Manchete que está faltando: contagiadas pela China, bolsas mundiais afundam e ameaçam aprofundar recessão mundial

china

Tenho hábito de todas as manhãs ler os principais veículos de mídia em inglesa, e na manhã desta segunda-feira (23/08) estou lendo manchetes sobre o mergulho profundo que ocorreu nas bolsas de valores da Ásia e que já contaminou o mercado de ações na Europa. Os principais motivos para essa segunda-feira devastadora são o desaquecimento da economia da China e o seu efeito sobre a tímida recuperação que se esboçava na economia dos EUA. O jornal inglês inglês “The Guardian” já colocou online uma matéria com a estimativa que só nas bolsas chinesas as perdas alcançaram 40 bilhões de libras esterlinas (uma bagatela equivalente a 220 bilhões de reais ao câmbio de hoje) (Aqui!).

Ainda que eu saiba que a imprensa corporativa brasileira possui horários diferenciados, procurei ver o que apareceu e para minha surpresa, quase nada. Aliás, há que se mencionar o site brasileira da Agência Reuters que já colocou no ar uma pequena matéria com um título muito revelador “Ações chinesas têm queda brutal e devolvem ganhos do ano (Aqui!).

Em relação ao Brasil, a expectativa é de que a Bolsa de Valores de São Paulo vá sofrer também um forte impacto, mas esse é o menor dos problemas. É que muitos analistas avaliam que haverá uma queda ainda maior no preço do petróleo e um desaquecimento ainda maior no preço das principais commodities minerais, ameaçando, entre outras coisas, colocar o custo da extração do pré-sal acima do valor pago pelo petróleo. Ambos fatores atingem diretamente o modelo neodesenvolvimentista (ou seria neoextrativista?) abraçado pelo Brasil desde a ascensão do neoPT ao poder. 

A questão que se coloca é sobre quando começaremos a ter uma cobertura pela mídia brasileira que esteja à altura dessa pequena hecatombe que assola as bolsas mundiais e que ameaça recolocar a economia mundial em um modus operandi de recessão profunda?

Minério: guerra se anuncia

Um sinal de alerta para o Pará se acendeu diante da estratégia da Vale de aumentar ainda mais o já abusivo volume de produção de minério de ferro em Carajás.

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Por Lúcio Flávio Pinto, Em seu blog

Um sinal de alerta para o Pará se acendeu diante da estratégia da Vale de aumentar ainda mais o já abusivo volume de produção de minério de ferro em Carajás.

A estratégia da Vale é de aumentar ainda mais o volume de produção de minério de ferro em Carajás. É a estratégia da mineradora para derrubar concorrentes menos afortunados pela sorte de dispor de uma jazida tão rica e explorá-la com custos menores, e, a médio e longo prazo, conseguir a recuperação dos preços do produto, sobretudo junto ao seu principal cliente, a China.

Movimento também seguido pelos seus principais concorrentes, justamente os maiores produtores de ferro de custo inferior, que se armam para enfrentar uma competição selvagem, que interessa diretamente ao Pará, maior exportador para a China e segundo maior produtor do minério no Brasil.

Andy Xie, antigo economista-chefe do Morgan Stanley, hoje consultor independente, garante que a queda nos preços do minério ainda não terminou, podendo chegar na faixa de 30 dólares a tonelada neste ano, porque a demanda por aço na China prossegue em baixa, enquanto a oferta continua crescendo.

Com a intensa especulação desencadeada pela queda do mercado de ações na China, provocando a suspeita do início de uma bolha, o preço do minério de ferro sofreu 10 dias seguidos em queda, atingindo no dia 8 a maior baixa diária desde 2009. Com as medidas adotadas pelo governo chinês para segurar as bolsas, o minério de ferro teve alta de 9,9%, a maior diária em seis anos, e fechou em US$ 48,99.

“Olhe para a Austrália, onde novos projetos estão por vir. Olhe para tudo isso que está aí, para BHP, Rio Tinto, Vale. Eles não vão cortar a produção, porque não faz sentido. Por que você cortaria a produção e deixaria os produtores de alto custo voltarem ao mercado?”, disse Xie à agência de notícias.

Em fevereiro, o economista disse que o minério de ferro cairia abaixo de US$ 40 a tonelada, devido à expansão da oferta de baixo custo e ao encolhimento da demanda. Xie, que também trabalhou no Banco Mundial e negociou por mais de 20 anos na China, disse na semana passada que permanece com a mesma perspectiva de queda nos preços.

A previsão do economista para o crescimento da oferta se confirma com as projeções da Austrália. Os embarques do país, que é o principal exportador de minério, vão aumentar 10% no ano que vem, mais do que o dobro do ritmo previsto para 2015, segundo dados do governo australiano, informou a Bloomberg.

“No longo prazo, nós precisamos apenas dos grandes produtores de baixo custo. Todos esses produtores marginais que apareceram por causa dos preços altos precisam desaparecer”, afirmou o economista. Se suas previsões continuarem a se realizar, será uma perspectiva favorável para a Vale. Mas nem tanto para o Pará, que não terá rendimento proporcional ao da empresa.

Alíquota do imposto

Há dois anos o projeto do novo Código de Mineração está paralisado na Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados, em Brasília. Seu relator, o deputado Leonardo Quintão (do PMDB de Minas Gerais), acha que pode colocá-lo para votação com a inclusão no texto de quatro variações de alíquotas.

Quando o minério ficar abaixo de 60 dólares a tonelada (como está agora), as empresas pagariam 1% do faturamento bruto com a exploração. A alíquota subiria para 2% quando a tonelada do ferro ficasse entre US$ 60 e US$ 80, e 3% de US$ 80 a US$ 100. Ela atingiria 4% apenas quando o preço ultrapassar a barreira de US$ 100 a tonelada.

O deputado espera poder pautar a votação do projeto até o próximo mês. Entretanto, seu texto ainda não foi apresentado à comissão especial que analisa o tema.

FONTE: http://www.mst.org.br/2015/07/15/minerio-guerra-se-anuncia.html

Ferrovia inviável é apenas um passo chinês para transformar Brasil em seu laranja

brasil

Eu achava que já tinha visto de tudo em relação ao combalido ao governo comandado pela presidente Dilma Rousseff, mas acabo de verificar que o fundo do poço não é o limite. É que segundo o que informa o site “Infomoney” a propolada Ferrovia Bioceânica, que deverá custar a “bagatela” de R$ 40 bilhões, na verdade não passa de um blefe chinês para pressionar a pobre Nicarágua que resiste em aceitar uma série de medidas para viabilizar a construção do chamado “Canal da Nicarágua” que ligaria o Atlântico ao Pacífico, e que teriam graves efeitos socioambientais.

Segundo o que mostra a matéria abaixo Ferrovia Bioceânica é economicamente inviável, e sei custo operacional não é competitiva com o Porto de Santos, apenas para começo de conversa. Em função disso, a “Ferrovia Bioceânica” estaria correndo o risco de ser outro mico do Neodesenvolvimentismo lulopetista, nos mesmos moldes  do Trem Bala que ligaria as capitais do Rio de Janeiro e São Paulo.

Se esse cenário, digamos, cítrico se confirmar, um óbvio perdedor seria o Porto do Açu que continuaria pendurado numa região sem grandes opções de acesso rodoviária ou ferroviário, o que certamente aumentaria ainda mais as pressões em torno da sua viabilidade econômica. Bem que eu suspeitei que essa coisa toda era boa demais para ser verdade. Afinal de contas, quando a esmola é demais, o bom santo deve desconfiar.

 

China pode usar Brasil como laranja por meio de ferrovia “inviável” de R$ 40 bilhões

SÃO PAULO – Um dos pontos de destaque do plano de concessões de R$ 198,4 bilhões anunciado ontem pelo governo para reativar a economia foi o projeto de R$ 40 bilhões da Ferrovia Bioceânica, que ligará o Brasil e o Peru e tem o apoio dos chineses. Porém, muitas polêmicas cercam o plano desta obra gigante e bilionária. Segundo informações do jornal O Estado de S. Paulo citando um estudo realizado pela seção latino-americana da União Internacional de Ferrovias, o projeto é economicamente inviável. O custo do transporte de uma tonelada de soja de Lucas do Rio Verde até Xangai, na China, sai por US$ 120,43 se a mercadoria for embarcada no porto de Santos (SP). Pelo porto de Ilo, no Peru, o frete sai a US$ 166,92. Uma diferença de US$ 46,49 por tonelada. E o cálculo ainda não leva em conta o custo da construção, que não existe.

E, por sua grandiosidade e sustentabilidade econômica duvidosa, o projeto está sendo comparado por empresários pelo TAV (Trem de Alta Velocidade) que ligaria o Rio a Campinas, em São Paulo. O projeto foi menina dos olhos de Dilma Rousseff no governo de Lula, quando ela era ministra e hoje está engavetado. Além disso, uma coluna do jornalista Kennedy Alencar destacou que a Ferrovia Bioceânica foi incluída no pacote de concessões a pedido das autoridades chinesas que estiveram em Brasília recentemente. Segundo informa Alencar, ministros desconfiam que esse projeto possa ser usado pela China para pressionar a Nicarágua, onde há resistências ambientais e dificuldade de desapropriação de terras, a liberar a construção de um canal ligando o Mar do Caribe, no Atlântico, ao Oceano Pacífico. “Ou seja, há risco de o Brasil acabar sendo usado como laranja”, afirma.

Como foi um pedido da China, que firmou acordos de cerca de US$ 50 bilhões com o Brasil no mês passado, a presidente avaliou que não havia alternativa e colocou a obra no plano. Porém, a China já deixou de cumprir algumas promessas de investimentos no Brasil, destaca o colunista. Contudo, afirma Alencar, o novo pacote de concessões lançado ontem pelo governo tem mais pontos positivos do que negativos. Defesa do ministro No Senado, o ministro do Planejamento Nelson Barbosa procurou rejeitar a ideia de que a ferrovia Bioceânica pode ter o mesmo fim do trem-bala. “Trem-bala só faz sentido se fizer todo traçado, a ferrovia Bioceânica pode ser feita em partes, começando pelas que são mais viáveis comercialmente”, disse ele nesta quarta-feira, após ser questionado sobre a real viabilidade do projeto, citando os trechos de Sapezal (MT) a Porto Velho (RO) e de Água Boa (MT) até Campinorte (GO).

Durante audiência nesta quarta, Barbosa afirmou que uma série de definições para a Bioceânica ainda dependem da conclusão dos estudos pela China, o que deve ocorrer em maio de 2016, mas defendeu que a ferrovia já se justifica só pelo lado brasileiro no trecho até Porto Velho, para escoamento da produção via rio Madeira, melhorando a infraestrutura para transporte de grãos.

fonte: http://www.infomoney.com.br/mercados/politica/noticia/4094309/china-pode-usar-brasil-como-laranja-por-meio-ferrovia-inviavel

Por que a desaceleração da China importa para o mundo

(Reuters)
Após décadas de forte crescimento, gigante asiático apresenta sinais de menor atividade econômica

Depois de um período de forte crescimento, a economia da China está agora desacelerando.

Até 2010, o PIB (Produto Interno Bruto, a soma de bens e serviços produzidos por um país) cresceu em média 10% ao ano durante três décadas.

Mas desde então a atividade econômica perdeu força. No ano passado, a economia chinesa cresceu 7,4%. Segundo a previsão mais recente do Fundo Monetário Internacional (FMI), o PIB do país deve registrar alta de 6,8% neste ano e 6,3% em 2016.

Mas por que isso é importante?

Por que a economia da China está desacelerando?

Crédito: Reuters
Política do filho único na China pode levar à escassez de trabalhadores?

O governo queria uma retração, e, de certa forma, a incentivou porque há forças de longo prazo que, inevitavelmente, produziram tal resultado.

O melhor dos mundos é que o gigante asiático obtenha uma desaceleração moderada ─ chamada de “aterrisagem suave” ─ do que uma abrupta.

Além disso, o rápido crescimento econômico do país era baseado em alguns fatores que não durariam para sempre.

Níveis de investimento muito altos têm papel fundamental nessa história.

No ano passado, eles respondiam por 48% do PIB, segundo estimativas do FMI.

Para efeitos de comparação, no mesmo período, no Brasil, essa proporção era de 19,7%, abaixo do que os especialistas recomendam para um crescimento sustentável da economia (em torno de 25%).

Há poucas economias no mundo onde essa taxa se mantém tão alta.

Na maioria dos países, como o Brasil, o número varia entre 15% e 30%.

O investimento é certamente essencial para ampliar a capacidade da economia no futuro.

Na prática, altas taxas de investimento são um fator importante por trás das histórias de sucesso de muitos países asiáticos.

Mas é quase impossível mantê-las a um nível tão alto por tanto tempo.

Há sempre um risco com os investimentos em larga escala: alguns projetos podem ser antieconômicos.

Forte investimento em construção, por exemplo, pode criar instabilidade nos preços dos imóveis, e, atualmente, há preocupações persistentes sobre se haverá uma crise imobiliária na China.

Sendo assim, o objetivo do governo é fazer com que o consumo das famílias chinesas desempenhe um papel mais preponderante na economia, o que conta com o apoio do FMI.

Um relatório da instituição concluiu em 2012 que o nível de investimento chinês estava muito alto.

Há também o limite de oferta de novos trabalhadores que saem do campo em direção às cidades.

O FMI alertou que a China poderia enfrentar uma escassez de trabalhadores, parcialmente por causa da política de filho único vigente no país.

O que aconteceu com as exportações da China?

Exportações de produtos baratos foram fundamentais para explicar crescimento formidável da China

Exportações de produtos muito baratos foram fundamentais para explicar o crescimento formidável da China.

Da virada do século até 2011, em apenas dois anos as vendas externas do país não cresceram mais do que 10% anualmente.

Desse período, em seis anos, as exportações chegaram a registrar alta superior a 20%.

As exceções foram 2008 e 2009, quando os principais destinos das vendas chinesas no Ocidente foram atingidos em cheio pela crise financeira.

Desde 2011, no entanto, as exportações chinesas vêm sendo mais modestas, caindo para 6,4% no ano passado.

O bom desempenho das vendas do país para o exterior, no entanto, é alvo de críticas, especialmente dos Estados Unidos.

Estudam afirmam que emprego e salários foram afetados na indústria americana exposta à competição com produtos feitos na China.

O saldo comercial ─ a diferença entre exportações e importações ─ também é visto por alguns especialistas como um sinal do desafio que o país representa para a indústria manufatureira em nações desenvolvidas.

Mas observando um único dado ─ o superávit em conta corrente ─ essa situação se moderou.

Essa é uma medida das transações da China com o resto do mundo, e não com um país específico.

Como proporção do PIB chinês, esse superávit atingiu 10% em 2007. No ano passado, contudo, foi de 2%.

Em termos financeiros, o saldo ainda é alto, em torno de US$ 200 bilhões (R$ 600 bilhões).

Qual será o impacto da desaceleração da China para todos nós?

Menor atividade econômica da China teve impacto no preço global das commodities

A China não só exporta, mas importa muito. Essa é uma das razões por que uma atividade econômica mais enfraquecida importa para o resto do mundo.

O gigante asiático é, atualmente, o segundo maior importador de produtos e serviços comerciais, atrás dos Estados Unidos.

É também o principal destino das exportações da Tailândia e ocupa o segundo lugar para países como Indonésia, África do Sul, Brasil e Japão – nos dois últimos, não está longe da primeira posição.

A China é, ainda, o terceiro maior mercado para a União Europeia (formada por 28 países) e o quarto principal destino das vendas do Reino Unido e dos Estados Unidos.

O país é um ávido consumidor de petróleo e de outras commodities, e a desaceleração do país está por trás da queda do preço internacional desses produtos nos últimos meses.

Assim, apesar de o crescimento mais moderado da China ser benéfico a longo prazo, o menor apetite do gigante asiático tem um impacto negativo para muitos países, especialmente os chamados “exportadores de commodities”, como o Brasil, por exemplo.

Há também a possibilidade de que a instabilidade financeira da China se espalhe pelo mundo.

Desde a crise financeira, a dívida do país tem crescido rapidamente.

Um relatório recente do FMI mostrou preocupação sobre o mercado imobiliário e como isso poderia afetar empresas que fizeram empréstimos vultosos a esse setor.

“Na China, exposições aos imóveis (excluindo hipotecas) estão a quase 20% do PIB, e uma instabilidade financeira entre empresas do setor pode causar efeitos nocivos diretos fora de suas fronteiras”, informou o estudo.

Qual é o tamanho da economia chinesa?

Crédito: Reuters
Em 2014, China ultrapassou EUA em paridade do poder de compra

Dependendo de como se analisam os números, a China é hoje a maior ou segunda maior economia do planeta.

A variação se deve ao fato de que, para comparar o tamanho de economias, é preciso converter os números em uma mesma moeda.

Normalmente, a divisa usada é o dólar americano, e há duas maneiras que os economistas fazem isso.

Uma é converter valores usando a taxa de câmbio; a outra consiste em um método chamado paridade do poder de compra (PPP, na sigla em inglês), que tende a ser mais preciso, pois corrige as distorções de preço.

No ano passado, a China ultrapassou os Estados Unidos em paridade do poder de compra.

Se a primeira medida for usada, contudo, o gigante asiático ainda permanece em segundo lugar. Por essa ótica, a economia chinesa vale cerca de US$ 10 trilhões (R$ 30 trilhões).

Para efeitos de comparação, os valores são de US$ 17,4 trilhões para os EUA, US$ 4,6 trilhões para o Japão, US$ 4 trilhões para a Alemanha e US$ 3 trilhões para o Reino Unido. Na lista, o Brasil aparece com US$ 2,3 trilhões.

Em termos per capita ─ o que dá uma indicação mais clara do que aconteceu com os padrões de vida ─ a China avançou 1.300% de 1980 a 2010.

É preciso salientar, no entanto, que nesses termos, a China ainda permanece muito distante dos países ricos.

O PIB do país pode ser muito alto, mas sua população é imensa.

Em PPP, o PIB da China por pessoa equivale a um quarto do dos Estados Unidos e a um terço do Reino Unido. Também é menor do que o do Brasil.

Essa lacuna, no entanto, está se estreitando.

A luta contra a corrupção impulsionada pelo presidente Xi Jinping teve um impacto na economia chinesa?

Crédito: AFP
Governo chinês vem fazendo ‘limpeza’ contra corrupção endêmica

Alguns dizem que sim.

Um relatório do Bank of America Merrill Lynch sugeriu que autoridades chinesas estariam mais relutantes em aprovar projetos pelo risco de serem acusadas de corrupção.

Rumores também indicam que essa mudança de postura do governo chinês também teve um impacto em hotéis e restaurantes.

Mas mesmo se tiver havido um impacto a curto prazo, há uma visão generalizada entre os economistas que a corrupção tem efeitos negativos a longo prazo.

O título de um estudo do Banco Mundial em 1999 traz consigo o próprio questionamento: “Corruption in Economic Development: Beneficial Grease, Minor Annoyance, or Major Obstacle?” (Corrupção no Desenvolvimento Econômico: Gordura Benéfica, Pequeno Contratempo ou Grande Obstáculo?”, em tradução livre)

A conclusão era de que a corrupção se tratava de um grande obstáculo.

A prática encoraja o excesso de gasto público, e distorce a maneira pelo qual ele deve ser usado. As verbas deixam de ser aplicadas em saúde e educação, por exemplo, para serem direcionadas a projetos públicos menos eficientes.

Também inibe o investimento privado ─ embora o investimento insuficiente não seja atualmente um problema na China.

O que devemos esperar para os próximos meses?

As autoridades chinesas divulgam dados econômicos a cada três meses.

No primeiro trimestre deste ano, a economia da China cresceu 7% em relação ao mesmo período do ano anterior e 1,3% sobre os três últimos meses de 2014.

Mas há muito ceticismo sobre a confiabilidade das estimativas oficiais.

Diana Choyleva, da consultoria Lombard Street Research, acredita que o PIB chinês tenha registrado queda de janeiro a março deste ano.

A desaceleração da economia chinesa será um dos principais assuntos dos grandes eventos internacionais de política econômica do ano: a cúpula do G20 na Turquia em novembro e o encontro anual do FMI em outubro, que será realizado no Peru.

Certamente, a menor atividade econômica da China será um fator-chave no cenário global por muitos anos e afetará todos nós.

A expectativa do resto do mundo, entretanto, é de que a China possa alcançar a tão sonhada “aterrisagem suave”.

FONTE: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2015/05/150508_china_desaceleracao_lgb

A queda no apetite chinês por minério de ferro indica que a crise da economia brasileira vai piorar

CHINA

Não estivessem a economia brasileira vivendo um péssimo momento, eu diria que a notícia abaixo, publicada pela revista “The Economist“, revela que o pior ainda está para chegar. E mais do que isso, que o cavalo vem a galope da China. É que trocando em miúdos o que a matéria diz é que o consumo de aço deverá começar a cair, tanto no quesito da produção como do consumo. Essa é uma péssima notícia para o Brasil, pois muitos dos projetos de infraestrutura construídos na última década (o Porto do Açu incluso) estavam direcionados a aplacar o apetite chinês por minério de ferro e outras commodities. 

Agora, o que o “The Economist” é que a festa do ferro pode acabar em breve, o que já está causando sérios problemas financeiros em empresas mineradoras que apostaram no “boom” chinês, a começar pela empresa australiana Fortscue que está tentando, sem sucesso até agora, alavancar cerca de US$ 2,5 bilhões para continuar suas operações que vem enfrentando demoras e cancelamentos num projeto justamente voltado para atender o mercado chinês.

E o que o esfriamento do apetite por minério de ferro dos chineses implica não apenas para o Brasil, mas particularmente para o Rio de Janeiro? Em rápidas palavras: mais problemas.

Também não custa lembrar que a Anglo American, principal parceira da Prumo Logística no Porto do Açu, já vem sendo sangrada em bilhões de dólares, mesmo antes deste cenário regressivo que está vindo da China.  Assim, se a Anglo American não conseguir se ajustar a esse cenário depressivo, é bem provável que se livrar do mineroduto Minas-Rio e de suas minas em Conceição do Mato Dentro se torne uma opção real. A ver!

China’s steel production and consumption may soon start falling

FOR three decades China has been a steelman’s paradise. Years of double-digit economic growth and relentless urbanisation gave the country an increasing appetite for the alloy. Steel went into everything, from buildings and infrastructure to cars and appliances. Consumption in China has risen at an average rate of 15% a year since the turn of the century, and at 689m tonnes last year it made up almost half of the world’s total usage.

Alas, the ferrous fiesta may soon fade. China’s annual growth rate has slowed from double-digit figures to around 7%. The massive investments in infrastructure that the government unleashed as a stimulus response to the global financial crisis are subsiding. Property markets around the country are cooling fast, leaving developers with a nasty debt hangover.

For the handful of big firms that produce most of the world’s iron ore, the raw material for steel, such arguments are hard to swallow. BHP Billiton, an Australian miner, insists that Chinese demand will keep growing robustly for years. Sam Walsh of Rio Tinto, a British colossus, has predicted that steel production in China will keep rising and eventually reach 1 billion tonnes a year (compared with about 823m tonnes last year). But such notions may prove to be wishful thinking. By one estimate, these and other mining firms have together splashed out $120 billion since 2011 on new iron-ore deposits.

In a sign of how China’s cooling demand for steel is affecting ore miners, last month Fortescue, an Australian company, was forced to call off a $2.5 billion bond issue, having days earlier tried to raise the same amount through the loans market. CITIC, China’s largest state-run conglomerate, recently announced that its net profits fell by nearly 18% last year thanks in part to the troubled iron and steel markets. It was forced to take an impairment charge of $2.5 billion on a massive iron-ore project in Australia that has run into delays and cost overruns.

Aside from the risk of undermining the rationale for investments such as these, what are the potential knock-on effects of China hitting peak steel? Trade wars, for a start. Unable to peddle all of their output at home, Chinese steel producers have been exporting increasing quantities—to the consternation of producers elsewhere, who accuse them of dumping. MEPS, a consulting firm, estimates that China exported more than 90m tonnes of steel last year, which is greater than the entire output of America’s steel industry and was a rise of over 50% on the previous year. Exports are continuing to surge this year.

Western steelmakers are pressing their politicians to protect them against the wave of cheap Chinese imports. On March 25th the European Union said it would impose anti-dumping duties of up to 25.2% on various stainless-steel products from China, as well as from Taiwan, after European steelmaking’s trade body, Eurofer, accused mills in both countries of unfair dumping. The next day, the bosses of America’s steel companies went to Capitol Hill to press their congressmen to take similar action. Unless China finds ways to moderate its exports (the recent elimination of an export-tax rebate on certain steel alloys may help, for example), these grumbles may end up at the World Trade Organisation.

The bigger impact, though, could be in China itself. Its steel industry is highly fragmented, woefully inefficient and burdened with excess capacity. The central government has tried to force the many state-supported firms to consolidate, but recalcitrant provincial officials keen on preserving local jobs have scuppered such efforts. There are reports that the industry ministry is preparing a fresh push to restructure Chinese steelmaking by making it easier for troubled mills to go bust.

A sign of the central government’s desire for a shakeout is its recent decision to end a long-standing ban on foreign investors owning majority stakes in local steel firms. In the current climate, however, it seems unlikely there will be any great rush by foreigners to buy them. Even though senior industry figures such as Mr Zhang are acknowledging that the good times are over, it may yet be some time before economic logic prevails in the Chinese steel business.

FONTE: http://www.economist.com/news/business/21647617-chinas-steel-production-and-consumption-may-soon-start-falling-twin-peaks?fsrc=scn/tw/te/pe/ed/twinpeaks

Minério de ferro atinge a menor cotação em cinco anos e meio

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SÃO PAULO  –  O minério de ferro atingiu hoje seu menor nível em mais de cinco anos, por conta das preocupações em relação à demanda de aço na China somadas ao momento de grande excedente de produção mundial da commodity.

A matéria-prima com teor de 62% de ferro entregue em Qingdo, na China, caiu 1,6%, para US$ 66,84 por tonelada métrica, de acordo com dados compilados pelo Metal Bulletin. Esse é o menor nível desde 2 de junho de 2009.

O minério de ferro caiu 50% neste ano, na medida em que as gigantes BHP Billiton, Rio tinto e Vale aumentaram a produção, inundando o mercado. Isso, somado à atividade mais fraca na China,  levou a Australia, principal exportadora mundial da commodity, a cortar as estimativas de preço para o próximo ano em 33%.

“O cenário não é muito animador”, disse Dominic Schnider, da unidade de gestão de fortunas do UBS de Cingapura. “Não há muito suporte [para os preços] nem mesmo em 2015. A China ainda vai desacelerar”, ressaltou.

(Bloomberg)

FONTE: http://www.valor.com.br/empresas/3835324/minerio-de-ferro-atinge-menor-cotacao-em-cinco-anos-e-meio

Valor: Minério de ferro cai a US$ 68,70 a tonelada, menor cotação desde 2009

Por Olivia Alonso | Valor

SÃO PAULO  –  O minério de ferro caiu hoje pelo sexto dia seguido e acumulou desvalorização de 3% na semana, negociado a US$ 68,70 por tonelada no mercado à vista da China, para um teor de 62% de ferro. O patamar é o mais baixo desde junho de 2009. 

Em dezembro, o preço médio está em US$ 69,3 por tonelada, pouco mais da metade da média de US$ 136 por tonelada em dezembro do ano passado.

Preocupações com excesso de oferta, desaceleração da demanda chinesa por aço e com restrições de crédito na China estão mantendo a cotação em baixa. A China é responsável por aproximadamente dois terços das importações globais da matéria-prima.

Entre as movimentações do setor hoje, a Vale negociou minério com teor de 65,5% de ferro com um adicional de US$ 14,8 por tonelada, segundo o Standard Bank.

FONTE: http://www.valor.com.br/empresas/3818164/minerio-de-ferro-cai-us-6870-tonelada-menor-cotacao-desde-2009#ixzz3LmSTPlm3

Minério de ferro com preço da tonelada em queda livre

Um dado que não está na notícia abaixo, mas que ajuda a entender a enrascada em que estão as mineradoras que tem o minério de ferro a sua principal commodity tem a ver com o custo de produção por tonelada, que gira em torno de US$ 33-35 por tonelada molhada. Se o preço de mercado cair ao nível previsto pelo Citi, a Anglo American, que já não anda nada bem das pernas, vai sofrer já que estará operando numa faixa mínima de lucro. É que a Anglo American perdeu bastante, mas bastante mesmo, com aquisição do mineroduto Minas-Rio e as minas da MM(X) em Conceição do Mato Dentro.

E com situação de queda livre do preço do minério de ferro também ficará sob risco a viabilidade do Porto do Açu se a Prumo Logística não conseguir mudar o perfil do empreendimento para o setor de óleo e gás. A ver!

Citi diz que preço pode cair a US$ 50

O mercado está ficando cada vez mais pessimista com os rumos do minério de ferro, commodity dependente da China, o grande consumidor mundial. Ontem a equipe global de commodities do Citi divulgou relatório em que reduziu de US$ 80 para US$ 65 por tonelada as previsões para os preços médios do minério de ferro em 2015 e 2016. O banco previu, inclusive, que, em alguns momentos, o preço poderá cair para a casa dos US$ 50 por tonelada. A projeção, se confirmada, terá efeitos negativos sobre Vale, Rio Tinto e BHP Billiton, as maiores mineradoras mundiais.

FONTE: http://www.valor.com.br/empresas/3775748/citi-diz-que-preco-pode-cair-us-50#ixzz3IqXA8hIS

Reuters: Minério de ferro cai para mínima de 5 anos com excedente de oferta

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CINGAPURA (Reuters) – Os preços do minério de ferro caíram ao menor nível desde setembro de 2009 nesta terça-feira e davam sinais de recuar ainda mais, com um excedente de oferta pressionando as cotações da commodity, que já acumula perdas de 42 por cento neste ano.

O iminente inverno na China, que em anos anteriores elevaram a demanda das siderúrgicas chinesas por minério importado, provavelmente não dará um impulso aos preços, já que muitas minas de minério de ferro do país já estão fechadas, disseram operadores.

“Muitas usinas já mudaram para o uso de mais minério importado devido à queda nos preços neste ano, portanto eu não entendo que aquela demanda adicional durante o inverno será muito maior”, disse um operador de minério de ferro de Xangai.

A queda nos preços tem forçado muitas minas de alto custo na China, maior importador e consumidor da commodity, a interromper as atividades, em meio a um aumento de produção no Brasil e na Austrália.

O minério de ferro com entrega imediata na China caiu 0,9 por cento nesta terça-feira, a 77,10 dólares por tonelada, segundo dados compilados pelo Steel Index.

Os futuros do minério também caíram, com o contrato mais negociado na bolsa de Dalian, vencimento maio, encerrando a sessão com queda de 1,3 por cento, a 520 iuanes (85 dólares) por tonelada.

“A demanda permanece fraca na China, com compradores em compasso de espera, já que muitas siderúrgicas foram forçadas a interromper a produção antes de um encontro da Apec”, disseram analistas do banco ANZ, em nota.

Dezenas de usinas em áreas industriais ao redor de Pequim estão fechadas desde 1 de novembro, numa tentativa de reduzir a poluição do ar, em antecipação à um encontro de líderes mundiais, incluindo o presidente Barack Obama, marcado para 5 a 11 de novembro, na reunião do bloco de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico.

A China impôs interrupções semelhantes durante os Jogos Olímpicos de 2008.

(Por Manolo Serapio Jr)

FONTE: http://br.reuters.com/article/businessNews/idBRKBN0IO18S20141104

Vale: outra mineradora em dificuldades por causa da queda de preços e da China

SÃO PAULO – A sessão de quinta-feira (29) na Bovespa ficou marcada pela forte queda de 4% das ações da Vale (VALE3 ; VALE5 ), que chegaram ao 6º pregão seguido de perdas – acumulando queda de 8% nesse período -, levando-as para o menor patamar desde junho. Uma das empresas com maior participação no Ibovespa vivencia um momento completamente diferente do índice, que superou recentemente os 61 mil pontos após 18 meses. Nesse cenário, fica a pergunta: o que acontece com a Vale naBovespa?

Enquanto as estatais Petrobras (PETR3 ; PETR4 ) e Eletrobras (ELET3 ; ELET6 ) disparam com as expectativas dos investidores por uma mudança de governo, já que se estão descontentes com a atual política intervencionista de Dilma, a mineradora amarga queda de 17% no ano, sendo 10% apenas neste mês. Segundo o analista da Ativa Corretora, Lenon Borges, o problema não está na empresa, mas no ambiente ao qual ela está exposta. 

Borges explica que é complicado afirmar que os investidores estão “trocando” a Vale por ativos mais expostos às ao noticiários eleitoral tentando buscar um retorno rápido de investimento. Embora ele argumente que não há como provar essa tese, ela mostra-se bem possível já que a Bolsa neste momento não está seguindo nenhum fundamento, apenas as especulações políticas – na prática: como o dinheiro não é infinito no mercado, os investidores posicionados em Vale estão se desfazendo dessa participação e migrando para as empresas mais expostas ao “rali eleitoral”.

ferro

“Nós acreditamos que mesmo com um ambiente pouco favorável, a Vale está mostrando uma boa gestão, mas o efeito da queda do preço do minério de ferro e sua exposição à China está afastando os investidores”, explica o analista. Nos últimos dias, a commodity renovou sua mínima em dois anos, mostrando perda de um terço de seu valor apenas neste ano. 

Para o bem ou para o mal, a Vale é exposta demais ao mercado de minério de ferro, sendo que aproximadamente 50% da receita da companhia se refere à este segmento, ou seja, é inevitável que com o preço baixo da commodity a empresa será muito prejudicada. “Porém, a companhia tem se mostrado muito segura e com movimentos assertivos, caso do aumento de exposição ao mercado japonês, em detrimento do chinês, para tentar compensar este cenário pior por lá”, destaca Borges.

Segundo ele, a visão da empresa em si ainda é muito positiva. “Ela tem se mostrado sólida em entregar resultados pelo menos em linha com o esperado, mesmo com as dificuldades do mercado”, diz Borges. Por outro lado, o analista ressalta que para o médio prazo, o preço do minério de ferro e o ambiente mais fraco na China devem pesar para os papéis, que ainda tem
espaço para quedas.

FONTE: http://www.infomoney.com.br/vale/noticia/3546303/dias-queda-horizonte-nebuloso-mercado-desistiu-das-acoes-vale