No Norte Fluminense,a soja é sonho para poucos, mas poderá ser pesadelo para muitos

Tenho acompanhado anúncios publicitários disfarçados de matérias jornalísticas dando conta do que se pode chamar de chegada da soja no Norte Fluminense. A produção é ainda residual, mas existe o incentivo para dar algum tipo de uso para as estruturas subutilizadas do Porto do Açu. Além disso, em face das pressões por reforma agrária em terras improdutivas, que são maioria por estas bandas, a ideia de plantar soja acaba sendo uma espécie de saída de oportunidade.  

Por essas e outras é que a soja se tornou uma espécie de sonho para latifundiários e autoridades municipais. Mas o que é um sonho para poucos poderá se tornar um pesadelo para a maioria. É que quem vende a ideia de que a soja pode prosperar por aqui, esquece oportunamente de dizer que esta monocultura só é viável com muito agrotóxico sendo aplicado ao longo de todo o processo, desde antes do plantio até a estocagem dos grãos.

Não é à toa que a soja sozinha é responsável pelo consumo de mais de 50% de todos os agrotóxicos consumidos no Brasil, incluindo produtos altamente tóxicos e perigosos para o meio ambiente, a começar pelos herbicidas Glifosato e Diquat. Como esta região já tem uma alta memória em seus solos e recursos aquáticos de agrotóxicos utilizados em outra monocultura, a da cana de açúçar, a expansão da soja significará ainda mais resíduos de produtos altamente venenosos na água que chega na torneira dos campistas, bem como na poeira que invade as casas quando venta forte na região.

Uma pesquisa publicada recentemente com os resultados de coletas feitas em residências na Europa encontrou resíduos de nada menos do que 197 agrotóxicos diferentes, a maioria deles oriunda de campos cultivados com esses venenos agrícolas. O estudo mostrou que esses resíduos chegaram na forma de poeira trazida pelos ventos ou até por animais domésticos que retornavam de seus passeios em áreas públicas.

De minha parte, considero que diferente dos anúncios publicitários em prol da soja e da monocultura de árvores, o que se precisa por aqui é de uma ampla reforma agrária que impulsione a produção de alimentos saudáveis, especialmente em um momento de altas incertezas sobre o comércio mundial que está causando a elevação contínua da cesta básica.

Além disso, é preciso que se cobra a imediata imposição de um mecanismo de licenciamento ambiental que estabeleça limites claros para as distâncias permitidas dos cultivos de soja em relação à áreas residênciais e corpos hídricos.  Do contrário, o que teremos pela frente será um cenário de ampliação do processo de contaminação ambiental e de adoecimento da população em fase da exposição às dezenas de agrotóxicos que são utilizados nos plantios de soja.

Crime organizado e internet impulsionam agrotóxicos ilegais no Brasil

Ofertas de insumos irregulares e proibidos no país são facilmente encontradas em redes sociais e marketplaces. Estima-se que 25% dos agrotóxicos que circulam no Brasil sejam irregulares

Insumos proibidos no Brasil são vendidos legalmente em países vizinhos, como ParaguaiFoto: Patrick Pleul/dpa-Zentralbild/dpa/picture alliance

Por Matheus Gouvea de Andrade para a Deutsche Welle Brasil

Nos últimos anos, a preocupação com o uso de agrotóxicos no Brasil ganhou maior destaque, acompanhada de um avanço na aplicação destes produtos de forma irregular no país. Com a facilidade das vendas online, os agrotóxicos ilegais, muitas vezes contrabandeado de países vizinhos, encontraram terreno fértil para ampliar sua presença no campo.

As estimativas do setor são de que 25% dos agrotóxicos que circulam no Brasil sejam irregulares. Em 2023, a Polícia Federal apreendeu 575 toneladas destes produtos, quase 180% mais que em 2022. Em 2023, o Ministério da Agricultura apreendeu 422,9 toneladas e a Polícia Rodoviária Federal (PRF) 195,7 toneladas.

Na maioria das vezes, os insumos são apreendidos em rodovias ou em fiscalizações em propriedades rurais. O mercado ilegal é composto por uma cadeia dividida em contrabando, roubo de cargas, falsificação de produtos e desvio de finalidade na utilização de princípios ativos importados.

A atração para os compradores está especialmente nos preços, pois esses insumos de origem ilegal tendem a ser mais baratos que as opções regulamentadas. Observadores apontam que a alta do dólar nos últimos anos, ao tornar os produtos legalizados mais caros, impulsionou a demanda no mercado paralelo.

Além disso, há substâncias que são permitidas em países vizinhos, mas não no território brasileiro, como no caso do paraquat, proibido no país desde 2020 devido aos riscos para a saúde, que vão desde câncer à doença de Alzheimer. Na União Europeia, a substância é banida desde 2007. O Paraguai é uma das portas de entrada do insumo proibido no Brasil. Importante de países como China e Índia, o paraquat é vendido legalmente no Paraguai. Depois, a substância ingressa por via terrestre no Brasil, com destaque para o Paraná.

Crime organizado

O grande mercado chamou a atenção do crime organizado. Recentemente, a Operação Mafiusi da Polícia Federal destacou os agrotóxicos entre os produtos comercializados pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), assim como drogas e cigarros, além de outras atividades mais tradicionais para o crime.

“Não importa tanto o produto, são quadrilhas especializadas em logística”, afirma Luciano Stremel Barros, presidente do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras (Idesf). Em sua visão, a possibilidade de transportar diferentes mercadorias, muitas vezes no mesmo veículo, propicia a ascensão do crime organizado, que vai se apropriando das rotas no país.

Barros lembra que, além do uso de produtos inadequados para a produção nacional, há riscos no descarte das substâncias tóxicas ilegais. No caso de produtos regulamentados, a ampla maioria das embalagens segue rigorosos padrões sanitários. No caso irregular, segundo ele, diante da falta de fiscalização e impossibilidade de usar os descartes legais, os recipientes são enterrados ou queimados, o que causa ainda maiores danos ambientais e potencialmente à saúde da população local.

Legislação só no papel

Para muitos produtores, as práticas no campo são bem distantes das regulamentações e permissões dos organismos de controle. Eric Gustavo Cardin, professor de Ciências Sociais da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), conversou com uma série de agricultores na região nos últimos anos, e afirma que há um perfil que chega a “dar risadas” das mudanças de legislações referentes à questão.

De acordo com Cardin, aqueles com maior capacidade de investimento costumam ter mais cuidados com eventuais transgressões, no entanto, há outros que veem no uso de substâncias ilegais uma forma de aumentar a rentabilidade de seus negócios. “Agrotóxicos são caros, se alguém pode ter uma diminuição do custo com relação a esta mercadoria, muitas vezes opta por essa alternativa.”

Nestes casos, muitos pedem os insumos ilegais pela internet. “Muitos conhecem os vendedores no Paraguai, sendo comum o envio cruzando a fronteira”, aponta. “Especialmente na região de fronteira no oeste do Paraná, é algo muito comum.”

Facilidade online

Em outras regiões do Brasil, a facilidade que marketplaces oferecem para o envio de agrotóxicos irregulares cumpre papel “significativo” na expansão do mercado, avalia Barros. Em sites especializados do setor, produtos como o paraquat são oferecidos para entrega em todo o país, algo que também ocorre em comunidades do Facebook que contam com dezenas de milhares de seguidores.

Questionada sobre o tema, a Meta, empresa que controla a rede social, enviou um link para a política de produtos e serviços restritos da plataforma. Após a companhia ser notificada sobre os anúncios, alguns não estavam mais disponíveis. Nestes casos, deveria haver maior atuação das plataformas, aponta Edson Vismona, presidente do Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCPI). “Existem condições para isso, como o controle com algoritmos. Sabemos que há ferramentas disponíveis”, avalia.

Segundo ele, nos últimos anos, houve movimentos distintos entre as empresas do setor, com alguns marketplaces aderindo mais ao controle de conteúdo do que outros. Para Vismona, o Brasil é tratado como um “mercado marginal” por certas companhias que não são originárias do país, o que favorece a oferta de produtos proibidos no território nacional.

Frequentemente, plataformas alegam não poder exercer censura prévia, e pedem que violações sejam denunciadas pelos próprios usuários para a retirada de conteúdos. Para Vismona, este movimento “delega para as vítimas o controle, sendo que são as empresas que detém o poder”. Além disso, ele argumenta que a questão se trata do Código de Defesa do Consumidor, não de liberdade de expressão.

Legislação comum e acordo com UE

Uma proposta frequente de envolvidos no tema é a de que o Mercosul adote uma legislação comum sobre substâncias permitidas no bloco, similar a que está em vigor na União Europeia (UE). Desta forma, as disparidades que permitem a circulação legal de produtos como o paraquat no Paraguai seria eliminada, o que, em tese, facilitaria o controle.

Barros vê a possibilidade com ceticismo, apontando que uma paridade nas legislações teve pouco avanço em instâncias como o Parlasul, o parlamento do Mercosul. Cardin lembra ainda que a capacidade de execução interna no bloco é reduzida, com aprovações de temas por consenso sendo difíceis, especialmente em momentos de divergências políticas entre os países.

No entanto, ele observa que o fechamento de um acordo com a UE poderia ser um “fator novo” para exercer pressão sobre o tema. Segundo Cardin, o Paraguai se encontra em uma posição “confortável”, mas uma maior cobrança internacional para que o país adotasse legislações mais restritivas em conformidade com regras em vigor no exterior poderia ser um caminho para mudanças.


Fonte: Deutsche Welle Brasil

Áreas marinhas de proteção integral do Brasil estão contaminadas por microplásticos

Pesquisadores da Unifesp usaram ostras e mexilhões como organismos-sentinelas para avaliar a ocorrência desses poluentes. Resultados indicam que mesmo os locais mais restritivos à presença humana apresentam contaminação relevante

Abrolhos, uma das áreas de proteção integral enfocadas no estudo (foto: Beatriz Zachello Nunes)

José Tadeu Arantes | Agência FAPESP 

Apesar de serem consideradas santuários da biodiversidade, as áreas marinhas protegidas (AMPs) do Brasil não estão imunes à contaminação por microplásticos. Um estudo recente revelou que mesmo as AMPs classificadas como áreas de proteção integral (APIs), que são as mais restritivas para a intervenção humana, apresentam contaminação por esse material. A pesquisa, que contou com a participação de cientistas brasileiros e australianos, utilizou moluscos bivalves (ostras e mexilhões) como organismos-sentinelas para avaliar a contaminação. Os resultados foram publicados na revista Environmental Research.

“Nosso estudo mostrou que a contaminação por microplásticos ocorre até mesmo nas áreas de proteção ambiental mais restritivas. Por exemplo, no Atol das Rocas, onde não há qualquer atividade econômica nem é permitida a visitação de turistas. Os microplásticos podem chegar a locais assim transportados pelo vento ou pelas correntes oceânicas”, conta à Agência FAPESP Ítalo Braga, professor do Instituto do Mar da Universidade Federal de São Paulo (IMar-Unifesp) e coordenador da pesquisa, financiada pela FAPESP.

Os microplásticos são partículas com tamanho variando de 1 mícron (1 μm) a 5 milímetros (5 mm) que resultam da fragmentação de plásticos maiores ou são fabricados diretamente nesse formato para uso industrial ou cosmético. Aqueles detectados no estudo apresentaram padrões consistentes ao longo da costa brasileira: predominantemente pretos, brancos ou transparentes, com tamanho inferior a 1 milímetro.

A análise química conseguiu identificar 59,4% deles, sendo os principais componentes: polímeros alquídicos (28,1%), utilizados em tintas e vernizes, possivelmente provenientes de barcos e embarcações turísticas; celulose (21%), que tanto pode ter sido de origem natural (plâncton, algas, plantas marinhas e vegetação terrestre) quanto de origem antropogênica (papéis, papelões, resíduos de alimentos etc.); polietileno tereftalato (PET) (14%), comumente encontrado em embalagens plásticas e fibras sintéticas, liberadas na lavagem de roupas e transportadas ao mar por efluentes urbanos; e politetrafluoretileno (PTFE ou teflon) (12,3%), presente em revestimentos antiaderentes e industriais. Os outros 40,6% não puderam ser descritos.

“Ao longo do litoral brasileiro, existem várias áreas protegidas com diferentes níveis de gestão. Parques nacionais, como Abrolhos e Fernando de Noronha, são altamente protegidos, enquanto outras, como algumas APAs [áreas de proteção ambiental], permitem certo grau de intervenção humana. Nosso estudo focou nas áreas de proteção integral, chamadas de ‘no-takes’ na literatura internacional especializada, que são áreas marinhas protegidas mais restritivas. Selecionamos dez delas: Parque Nacional de Jericoacoara, Atol das Rocas, Fernando de Noronha, Rio dos Frades, Abrolhos, Tamoios, Alcatrazes, Guaraqueçaba, Carijós e Arvoredo”, conta Braga.

Medidas globais

Conduzida pela doutoranda Beatriz Zachello Nunes, a pesquisa revelou que os microplásticos estão presentes em todas essas APIs, com uma concentração média de 0,42 ± 0,34 partícula por grama de tecido úmido. Entre as áreas estudadas, a maior contaminação foi registrada no Refúgio de Vida Silvestre do Arquipélago de Alcatrazes, com 0,90 ± 0,59 partícula por grama, enquanto a menor concentração foi encontrada na Reserva Biológica do Atol das Rocas, com 0,23 partícula por grama.

“O dado positivo é que a contaminação em todas essas áreas está abaixo da média internacional para áreas marinhas protegidas [veja a figura abaixo]. E muito abaixo da média brasileira para áreas não protegidas. Locais muito contaminados, como Santos e algumas praias do Rio de Janeiro, chegam a apresentar contaminações de 50 a 60 vezes maior. Santos, aliás, registrou uma das maiores concentrações de microplásticos do mundo”, comenta o pesquisador.


As dez áreas de proteção integral estudadas (imagem: Ítalo Braga)

Os moluscos bivalves (ostras, mariscos, mexilhões e outros), que recebem esse nome por possuírem uma concha dividida em duas partes, ou seja, duas valvas articuladas, foram escolhidos no estudo por serem considerados sentinelas do mar. “Eles se alimentam filtrando a água marinha. Os alimentos presentes na água ficam retidos em suas brânquias, que funcionam como peneiras. E pequenos cílios os transportam para o estômago. Se essa água contém contaminantes, como microplásticos, os bivalves também os retêm. Então, em vez de coletarmos amostras de água, que variam o tempo todo, analisamos os bivalves, pois eles acumulam poluentes ao longo do tempo, fornecendo um histórico mais confiável da contaminação”, explica Braga.

Os resultados do estudo demonstram que a contaminação por plástico está presente até mesmo nas áreas mais restritivas de proteção ambiental, com potenciais riscos para os ecossistemas marinhos e as cadeias alimentares. “A criação de AMPs, por si só, não é suficiente para barrar a poluição. É fundamental que essas áreas contem com gestão ambiental eficiente e fiscalização rigorosa. Mas até isso não é suficiente, se considerarmos que os microplásticos podem não estar sendo gerados no local, mas trazidos de longe pela atmosfera e pelas correntes marítimas. Para mitigar isso, apenas medidas globais, como o Tratado Global dos Plásticos, atualmente em fase de negociação e desenvolvimento sob a coordenação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente [PNUMA], podem fazer diferença”, conclui o pesquisador.

O artigo Microplastic contamination in no-take Marine Protected Areas of Brazil: Bivalves as sentinels pode ser acessado [Aqui!].
As manchas de cor lilás são áreas marinhas ao redor do mundo. A contaminação por microplásticos nas áreas de proteção integral enfocadas no estudo fica abaixo da média mundial para áreas marinhas protegidas (linha roxa pontilhada)
e muito abaixo da média brasileira para áreas não protegidas (linha vermelha pontilhada). A média de contaminação por microplásticos nas áreas estudadas é dada pela linha preta pontilhada (imagem: Beatriz Zachello Nunes)


Fonte: Agência Fapesp

Organizações internacionais voltam a pedir proibição do plantio e comercialização do trigo transgênico

Entidades ligadas à agricultura sustentável e o direito à alimentação alertam para os riscos à saúde. Pães, massas e todos os derivados do trigo HB4 terão resíduos de glufosinato de amônio, agrotóxico altamente tóxico

Crédito da Foto: Pixabay

Por Cida de Oliveira 

São Paulo — Organizações da sociedade civil que reúnem países da América Latina, África e Ásia voltaram a reivindicar a suspensão das autorizações do plantio e comercialização do trigo HB4 na Argentina, Brasil e Paraguai. E de importação na África do Sul, Colômbia, Nigéria, Nova Zelândia, Indonésia e China. Desenvolvida e negociada pela companhia argentina Bioceres, a semente promete resistir aos períodos secos do ano e às chamadas plantas invasoras, cada vez mais resistentes a agrotóxicos. Essa segunda característica se deve a uma modificação genética que permite ao trigo resistir a altas doses do herbicida glufosinato de amônio. Segundo as entidades, há estudos que mostram que essa substância chega a ser 15 vezes mais tóxica que o glifosato.

E aí é que está a grande preocupação. As plantas acumulam resíduos dos agrotóxicos nelas aplicados ao longo do cultivo. E em doses tão significativas que vão bem além das permitidas pela legislação, como mostraram diversas pesquisas de órgãos de saúde em amostras de hortaliças, frutas e outros alimentos. No caso do trigo transgênico, além de outros agroquímicos que serão utilizados, haverá concentração do glufosinato de amônio. Classificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como potencialmente cancerígeno, o agrotóxico é associado ainda por diversos estudos científicos como causador de alterações genéticas, danos ao fígado e desregulação endócrina.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, um desregulador endócrino pode exercer vários efeitos nocivos, alterando os hormônios e suas funções. Isso é muito grave porque o funcionamento adequado do organismo, portanto, a saúde, depende de ação hormonal. E o mais perverso é que essa desregulação afeta principalmente fetos, crianças com até dois anos e adolescentes, por estarem em fase de desenvolvimento, com grande multiplicação celular. Não é por acaso que em 2009 o glufosinato foi banido na União Europeia.

Para piorar, o trigo transgênico se propõe a dominar a produção de um cereal que compõe a principal fonte de carboidratos, base da alimentação mundial. Ou seja, o pão de cada dia, seja do tipo que for. Além do café da manhã, está em muitas refeições diárias, como suporte para sanduíches e outros pratos. Tem ainda o macarrão, a pizza, bolos, biscoitos, doces e uma infinidade de subprodutos.

Apesar da importância do trigo na alimentação humana, não existe um método público validado para detectar, identificar e quantificar a presença de trigo HB4 em farinhas e outros produtos de trigo”, alertam as entidades em comunicado divulgado nesta quarta-feira (5), na qual reivindicam a suspensão das autorizações já concedidas.

No documento, elas destacam também as circunstâncias nada democráticas em que o cultivo e a venda foram liberados. No caso Brasil, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) encerrou o processo em março de 2023. Foram ignorados alertas de cientistas, órgãos de saúde, meio ambiente e defesa dos direitos humanos e do consumidor. A opinião pública tampouco foi levada em consideração. E como tornou-se praxe no órgão criado justamente para assessorar o governo federal quanto à biossegurança, houve dispensa de pesquisas. Foram considerados suficientes os dados incompletos apresentados pela empresa interessada na aprovação.

Pedimos que todas as licenças para o plantio e comercialização do trigo HB4 sejam suspensas e que um processo de reparo abrangente seja iniciado nos espaços já intervencionados”, destacam as organizações. Em junho de 2022 a Embrapa já havia anunciado a criação de campos de testes em Brasília.

O trigo HB4 já é vendido na Argentina desde maio de 2024, segundo anunciou na época a Bioceres. E os negócios avançam nos Estados Unidos. Nesta quinta-feira (6) a companhia anunciou ter obtido a primeira das quatro patentes solicitadas ao órgão oficial local. Já há também autorização do Departamento de Agricultura (USDA) e do Departamento de Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA). O país é o quarto maior produtor mundial do cereal.

No entanto, nem só de notícia boa vive a Bioceres. No início de fevereiro, a própria companhia divulgou queda de 24% na sua receita, o que levantou fortes suspeitas de que a nova tecnologia tenha tudo a ver com isso. Embora a empresa não tenha explicado as causas do tombo financeiro, há desconfiança de fracasso comercial do novo trigo. Ou seja, não estaria oferecendo a resistência ou tolerância à seca prometida na propaganda.

De acordo com dados oficiais, o trigo HB4 rende muito menos do que os trigos convencionais (não transgênicos), mesmo em anos de seca. Na média anual de dados de 2021, os trigos HB4 renderam 17% menos do que os trigos convencionais. Nos anos seguintes, nem o Estado nem a empresa publicaram dados de produção nas diferentes regiões. Talvez seja porque o fracasso produtivo da tecnologia foi confirmado, e a queda nas vendas e receitas da Bioceres fez com que a empresa saísse da venda de sementes”, acreditam as entidades.

Seja como for, ainda segundo essas organizações (veja lista no final da reportagem), o lançamento e posterior aprovação do trigo HB4 levantou expectativas entre os produtores. Apesar da falta de dados oficiais sobre o cultivo de trigo transgênico no Paraguai, circula por lá a informação sobre a adaptação de variedades em diversas regiões do país por corporações do agronegócio. Além disso, o uso de glufosinato de amônio aumentou substancialmente no país.

Acreditamos que, diante do grande fracasso da tecnologia HB4, para a qual a empresa Bioceres está arrastando agricultores, é hora de enterrá-la definitivamente”, pedem as organizações.

Para o engenheiro agrônomo Leonardo Melgarejo, integrante do Movimento da Ciência Cidadã, que subscreve o comunicado, o trigo transgênico é “mais uma das promessas de uma tecnologia enganosa, patrocinada por interesses opostos às necessidades da população”. “Diante das promessas de redução no uso de agrotóxicos, de geração de plantas mais nutritivas, de benefícios aos pequenos agricultores e aos consumidores, nada mais coerente do que um trigo tolerante à seca, mas que não é tolerante a seca”, disse à reportagem.

Melgarejo foi além: “Penso que as evidências concretas de inconsistência entre os discursos dos técnicos interessados, as propagandas da mídia corporativa e a realidade observada nas lavouras expliquem os pedidos, e as aprovações, de dispensa de monitoramento pós liberação comercial destas tecnologias pela CTNBio”.

Em fevereiro de 2024, essas mesmas entidades enviaram petição aos Relatores Especiais sobre Direitos Humanos da ONU. O objetivo foi alertar para a gravidade do risco a que estão expostas as populações desses países e pedir providências. Isso porque o plantio e a comercialização violarão vários direitos humanos, como o direito à vida e aos estilos de vida, à saúde, à alimentação adequada e à soberania alimentar. E também a um meio ambiente equilibrado e livre de poluição, entre outros. Entretanto, ainda não houve resposta alguma das Nações Unidas.

Confira as solicitações aos Relatores Especiais da ONU:

  • Inste os governos da Argentina, Brasil e Paraguai a suspender/revogar todas as autorizações para o cultivo comercial do trigo transgênico HB4
  • Recomende ao governo do Paraguai que revogue a Resolução 556/2023 – por meio da qual o trigo transgênico HB4 foi aprovado – e que reforme a estrutura regulatória para organismos geneticamente modificados (OGMs), por meio de um processo aberto, transparente e participativo, com ênfase especial na necessidade de proteger os direitos dos povos indígenas e das comunidades camponesas
  • Recomende que o governo da Argentina revogue a Resolução 27/2022, que se baseia apenas em informações documentais da Bioceres, a empresa que desenvolveu a variedade de trigo transgênico, e institua uma proibição adequada do cultivo de trigo transgênico no país
  • Recomende que o Conselho Nacional de Biossegurança do Brasil proíba o cultivo comercial de trigo transgênico e suspenda a decisão da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), que permite a importação de grãos e farinha de trigo transgênico para o país, e promova uma revisão da legislação de biossegurança por meio de um processo participativo aberto, transparente e democrático
  • Recomende que os governos da Colômbia, África do Sul, Nigéria e Indonésia instruam suas autoridades de biossegurança a revisar as aprovações de importação de trigo GM e iniciar uma moratória em todas as aprovações (autorização de produto, importação e liberação ambiental) de culturas Geneticamente Modificadas.

Confira as entidades que assinam o documento:

Accion Ecologica

Associação Nacional para a Promoção da Agricultura Biológica

Base Investigaciones Sociales

Alianza Biodiversidad

Instituto de Salud Socioambiental (InSSA)

Amigos de La Tierra Uruguay

Rap Al Uruguay

Grain

Movimento Ciência Cidadã

Semillas

ETC Group

O Brasil é o maior consumidor mundial de agrotóxicos e vê aumento no risco de doenças graves

O motivo é a maior industrialização da agricultura.  Agrotóxicos são usados principalmente no cultivo de soja. Bayer e BASF estão entre as empresas líderes. Pesquisadores apontam aumento do risco de câncer por causa do uso de agrotóxicos, muito banidos na Europa

Por Ulrike Bickel para o Amerika21 

 Segundo informações da imprensa  , o Brasil se consolidou como o maior mercado global de defensivos agrícolas em 2024, com um faturamento estimado em 14,3 bilhões de dólares. O país ultrapassa assim os EUA (13,3 mil milhões de dólares) e a China (10,8 mil milhões de dólares). O motivo é a maior industrialização da agricultura.

O uso de pesticidas no Brasil cresceu 9,2% em valor e 8,5% em volume em 2024 em comparação ao ano anterior, de acordo com dados da organização guarda-chuva brasileira da indústria de agrotóxicos . O consumo total, portanto, foi de cerca de 1,5 milhão de toneladas.

Essa pegada química e de uso intensivo de energia é baseada principalmente em três produtos agrícolas: soja 56%, milho 16% e algodão 8%, que juntos respondem por 80% dos agrotóxicos usados ​​no Brasil. Soma-se a isso o uso de agroquímicos em grandes plantações de cana-de-açúcar e café. Foram utilizados principalmente herbicidas, inseticidas e fungicidas. O restante foi usado para outros fins, como tratamento de sementes.

Os estados do Mato Grosso e Rondônia lideram o uso de pesticidas com uma participação de mercado de 28% devido às monoculturas de soja em larga escala, seguidos por São Paulo e Minas Gerais, cada um com 18%, e os estados do nordeste da Bahia, Maranhão, Tocantins, Piauí e Pará, com 15%.

O avanço da soja na Amazônia e no Cerrado depende fortemente do uso de agrotóxicos, até porque o avanço das grandes monoculturas favorece a proliferação de pragas, doenças fúngicas e virais.

Os grandes vencedores do crescente consumo de pesticidas no Brasil são as cinco multinacionais que dominam o mercado: Syngenta, Bayer, BASF, Corteva Agriscience e UPL. As empresas também vendem no Brasil a maior parte dos agrotóxicos proibidos na Europa. Apesar das flutuações do mercado global, prevê-se um crescimento anual adicional de 1,8% até 2030.

A crescente poluição dos solos e bacias hidrográficas brasileiras é promovida politicamente por meio de isenções de impostos e taxas. Segundo o professor Marcos Pedlowski, da Universidade Estadual do Norte Fluminense,  os próprios contribuintes subsidiam um modelo agrícola intensivo em  agrotóxicos e promotor de doenças, ao mesmo tempo em que o acesso aos serviços de saúde pública está diminuindo.

Um novo estudo da Universidade de Caxias do Sul publicado na revista “Saúde em Debate”  mostra que agricultores expostos a agrotóxicos têm risco aumentado de câncer. O estudo analisa 29 estudos publicados entre 2012 e 2021 em todo o mundo. Portanto, o contato prolongado com  agrotóxicos pode causar danos celulares que favorecem o desenvolvimento de todos os tipos de câncer. Os mais comuns são o câncer de pulmão, mama e próstata, bem como o câncer hematológico (leucemia e linfoma).

Segundo uma das autores do artigo, Fernanda Meire Cioato, o tipo e a duração do contato são essenciais. O risco é ainda mais pronunciado entre trabalhadores rurais do sexo masculino, pois eles geralmente não usam equipamentos de proteção termicamente desconfortáveis ​​ao pulverizar. As mulheres também são afetadas quando manuseiam equipamentos contaminados ou armazenam agrotóxicos. A toxicidade dos agrotóxicos geralmente aumenta porque os agricultores costumam combinar diversas substâncias.

Os pesquisadores acreditam que a ação governamental é essencial para garantir melhor controle e segurança no uso de agrotóxicos. Da mesma forma, o treinamento de profissionais médicos para diagnosticar e tratar os trabalhadores agrícolas afetados em um estágio inicial. Além disso, a comunicação de risco deve ser melhorada: como muitos agricultores têm pouca educação, as complicadas instruções de segurança nos rótulos dos pesticidas devem ser simplificadas para reduzir o impacto negativo dos venenos agrícolas na saúde da população rural.


Fonte: Amerika21

Cientistas soam o alarme sobre plásticos em nossos cérebros após estudo chocante

Comentário destaca os potenciais riscos à saúde dos microplásticos em nossos corpos e cérebros

Microplásticos estão sendo encontrados em todos os lugares onde os cientistas os procuram, inclusive em nossos cérebros. © Daily insights via Shutterstock

Por Ed Cara para o “Gizmodo”

Se a ideia de ter uma colherada de plástico na sua cabeça parece ruim para você, você não é o único. Cientistas estão soando o alarme sobre um estudo recente que mostra que microplásticos podem se acumular no cérebro.

Pesquisadores dos EUA e Canadá escreveram o comentário, publicado no periódico Brain Medicine. Além de discutir o estudo cerebral recente, eles detalham a ciência geral sugerindo que os microplásticos estão prejudicando o meio ambiente e nossa saúde. Embora mais pesquisas sejam necessárias para descobrir as melhores maneiras de limpar essas substâncias de nossos corpos, as pessoas já podem tomar medidas para minimizar sua exposição, afirmam os cientistas.

Microplásticos são quaisquer pedaços de plástico menores que 5 milímetros. Nos últimos anos, cientistas os encontraram em praticamente qualquer lugar que eles olharam — de nuvens no topo de montanhas a nossos testículos e fezes de bebês . Mas um estudo publicado no mês passado na Nature Medicine por pesquisadores da Universidade do Novo México desencadeou uma nova onda de preocupação.

Os pesquisadores da UNM não só encontraram microplásticos nos cérebros de pessoas falecidas, como também encontraram concentrações maiores de plástico nos fígados, rins ou outros órgãos das pessoas. Além disso, esse acúmulo pareceu ser muito maior em pessoas falecidas recentemente, sugerindo que a exposição ao plástico só piorou ultimamente. Eles também encontraram uma concentração maior de plástico nos cérebros de pessoas com demência — talvez sinalizando uma conexão com a condição neurológica fatal. Os pesquisadores da UNM estimaram que os cérebros das pessoas hoje podem estar carregando uma colher de plástico inteira desses pequenos fragmentos.

Nicholas Fabiano, autor principal do novo comentário, publicado hoje, adverte que ainda há muito que não sabemos sobre os impactos dos microplásticos na saúde. Mas o que aprendemos até agora não é exatamente encorajador.

“Ouvir que há uma colher de microplásticos no cérebro foi chocante. Como residente em psiquiatria, isso é particularmente relevante, já que atualmente não sabemos a extensão total que isso pode impactar a cognição ou a saúde mental de alguém”, Fabiano, pesquisador do Departamento de Psiquiatria da Universidade de Ottawa, disse ao Gizmodo. “No estudo da Nature Medicine, os níveis de microplásticos eram 3-5 vezes maiores nos cérebros daqueles com demência, o que levanta alarmes, no entanto, essas descobertas não são causais por natureza.”

Não são apenas os plásticos em si que podem ser perigosos para nossos corpos, mas os produtos químicos que vazam dele. Os pesquisadores identificaram mais de cem produtos químicos no plástico que podem nos prejudicar ou prejudicar outros animais, particularmente produtos químicos que podem imitar e, então, possivelmente interromper a regulação de hormônios importantes. Esses produtos químicos desreguladores endócrinos têm sido associados a maiores taxas de infertilidade, certos tipos de câncer e distúrbios metabólicos como diabetes, para citar alguns. E provavelmente há outras maneiras pelas quais os plásticos ou seus produtos químicos podem estar afetando nossa saúde para pior.

“A base de evidências atual (amplamente baseada em estudos de cultura de células e animais) sugere que a exposição [ao microplástico] pode levar a impactos adversos à saúde por meio de estresse oxidativo, inflamação, disfunção imunológica, metabolismo bioquímico/energético alterado, proliferação celular prejudicada, desenvolvimento anormal de órgãos, vias metabólicas interrompidas e carcinogenicidade”, escreveram os autores do comentário do Brain Medicine.

Muitas perguntas sem resposta sobre microplásticos permanecem, observa Fabiano. Além dos riscos desconhecidos para a saúde a longo prazo, não temos certeza de como esses plásticos estão entrando no cérebro, por exemplo. Também ainda sabemos pouco sobre como nossos corpos podem eliminar microplásticos, embora algumas pesquisas tenham sugerido que podemos literalmente suar certos produtos químicos associados ao plástico.

Apesar dessas incógnitas, Fabiano (e muitos outros pesquisadores ) pediram que governos e formuladores de políticas tomem medidas e comecem a reduzir nossa exposição coletiva a microplásticos. Enquanto isso, as pessoas também podem fazer coisas em suas vidas pessoais para limitar sua ingestão de plásticos. Isso inclui: mudar de beber água engarrafada regularmente para água filtrada da torneira; comer menos alimentos comumente feitos com plástico, como certos saquinhos de chá (dito isso, alguns tipos de saquinhos de chá são melhores do que outros ), ou alimentos que são conhecidos por conter altos níveis de microplásticos, como frutos do mar, álcool e alimentos altamente processados ​​em geral; e armazenar nossas sobras em recipientes de vidro ou aço inoxidável em vez de plásticos.


Fonte: Gizmodo

Vale é processada por contaminação por metais nos Xikrin do Pará

Um ativista coberto de lama posa com uma placa que diz “Vale assassina” durante uma manifestação em São Paulo, Brasil, 1º de fevereiro de 2019. (AP Photo/Victor R. Caivano, Arquivo) 

Por Fábio Maisonnave para a Associated Press

BRASÍLIA, Brasil (AP) — O Ministério Público Federal está processando a gigante mineradora Vale, o governo brasileiro e o estado do Pará por contaminação por metais pesados ​​nos corpos dos indígenas Xikrin.

A ação civil, movida na sexta-feira e divulgada esta semana, alega contaminação da mineração de níquel da Vale no sítio Onça-Puma, com o Rio Catete levando poluição da mina para o território indígena. Em 2022, a empresa e os Xikrin chegaram a um acordo para indenização mensal, mas não cobriu questões de saúde, de acordo com a promotoria.

Um estudo da Universidade Federal do Pará, conduzido na primavera passada em aldeias na Terra Indígena Xikrin do Catete, encontrou níveis perigosamente altos de metais pesados, incluindo chumbo, mercúrio e níquel, no cabelo de praticamente todas as 720 pessoas pesquisadas. Temendo contaminação na água do rio, os Xikrin estão usando água engarrafada para seus filhos e comprando peixes em mercados municipais.

Em um caso extremo, uma mulher de 19 anos tinha níveis de níquel 2.326% acima do limite seguro, de acordo com o estudo. Se não for tratado, o envenenamento por metais pesados ​​pode levar a danos cerebrais e falência de órgãos.

O Ministério Público Federal, responsável pela proteção dos direitos indígenas, está exigindo que a Vale estabeleça um programa permanente de monitoramento da saúde da comunidade. Ele também solicita ao estado do Pará, que concedeu a licença ambiental, e ao governo federal, que supervisiona as políticas de saúde pública indígena, que forneçam suporte técnico e administrativo e garantam a supervisão ambiental adequada.

“A situação dos Xikrin do Catete é uma verdadeira tragédia humanitária e requer uma resposta urgente do judiciário brasileiro. A inação só aumentaria o sofrimento da comunidade indígena, que enfrenta contaminação diária em seu próprio ambiente”, afirma o processo.

Em nota, a Vale disse que especialistas nomeados por um tribunal federal determinaram que suas operações não foram responsáveis ​​pela contaminação do Rio Catete e que ela monitora a qualidade da água ao redor de seus locais de mineração. A empresa acrescentou que fornece financiamento para iniciativas de saúde e oferece serviços de saúde adicionais aos Xikrin.

A agência ambiental do Pará disse em um comunicado que assinou um acordo com a Vale em 2024 “para mitigar os impactos socioambientais das atividades da mina de níquel Onça-Puma”. O Ministério da Saúde do Brasil não respondeu imediatamente às mensagens da Associated Press solicitando comentários.

Em novembro, a capital do Pará, Belém, sediará a conferência climática das Nações Unidas conhecida como COP30. A Vale está construindo um dos maiores projetos de infraestrutura para a conferência, o Parque da Cidade, de cerca de 50 hectares (123 acres).

A Vale foi responsável por dois dos desastres ambientais mais devastadores do Brasil , em 2015 e 2019, quando barragens de rejeitos romperam no estado de Minas Gerais. Os desastres mataram 291 pessoas e contaminaram centenas de quilômetros de cursos d’água.


Fonte: Associated Press

Microplásticos em rios caribenhos são uma preocupação crescente, mostra estudo

Embora o Rio Baños del San Juan (Cuba) esteja localizado em uma área rural, ele não está livre de microplásticos, o que mostra que mesmo áreas sem alta concentração humana também sofrem esse tipo de contaminação. Crédito da imagem: Barry Cornelius/Flickr , licenciado sob Creative Commons CC BY-NC-SA 2.0 .

Um estudo publicado na Science estimou que a emissão de microplásticos no meio ambiente em 2024 seja entre 10 e 40 milhões de toneladas por ano, mas que isso pode dobrar até 2040 se o problema não for resolvido.

Na América Latina, porém, os estudos sobre microplásticos representam apenas 4,8% da produção científica global, e há “pouca” pesquisa sobre esses poluentes nos rios da região.

Isso é um problema considerando que a América Latina abriga dois dos 20 rios mais contaminados com plástico do planeta. De acordo com pesquisas de cientistas brasileiros, a Amazônia contribui com 63.900 toneladas de resíduos plásticos para a poluição dos oceanos a cada ano, enquanto o Rio Magdalena, na Colômbia, contribui com 29.500 toneladas anualmente.

É essencial “compreender como os microplásticos se comportam de forma holística”, bem como analisar fontes, sumidouros e sua interação com organismos, como um passo essencial para “tentar desenhar intervenções que possam ter impacto neste problema”.

José F. Grillo, Centro de Estudos Ecotoxicológicos em Sistemas Marinhos, Universidade Simón Bolívar, Venezuela

Brasil, México e Chile são as principais áreas de estudo, enquanto na Argentina, o projeto MappA é um ambicioso projeto em andamento que busca analisar mais de 100 corpos de água doce em 18 províncias do país.

No Caribe, onde há ainda menos pesquisas, dois novos estudos em Cuba e na Venezuela fornecem novas evidências sobre esse problema.

Microplásticos em rios de Cuba e Venezuela

Em Cuba, a pesquisa examinou a contaminação por microplásticos em estações de amostragem em dois rios: o Almendares, que atravessa a capital do país, e o Rio Baños del San Juan, localizado em uma área rural perto de Havana.

O estudo constatou que o rio urbano apresentou maior presença de microplásticos devido aos resíduos industriais e domésticos, mas o rio rural não estava livre dessas partículas, demonstrando que mesmo áreas sem alta concentração humana também sofrem esse tipo de poluição.

Da mesma forma, o estudo venezuelano se concentrou em Chichiriviche de la Costa, uma pequena cidade pesqueira no estado de La Guaira, a cerca de 65 km da capital do país. A pesquisa comparou os níveis de microplásticos a montante e a jusante do Rio Chichi e na baía onde ele deságua no rio, onde a cidade está localizada. Os resultados mostraram que a poluição por plástico era de 2,3 a 3,8 vezes maior rio abaixo, mostrando que a vila é uma grande fonte de poluição.

José F. Grillo, coautor do estudo venezuelano, disse ao SciDev.Net que é essencial “entender como os microplásticos se comportam de forma holística”, bem como analisar fontes, sumidouros e sua interação com organismos, como um passo essencial para “tentar projetar intervenções que possam ter impacto neste problema”.

Ambos os estudos identificaram roupas e fibras têxteis como o tipo mais comum de microplástico. São partículas que podem ser transparentes ou coloridas, muito finas e podem ser provenientes de tecidos sintéticos como o poliéster, que liberam pequenas fibras durante a lavagem. Em áreas com tratamento precário de águas residuais, essas fibras entram nos rios e acabam no oceano.

Roupas e fibras têxteis liberadas durante a lavagem de tecidos sintéticos são o tipo mais comum de microplástico identificado nos rios estudados. Crédito da imagem: M.Danny25/Wikimedia Commons , licenciado sob Creative Commons CC BY-SA 4.0 .

As descobertas da equipe cubana descrevem uma alta presença de tereftalato de polietileno (41,9%), comumente usado em sacos e embalagens, e polipropileno (25,8%), usado em recipientes de alimentos e cordas.

“Esses são os plásticos mais comumente usados ​​em embalagens de produtos de higiene pessoal, produtos de limpeza e bolsas de náilon, o que é consistente com o que foi relatado na literatura”, disse Jeny Larrea, coautora do estudo e professora da Universidade de Havana, ao SciDev.Net .

Ambos os estudos descobriram que os níveis de microplástico aumentaram durante a estação chuvosa. Na Venezuela, a maior concentração de microplásticos na Baía de Chichiriviche foi encontrada perto da foz do rio, sugerindo que o rio atua como um canal direto de contaminação da terra para o mar.

Microplásticos também se acumulam em sedimentos fluviais. Em Cuba, dados mostraram que partículas de plástico se depositam no fundo de ambos os rios. Este estudo encontrou ligações entre a presença de polipropileno e a redução da atividade de microrganismos no rio, indicando que essas partículas podem alterar processos naturais como a decomposição de matéria orgânica.

Essas descobertas são uma oportunidade para avançar em uma análise abrangente dos microplásticos como um desafio ambiental que se estende da terra ao mar. No entanto, ainda há um longo caminho a percorrer para entender melhor seu impacto nos ecossistemas e na saúde .

Andreia Neves Fernandes, coordenadora do Laboratório de Processos Ambientais e Poluentes Emergentes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, destacou o valor desta pesquisa e disse ao SciDev.Net sobre a necessidade de investigar “como os organismos internalizam os resíduos plásticos e examinar os possíveis efeitos sinérgicos e antagônicos entre microplásticos, outros poluentes ambientais e matéria orgânica”.

Referências

  1. Microplásticos em águas doces cubanas: diversidade, mudanças temporais e efeitos na atividade enzimática extracelular . https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S026974912500137X
  2. Vila rural como fonte de poluição por microplásticos em um ecossistema fluvial e marinho do sul do Caribe venezuelano. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39914236/
  3. Microplásticos em ecossistemas latino-americanos: uma revisão crítica do estágio atual e da necessidade de pesquisa. https://doi.org/10.21577/0103-5053.20220018

Fonte: SciDev.Net

Alerta Observatório dos Agrotóxicos: Brasil se consolida como o maior consumidor mundial de agrotóxicos

Com informações do portal especializado do agronegócio “Agrolink” fica evidente que o Brasil se consolidou como o maior mercado global de  agrotóxicos em 2024, com vendas estimadas em US$ 14,3 bilhões, superando os Estados Unidos (US$ 13,3 bilhões) e a China ((US$ 10,8 bilhões). A informação foi compartilhada por Anderson Nacaxe, CEO & Co-Founder da Oken.Finance, destacando o crescimento contínuo do setor.

Esse crescimento foi impulsionado pela produção de soja, milho, cana-de-açúcar e café.  Além disso, apesar de um crescimento anual moderado (CAGR de 1,7%), a demanda por agrotóxicos segue forte, refletindo a expansão da área controlada pelo latifúndio agro-exportador.  

Syngenta, UPL, Basf: as empresas que mais vendem no Brasil agrotóxicos  proibidos na Europa - Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida

A multinacional suiço-chinesa Syngenta é uma das maiores ganhadoras com o aumento do consumo de agrotóxicos no Brasil

Entre as empresas líderes, a Syngenta mantém sua posição no topo, com previsão de US$ 13,6 bilhões em vendas, seguida por Bayer (US$ 12 bilhões), BASF (US$ 9 bilhões) e Corteva Agriscience (US$ 7,3 bilhões). O mercado global, embora tenha sofrido uma queda em 2023 devido à menor demanda e flutuações cambiais, projeta um crescimento de 1,8% ao ano até 2030. Além do Brasil e dos EUA, a China aparece como terceiro maior mercado, com um ritmo de expansão mais acelerado (Taxa de Crescimento Anual Composta de 3%), impulsionado pela modernização agrícola.  

A América Latina se consolida como motor de crescimento do setor, com Brasil e Argentina liderando. Já nos EUA e na Europa, regulamentações ambientais rigorosas impactam a demanda por  agrotóxicos favorecendo soluções sustentáveis, como biotecnologia e bioagrotóxicos. Outro fator relevante é a concentração de mercado, com as cinco maiores empresas (Syngenta, Bayer, BASF, Corteva e UPL) dominando o setor. 

“O Brasil ultrapassa os EUA e se torna o maior mercado global de agrotóxicos, enquanto a China cresce rapidamente. O futuro do setor dependerá de inovação e adaptação regulatória, com destaque para soluções mais sustentáveis e eficientes”, comentou Nacaxe.

Tendência de crescimento dos agrotóxicos deverá repercutir no aumento de contaminação ambiental e adoecimento no Brasil

Um dado que é omitido nas análises dos analistas do agronegócio é que o crescimento continuo no uso de agrotóxicos, muitos deles banidos em outros mercados como o europeu e até o chinês deverá repercutir no aumento da contaminação ambiental no Brasil, trazendo ainda efeitos sobre a saúde humana, com o aumento potencial de casos de vários tipos de câncer, para começo de conversa.

Por isso é urgente que a questão dos agrotóxicos seja colocada como questão prioritária no debate político, pois só com muita mobilização é que poderemos influenciar diretamente em uma situação que se mostra cada vez mais negativa para o meio ambiente e a maioria da população brasileira


Fonte dos dados deste texto: Agrolink

Garimpo de ouro (ilegal e legal) está causando grande destruição na Amazônia equatoriana

As empresas de mineração usam escavadeiras para procurar ouro e sulcar a paisagem – isso geralmente é ilegal. Foto: Alamy/ Morley Read
Por Knut Henkel,  de Tena/Equador, para o “Neues Deustchland”

A poucos quilômetros da entrada da cidade fica a área cercada onde 144 escavadeiras laranjas estão alinhadas em várias fileiras. Quase nenhum fabricante conhecido de veículos pesados ​​de construção não está representado. “No início de fevereiro de 2022, unidades do exército e da polícia ao redor de Yutzupino ficaram sérias”, explica Danny Pedromo, um motorista de táxi da cidade equatoriana de Tena, na Amazônia. “Em uma operação de sete dias, cerca de mil policiais uniformizados confiscaram escavadeiras, bombas e outros equipamentos para desacelerar a mineração de ouro.” As empresas de mineração ilegais deixaram para trás uma paisagem devastada e contaminada ao redor do Río Anzu e do Río Jatunyaku. Os dois rios outrora pitorescos se encontram perto da aldeia indígena de Yutzupino e depois deságuam no Río Napo.

O Rio Napo é o maior rio da região da floresta tropical equatoriana e deságua na Amazônia. Por muito tempo também foi importante para o abastecimento de água potável. Mas isso acabou. “Nos últimos anos, centenas de mineradores têm trabalhado nos três rios, escavando o subsolo em busca de ouro e separando o metal precioso da rocha usando mercúrio “, diz Sandra Rueda, advogada e membro do parlamento. “Eles usaram escavadeiras pesadas que foram confiscadas pela polícia e unidades do exército durante a operação e estacionadas na propriedade da administração da cidade.”

Ataques contra garimpeiros ilegais como o recente na Comunidade San Isidro de Puni não acontecem com frequência.

Ataques contra garimpeiros ilegais como o recente na Comunidade San Isidro de Puni não acontecem com frequência. Foto: facebook.com/napoamala.vida

Até hoje eles estão lá e enferrujam. Mas as autoridades não impediram a mineração a céu aberto. “Continuaremos a promover – com novos equipamentos”. Agora, os mineradores estão escavando rios mais acima em busca do metal precioso”, diz Rueda. Ela vem da pequena cidade de Tena e está comprometida em tornar a superexploração mais punível.  O ouro é comum na região amazônica do Equador. Tradicionalmente, as comunidades indígenas extraíam o metal de sedimentos de rios usando uma peneira. No passado, isso era feito sempre que era preciso dinheiro: para o início das aulas, para um casamento ou para financiar os funerais de parentes. Ao contrário de hoje, porém, com a peneira manual, sem equipamentos pesados ​​e o mercúrio tóxico. Nos humanos, o metal pesado danifica principalmente o sistema nervoso e os rins.

O fato de os rios transportarem pequenas pepitas há muito tempo desperta o desejo e traz à tona empresas de mineração ilegais e legais. “O Estado concedeu concessões em várias ondas. No passado, isso acontecia principalmente em regiões remotas, mas agora até mesmo partes da área urbana de Tena, onde moro, foram licenciadas”, diz Sandra Rueda, que trabalhou por muito tempo como promotora pública de crimes ambientais e de direitos humanos. Em 2005, ela recebeu os primeiros relatos de mineração ilegal de ouro. “Naquela época, atuávamos principalmente no distrito administrativo de Carlos Julio Arosemena Tola, confiscando equipamentos pesados ​​e condenando seus proprietários.”

Concessões para 7125 hectares

Mas o Estado muitas vezes prejudica esses pequenos sucessos ao abrir áreas do ecossistema sensível para mineração. Embora isso seja ilegal desde 2008. Naquela época, foi aprovada a nova constituição equatoriana, que concede direitos à natureza e obriga os responsáveis ​​por danos ambientais a restaurá-la. “O único problema é que os políticos não estão cumprindo e o judiciário não está aplicando os direitos da natureza”, diz Rueda com raiva. Para eles, um ponto de virada foi alcançado no final de 2019 e início de 2020, quando se soube que o governo regional de Tena havia concedido concessões de mineração para 7.125 hectares – dos quais cerca de 670 hectares estavam nos arredores da cidade de Tena. Centenas de moradores afetados se reuniram espontaneamente para coordenar a resistência contra a alocação ilegal de terras sem qualquer participação da população. Advogados, donos de restaurantes, operadores de hotéis e albergues, guias de turismo e muitos outros se uniram, coordenaram, estudaram textos legais e entraram com uma ação judicial – contra o estado.

O protesto foi bem-sucedido, como evidenciado pela operação de uma semana realizada três anos atrás, que resultou no confisco de mais de 140 escavadeiras. Esta foi uma primeira reação às críticas da população, que protestava contra a mineração todas as segundas-feiras na ponte sobre o Rio Tena. Naquela época, os ambientalistas tinham grandes esperanças de que as autoridades estabeleceriam limites tanto para a mineração ilegal quanto para a legal, diz Miriam Robles. Ela faz parte da iniciativa Napo ama la vida” (Napo ama a vida) desde o final de 2019 . “Queremos defender o que resta”, explica Robles, que há muito tempo ganha a vida oferecendo passeios de rafting, canoagem e caiaque nos rios. Hoje em dia isso não é mais concebível.

Os rios parecem uma paisagem lunar de uma plataforma de observação que paira sobre o vale a cerca de dez quilômetros de Tena, pouco antes da vila de Yutzupino. Aqui e ali, nuvens de fumaça de diesel ainda podem ser vistas subindo das pesadas escavadeiras que empurram o solo para frente e para trás em busca de partículas de ouro. Quase ninguém em Tena acredita que os garimpeiros ilegais e a empresa de mineração chinesa Terrearth Resources, que detém a concessão oficial, irão renaturalizar a paisagem. “Algo assim nunca aconteceu no Equador antes, embora esteja consagrado na lei”, explica Sandra Rueda. “Napo ama la vida” ganhou vários processos, mas as autoridades simplesmente permaneceram inativas. Isso custou a Miriam Robles seu sustento; passeios de rafting agora são praticamente impossíveis, e então a mulher de 46 anos mudou de carreira. Ela acabou de abrir um restaurante em Tena. Mas, no final das contas, ela não sabe se terá futuro com isso. De qualquer forma, há menos turistas no Equador devido à situação de segurança, e ela também se pergunta se eles retornarão a Tena devido à destruição da natureza.

Alguns colegas, guias, operadores de agências, mas também operadores turísticos passaram a fazer caminhadas na selva, trilhas e visitas a agricultores orgânicos. Mas Miriam Robles não sabe se isso será suficiente para reerguer o que era o setor mais importante antes da pandemia. “A pandemia do coronavírus nos levou à beira da extinção de duas maneiras: porque o turismo não estava funcionando e porque a mineração de ouro criou um fato consumado.” O Estado equatoriano é parcialmente responsável por isso, pois impôs um toque de recolher durante o período e forneceu pouco apoio aos mais pobres entre os pobres, a população indígena, embora eles não pudessem vender seus produtos nos mercados. “Naquela época, a fome e a extrema necessidade tomaram conta de muitas comunidades indígenas, e algumas se voltaram para a mineração de ouro, aceitando ofertas de empresas para montar acampamentos em suas terras”, diz Sandra Rueda. Ainda hoje, os mineradores oferecem de dois a três mil dólares americanos por hectare . »Nada mudou, as pessoas estão procurando ouro o tempo todo. Atualmente, há 40 frentes de financiamento em torno da Tena.

A situação é dramática. No início de janeiro, o presidente Daniel Noboa recebeu um pedido de ajuda das aldeias de Talag e San Carlos, a poucos quilômetros de Tena. Os moradores pediram apoio contra a mineração, que tentava se espalhar em suas aldeias. Eles ainda não receberam uma resposta, mas “Napo ama a vida” espalhou o pedido de ajuda e espera uma resposta da capital Quito. Isso já deveria ter acontecido há muito tempo, pois o presidente Noboa aprovou o Decreto-Lei 435 em outubro de 2024, instruindo as autoridades a registrar, documentar e controlar as atividades de mineração. Mas nada aconteceu desde então.

Mercúrio na Amazônia

O preço do ouro está atualmente em uma alta histórica de US$ 2.670 a onça. O alto preço está alimentando a demanda pelo metal precioso em todo o mundo e garantindo que máquinas pesadas sejam usadas para minerar ouro, e não apenas na América Latina. Na região amazônica, os garimpeiros, muitas vezes bem organizados, são praticamente onipresentes: seja no Brasil, no Peru, na Colômbia ou no Equador. Aqui, seis províncias do país pertencem à região amazônica e, diferentemente de seus vizinhos, o Equador protegeu a região, pelo menos no papel, e deu à população local voz ativa na concessão de concessões de mineração.

“Tudo isso foi definido e fixado de forma clara e inequívoca na Constituição de 2008”, explica Alberto Acosta, ex-presidente da Assembleia Constituinte e também ex-ministro de Minas e Energia. O problema central, no entanto, é o conluio entre empresas de mineração ilegais e legais e as autoridades estatais e autoridades eleitas. “Estamos lidando com estruturas profundamente corruptas e um desrespeito sistemático à legislação nacional.”

Criminologistas como Fernando Carrión acreditam que o sistema judicial é muito fraco. Além disso, o crime organizado está envolvido no comércio ilegal de ouro. A Carrión estima que seu faturamento no Equador já seja de cinco bilhões de dólares. Além do negócio das drogas, que movimenta seis bilhões de dólares, o comércio de pepitas é o segundo pilar. Não é diferente na Colômbia, no Brasil e em outros países. Com muita frequência, os governos têm pouco para combater isso, também porque os cartéis pagam bônus lucrativos em todos os lugares; Isso garante que você desvie o olhar cuidadosamente. Há uma bomba-relógio tóxica na região amazônica. A poluição por mercúrio está aumentando em muitas regiões – incluindo o Equador.

“Estamos lidando com estruturas profundamente corruptas e um desrespeito sistemático à legislação nacional.”

Alberto Acosta 
Ex-Ministro de Minas e Energia


Fonte: Neues Deutschland