Sob a síndrome da naturalização dos problemas ambientais

Por Carlos Eduardo de Rezende*

Esta é uma visão geral do Canal do Quitingute. No final de 2012 este canal assim como várias áreas desta região sofreram um duro aporte de água salgada proveniente de um aterro hidráulico. Agora este mesmo canal passa por um evento de anoxia extrema com com níveis abaixo de 0,5 mg/L durante alguns dias e uma mortandade de peixes em período reprodutivo. Na realidade existe uma grande desinformação sobre o que aconteceu neste canal, mas algumas evidências demonstram claramente que houve um despejo de carga orgânica enriquecida de coliformes totais e fecais. Em um primeira medida encontramos 240.000±12.000UFC/100mL de Coliformes Totais e 25.500±1.980UFC/100mL de Coliformes Fecais (dia 21 de novembro de 2013); no dia 22 de novembro, encontramos 24.000±1.000UFC/100mL para Coliformes Totais e 450±80UFC/100mL para os Coliformes Fecais.

Os mais otimistas dirão, a situação melhorou e foi pontual, vejam, pontual foi a descarga, mas o problema não foi pontual, pois a área de anoxia persistiu e não houve um acompanhamento por quem deveria ter feito este tipo de serviço. Concluindo, hoje na região Norte Fluminense existe uma tendência a naturalização dos problemas ambientais e isto não pode persistir nesta região que hoje concentra o segundo pólo universitário do estado do Rio de Janeiro.

Quiti 2 quiti 1 Quiti 3 Quiti 4 Quiti 5

Carlos Eduardo de Rezende é professor titular e chefe do Laboratório de Ciências Ambientais da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF)

G1: Amostras indicam coliformes fecais em canal no Norte Fluminense

Letícia Bucker, Do G1 Norte Fluminense

Canal Quitingute. (Foto: Reprodução/Blog do Pedlowski)Canal Quitingute. (Foto: Reprodução/Blog do Pedlowski)

Coliforme fecal. Esta foi o conclusão obtida pela Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), que divulgou nesta sexta-feira (22) o resultado das amostras coletadas na última segunda-feira (18) no canal Quitingute, na localidade de Água Preta em São João da Barra, no Norte Fluminense.

O professor Marcos Pedlowski, da UENF, informou que a quantidade de coliformes fecais no canal foi a responsável pela matança dos peixes. O resultado apontou 240 mil coliformes totais por cada 100 ml. O Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) indica que são toleráveis 200 coliformes a cada 100 ml.

O superintendente do Instituto Estadual do Ambiente (INEA) em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, Rene Justem, informou que a quantidade de coliforme fecal na água não foi o responsável pela morte dos peixes.

“O coliforme fecal não tem nada a ver com a mortandade, ele só reforça que é um indicativo da presença de esgoto no canal. Esse esgoto é oriundo do rio Paraíba do Sul, que chega até o Quitingute através do canal de São Bento. O que causou a morte foi a queda de oxigênio por decomposição da vegetação, uma vez que as comportas foram fechadas para a medição do Quitingute”, explicou Rene.

Pedlowski informou que o consumo das águas do canal não é aconselhada, podendo causar doenças, como a de pele, por exemplo. “Esses resultados obtidos tornam o consumo da água proibido. Não é indicado para irrigar a produção agrícola, nem lavar roupa, nem consumir”, explicou.

Já o INEA diz que as águas do Quitingute podem ser utilizadas para uso agrícola e garante que o canal voltou à normalidade. A assessoria da Concessionária Águas do Paraíba, responsável pelo tratamento e abastecimento em Campos, garantiu que trata 100% do esgoto lançado no rio Paraíba.

FONTE: http://g1.globo.com/rj/norte-fluminense/noticia/2013/11/amostras-indicam-coliformes-fecais-em-canal-no-norte-fluminense.html