Agrotóxicos terão aprovação automática após 60 dias

agrotóxicos

Por Daniele Bragança para  o ((o))eco

O Ministério da Agricultura instituiu nesta quinta-feira (27) o mecanismo de “autorização automática” por decurso de prazo para liberação de novos produtos agrotóxicos e outros 85 itens de responsabilidade da Secretaria de Defesa Agropecuária. Se o órgão não analisar o pedido até a data-limite estipulada, a autorização estará dada.

No começo de fevereiro, a Agência Nacional de Mineração (ANM) também estabeleceu prazo para autorizações automáticas. A ANM sofre com déficit crônico de servidores.

Registros de agrotóxicos em 60 dias

A portaria estabelece prazo de 60 dias para o registro de agrotóxicos. O prazo não interfere na aprovação do agrotóxico na Anvisa e Ibama.

A análise dos produtos agrotóxicos são de responsabilidade de três Ministérios: Agricultura, através da Secretaria de Defesa Agropecuária; Saúde, através da Anvisa; e Meio Ambiente, através do Ibama. A aprovação do registro para comercialização cabe ao Ministério da Agricultura após a análise toxicológica dos outros dois Ministérios. Para esta última fase que o governo estipulou prazo-limite.

Além dos registros de agrotóxicos, o governo estipulou prazo para  registro de produtos de origem animal não regulamentados (120 dias), Certificação sanitária para compartimentos de aves e suínos (365) e registro de produto de uso veterinário (720 dias). Os prazos dos 86 itens de responsabilidade da secretaria entram em vigor no dia 1º de abril.

Saiba Mais

Portaria Nº 43, 2020

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Este material foi inicialmente publicado pelo site ((o))eco[Aqui!].

Um bilionário mercado dos agrotóxicos ilegais aumenta risco de envenenamento dos brasileiros

prf douradosPoliciais rodoviários federais fazendo apreensão de mais de 5 toneladas de agrotóxicos contrabandeados na fronteira do Brasil com o Paraguai

O Brasil hoje é um dos principais mercados mundiais para agrotóxicos, o que torna o nosso país responsável por 20% do consumo mundial desses venenos agrícolas. Se esse número já não fosse ruim por si só, há um crescente mercado paralelo que absorve produtos que ou foram ilegalmente traficados para dentro do nosso país  via rotas de importação informais ou são simplesmente produtos versões falsificadas dos agrotóxicos que estão legalmente no mercado.

Esse mercado ilegal de agrotóxicos recebe pouca ou nenhuma atenção da mídia corporativa que é sempre ciosa em defender os supostos benefícios de uma agricultura viciada em veneno, e que hoje despeja em nossas mesas níveis inaceitáveis de resíduos de agrotóxicos cujas consequências para o ambiente e a saúde humana são altamente negativas.

Por isso são raros os artigos jornalísticos que mostrem o tamanho do problema representado pelo consumo de agrotóxicos ilegais na agricultura brasileira na mídia corporativa. Felizmente, a dimensão do problema tem servido para que veículos da mídia internacional venham ao Brasil e façam o que os jornais brasileiros não querem fazer.  Um caso exemplar é o do artigo assinado pelo jornalista Terrence McCoy e publicado pelo “The Washington Post” intitulado “In agricultural giant Brazil, a growing hazard:  The illegal trade in pesticides” (ou em bom português “No gigante agrícola do Brasil, um risco crescente: O comércio ilegal de agrotóxicos”).

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Segundo mostra McCoy, apenas em uma apreensão, a Polícia Rodoviária Federal apreendeu  5,5 toneladas do inseticida “Benzoato de emamectina” avaliadas em quase R$ 10 milhões, e que tinham sido ilegalmente produzidos na China e depois contrabandeadas pela fronteira do Brasil com o Paraguai.  O detalhe aqui é que essa carga tinha uma dosagem de Benzoato de emamectina de que era duas vezes acima do limite legalmente tolerado no Brasil.

Um dado interessante é que a estimativa é que o montante de agrotóxicos ilegalmente entrados e consumidos no Brasil equivalem a astronômicos 20% do que é declarado como sendo o consumo total no nosso país.  Esse dado, se confirmado, adiciona um grau de incerteza muito alto sobre não apenas o nível de contaminação, mas também sobre a qualidade da mesma. É que raramente se sabe o que estão efetivamente dentro dos vasilhames de agrotóxicos ilegalmente entrados no território nacional.

Como o volume absurdo de agrotóxicos falsificados que estão sendo traficados desde o exterior para as áreas agrícolas brasileiras, aparece ainda a questão de quem sustenta uma estrutura tão complexa de receptação, transporte e comercialização.  E certamente não serão pequenos comerciantes que terão capacidade para movimentar uma operação nesse tipo de escala.

‘Bolsa-agrotóxico’: empresas recebem isenções de impostos de R$ 10 bilhões ao ano

Gigantes do setor de pesticidas também recebem milhões em verbas públicas para incentivo à pesquisa e por meio do BNDES; STF julga na semana que vem se benefícios fiscais ao setor são constitucionais ou não

bolsa

Por Mariana Della Barba, Diego Junqueira, Pedro Grigori, Agência Pública/Repórter Brasil

Imagine começar o ano sem ter de pagar IPTU, IPVA ou qualquer outro imposto. Imagine chegar ao supermercado e ter um desconto de 40% no shampoo e 30% no molho de tomate. Imagine conseguir um empréstimo no banco a juros bem abaixo do mercado.

É mais ou menos assim que as empresas que produzem e vendem agrotóxicos operam no Brasil, embaladas por um pacote de benefícios que, somente com isenções e reduções de impostos, soma quase R$ 10 bilhões por ano, segundo estudo inédito da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), feito por pesquisadores da Fiocruz e da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).

O valor que o governo federal e os Estados deixam de arrecadar com a isenção fiscal aos pesticidas é equivalente a quase quatro vezes o orçamento total previsto para o Ministério do Meio Ambiente neste ano (R$ 2,7 bilhões) e mais que o dobro do que o SUS gastou em 2017 para tratar pacientes com câncer (R$ 4,7 bilhões).

“Nosso estudo deixou claro que é o momento de a sociedade refletir sobre os subsídios aos agrotóxicos. Primeiro porque estamos em uma crise fiscal, em que os subsídios de vários setores estão sendo repensados. Mas principalmente pelo tamanho do valor que deixa de ser arrecadado”, afirma o coautor do estudo Wagner Soares, economista e professor de mestrado do programa de Práticas em Desenvolvimento Sustentável da UFRRJ.

Essa “bolsa-agrotóxico” inclui ainda investimentos públicos milionários em gigantes transnacionais do setor. Levantamento feito pela Repórter Brasil e a Agência Pública mostra que, nos últimos 14 anos, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) emprestou R$ 358,3 milhões a empresas do setor (com juros subsidiados pelo governo) e a Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), agência do governo que financia inovação em empresas, transferiu R$ 390 milhões a grandes produtores de pesticidas para pesquisa e inovação.

Os investimentos e a manutenção das isenções vão na contra-mão das promessas do ministro da Economia Paulo Guedes de passar um pente-fino nas renúncias fiscais como forma de reduzir o déficit nas contas do governo. Durante a campanha presidencial de 2018, Guedes levantou a possibilidade de reduzir as isenções em até 20%. Entre as propostas está voltar a cobrar impostos dos alimentos da cesta básica. Questionado se pretende rever tais renúncias, o Ministério da Economia não se pronunciou.

Questionamento no STF

As isenções e outras benesses ao setor de agrotóxicos são questionadas por quem acompanha de perto o orçamento público. “É como se você morasse em um prédio e o seu vizinho não pagasse o condomínio. E sujasse a piscina e o salão de festas, gerando mais gastos para todos. Esses benefícios dão para as grandes empresas do agronegócio o bônus, enquanto o prejuízo fica para a sociedade”, explica o defensor público do Estado de São Paulo, Marcelo Novaes, que há anos investiga o tema.

As renúncias fiscais são amparadas por leis implementadas há décadas que veem os pesticidas como fundamentais para o desenvolvimento do país e que, por isso, precisam de estímulos – como ocorre com a cesta básica.

Mas esse cenário de benefícios para as empresas de pesticidas pode mudar a partir de 19 de fevereiro, quando o STF (Supremo Tribunal Federal) deve julgar uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) que questiona a lógica de considerar os agrotóxicos como itens fundamentais para o desenvolvimento do país. A ação compara os venenos a categorias como a de cigarros, considerados perigosos à saúde e que geram custos que acabam sendo divididos para toda a população – e que por isso recebem taxação extra, em vez de descontos nos impostos.

A comparação com o cigarro – em que até 80% do valor é formado por impostos – é precisa, segundo o professor Andrei Cechin, do Departamento de Economia da Universidade de Brasília (UnB). “O cigarro prejudica quem fuma, e o fumante usará o SUS para arcar com o tratamento dessas doenças. Esse gasto é socializado, já que toda a população paga pelo SUS. Então se justifica ter um imposto alto sobre o cigarro”, explica o professor.

A mesma lógica é válida para os pesticidas, segundo Cechin, porque o custo para o tratamento de casos de contaminação também recai sobre o SUS, o que justificaria a cobrança de uma taxação extra ao setor: “Mas em vez disso nós isentamos e ainda incentivamos o cultivo com agrotóxico.” O ministro da economia já defendeu taxação extra para cigarro e bebidas alcóolicas, no que chamou de “imposto sobre o pecado”. No entanto, nenhuma palavra foi dita sobre agrotóxicos.

Em 2017, a Procuradoria-Geral da República emitiu um parecer sobre a ADI no qual a então procuradora-geral Raquel Dodge defende ser inconstitucional dar benefícios e isenções tributárias aos agrotóxicos, já que o “ordenamento constitucional internacional demonstra preocupação com a utilização dos agroquímicos, impondo severas restrições à produção, registro, comercialização e manejo, com vistas à proteção do meio ambiente, da saúde e, sobretudo, dos trabalhadores”.

Para além do enquadramento ou não na legislação, o economista Cechin também alerta para o fato de que, assim como acontece com o cigarro, mais dinheiro é gasto para tratar intoxicações por agrotóxico do que com a compra do produto em si. Um estudo publicado na revista Saúde Pública revela que para cada US$ 1 gasto com a compra de agrotóxicos no Paraná, são gastos U$$ 1,28 no SUS com tratamento de intoxicações agudas — aquelas que ocorrem imediatamente após a aplicação. O cálculo deixou de fora os gastos em doenças crônicas, aquelas que aparecem com o passar do tempo devido à exposição constante aos pesticidas, como o câncer.

10 bilhões de reais por ano

Mesmo diante dos impactos dos agrotóxicos na saúde da população e no meio ambiente, as empresas deixaram de pagar quase R$ 10 bilhões em impostos federais e estaduais em 2017 – e quem mais deixou de arrecadar foram os estados, de acordo com o estudo “Uma política de incentivo fiscal a agrotóxicos no Brasil é injustificável e insustentável”, da Abrasco.

A renúncia fiscal apenas do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) no Rio Grande do Sul daria para cobrir mais da metade do déficit orçamentário do estado em 2017. Já no Mato Grosso, esse valor representa 66% de todo o orçamento da saúde estadual.

As isenções de ICMS nos Estados, que começaram em 1997, são responsáveis pela maior fatia de desoneração de impostos, com 63% total; seguido pelo IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), com 16,5%; pelo PIS/Pasep e Cofins, com 15,6%; e, por último, o imposto de importação (II), com 4,8%, conforme o estudo da Abrasco, assinado também pelo pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública (Fiocruz) Marcelo Firpo e pelo cientista ambiental Lucas Neves da Cunha.

Segundos os autores, a tese de que reduzir o valor dos agrotóxicos é necessário para manter o preço dos alimentos não se sustenta. “Seria mais razoável subsidiar não o uso de agrotóxico, mas diretamente o consumo do alimento”, conclui o estudo, que levou em conta as despesas com pesticidas reportadas pelos produtores rurais no Censo Agropecuário 2017.

Empréstimos camaradas e concentração de mercado

Ainda que os investimentos diretos de verbas do governo ao setor sejam bastante inferiores às isenções de impostos, chama a atenção o fato de as gigantes produtoras de agrotóxicos serem as mais beneficiadas. Entre 2005 e 2019, o governo federal aplicou R$ 749 milhões por meio do BNDES e da Finep em 18 fabricantes de agrotóxicos, incluindo Monsanto, Syngenta, Ourofino e Dow Agrosciences (hoje Corteva).

Dos recursos investidos em pesquisa em todo o setor farmoquímico desde 2005, a fabricante de agrotóxicos Ourofino foi a terceira mais beneficiada, atrás apenas de Hypera Pharma e Aché, que produzem medicamentos para saúde humana. Fabricante de mais de 30 produtos agrotóxicos, incluindo o glifosato e fipronil, a empresa recebeu R$ 334,6 milhões em recursos públicos nas divisões de agrotóxicos e pesquisas agrícolas. Procurada, a Ourofino não se manifestou até o fechamento desta reportagem.

Já a Finep reconhece o financiamento direto em agrotóxicos, mas diz também selecionar projetos que buscam substituir pesticidas por produtos biológicos e apoiar “projetos inovadores com a premissa de aumento de sua eficiência”. Confira a resposta completa da Finep. O BNDES não comentou.

Alimentos mais caros?

Entidades que representam o setor de agrotóxicos argumentam que suspender a isenção fiscal para agrotóxicos levaria a uma alta no preço dos alimentos com impacto sobre a inflação.

“O fim do benefício impactará os preços dos insumos e, consequentemente, pesará sobre o valor da cesta básica. Essa desoneração, portanto, é muito mais benéfica para a sociedade do que para as indústrias”, diz Christian Lohbauer, presidente da CropLife Brasil, associação que representa empresas produtoras de agrotóxicos como Basf, Bayer, Corteva, FMC e Syngenta.

Para a Aprosoja (Associação Brasileira dos Produtores de Soja), o fim dos benefícios fiscais aumentará os custos da produção. “Parte da produção brasileira de grãos, frutas, fibras e hortaliças ficaria inviabilizada, pois ao computar o aumento tributário nos custos de defensivos agrícolas, com o custo da logística de transporte, os riscos climáticos e outros tributos e contribuições do setor, inviabilizaria boa parte das áreas do interior do país”, afirmou em nota. Confira a íntegra do posicionamento da Aprosoja.

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento informou que vai aguardar a decisão do STF para se manifestar. A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) não quis comentar. Já o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg) declarou que “a tributação provocaria aumento nos custos dos alimentos e reduziria a competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional”. Confira na íntegra o posicionamento do sindicato, da CropLife e da Aprosoja.

Para o economista Cechi, da UnB, é difícil afirmar que o impacto da redução de benefícios aos agrotóxicos chegaria à mesa dos brasileiros, já que grande parte do seu uso vai para commodities, como a soja, e não para alimentos.

“O agrotóxico é utilizado principalmente em culturas que não são alimentos, ou seja, commodities cujos preços são estabelecidos pelo mercado internacional. Não são os produtores que escolhem o preço. Com isso, sem isenção, produtores terão que gastar mais em agrotóxicos, o que vai significar uma margem de lucro menor. O impacto [da redução de benefícios] seria para as empresas do agronegócio.”

Em 2015, as plantações de soja foram o destino de 52% da venda de todos os agrotóxicos do Brasil. Milho e cana-de-açúcar aparecem em segundo lugar, com 10% cada, seguidos do algodão, com 7%. Só essas quatro commodities agrícolas representaram 79% do agrotóxico usado no país, segundo dados do Sindiveg.

A “bolsa-agrotóxicos” fica mais controversa se levado em conta que o Brasil é o maior consumidor de pesticidas do mundo em valores totais, e que o setor cresceu 190% entre 2000 e 2010, acima dos 93% do cenário mundial. Além disso, o governo do presidente Jair Bolsonaro aprovou um número recorde desses produtos em 2019, beneficiando principalmente as multinacionais.

Tudo diante de um pano de fundo em que há uma concentração de mercado que, na visão do defensor público Marcelo Novaes, prejudica os cofres públicos, já que sem concorrência, as empresas podem manipular preços e ampliar seus lucros. “Somos dominados por cinco grandes multinacionais – Syngenta, Bayer-Monsanto, Basf, Corteva (ex-Dow) e DuPont – que mandam em tudo por serem donas de 80% do setor”, afirma o defensor, que denunciou no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) o que considera um oligopólio.

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Esta reportagem foi originalmente publicada pela parceria formada pela ONG Repórter Brasil e a Agência Pública [Aqui!].

Jornal francês volta a denunciar uso abusivo de agrotóxicos no Brasil

soja agrtoóxicosColheita de soja na fazenda Morro Azul perto de Tangará da Serra, no Mato Grosso. Getty Images

Por Adriana Moysés para a RFI

O uso excessivo de agrotóxicos no Brasil continua em destaque na imprensa francesa. Na quarta reportagem de uma série dedicada ao desmatamento na Amazônia, o jornal regional Ouest France relata nesta segunda-feira (30) resultados de estudos científicos apontando o envolvimento do herbicida glifosato em abortos espontâneos e no aumento da mortalidade de recém-nascidos em áreas que concentram 80% da produção de soja no centro-oeste e sul do Brasil.

Jornal de maior tiragem da França, Ouest France cita a pesquisa publicada em fevereiro passado por Mateus Dias, Rudi Rocha e Rodrigo R. Soares, das universidades de Princeton (EUA), São Paulo e Columbia (EUA). O estudo colheu dados de áreas de cultura de variedades de soja geneticamente modificadas, fabricadas pela Monsanto, nas quais também foi associado um herbicida à base de glifosato, explica o diário.

“As populações de 1.119 municípios cercados por plantações de soja foram expostas direta ou indiretamente à molécula, seja por inalação no ar, pelo consumo de água ou de alimentos contaminados com glifosato. Nessas localidades, entre 2000 e 2010, houve uma alta da mortalidade infantil que aponta uma média de 557 mortes de recém-nascidos ou abortos espontâneos por ano”, reporta o diário francês. Outro estudo, realizado na Universidade do Piauí, demonstrou que 80% do leite materno recolhido em diferentes maternidades em duas regiões agrícolas do estado, distantes de 750 km uma da outra, continham glifosato ou outros perturbadores hormonais.

Doses excepcionais e arriscadas para a saúde

A reportagem do Ouest France, muito detalhada, mostra que três quartos das terras cultiváveis no Brasil são tratadas com agrotóxicos. Das 10 substâncias desse gênero mais utilizadas no país em 2016, quatro são proibidas na União Europeia. O glifosato é utilizado em larga escala no território brasileiro e em proporções muito maiores que o permitido na França. A legislação francesa prevê a utilização de apenas meio litro da substância por hectare, enquanto no Brasil, na Argentina, nos Estados Unidos e em outros países da região a proporção tolerada chega a ser 80 a 100 vezes superior.

No “Atlas Geográfico do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Europeia”, elaborado pela professora Larissa Mies Bombardi, da Faculdade de Geografia da USP, a reportagem do Ouest France encontrou outro dado preocupante, relacionando o glifosato a taxas de suicídio.

“No Paraná, de 3.723 casos de intoxicação recenseados no período de 2007-2014, 1.631 foram por tentativa de suicídio, ou seja, 40% do total. As mesmas proporções são encontradas nos estados de São Paulo (844 tentativas) e Minas Gerais (957). Pior ainda em Pernambuco, onde ocorreram 1.145 tentativas de suicídio num total de 1.545 intoxicações. (…) O fato de dispor de produtos agrícolas tóxicos facilita o suicídio. É um veneno ao alcance das mãos.”

A reportagem relata ainda a indignação da ONU depois de o presidente Jair Bolsonaro liberar o uso de centenas de agrotóxicos. “O relatório do Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU lembra que o Brasil utiliza maciçamente moléculas proibidas em várias regiões do mundo e em doses excepcionalmente elevadas: enquanto a taxa máxima recomendada de glifosato por litro de água potável é de 0,1 miligrama, no Brasil ela é 5.000 vezes maior.”

Um leitor atento compreende facilmente por que a imagem da agricultura brasileira é péssima na França.

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Este artigo foi inicialmente publicado pela Rede França Internacional [Aqui!].

Com mais 57 agrotóxicos liberados, governo Bolsonaro quebra recorde histórico e transforma o Brasil em uma piscina envenenada

Man spraying toxic pesticides or insecticides on fruit growing plantation. Natural light on hard sunny day. Blue sky with clouds in background.Com mais 57 agrotóxicos liberados, governo Bolsonaro quebra recorde histórico e transforma o Brasil em uma piscina de agrotóxicos banidos em outras partes do mundo

Se há uma área onde não se pode questionar a eficiência e a coerência do governo Bolsonaro essa é a da liberação de agrotóxicos. É que no dia de hoje, com a publicação do Ato No. 82 que liberou mais 57 agrotóxicos, o total para 2019 é de 467. Com isso,  a ministra Tereza Cristina, a “Musa do Veneno”, consegue tornar o Brasil uma espécie de bacia das almas para produtos banidos em outras partes do mundo.

Como já é de praxe, vou atualizar a base que construí ao longo de 2019 com as principais características desses “novos” agrotóxicos e vou postar assim que tiver todos os dados preenchidos, o que normalmente leva algum tempo para evitar erros de preenchimento.

Mas de cara é possível notar que a China continua sendo a principal fornecedora dos produtos que foram liberados no dia de hoje, com mais de 50% dos produtos aprovados vindos de industrias chinesas. Esse fato mostra quão integrado e dependente o agronegócio brasileira se tornou da China que, por um lado, fornece a maioria dos venenos agrícolas que estão sendo consumidos no Brasil e, por outro, se transformou objetivamente no principal mercado das commodities agrícolas brasileiras.  O problema é que neste intercâmbio comercial, nós acabamos ficando com a “parte podre” do processo, pois acumulamos o envenenamento maior de nossos solos e águas, bem como a ampliação do desmatamento e da degradação de nossos biomas florestais, a começar pela Amazônia.

Um aspecto que ainda deverá ser analisado é a negligência óbvia sobre a saúde dos trabalhadores rurais e de todos que entrem em contato direto e indireto com esse número aumentado de substâncias altamente tóxicas que estão sendo colocadas no mercado brasileiro. E há que se frisar que isto ocorre para atender as necessidades dos grandes latifundiários que hoje controlam a exportação das commodities onde está fortemente concentrado o uso dessas substâncias.

Os problemas causados pela contaminação ambiental e humana decorrente da transformação do Brasil em uma espécie de piscina tóxica deverão ser sentidos nas próximos anos e décadas, visto que muitos dos produtos que estão sendo liberados ou possuem alta persistência ou geram metabólitos ainda mais tóxicos do que o produto ativo original quando são rapidamente degradados no ambiente.

Enquanto isso, os vendedores de veneno, principalmente os baseados na China, agradecem a esse ritmo desenfreado de aprovações. Mas como toda alegria pode acabar, os próximos meses deverão trazer repercussões econômicos de países que prezam minimamente pela saúde de suas populações.  A verdade inescapável é que caminhamos para um processo de isolamento sanitário por causa do nível de resíduos de agrotóxicos perigosos em que o modelo agrícola agroexportador brasileiro está baseado. Simples assim!

Ministério da Agricultura engana a população com dados falsos sobre agrotóxicos

consumo agrotóxicos

Nosso consumo de agrotóxicos por hectare fica em 7kg/ha, e não 4,3kg/ha como afirma a FAO e o MAPA / Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida

 

Imagem de perfil do ColunistaCampanha Contra os Agrotóxicos

No último 6 de agosto, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) publicou um release de imprensa intitulado “Esclarecimentos sobre Registros de Defensivos Agrícolas“. Em relação a este documento, a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida declara que:

A publicação deste texto é claramente uma resposta à indignação crescente na sociedade brasileira em relação ao ritmo exorbitante de liberações de agrotóxicos após o início do governo Bolsonaro. Ao torcer e distorcer os dados para tentar se defender, como mostraremos a seguir, o governo tenta esconder que sua única missão é privilegiar as multinacionais fabricantes de agrotóxicos, facilitando a venda de agrotóxicos em detrimento da saúde da população;

O release afirma que, entre os agrotóxicos liberados este ano, há apenas duas substâncias novas. Esta afirmação contradiz, por si só, o mesmo release, que mais à frente afirma que “o objetivo de fazer a fila andar no Brasil é justamente aprovar novas moléculas, menos tóxicas e mais ambientalmente corretas, e assim substituir os produtos antigos”. Ou as novas liberações estão trazendo novidades, ou não estão. Os dois ao mesmo tempo não é possível.

Este discurso contraditório tem sido adotado também pela Ministra Tereza Cristina, por exemplo em matéria publicada pelo MAPA no mesmo dia: “Fazer a fila de registros andar traz defensivos mais eficientes e menos tóxicos, explica ministra“. Ora, se entre 290 agrotóxicos liberados em 2019 apenas 2 são novos, onde estão os agrotóxicos menos tóxicos e mais eficientes? Cabe lembrar que uma das duas “novidades” é o Sulfoxaflor, comprovadamente danoso às abelhas. Por sinal, 42% dos agrotóxicos registrados em 2019 são Extremamente ou Altamente Tóxicos. Isso, é claro, antes da mudança promovida pela Anvisa, que fará com que estas mesmas substâncias ganhem uma “roupa nova” e passem ser inofensivos.

A publicação afirma que “Não é correto comparar todos os defensivos que são utilizados na Europa, por exemplo, com os produtos usados no Brasil”, afirmando que os produtos que são proibidos por lá na verdade não são necessários na Europa, por conta das diferenças de culturas e temperatura. Este é um argumento muito usado pelo agronegócio, mas que não se sustenta.

Em excelente artigo recente, a professora Larissa Bombardi cita o exemplo de duas culturas plantadas tanto no Brasil quanto na Europa: uva e laranja, em condições climáticas similares. Entretanto, afirma a pesquisadora, dos 71 agrotóxicos autorizados para a uva no Brasil, 13 são proibidos na União Europeia, e, no caso da laranja, são autorizados 116 agrotóxicos no Brasil, dos quais 33 não são autorizados na União Europeia. A grande maioria dos agrotóxicos hoje banidos na União Europeia foram desenvolvidos por empresas europeias, e eram usados por lá até serem proibidos, ou até que alterações no marco regulatório fizeram com que o registro lá não fosse mais viável.

Prosseguindo na sua saga de incorreções, o MAPA afirma que, “Apesar do aumento do número de registros de defensivos agrícolas que vem ocorrendo nos últimos anos no país, a venda desses produtos registrou redução no período”. O título auspicioso esquece-se de mencionar “o período”. Ao longo do texto, vemos que se refere aos anos de 2016 e 2017, em que, segundo o Ibama, com base em dados informados pelas empresas (e frequentemente revisados para cima após inspeções nestas empresas), as vendas de agrotóxicos caíram de 541.861,09 toneladas para 539.944,95.

O texto não lembra que esta é a primeira queda desde 2009. E ora, qualquer pessoa com um mínimo de compreensão de matemática pode entender que uma redução de 0,3% não pode ser chamada de redução, especialmente se comparada ao aumento de 3,9% de 2015 para 2016, ou de 13,6% de 2012 para 2013, ou de 18,5% de 2009 para 2010. Inclusive, é importante que a variação do consumo de agrotóxicos seja observada à luz do crescimento econômico: em 2015 e 2016, o PIB brasileiro teve queda de -3%, e em 2017 houve um tímido aumento de 1%. Ainda assim, o ritmo de vendas de agrotóxicos seguiu em alta, ficando estável de 2016 para 2017. Ou seja: afirmar que houve redução do consumo de agrotóxicos no Brasil é uma grande mentira.

Finalmente, a grande distorção: “Segundo a FAO, o uso relativo de defensivos no Brasil é menor que o de muitos países da Europa”, e o Brasil estaria em 44º lugar num ranking de uso de agrotóxicos por área. Importante notar como agora se torna válido comparar a produção agrícola do Brasil com a Europa. No caso dos agrotóxicos banidos, o MAPA diz que a comparação não é possível. De todo modo, há dois grandes problemas na afirmação: (1) os dados da FAO estão errados. Eles contradizem os dados do Ibama, que o próprio MAPA utilizou. Para a FAO, o Brasil usou 377.176 toneladas de agrotóxicos em 2016. Mas como vimos acima, na conta feita pelo MAPA, o uso em 2016 foi 541.862 toneladas, um pequeno erro de 44%. A FAO já foi notificada sobre o equívoco. Mas também há um erro no denominador: segundo a FAO, utilizamos os agrotóxicos numa superfície de 87,5 milhões de hectares, quando a soma de lavouras temporárias e permanentes segundo o IBGE em 2016 foi de 76,7 milhões de hectares.

Assim, com estes dois “erros”, nosso consumo de agrotóxicos por hectare fica em 7kg/ha, e não 4,3kg/ha como afirma a FAO e o MAPA. Isto sem contar com os agrotóxicos contrabandeados, que segundo o Sindiveg representam 20% do total comercializado. Considerando os contrabandeados, o índice sobre para 8,5kg/ha.

No entanto, há um segundo problema grave com esta comparação: não é possível comparar o perfil do uso de agrotóxicos em países com práticas agrícolas totalmente distintas. Monocultivos de larga escala como soja, milho e algodão utilizam de fato menos agrotóxicos por hectare em relação à verduras como tomate, pimentão, e outros. Isso não significa, no entanto, que 60 kg de agrotóxicos utilizados em 10 hectares de soja sejam menos nocivos à saúde e ao meio ambiente do que a mesma quantidade de veneno utilizada em 1 hectare de tomate, por exemplo. No primeiro caso, por significar uma área maior, temos inclusive um maior potencial de exposição de pessoas e cursos d’água aos agrotóxicos.

Para citar ao menos um ponto positivo, aplaudimos o fato de que, segundo o documento, “Em menos de uma década, o número de produtores rurais orgânicos registrados no Brasil triplicou”. De fato, este é um grande feito. Porém, considerar o aumento da produção orgânica de responsabilidade do MAPA é mais fraude contida no documento. Este resultado se deve à luta dos movimentos sociais, que conquistaram. durante os governo Lula e Dilma. Políticas públicas como o PNAE, PAA, a certificação orgânica participativa e a Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica. A luta dos movimentos e a conquista destas políticas (que atualmente estão sendo destruídas), resultaram no significativo aumento da produção orgânica no Brasil, que, no entanto, ainda necessita de muita vontade política para se desenvolver. No mínimo, a mesma vontade política que se tem para liberar novos agrotóxicos.

Edição: Daniela Stefano

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Este artigo foi inicialmente publicado pelo jornal “Brasil de Fato”  [Aqui!].

Jornal O Tempo faz especial sobre agrotóxicos

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Bruno C. Dias, com informações de O Tempo

Produzida pelos repórteres Gabriel Rodrigues e Alex Bessas  do jornal mineiro O Tempo, a matéria especial “Agrotóxico causa rombo nos gastos com saúde e licenças médicas” expõe o ritmo desenfreado com que as liberações de agrotóxicos têm ocorrido no governo Bolsonaro. Em um pouco mais de seis meses, já foram liberados 290 venenos – uma média de 1,3 por dia, equivalente a 69% do total de liberações do ano passado. Ainda há 560 venenos aguardando liberação.

Para entender os efeitos de uma quantidade nunca vista de produtos químicos disponíveis no mercado na saúde dos trabalhadores rurais e dos consumidores em geral, a reportagem ouviu os pesquisadores Marcelo Firpo e Luiz Claudio Meirelles, ambos integrantes do Grupo Temático Saúde e Ambiente, da Associação.

O texto destaca o custo das externalidades negativas por conta do uso dos agrotóxicos: para cada dólar gasto com os produtos, até  US$ 1,28 são necessários para gastos posteriores em saúde e licenças médicas. Ao fazer o cálculo a partir do valor de U$ 8,9 bilhões, montante gastos com agrotóxicos conforme anunciado pela entidade patronal do setor, o Sindiveg, em 2017, o Brasil gastou cerca de US$ 11,3 bilhões.  A base do cálculo está no artigo “Uso de agrotóxicos e impactos econômicos sobre a saúde, publicado em 2012 por Firpo e Wagner Soares.

A matéria expõe também a recente revisão na classificação dos agrotóxicos feita pela Anvisa. Segundo Meirelles, reduzir a classificação e valer-se apenas do risco de morte como critério para banimento é fazer vista grossa a produtos extremamente tóxicos e banidos dos mercados norte-americano e europeu. “Um produto como o glifosato, que a Agência Internacional de Pesquisas sobre o Câncer (IARC), da ONU, classificou como cancerígeno deveria ter uma retirada programada do mercado” diz o abrasquiano. Clique e leia a matéria completa.

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Este artigo foi originalmente publicado pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) [Aqui!].

Professora da USP destroça mito do uso seguro de agrotóxicos no Brasil

agrotoxicos

A professora do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo  Larissa Mies Bombardi é hoje uma das maiores conhecedoras dos problemas envolvendo o uso de venenos agrícolas nas grandes monculturas plantadas para exportação no Brasil.  Em função disso, ela vem sendo atacada por entidades ligadas ao latifúndio agro-exportador (o chamado agrobusiness).

No vídeo abaixo ela fala de forma bastante esclarecedora sobre as graves consequências do uso descontrolado de venenos agrícolas em altas quantidades e sem qualquer fiscalização efetiva no cotidiano das áreas onde os mesmos são estudados.

Abaixo uma entrevista conduzida pelo jornalista Bob Fernandes onde a professora Larissa Bombardi discorre de forma esclarecedora sobre um dos maiores mitos criados para justificar o uso dos agrotóxicos na agricultura, qual seja, de que é possível fazer uso seguro dessas substâncias de forma segura.

A verdade inescapável que emerge dessa brilhante entrevista é de que estamos sendo envenenados em nome dos interesses econômicos dos grandes latifundiários brasileiros. E aqui, mais uma vez, é preciso defender a reputação científica da professora Larissa Bombardi que está sendo vilipendiada por causa de estudos rigorosos que ela vem conduzindo e que são de completo interesse público.

Vídeo do “Robotox” explica em detalhes os 239 agrotóxicos aprovados pelo governo Bolsonaro

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Lançado em Dezembro de 2018 em associação pelas organizações jornalísticas Agência Pública e Repórter Brasil, o site “Por detrás do alimento” vem fornecendo informações valiosas sobre o processo de incorporação de agrotóxicos na produção agrícola brasileira. Além disso, essa iniciativa lançou uma ferramenta, o “Robotox“, que fornece informações praticamente automáticas sobre as aprovações de agrotóxicos pelo governo Bolsonaro, fornecendo ainda detalhes importantes sobre esses compostos e seus potenciais impactos sobre o ambiente e a saúde humana.

Abaixo um vídeo produzido pelos editores do “Por detrás do alimento” e veiculado na página do “Robotox” na rede social Twitter. O vídeo é bastante didático, não apenas em relação aos produtos aprovados, mas também no tocante à desmistificar o discurso do governo Bolsonaro que agora é de buscar um suposto barateamento do custo dos agrotóxicos, e não mais de introduzir agrotóxicos que sejam mais modernos e menos tóxicos do que os que estavam disponíveis no mercado antes do início do governo Bolsonaro.

A divulgação deste vídeo é essencial para que um número maior de pessoas possa ter acesso a informações diretas e explicadas de forma compreensível para que o processo de pressão social possa aumentar. 

O fato é que no atual ritmo a população do Brasil e as de outros países que consomem alimentos produzidos a partir do uso de substâncias que sabidamente afetam o meio ambiente e os seres humanos de forma altamente negativa.

Tereza Cristina, a musa do veneno, diz na FAO que excesso de agrotóxicos no Brasil é “balela”

agrotóxicos avião

Enquanto estava na 41ª Conferência da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), a ministra da Agricultura, Tereza Cristina (DEM/MS) autorizou a liberação de mais 42 agrotóxicos (45% deles proibidos na União Europeia). Entretanto, em entrevista à Rádio França Internacional (RFI), Tereza Cristina afirmou que os apontamentos de que o Brasil é hoje um dos principais consumidores de agrotóxicos seriam “uma “balela’,  “um mito”.

tereza cristina

Alguém precisa lembrar à ministra Tereza Cristina que o Brasil é hoje responsável por cerca de 20% do consumo mundial, e que no mercado brasileiro estão disponíveis 2.305 produtos, os quais incluem vários produtos que estão ligados à vários tipos de doenças (a começar pelo câncer) e pelo extermínio das abelhas.

As declarações de Tereza Cristina apenas reforçam a minha opinião de que só com o avanço de propostas de banimento dos produtos agrícolas, ao modelo do que foi iniciado pelo fundador e CEO da rede sueca de supermercados Paradiset, Johannes Cullberg, é que teremos algum tipo de sensibilização dos apoiadores da “musa do veneno”.

Mas como acredito que a população brasileira também precisa ocupar um papel relevante nas pressões para a diminuição do uso abusivo e indiscriminado de venenos agrícolas no Brasil, estou disponibilizando a base de dados com os 239 agrotóxicos liberados até aqui pelo governo Bolsonaro.   Quem desejar baixar a base, basta clicar [Aqui!].

Finalmente, se há uma balela envolvendo a enxurrada de agrotóxicos que está sendo colocada na agricultura brasileira é de que apontar essa situação é balela ou mito. A verdade é que estamos diante de um cenário gravíssimo com a liberação de venenos altamente tóxicos que estão agravando a contaminação de águas e solos no Brasil.