Carbendazim, agrotóxico proibido no Brasil por ser cancerígeno é encontrado em rio da bacia do Pantanal

Durante as análises, foram identificados outros componentes químicos e bactérias preocupantes nos pontos de coleta, incluindo coliformes fecais e metolacloro, este último reconhecido por sua extrema toxicidade

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Foto: Foto: Luiz Mendes/Arquivo Pessoal

Por Mídia Ninja

Um recente estudo conduzido pela Organização Não Governamental (ONG) SOS Pantanal trouxe à tona descobertas alarmantes sobre a qualidade da água no rio Santo Antônio, um afluente crucial para a bacia do Pantanal, localizado em Mato Grosso do Sul. Segundo a pesquisa, foi identificada a presença do fungicida carbendazim, uma substância proibida no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde 2022, devido ao seu potencial cancerígeno e de risco à reprodução humana.

Divulgado com exclusividade pelo G1, o estudo foi realizado ao longo de cinco meses, de outubro de 2023 a março de 2024, em três pontos específicos do rio Santo Antônio, situados em Guia Lopes da Laguna. Os resultados, publicados no Dia Internacional da Água, visam alertar para a má conservação do solo e para o uso de agrotóxicos proibidos, destacando a importância da preservação dos recursos hídricos.

Durante as análises, foram identificados outros componentes químicos e bactérias preocupantes nos pontos de coleta, incluindo coliformes fecais e metolacloro, este último reconhecido por sua extrema toxicidade. Além disso, foram encontrados níveis elevados de nitrato e fosfato, provenientes de agrotóxicos utilizados em plantações próximas ao rio.

Gustavo Figueirôa, pesquisador da SOS Pantanal, em entrevista ao jornalista José Câmara, ressaltou a gravidade da situação, enfatizando a baixa qualidade da água, a presença de substâncias nocivas e a falta de matas ciliares, essenciais para filtrar contaminantes antes de atingirem os rios. Ele também apontou o mau uso do solo e a ausência de Áreas de Proteção Permanente (APP) como fatores contribuintes para a contaminação.

A preocupação não se restringe apenas à saúde humana, mas também à biodiversidade, com destaque para as comunidades ribeirinhas e indígenas, que enfrentam maior exposição aos agrotóxicos devido ao contato direto com a água contaminada. Larissa Bombardi, pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP), ressaltou a necessidade de regulamentações mais rigorosas e do avanço da agricultura agroecológica como soluções para mitigar os impactos dos agrotóxicos.

Diante das descobertas, a SOS Pantanal propôs recomendações urgentes, incluindo a implementação de um programa de restauração das Áreas de Preservação Permanente e o estabelecimento de fóruns para debater práticas conservacionistas. O governo de Mato Grosso do Sul se comprometeu a realizar verificações nos pontos analisados pela ONG e a tomar medidas para melhorar a qualidade dos recursos hídricos.


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Este texto foi inicialmente publicado pelo “Mídia Ninja” [Aqui!].

Composto químico de bactéria amazônica tem potencial antiviral, antitumoral e antibiótico, diz estudo

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Estudo identifica potenciais farmacêuticos em composto químico produzido por bactérias em solo de área de mineração

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Estudo realizado por pesquisadores do Instituto Tecnológico Vale (ITV), da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) e de instituições parceiras descreve o potencial terapêutico de um composto químico produzido por bactérias encontradas no solo de uma área de mineração de bauxita em recuperação no Pará. O composto demonstrou propriedades viricidas, bactericidas e foi capaz de eliminar células cancerosas sem danificar células saudáveis, segundo narram os cientistas em artigo publicado na terça (12) na revista “Scientific Reports”.

A pesquisa estudou o potencial farmacêutico de uma cepa da bactéria Pseudomonas aeruginosa, isolada do solo de uma mina de bauxita em processo de recuperação ambiental da região de Paragominas, no leste do Pará. O microrganismo produz um tipo de ramnolipídeo, um glicolipídio gerado por bactérias que demonstrou, nos testes, resultados promissores contra vírus e microrganismos patogênicos.

O estudo avaliou a toxicidade do composto em relação a três tipos de vírus (herpes simples, coronavírus murino e vírus sincicial respiratório), células de adenocarcinoma de mama metastático, diversas cepas bacterianas (SalmonellaE. coli, estafilococos) e fungos (Candida). Uma solução do composto, com uma concentração de 250 μg/mL, inibiu 97% da atividade viral em todos os tipos de vírus testados. Resultados semelhantes foram observados com uma solução de 50 μg/mL, por 15, 30 e 60 minutos, sugerindo que a eficácia viricida está relacionada ao tempo de exposição.

Para José Pires Bitencourt, do ITV e um dos autores do artigo, o composto “é uma substância que ajuda a bactéria a captar algum nutriente que seja interessante e ajuda na comunicação entre bactérias da mesma espécie”. Segundo ele, durante o estudo, todas as concentrações do composto diminuíram a viabilidade das células cancerígenas para menos de 50% em 72 horas, demonstrando um potencial antitumoral comparável aos níveis alcançados pela quimioterapia padrão.

Bitencourt explica que as condições ambientais do solo amazônico são propícias para compostos de interesse farmacêutico, como o estudado pela pesquisa. “Diferentes subespécies de bactérias encontradas em várias condições de solo produzem biossurfactantes, influenciadas por fatores como clima, evolução do solo, regime hídrico, interação com outros organismos e impacto humano”.

O pesquisador relata que não é possível afirmar que o composto de P.aeruginosa encontrada em um outro local ou período terá o mesmo potencial terapêutico. “Pode ser que daqui um ano a mesma bactéria, da mesma mina, tenha um conjunto de fatores diferentes e o composto não seja mais produzido”, diz Bitencourt. Para ele, isso aumenta a importância de incentivos para projetos que estudem a biodiversidade da região amazônica. “A microbiota da Amazônia é pouco estudada e nos impede de explorar a diversidade desses grupos, não apenas para uso médico, mas também para a agricultura e para a exploração mineral”, aponta o autor.

Bitencourt explica que ainda não há previsão para a aplicação industrial do composto, mas a continuidade da pesquisa é fundamental para o desenvolvimento de produtos futuramente. “Os próximos passos serão a otimização do cultivo para termos um crescimento mais rápido do microrganismo e fomentar a maior produção do ramanolipídio. Depois faremos o genoma completo para busca de outros mecanismos de interesse industrial”, conclui.


Fonte: Agência Bori

Pesquisa revela substância em veneno de aranha que elimina células de câncer

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São Paulo, fevereiro de 2024 – A Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein e o Instituto Butantan, órgão ligado à Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, identificaram uma molécula obtida por um processo inovador com potencial para tratar o câncer extraída do veneno da aranha caranguejeira Vitalius wacketi, que habita o litoral paulista. 

A substância, sintetizada em laboratório no Butantan e purificada (ou seja, foram eliminados eventuais contaminantes, potencializando seu efeito) pelo Einstein, foi capaz de eliminar células de leucemia em testes in vitro. Resultado de uma trajetória de mais de 20 anos de estudos, a ferramenta que resultou na obtenção da molécula foi patenteada – processo conduzido pelas áreas de inovação de ambas as organizações. Agora, a pesquisa está madura o suficiente para alçar novos estágios de desenvolvimento, com novos parceiros.

A síntese da substância em laboratório, uma união de duas moléculas já conhecidas, feita pelo grupo do pesquisador Pedro Ismael da Silva Junior, do Laboratório de Toxinologia Aplicada do Butantan, permite obtê-la sem precisar extrair o veneno do animal, tornando o processo muito mais rápido. “Nós sintetizamos a molécula e observamos que a versão sintética mantém a atividade antitumoral detectada na toxina natural do veneno”, afirma o cientista.

Um dos grandes diferenciais do composto é que ele conseguiu matar as células tumorais por apoptose (morte programada), e não por necrose. Isso significa que a célula se autodestrói de forma controlada, sem causar uma reação inflamatória, diferente do mecanismo de grande parte dos medicamentos quimioterápicos hoje disponíveis.

“A morte por necrose é uma morte não programada na qual a célula colapsa, levando a um estado inflamatório importante. Já na apoptose a célula tumoral sinaliza ao sistema imune que está morrendo, para que ele remova posteriormente os fragmentos celulares”, explica o pesquisador do Einstein Thomaz Rocha e Silva, responsável pelos testes de ação antitumoral.

Existem outras estratégias no mercado capazes de induzir apoptose em células de câncer, como os anticorpos monoclonais, por exemplo, mas são tecnologias que exigem grande investimento e demandam tempo para produzir. De acordo com Thomaz, a nova molécula é pequena e o processo de síntese é muito mais simples e mais barato, o que pode facilitar uma eventual ida ao mercado e acesso ao produto.

“Outra vantagem é que, devido ao baixo peso molecular, é muito menos provável que haja problema de imunogenicidade – quando uma substância estranha no organismo provoca uma reação do sistema imune”, completa Pedro.

O composto conseguiu eliminar, inclusive, células leucêmicas resistentes a quimioterápicosO próximo passo é fazer testes em células de câncer de pulmão e de ossos. Além disso, a tecnologia será estudada em células humanas saudáveis para confirmar se não há toxicidade, isto é, se ela é seletiva e danifica somente as células cancerosas.

Devido ao potencial da invenção, as instituições patentearam o processo de produção da molécula. O objetivo é licenciar a tecnologia para uma empresa com capacidade de produzir em maior escala e desenvolver testes em animais – e, futuramente, em humanos, caso se prove segura e eficaz.

“Já fizemos um mapeamento de potenciais interessados e estamos em contato com algumas empresas. Isso poderá acelerar o estudo para que ele se torne um produto e possa chegar mais rápido aos pacientes”, diz o gerente de Inovação do Butantan, Cristiano Gonçalves.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o câncer é a segunda maior causa de morte no mundo, sendo responsável por cerca de 9,6 milhões de óbitos anualmente. “Com uma população em envelhecimento, a tendência é que na próxima década o câncer se torne a principal causa de morte, superando as doenças cardiovasculares”, aponta Thomaz.

A molécula obtida da aranha Vitalius wacketi é uma poliamina, um tipo de toxina abundante nos venenos. A equipe do pesquisador do Butantan Pedro Ismael, responsável pela síntese, é especializada em sintetizar moléculas extraídas da natureza para testar sua atividade contra microrganismos e identificar aquelas com potencial terapêutico. O cientista tem se dedicado, principalmente, ao estudo de substâncias provenientes da peçonha e do sangue de aranhas.

Nos últimos anos, em parceria com o grupo do Einstein liderado por Thomaz Rocha e Silva, os pesquisadores analisaram uma diversidade de toxinas extraídas de outras espécies do gênero Vitalius, e a de Vitalius wacketi mostrou uma atividade mais promissora. A purificação da molécula foi possível graças a uma nova técnica de cromatografia desenvolvida por Thomaz em 2010, específica para poliaminas. Ele estuda a atividade biológica do veneno de aranhas caranguejeiras há cerca de 20 anos. Em colaboração com a área de inovação do Einstein, foi possível avançar um degrau importante nesse desenvolvimento.

“Somos um ecossistema de inovação em saúde capaz de enxergar e analisar essas oportunidades, estudar o potencial de comercialização e transformá-las de fato em patentes, de forma que tenham um impacto real no sistema de saúde”, afirma Denise Rahal, gerente de parcerias e operações de inovação da organização.

Ibama mostra que 6 dos 10 agrotóxicos mais vendidos no Brasil em 2022 causam câncer e outras doenças graves

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Em seu última publicação da série de Boletins Anuais sobre defensivos, elaborados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o relatório revela quais foram os 10 agrotóxicos mais vendidos [ingredientes ativos] em 2022. De acordo com os dados analisados, as moléculas mais comercializados, em toneladas, foram: Glifosato e seus sais; 2,4-D; Atrazina, Mancozebe; Acefato; Clorotalonil, Dibrometo de Diquat, Glufosinato – Sal de Amônio, Clorpirifós e Metomil.

Os Boletins Anuais sobre agrotóxicos, elaborados pelo Ibama são documentos informativos, construídos a partir das informações constantes nos Relatórios de Produção, Importação, Comercialização e Exportação (fonte primária), após análise e tratamento dos dados recebidos, com o objetivo de disponibilizar e dar esclarecimento, a qualquer interessado, acerca das quantidades consolidadas de ingredientes ativos, em toneladas, comercializados no ano-base de sua publicação.

Os dados sintetizados sobre a comercialização de agrotóxicos mostram que em 2022 Em 2022, um total de 232 empresas titulares de registro de produtos defensivos enviaram ao Ibama relatórios autodeclaratórios de Produção, Importação, Comercialização e Exportação de defensivos por produto registrado, em atendimento ao art. 41 do Decreto n° 4.074/2002. Foram recebidos 4.025 relatórios de produtos formulados (PF) e 2.241 relatórios de produtos técnicos (PT), totalizando 6.266 relatórios anuais.

A posição desses agrotóxicos mais vendidos em 2022 mantém basicamente o que já ocorreu em 2020 e 2021, conforme documentado pela professora aposentada da Universidade Federal de Santa Catarina, Sonia Heiss. E é aí que a porca torce o rabo, pois a professora Heiss apurou, pelo menos 7 desses agrotóxicos foram identificados como potenciais causadores de diversas doenças, incluindo câncer e alterações no sistema endócrino.

Abaixo a descrição das doenças que podem ser causadas pela exposição aos agrotóxicos mais vendidos no Brasil em 2022:

  • Acefato: Inseticida e acaricida que, segundo estudos de 2017, é citotóxico e genotóxico sobre espermatozoides humanos. Além disso, pesquisas de 2016 o associam ao desenvolvimento do diabetes tipo 2, hiperglicemia, disfunção no metabolismo de lipídios, danos ao DNA e câncer.
  • Atrazina: Estudos realizados em 2017 apontaram que o herbicida está associado ao aparecimento de diversos tipos de câncer, como de estômago, linfoma não-Hodgkin, próstata, tireóide, ovário, mal de Parkinson, asma, infertilidade e baixa qualidade do sêmen. E também malformações congênitas/teratogênese.
  • Clorotalonil: Fungicida causador de desregulação endócrina, conforme mostrou estudo de 2019.
  • Clorpirifós: Segundo pesquisas realizadas em 2017 e 2018, o inseticida está associado ao surgimento de diversos tipos de câncer, como no cérebro, pulmão, colorretal, leucemia e sarcoma de tecidos moles. Além disso, mal de Parkinson, asma, infertilidade, malformações congênitas, disfunções sexuais, desordem do déficit de atenção e hiperatividade (ADHD), autismo, atrasos no desenvolvimento. Sem contar intoxicações agudas severas e danos ao sistema nervoso central.
  • Glifosato: Classificado como potencialmente cancerígeno pela Agência Internacional para a Pesquisa sobre Cancer (IARC) desde 2015, o glifosato também tem sido associado principalmente ao desenvolvimento do linfoma de non-Hodgkin.
  • Mancozebe: Pesquisa de 2017 aponta que o fungicida e acaricida causa câncer de tireóide.

Situação deve piorar com a promulgação do Pacote do Veneno

Se a situação já está grave, a recente promulgação da Lei 14.785 de 27 de dezembro de 2023 (o famigerado Pacote do Veneno) deverá aprofundar a liberalização da importação, produção e comercialização desses agrotóxicos altamente prejudiciais à saúde humana e ao meio ambiente, inclusive para os que causam câncer e o extermínio de polinizadores.

Aliás, há que se enfatizar que muito provavelmente os representantes da bancada ruralista inseriram cláusulas específicas sobre a permanência de agrotóxicos cancerígenas na Lei 14.785 com base nos dados recolhidos pelo Ibama, o que torna importante a divulgação dos mesmos para além dos representantes do latifúndio agro-exportador e dos fabricantes de venenos agrícolas.

Mas uma certeza seguindo o que está estipulada pela primeira Lei de Murphy que é “se alguma coisa tem a mais remota chance de dar errado, certamente dará.”

A luta contra o Pacote do Veneno continua!

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Por Emiliano Maldonado l Brasil de Fato RS 

No raiar do dia 28 de dezembro de 2023, foi publicado no Diário Oficial a Lei nº 14.785/2023, que: Dispõe sobre a pesquisa, a experimentação, a produção, a embalagem, a rotulagem, o transporte, o armazenamento, a comercialização, a utilização, a importação, a exportação, o destino final dos resíduos e das embalagens, o registro, a classificação, o controle, a inspeção e a fiscalização de agrotóxicos, de produtos de controle ambiental, de seus produtos técnicos e afins; revoga as Leis nºs 7.802, de 11 de julho de 1989, e 9.974, de 6 de junho de 2000, e partes de anexos das Leis nºs 6.938, de 31 de agosto de 1981, e 9.782, de 26 de janeiro de 1999.

O chamado “Pacote do Veneno” havia sido aprovado após um grande “acordão” no Senado federal, no final de novembro, e aguardava sanção presidencial. Nas últimas semanas esse grave retrocesso legislativo enfrentou forte oposição de diversos setores da sociedade, que se mobilizaram nas redes em defesa do veto presidencial ao PL.

Inclusive, o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) e o Ibama pediram vetos ao presidente Lula. Desde 2018, diversas entidades como AnvisaIbamaMinistério Público do TrabalhoMinistério Público Federal, e até relatores da ONU e da CIDH se manifestaram contra o Pacote do Veneno. Recentemente, técnicos da Anvisa chegaram a dizer que o Pacote do Veneno coloca ‘vidas brasileiras em risco’Abrasco e a Associação Brasileira de Agroecologia também se manifestaram pelo veto.

Diante dessa forte mobilização social e científica, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva impôs 14 vetos ao Projeto de Lei 1459/2022. Vetos importantes que demonstram que as críticas e alertas estavam adequadas, porém, insuficientes. Ou seja, os vetos são fruto das intensas mobilizações, críticas e inconstitucionalidades apontadas por especialistas e movimentos populares sobre os riscos ambientais e à saúde pública relacionados à aprovação açodada do Pacote do Veneno e ao atual modelo de produção do agronegócio.

Contudo, apesar do reconhecimento de que esses vetos são reflexo da ampla rejeição da sociedade civil a essa mudança orquestrada pela bancada ruralista no congresso, pouco temos a comemorar neste final de ano.

O que se verifica de uma análise atenta do inteiro teor desta nova Lei é que seus verdadeiros objetivos não são promover uma modernização do atual marco regulatório, pelo contrário a legislação da década de 80 era muito melhor do ponto de vista da técnica jurídica e agrícola.

Em verdade, o novo texto é confuso, fraco e inconstitucional, já que seu verdadeiro objetivo era o desmonte completo do sistema tripartite vigente, que buscava abarcar o olhar dos órgãos de agricultura, da saúde e do meio ambiente. Parte desse retrocesso, inclusive, foi vetado pelo executivo. No entanto, como a visão de centralizar nas mãos do “agro” (Mapa) consta em todo o texto, somente um veto total seria capaz de extirpar os riscos de deixar “a raposa cuidando do galinheiro”.  

Outro aspecto gravíssimo que salta aos olhos refere-se à retirada dos critérios proibitivos (câncer, mutagênese, desregulação hormonal, má-formações fetais, etc.) que existiam expressamente na legislação anterior e que na nova sequer são mencionados. Tal inconstitucionalidade material coloca em risco os direitos à vida e à saúde, previstos no caput dos art. 5º e art. 6º da Constituição Federal de 19888, pois retrocede significativamente na proteção à saúde e ignora os alertas do Inca, Abrasco, assim como as dezenas de pesquisas científicas recentes que apontam a relação e efeitos dos agrotóxicos na ampliação dos casos de câncer e autismo.

Outro aspecto grave refere-se à lógica colonial e dependente que estrutura as cadeias produtivas das grandes corporações agroalimentares sediadas nos países do Norte Global, pois segundo o novo art. 17 observa-se que produtos destinados para a exportação não necessitarão adotar os mesmos padrões de qualidade e proteção, tendo procedimentos simplificados. Esse aspecto, em verdade, resultará nas chamadas zonas de sacrifício, nas quais se coloca em risco nossos trabalhadores, nossa natureza e bens comuns para servir como espaços de produção química destinada para outros países do sul global.

A nova lei, portanto, abre margem para que sejamos palco de um desastre químico aos moldes de Bhopal. Será que não vamos aprender com os crimes da Vale e da Braskem?! Se era para modernizar o marco regulatório, não é chegada à hora de proibir os agrotóxicos banidos? Até quando seguiremos consumindo substâncias químicas proibidas na União Europeia e aceitar ser envenenados?

Poderia seguir numerando os vários retrocessos, seja porque a nova lei não observa os princípios da precaução e da vedação ao retrocesso socioambiental e climático, ambos atrelados ao direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, previstos no caput do art. 225 da Constituição, seja pelos graves retrocessos na proteção à saúde, aos direitos reprodutivos das mulheres, das crianças e adolescentes, ao direito humano à alimentação adequada, direitos do consumidor da nossa população.

No entanto, para além deste texto, essas inconstitucionalidades latentes serão demonstradas técnica e cientificamente por várias entidades da sociedade civil que pretendem questionar perante o Supremo Tribunal Federal a aprovação dessa nova lei. Caberá novamente ao STF evitar que a boiada siga passando e que a ganância da bancada ruralista e das corporações transnacionais prevaleça sobre os direitos humanos, econômicos, sociais e ambientais que estão sendo vilipendiados pela aprovação do “Pacote do Veneno”.

Porém, como sabemos o direito não é algo dado, ele emerge das lutas sociais, ou melhor, como diria Lyra Filho: o Direito não é; ele se faz, nesse processo histórico de libertação (…) nasce na rua, no clamor dos espoliados e oprimidos”.

Por isso, sabemos que precisamos seguir mobilizados e em luta, demonstrando o dever constitucional do STF proteger nossos direitos fundamentais e, sobretudo, de evitar que o negacionismo científico e que o modelo agrícola vigente se alastre completamente e destrua o que nos resta de territórios, fontes de água e de produção de alimentos sem veneno.

Assim, os vetos são uma pequena vitória, mas a luta, a luta segue, pois precisamos que seja reconhecido que essa nova lei é amplamente inconstitucional! 

Além disso, o atual governo precisa dar sinais mais claros de que irá promover políticas públicas que estimulem a reforma agrária e a agroecologia, as quais são a forma mais eficiente e ecológica de produzir alimentos saudáveis para toda a sua população, sob pena de que o discurso esverdeado proferidos nos foros internacionais caia em mera retórica ambientalista e que as forças sociais que o elegeram percam a esperança de que estamos caminhando para um novo tempo, tempo de avançar! 

* Professor, pesquisador e advogado. Professor da Universidade Federal do Rio Grande (Furg). Pesquisador fundador do Instituto de Pesquisa, Direitos e Movimentos Sociais (IPDMS). Membro da Rede Nacional de Advogadas e Advogados Populares (Renap); da coordenação do Comitê de Combate à Megamineração no Rio Grande do Sul (CCM/RS) e da Campanha Permanente de Combate aos Agrotóxicos e Pela Vida. 

SBCO reforça alerta sobre “chip da beleza” destacando possível relação com câncer

Implantes hormonais estão sendo prescritos indevidamente como estratégia para emagrecimento, tratamento da menopausa, antienvelhecimento, redução da gordura corporal e aumento da libido e da massa muscular. Prática está associada com casos de infarto agudo do miocárdio, de tromboembolismo e de acidente vascular cerebral. Além disso, a Organização Mundial da Saúde classifica essas substâncias como provavelmente carcinogênicas a humanos

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A Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) reforça a preocupação com o uso crescente no Brasil de implantes hormonais, conhecidos como “chip da beleza”. Não aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso comercial e produção industrial, os implantes hormonais são manipulados, não possuem bula ou informações adequadas de farmacocinética, eficácia ou segurança. A exceção é o implante de etonogestrel, chamado de Implanon, que é aprovado como anticoncepcional.

Chamados de “chip da beleza”, os implantes são prescritos como estratégia para emagrecimento, tratamento da menopausa, antienvelhecimento, redução da gordura corporal, aumento da libido e da massa muscular. No entanto, não há dose segura para o uso de hormônios para fins estéticos ou de performance e os efeitos colaterais dos dispositivos podem ser imprevisíveis e graves, com os riscos ultrapassando qualquer possível benefício, conforme carta de sete sociedades médicas enviada à Anvisa. O documento é um pedido público de providências quanto ao uso indiscriminado de implantes hormonais no Brasil.

A SBCO destaca a Resolução do CFM (Nº 2.333, de 30 de março de 2023) como um importante passo a ser devidamente seguido, por ser uma diretriz que norteia a atuação dos médicos em relação às terapias de reposição hormonal, especificamente no uso de esteroides androgênicos e anabolizantes. “A definição das diretrizes, baseadas em evidência científica, são importantes para nortear possíveis indicações. Muitas mulheres têm usado testosterona nos últimos anos, porém carecemos de dados de segurança quanto ao uso de andrógenos ou outros hormônios e o risco de desenvolvimento ou piora de quadros de neoplasias malignas”, destaca o cirurgião oncológico Rodrigo Nascimento Pinheiro, presidente da SBCO e titular do Hospital de Base, de Brasília.

Implantes hormonais e câncer

A Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica observa que os esteroides androgênicos e anabolizantes são considerados substâncias provavelmente carcinogênicas a humanos (Categoria 2A), segundo a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer da Organização Mundial da Saúde (IARC/OMS). A entidade classifica o risco de câncer das diferentes etiologias (causas) em quatro grupos: Grupo 1: O agente é carcinogênico a humanos / Grupo 2A: O agente provavelmente é carcinogênico a humanos / Grupo 2B: O agente é possivelmente carcinogênico a humanos e Grupo 3: O agente não é classificado como carcinogênico a humanos.

A SBCO acredita que o debate profundo e permanente entre as sociedades médicas, comunidade científica, CFM, Anvisa e demais tomadores de decisão, deva ser ainda mais abrangente em relação às terapias hormonais. Segundo a entidade, vários aspectos relevantes merecem ser destacados sobre esta modalidade de terapia de reposição hormonal (TRH):

– Não existe aprovação de uso pela ANVISA.
– Estes implantes são colocados no subcutâneo (gordura) e a liberação destes homônimos ocorre de maneira não controlada e irregular.
– Da mesma maneira que os androgênios, não existem estudos que demonstrem a segurança desta forma de reposição hormonal, podendo acarretar aumento de risco para câncer de mama e outros órgãos. 
– Outro grave problema ocorre quando a paciente desenvolve câncer de mama na vigência de TRH com implante, já que a remoção destes implantes é muito difícil tecnicamente de ser adequadamente realizada, o que acarreta um nível sérico elevado destes homônimos por um longo período, dificultando sobremaneira o tratamento do câncer de mama.

Sobre a SBCO

Fundada em 31 de maio de 1988, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) é uma entidade sem fins lucrativos, com personalidade jurídica própria, que agrega cirurgiões oncológicos e outros profissionais envolvidos no cuidado multidisciplinar ao paciente com câncer. Sua missão é promover educação médica continuada, com intercâmbio de conhecimentos, que promovam a prevenção, detecção precoce e o melhor tratamento possível aos pacientes, fortalecendo e representando a cirurgia oncológica brasileira. É presidida atualmente pelo cirurgião oncológico Rodrigo Nascimento Pinheiro (2023-2025).

1 em cada 10 casos de melanoma ocorrem em pessoas que herdaram mutação genética

O Melanoma Familial é uma síndrome clínica que, além de responsável por 10% dos casos de melanoma, está associada com aumento da predisposição para câncer de pâncreas, mama, rim e no sistema nervoso central. A identificação dos grupos de risco e acompanhamento são ações fundamentais para o diagnóstico precoce e a redução de mortalidade. No Brasil, o melanoma representa apenas 3,9% dos casos de câncer de pele, mas responde por 43% das mortes

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Embora o melanoma represente apenas 3,9% do total de casos de câncer de pele no Brasil, esta doença é responsável por 43% das mortes. O alerta é da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica, com base nas estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para cada ano do triênio 2023-2025. Em números, devem ser diagnosticados, no período, 229.460 novos casos anuais de câncer de pele (destes, serão 8.980 melanomas). Já o Atlas de Mortalidade por Câncer (SIM) do Ministério da Saúde, mostra que em 2019 foram registradas 4.594 mortes por câncer de pele, sendo que 1.978 delas foram por melanoma.

Portanto, embora apenas 4 entre 10 casos de câncer de pele diagnosticados no Brasil sejam melanoma, é alarmante o fato desta doença representar quase metade das mortes por tumores cutâneos. Esse cenário amplia a atenção, inclusive, para o Melanoma Familial, uma síndrome clínica que responde por cerca de 10% dos casos de melanoma. As mutações mais frequentes nesta síndrome hereditária são nos genes CDKN2A, CDK4, MC1R e BAP1. O risco de desenvolvimento da doença chega a ser sete vezes maior nos portadores de mutação genética.

“Quando essas mutações genéticas são herdadas, os pacientes e seus familiares se tornam mais suscetíveis a desenvolver o tumor. Sendo assim, eles devem realizar exame clínico regularmente, geralmente uma vez por ano, para a detecção de melanomas precoces”, adverte o cirurgião oncológico João Pedreira Duprat Neto, coordenador da Comissão de Neoplasias da Pele da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) e diretor no Centro de Referência de Oncologia Cutânea do A.C.Camargo Cancer Center.

As mutações do melanoma familial e o risco para outros tipos de câncer

De acordo com as diretrizes do National Comprehensive Cancer Network (NCCN), os genes herdados que aumentam o risco de melanoma podem ainda elevar o risco de outros tipos de câncer. A pessoa pode estar enquadrada na síndrome de melanoma hereditário se houver histórico familiar de:

– Melanoma cutâneo, especialmente entre múltiplos parentes de sangue, ou melanoma ocular (uveal);
– Câncer de pâncreas, rim ou mama;
– Astrocitoma (câncer do cérebro ou medula espinhal);
– Mesotelioma (câncer do tecido que cobre os órgãos internos). Existem vários genes anormais (mutados) relacionados ao melanoma hereditário. Eles incluem: mutação no gene CDKN2A, que é a mutação genética mais comum. Também é chamada de p16INK4A ou MTS1. Muitos casos de melanoma em idade jovem também são motivo de alerta. O gene do receptor de melanocortina-1 (MC1R), que ajuda a determinar a cor da pele. O MC1R pode determinar se a pessoa ou seus familiares têm cabelos ruivos e/ou peles claras, o que aumenta o risco de desenvolver melanoma;
– Mutações no gene BAP1, que podem causar melanoma uveal e cutâneo.

Outros fatores de risco para melanoma familial e o papel do diagnóstico precoce

Além do histórico familiar, existem outros fatores utilizados como marcadores para medir o risco de síndrome de melanoma familial, como indivíduos com mais de cem pintas ou com pintas consideradas atípicas, ou seja, com bordas irregulares e com mais de uma cor, são mais propensas a desenvolver melanomas. Caso esses pacientes que estejam no grupo de risco não sejam identificados e tratados adequadamente, poderão morrer em decorrência da enfermidade. Por outro lado, com o diagnóstico precoce, é possível quase zerar a mortalidade. 

Proporcionalmente, as chances de cura (sobrevida em cinco anos) de um melanoma com até 1 milímetro (mm) de profundidade são de 90%. Sendo assim, é necessário sempre observar na pele a presença de feridas que não cicatrizam ou manchas e pintas que crescem rapidamente e mudam de cor e formato, e procurar um dermatologista caso note alguma diferença ou anormalidade. “Outro cuidado essencial é não se expor ao sol sem os devidos cuidados e por muito tempo”, frisa Duprat. 

O especialista acrescenta que, quando diagnosticado precocemente, além de serem maiores as chances de cura, há menor risco de cicatrizes e outras sequelas que afetam a qualidade de vida do paciente. O cuidado começa na prevenção, evitando a exposição sem proteção aos raios solares, principalmente entre às 10h e 16h. É recomendável o uso de filtro solar e proteção física, como óculos e chapéus. “Ademais, a atenção aos sinais na pele é fundamental e, na observação de alterações, por exemplo, em determinadas pintas, consultar um dermatologista”, explica João Pedreira Duprat Neto. Outra recomendação é que as pessoas se protejam do sol usando protetor solar com o fator indicado para o seu tom de pele, mesmo em dias nublados e reaplicando no decorrer do dia. 

Aconselhamento e Teste Genético

A depender do histórico clínico e familiar, pode ser indicada a realização de testes multigênicos, que podem ajudar os médicos a identificar se a pessoa tem um risco genético maior de desenvolver melanoma e outros tipos de câncer. Essas informações podem auxiliar a orientar recomendações para monitoramento e detecção precoce dos pacientes seus familiares. O paciente pode ser encaminhado para aconselhamento genético e teste de mutação em p16/CDKN2A se houver o histórico de três ou mais casos de diagnóstico de melanomas cutâneos invasivos, câncer de pâncreas e/ou astrocitomas (câncer do cérebro ou da medula espinhal) na família. Também podem ser necessários testes para outros genes que podem abrigar mutações predisponentes ao melanoma.

Caso se identifique uma mutação associada com maior risco para desenvolvimento de melanoma, é recomendável que o paciente seja encaminhado para acompanhamento em um ambulatório especializado, que poderá realizar o mapeamento dos sinais (pintas na pele), acompanhando a possível evolução destas lesões, com dermatoscopia digital, microscopia confocal e outras tecnologias, com foco na prevenção e diagnóstico precoce de lesões potencialmente malignas.

Informações importantes para a população

⮞A pele é o maior órgão do corpo humano;
⮞ A pele protege contra invasores, ajudando a controlar a temperatura corporal e permitindo sensações de toque, calor e frio;
⮞ A melanina é o pigmento (produto químico) da pele que lhe dá cor e a protege dos nocivos raios ultravioletas (UV);
⮞ O melanoma é uma forma grave de câncer de pele, mas também é curável se for diagnosticado precocemente;
⮞ A principal causa do câncer de pele é a exposição à radiação UV, que vem principalmente do bronzeamento excessivo e do uso de aparelhos de bronzeamento;
⮞ Os fatores físicos genéticos que podem aumentar as chances de desenvolver câncer de pele incluem pele mais clara, tendência a queimaduras solares e muitas manchas.
⮞ Seu histórico médico pode desempenhar um papel no desenvolvimento do melanoma, incluindo queimaduras solares frequentes, bolhas, antecedentes de câncer de pele e um sistema imunológico enfraquecido;
⮞ Algumas famílias partilham genes anormais que as colocam em risco de melanoma. Seu médico avaliará se você tem melanoma hereditário com base em seu histórico e no histórico de câncer de sua família.

Referências bibliográficas

Ferlay J, Colombet M, Soerjomataram I, Parkin DM, Piñeros M, Znaor A, Bray F. Cancer statistics for the year 2020: An overview. Int J Cancer. 2021 

Estimativa 2023: incidência do Câncer no Brasil. Rio de Janeiro: INCA, 2022. Disponível em: https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/cancer/numeros/estimativa Acesso em: 12 dez 2023

Swetter SM, Thompson JA, Albertini MR, Barker CA, Baumgartner J, Boland G, Chmielowski B, DiMaio D, Durham A, Fields RC, Fleming MD, Galan A, Gastman B, Grossmann K, Guild S, Holder A, Johnson D, Joseph RW, Karakousis G, Kendra K, Lange JR, Lanning R, Margolin K, Olszanski AJ, Ott PA, Ross MI, Salama AK, Sharma R, Skitzki J, Sosman J, Wuthrick E, McMillian NR, Engh AM. NCCN Guidelines® Insights: Melanoma: Cutaneous, Version 2.2021. J Natl Compr Canc Netw. 2021 Apr 1;19(4):364-376.

Sobre a SBCO

Fundada em 31 de maio de 1988, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) é uma entidade sem fins lucrativos, com personalidade jurídica própria, que agrega cirurgiões oncológicos e outros profissionais envolvidos no cuidado multidisciplinar ao paciente com câncer. Sua missão é também promover educação médica continuada, com intercâmbio de conhecimentos, que promovam a prevenção, detecção precoce e o melhor tratamento possível aos pacientes, fortalecendo e representando a cirurgia oncológica brasileira. É presidida pelo cirurgião oncológico Rodrigo Nascimento Pinheiro (2024-2026).

Por causar contaminação ambiental e câncer, Costa Rica decide banir o fungicida Clorotalonil

Will Chlorothalonil Water Contamination In Costa Rica Come To An End? |  MENAFN.COM

Por Tico Times

O agrotóxico clorotalonil foi oficialmente proibido na Costa Rica depois que o presidente Rodrigo Chaves assinou um decreto oficial proibindo seu uso.

A degradação do Clorotalonil no solo depende de diversos fatores e pode gerar metabólitos que preocupam a saúde e o meio ambiente. Foi identificado que este produto químico pode ser altamente tóxico para peixes e invertebrados aquáticos, principalmente quando aplicado em períodos de chuvas.

Além disso, o clorotalonil é classificado como provável carcinógeno humano pela Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC) e é considerado um potencial desregulador endócrino com efeitos no desenvolvimento embrionário.

A Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) concluiu que existem preocupações críticas relacionadas com a contaminação das águas subterrâneas pelos metabolitos do clorotalonil.

Em abril de 2023, após relatório técnico emitido pelo Ministério da Saúde, Ministério do Meio Ambiente e Energia e Instituto Costarriquenho de Aquedutos e Esgotos, foram estabelecidas diversas recomendações para o manejo do pesticida clorotalonil, entre as quais a proibição de seu uso foi solicitado.

A Câmara Constitucional, por sua vez, estabeleceu a obrigatoriedade do cumprimento do disposto no relatório, e, por isso, após uma série de reuniões e esforços interinstitucionais, o Ministério da Saúde, o Ministério do Meio Ambiente e Energia e o Ministério da Agricultura e Pecuária assinou o decreto proibindo o uso do clorotalonil.

“Parece-me uma grande vitória para o movimento ambiental que conseguiu, através de ações administrativas e judiciais, demonstrar aos empresários e ao Poder Executivo que devemos pensar nas gerações futuras e na proteção de bens altamente frágeis e finitos”, comentou Alvaro Sagot , advogado ambiental. Os Ministérios da Saúde, do Ambiente e da Energia e da Agricultura e Pecuária da Costa Rica estão a trabalhar em estreita colaboração para formular uma política abrangente de gestão do uso de agrotóxicos que procura reduzir os riscos associados à contaminação que eles causam.


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Este texto escrito originalmente em inglês foi publicado pelo “Tico Times” [Aqui!].

Aprovação do Pacote do Veneno é repudiada pela sociedade, que pede a Lula o veto

Aprovada nesta terça (28) no Senado, proposta é rejeitada por mais de 2 milhões de brasileiros. Se for sancionada, o Brasil terá mais dificuldades para regular e fiscalizar os agrotóxicos. E brechas para liberar inclusive aqueles que causam câncer e malformações congênitas, o que a lei atual veta

pacote-venenoHouve apenas um voto contra o Pacote do Veneno, o da senadora Zenaide Maia (PSD-RN)

São Paulo – Movimentos e organizações populares urbanas e rurais, além de parlamentares e entidades do terceiro setor, expressaram repúdio e preocupação com a aprovação do Pacote do Veneno nesta teça-feira (28), no Senado o Projeto de Lei (PL) 1459/2022, conhecido como PL do Veneno, nesta terça-feira (28) no Senado. O Projeto de Lei 1459/2022, que facilita o registro, produção, venda e exportação, dificulta a fiscalização, teve apenas um voto contrário, o da senadora Zenaide Maia (PSD-RN).

Agora segue para sanção ou veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Especialistas brasileiros e estrangeiros alertam para os riscos à saúde pública, incluindo a possibilidade de liberação de agrotóxicos cancerígenos e causadores de malformações fetais.

A Frente Parlamentar Mista Ambientalista, coordenada pelo deputado federal Nilto Tatto (PT-SP) se manifestou contrariamente à aprovação. Em vídeo (confira no final da reportagem), o parlamentar destaca os malefícios trazidos com o Pacote do Veneno. “Diante desse cenário, é fundamental que o presidente Lula vete o projeto. Nosso apelo é para uma mobilização conjunta, unindo esforços para garantir a proteção da saúde e do meio ambiente”, disse Tatto..

Em nota, a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida diz que o Brasil perdeu a oportunidade de apontar para um futuro de agricultura sustentável, e optou, ao invés disso, pelo retrocesso de uma lei que deixa inclusive brechas para o registro de agrotóxicos cancerígenos.

“Mais uma vez, a bancada ruralista mostra seu caráter arcaico ao aprovar uma lei em defesa de seus próprios interesses, que nada têm a ver com a vontade da sociedade e as necessidades de um mundo em pleno colapso ambiental”, declarou a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida.

PL tem rejeição de quase 2 milhões de brasileiros

O Pacote do Veneno enfrenta a rejeição de quase 2 milhões de brasileiros e de mais de 300 organizações e órgãos públicos, como a Fiocruz, Inca, Anvisa e Ibama, que assinaram em 2018 um abaixo-assinado contra a proposta. Há também alerta internacional: Até mesmo a Organização das Nações Unidas (ONU) enviou carta ao então governo de Michel Temer (MDB) e à presidência do Congresso Nacional pedindo o arquivamento. Segundo a Agência Pública, 14 mil pessoas foram intoxicadas por agrotóxicos durante o governo Bolsonaro, que apoiava o PL do Veneno.

Alexsandra Rodrigues, dirigente nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), afirmou que a aprovação “é um retrocesso muito grande, não só para classe trabalhadora, que produz o alimento, mas também para toda a população, que infelizmente vai se deparar hoje com mais alimentos com mais veneno”.

Bárbara Loureiro, também integrante do MST, destacou que “não há uma convivência possível com os agrotóxicos nos nossos territórios, sobretudo porque os efeitos dos agrotóxicos utilizados não se restringem só onde ele é aplicado, mas atinge também as comunidades rurais, cidades vizinhas, os córregos, os rios, as águas e os alimentos que chegam à população”.

A porta-voz do Greenpeace Brasil, Mariana Campos, criticou a aprovação do projeto, especialmente no contexto da COP28 em Dubai. “Na semana em que a 28ª Conferência do Clima se inicia em Dubai, é uma vergonha para o Brasil a aprovação do PL 1.459/22, que vai colocar ainda mais agrotóxicos na comida da população brasileira e que contamina o meio ambiente, priorizando um modelo tóxico e insustentável de produção de alimentos.”

O geneticista Rubens Onofre Nodari, professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), classificou como “inadmissível” a aprovação de “tamanho retrocesso” no Senado, ao comentar a tramitação do PL na CMA.

O especialista alerta para outra proposta perigosa contida no PL: a concentração de toda a autoridade sobre os agrotóxicos ao Ministério da Agricultura, que costuma ser controlado por ruralistas, principais interessados na aprovação do Pacote do Veneno.

A mudança ainda contraria a divisão tripartite desde 1989, envolvendo os ministérios do Meio Ambiente e da Saúde nas avaliações. Entidades ligadas ministérios, como o Ibama e a Anvisa, que foram debilitadas devido aos sucessivos cortes de orçamento dos últimos anos, ficam à margem do controle das substâncias nocivas utilizadas na agricultura.

O professor e pesquisador da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) Marcos Pedlowski destacou outra questão: A provável transformação do Brasil em uma espécie de parque industrial dos agrotóxicos banidos em outras partes do mundo, justamente devido à capacidade de causar doenças graves, incluindo diversos tipos de câncer.  “Essa facilitação para a produção de agrotóxicos com conhecido potencial cancerígeno está alinhada com o esforço de aprovação do acordo comercial Mercosul-União Europeia”, lembrou.

Segundo o especialista, que monitora as liberações de “novos agrotóxicos”, que neste governo tende a quebrar o recorde de Jair Bolsonaro (PL), vai além: “É preciso lembrar que as multinacionais europeias como a Bayer e a Basf enfrentam uma oposição crescente em relação a alguns de seus ‘campeões de venda’, como é o caso do glifosato,.e agora poderão transferir a produção desses venenos para território brasileiro, especialmente se o acordo comercial for assinado.”

Redação: Clara Assunção e Cida de Oliveira, com Brasil de Fato


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Este texto foi originalmente publicado pela Rede Brasil Atual [Aqui!].

Decisão histórica garante que cidade argentina com número recorde de casos de câncer se torne uma zona livre de agrotóxicos

sastre

Os produtores agrícolas de Sastre, no Conselho Deliberativo, manifestaram-se contra a decisão de ampliar a zona de prevenção para 1000 metros

Por Patrícia Chaina para o Página 12

Quando Ainalén Viñuela acordou numa manhã de 2018 e viu pela sua janela o temível “mosquito” – nome coloquial para este tipo de máquina agrícola – fumigando um campo a menos de 100 metros da sua casa, ela sabia que “alguma coisa tinha que mudar em Sastre”, a pequena cidade de Santa Fé onde ele mora. Foi difícil, houve hostilidade dos produtores agrícolas e apenas 50 vizinhos aderiram à luta. Mas esta semana a Suprema Corte de Justiça (CSJ) de Santa Fé decidiu a favor dos moradores autoconvocados de Sastre : delimitou uma zona de exclusão de 1.000 metros no entorno da cidade, para aplicação de agrotóxicos

Com esta decisão histórica, Sastre y Ortiz, nome oficial da cidade localizada no centro-oeste da província, não será mais “uma cidade fumigada ” . E se torna a primeira cidade de Santa Fé a conseguir essa distância preventiva e a segunda do país; a primeira é Pergamino, na província de Buenos Aires.

O mosquito fumigador

A decisão do CSJ retoma decisão do Tribunal de Justiça de Rafaela de 2021, e contempla o alarmante nível de casos de pessoas com câncer nesta cidade de 7 mil habitantes . Sastre faz parte do núcleo de produção extensiva de soja, milho e trigo.

Embora os vizinhos estivessem se organizando desde 2014, a reclamação judicial teve seu epicentro em 2018, quando Ainalén decidiu levar o assunto ao Conselho Deliberativo. “Ela organizou o recolhimento de assinaturas para levar ao município ”, lembra Ruth Oitana, mãe de dois filhos e cujo marido tinha linfoma. E passaram a ir ao Deliberativo todas as quintas-feiras . Eles procuraram expandir a zona de exclusão ao redor da cidade “que mal chegava a 100 metros”. 

Os produtores rurais aliados ao município só concordaram em estender a restrição para 200 e depois para 400 metros. Quando os vereadores tentaram levá-la para 500 metros de distância, “eles ficaram furiosos”. “Houve sessões com mais de 50 caminhões 4×4 em frente ao município”, lembram os moradores de Sastre.E a hostilidade contra aqueles que reclamaram tornou-se manifesta. Mas os vizinhos não cederam. Fizeram “mapeamento de casa em casa colocando um ponto vermelho” onde havia caso de câncer. “Foi chocante ver o mapa cheio de pontos vermelhos”, lembram.

A Universidade Nacional de Rosário validou a amostra. Em 2017, foi realizada uma série de “acampamentos de saúde” em oito cidades rurais da província. Sastre acabou sendo o local com maior índice de casos de câncer na região. Mas quando os vizinhos quiseram reportar os resultados na Deliberativa, a Prefeitura se opôs.

Eles o compartilharam na Biblioteca Popular da cidade. “Em questão de minutos tudo estava organizado”, lembram. E confirmaram a tragédia: entre as substâncias tóxicas que mais ameaçam a saúde humana, destacou-se o infelizmente famoso “glifosato ”. É amplamente utilizado na área para capina. Permanece durante anos na água e no solo . Ele se expande no meio ambiente. “Mas quando começaram a vender disseram que era inofensivo”, lembra o jornalista alfaiate Luis Blanco. No entanto, os casos de câncer estavam se multiplicando.

Little Zoe, o caso que despertou a consciência

Em outubro de 2018 , Zoe Giraudo, de dois anos, apresentou linfoma cujas possíveis causas eram fatores ambientais. Ela morava em frente aos campos “por onde o mosquito fumigador havia passado em fevereiro”, descreve Ruth. Em novembro “os pais de Zoe foram recebidos pelo Procurador-Geral do CSJ de Santa Fé, que ficou com o caso”, lembra esta mãe. Foi assim que nasceu a reivindicação judicial na forma de uma “proteção ambiental coletiva”, explica.

A hostilidade cresceu. Os produtores identificaram os signatários da proteção. Aqueles que tinham “relacionamento com Muni” foram demitidos. Ainda há ações trabalhistas”, ressaltam. Ainalén estava prestes a perder o emprego. Mas ele continuou lutando: “Não queria esperar ter a doença para começar a reclamar”, declarou então.

O amparo foi apresentado e o juiz Daniel Zoso emitiu medida cautelar para 400 metros. Mas em janeiro os produtores entraram como interessados ​​no caso e “desistiram da medida cautelar”. “A cidade fica desprotegida, em plena feira judicial”, diz Luis. O caso volta a zero e segue para a Vara Cível e Comercial de Rafaela.

Houve uma mudança aí. O juiz Duilio Hail “nos ouviu”, dizem“Ele perguntou onde morávamos”, diz Ruth, “onde ficam os clubes, o hospital, a casa de repouso da cidade, as escolas. O público ficou muito emocionado, catártico, choramos.” O juiz Hail proferiu a pena de 1.000 metros aconselhada pelo promotor Carlos Stegmayer de Rafaela, que atuou em outro caso emblemático, em San Jorge. Lá foi estabelecida uma distância de proteção de 800 metros para dois bairros.

“Para nós foi uma bênção que isso tenha acontecido, porque esse promotor trabalhava para o povo”, agradece Ruth. O Tribunal de Apelações ratificou a sentença. Em seguida, a Câmara Municipal de Sastre recorreu ao CSJ provincial, reclamando . E esta semana foi notificado com a decisão que renova o ânimo dos vizinhos. “Esta semana celebramos em Sastre”, dizem. Devido à decisão do Supremo Tribunal de Santa Fé, “pela nossa saúde e a dos nossos filhos”, afirmam. 


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Este texto escrito orginalmente em espanhol foi publicado pelo Página 12 [Aqui! ].