Incêndios colocam em risco as matas ciliares no Pantanal e no Cerrado

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Por Norbert Suchanek para o Neues Deutschland

No ano que acaba de terminar, os piores incêndios florestais em décadas assolaram o cerrado brasileiro e o Pantanal. As chamadas matas de galeria que margeiam as margens dos rios da paisagem de savana são particularmente afetadas pelos incêndios. Este ecossistema de floresta rica em espécies ameaça tombar. Este é o resultado de um estudo publicado recentemente no Journal of Applied Ecology.

As florestas de galeria perenes não são apenas particularmente ricas em espécies, elas evitam a erosão do solo e protegem os recursos hídricos. Eles também são essenciais para a sobrevivência de numerosas espécies animais, como a onça-pintada em extinção. As matas ciliares são seu refúgio preferido e uma parte importante dos corredores para a preservação da biodiversidade. Surpreendentemente, a proximidade com a água também não protege as matas ciliares dos incêndios florestais que foram causados ​​principalmente para expandir as plantações de soja e pastagens de gado. Uma equipe internacional de cientistas com a participação da Universidade de Hohenheim em Stuttgart examinou os efeitos de um incêndio devastador no parque nacional brasileiro Chapada dos Veadeiros.

Em 2017, 860 quilômetros quadrados de cerrado foram queimados ali. Para parte da área, a equipe de cientistas avaliou imagens de satélite de antes e depois do incêndio e realizou estudos de campo no local. De acordo com isso, cerca de 90 por cento das matas ciliares na região de estudo ainda estavam intactas em 2003. Após os devastadores incêndios florestais de 2017, no entanto, a cobertura florestal nas margens do rio caiu para 20 por cento em alguns lugares. “Em média, a cada segunda árvore adulta e 88 por cento das mudas morreram”, disse a equipe de pesquisa.

“Para nossa surpresa, as florestas que inundavam na época das chuvas foram as que mais sofreram danos. Algumas dessas florestas foram completamente destruídas. Quase todas as árvores morreram e gramíneas e outras espécies invasoras invadiram as áreas «, explica o primeiro autor da publicação, Bernardo Flores, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Os cientistas veem uma razão para isso na casca relativamente fina das árvores nas margens. Porque embora as matas ciliares cresçam em um ambiente onde os fogos fazem parte do ecossistema, os fogos naturais raramente os atingem por conta própria. Nesta área, a camada superficial do solo rica em húmus também foi queimada, o que levou à perda de nutrientes e à erosão do solo, além de liberar CO2

Incêndios naturais geralmente surgem de quedas de raios durante tempestades. A chuva subsequente geralmente extingue rapidamente esses incêndios. Além disso, normalmente ocorrem trovoadas na época das chuvas, de forma que o solo e a vegetação ficam úmidos e dificilmente inflamáveis ​​”, explica a pesquisadora Anna Abrahão, da Universidade de Hohenheim. Mas os produtores de soja e gado atearam fogo na estação seca, quando a vegetação está seca e fácil de incendiar.

Além disso, as espécies de gramíneas africanas não nativas das pastagens artificiais para gado espalharam-se pela savana adjacente e deslocaram a vegetação natural. Essas gramíneas exóticas, por sua vez, resultaram em mais biomassa acumulada e forneceram combustível adicional para o fogo. As matas ciliares não suportam esses incêndios intensificados. Ao mesmo tempo, os pesquisadores observaram uma extensão da chamada estação do tempo de fogo nas savanas tropicais de todo o mundo devido às mudanças climáticas. Na região tropical da América do Sul, esse período é 33 dias a mais do que há 35 anos. Os pesquisadores veem todo o ecossistema em perigo.

A expansão das monoculturas tornou o Cerrado e o Pantanal mais inflamáveis. Ao mesmo tempo, o governo brasileiro enfraqueceu a política ambiental do Brasil nos últimos anos, o que também está levando ao aumento dos incêndios florestais, resume Rafael Oliveira, ecologista da Unicamp e coautor do estudo.

O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, fundado em 1961 no nordeste do estado da Chapada, tinha originalmente uma área de 625.000 hectares. Sob pressão do lobby agrícola, foi drasticamente reduzido em 1972, inicialmente para 171.924 hectares e depois novamente em 1981 para apenas 65.500 hectares. Em 2017, o governo Michel Temer finalmente expandiu o parque nacional, que também está “protegido” como Patrimônio Mundial da Unesco desde 2001, para sua área atual de 235.000 hectares, que, no entanto, continua sendo um espinho no lado do lobby agrícola. A última tentativa de reduzir o parque para 65.500 hectares novamente fracassou em 2019 no Supremo Tribunal Federal.

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Este artigo foi originalmente escrito em alemão e publicado pelo jornal Neues Deutschland [Aqui!].

O acordo comercial entre UE-Mercosul é à prova de desmatamento?

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Em junho de 2019, a Comissão Europeia e os países do Mercosul concordaram com um acordo comercial (ACMUE) que, uma vez ratificado pelos países participantes, deverá aumentar o comércio de produtos agrícolas entre as duas regiões. O acordo comercial eliminará 93% das tarifas dos produtos do Mercosul para a União Europeia (UE), beneficiando notadamente produtos agrícolas, incluindo carne bovina e soja.

Preocupações têm sido levantadas com frequência sobre o risco de aumento do desmatamento na região do Mercosul – especialmente na Amazônia brasileira. Tais preocupações são pertinentes, uma vez que uma análise em 189 países, de 2001 a 2012, mostra que o desmatamento aumentou significativamente ao longo dos três anos após a promulgação de acordos de livre comércio (Abman & Lundberg 2020). No entanto, os proponentes do ACMUE têm argumentado que o risco de desmatamento poderia ser mitigado devido às disposições de seu Capítulo de Comércio e Desenvolvimento Sustentável e às recomendações fornecidas pela Avaliação de Impacto da Sustentabilidade.

No entanto, este relatório mostra que o desmatamento pode aumentar nos países do Mercosul em virtude do aumento da demanda por produtos agrícolas (Capítulo 1) e pode afetar regiões sensíveis no Brasil, incluindo áreas vizinhas de Terras Indígenas e Unidades de Conservação (Capítulo 2). Além disso, o Capítulo 3 evidencia que as disposições de Comércio e Desenvolvimento Sustentável do ACMUE são insuficientes para mitigar o aumento do risco de desmatamento com foco no caso brasileiro. Portanto, o acordo atual pode não promover o desenvolvimento sustentável conforme exigido pelo regulamento comercial da UE. No capítulo 3 apresentam-se sete recomendações para reduzir o risco de que a ratificação do atual ACMUE resulte em desmatamento suplementar e conflitos com populações indígenas. A seguir estão os principais resultados.

CAPÍTULO 1.  O ACMUE AUMENTARÁ O RISCO DE DESMATAMENTO ADICIONAL NOS PAÍSES DO MERCOSUL

Este capítulo mostra que o desmatamento pode aumentar entre 122 mil e 260 mil hectares nos países do Mercosul, de acordo com os seis cenários alternativos examinados. Cinquenta e cinco por cento do desmatamento seriam no Brasil, considerando-se a média dos seis cenários avaliados (variando de 45% a 66%).

Os cenários combinaram premissas relativas às elasticidades comerciais, ao nível de governança da terra e à adoção ou não do duplo cultivo. O desmatamento seria maior em um cenário de maior elasticidade comercial, menor governança da terra e não uso de duplo cultivo. Em resposta à liberalização comercial, os setores de pecuária processada, bebidas e açúcar do Mercosul aumentam a produção que é então exportada para a UE. Por outro lado, a UE diminuiria a produção desses produtos devido ao aumento da concorrência. As emissões terrestres variam de 75 milhões de toneladas de CO2e do primeiro cenário (S11) a 173 milhões de toneladas no último cenário (S23).

O ACMUE geraria ganhos de bem-estar (em termos de ganhos monetários dos produtores e consumidores) de quase 2,2 bilhões de euros para ambas as regiões da UE-Mercosul. A UE capturaria 68% dos ganhos, o Brasil 23% e os 9% restantes iriam para outros países do Mercosul.

Os impactos comerciais, as mudanças no uso da terra e as implicações do bem-estar foram estimados usando-se uma versão avançada de um modelo de Equilíbrio Geral Computável (CGE) (GTAP-BIO). Esse modelo representa a estrutura da economia global e traça a produção, o consumo e o comércio de todos os tipos de bens e serviços (incluindo, mas não se limitando a culturas, produtos pecuários, óleos vegetais e farelos, açúcar, arroz processado e alimentos processados) em escala global. Para implementar o ACMUE, as mudanças tarifárias propostas foram exogenamente introduzidas neste modelo.

CAPÍTULO 2.  O ACMUE ARRISCARIA O DESMATAMENTO EM ÁREAS SENSÍVEIS NA AMAZÔNIA E NO CERRADO BRASILEIRO

Este capítulo projeta onde o desmatamento adicional provavelmente ocorreria nos biomas Cerrado e Amazônia no Brasil. Esses biomas representaram 96,7% do desmatamento total no Brasil em 2019. Embora nem todo o desmatamento projetado seja no Brasil e/ou dentro de um único bioma, a análise é útil para destacar as áreas prioritárias para mitigação.

Na Amazônia brasileira, o desmatamento é mais provável em três estados: Pará (39,9%), Rondônia (32,6%) e Mato Grosso (25,2%). O ACMUE aumentaria o risco de desmatamento nas proximidades de Terras Indígenas e Unidades de Conservação. O desmatamento vem aumentando rapidamente nessas áreas, uma consequência provável da redução das operações policiais e das perspectivas de exploração dessas áreas para fins comerciais.

No Cerrado, o desmatamento estaria concentrado em sua região nordeste ou MATOPIBA. A previsão é que o Maranhão abrigue 31,6% do desmatamento total, seguido pelo Piauí (21,3%) e Bahia (20,4%). O ACMUE aumentaria o risco de desmatamento próximo a áreas protegidas no Cerrado. Identificamos duas regiões críticas: i) Maranhão, onde várias Terras Indígenas e um parque nacional ficam ao lado de focos de desmatamento; e ii) Mato Grosso, na ecótono entre o Cerrado e a Amazônia, onde três Terras Indígenas estão próximas da fronteira do desmatamento.

Duas etapas foram usadas para projetar a localização do desmatamento futuro. Primeiro, os autores estimaram a probabilidade de uma determinada área ser desmatada com base em fatores associados ao desmatamento de 2001 a 2018. O segundo passo foi alocar o desmatamento projetado do Capítulo 1 ao longo da paisagem florestal existente (pós-2018). Esta fase consistiu em: i) ordenar os pixels florestais restantes (pós-2018) da maior à menor probabilidade de desmatamento, e ii) selecionar os pixels superiores até que a soma da área desses pixels atingisse a área potencial desmatada total prevista pelo modelo GTAP-BIO.

 CAPÍTULO 3. AS DISPOSIÇÕES AMBIENTAIS ATUAIS DO ACMUE SÃO INSUFICIENTES PARA MITIGAR O RISCO DE DESMATAMENTO

Esses capítulos mostram que as disposições ambientais atuais do ACMUE são insuficientes para mitigar o risco de desmatamento.

O capítulo sobre Comércio e Desenvolvimento Sustentável (CDS) pede a efetiva implementação do Acordo de Paris. No entanto, as metas de mitigação climática da UE e do Mercosul estão abaixo do necessário para manter o aumento da temperatura bem abaixo de 2°C, de acordo com os cientistas. No caso do Brasil, a promessa de zerar o desmatamento ilegal foi colocada em um futuro distante: 2030.

Além disso, o capítulo sobre CDS carece de sanções, e o espaço para a participação da sociedade civil é limitado. O processo de resolução de controvérsias é demorado (mais de 460 dias), que favorecem atores não conformes.

Para defender os princípios de sustentabilidade, desenvolvimento e direitos humanos, o ACMUE deve condicionar sua ratificação à melhoria do desempenho das políticas e à criação de novas disposições. O foco da prevenção é essencial dada a natureza irreversível e de longo prazo dos impactos do uso da terra associados ao ACMUE (desmatamento e conflitos violentos).

As seguintes recomendações são consistentes com a resolução do Parlamento Europeu de 16 de setembro de 2020 sobre o papel da UE na proteção e restauração das florestas mundiais (Parlamento Europeu, 2020). A resolução i) reitera que a política de comércio e investimento da UE deve incluir capítulos de desenvolvimento sustentável vinculativos e exequíveis; e ii) salienta que devem ser incluídos compromissos claros com o combate ao desmatamento em todos os novos acordos comerciais, incluindo o Mercosul.

  1. Condicionar a ratificação do acordo à redução real do desmatamento. A ratificação ou o início das reduções tarifárias do ACMUE devem ser contingenciados no Brasil para reduzir seu desmatamento de acordo com a meta da Política Nacional de Mudanças Climáticas do país: 3.900 km2 (390.000 hectares). Como o Brasil não cumprirá sua meta para 2020, o ACMUE deve esperar até que essa linha de base seja finalmente alcançada no futuro. Para atingir esse objetivo, o Brasil precisaria retomar o exitoso Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na. Amazônia Legal (PPCDAM) e implantar outras abordagens de mercado e regulamentação, como a rastreabilidade de commodities de alto risco.
  2. Criar um fundo para apoiar a redução das políticas de desmatamento e degradação florestal. A ratificação ou o início das reduções tarifárias devem ser condicionados à implantação de assistência técnica e financeira, como a criação de um fundo de apoio sustentável. Esses fundos devem se concentrar em regiões com maiores riscos de desmatamento direto e indireto levando em conta o provável deslocamento da mudança de uso da terra – por exemplo, o aumento da intensificação do uso da terra em uma região que leva à expansão do desmatamento em outras áreas.
  3. Consultar e garantir os direitos dos povos indígenas. A UE deve condicionar a ratificação do acordo à consulta adequada aos povos indígenas e ao estabelecimento de direitos de terra seguros e proteção adequada dos territórios das Terras Indígenas, de acordo com a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas. Na prática, isso implicaria que os territórios indígenas deveriam ser demarcados, e os invasores deveriam ser realocados antes da redução tarifária.
  4. Estabelecer sanções legalmente vinculativas para resolver a não conformidade. O capítulo sobre CDS deve estabelecer sanções vinculantes legais semelhantes às previstas para outras questões no ACMUE. Vale ressaltar que acordos comerciais que usam sanções para resolver disputas, como acordos dos EUA, estimularam a adoção de melhores práticas antes que os acordos comerciais fossem ratificados. No entanto, mesmo que as disposições do capítulo sobre CDS fossem vinculantes, o longo processo para enfrentar as violações seria insuficiente para conter a onda de desmatamento.
  5. Estabelecer limite de tempo para julgamento de violações do ACMUE. As partes devem reduzir a duração da resolução de disputas ambientais. O ACMUE poderia considerar o modelo do Acordo Estados Unidos – México – Canadá (USMCA) que criou um Mecanismo de Trabalho de Resposta Rápida encarregado do monitoramento rápido e aplicação das disposições.
  6. Estabelecer práticas recomendadas obrigatórias. Dadas as atuais falhas sistêmicas da política ambiental no Brasil, o ACMUE deve exigir a adoção das melhores práticas, como certificação independente, rastreabilidade de produtos, devida diligência e consulta às comunidades indígenas antes de investir.
  7. Ampliar e melhorar o escopo de participação da sociedade civil. Echavarría et al. (2020) recomendam ao ACMUE expandir e melhorar o escopo de participação da sociedade civil, incluindo envolvimento em subcomitês de CDS, criação de mecanismos de diálogo com governos, provisão de financiamento para que a sociedade civil possa acompanhar a implementação e participar de reuniões.

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Este artigo foi inicialmente publicado no sítio ofícial do Imazon [   ].

Investigação revela que redes de supermercados e de fast food do Reino Unido usam frangos associados ao desmatamento no Brasil

Tesco, Lidl, Asda, McDonald’s e Nando’s, todas fontes de frangos alimentados com soja produzida na região do bioma tropical do Cerrado

chicken 1Uma análise recente das terras pertencentes ou usadas por fornecedores de soja no Cerrado desde 2015 encontrou 801 km2 de desmatamento. Fotografia: Jim Wicken / Cortesia da Mighty Earth

Por Jonathan Watts , Andrew Wasley , Alexandra Heal , Alice Ross , Lucy Jordan, Emma Howard e Harry Holmes para o The Guardian

Supermercados e lojas de fast food estão vendendo frango alimentado com soja importada associada a milhares de incêndios florestais e pelo menos 800 quilômetros quadrados de derrubada de árvores no Cerrado brasileiro, revelou uma investigação transfronteiriça conjunta.

Tesco, Lidl, Asda, McDonald’s, Nando’s e outros varejistas de rua, todos compram frango alimentado com soja fornecida pela gigante comercial Cargill, a segunda maior empresa privada dos Estados Unidos. A combinação de proteção mínima para o Cerrado – um sumidouro de carbono e habitat de vida selvagem de importância mundial – com uma cadeia de suprimentos opaca e sistemas de rotulagem confusos, significa que os compradores podem estar inadvertidamente contribuindo para sua destruição.

O locutor e ativista Chris Packham disse que as revelações mostram que os consumidores precisam receber mais informações sobre seus alimentos. “A maioria das pessoas ficaria incrédula quando pensasse que está comprando um pedaço de frango no Tesco’s que foi alimentado com uma plantação responsável por uma das maiores destruições de floresta tropical nos últimos tempos”, disse ele.

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Supermercados e lojas de fast food do Reino Unido estão vendendo frango alimentado com soja associada ao desmatamento no Cerrado brasileiro

“Precisamos acordar para o fato de que o que compramos nos supermercados do Reino Unido, as implicações dessa compra podem ser amplamente e enormemente prejudiciais, e este é um excelente exemplo disso.”

O Reino Unido abate pelo menos um bilhão de galinhas por ano , o equivalente a 15 aves para cada pessoa no país. Muitos são engordados com grãos de soja importados para o Reino Unido pela Cargill, que compra dos agricultores do Cerrado, uma savana tropical lenhosa que cobre uma área igual à Grã-Bretanha, França, Alemanha, Itália e Espanha juntas.

A análise dos dados de transporte mostra que a Cargill importou 1,5 milhão de toneladas de soja brasileira para o Reino Unido nos seis anos até agosto de 2020. Números de exportação em nível de bioma, compilados pelo órgão de vigilância da cadeia de abastecimento Trase, indicam que quase metade das exportações brasileiras da Cargill para o O Reino Unido é do Cerrado.

Entre os carregamentos mais recentes estavam 66.000 toneladas de grãos de soja que desembarcaram nas docas de Liverpool em agosto em um navio-tanque alugado pela Cargill, o BBG Dream. Esse foi o foco de uma investigação colaborativa do Bureau of Investigative Journalism, do Greenpeace Unearthed, do ITV News e do Guardian.

O porão do navio havia sido carregado no terminal portuário de Cotegipe, em Salvador, Brasil , com grãos vindos da região do Cerrado Matopiba, incluindo alguns de Formosa do Rio Preto, a comunidade mais desmatada do Cerrado. Além da Cargill, os fornecedores incluíam a Bunge (maior exportadora de soja do Brasil) e a ADM (outra grande produtora de alimentos nos Estados Unidos).

chicken 3A Cargill importou 1,5 milhão de toneladas de soja brasileira para o Reino Unido nos seis anos até agosto de 2020. Fotografia: Victor Moriyama / Greenpeace

Depois de cruzar o Atlântico, todo o carregamento foi descarregado na planta de esmagamento de soja Seaforth da Cargill em Liverpool, de acordo com registros marítimos e de embarque. A investigação rastreou a forma como o grão esmagado ali é então transportado de caminhão para moinhos em Hereford e Banbury, onde é misturado com trigo e outros ingredientes para produzir ração para gado. De lá, segue para as granjas contratadas da Avara.

Avara é uma joint venture entre a Cargill e a Faccenda Foods. Ele engorda as aves, que são abatidas, processadas e embaladas para distribuição à Tesco, Asda, Lidl, Nando’s, McDonald’s e outros varejistas. Avara prospera em relativa obscuridade. “Você pode não ter ouvido falar de nós, mas há uma boa chance de ter gostado de nossos produtos”, diz o site da empresa .

Então, de onde exatamente vem essa soja? O fornecedor da Avara, a Cargill, compra soja de muitos fornecedores no Cerrado, pelo menos nove dos quais estiveram envolvidos em desmatamentos recentes. A análise da consultoria Aidenvironment dos terrenos pertencentes ou usados ​​por essas empresas desde 2015 encontrou 801 km2 de desmatamento – uma área equivalente a 16 manhattans. Também detectou 12.397 incêndios registrados.

Vídeo sobre como o frango britânico está ligado ao desmatamento e incêndios no Brasil por Sian Butcher e Georgie Johnson para Unearthed

Ainda no mês passado, imagens de drones realizadas em Formosa do Rio Preto mostraram grandes incêndios queimando na Fazenda Parceiro, fazenda administrada pela SLC Agrícola, fornecedora da Cargill. Dados de satélite mostram que os incêndios queimaram 65 km2 da fazenda. Mais de 210 km2 foram limpos nas terras da SLC Agrícola nos últimos cinco anos, de acordo com a análise da Aidenvironment. A Cargill disse que não quebrou regras, nem suas próprias políticas, ao comprar produtos da fazenda em questão e deixou claro que não se abastece de terras desmatadas ilegalmente. A SLC Agrícola foi procurada para comentar, mas não quis se pronunciar.

Apesar dessa destruição, os produtos dessas áreas podem ser rotulados como legais e sustentáveis ​​no Brasil. Isso destaca as deficiências de um sistema de comércio internacional que depende de padrões locais, que muitas vezes são influenciados por fazendeiros focados no lucro econômico de curto prazo, ao invés do bem global de longo prazo, que incorporaria o valor dos sistemas de água, sumidouros de carbono e vida selvagem habitats.

chicken 4Os agricultores podem cortar e queimar legalmente uma proporção maior de árvores na savana do Cerrado em comparação com sua vizinha, a Amazônia. Fotografia: Jim Wicken / Cortesia da Mighty Earth

O governo brasileiro tem relaxado constantemente os controles sobre o desmatamento – e às vezes o encoraja tacitamente – ao longo da última década, principalmente com o relaxamento do Código Florestal em 2012.

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Isso é particularmente verdadeiro no Cerrado, o segundo maior bioma do Brasil, que está sendo sacrificado para aumentar as exportações, manter baixos os preços globais dos alimentos e reduzir o impacto sobre seu vizinho, a Amazônia. Os agricultores podem cortar e queimar legalmente uma proporção maior de árvores nesta savana em comparação com a Amazônia examinada internacionalmente .

Muitos biólogos acreditam que essa política é míope. As árvores, arbustos e solo do Cerrado armazenam o equivalente a 13,7 bilhões de toneladas de dióxido de carbono – significativamente mais do que as emissões anuais da China. É a origem de tantos rios que é conhecida como “o berço das águas” e abriga 1.600 espécies de pássaros, répteis e mamíferos (incluindo onças, tatus e tamanduás) e 10.000 tipos de plantas, muitas não vistas em nenhum outro lugar do mundo.

chicken 6Lobo-guará, que vive principalmente nas regiões do Cerrado e Chaco e é considerado quase ameaçado. Fotografia: Nando Bomfim

Os cientistas dizem que será difícil – senão impossível – salvar a Amazônia sem conservar o Cerrado. Mas este último sofreu o dobro do desmatamento, embora tenha metade do tamanho. Entre 50% e 80% do bioma original foi substituído por fazendas de gado e fazendas de soja, tornando esta fronteira do agronegócio que se expande mais rapidamente e uma das áreas da natureza que mais encolhe.

Independentemente de o Brasil considerar legal ou não a soja dessa área, muitos consumidores não querem comprar produtos associados ao desmatamento.

chicken 7O Reino Unido abate um bilhão de frangos por ano, muitos dos quais são engordados com ração à base de soja. Fotografia: John Eveson / FLPA / REX / Shutterstock

O Reino Unido importa 700.000 toneladas de grãos de soja in natura a cada ano, muitos do Cerrado. Também compra quase três vezes essa quantidade de ração de soja processada, a maioria da Argentina. O impacto ambiental varia enormemente de país para país. Mas os compradores não têm como saber se seu peito de frango ou hambúrguer contribuíram para o problema do Cerrado porque os rótulos fornecem informações insuficientes sobre as origens, as safras de fontes sustentáveis ​​e desmatadas podem ser misturadas e muitas empresas dependem de compensações.

As empresas envolvidas dizem que estão trabalhando para reduzir o impacto ambiental de suas ofertas, mas o progresso varia.

O McDonald’s e o Nando’s cobrem os volumes de soja que usam para ração de galinhas com “certificações” de sustentabilidade, que incluem a compra de “créditos” – semelhantes à compensação de carbono. Os créditos apoiam os agricultores que produzem de forma sustentável, mas a soja real na cadeia de abastecimento não é necessariamente desses produtores e pode vir de fazendas desmatadas.

O McDonald’s disse que visa eliminar o desmatamento de suas cadeias de abastecimento globais até 2030. Um porta-voz disse: “Estamos orgulhosos do progresso que fizemos, mas reconhecemos que há mais a fazer e continuaremos a trabalhar duro para progredir em direção ao nosso metas.”

A Nando’s não forneceu uma data-alvo para eliminar completamente o desmatamento de sua cadeia de abastecimento, mas disse que estava procurando alternativas à soja. “Reconhecemos que há mais trabalho a fazer e é por isso que também estamos investindo em pesquisas visando alternativas de alimentação mais sustentáveis ​​e esperamos poder compartilhar os resultados o mais rápido possível.”

chicken 8Várias empresas apoiam um novo acordo para impedir o desmatamento para o plantio de soja no Cerrado, mas a oposição a esta posição no Brasil significa que nenhuma ação foi tomada. Fotografia: Peter Caton

Asda e Lidl disseram que estavam trabalhando para comprar apenas soja sustentável “certificada fisicamente” até 2025, mas isso pode significar coisas diferentes. Asda entende que significa soja “segregada” livre de desmatamento – o que significa que o produto real em sua cadeia de abastecimento deve ser sustentável para atingir seu objetivo – mas Lidl esclareceu que estava incluindo um esquema em que grãos sustentáveis ​​podem ser misturados com produtos do desmatamento fazendas. Lidl disse que é atualmente o maior comprador de créditos para compensar sua pegada de soja.

A Tesco disse que estabeleceu para si mesma uma meta “líder do setor” para que sua soja venha de “áreas” comprovadamente livres de desmatamento até 2025. “Deve-se parar de fazer fogueiras para limpar terras para plantações”, disse um porta-voz. “Desempenhamos um papel de liderança ao reunir a indústria e o governo para proteger o Cerrado, incluindo o compromisso de £ 10 milhões para proteger a biodiversidade da região. Precisamos de nossos fornecedores, indústria, ONGs e governos para trabalhar conosco para acabar com o desmatamento e proteger nosso ambiente natural. ”

A Avara, joint venture da Cargill, disse que está na vanguarda dos compradores de soja no Reino Unido, cobrindo todas as suas compras de soja com certificação e trabalhando para alcançar uma transparência muito maior na cadeia de abastecimento. “Saudamos a proposta de legislação do governo do Reino Unido que visa o desmatamento ilegal, pois está alinhada com esses objetivos e é um primeiro passo importante.” A Avara faz parte da Declaração de Apoio ao Manifesto do Cerrado e faz parte do grupo gestor dessa iniciativa.

McDonald’s, Nando’s e os três supermercados citados expressaram publicamente seu apoio a um novo acordo, semelhante à moratória na Amazônia, para impedir o desmatamento para soja no Cerrado, mas a oposição no Brasil significou que nada se materializou.

chicken 9Um protesto do Greenpeace em frente à sede da Tesco, apresentando um vídeo da líder indígena Sônia Guajajara falando sobre os incêndios devastadores na Amazônia. Fotografia: Chris J Ratcliffe / Greenpeace

A Cargill – um dos atores mais importantes na cadeia de abastecimento – disse publicamente que se opõe a uma moratória do Cerrado. Na época, anunciou US $ 30 milhões (£ 22,6 milhões) em esforços de financiamento para lidar com o desmatamento, mas não especificou onde isso seria gasto. O Guardian perguntou à Cargill por que ela havia rejeitado uma moratória, mas a empresa não fez comentários sobre o assunto.

No entanto, expressou seu compromisso com uma cadeia de suprimentos sem desmatamento e com o apoio aos agricultores que trabalham de forma sustentável. Dizia: “A Cargill estima que 95,68% dos nossos volumes de soja no Brasil para a safra 2018-19 foram livres de desmatamento e conversão.” A empresa continua expandindo seu programa de certificação no Brasil e no Paraguai, mas aposta no ordenamento jurídico brasileiro. “A Cargill – junto com nossa indústria, agricultores, governos locais e clientes – é responsável pela transformação da cadeia de abastecimento de alimentos e estamos interagindo com as partes interessadas todos os dias para fazer progresso”, disse o documento. “O desmatamento naquele bioma é, na maioria das vezes, crime pela legislação brasileira. Deve ser tratado dessa forma. ”

A investigação mostra, porém, que não basta tratá-la como uma questão brasileira.

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Esta reportagem foi originalmente escrita em inglês e publicada pelo jornal “The Guardian” [Aqui!].

A Europa como aceleradora do desmatamento e do fogo que consomem as florestas da Amazônia

Quando as florestas tropicais queimam na Amazônia, isso causa horror na Europa. Mas muitas vezes é a demanda europeia por ração animal barata que leva a ainda mais desmatamento. Uma investigação torna clara a extensão dessa conexão.

Soy Investigation in BrazilA floresta tropical está pegando fogo, mesmo que as grandes empresas de ração que exploram a terra prometam não se envolver no desmatamento. Foto tirada no município de Cláudia (MT).  Foto: Victor Moriyama / Victor Moriyama para Rainforest Foundation Norway

Por Nils Klawitter para a Die Spiegel

Raramente uma proposta política gerou tanta indignação como o “Dia do Vegetariano” planejado pelos Verdes. Há sete anos houve uma passagem correspondente no manifesto eleitoral do partido, e hoje ainda a proposta é considerada por muitos como um sinal de “incapacitação”.

Os danos consequentes à produção de carne , que a proposta deve ajudar a esclarecer, não diminuíram desde então, especialmente no Brasil , onde grande parte da ração de soja rica em proteínas usada para alimentar suínos, bovinos e frangos alemães é cultivada. A Alemanha importou 5,8 milhões de toneladas de produtos de soja em 2017 – uma área maior que a de Hesse é necessária para o cultivo. A maioria dessa importação veio do Brasil.

Soy Investigation in Brazil

No final, só sobrou soja: Grande plantação no Tocantins.  Foto: Victor Moriyama / Victor Moriyama para Rainforest Foundation

Agora uma pesquisa de campo, da Norwegian Rainforest Foundation e da German Environmental Aid,  mostra como a demanda por matérias-primas da Europa para o desmatamento no Brasil se acelerou .

Embora o instituto espacial local INPE tenha anunciado recentemente que no ano passado tanta floresta desapareceu como em 2008, e que mais incêndios na Amazônia e no Cerrado foram registrados em julho de 2020 do que no ano recorde de 2019, os países da UE continuam a comprar soja do Brasil. No primeiro semestre de 2020, as exportações de soja para a UE aumentaram para 7,6 milhões de toneladas, segundo dados da Associação Brasileira de Oleaginosas. Isso foi 75 por cento a mais do que no mesmo período do ano passado. Apenas a China está importando mais.

Embora as importações locais de soja tenham diminuído desde então, os alemães ainda são os maiores compradores europeus do feijão milagroso, que corta animais para crescimento rápido. Sem esse combustível da pecuária industrial, a turbo engorda, em que, por exemplo, os pintos são alimentados para o abate em 33 dias, não seria possível.

Garantias de “Desmatamento Zero”

A investigação das duas ONGs documenta incêndios ilegais e a intimidação de pequenos proprietários nas regiões da Amazônia e do Cerrado, consideradas focos de desmatamento. Os moradores das redondezas foram “deixados completamente sozinhos” com os incêndios, diz Anahita Yousefi, da Rainforest Foundation. “A gente aqui costuma lidar com garimpeiros, com vaqueiros do agronegócio que queimam terras comuns e depois vendem para o agronegócio”. De acordo com o estudo, grandes comerciantes de commodities, como Bunge ou Cargill, também lucram com o desmatamento porque são abastecidos por fazendas questionáveis. Ambas as empresas vêm fazendo garantias de “desmatamento zero” há anos, fingindo não se beneficiar do desmatamento.

A nova onda de grilagem de terras é apoiada pelo presidente brasileiro Jair Bolsonaro , que tem incentivado repetidamente a “exploração” da Amazônia. Os incêndios, disse Bolsonaro, teriam levado as organizações ambientais a se vingar do cancelamento dos fundos. Na primavera, seu governo legalizou milhares de antigas propriedades florestais que os agora legítimos proprietários se apropriaram por meio de grilagem de terras.

A UE também está envolvida no negócio questionável: “20% das exportações de soja do Brasil para a UE estão ligadas ao desmatamento ilegal”, disse Jan Börner, professor de Uso Sustentável da Terra na Universidade de Bonn.  Um estudo realizado por  Börner e colegas do Brasil, Suécia e EUA avaliaram os dados de 815.000 fazendas nas regiões da Amazônia e do Cerrado.

Dois conjuntos de dados foram decisivos para os cientistas: os limites de operação das fazendas do cadastro ambiental e a taxa de desmatamento, que o Instituto INPE registra por meio de imagens de satélite. Uma empresa na região amazônica deve manter 80% da floresta em suas terras, pelo menos 20% no Cerrado. Se houver menos, foi desmatado ilegalmente. Mesmo que a soja da respectiva fazenda seja cultivada em uma subárea legal, ela está “contaminada com ilegalidade”, diz Börner. Usando dados de exportação dos distritos, os cientistas finalmente puderam comparar a quantidade de soja de um distrito que foi para a UE.

O bilhão de dólares trata de recursos do Brasil

A equipe de pesquisa da Fundação Floresta Úmida também visitou as aldeias do distrito de Formosa do Rio Preto, que está na linha de frente do desmatamento no Cerrado e a comunidade da Fazenda Estrondo que ali atua. Juntas, elas cultivam 305 mil hectares, uma área maior que a das cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo juntas. No passado, Estrondo foi repetidamente associada à grilagem de terras, títulos de propriedade questionáveis ​​e desmatamento ilegal.

Em maio de 2019, o Greenpeace, junto com uma equipe de televisão ARD, documentou um ataque armado por seguranças particulares a moradores da área controlada pela Estrondo. As fotos mostrando esse ataque podem ser encontradas em um relatório da WWF publicado em dezembro de 2019. O relatório também documenta que “Silos Cargill e Bunge na propriedade da Agronegócio-Estrondo no Cerrado brasileiro  para exportar a sua soja para Europa e Leste Asiático ”.

Não há medidas eficazes contra corte raso

Uma porta-voz do grupo Estrondo negou qualquer suspeita de desmatamento ilegal. A empresa também “sempre” procurou chegar a um acordo com os “ocupantes das terras”. Os supostos ocupantes, no entanto, geralmente são pequenos agricultores ou comunidades indígenas que vivem ali há muito tempo e cultivam áreas menores, muitas vezes sem título.

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Seguranças particulares da comunidade agrícola do Estrondo.  A Estrondo já foi acusada de grilagem ilegal de terras e desmatamento em grande escala no passado. A organização também é acusada de pressionar as autoridades locais, às vezes com o uso da força.  Foto: Victor Moriyama / Victor Moriyama para Rainforest Foundation

A Cargill não comentou as perguntas, mas disse no ano passado que “não tinha vínculos comerciais” com a administração da comunidade agrícola.

A Bunge, uma das maiores traders de commodities do mundo com US $ 43 bilhões em vendas, confirmou que recebe suprimentos de fazendas “dentro” da comunidade agrícola. Mas cada fazenda opera de forma independente. A soja também é entregue à Europa. Os negócios na região seguem uma “política de não desmatamento” própria e em linha com os critérios socioambientais da empresa. “Sempre que se constata que as empresas estão comprando matéria-prima em áreas que acabaram de ser desmatadas, elas se escondem atrás da promessa de desmatamento zero ou, se não houver outra opção, alegam que não se trata de desmatamento ilegal”, afirma. Ativista Yousefi. “Na verdade, eles falharam em implementar medidas eficazes de desmatamento em sua cadeia de abastecimento.

Imagens de satélite de agosto mostram que o distrito ao redor das fazendas estava novamente em chamas. Os residentes relataram à equipa de investigação da Rainforest Foundation sobre intimidação às forças de segurança de Estrondo e tiros de alerta. Mesmo assim, os negócios parecem estar indo bem: os dados de exportação de soja do distrito mostram uma taxa de crescimento de mais de 100% no primeiro semestre de 2020 em comparação com o mesmo período do ano anterior.

“O que você vê aí é corrupção”, diz Maurício Correia, da Ordem dos Trabalhadores Rurais do Estado da Bahia. Décadas atrás, a empresa roubou títulos de terra sobre os quais posteriormente construiu seu agronegócio. A Estrondo, por outro lado, está legitimamente posicionada “há 40 anos”.

Um juiz que foi em parte responsável pela redução dos baldios de 43 mil hectares para 9 mil hectares, de que beneficiou Estrondo e que Estrondo considera válido até hoje, está preso, diz Correia: “A maior parte dos seus postos de controlo nos baldios que tinham de seguir uma decisão do tribunal, mas eles ainda se comportam como os governantes lá. ” Estrondo não é um caso isolado, afirma o advogado – mas as dimensões da grilagem de terras são bastante grandes: a área da comunidade agrícola é maior do que a do Luxemburgo.  

A região da Bahia, onde a Estrondo atua, pediu agora o congelamento dos títulos de propriedade da empresa. É de alguma utilidade? A empresa aparentemente tem permissão para se expandir ainda mais. Já possui uma licença de corte para outros 25.000 hectares.

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Este artigo foi originalmente escrito em alemão e publicado pela Die Spiegel [Aqui!].

Gigante chinesa vai rastrear origem da soja para evitar compras em áreas desmatadas na Amazônia e no Cerrado

Cofco International da China verificará compras agrícolas do Brasil por danos ambientais

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A Cofco International Ltd., braço de comércio global da maior empresa de alimentos da China, prometeu rastreabilidade total de toda a soja que compra diretamente de agricultores no Brasil até 2023.

A promessa, incluída em seu último relatório anual de sustentabilidade, visa reduzir os danos ambientais e seria a primeira vez para um grande comerciante de colheitas. O compromisso forçaria a Cofco International Ltd. a rastrear toda a soja que compra no Brasil para fazendas e locais específicos que não são de terras desmatadas, segundo o relatório.

“Tornamos público nosso compromisso de rastreabilidade porque estamos preparados e queremos ser responsabilizados por ele”, disse Wei Peng, chefe global de sustentabilidade da Cofco International, em comunicado.

A empresa promete rastrear mais de 50% de suas compras de soja no Brasil em 2020, segundo Peng. A Cofco estimou anteriormente que manipulará entre 6,7 milhões e 7 milhões de toneladas de soja no país na temporada 2020-21, que começou em fevereiro.

A rastreabilidade total, que a Cofco disse que seria verificada por terceiros, deve ajudar a desacelerar o desmatamento que devastou algumas partes do Brasil, incluindo o bioma Cerrado.

georating-deforestation-score-2-scfUm dos 11 mapas de classificação geográfica do Cerrado Brasil: desmatamento em 2016/2017 (PRODES), metodologia Agrotools

Os comerciantes agrícolas globais foram criticados por seu papel na crise ambiental do Brasil, que se espalhou da floresta amazônica para os campos de savanas do Cerrado, que cobrem mais de 20% do país e representam mais da metade de suas colheitas de soja.

O objetivo da Cofco de rastreabilidade total identificaria as origens exatas de onde a soja veio e sua história com documentação de apoio que garantiria que não fosse de terras agrícolas recentemente convertidas em vegetação natural.

O mapeamento tem métodos e objetivos diferentes em relação à rastreabilidade, ressaltando as diferentes abordagens que os comerciantes estão adotando para resolver o problema, de acordo com a Bloomberg.

A rival da Cofco, Louis Dreyfus Co., disse em seu relatório anual de sustentabilidade esta semana que conseguiu rastrear cerca de 30% de suas compras diretas de soja no Brasil em 2019 e se comprometeu com a rastreabilidade de 50% em 2020.

A Cargill Inc., maior trader agrícola, disse nesta semana que mapeou 100% de sua base de fornecimento de soja no Brasil, o que significa que possui uma localização geográfica para as fazendas que comprou e para os intermediários que comprou soja como plantas de britagem e terminais de exportação.

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Este texto foi escrito originalmente em inglês e publicado no site da CLBrief [Aqui!].

Science revela as maçãs podres do agronegócio brasileiro

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A prestigiosa revista Science publicou nesta 5a. feira (16/07) um artigo na seção “Forum Policy” que deverá levantar ainda mais rugas nas testas do presidente Jair Bolsonaro e de seus auxiliares mais fiéis. Sob o título de “The rotten apples of Brazil´s agribusiness” (ou em bom português, “As maçãs podres do agronegócio brasileiro”, o artigo que tem como autor principal o professor Raoni Rajão, do Departamento de Engenharia de Produção  da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) apresenta um minucioso mapeamento que relaciona a produção de soja, que em parte considerável acaba exportada para a União Europeia, em terras ilegalmente desmatadas nos biomas da Amazônia e do Cerrado (ver mapa abaixo).

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Como os próprios autores adiantam no texto, os resultados desse estudo certamente criarão embaraços para o agronegócio brasileiro, não apenas com seus parceiros europeus, mas eventualmente com os chineses. É que dada a sensível situação que foi criada com a política do “passa boiada” engendrada pelo presidente Jair Bolsonaro e levada a cabo com inegável maestria pelos ministros Ricardo Salles (Meio Ambiente) e Tereza Cristina (Agricultura), agora ficará evidente que parte nada desprezível da soja brasileira está sendo produzida em áreas onde há forte possibilidade de que a remoção da vegetação nativa (floresta tropical ou Cerrado) foi feita de forma ilegal, ao arrepio do que determina a própria legislação brasileira.

Os autores do artigo incluíram ainda um cálculo sobre emissões de gases estufa associados à produção de commodities agrícolas produzidas em áreas desmatadas ilegalmente, o que deverá expor o papel indireto que a União Europa no aquecimento global por “não restringir as importações e consumir produtos agrícolas produtos contaminados com o desmatamento, ilegal ou não”.  O cálculo feito para a emissão de gases estufa apenas a partir da importação de soja  mostra que a União Europeia (UE) poderia ser responsável pela emissão indireta “de 58,3 ± 11,7 milhões de toneladas de CO2 equivalente (MtCO2e) do desmatamento legal e ilegal nos principais biomas brasileiros entre 2009 e 2017“. Os autores apontam ainda que “é provável que a parte da UE aumente como resultado de acordos comerciais Mercosul-UE e EUA-China“.

Uma curiosidade na publicação deste artigo e de outros que devem estar ainda nas prensas é que todo movimento para conter as informações produzidas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) são inúteis, e que informações ainda mais danosas para os interesses comerciais podem ser produzidas por equipes de cientistas que não estão sob o controle estrito do governo Bolsonaro. Nesse sentido, a marcha da ciência é, digamos, imparável. 

Quem desejar ler este artigo e os materiais suplementares publicados pela Science, basta clicar [Aqui!] e [Aqui!].

Um quinto das exportações de soja da Amazônia e Cerrado à UE é fruto de desmatamento ilegal

Estudo publicado na revista ‘Science’ por grupo de pesquisadores do Brasil, Alemanha e EUA identificou os produtores brasileiros responsáveis pela “soja contaminada” soja mataVista aérea das plantações de soja no limite da área da Floresta Nacional no baixo Tapajós, Pará. PABLO ALBARENGA

Por Heloísa Mendonça para o El País

Um estudo publicado nesta quinta-feira, 16, pela revista científica Science revela que, atualmente, 20% da soja brasileira produzida na Amazônia e no Cerrado exportada anualmente para a União Europeia (UE) é fruto de áreas de desmatamento ilegal. Para expor as “maçãs podres” do agronegócio, pesquisadores do Brasil, Alemanha e Estados Unidos desenvolveram um software de alta potência ―utilizando dados públicos e mapas― para analisar 815.00 propriedades rurais dos dois biomas e identificar as áreas de desmatamento ilegal recente associadas à produção de soja e carne bovina.

Os números revelados pelo levantamento corroboram com os dados do desmatamento crescente na Amazônia, que atingiu em junho deste ano a maior destruição registrada em cinco anos, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A publicação do estudo coincide com um momento de forte cobrança de investidores estrangeiros por ação mais efetiva do Governo de Jair Bolsonaro contra a destruição da floresta. Alguns países europeus já sugeriram que a União Europeia suspenda a compra de carnes e soja do Brasil e até mesmo não leve adiante o acordo comercial entre o Mercosul e o bloco europeu caso o país não tome providências para proteger a floresta amazônica. No ano passado, diversos líderes europeus criticaram o Governo brasileiro, durante os incêndios florestais de agosto de 2019, e convocaram boicotes aos produtos do país.

“É fundamental que a Europa use seu poder comercial e de compra para reverter esse trágico desmantelamento da proteção ambiental no Brasil e seus impactos no clima do planeta, nas populações locais e nos valiosos serviços ecossistêmicos que o país fornece”, afirma Britaldo Soares-Filho da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e coautor do artigo. Ele defende que, com a pesquisa, os legisladores em Bruxelas poderão avaliar melhor a dimensão do problema da produção brasileira de soja e carne.

A intenção dos pesquisadores é transferir a tecnologia do software para que o Brasil desenvolva um sistema melhor para rastrear o desmatamento ilegal em propriedades agrícolas. “Já não se pode dizer que não há uma solução para monitorar essas atividades. E parte dela está no fato do desmatamento ser muito concentrado. Cerca de 2% dos imóveis concentram mais de 60% do desmatamento do Cerrado e da Amazônia. Então você pode concentrar a fiscalização nessas áreas”, afirma ao EL PAÍS Raoni Rajão, professor da UFMG e autor principal do estudo ‘As maçãs podres do agronegócio brasileiro’.

Na avaliação do pesquisador, a operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) com as Forças Armadas na Amazônia― autorizada de maio a novembro ― para evitar queimadas e tentar conter o desmatamento tem um potencial de diminuir a destruição, mas é um instrumento que só funcionará caso o ministério do meio ambiente também se comprometa com o combate às ilegalidades. “Se não tiver um ministro do meio ambiente comprometido e uma mudança na situação do Ibama, que atualmente só perde fiscais, nada vai mudar. Vários analistas ambientais experientes que estavam em posições técnicas de comando estão sendo substituídos por diretores sem experiência. Isso tudo gera caos e consequentemente aumento do desmatamento”, afirma. O Governo também tem afrouxado uma série de medidas de proteção ambiental destinadas a combater o desmatamento ilegal em unidades de conservação e terras indígenas, leais guardiões das florestas nacionais.

Mais de ⅔ das exportações de soja para UE saem da Amazônia e Cerrado

Aproximadamente 41% (13,6 milhões de toneladas) das importações anuais de soja da UE são provenientes do Brasil e 69% desse total, da Amazônia e do Cerrado. Segundo o estudo, cerca de dois milhões de toneladas anuais de soja ilegalmente cultivada podem ter chegado nos mercados do bloco europeu durante os últimos anos. Desse total, 500.000 toneladas vieram da Amazônia.

No que diz respeito à carne bovina, a UE importa cerca de 189.000 toneladas por ano do Brasil. Os autores descobriram que, de um total de 4,1 milhões de cabeças enviadas ao abate, pelo menos 500.000 vêm diretamente de propriedades desmatadas ilegalmente. Isso representa 2% da carne produzida na Amazônia e 13% da produção do Cerrado. Contudo, o maior problema são os produtores indiretos, que fornecem os animais para a etapa da engorda, mas que não são monitorados pelos grandes frigoríficos, nem pelo Governo. Após a análise dos fluxos de animais entre as fazendas, o estudo estima que aproximadamente 60% de todas as cabeças abatidas (44% na Amazônia e 66% no Cerrado) podem estar envolvidas com o desmatamento ilegal em alguma etapa de sua produção.

A onda da soja

O Brasil é o maior produtor mundial de soja, seguido pelos Estados Unidos e Argentina. O estudo revela que a produção de soja, destinada principalmente à alimentação de gado leiteiro e de corte, está em alta em todo o país. A produção mais que quadruplicou nas últimas duas décadas e deve aumentar em mais um terço nos próximos dez anos, com um aumento de 42% nas exportações.

O produtores de carne suína da UE, maior exportador mundial, dependem da soja brasileira, ingrediente essencial também para a criação de aves e outros animais. O aumento da demanda por carne suína na Ásia e em outras regiões tem estimulado a produção animal e, consequentemente, de soja, que serve de ração. Por sua vez, o boom da soja atinge particularmente a região do Cerrado brasileiro, a maior savana tropical do mundo. Conhecido por sua grande biodiversidade, o Cerrado já perdeu a metade de sua vegetação nativa.

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Este artigo foi originalmente publicado pelo jornal El País [Aqui!].

 

Greenpeace bloqueia na França chegada de navio carregado de farelo de soja contaminado com desmatamento no Brasil

O produto saiu do porto de Cotegipe, onde a grande maioria da soja exportada vem do Cerrado brasileiro, e tinha como destino o mercado europeu

forest killerA ação busca chamar a atenção para a necessidade urgente de ação por parte de governos e empresas frente à crise climática.

Por Greenpeace Brasil

“Já que o governo Francês é incapaz de cumprir seu compromisso de combater o desmatamento e as mudanças climáticas, decidimos fazer isso por eles”, disse Cecile Leuba, da campanha de florestas do Greenpeace França. Na manhã de hoje (no horário do Brasil), cerca de 50 ativistas bloquearam a chegada do navio cargueiro ELLIREA, que saiu do porto de Cotegipe, em Salvador, com destino ao porto de Sète. O cargueiro transportava 50 mil toneladas de farelo de soja , que provavelmente seria usado para alimentação animal na França e na Eslovênia, destinos finais da carga do navio.

A ação acontece duas semanas após a publicação pelo Greenpeace Internacional do relatório Contagem Regressiva para a Extinção, que expõe o modelo de negócio predatório de grandes empresas em tempos de crise climática. De 2010 a 2020, período no qual  centenas de empresas se comprometeram a acabar com o desmatamento em suas cadeias produtivas, de diversas commodities agrícolas, 50 milhões de hectares de floresta foram desmatadas em todo o mundo para ampliar essa produção — o equivalente a uma área quase do tamanho de Minas Gerais.

Para chamar a atenção para a necessidade urgente de ação frente à crise climática, que faz vítimas no mundo todo, os ativistas do Greenpeace bloquearam o acesso do navio ao cais, em Sète, impedindo que ele atracasse, com um ativista pendurado em sua âncora. Os quatro guindastes que seriam utilizados para descarregar o produto também foram ocupados por ativistas, com banners com as mensagens “Agricultura industrial = desmatamento” e “Aviso: soja de desmatamento”. No casco do navio foi pintada a mensagem “Assassino florestal”.

O cultivo de soja já foi um dos principais vetores de desmatamento da Amazônia, até o estabelecimento da Moratória da soja em 2006. Porém, o cultivo do grão se expande sobre o território do  Cerrado brasileiro, a Savana mais biodiversa do mundo, deixando um rastro de desmatamento e muitas vezes conflitos sociais pelos territórios radicionalmente ocupados pela população indígena e outras populações tradicionais. O Cerrado, que ocupava 24% da área do Brasil, já perdeu quase metade de sua vegetação original. Mesmo assim,  a soja da região continua ganhando os mercados internacionais: ao menos 88% desse grão que sai do porto de Cotegipe vem do Cerrado e tem como destino países como a China, Espanha, Alemanha e França, onde o produto é majoritariamente usado na alimentação de animais de corte , como frangos, porcos e bois.

“Diversas empresas fizeram uma promessa há 10  anos aos seus consumidores, de que fariam a sua parte para acabar com desmatamento nos produtos que comercializam, isso teria um papel fundamental para minimizar a emergência climática que estamos enfrentando”, disse Rômulo Batista, da campanha de florestas do Greenpeace Brasil. “O curioso é que as mesmas empresas que ajudaram a sociedade a criar a Moratória da Soja, um importante mecanismo de proteção da Amazônia, hoje se negam a preservar o Cerrado e isso é inaceitável”, completa.

Os ativistas franceses exigem que os governo de seu país implemente regras mais rígidas para a entrada de produtos agrícolas não apenas do Brasil, mas de diversos outros países, com a comprovação que os produtos não têm relação com desmatamento e violações dos direitos humanos. Os franceses também buscam chamar a atenção de sua população sobre o consumo excessivo de carne e laticínios e seu impacto em ambientes como o Cerrado, a Amazônia e o Gran Chaco todos na América Latina.

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Este artigo foi originalmente publicado pelo Greenpeace Brasil [Aqui!].

Restauração ecológica com sistemas agroflorestais

Como conciliar conservação com produção: opções para Cerrado e Caatinga

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Esta publicação tem como principal objetivo orientar a adoção de sistemas agroflorestais (SAFs) para restauração de áreas degradadas (ou alteradas), de maneira a conciliar conservação ambiental com benefícios sociais e econômicos.

Fruto de uma construção coletiva que alia conhecimento técnico e científico com saberes locais e experiências inovadoras, o livro traz uma série de orientações para técnicos, agricultores e formuladores de políticas a respeito de como SAFs podem e devem ser utilizados para restaurar as diversas funções ambientais previstas para áreas de conservação ambiental (Área de Preservação Permanente – APP e Reserva Legal) na nova Lei Florestal.

Quem desejar baixar esta obra gratuitamente, basta clicar [Aqui!].

Desmantelamento de leis e caos ambiental sob Bolsonaro

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Na imagem os ministros Ricardo Salles (Meio Ambiente) e Tereza Cristina (Agricultura) se “vestem de índios” ao visitar uma monocultura de soja plantada ilegalmente em terra indígena no Mato Grosso.

O site “Direto da Ciência” divulgou hoje a publicação de um artigo publicado pela revista Nature Ecology & Evolution dando conta dos efeitos dramáticos que a chegada de Jair Bolsonaro à presidência da república poderá em termos da aceleração do processo de erosão de medidas de proteção ambiental no Brasil.

Como alguém que tem estado envolvido em estudos sobre a dinâmica de desmatamento da Amazônia brasileira desde o início da década de 1990 e nas repercussões do uso de agrotóxicos sobre a saúde humana e ecossistemas naturais, só posso ficar ainda mais preocupado com os elementos levantados por Denis Abessa, Ana Famá e Lucas Buruaem.

É que todas as ações que já foram tomadas no âmbito dos ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente sinalizam para um aprofundamento do processo de desmantelamento do frágil sistema de proteção ambiental que foi implantado a duras penas no Brasil a partir de 1973 com a criação da Secretaria Especial do Meio Ambiente que ficou sob o comando do recentemente falecido João Paulo Nogueira Neto.

Os efeitos deste desmantelamento serão sentidos por gerações inteiras, na medida em que se contribuirá para a ampliação da degradação ambiental em todo o território, mas especialmente na Amazônia e no Cerrado, justamente num momento em que as primeiras manifestações de eventos atmosféricos extremos que estão associadas às mudanças climáticas globais estão se manifestando em diversas partes do planeta, como foi o caso do ciclone Idai que arrasou cidades inteiras em Moçambique e no Zimbábuae.

Para ler mais sobre este artigo, sugiro a leitura da matéria publicada no Direto da Ciência que pode ser acessada [Aqui!]