Jornal francês volta a denunciar uso abusivo de agrotóxicos no Brasil

soja agrtoóxicosColheita de soja na fazenda Morro Azul perto de Tangará da Serra, no Mato Grosso. Getty Images

Por Adriana Moysés para a RFI

O uso excessivo de agrotóxicos no Brasil continua em destaque na imprensa francesa. Na quarta reportagem de uma série dedicada ao desmatamento na Amazônia, o jornal regional Ouest France relata nesta segunda-feira (30) resultados de estudos científicos apontando o envolvimento do herbicida glifosato em abortos espontâneos e no aumento da mortalidade de recém-nascidos em áreas que concentram 80% da produção de soja no centro-oeste e sul do Brasil.

Jornal de maior tiragem da França, Ouest France cita a pesquisa publicada em fevereiro passado por Mateus Dias, Rudi Rocha e Rodrigo R. Soares, das universidades de Princeton (EUA), São Paulo e Columbia (EUA). O estudo colheu dados de áreas de cultura de variedades de soja geneticamente modificadas, fabricadas pela Monsanto, nas quais também foi associado um herbicida à base de glifosato, explica o diário.

“As populações de 1.119 municípios cercados por plantações de soja foram expostas direta ou indiretamente à molécula, seja por inalação no ar, pelo consumo de água ou de alimentos contaminados com glifosato. Nessas localidades, entre 2000 e 2010, houve uma alta da mortalidade infantil que aponta uma média de 557 mortes de recém-nascidos ou abortos espontâneos por ano”, reporta o diário francês. Outro estudo, realizado na Universidade do Piauí, demonstrou que 80% do leite materno recolhido em diferentes maternidades em duas regiões agrícolas do estado, distantes de 750 km uma da outra, continham glifosato ou outros perturbadores hormonais.

Doses excepcionais e arriscadas para a saúde

A reportagem do Ouest France, muito detalhada, mostra que três quartos das terras cultiváveis no Brasil são tratadas com agrotóxicos. Das 10 substâncias desse gênero mais utilizadas no país em 2016, quatro são proibidas na União Europeia. O glifosato é utilizado em larga escala no território brasileiro e em proporções muito maiores que o permitido na França. A legislação francesa prevê a utilização de apenas meio litro da substância por hectare, enquanto no Brasil, na Argentina, nos Estados Unidos e em outros países da região a proporção tolerada chega a ser 80 a 100 vezes superior.

No “Atlas Geográfico do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Europeia”, elaborado pela professora Larissa Mies Bombardi, da Faculdade de Geografia da USP, a reportagem do Ouest France encontrou outro dado preocupante, relacionando o glifosato a taxas de suicídio.

“No Paraná, de 3.723 casos de intoxicação recenseados no período de 2007-2014, 1.631 foram por tentativa de suicídio, ou seja, 40% do total. As mesmas proporções são encontradas nos estados de São Paulo (844 tentativas) e Minas Gerais (957). Pior ainda em Pernambuco, onde ocorreram 1.145 tentativas de suicídio num total de 1.545 intoxicações. (…) O fato de dispor de produtos agrícolas tóxicos facilita o suicídio. É um veneno ao alcance das mãos.”

A reportagem relata ainda a indignação da ONU depois de o presidente Jair Bolsonaro liberar o uso de centenas de agrotóxicos. “O relatório do Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU lembra que o Brasil utiliza maciçamente moléculas proibidas em várias regiões do mundo e em doses excepcionalmente elevadas: enquanto a taxa máxima recomendada de glifosato por litro de água potável é de 0,1 miligrama, no Brasil ela é 5.000 vezes maior.”

Um leitor atento compreende facilmente por que a imagem da agricultura brasileira é péssima na França.

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Este artigo foi inicialmente publicado pela Rede França Internacional [Aqui!].

Com mais 57 agrotóxicos liberados, governo Bolsonaro quebra recorde histórico e transforma o Brasil em uma piscina envenenada

Man spraying toxic pesticides or insecticides on fruit growing plantation. Natural light on hard sunny day. Blue sky with clouds in background.Com mais 57 agrotóxicos liberados, governo Bolsonaro quebra recorde histórico e transforma o Brasil em uma piscina de agrotóxicos banidos em outras partes do mundo

Se há uma área onde não se pode questionar a eficiência e a coerência do governo Bolsonaro essa é a da liberação de agrotóxicos. É que no dia de hoje, com a publicação do Ato No. 82 que liberou mais 57 agrotóxicos, o total para 2019 é de 467. Com isso,  a ministra Tereza Cristina, a “Musa do Veneno”, consegue tornar o Brasil uma espécie de bacia das almas para produtos banidos em outras partes do mundo.

Como já é de praxe, vou atualizar a base que construí ao longo de 2019 com as principais características desses “novos” agrotóxicos e vou postar assim que tiver todos os dados preenchidos, o que normalmente leva algum tempo para evitar erros de preenchimento.

Mas de cara é possível notar que a China continua sendo a principal fornecedora dos produtos que foram liberados no dia de hoje, com mais de 50% dos produtos aprovados vindos de industrias chinesas. Esse fato mostra quão integrado e dependente o agronegócio brasileira se tornou da China que, por um lado, fornece a maioria dos venenos agrícolas que estão sendo consumidos no Brasil e, por outro, se transformou objetivamente no principal mercado das commodities agrícolas brasileiras.  O problema é que neste intercâmbio comercial, nós acabamos ficando com a “parte podre” do processo, pois acumulamos o envenenamento maior de nossos solos e águas, bem como a ampliação do desmatamento e da degradação de nossos biomas florestais, a começar pela Amazônia.

Um aspecto que ainda deverá ser analisado é a negligência óbvia sobre a saúde dos trabalhadores rurais e de todos que entrem em contato direto e indireto com esse número aumentado de substâncias altamente tóxicas que estão sendo colocadas no mercado brasileiro. E há que se frisar que isto ocorre para atender as necessidades dos grandes latifundiários que hoje controlam a exportação das commodities onde está fortemente concentrado o uso dessas substâncias.

Os problemas causados pela contaminação ambiental e humana decorrente da transformação do Brasil em uma espécie de piscina tóxica deverão ser sentidos nas próximos anos e décadas, visto que muitos dos produtos que estão sendo liberados ou possuem alta persistência ou geram metabólitos ainda mais tóxicos do que o produto ativo original quando são rapidamente degradados no ambiente.

Enquanto isso, os vendedores de veneno, principalmente os baseados na China, agradecem a esse ritmo desenfreado de aprovações. Mas como toda alegria pode acabar, os próximos meses deverão trazer repercussões econômicos de países que prezam minimamente pela saúde de suas populações.  A verdade inescapável é que caminhamos para um processo de isolamento sanitário por causa do nível de resíduos de agrotóxicos perigosos em que o modelo agrícola agroexportador brasileiro está baseado. Simples assim!

Ministério da Agricultura engana a população com dados falsos sobre agrotóxicos

consumo agrotóxicos

Nosso consumo de agrotóxicos por hectare fica em 7kg/ha, e não 4,3kg/ha como afirma a FAO e o MAPA / Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida

 

Imagem de perfil do ColunistaCampanha Contra os Agrotóxicos

No último 6 de agosto, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) publicou um release de imprensa intitulado “Esclarecimentos sobre Registros de Defensivos Agrícolas“. Em relação a este documento, a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida declara que:

A publicação deste texto é claramente uma resposta à indignação crescente na sociedade brasileira em relação ao ritmo exorbitante de liberações de agrotóxicos após o início do governo Bolsonaro. Ao torcer e distorcer os dados para tentar se defender, como mostraremos a seguir, o governo tenta esconder que sua única missão é privilegiar as multinacionais fabricantes de agrotóxicos, facilitando a venda de agrotóxicos em detrimento da saúde da população;

O release afirma que, entre os agrotóxicos liberados este ano, há apenas duas substâncias novas. Esta afirmação contradiz, por si só, o mesmo release, que mais à frente afirma que “o objetivo de fazer a fila andar no Brasil é justamente aprovar novas moléculas, menos tóxicas e mais ambientalmente corretas, e assim substituir os produtos antigos”. Ou as novas liberações estão trazendo novidades, ou não estão. Os dois ao mesmo tempo não é possível.

Este discurso contraditório tem sido adotado também pela Ministra Tereza Cristina, por exemplo em matéria publicada pelo MAPA no mesmo dia: “Fazer a fila de registros andar traz defensivos mais eficientes e menos tóxicos, explica ministra“. Ora, se entre 290 agrotóxicos liberados em 2019 apenas 2 são novos, onde estão os agrotóxicos menos tóxicos e mais eficientes? Cabe lembrar que uma das duas “novidades” é o Sulfoxaflor, comprovadamente danoso às abelhas. Por sinal, 42% dos agrotóxicos registrados em 2019 são Extremamente ou Altamente Tóxicos. Isso, é claro, antes da mudança promovida pela Anvisa, que fará com que estas mesmas substâncias ganhem uma “roupa nova” e passem ser inofensivos.

A publicação afirma que “Não é correto comparar todos os defensivos que são utilizados na Europa, por exemplo, com os produtos usados no Brasil”, afirmando que os produtos que são proibidos por lá na verdade não são necessários na Europa, por conta das diferenças de culturas e temperatura. Este é um argumento muito usado pelo agronegócio, mas que não se sustenta.

Em excelente artigo recente, a professora Larissa Bombardi cita o exemplo de duas culturas plantadas tanto no Brasil quanto na Europa: uva e laranja, em condições climáticas similares. Entretanto, afirma a pesquisadora, dos 71 agrotóxicos autorizados para a uva no Brasil, 13 são proibidos na União Europeia, e, no caso da laranja, são autorizados 116 agrotóxicos no Brasil, dos quais 33 não são autorizados na União Europeia. A grande maioria dos agrotóxicos hoje banidos na União Europeia foram desenvolvidos por empresas europeias, e eram usados por lá até serem proibidos, ou até que alterações no marco regulatório fizeram com que o registro lá não fosse mais viável.

Prosseguindo na sua saga de incorreções, o MAPA afirma que, “Apesar do aumento do número de registros de defensivos agrícolas que vem ocorrendo nos últimos anos no país, a venda desses produtos registrou redução no período”. O título auspicioso esquece-se de mencionar “o período”. Ao longo do texto, vemos que se refere aos anos de 2016 e 2017, em que, segundo o Ibama, com base em dados informados pelas empresas (e frequentemente revisados para cima após inspeções nestas empresas), as vendas de agrotóxicos caíram de 541.861,09 toneladas para 539.944,95.

O texto não lembra que esta é a primeira queda desde 2009. E ora, qualquer pessoa com um mínimo de compreensão de matemática pode entender que uma redução de 0,3% não pode ser chamada de redução, especialmente se comparada ao aumento de 3,9% de 2015 para 2016, ou de 13,6% de 2012 para 2013, ou de 18,5% de 2009 para 2010. Inclusive, é importante que a variação do consumo de agrotóxicos seja observada à luz do crescimento econômico: em 2015 e 2016, o PIB brasileiro teve queda de -3%, e em 2017 houve um tímido aumento de 1%. Ainda assim, o ritmo de vendas de agrotóxicos seguiu em alta, ficando estável de 2016 para 2017. Ou seja: afirmar que houve redução do consumo de agrotóxicos no Brasil é uma grande mentira.

Finalmente, a grande distorção: “Segundo a FAO, o uso relativo de defensivos no Brasil é menor que o de muitos países da Europa”, e o Brasil estaria em 44º lugar num ranking de uso de agrotóxicos por área. Importante notar como agora se torna válido comparar a produção agrícola do Brasil com a Europa. No caso dos agrotóxicos banidos, o MAPA diz que a comparação não é possível. De todo modo, há dois grandes problemas na afirmação: (1) os dados da FAO estão errados. Eles contradizem os dados do Ibama, que o próprio MAPA utilizou. Para a FAO, o Brasil usou 377.176 toneladas de agrotóxicos em 2016. Mas como vimos acima, na conta feita pelo MAPA, o uso em 2016 foi 541.862 toneladas, um pequeno erro de 44%. A FAO já foi notificada sobre o equívoco. Mas também há um erro no denominador: segundo a FAO, utilizamos os agrotóxicos numa superfície de 87,5 milhões de hectares, quando a soma de lavouras temporárias e permanentes segundo o IBGE em 2016 foi de 76,7 milhões de hectares.

Assim, com estes dois “erros”, nosso consumo de agrotóxicos por hectare fica em 7kg/ha, e não 4,3kg/ha como afirma a FAO e o MAPA. Isto sem contar com os agrotóxicos contrabandeados, que segundo o Sindiveg representam 20% do total comercializado. Considerando os contrabandeados, o índice sobre para 8,5kg/ha.

No entanto, há um segundo problema grave com esta comparação: não é possível comparar o perfil do uso de agrotóxicos em países com práticas agrícolas totalmente distintas. Monocultivos de larga escala como soja, milho e algodão utilizam de fato menos agrotóxicos por hectare em relação à verduras como tomate, pimentão, e outros. Isso não significa, no entanto, que 60 kg de agrotóxicos utilizados em 10 hectares de soja sejam menos nocivos à saúde e ao meio ambiente do que a mesma quantidade de veneno utilizada em 1 hectare de tomate, por exemplo. No primeiro caso, por significar uma área maior, temos inclusive um maior potencial de exposição de pessoas e cursos d’água aos agrotóxicos.

Para citar ao menos um ponto positivo, aplaudimos o fato de que, segundo o documento, “Em menos de uma década, o número de produtores rurais orgânicos registrados no Brasil triplicou”. De fato, este é um grande feito. Porém, considerar o aumento da produção orgânica de responsabilidade do MAPA é mais fraude contida no documento. Este resultado se deve à luta dos movimentos sociais, que conquistaram. durante os governo Lula e Dilma. Políticas públicas como o PNAE, PAA, a certificação orgânica participativa e a Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica. A luta dos movimentos e a conquista destas políticas (que atualmente estão sendo destruídas), resultaram no significativo aumento da produção orgânica no Brasil, que, no entanto, ainda necessita de muita vontade política para se desenvolver. No mínimo, a mesma vontade política que se tem para liberar novos agrotóxicos.

Edição: Daniela Stefano

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Este artigo foi inicialmente publicado pelo jornal “Brasil de Fato”  [Aqui!].

Jornal O Tempo faz especial sobre agrotóxicos

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Bruno C. Dias, com informações de O Tempo

Produzida pelos repórteres Gabriel Rodrigues e Alex Bessas  do jornal mineiro O Tempo, a matéria especial “Agrotóxico causa rombo nos gastos com saúde e licenças médicas” expõe o ritmo desenfreado com que as liberações de agrotóxicos têm ocorrido no governo Bolsonaro. Em um pouco mais de seis meses, já foram liberados 290 venenos – uma média de 1,3 por dia, equivalente a 69% do total de liberações do ano passado. Ainda há 560 venenos aguardando liberação.

Para entender os efeitos de uma quantidade nunca vista de produtos químicos disponíveis no mercado na saúde dos trabalhadores rurais e dos consumidores em geral, a reportagem ouviu os pesquisadores Marcelo Firpo e Luiz Claudio Meirelles, ambos integrantes do Grupo Temático Saúde e Ambiente, da Associação.

O texto destaca o custo das externalidades negativas por conta do uso dos agrotóxicos: para cada dólar gasto com os produtos, até  US$ 1,28 são necessários para gastos posteriores em saúde e licenças médicas. Ao fazer o cálculo a partir do valor de U$ 8,9 bilhões, montante gastos com agrotóxicos conforme anunciado pela entidade patronal do setor, o Sindiveg, em 2017, o Brasil gastou cerca de US$ 11,3 bilhões.  A base do cálculo está no artigo “Uso de agrotóxicos e impactos econômicos sobre a saúde, publicado em 2012 por Firpo e Wagner Soares.

A matéria expõe também a recente revisão na classificação dos agrotóxicos feita pela Anvisa. Segundo Meirelles, reduzir a classificação e valer-se apenas do risco de morte como critério para banimento é fazer vista grossa a produtos extremamente tóxicos e banidos dos mercados norte-americano e europeu. “Um produto como o glifosato, que a Agência Internacional de Pesquisas sobre o Câncer (IARC), da ONU, classificou como cancerígeno deveria ter uma retirada programada do mercado” diz o abrasquiano. Clique e leia a matéria completa.

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Este artigo foi originalmente publicado pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) [Aqui!].

Professora da USP destroça mito do uso seguro de agrotóxicos no Brasil

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A professora do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo  Larissa Mies Bombardi é hoje uma das maiores conhecedoras dos problemas envolvendo o uso de venenos agrícolas nas grandes monculturas plantadas para exportação no Brasil.  Em função disso, ela vem sendo atacada por entidades ligadas ao latifúndio agro-exportador (o chamado agrobusiness).

No vídeo abaixo ela fala de forma bastante esclarecedora sobre as graves consequências do uso descontrolado de venenos agrícolas em altas quantidades e sem qualquer fiscalização efetiva no cotidiano das áreas onde os mesmos são estudados.

Abaixo uma entrevista conduzida pelo jornalista Bob Fernandes onde a professora Larissa Bombardi discorre de forma esclarecedora sobre um dos maiores mitos criados para justificar o uso dos agrotóxicos na agricultura, qual seja, de que é possível fazer uso seguro dessas substâncias de forma segura.

A verdade inescapável que emerge dessa brilhante entrevista é de que estamos sendo envenenados em nome dos interesses econômicos dos grandes latifundiários brasileiros. E aqui, mais uma vez, é preciso defender a reputação científica da professora Larissa Bombardi que está sendo vilipendiada por causa de estudos rigorosos que ela vem conduzindo e que são de completo interesse público.

Vídeo do “Robotox” explica em detalhes os 239 agrotóxicos aprovados pelo governo Bolsonaro

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Lançado em Dezembro de 2018 em associação pelas organizações jornalísticas Agência Pública e Repórter Brasil, o site “Por detrás do alimento” vem fornecendo informações valiosas sobre o processo de incorporação de agrotóxicos na produção agrícola brasileira. Além disso, essa iniciativa lançou uma ferramenta, o “Robotox“, que fornece informações praticamente automáticas sobre as aprovações de agrotóxicos pelo governo Bolsonaro, fornecendo ainda detalhes importantes sobre esses compostos e seus potenciais impactos sobre o ambiente e a saúde humana.

Abaixo um vídeo produzido pelos editores do “Por detrás do alimento” e veiculado na página do “Robotox” na rede social Twitter. O vídeo é bastante didático, não apenas em relação aos produtos aprovados, mas também no tocante à desmistificar o discurso do governo Bolsonaro que agora é de buscar um suposto barateamento do custo dos agrotóxicos, e não mais de introduzir agrotóxicos que sejam mais modernos e menos tóxicos do que os que estavam disponíveis no mercado antes do início do governo Bolsonaro.

A divulgação deste vídeo é essencial para que um número maior de pessoas possa ter acesso a informações diretas e explicadas de forma compreensível para que o processo de pressão social possa aumentar. 

O fato é que no atual ritmo a população do Brasil e as de outros países que consomem alimentos produzidos a partir do uso de substâncias que sabidamente afetam o meio ambiente e os seres humanos de forma altamente negativa.

Tereza Cristina, a musa do veneno, diz na FAO que excesso de agrotóxicos no Brasil é “balela”

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Enquanto estava na 41ª Conferência da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), a ministra da Agricultura, Tereza Cristina (DEM/MS) autorizou a liberação de mais 42 agrotóxicos (45% deles proibidos na União Europeia). Entretanto, em entrevista à Rádio França Internacional (RFI), Tereza Cristina afirmou que os apontamentos de que o Brasil é hoje um dos principais consumidores de agrotóxicos seriam “uma “balela’,  “um mito”.

tereza cristina

Alguém precisa lembrar à ministra Tereza Cristina que o Brasil é hoje responsável por cerca de 20% do consumo mundial, e que no mercado brasileiro estão disponíveis 2.305 produtos, os quais incluem vários produtos que estão ligados à vários tipos de doenças (a começar pelo câncer) e pelo extermínio das abelhas.

As declarações de Tereza Cristina apenas reforçam a minha opinião de que só com o avanço de propostas de banimento dos produtos agrícolas, ao modelo do que foi iniciado pelo fundador e CEO da rede sueca de supermercados Paradiset, Johannes Cullberg, é que teremos algum tipo de sensibilização dos apoiadores da “musa do veneno”.

Mas como acredito que a população brasileira também precisa ocupar um papel relevante nas pressões para a diminuição do uso abusivo e indiscriminado de venenos agrícolas no Brasil, estou disponibilizando a base de dados com os 239 agrotóxicos liberados até aqui pelo governo Bolsonaro.   Quem desejar baixar a base, basta clicar [Aqui!].

Finalmente, se há uma balela envolvendo a enxurrada de agrotóxicos que está sendo colocada na agricultura brasileira é de que apontar essa situação é balela ou mito. A verdade é que estamos diante de um cenário gravíssimo com a liberação de venenos altamente tóxicos que estão agravando a contaminação de águas e solos no Brasil.

A marcha do veneno continua: com mais 42 aprovações, o total de agrotóxicos liberados por Bolsonaro chega a 239

pesticideCom mais 42 agrotóxicos aprovados, governo Bolsonaro liberou o número recorde de 239 produtos apenas na primeira metade de 2019.

A despeito das condenações e do boicote convocado pelo fundador e CEO da rede sueca de supermercados Paradiset, Johannes Cullberg, o governo Bolsonaro continua disposto a transformar o Brasil numa imensa piscina tóxica.  É que o Diário Oficial da União desta segunda-feira (24/06) traz a publicação do Ato No. 42 de 19 de Junho de 2019 em que são aprovados mais 42 agrotóxicos para comercialização no Brasil.

Já comecei a tabulação dessa nova leva de agrotóxicos e em breve publicarei a lista completa e especificações dos compostos que acabam de ser liberados pelo governo Bolsonaro. Entretanto, com as primeiras tabulações já pude identificar a persistência da China como principal fornecedor de agrotóxicos para a agricultura brasileira. Além disso, já verifiquei que dentre os compostos aprovados há uma série de produtos ativos para os quais já existe uma ampla literatura mostrando seus efeitos deletérios para a saúde humana e para o meio ambiente.

O que minhas primeiras avaliações dessa nova leva de agrotóxicos aprovados pelo governo Bolsonaro, sob a batura célere da ministra da Agricultura, Tereza Cristina (DEM/ES), indicam é que todo o discurso em torno da substituição de produtos antiquados por outros mais modernos e menos tóxicos não passa mesmo de um discurso para inglês ver (ou para a União Europeia ver). Na prática, continuam a ser aprovados compostos químicos que já estão ou estão sendo banidos em outras partes do mundo, muitas vezes após pressões da sociedade civil organizada.

Diante dessas novas aprovações e da propensão do latifundio agro-exportador de utilizá-los em larga escala nos grandes monocultivos de exportação não seria nenhuma surpresa se os próximos estudos sobre impactos sobre seres humanos e o meio ambiente mostrarem resultados ainda mais críticos.

 

 

 

Agrotóxicos e seus impactos sobre a saúde e o meio ambiente – Entrevista ao Programa “Faixa Livre”

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Concedi hoje uma entrevista ao jornalista Paulo Passarinho que é o âncora do “Programa Faixa Livre” que é levado ar pela Rádio Bandeirantes 1360 AM a partir da cidade do Rio de Janeiro.

Abaixo posto a resenha produzida pelos editoria do “Faixa do Livre”, bem como o arquivo contendo a íntegra das respostas dadas a Paulo Passarinho.

Pedlowski alerta a alta de casos de câncer provocados por agrotóxicos

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O atendimento aos interesses daqueles que patrocinaram sua eleição à Presidência tem levado Jair Bolsonaro a promover um verdadeiro genocídio silencioso no país: o governo autorizou, em pouco menos de cinco meses, a utilização de 197 novos agrotóxicos pelos grandes proprietários de terra.

Esta é a maior taxa de aprovação de uso de fitossanitários na história. O panorama já tem levado a um aumento alarmante de casos de câncer em algumas regiões do país, onde o agronegócio tem predominância, como no Mato Grosso e no Rio Grande do Sul.

A iniciativa criminosa do Governo Federal preocupa o professor de Ecologia e Recursos Naturais da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) Marcos Pedlowski, que fez questão de citar alguns dos agrotóxicos mais perigosos e que tiveram sua utilização liberada pelo ex-capitão do Exército.

“É um problema ambiental, mas eu diria, principalmente hoje, de saúde coletiva. Temos substâncias reconhecidamente causadoras de câncer, uma delas, que foi aprovada com algumas variações, é o acetato, e outra bastante problemática, que é uma das mais consumidas no mundo, é o glifosato. Temos um produto, o Fipronil, proibido na União Europeia, só pode ser usado em casos raríssimos nos Estados Unidos e é conhecido como exterminador de abelhas”, citou.

Não bastasse a contaminação dos alimentos pelo veneno usado por produtores rurais para conter pragas, os agrotóxicos vêm alcançando o principal bem natural para subsistências das espécies no planeta.

“O problema dos agrotóxicos mais recentes é que eles não ficam tanto no solo, vão direto para a água. Essa capacidade de passar diretamente para o lençol freático e não contaminar o solo tem uma consequência muito ruim. Foi feita uma pesquisa recente com dados fornecidos pelas próprias concessionárias de tratamento de água no Brasil que comprovou que pelo menos um quarto dos municípios brasileiros estão servindo 27 agrotóxicos na torneira da população brasileira”, alertou o professor da UENF.

“Aqui no estado do Rio de Janeiro, a maioria dos municípios analisados tem esses agrotóxicos. Estamos bebendo resíduos de agrotóxicos em grandes quantidades, dependendo da cidade. No Mato Grosso, o grupo do professor Wanderlei Pignati está encontrando até na água da chuva. O que temos com essa situação é que estamos bebendo água contaminada, respirando e comendo agrotóxicos em muitas regiões”, prosseguiu Pedlowski.

A China, um dos principais produtores de fitossanitários do mundo, tem o Brasil como um de seus maiores mercados, já que os Estados Unidos e a União Europeia proibiram a boa parte dos agrotóxicos exportados pelo país asiático.

Indo no caminho inverso do governo Bolsonaro, um país que tem tomado medidas efetivas contra a proliferação de veneno industrial no solo é um dos aliados chineses no mundo, o que pode atingir nossa balança comercial.

“Em 31 de janeiro, os serviços de vigilância sanitária da Rússia emitiram um comunicado ao governo brasileiro dizendo que se o Brasil não tomasse cuidado para diminuir o conteúdo de glifosato na soja exportada, eles suspenderiam a aquisição de soja brasileira. O problema é que a Rússia tolera três vezes mais resíduos do que a União Europeia”, avaliou.

Ouça a entrevista de Marcos Pedlowski:

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Este artigo foi originalmente publicado no site oficial do Programa “Faixa Livre” [Aqui!]

VERACEL é acusada de contaminar lençol freático e afluente do Rio Sapucaeira

Moradores do Itapoã estariam tomando banho e consumindo peixes de águas contaminadas

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Uma grave denúncia de contaminação do lençol freático e contaminação de um afluente do Rio Sapucaeira provocado pelo uso de defensivos agrícolas no viveiro da Veracel, foi enviada para o Futucando Notícias contendo informações detalhadas e alertando sobre os graves riscos para a vida humana e ambiental, chamando a atenção das autoridades que precisam investigar de forma urgente os graves impactos ambientais causados pela Veracel, devendo também, segundo a fonte, verificar os relatórios anteriores e se existirem atuais, mostrando a contaminação ocorrida e os desvios feitos para que os alertas fossem ignorados.

Os lençóis freáticos são grandes extensões de água que ficam abaixo da superfície do solo, e que constituem grande parte da água doce potável do planeta.

A denúncia alerta ainda, que moradores do bairro Itapoã estariam tomando banhos e consumindo peixes de uma lagoa que também estaria contaminada com defensivos agrícolas e se localiza nos fundos do viveiro da Veracel.

Veja as informações detalhadas sobre o impacto ambiental, segundo a fonte da denúncia:

Durante auditoria do FSC/ Cerflor, realizada na Veracel em Agosto de 2015, foi identificado pelos auditores nas análises das águas subterrâneas (há poços de monitoramento do lençol freático dentro do Núcleo florestal da Veracel), que o lençol freático da área do Núcleo Florestal estava contaminado com adubos e defensivos químicos que eram usados nas aplicações dentro do viveiro da multinacional.

Veja fotos:

Para evitar a perda do selo de Certificação, a Veracel fez um revestimento em 2016, conforme fotos abaixo, mas somente na parte interna do seu viveiro de produção de mudas, não se importando com o meio ambiente e vidas em perigo, se preocupando apenas com o custo que era altíssimo para fazer em toda área do viveiro. A parte externa era muito grande e não foi realizado este revestimento, com isso os resíduos químicos que caem no solo continuaram e continuam contaminado o lençol freático.

Há um tanque de captação dentro do Núcleo florestal da Veracel que recebe toda água de defensivos químicos e a água deste tanque é lançada em “plantios Experimentais” que ficam ao lado.

O problema  é que as águas destes plantios caem direto em um afluente do Rio Sapucaeira, onde não há análise da Veracel para saber o real impacto destas águas para famílias ou pessoas que fazem uso abaixo do ponto em que estas águas contaminadas são despachadas pela empresa Veracel. Podem verificar que a Veracel não tem análise da qualidade da água que seguem do ponto onde caem para baixo, os gestores não estão nem ai com a saúde de quem está usando a água. Conforme informações de Vigilantes da Veracel, há muitos moradores do bairro Itapuã tomando banho e pescando nas águas de uma represa localizada nos fundos do viveiro. Outro problema grave são as águas de chuvas com graxa, óleos e demais contaminantes que vem do bairro itapuã e caem dentro destes efluentes.

Segundo a fonte da denúncia, a empresa Veracel nunca fez nada para resolver este Impacto Ambiental que segue contaminando peixes e espécies aquáticas que habitam neste afluente do Rio Sapucaeira.

Ainda de acordo com a fonte, em auditoria realizada em agosto de 2015, um auditor solicitou que a Veracel fizesse um estudo sobre os impactos ambientais da contaminação do solo e sobre as águas lançadas no afluente do Rio Sapucaeira. Pediu ainda para verificar se havia Morte dos Polinizadores pelas aplicações de defensivos e nunca foi feito tal estudo.

Os agentes polinizadores são fatores bióticos ou abióticos que garantem o transporte de pólen, possibilitando, assim, a propagação de espécies vegetais. Nas gimnospermas e angiospermas, a reprodução sexuada envolve um processo conhecido como polinização.

Será que realmente esta empresa está preocupada com o meio ambiente e a sociedade com diz em seus noticiários e jornais impressos?

Perigo ARSENAL NA:

Por: Jean Ramalho

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Este artigo foi originalmente publicado pelo site Futucando Notícias [Aqui!]