campos dos Goytacazes.

O fato é que sem uma ação compreensiva e urgente para iniciar o processo de adaptação climática, a nossa região terá tempos muito difíceis pela frente, na medida em a transformação recente dos leitos dos principais rios amazônicos em planícies arenosas pode ser um prenúncio do que ainda por ocorrer com o Paraíba do Sul. E a questão inescapável para os campistas: se o Paraíba do Sul secar, de onde virá a água que mata a nossa sede de cada dia?

Carta aberta para Wladimir Garotinho

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Por Douglas Barreto da Mata

Dirijo-me à Vossa Excelência com todo respeito e liturgia que vosso cargo exige, agora confirmado pelos 192.231 sufrágios recebidos em 06 de outubro deste ano.  Tens a chance de recriar as bases de um novo governo, agora fortalecido pela aprovação maciça do eleitor, ainda que, por óbvio, haja outras demandas e acordos políticos necessários à manutenção da governabilidade.

No entanto, por certo, hoje o vosso capital político está anos luz à frente daquele arrecadado ao fim de 2020.  Não se trata de desprezar aliados e alianças, mas dar ao mandato a força e o nome que ele tem, Wladimir Garotinho, até porque, todos os analistas são unânimes em dizer que vós sois maior que o seu governo.

Não podemos ignorar que houve avanços desde o desastre anterior, personificado em Rafael Diniz, mas sua figura, é sim, central nisso tudo.  Por isso, agora, a referência comparativa é o senhor consigo mesmo.

A cidade precisa de um governo com a vossa disposição e presença, com vossa agilidade, humor e ironia, enfim, com vossa resiliência, que nunca significou covardia, quando enfrentou a questão da Lei Orçamentária Anual (LOA), por exemplo.  E vós sabeis que essa coragem institucional precisa contaminar sua equipe.

Coragem para ir além do óbvio, que não foi pouco fazer, como vimos, dada a destruição da cidade promovida pelo experimento rafaeliano.  Seu time precisa mostrar compromisso, espírito público, senso de urgência, e mais, capacidade de inovar, fazer o que nunca foi feito.  E mais: se houver dúvida de como tomar decisões, sempre difíceis, seu governo, orientado por Vossa Excelência, deve sempre escolher a solução que atenda mais gente e os que mais precisam.  Sempre!

Só isso, nessa terra de bugres que se acham ilustrados, já seria uma enorme novidade.  Desde a coleta de lixo, conservação urbana, mobilidade, educação, que avançou bastante, mas não pode parar. na saúde, um parágrafo à parte. Sim, os equipamentos estão sendo recuperados, mas carecem de gente treinada e capaz, e mais ainda, a saúde precisa, urgentemente, de uma guinada.

A redução da nefasta terceirização de serviços à rede de contratualização, que mostrou-se incapaz de solucionar as filas, exames, atendimentos de média e alta complexidade.

Entendo que não se manobra um Titanic como se fosse um pedalinho.  Porém, é preciso apontar (e mudar) direções, e nesse caminho que estamos, com um monte de dinheiro destinado às entidades privadas, o colapso da saúde está pela frente. 

Nem vou mencionar o caso recente (e  recorrente) da Santa Casa de Misericórdia, suspeita de desvio de verbas federais da saúde, pois espero que seja uma exceção.  A tão chamada revitalização do centro, que teve, por exemplo, em Vossa Excelência a iniciativa de mover equipamentos municipais para aquela região, é outro ponto importante. Torço que Vossa Excelência não incorpore uma visão higienista de remoção dos moradores em situação de rua, mas promova um programa que transforme moradores em situação de rua em moradores daquelas ruas, usando imóveis sem uso como moradias populares e dignas, dando nome, CEP, endereço àquelas pessoas, que querem reconexão com o mundo, mas com privacidade e um lugar deles.

A psiquiatria e a psicologia social explicam porque eles rejeitam abrigos coletivos, é só consultar quem entende desse assunto, sobre o qual tenho pouco saber.   Minha intuição me diz que reconectar essas pessoas é lhes dar um lar, um lugar onde possam dizer às suas famílias onde moram, e então, receberem seus entes, reatando laços, promovendo retornos ou religando convivências.  Isso não é invenção minha, há muitas cidades como exemplos.  Ao mesmo tempo, essas pessoas podem ser contratadas para serviços adequados aos seus saberes, desde a ajuda na limpeza urbana, até como guias turísticos ou outras funções.

Os recursos para aluguéis dos imóveis podem ser negociados com proprietários, tendo sempre em vista a função social da propriedade, que implica, em último caso, aumento progressivo de impostos para edificações não utilizadas. O nome disso?  Distribuição de renda, diminuição de distância entre ricos e pobres.

No transporte, ao que parece, Vossa Excelência terá que zerar tudo.  O modelo atual falhou, não serve mais, nem aqui, nem em lugar algum.  Cidades não conseguem bancar tarifas com orçamentos cada vez menores, e com um modelo de cidade que empurra cada vez mais os pobres para periferias, nos campos de concentração, chamados de conjuntos populares.  Essa conta não fecha. Porém a demanda por mudança na mobilidade e habitação podem encontrar em Vossa Excelência uma saída, se resolver interromper a política de exílio de pobres para longe, reurbanizando comunidades, dotando comunidades de dignidade urbanística, mantendo as pessoas na cidade. 

Cidade sem gente circulando morre.  O centro é o coração, gente circulando é o sangue da cidade.  Pobres e ricos vivendo e convivendo juntos.  Os modelos de gestão de mobilidade têm que onerar que mais lucra com eles, e são trabalhadores assalariados os maiores prejudicados com o custo do transporte, que sabemos, retira renda das classes trabalhadoras.  Quem deve pagar pelo transporte do trabalhador não é a cidade ou o trabalhador, ao menos, não em maior parte.  Cabe ao empresário, ao patrão, o pagamento desse custo, porque é dele o lucro advindo do trabalho alheio.  Sem considerar essa premissa, Vossa Excelência vai ser fiador de renovação de frota de um sistema tendente à falência.

Enfim, há muita coisa mais, mas acho que me estendi demais.  Talvez em outra oportunidade, não falamos de cultura e seus agentes, de agricultura e agricultores, de servidores, etc.  Fico por aqui, e rogo que Vossa Excelência tenha sucesso, não apenas em ter votos, isso já provou sua capacidade. 

Citando Antonie de Saint-Exupéry, no seu famoso O Pequeno Príncipe: “És eternamente responsável por aquilo que cativas”.

Ascensão e queda da baronesa de São João da Barra

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A deputada Carla Machado, então prefeita de Sâo João da Barra, no dia da entrega da Medalha Barão de São João da Barra ao ex-bilionário Eike Batista

Por Douglas Barreto da Mata

Não entendo o fetiche do PT regional com a deputada Carla Machado.  Justiça lhe seja feita, ela nunca esboçou qualquer tentativa de parecer progressista ou mais afeita a uma agenda de esquerda. Pensando bem, acho que entendo sim.  Afinal, há muitos anos, nem o próprio PT tem se esforçado nesse sentido, seja no Planalto, seja na planície.

Mesmo assim, não deixa de ser estranho ver duas candidaturas oriundas do MST no PT Campos dos Goytacazes, convivendo com uma personagem como a baronesa, ou de figuras (simplórias) do PT, dedo em riste, acusando este ou aquele político de bolsonarista ou direitista, tendo uma matriarca de direita como a baronesa no PT. 

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Reforma agrária às avessas: a então prefeita Carla Machado, sentada ao lado de Sérgio Cabral, olhando para as terras que seriam tomadas dos agricultores do V Distrito de São João da Barra para a instalação do natimorto Distrito Industrial de São João da Barra

Logo ela, uma das envolvidas por aquilo que pode ser chamada de maior reforma agrária invertida da história recente do país.  Ao invés de desapropriação de terras para benefício de muitos, no V Distrito de SJB se fez o inverso, desalojaram centenas de famílias para instalação do porto, e até hoje, há pendências no pagamento desses agricultores.  Uma vergonha.

Bem, muito tem se falado quem saiu menor ou maior desse pleito.  Eu diria que a baronesa deputada saiu muitíssimo menor que entrou. Antes, na pré campanha, tida e havida como carta na manga do grupo de oposição, reunido em torno dos Bacelar, a ponto do PT (linha auxiliar desse mesmo grupo) ter mantido a vaga da candidatura à prefeitura em aberto, até que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) dissesse o que todos sabiam, a baronesa deputada também foi considerada um manancial de transferência de votos.

A candidata delegada e o candidato professor sonhavam herdar esse capital eleitoral, que, afinal, se diluiu entre os principais concorrentes, incluindo aí o atual prefeito reeleito.  Deste modo, à baronesa deputada restou um papel melancólico na campanha, que piorou ainda mais, mesmo que ninguém achasse ser isso possível, quando ela esfaqueou o PT pelas costas, subiu no palanque da delegada, e, pecados dos pecados, fazendo um discurso de desagravo ao ex-prefeito Rafael Diniz, o pior de todos os tempos.

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A subida da deputada Carla Machado no palanque da delegada Madeleine teve o efeito de matar duas campanhas nas eleições municipais de 2024

Em um movimento, como já disse em vários textos, neste blog, ela matou duas campanhas, a do PT, já moribunda, e da delegada, cuja base de apoio ficou sem saber se a delegada era mesmo de direita, como jurou ser, além de ressuscitar o “bode na sala” (Rafael Diniz), que foi cuidadosamente escondido pela coordenação das campanhas do PT e da delegada, que contavam com a amnésia do eleitor acerca da umbilical relação de todos com o governo desastroso do neto de Zezé Barbosa.

Ah, mas você se esqueceu da esmagadora vitória em São João da Barra, onde a sucessora e pupila da baronesa conseguiu uma votação histórica.  Bem, pode ser, mas tenho lá minhas dúvidas.  A julgar pelo número de votos alcançado pela prefeita reeleita, Carla Caputi, tudo indica que a baronesa deputada não seja mais a única referência de seu campo político na cidade, pois emergiu das urnas uma força autônoma, com condições e intenções de se desvincular da baronesa, em franco declínio.

A prova principal da queda da baronesa é a ridícula votação de seu irmão, Fred Machado, ex-presidente da Câmara de Vereadores de Campos dos Goytacazes, que concorria à reeleição naquela casa. 

Campos dos Goytacazes parece ter rejeitado invasores como os deputados que aqui estiveram para despejar mais modos e truculência.  Rejeitou também a baronesa, que deverá correr de volta para SJB, sob pena de ficar sem espaço por lá também.

Aguardemos.

Quem é Wladimir Garotinho? Decifra-me ou te devoro

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Por Douglas Barreto da Mata

Nessas eleições recentes aconteceram episódios pitorescos.  Enquanto a esquerda tentava emplacar a pecha de bolsonatista no prefeito, muito mais para justificar suas escolhas, de funcionar como linha auxiliar de ultra direitistas (um paradoxo aparente), do que para demarcar uma posição progressista, de fato, do outro lado, a direita, representada na delegada candidata, quis emplacar a narrativa que o prefeito reeleito não era bolsonarista suficiente, ao mesmo tempo que recebeu a deputada petista Carla Machado (outro aparente paradoxo) em seu campo.

Resultado conhecido, o PT amargou um desastre, e a delegada não foi além do teto conhecido do chamado anti garotismo.  Juntos ficaram na medida das abstenções, brancos e nulos.  Em analogia ao termo torcida arco-íris, que reúne os torcedores que são anti flamenguistas, podemos dizer que o arco-íris ou está com cores a menos, ou desbotou.

O erro de cálculo desse pessoal foi não entender o caminho político do prefeito, rumo ao centro, já antevendo um movimento natural pós saturação de extremismos de direita, e que se confirmou nos resultados nacionais pelas cidades, o PSD foi o grande vencedor, e ampliou seu capital político, que não era pequeno.

No Estado do RJ, esse papel coube ao PP, e ao PL, por estranho que pareça).  Todas as campanhas deste último partido (PL), apesar de usarem com mais ou menos intensidade a imagem dos Bolsonaros, se caracterizaram por candidaturas de centro, de prefeitos ou ex-prefeitos com quilometragem.  Foram poucas as “novidades” impetuosas.

O prefeito Wladimir entendeu isso antes, e nem renegou seu vínculo com Bolsonaro (teve no filho Flávio um apoiador presente), nem exagerou nessa exposição, mantendo canal aberto com outras forças. Há, no entanto, um outro viés, para o qual gostaria de chamar a atenção.

Nacionalizar a eleição seria um erro, que o PT não entendeu quando, em desespero, passou a veicular Lula em sua campanha, nem a delegada, quando reivindicou a condição de porta-voz do ex-presidente.

Ainda que houvesse margem para tanto, é preciso dizer que, em Campos dos Goytacazes, a família Garotinho e seu legado são muito mais relevantes que figuras nacionais. Foi assim em todas as eleições presidenciais que a família direcionou seus votos. Com Bolsonaro não foi diferente.

A base de apoio a família Garotinho, com exceção dos intervalos das vitórias de dissidentes deste mesmo grupo, sempre se manteve intacta.  Mesmo nestes intervalos, o grupo garotista foi grande cabo eleitoral de campanhas presidenciais.

A oposição não foi capaz de reconhecer, ou não teve humildade, ou inteligência, ou tudo junto, que a família Garotinho, agora renovada no personagem Wladimir Garotinho, uma versão ampliada e melhorada de seus pais, é ainda a grande eleitora na cidade, e não o contrário.

Esta planície é, historicamente, conservadora, mas este conservadorismo é mediado, desde a década de 90 do século XX pela família Garotinho, embora não seja irrelevante que este ou aquele líder nacional possa agregar mais capital político à família.

Assim, era inócuo, como foi, dizer que Wladimir era muito ou pouco bolsonarista, ou dizer que ele era a continuidade de seus pais.  O prefeito se consolidou como um ator relevante e autônomo, ainda que não rejeite, e nem afaste influências e heranças políticas. O desconhecimento dessas noções básicas levaram a oposição a combater moinhos de vento, ou seja, sequer conseguiram entender o adversário que enfrentavam, quanto mais, acertar o “alvo”.  A comemoração gaiata do grupo da delegada sobre a votação obtida mostra que nada aprenderam.

Afinal, com a montanha de recursos empenhados, a candidatura da delegada não conseguiu ir além do patamar histórico de votação dos anti garotistas, deixando claro que, para tanto, seria necessária uma estratégia muito melhor ou um nome com muito mais capacidade, sendo que estas hipóteses não se excluem.

Trilhando, talvez, o caminho de Getúlio Vargas, que se orgulhava de não ser decifrado, o prefeito, do alto de seus 190.000 votos, agradece.

Natália Soares se firma como principal liderança da esquerda em Campos dos Goytacazes

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Não vou me ater a uma análise global das eleições municipais que acabam de selar a reeleição de Wladimir Garotinho e da formação, em tese, de uma sólida bancada governista na Câmara Municipal de Campos dos Goytacazes.  O meu propósito aqui é enfatizar algo que as análises rasteiras que ando lendo sobre os resultados eleitorais estão tratando de esconder.

Falo da impressionante votação obtida pela Professora Natália Soares (PSOL) que obteve impressionantes 3.583 votos com uma campanha propositiva, bem humorada, barata, e que foi capaz de angariar votos por diferentes partes do município.   Uma votação histórica, mas que não logrou obter o objetivo de colocar a Natália em uma das cadeiras da próxima legislatura.

Apesar do aparente fracasso, uma coisa é certa: se a esquerda campista precisava de uma liderança para avançar suas pautas, ela agora já existe e está sedimentada eleitoralmente. 

Mas como superar o bloqueio histórico que impede a esquerda campista de vencer, não apenas no número de votos, mas também consolidação de um campo político que faça avançar as demandas em prol dos segmentos mais pobres da população?  

Eu diria que existem vários passos básicos, mas o principal é de que se reconheça que Natália Soares sintetiza as expectativas e esperanças por mudança, começando pelo próprio PSOL cujo diretório municipal parece ainda não entender a força eleitoral que possui em seus quadros.  O segundo é que os partidos que se dizem de esquerda na cidade deixem de ser partidos eleitorais que só se mexem a cada dois anos, enquanto as diferentes matizes da direita fazem um trabalho diuturno para manter o status quo vigente totalmente intacto e impermeável a qualquer compromisso com a democratização do orçamento municipal.

Além disso, eu diria que é preciso que a própria Natália rejeite os caminhos tortuosos que figuras como Marcelo Freixo e Guilherme Boulos, cada um em seu estilo, adotaram para se tornarem elegíveis e palatáveis para as classes dominantes.  Mas se ela mantiver a firmeza de compromisso e avançar na sua compreensão sobre sua própria estatura política, é possível que estejamos vendo o nascimento de uma liderança com raízes efetivamente populares e sem qualquer cabresto em relação às dinastias familiares que controlam a vida política em Campos dos Goytacazes desde sempre.

Como a Natália é uma pessoa leve e descontraída, eu aproveito para repetir a ele uma frase saída do livro “O Pequeno Príncipe” de Antoine de Saint-Exupéry: Tu deviens responsable pour toujours de ce que tu as apprivoisé  ou em bom português ”tú te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”. E o que ela cativou não é pouco: esperança por dias melhores.   

Eleições 2024: dinheiro é importante, mas não é tudo

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Por Douglas Barreto da Mata

Uma das principais lições que ficam nas eleições de Campos dos Goytacazes é de que o poder econômico, empregado em uma escala jamais vista na história da cidade, pelo grupo de oposição ao prefeito reeleito Wladimir Garotinho, pode muita coisa, mas não alcança tudo.

O resultado da oposição foi um fiasco, contabilizado como um todo, desde a candidata principal, a Delegada Madeleine, até as candidaturas auxiliares, como o PT e outros mais insignificantes.

Na eleição parlamentar, a oposição elegeu apenas 06 vereadores, e o atual Presidente da Câmara, o vereador Marcos Bacellar, irmão do Presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), liderança maior entre os oposicionistas, e grande artífice da estratégia eleitoral do seu grupo, ficou com a terceira colocação entre os mais votados.  Pouco, muito pouco para quem personificou a disputa com o atual Prefeito.

Voltando para a eleição majoritária, parece certo que não se pode imaginar que qualquer pessoa seja capaz de levar adiante um projeto político de tamanha envergadura, isto é, se eleger e governar Campos dos Goytacazes, mesmo que infindáveis recursos sejam colocados à sua disposição.

Eventos isolados, como eleições de um Wilson Witzel, ou mesmo de um Rafael Diniz não são regras, são exceções que as confirmam. Curiosamente, Witzel e Rafael mostraram que ganhar é até possível, mas governar, de maneira estável, quando eles significavam um descolamento total da política, sendo os arautos da antipolítica, seria uma tarefa pouco provável de ser cumprida. De fato, Witzel caiu, e Rafael sangrou o mandato todo, até ser execrado como o pior prefeito da história.

A delegada, além de não reunir carisma suficiente para o que lhe era exigido, faltava a ela traquejo, embocadura para uma luta dessa grandeza, e nem se encontrava em um momento conjuntural excepcional, como aqueles que elegeram Rafael, Witzel ou outros casos parecidos.

Enfrentar o legatário de uma dinastia que elegeu o pai prefeito, deputado estadual e federal, governador por duas vezes, a mãe governadora por duas vezes, e prefeita por dois mandatos também, além do fato de que boa parte dos outros prefeitos e deputados locais derivaram desse clã, e imaginar que bastava duas ou três frases de efeito, feitas para agradar audiência de palestras de “treinamento” (“coach”, argh!!!) é de uma ingenuidade atroz.

A correlação dos eleitos para Câmara indica que o Prefeito Wladimir terá um segundo mandato mais tranquilo, desde que confirme o aprendizado da sua relação com a casa de leis na desastrosa antecipação da eleição da mesa diretora, quando levou uma rasteira de alguns de seus aliados.

Agora, uma nota triste para a esquerda local.  O PT, como previsto, fez a campanha mais vergonhosa da sua história, menos pelos parcos votos para prefeito e vereadores, mas muito mais pela sua impostura política, funcionando como legenda de aluguel da extrema-direita, em troca sabe-se lá do quê, e o que quer que tenha sido, não foi suficiente para tirar o partido do atoleiro. 

O texto do meu amigo George Gomes Coutinho, em um jornal local, desvendou aquilo que mantém o PT local sem qualquer chance de ser considerado uma força política de relevo.

Simplificando o que ele disse, é como se o PT vivesse no auge a Era Vargas, e tentasse conter essa hegemonia avassaladora se unindo a monarquistas escravagistas, imaginando que isso lhe daria espaço para avançar com uma proposta mais progressista que a organização do trabalho feita por Vargas na época.

A coordenação de campanha, que contava com a eleição de um vereador para justificar essa linha de atuação horrorosa, ficou sem argumento algum.  O candidato que era o líder dessa aposta, assessor de um deputado federal petista, e que contou com todos os beneplácitos da coordenação de campanha, para a insatisfação de todos os demais, somou pouco mais de 600 votos, desempenho sofrível.  Não houve qualquer eleito entre os petistas.  É preciso dar nomes e rostos a essa tragédia petista, e todos ali sabem quem são.

A incapacidade de articulação isolou o PT do PSOL, o que deixou uma candidata com mais de 3.500, a Professora Natália, sem mandato, apesar da votação fantástica. Como diz o antigo ditado, dos tempos da ditadura, esquerda junta só no bar ou na cadeia.

Já a deputada estadual petista Carla Machado, protagonista de uma traição indizível ao seu partido, e que embarcou na canoa furada da delegada, além de pouco somar a ela, ainda viu seu irmão ficar abaixo de 1.200 votos. 

É, definitivamente, as urnas mostraram a esse pessoal que planos mirabolantes para transferência de votos precisam de um detalhe importante para darem certo: convencer o eleitor.

A população parece ter respondido como a maioria dos analistas, pesquisadores e “pitaqueiros” (como eu) diziam.

A combinação de um antecessor cuja administração foi um fracasso colossal, junto a expertise de um atual prefeito que domina as mídias e as formas de articulação política, além da ineficiência completa da oposição, mesmo que de posse de recursos gigantescos, deram um resultado que confirma que o eleitor faz seu cálculo político dentro de um esquema com expectativas realistas.

Por outro lado, deve ter ensinado ao PT, e ao resto da esquerda, que não adianta brigar com esse senso (comum), usando da conhecida arrogância em desconhecer que o eleitor, a seu modo, ou sabe o que quer, ou sabe o que não quer.  E o eleitor campista, não quer o PT que parece também não querer o eleitor, no melhor estilo do “dois bicudos que não se beijam”.

Assim como ensinou ao grupo da delegada que dinheiro altera a realidade, mas não toda a realidade.

Sujeira pelas ruas mostra que candidatos tiveram muito dinheiro, mas não tiveram pernas

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Vive em Campos dos Goytacazes desde 1998 e já presenciei muitas campanhas eleitorais para prefeito e vereador, mas esta manhã tornou a atual certamente a mais capaz de jogar sujeira pelas ruas na forma de santinhos de campanha.  Pobres do pessoal da limpeza urbana que terá uma tarefa dura que será a de livrar nossas praças, ruas e avenidas de toneladas de materiais de campanha que foram despejados de sábado para domingo em uma prova de que verbas eleitorais nem sempre se traduzem em melhores práticas de urbanidade.

Por outro lado, o que todo esse material jogado ilegalmente pelas vias públicas mostra é que teve candidato com dinheiro de mais e pernas de menos para fazer sua mensagem chegar ao eleitor campista. É que todo esse material impresso é caro, pois a maioria é de alta qualidade gráfica.

O que me deixa um pouco curioso se refere ao controle dos gastos de campanha, pois existem limites declarados e o que se vê pelas ruas é que não houve o menor esforço para se evitar o desperdício. Como a maioria dos candidatos não tem dinheiro pessoal para investir na impressão desses materiais, a pergunta que fica é de onde saiu tanto recurso para ser investido em algo que agora não passa de lixo eleitoral.

Mas o fato é que esse desperdício todo apenas reflete uma campanha eleitoral rica que foi muito pobre no debate necessário para fazer a cidade de Campos mais democrática e menos socialmente injusta. Uma prova cabal da falta da fraqueza da nossa democracia. Vida que segue em meio a desafios cada vez maiores e que não couberam nem nos vistosos programas de TV nem no lixo que agora cobre nossas ruas.

E no sprint final, Wladinho, quem diria, derrotou até Pinóquio

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Por Douglas Barreto da Mata

Não há problema no boneco Wladinho imitar uma pessoa, nesse caso, o prefeito Wladimir Garotinho.  Sério é quando a oposição quer imitar um boneco, neste caso, o Pinóquio, conhecido personagem da literatura infantil. Feito de madeira, Pinóquio ganha vida, e tenta desesperadamente ser o que não era, gente de verdade, e para isso recorre às mentiras, denunciadas pelo crescimento imediato de seu nariz.

O pessoal da oposição, do jeito deles, busca, também, aparentar o que não são, isto é, não são os preferidos dos eleitores, e também recorreram, como vemos hoje, à mentira.  A divulgação de uma pesquisa mentirosa é outro capítulo do desespero da oposição na luta por votos na eleição do dia 06 de outubro próximo.

Já publicamos vários textos nesse blog, tanto eu, quanto o seu “inoxidável” editor, Marcos Pedlowski, onde demos conta de que, se é verdade que Wladimir se mostrou um candidato eficiente, a oposição, a seu modo (o da infinita capacidade de dar tiros no próprio pé), ajudou demais.

Não acho que será o último ato tresloucado da oposição, liderada pela Delegada-candidata, mas, certamente, a reprimenda pública da Justiça, chamando de fantasiosa (um jeito delicado de dizer mentirosa) a pesquisa divulgada, apontando para possível abuso de poder econômico, e uso indevido dos meios de comunicação, pode ainda repercutir, e muito, nas esferas jurídicas dos envolvidos, para além do 06 de outubro.

Por vias transversas, discurso de um dos líderes do grupo, na manifestação deste fim de semana, na Praça São Salvador, quando disse que a eleição não acaba no domingo, pode ter algo de profecia, caso a Justiça resolva ir a fundo na questão da pesquisa, e das condutas adjacentes elencadas pelo Meritíssimo Senhor Juiz Eleitoral Leonardo Cajueiro

Note o peso da decisão, cujo trecho reproduzimos abaixo:

“(…)Se é certo que a exiguidade dos prazos eleitorais, por si só ,não justifica o reconhecimento do perigo na demora, não é menos certo que, no presente caso concreto, o periculum in mora é manifesto. Estamos na semana imediatamente anterior à votação e temos pesquisa manifestamente fantasiosa (resultado antes da coleta de dados !?!?) e divulgação de margem de erro equivocada maior até que a margem metodologicamente comunicada ao TSE.

Portanto, estão presentes a plausibilidade do direito e o perigo de dano necessários ao deferimento de liminar para  suspender a divulgação dos resultados da pesquisa. Por fim, há indícios de abuso de poder econômico (caso provada pesquisa com propósito de ludibrio ao eleitorado) e uso indevido dos meios de comunicação. (…)”

Bem, nada mais a dizer sobre a enrascada jurídica em que se meteram os oposicionistas.  Quanto aos tropeços políticos tragicômicos, resta dizer que não há como esperar que as coisas melhorem, ou seja, me parece que o limite do ridículo e do grotesco foram ultrapassados, sem sinais de que possa haver um retorno à razão pelos oposicionistas. 

Infelizmente, esses Pinóquios não serão transformados em bons meninos e meninas pela fada madrinha, já que a condição é bom comportamento.

Nas eleições de Campos, qual é o teto do candidato-prefeito?

ceu é o limite

Por Douglas Barreto da Mata

Faz algum tempo, um veículo de comunicação campista lançou essa pergunta a um grupo de analistas, acadêmicos e estatísticos.  Buscava estabelecer um limite para a popularidade de Wladimir Garotinho, neste caso expressa em intenções de votos na corrida eleitoral, onde ele é candidato à reeleição.

Pois é, era difícil responder antes, e parece mais difícil agora. Porém, eu acrescento uma outra variável a essa dúvida:  até onde, ou melhor dizendo, qual é a profundidade onde será enterrada a oposição e suas incapacidades?

Se por um lado, nos parece que o candidato-prefeito chegou a um estágio que pode ser chamado “teflon”, pois nada de negativo parece “grudar” nele, e as pesquisas qualitativas disponíveis, que circularam entre os dois principais lados da disputa, apontavam nessa direção, por outro lado, a oposição tem  nos brindado com um espetáculo grotesco de incompetência e mal gosto.

Assim, o candidato-prefeito, além de imune aos ataques, que não aderem à sua pessoa, alcançou outro patamar, o de massa de pão, que quanto mais apanha, mais cresce. Então, hoje eu diria que é difícil estabelecer um teto para Wladimir, porque ele parece não ter um, na medida que, do lado contrário, a imbecilidade para não ter um fundo, ou seja, um piso.

Eu já disse isso aqui, aqui e aqui.   Hoje à tarde, Marcos Pedlowski, o editor desse blog que acolhe minhas palavras rotas e mal escritas, também nos brindou com seu humor ferino, que serve a uma lógica afiada.

E quando eu pensava que nada mais me surpreenderia, desde recolocar Rafael Diniz na sala (o bode), como fez a deputada Carla Machado ao pular do barco petista para a “nau dos insensatos” da oposição, mas não sem antes furar o casco e deixar Jefferson Azevedo se afogar nele, passando pelo briga com os números de pesquisas e IDEB, o processo contra um boneco, e outras tantas trapalhadas, agora no fim da tarde, a oposição trouxe mais uma: está comemorando a retirada da divulgação de pesquisas já publicadas, e pelo que se sabe até aqui, a motivação que foi acolhida pela Justiça Eleitoral seriam aspectos formais das autorizações, ou seja, não houve erro nos dados, mas sim em aspectos como informações dos dias das entrevistas, por exemplo, registros no TSE, etc.

Claro que a oposição está alardeando como se fosse um gol de placa, e como se isso fosse mudar o que já foi veiculado e assimilado por todos, exaustivamente.  No calor das campanhas, cada um conta a versão dos fatos que melhor lhe convém, mas há limites para distorção da realidade, ou pelo menos, deveria haver.  Tem que existir um sentido prático na mentira, na meia-verdade, senão fica parecendo coisa de maluco. 

E neste caso, como já mencionamos, todo mundo já estava “careca” de saber os números, cuja veiculação a Justiça Eleitoral cassou. Essa “vitória”, por si só, já seria um “mico” do tamanho de um elefante, mas tem mais.  As pesquisas retiradas das redes sociais do prefeito caducaram, viraram notícia velha.

Explico. Hoje, o Instituto PreFab mostrou os dados da última sondagem registrada no TRE, e os números indicam  Wladimir com 79,7% dos votos.  Enquanto isso, a delegada patina em 15%, aproximados, dos votos válidos.  Se transformados em votos brutos, seria algo em torno de 68% de votos para o atual prefeito, e algo como 12% ou 11% para a delegada.

Olhados em perspectiva, e descontada a outra pesquisa O Dia/Paraná, escondida pelo grupo da oposição, em outra vergonha colossal, há um viés claro de queda, na série histórica, e como já dissemos em outro texto, esse é o desespero que tomou conta da oposição.

Ao que parece, mais umas duas semanas de campanha, a delegada ficaria devendo votos ao TRE, seguindo esse ritmo.

Voltando ao começo, eu diria: quem estiver à procura do candidato-prefeito Wladimir Garotinho, eu sugiro um telescópio, já para enxergar a oposição, só com a ajuda de um microscópio.