CONASS repudia acusação de manipulação de dados sobre COVID-19 feita por Carlos Wizard

wizard 1Recém-empossado no cargo de secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, o milionário Carlos Wizard, é alvo de carta de repúdio do CONASS por causa da sugestão de que os dados de óbitos pela COVID-19 são falsos.

O presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS), Alberto Beltrame (que é secretário estadual de Saúde do Pará), publicou nota oficial onde repudia com “veemência e indignação” as afirmações do secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Carlos Wizard, de que os dados  sobre óbitos decorrentes da  COVID-19 estariam sendo falsificados em busca de mais “orçamento” do governo federal ( ver imagem abaixo).

nota oficial Conselho Nacional dos Secretários de Saúde.

A nota afirma que Carlos Wizard,  “além de revelar sua profunda ignorância sobre o tema, insulta a memória de todas aquelas vítimas indefesas desta terrível pandemia e suas famílias“, produz uma “tentativa autoritária, insensível, desumana e antiética de dar invisibilidade aos mortos pela COVID-19“.

A nota do CONASS enfatiza que a tentativa  do secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde não prosperará, pois as vítimas não será esquecidas, e,  tampouco a tragédia que se abate sobre o Brasil.

O CONASS afirma ainda que Carlos Wizard “ofende Secretários, médicos e todos os profissionais da saúde que têm se dedicado incansavelmente a salvar vidas” e, que ao fazer isso,  ele “menospreza  a inteligência de todos os brasileiros, que num momento de tanto sofrimento e dor, veem seus entes queridos mortos tratados como “mercadoria”.

Finalmente, a nota afirma que a declaração de  Wizard é “grosseira, falaciosa, desprovida de qualquer senso ético, de humanidade e de respeito, merece nosso profundo desprezo, repúdio e asco“.

Em meio ao avanço desenfreado da pandemia, governo Bolsonaro suspende portal e vai recontar os mortos da COVID-19

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Não sei quantos assistiram o filme “Apocalipse Now” de Francis Coppola que mostrou no final da década de 1970 os horrores da Guerra do Vietnã.  Em uma das cenas finais e mais marcantes do filme, Marlon Brandon, no papel do renegado Coronel Walter E. Kurtz que se considerava um Deus, emite uma frase que se tornará celebre.  Kurtz, quer dizer Marlon Brandon, diz a seguinte frase:

O horror tem um rosto … e você se tornar amigo do horror. O horror e o terror moral são teus amigos“.

Lembrei da cena em que Kurtz acaba sendo eliminado ao ler duas informaçoes sobre a forma que o governo Bolsonaro está tratando o avanço desenfreado da COVID-19 no Brasil. A primeira informação é que o Ministério da Saúde tirou do ar o  “Coronavírus Brasil”, colocando-o “sob manutenção” desde o final do dia de ontem.

portalPortal “Coronavírus Brasil” foi colocado em “manutenção”, e o Brasil agora está em voo cego em relação à pandemia da COVID-19

Com essa medida, o governo Bolsonaro aumenta a já flagrante dificuldade que marca a pandemia da COVID-19 de se estimar a intensidade e as direções de difusão. Esse agravamento da opacidade na divulgação das informações sobre intensidade e direção da pandemia vai aumentar a já difícil tarefa de governos estaduais e municipais de avaliar mais corretamente as medidas sobre confinamento social e retomada das atividades econômicas. 

Neste momento, o Brasil está definitivamente  em um voo cego em meio a uma pandemia que se mostra cada vez mais presente e letal.  E o pior é que, ao dificultar o acesso a informações consolidadas sobre infectados e mortos pela COVID-19, o governo Bolsonaro termina facilitando a expansão ainda maior do coronavírus.

Mas aparentemente quando se trata do governo Bolsonaro, o poço definitivamente não tem fundo. É que além de aumentar a opacidade na distribuição das informações (em um momento em que deveria estar aumentando a transparência), o governo Bolsonaro agora quer recontar o número de mortos sob a estapafúrdia alegação de que a quantidade de pessoas levadas a óbito pela COVID-19 estaria sendo inflado por oponentes do presidente Jair Bolsonaro.

Essa ideia genial foi publicizada pelo milionário proprietário do curso de línguas Wizard, Carlos Wizard, que foi, sabe-se lá por que cargas d`água, em secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde. Nesse sentido, Wizard afirmou que “disse que os dados atuais são “fantasiosos ou manipulados” e que um balanço atualizado deve ser publicado em um mês“. 

wizardO milionário Carlos Wizard, agora transformando em secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, quer recontar os mortos pela COVID-19  por considerar os números oficiais exagerados.  Alô! E a subnotificação?

Em outras palavras, não basta esconder os dados, agora há que se “revê-los”. Enquanto isso, governadores, como é o caso de Wilson Witzel do Rio de Janeiro, aproveitam as ações do governo Bolsonaro para realizar “um libera geral” nos estados, quando a curva de contaminação ainda se encontra em ascensão.

Do jeito que vai, o Brasil ainda passará os EUA  no número de infectados e de mortos, gerando uma crise social, econômica e política que não deixará pedra sob pedra. E continuo me lembrando do Coronel Kurtz… o horror, o horror….