E agora Paulo Guedes? China aplica medidas anti-dumping contra exportações brasileiras de carne de frango

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O ministro da Economia, Paulo Guedes, anunciou recentemente (mas aparentemente depois voltou atrás) a remoção de medidas anti-dumping contra o leite produzido na União Européia e na Nova Zelândia, gerando uma série de protestos de produtores brasileiros que se viram ameaçados pelo que seria uma concorrência desvantajosa por causa dos menores preços praticados fora do Brasil. 

anti dumping china

Hoje ficamos sabendo que a China, segundo maior importador de carne de frango brasileira, resolveu sobretaxar as exportações brasileiras entre 17,8% e 32,4%, por um período um período de cinco anos, por causa daquilo que os chineses consideram concorrência desleal com seus produtores domésticos por parte do agronegócio brasileiro.

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Fonte: MDIC

O mais interessante é que esse cabo de guerra com a China se segue após uma outra com a Arábia Saudita que também suspendeu a importação de carne de frango brasileiro, num aparente retaliação à anunciada mudança da embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém.

E há que se lembrar que a região Sul concentra os estados que lideram a exportação de carne de frango.   É interessante notar que nos três estados do Sul  (Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina) ocorreram vitórias contundentes do presidente Jair Bolsonaro nas eleições de 2018.    Em outras palavras, a situação que se desenha é muito diferente que levou o agronegócio exportador a apoiar Jair Bolsonaro.

Vamos ver até que ponto irá a anunciada intenção do ministro da Economia de liberalizar completamente o comércio internacional do Brasil, justamente em um momento em que os exportadores brasileiros sofrem tantos, digamos, desgostos.

Enquanto chineses fazem algodão crescer no lado escuro da Lua, o Brasil aposta no banho de sangue

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Duas notícias aparentemente díspares mostram a distância em que China e Brasil se encontram neste momento. A primeira é a sensacional novidade de que os chineses conseguiram o ineditismo de fazer uma semente de algodão germinar no lado escuro da Lua.

Como informou o jornal português Público, o sucesso da semente de algodão representa a primeira “mini-experiência” de cultivo bem-sucedida da missão chinesa (e de qualquer outra nação, já agora) em solo lunar [1]. Isto logo depois de a China ter sido também o primeiro país a pousar um módulo no lado oculto da Lua, a 3 de Janeiro.

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Imagem do recipiente especial onde estão as sementes levadas para solo lunar UNIVERSIDADE DE CHONGQING/EPA

O sucesso da missão chinesa na Lua é consequência do massivo a a  em ciência que a China vem empreendendo nas últimas décadas, a ponto de se estimar que a produção científica chinesa vá ultrapassar a dos EUA.  Tal feito aponta para uma realidade bastante promissora par a economia chinesa, pois os avanços científicos estão sendo orientados para livrar o país da dependência da produção de produtos industrializados de baixo valor agregado.

A segunda notícia foi a lamentável decisão do governo federal do Brasil de liberar a compra de até 4 armas de fogo por cidadãos acima de 25 anos. Ao lado do fato de que o Brasil já detém o recorde de ser o país onde mais se mata com arma de fogo no mundo (estimativas dão conta de 45 mil mortes anuais), a liberação de armas ocorre num momento de grave crise econômica e social.  Assim, a chance de que os números de assassinatos crescem ainda mais, pondo o Brasil na antessala de um banho de sangue inédito até para seus padrões altamente violentos.

Enquanto isso, a ciência brasileira está sob forte ataque ideológico já que vários dos novos dirigentes de importantes agências científicas brasileiras são discípulos de uma personagem que coloca em dúvida até o heliocentrismo!

O resultado do descompasso que essas notícias desvalam não é difícil de se antever: os chineses vão continuar produzindo suas proezas científicas, enquanto o Brasil continuará sendo o país detentor do maior recorde de mortes por armas de fogo.

Enquanto o Brasil vira anão diplomático, as placas tectônicas da geopolítica global se movem para longe do dólar

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Líderes da Índia, Rússia e China tomam medidas para “desdolarizar” suas economias que alteram balanço geopolítico global.

Enquanto o Brasil sob o Jair Bolsonaro  se move cada vez mais para se comportar como um satélite dos EUA, a Rússia, a Índia e a China estão realizando vários movimentos que deverão colocar Donald Trump sob maior pressão (como se ele precisasse disse a estas alturas do campeonato).

O principal instrumento dessa pressão é a “desdolarização” das economias destes 3 gigantes da economia global, principalmente a Rússia que vendeu cerca de 101 bilhões de dólares de suas reservas cambiais para comprar Yuans (moeda chinesa) e Euros, conforme reportagem assinada pelas jornalistas Natasha Doff e Anna Andrianova para a Bloomberg [1].

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Esse movimento russo está sendo acompanhado pela China e pela Índia, o que deverá gerar abundância de dólares no mercado, o que implicará em mais perdas para a economia estadunidense que, convenhamos, já não vem bem lá das pernas.

Para adicionar ainda mais pressão sobre os EUA, há o surgimento de processos de compras de commodities por canais pouco tradicionais que incluem a troca direta de produtos que dispensam o uso de moedas (ou seja uma volta ao  método do escambo que vigorou nos primórdios da colonização portuguesa do Brasil), a começar pelo petróleo que envolvem triangulações entre os membros do RICS (agora que Bolsonaro e seu ministro de Relações Exteriores cético das mudanças climáticas decidiram alinharo Brasil aos interesses dos EUA).

Essas mudanças na forma com que se dão as relações comerciais associadas à “desdolarização” da economia podem indicar que o caminho sendo tomado pelo Brasil é do tipo que se chama de “loose-loose”.  É que com esses novos alinhamentos na geopolítica mundial, escolher ser satélite dos EUA não parece ser a opção mais inteligente.

JP Morgan informa: nuvens negras avançam sobre a economia mundial em 2019

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Enquanto no Brasil se vive uma espécie de transe com todas as medidas já implementadas pelo governo Bolsonaro, os sinais que apontam no horizonte da economia mundial indicam que em 2019 a economia mundial deverá, muito em conta por causa da guerra comercial entre os EUA e a China.

Pelo menos isso é o que acreditam os analistas da J.P. Morgan Chase conforme aponta a jornalista Sarah Feldman no artigo que segue abaixo. Em outras palavras, a coisa está mais para tempestade do que para céu de brigadeiro na economia mundial.

E no meio desse turbilhão, seguirá o Brasil sob o comando do governo Bolsonaro.

Crescimento Global da Economia deverá diminuir em 2019

Por Sarah Feldman para o Statista

Enquanto uma turbulência política e diplomática varreu o cenário mundial no último semestre de 2018, as perspectivas econômicas para 2019 foram atingidas, de acordo com novas estimativas do JP Morgan.

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A China experimentou um crescimento de 6,6% no PIB real em 2018,  mas para 2019 o JP Morgan estima que o país chegará perto de um crescimento de 6,2% no PIB real. Os Estados Unidos experimentaram um crescimento de cerca de 3% do PIB real em 2018. A partir de 2019, segundo o JP Morgan os EUA podem esperar uma taxa de crescimento do PIB real de 2,4%.

Essas taxas de crescimento reduzidas vêm depois do início da guerra comercial entre os EUA e a China atingiu um crescendo no final do ano. Na Cúpula do G20, houve promessas de ambos os lados para aliviar as tensões, embora essas garantias ainda não tenham se traduzido em ações substanciais. No período que antecedeu os feriados, o mercado acionário perdeu todos os seus ganhos desde setembro de 2017. As perspectivas de crescimento global para o mundo e para a área do euro permanecem relativamente estáveis, com pouco ou nenhum crescimento previsto do PIB real.


O artigo de Sarah Feldman foi originalmente publicado em inglês [Aqui!]

Enquanto Brasil afronta, EUA vendem soja para a China

As últimas semanas têm sido caracterizadas por uma série de ataques de membros da família Bolsonaro contra a China, percebida como um dos componentes de uma pretensa ameaça comunista ao Brasil [1]. Isto em que pese a China ser atualmente o primeiro parceiro comercial do Brasil, sendo inclusive o principal mercado para a soja, principal commodity da agricultura brasileira.

Pois bem, eis que hoje (13/12), o jornal China Daily publicou uma matéria informando que a China irá realizar uma grande aquisição de soja, só que dos EUA [2].  Esta compra será segundo o China Daily, uma espécie de porta voz extra oficial do governo chinês, uma demonstração de boa vontade da China para com os EUA no processo de retomada de negociações para resolver as pendências comerciais existentes entre os dois países.

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Como se pode verificar de apenas esta única aquisição que beira o valor de US$ 180 milhões, o governo Trump pode até arreganhar os dentes para a China, mas não tem como desprezar o potencial de consumo do mercado chinês. E aí o que conta é a necessidade de vender produtos, e a ideologia que se dane.

A coisa é que a geopolítica da trocas capitalistas não tem mais (se algum dia já teve) espaço para amadores. E seria bom que o governo Bolsonaro entendesse isso logo na relação com a China. Do contrário, quem vai acabar sendo isolado do mercado chinês de soja será o Brasil. Aí eu gostaria de ver o que diriam os latifundiários que ajudaram a eleger Jair Bolsonaro.


[1] https://www.brasil247.com/pt/247/poder/376943/Chanceler-informal-Eduardo-Bolsonaro-amea%C3%A7a-rela%C3%A7%C3%A3o-Brasil-China.htm

[2] http://www.chinadaily.com.cn/a/201812/13/WS5c127dbaa310eff303290e56.html

Eduardo Bolsonaro brinca de General Custer e China pode se tornar o “Last Stand” do Brasil

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Todos minimamente familiarizados com a história militar dos EUA já deve ter ouvido falar do General George Armstrong Custer (que na verdade terminou seus dias como Capitão) e seu fatídico final na Batalha de Little Big Horn. 

Pois é exatamente do General Custer que me lembro quando começo a ler as declarações do deputado federal Eduardo Bolsonaro sobre as relações comerciais do Brasil com a China. É que seja qual for a opinião que o filho do presidente possa ter sobre o que bem lhe apetecer, não me parece que ficar provocando o principal parceiro comercial do Brasil seja algo que trará bons resultado para a nossa já combalida economia.

Para melhor ilustrar o que considero um completo “nonsense”  ficar repercutindo as posições do governo dos EUA como se fosse de interesse do Brasil, posto abaixo dois mapas dos estados brasileiros mostrando os principais parceiros comerciais nos quesitos de exportação e importação.

Como os mapas mostram, o Brasil depende muito mais da China para vender suas coisas e dos EUA para comprar o que precisa para, entre outras coisas, gerar a produção que vai acabar nos portos chineses.  

Por isso, ao continuar provocando o país do qual mais estados brasileiros dependem para exportar sua produção, o que Eduardo Bolsonaro pode acabar causando é um prejuízo incalculável aos interesses dos exportadores brasileiros.  Desta forma, a China pode acabar sendo transformada numa espécie de “Last Stand” do Brasil se não a verve de Eduardo Bolsonaro não for amansada.

Como a China está neste momento num grande confronto com o governo Trump, quanto mais tempo demorar para que isto aconteça, maior será a chance de que uma crise política ocorra.

Estudo afirma que políticas climáticas da China, Rússia e Canadá ameaçam uma mudança de 5°C

O ranking das metas dos países mostra que até mesmo a UE está em curso por mais que o dobro do nível seguro de aquecimento

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Vendedores perto de uma usina movida a carvão na China. Foto: Kevin Frayer / Getty Images

Por Jonathan Watts, editor de questões do Clima Global do “The Guardian”, [1]
As atuais políticas climáticas de China,  Rússia e  Canadá poderão levar o mundo a um catastrófico aquecimento de 5°C até o final do século XXI, de acordo com um estudo que classifica as metas climáticas de diferentes países.

Os Estados Unidos ea Austrália estão apenas um pouco atrasados, com o aumento da temperatura global perigosamente acima dos 4°C acima dos níveis pré-industriais, diz o jornal, enquanto a União Europeia, que normalmente é vista como líder climática, está a caminho de mais que dobrar o 1,5 °C que os cientistas dizem que é um nível moderadamente seguro de aquecimento.

O estudo, publicado na sexta-feira na revista Nature Communications, avalia a relação entre a ambição de cada nação de reduzir as emissões e o aumento de temperatura que resultaria se o mundo seguisse seu exemplo.

O objetivo do artigo é informar os negociadores climáticos ao iniciarem um processo de dois anos de aumento dos compromissos climáticos, que atualmente estão muito aquém da meta de 1,5 a 2 anos estabelecida na França há três anos.

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O site relacionado também serve como um guia de como as nações estão compartilhando o fardo de responder à maior ameaça ambiental que a humanidade já enfrentou.

Entre as principais economias, o estudo mostra que a Índia está liderando o caminho com uma meta que está apenas ligeiramente fora do curso para a 2 °C. Os países menos desenvolvidos são geralmente mais ambiciosos, em parte porque têm menos fábricas, usinas e carros, o que significa que eles têm menos emissões para controlar. 

No lado oposto do espectro estão a potência industrial chinesa e os principais exportadores de energia que não estão fazendo quase nada para limitar as emissões de dióxido de carbono. Estes incluem a Arábia Saudita (petróleo), a Rússia (gás) e o Canadá, que está atraindo grandes quantidades de óleo sujo das areias betuminosas. Os lobbies de combustíveis fósseis nesses países são tão poderosos que as promessas climáticas do governo são muito fracas, colocando o mundo em rota para mais de 5  ºC de aquecimento até o final do século. 

Apenas um pouco melhor é o grupo de países que está empurrando o planeta para além do 4°C. Entre eles estão os EUA, que têm enormes emissões de energia, indústria e agricultura, um pouco compensadas por promessas de cortes modestos e mais renováveis. A Austrália, que continua fortemente dependente das exportações de carvão, também está nessa categoria. 

As ricas sociedades de compras da Europa se saem ligeiramente melhor – em grande parte porque as emissões dos produtos são calculadas na fonte de manufatura e não no ponto de consumo – mas os autores do artigo dizem que suas ações estão aquém de suas promessas de dar um exemplo positivo.

O estudo provavelmente será controverso. Sob o acordo de Paris, não há um consenso de cima para baixo sobre o que é uma parcela justa de responsabilidade. Em vez disso, cada nação estabelece suas próprias metas de baixo para cima de acordo com vários fatores diferentes, incluindo vontade política, nível de industrialização, capacidade de pagamento, tamanho da população, responsabilidade histórica pelas emissões. Quase todos os governos, dizem os autores, selecionam uma interpretação da equidade que serve a seus próprios interesses e permite que eles obtenham um ganho relativo em outras nações. 

Para contornar esses conceitos diferentes de justiça, o jornal avalia cada nação pelos padrões menos rigorosos que eles mesmos definem e, em seguida, extrapola isso para o mundo. Ao fazê-lo, os autores dizem que podem “operacionalizar discordâncias”. 

Levando em conta as diferentes interpretações, eles dizem que o mundo precisa se comprometer com uma meta virtual de 1.4°C para atingir uma meta de 2°C. Eles esperam que sua métrica de patrimônio possa ser usada nas negociações climáticas da ONU no mês que vem, em Katowice, e em casos de litígio climático. 

Os autores disseram que o estudo poderia no futuro ser estendido para o nível subnacional, como estados individuais dos EUA. Eles também observam que alguns setores-chave estão atualmente omitidos, incluindo a mudança no uso da terra (que é fundamental em nações com rápido desmatamento, como Brasil, Argentina e Indonésia), transporte marítimo internacional e aviação.

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O Brasil está perdendo grandes extensões de florestas naturais para atividades como mineração, extração de madeira e agricultura. Foto: Carl de Souza / AFP / Getty Images

Embora o estudo ressalte a enorme lacuna entre a vontade política e o alarme científico, Robiou du Pont disse que isso deve inspirar e não desestimular as pessoas. “O resultado positivo deste estudo é que temos uma métrica para avaliar o aumento da ambição. A sociedade civil, especialistas e tomadores de decisão podem usar isso para responsabilizar seus governos e, possivelmente, realizar casos de litígio climático, como aconteceu recentemente na Holanda ”, disse ele.

“Esta métrica traduz a falta de ambição em escala global em escala nacional. Se olharmos para o objetivo de tentar evitar danos à Terra, então estou pessimista, pois isso já está acontecendo. Mas isso deve ser uma motivação para aumentar a ambição e evitar o aquecimento global o mais rápido possível. Cada fração de um grau terá um grande impacto ”.

Comentando sobre o estudo, outros acadêmicos disseram que ele poderia ser usado por qualquer um para mostrar como a ação climática pode ser navegada em um mundo em que cada país se classifica baseado no que eles consideram justo.

“Este documento fornece um meio para os países verificarem como sua contribuição pode ser percebida por outros países e, assim, julgar se eles são percebidos como líderes climáticos ou retardatários”, disse Joeri Rogelj, do Imperial College London.


Artigo publicado originalmente em inglês [1]