A volta dos mandarins da Alerj para a cadeia como mera cortina de fumaça

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Durou pouco a alegria dos deputados Jorge Picciani, Paulo Melo e Edson Albertassi. Já devolvidos ao cárcere privilegiado de Benfica onde também está o ex (des) governador Sérgio Cabral, os três mandarins da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro talvez nem fiquem por lá muito tempo. Mas o estrago já está feito e seus animados correligionários agora devem ter voltado ao estado de pânico que os levou a tentar colocar em liberdade o trio de mandarins do PMDB.

A situação do Rio de Janeiro, ao contrário do que possa parecer, não vai melhorar um milímetro com o imbróglio jurídico-policial que circunda os três mandarins. É que enquanto muitos se alegram com a imagem de vê-los presos, a engrenagem ultraneoliberal que está sendo imposta sobre os pobres mortais que habitam esse belo e tripudiado trecho do território brasileiro continua avançando firmemente. 

E o tal do Regime de Recuperação Fiscal, principal instrumento da anulação da autonomia dos entes federados continua se movendo no sentido de tornar o Rio de Janeiro e sua população em meros peões no tabuleiro geopolítico que hoje busca retornar o Brasil à sua condição de mera colônia dos interesses imperialistas. Ignorar essa situação em nome de um sentimento de vingança pessoal contra Picciani, Melo e Albertassi é um daqueles graves equívocos que somos todos tentados a cometer em nome da auto satisfação em face de injustiças sofridas ou percebidas.

Em minha modesta opinião, o circo montado em torno dos três mandarins é mero distracionismo. É a velha tática do boi de piranha, onde enquanto somos distraídos pela chicana jurídico-policial, as receitas ultraneoliberais continuam sendo aplicadas de forma tão impiedosa quanto metodicamente.

Aos que verdadeiramente desejam uma mudança no estado de coisas que perdura no Rio de Janeiro neste momento é preciso lembrar-se do que está realmente em jogo para que não nos percamos nesse jogo de cortinas de fumaça em que fomos postos.  Há que se lembrar, por exemplo, que apesar de todas as evidências que a farra fiscal foi utilizada para fornecer vantagens para ocupantes de cargos eletivos, ainda não houve uma decisão judicial que anulação uma mísera concessão de benefícios fiscais que fosse.  Além disso, a estranhíssima privatização da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (CEDAE) que foi aprovada a toque de caixa pela Alerj segue avançando sem que nenhuma decisão judicial a interrompa, mesmo que se saiba do papel estratégico que foi cumprido por Jorge Picciani e os outros dois deputados em sua aprovação.

Assim há que se evitar a cortina de fumaça para que se ataque não personagens, mas as engrenagens que eles colocam em funcionamento, mesmo de dentro do cárcere de luxo que foi montado para garantir que façam sua dose de sacrifício pessoal de forma obsequiosa. 

(Des) governador Pezão se transformou num cadáver político ambulante

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Até recentemente o (des) governador Luiz Fernando Pezão vinha fazendo cara de paisagem para as poucas denúncias que surgiram para colocá-lo no lamaçal política em que se transformou o Rio de Janeiro.  Para isso que pudesse acontecer alguns elementos conspiraram a seu favor, a começar pela queda acachapante do seu padrinho político, o ex (des) governador Sérgio Cabral.

Essa paz aparente parece estar sendo rompida com a acusação direta de que Pezão teria recebido apenas da Fetranspor a “pequena” soma de R$ 4,8 milhões em propinas [1]. A quantia, convenhamos, são meros trocados em relação ao que já apareceu sobre outros personagens do esquema montado para literalmente saquear o estado do Rio de Janeiro. A novidade é que dessa vez temos não apenas uma citação direta ao (des) governador Pezão, mas também o valor entregue e a indicação de quem entregou.

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Como o processo de desembaraçar o emaranhado de personagens envolvidos no esquema da Fetranspor está apenas começando, as consequências que ainda poderão advir de novas conexões com o (des) governo Pezão ainda poderão ser mais graves e profundas.   Com isso, a condição do (des) governador Pezão passou de ser um político incompetente e inepto para a de um verdadeiro cadáver político, levando de roldão o que ainda havia de capacidade de governar o Rio de Janeiro. Certamente o efeito disso será um agravamento da crise política cujos efeitos aprofundarão também os seus efeitos econômicos e sociais.

O surpreendente é que no meio disso tudo ainda vemos o avanço do processo de privatizção da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (CEDAE) sob os olhares cúmplices do judiciário e da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Se estivéssemos num país minimamente sério, essa privatização já estaria suspensa até que fossem apuradas as condições pelas quais a mesma está sendo realizada por um (des) governo claramente afundado em grossas denúncias de corrupção.

Por outro lado,  em que pese eventuais êxitos do (des) governador Pezão em se blindar contra denúncias é quase certo que 2018 não será um ano fácil para ele.  É que tudo indica é que o melhor cenário que  o (des) governador Pezão terá pela frente será se arrastar de forma melancólica para o final de seu mandato.  Interessante notar será o comportamento de muitos deputados, incluindo os senhores Geraldo Pudim e João Peixoto, que ainda têm pretensões eleitorais para 2018. Em condições normais, mesmo tendo pertencido à base (des) governista o tempo todo,  muitos parlamentares irão iniciar um processo rápido de descolamento da figura desgastada de Luiz Fernando Pezão. A ver!

 


[1] https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/delator-diz-ter-pago-r-48-milhoes-em-propina-a-pezao-governador-nega-ter-recebido-recursos-ilicitos.ghtml

BNP Paribas e Gustavo Barbosa: da Operação Delaware à Operação CEDAE

 

O Jornal “Extra” noticiou hoje que o vencedor por W.O. do empréstimo que dá partida ao processo de privatização da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (CEDAE) foi o banco francês BNP Paribas [1]. O empréstimo de R$ 2,9 bilhões sairá por juros “módicos”  de 20% ao ano baseados numa CDI de 145,76%, o que deverá implicar no aumento da dívida pública do estado do Rio de Janeiro.

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Apesar desse, digamos, percalço o resultado do empréstimo foi festejado pelo secretário estadual de Fazenda, Gustavo Barbosa, que classificou o pregão de participante único como sendo um “sucesso”.

Agora, para quem não se lembra, esta não é a primeira operação financeira envolvendo o BNP Paribas com o estado do Rio de Janeiro que é festejada como sendo um sucesso por Gustavo Barbosa. É que o banco francês também foi uma das instituições envolvidas na chamada “Operação Delaware” que implicou num processo de securitização de recursos dos royalties do petróleo que causou a falência do RioPrevidência.  A “Operação Delaware”, por meio do chamado “Rio Oil Finance Trust”,  também foi capitaneada por Gustavo Barbosa que então era o diretor-presidente do fundo próprio de previdência dos servidores estaduais do Rio de Janeiro [2].

A proximidade de Gustavo Barbosa com o BNP Paribas ficou explícita durante o recebimento de um prêmio concedido pela revista especializada em finanças “Latin Finance” em Janeiro de 2015, Gustavo Barbosa sentou na mesa destinada ao banco francês (ver imagem abaixo) [3].

barbosa bnp

Agora que temos um círculo completo ligando Gustavo Barbosa e o BNP Paribas em duas operações claramente lesivas ao contribuinte fluminense, eu fico me pergunto se finalmente alguém vai se animar a olhar essa relação mais de perto. É que de sucesso ambas não tem nada.

A palavra está com a bancada de oposição na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e os eméritos membros do Ministério Público.  Será que alguém vai se animar a finalmente olhar mais profundamente a “Operação Delaware” e a “Operação CEDAE”? A ver!


[1] https://extra.globo.com/emprego/servidor-publico/banco-bnp-paribas-aceita-emprestar-29-bi-ao-estado-do-rio-para-pagar-servidores-22021488.html

[2] https://blogdopedlowski.com/2016/10/24/voltas-que-o-mundo-da-operacao-que-resultou-na-bancarrota-do-rioprevidencia-recebeu-2-premios-por-sua-excelencia-com-direito-a-festa-de-gala/

[3] https://blogdopedlowski.com/2017/01/14/rio-oil-finance-trust-por-que-ninguem-quer-falar-nele/

O lema do (des) governo Pezão: não se mexe em time que está perdendo

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O (des) governo Pezão está sacramentando uma nova máxima futebolística: não se mexe em time que está perdendo.  O porta-voz dessa nova máxima foi nada menos do que o pai da operação Delaware (aquela estranha operação de securitização que faliu o RioPevidência), o oblíquo (des) secretário estadual de Fazenda, Gustavo. É que Barbosa anunciou que o (des) governo Pezão pagará os salários de Setembro a determinados segmentos do funcionalismo estadual com cerca de 38 mil servidores desprovidos dos seus vencimentos de Agosto!

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O (des) governo Pezão continua com essa tática de dividir para aprofundar o garrote nos servidores públicos porque sabe que continuará contando com a boa vontade do judiciário fluminense, da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, e também dos sindicatos que representam as categorias que estão com seus vencimentos relativamente em dia.

Essa aliança nada santa é que permite a punição seletiva de um segmento minoritário dos servidores. Mas mais importante, essa aliança é que esta permitindo que a privatização da Cedae seja conduzida da maneira escandalosa com que está sendo feita.  E esse é o maior escândalo de todos os muitos escândalos em que os sucessivos (des) governos do PMDB já foram pegos a partir da chegada do ex (des) governador e hoje presidiário Sérgio Cabral ao Palácio Guanabara.

Um detalhe a mais na persistência dessa opção racional de não mexer em time que está perdendo é a desmoralização completa de todos os níveis de governo. Essa desmoralização ainda poderá trazer consequências ainda mais nefastas para o Rio de Janeiro, a começar pela perda total de controle sobre a volátil situação de segurança.  É que muitos policiais sabem que por detrás da seletividade que os beneficia na questão salarial, existe uma opção por deixá-los expostos a uma condição cada vez mais perigosa no seu cotidiano.

Em suma, em não mexer em time que está perdendo, o (des) governo Pezão está aumentando a chance da anomia social ser completamente instalada no Rio de Janeiro. E quando a história vier julgá-lo por isso, haverá muitas páginas para serem dedicadas aos seus cúmplices e apoiadores silenciosos.

Anaferj denuncia negociata ainda maior na venda da CEDAE

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Apesar do desespero em que estão metidos os servidores públicos estaduais por causa dos crônicos atrasos que estão ocorrendo no pagamento de salários, pensões e aposentadorias, não há como aceitar calado a negociata que está sendo promovida sob o manto de um mal explicado processo de privatização da Companhia Estadual de Águas e Esgostos do Rio de Janeiro (CEDAE).

Para quem não se lembra, o primeiro preço para a venda da CEDAE teve o valor irrisório de R$ 3,5 bilhões. Mas agora este valor inicial que já era baixíssimo corre o risco de ser depreciado em R$ 600 milhões, já que o (des) governo Pezão está aventando vender sa empresa por apenas R$ 2,9 bilhões.

Abaixo posto um comentário produzido pelo blog da Associação dos Analistas da Fazenda Estadual do Rio de Janeiro (Anaferj) sobre uma matéria do jornal “EXTRA” onde foi noticiada esta intenção absurda do (des) governo Pezão [1]. 

Finalmente, há que se notar que com este novo valor que está se propondo para a venda da Cedae não há sequer como quitar todas as folhas de 2017 e os atrasados relativos a 2016. Ou seja, a venda da CEDAE vai servir apenas para enttegar uma estatal lucrativa a preços depreciados para alguma corporação multinacional. Enquanto isso, o drama dos servidores vai continuar. E, pasmemos todos, pelas mãos de um governo que não detém mais do que 3% de aprovação popular!

Privatização da CEDAE? Não em nome dos meus salários!

O que era 3,5 bi virou 2,9 bi!

O jornal Extra publicou nesse sábado (7/10) fala do governador afirmando que o empréstimo tendo a CEDAE como garantia arrecadará 600 milhões a menos do que o acordado com a União e declarado na imprensa desde o início do ano de 2017.

Como ainda não há edital, definição de valores das ações e percentual que garantirá o empréstimo, essa afirmação do governador dá margem a uma série de interpretações. Todas elas apontando para falta de capacidade do governo e lançando dúvidas sobre as relações entre o governo, bancos e empresas interessadas no processo de venda da Estatal. 

O governador após anunciar a redução de R$ 600 milhões como se fosse um pequeno detalhe, sequer tem a capacidade de dizer se esse ou aquele valor serão suficientes para pagar as folhas em atraso. Isso tudo porque vivemos em um cenário onde pegar empréstimo para pagar salários é a coisa mais comum do mundo e dentro da lei.

Os servidores exigem esclarecimentos.

FONTE: http://anaferj.blogspot.com.br/2017/10/o-que-era-35-bi-virou-29-bi.html
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[1] https://extra.globo.com/emprego/servidor-publico/emprestimo-com-garantia-da-cedae-para-pagar-servidores-vai-chegar-r-29-bilhoes-21920052.html

Quanto vale a CEDAE? Uma pista: não vale R$ 3,5 bilhões

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Hoje tive a oportunidade de encontrar com o sindicalista Hélio Anomal, membro da diretoria da Federação Nacional dos Urbanitários, e acabamos conversando sobre o processo de privatização da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) e o valor de R$ 3,5 bilhões que foi definido pelo (des) governo Pezão para sua venda.

Abaixo posto a resposta que me foi dada por Hélio Anomal que nos informa que o valor pleiteado para a venda da Cedae não representaria nem 10% do valor real da empresa. 

Para quem achar que os números apresentados por Hélio Anomal estão exagerados, sugiro a leitura de uma matéria publicada pelo jornal “O DIA” no dia 21 de Fevereiro de 2017 que apresenta estimativas de valor ainda mais alta para a Cedae, explicando ainda que a estatal é uma empresa lucrativa e com dívidas bilionárias para receber [1].

O fato é que a venda da Cedae pelos estimados R$ 3,5 bilhões se configura num grave atentado à economia popular e também ao patrimônio público do povo fluminense.   Desta forma, ainda que se entenda o desespero de muitos servidores públicos em relação à condição calamitosa em que suas finanças foram colocadas pelo (des) governo Pezão, nada justifica a venda da Cedae para supostamente resolver essa situação. Até porque tudo indica que não resolverá.


[1] http://odia.ig.com.br/economia/2017-02-21/com-venda-aprovada-na-alerj-cedae-e-a-unica-estatal-que-da-lucro.html

 

(Des) governo Pezão usa servidores como massa de manobra na privatização da CEDAE

O jornal “EXTRA” traz hoje mais uma daquelas matérias {1] que explicitam ainda mais o verdadeiro objetivo do fracionamento do pagamento dos salários dos servidores estaduais: mantê-los como reféns para garantir um rápido e questionável processo de privatização da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae). 

agosto salarios

Essa transformação de uma parcela dos servidores estaduais em joguetes nas mãos do (des) governo Pezão foi explicitado pelo (des) secretário estadual de Fazenda, Gustavo Barbosa, que afirmou ao EXTRA que:

“… o Estado só terá normalidade quanto ao pagamento dos salário com a realização do pregão para a contratação do empréstimo de até R$ 3,5 bilhões, que dará como garantia as ações da Cedae.

Ora, como pode ser isso possível se após a adesão ao famigerado “Regime de Recuperação Fiscal” ter cessado o pagamento de dívidas e garantido a suspensão dos contínuos arrestos dos recursos pertencentes ao tesouro fluminense pelo governo “de facto” de Michel Temer?

A questão central que emerge é que para impedir eventuais protestos contra a forma pela qual está se dando a privatização da Cedae, o (des) governo Pezão está mantendo mais de 74 mil servidores sem os salários que lhes são devidos.

Enquanto isso, permanece um silêncio quase sepulcral dentro do funcionalismo estadual, seja pelos que estão com os salários em dia, seja por aqueles que estão sendo deixados na condição de reféns.  Esse silêncio, é preciso que se frise, é fundamental para que essa manobra dê certo.  É que a conjuntura atual é marcada por tantos problemas no plano estadual que bastaria a realização de um protesto massivo dos servidores estaduais ocorresse na frente do Palácio Guanabara para que todo o castelo de cartas no qual o (des) governo Pezão se equilibra viesse abaixo, impedindo, inclusive, a privatização da Cedae.

A pergunta que sempre faço se mantém:  cadê o movimento sindical que diz representar os interesses dos servidores estaduais que não começa a ventania que faria esse castelo de cartas desabar?


[1] https://extra.globo.com/emprego/servidor-publico/estado-nao-vai-conseguir-pagar-salarios-de-agosto-dos-servidores-ate-fim-de-setembro-21870012.html