Empresas autuadas pela Operação Rejeito em MG estão em outras regiões do Brasil

A máfia mineral descoberta em MG pode acontecer em outras cidades mineradas do país e pode se agravar com o PL da Devastação; mais impactos nos territórios e na saúde vem por aí…  

Empresas autuadas pela Operação Rejeito em MG estão em outras regiões do Brasil

Por Márcio Zonta – Comunicação nacional do MAM 

As empresas Ferro Sul Mineração / SA e Irontech Mineral LTDA, denunciadas na Operação Rejeito, em setembro desse ano pela Polícia Federal, que revelou uma trama entre órgãos do meio ambiente e mineradoras para conseguir licenças de operação, atuam em outros estados.

A mineradora Ferro Sul mineração / SA, com sede em Nova Lima (MG), que foi fundada em 2020, tem pesquisa ativa concedida pela Agência Nacional de Mineração (ANM) para pesquisar cobre e ouro em Canaã dos Carajás (PA).

Além dela, outra mineradora envolvida no escândalo em Minhas Gerais é a Irontech Mineral LTDA, com sede na cidade baiana de Alagoinhas, onde tem autorização de pesquisa permitida pela ANM, de minério de ferro e manganês. A empresa foi fundada em 2012 e usa também o nome fantasia de Global Tecnologia em Logística.

Subsídio estatal  

Ambas, as mineradoras, são consideradas de pequeno porte por estudiosos do setor mineral, o que denotaria uma proliferação dessas empresas para aproveitar os subsídios governamentais para mineração no Brasil, lançados ultimamente.

É  o que explica o professor da Universidade Federal de Viçosa (UFV), Tadzio Peter Coelho: “O fato é que mesmo essas operações ilegais ou atos ilícitos que essas empresas tem recorridos nos últimos tempos, como  a gente viu na Operação Rejeito, é bem verdade que existe uma estrutura financeira, estatal e econômica que fornece a possibilidade dessas chamadas pequenas empresas se expandirem pelo Brasil, tanto pela flexibilização das licenças ambientais que ocorre em todo país, como pelos financiamentos de bancos públicos”.

As mineradoras podem recorrer aos editais abertos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e por meio da Financiadora de Fundos e Projetos (FINEP), órgão do governo federal. As duas lançaram esse ano, aproximadamente 5 bilhões de reais, para linha de crédito de exploração mineral no país, sobretudo, voltado para exploração dos chamados minerais utilizados para transição energética, como cobre, lítio, cobalto, ferro, entre outros.

Ademais, em outubro passado, no Invest Mining Summit 2025, evento que ocorreu em São Paulo e que reúne empresas minerais de todo mundo para tratar de negócios, o BNDES em parceria com a multinacional Vale, apresentou um fundo para investir em empresas júnior de mineração no valor inicial de R$ 3 bilhões.

“Isso na verdade atraí uma espécie de empresários aventureiros, que se quer tem capital para instalar uma mina, mas com os empréstimos começam a abrir minas em muitos lugares, e muitas vezes eles nem pagam esses empréstimos. Nós estamos vendo isso acontecer em vários lugares em MG e em outros lugares do Brasil”, denuncia Coelho.

Mesmo modus operandi?

Para Julia Sanders, militante do Movimento pela Soberania Popular na Mineração – MAM, em Belo Horizonte, a pergunta que fica é se o modo de atuação dessas empresas com regalias ilegais do Estado, em MG, se repete em diversos lugares.

“Isso é grave, ver empresas que atuavam ilegalmente em MG se expandir pra outros estados. Embora a Operação Rejeito mostre que os crimes dessas mineradoras estavam enraizados na Secretaria de Meio Ambiente do estado de MG, ela também mostra que havia envolvidos da ANM nesses processos ilícitos, que podem ter facilitados a aquisição desses direitos minerários de pesquisas em outros estados do Brasil. Isso precisa ser investigado!”

A Integrante do MAM defende que a Operação Rejeito dê continuidade para que novos crimes e esquemas de corrupção das mineradoras venham à tona.

“É necessário que a Operação Rejeito avance, pois podemos ter muito mais pessoas envolvidas nessa trama, como deputados federais, o próprio governo Zema. O Fator Zema que promoveu um desmonte ambiental em MG ajudou a contribuir com essa proliferação de mais de 40 empresas atuando irregularmente em MG, e o que também, na minha opinião, motivou o PL da Devastação”, define.

Mineração agradece ao PL da Devastação

Coelho destaca três pontos preocupantes, na visão dele, que abarcam a mineração no chamado PL da Devastação aprovado no Congresso Nacional.

 “O primeiro é uma espécie de um licenciamento ambiental especial no qual os empreendimentos entendidos como prioritários e estratégicos passariam a tramitar mais rápido de uma maneira mais acelerada em comparação a outros. Isso é bastante preocupante porque essa aceleração pode prejudicar diversos grupos sociais, que podem ser impactados e podem não serem consultados dentro desse processo”, comenta.

A segunda preocupação esboçada pelo pesquisador diz respeito ao chamado licenciamento por adesão, “no qual os empreendimentos considerados de médio porte passariam por um auto licenciamento, onde as empresas ficariam responsáveis pelo próprio licenciamento do seu projeto”.

Embora, ele mencione que de certa forma isso ocorra na mineração, onde as empresas executam os estudos dos impactos dos seus próprios projetos, isso pioraria.

“Vários empreendimentos poderiam ser considerados de médio porte na mineração, mas isso não significa que ele não causará impacto de menor escala, poque também causam grandes danos e impactos a natureza e a população”, explica.

Numa terceira questão, ele destaca que a relação com a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) e Fundação Palmares sofrerá mudanças. Se antigamente todo empreendimento mineral dependia da consulta prévia dessas instituições como parte do projeto, agora não será mais necessário.

“Tem agora uma restrição no caso da consulta à FUNAI e na Fundação Palmares que passam a ser consultados somente em alguns casos, que é mais uma limitação dentro do processo decisório sobre um projeto minerador. Em suma a gente vê que é um ambiente antidemocrático, realizado uma semana depois do término da COP 30, não representativo aos interesses do povo brasileiro de maneira geral”, define.

Problema de saúde pública

A atividade mineral se constituiu no Brasil como um problema de saúde pública para a médica Diele Amorim. Ela indica que o avanço da mineração é proporcional ao adoecimento das populações que vivem em áreas mineradas.

“É preciso discutir os problemas da saúde gerada pela mineração, para não ficar somente discutindo aspectos econômicos da mineração, pois ela é um problema público de saúde”.

A médica alerta, que muitos dos territórios adentrados pelas mineradoras sequer sofriam de doenças, que passaram a ser comum depois da instalação da atividade mineral.

“Enfermidades que não existiam nos territórios passaram a atordoar as populações tradicionais, que são as mais impactadas. E como não tem acesso a saúde pública digna viram migrantes buscando atendimento médico adequado nas cidades, o que muitas vezes não acontece e acabam morrendo”, exemplifica.

Ela cita hoje a contaminação dos rios pelas mineradoras como um dos principais vetores de doenças, principalmente, pelo consumo dos peixes.

“O peixe é uma das principais fontes de proteínas, por exemplo, de populações tradicionais, como indígenas e quilombolas. Os metais pesados ficam depositados nos tecidos dos peixes. As doenças começam a aparecer no sistema nervoso central com dores de cabeça constantes, problemas gástricos e intestinais, infertilidade e má formação congênita”, afirma.

Por fim, Diele deixa um recado, que considera importante para população brasileira em geral, diante dos agravos da crise ambiental no país. “Nós somos parte inerente da biodiversidade e dos ecossistemas, se eles não estiverem livres da destruição, provocadas pela mineração, nós não seremos saudáveis”, conclui.

Essa matéria é fruto do projeto: Ampliação das Ações Voltadas para Área de Mineração, Saúde e Territórios- Impactos da Extração Mineral – FASE IV, em parceria do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MA) e Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ)


Fonte: MAM

O Cripto Gate de Javier Milei: presidente argentino se enrola em caso da criptomoeda $Libra que ele promoveu e depois sumiu com fortunas de investidores argentinos

Um caso de corrupção abala a Argentina neste momento envolvendo a criptomoeda $Libra que depois de captar milhões de argentinos incautos, simplesmente colapsou, causando perdas totais aos crédulos investidores argentinos que caíram na conversa do presidente anarcocapitalista Javier Milei.

Depois de ver a casa arrombada,  Javier Milei anunciou que determinou que a Agência Anticorrupção, investigue as circunstâncias da emissão e queda da criptomoeda $Libra, uma unidade especial com poderes vinculados a criptoativos e lavagem de dinheiro será criada para se juntar à investigação, disse a Agência presidencial.

A investigação determinada por Milei deverá verificar “se houve conduta imprópria por parte de qualquer membro do Governo Nacional, incluindo o próprio presidente”.  “Todas as informações coletadas serão entregues aos tribunais”,  teria dito o estridente presidente argentino.

Mas a porca torce o rabo quando se olha como o imbróglio foi iniciado. Em 14 de fevereiro, Javier Milei promoveu a criptomoeda chamada $Libra em sua conta X, o que gerou movimentações de milhões de dólares em pouco tempo, para depois entrar rapidamente em colapso.

O gabinete presidencial nega o envolvimento do presidente, enquanto o post em que ele promovia a moeda mencionada foi excluído do X. Mas nem essa rápida retirada deverá aliviar a situação de Javier Milei que pode se enrolar em sua própria ânsia de se promover nas redes sociais.

Cláudio Castro, mais um governador em apuros que aprofunda a agonia do RJ

A sucessão de governadores encrencados com a justiça é muito grande no Rio de Janeiro, e dos ex-governadores que ainda estão vivos, não me lembro de nenhum que não tenha tido um sobressalto com a polícia por causa de “causos” mal resolvidos.

Agora é a vez de Cláudio Castro ter sua vida revirada por causa de supostos pagamento de propinas por empresas contratadas por seu governo (ver imagem abaixo).

Como servidor público estadual que teve seu tempo de trabalho alongado pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) até 2029, penso que o maior escárnio desse atual escândalo é que Cláudio Castro (misto de cantor gospel e ilustre desconhecido na política até a queda de Wilson Witzel) negou as servidores públicos até mesmo o que havia acordado, qual seja, o pagamento de uma reposição parcialíssima das perdas salariais causadas pela inflação.

O governo de Cláudio Castro é, reconheçamos, uma cara do que têm sido os governos que o antecederam, principalmente quando se trata de exercer uma violentíssima repressão policial contra comunidades pobres periféricas sob o manto do combate ao narcotráfico. Ele, Cláudio Castro, tem na sua conta várias chacinas policiais, nas quais os assassinados não tiveram a mesma chance de recorrer à advogados caros para se livrarem de estripulias que, não raramente, envolvem mochilas flagradas cheias em elevadores com que seria dinheiro oriundo da corrupção.

O mais dramático é constatar que se Cláudio Castro for apeado do cargo de governador por causa das provas que estão sendo levantadas pela Polícia Federal, ele será substituído por Thiago Pampolha, outro ilustre desconhecida, cuja base eleitoral é a Zona Oeste. Com Pampolha governador,  a agonia que o Rio de Janeiro vive certamente ganhará capítulos ainda menos auspiciosos.

As reinações de Cláudio Castro são expostas em nova reportagem do UOL

Em uma corrida eleitoral apertada, as novas evidências expostas pelo UOL devem azedar a 6a. feira do governador acidental Cláudio Castro

mochila

Uma nova matéria assinada pela dupla Ruben Berta e Igor Mello que foi publicada pelo site UOL é a segunda péssima notícia que o governador acidental do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, está recebendo na manhã desta 6a. feira (a primeira foi o resultado da pesquisa do Datafolha que o colocou em empate técnico com Marcelo Freixa na corrida para o Palácio Guanabara).  É que nesta reportagem são apresentadas informações nada abonadoras sobre o suposto pagamento de propinas a Castro, tanto na condição de vereador como de vice-governador.

O pior, é que as informações de natureza detalhada foram fornecidas por um ex-assessor do próprio Cláudio Castro, o empresário Marcus Vinicius Azevedo da Silva. Um dos fatos descritos na matéria se refere a um caso em que o governador acidental foi filmado portando uma vistosa mochila, a qual seria o veículo de transporte de R$ 120 mil que teriam sido entregues a ele em troca da facilitação de um contrato com o governo do Rio de Janeiro.

A matéria traz ainda detalhes de uma viagem que Cláudio Castro realizou para os EUA com parte de sua família, a qual teria sido também bancada com dinheiro de propina entregue pela mesma empresa envolvida no episódio da mochila.

A verdade é que Cláudio Castro já vem acumulando contra si uma série de denúncias por causa de supostos envolvimentos com o recebimento de propinas, mas até aqui permaneceu relativamente ileso tanto criminal como eleitoralmente.  Mas essas novas evidências aparecem não apenas em um momento sensível da campanha eleitoral, mas podem ser apenas a ponta de um longo iceberg que talvez esteja prestes a atingir a proa do navio de Cláudio Castro.

Não custa nada lembrar que Cláudio Castro ainda não chegou nem perto de explicar o desembolso milionário que ocorreu tanto na Fundação Ceperj como na Uerj para bancar o pagamento de prestadores de serviços que depois se descobriu eram do tipo “Gasparzinho’.  Aliás, se postas juntas, as diversas reportagens escritas por Ruben Berta e Igor Mello servem como uma espécie de mapa para a longa lista de rolos que pairam perigosamente sobre a cabeça de Castro.

O resultado disso tudo é que o estado do Rio de Janeiro pode acabar elegendo um candidato que imediatamente após a sua posse poderá ter o mesmo destino de seus antecessores, inclusive daquele de quem Claúdio Castro herdou o cargo que foi o ex-juiz Wilson Witzel. Essa situação do Rio de Janeiro seria muito cômica se não fosse tão trágica. 

O medo real de Jair Bolsonaro não é perder as eleições, mas sair preso do Palácio do Planalto

bolsonaro cabeça quente

As recentes revelações acerca do “presságio” do presidente Jair Bolsonaro de que o ex-ministro da Educação, o pastor presbiteriano e ex-reitor da Universidade Mackenzie, Milton Ribeiro seria alvo de uma ação da Policia Federal causaram um desespero evidente não apenas do chefe do executivo federal, mas em seus assessores mais graduados. O motivo para isso é simples: ao aparentemente antecipar uma operação policial, o presidente da república cometeu o que se denomina de obstrução de justiça“.

Aliás, como as evidências dessa eventual obstrução de justiça estão bem documentadas a partir da intercepção telefônica entre Milton Ribeiro e sua filha, alguém já disse que o caso não se trata de “um batom na cueca, mas de uma cueca no batom”, tão graves são as implicações que a interferência de Jair Bolsonaro e provavelmente também do ministro da Justiça Anderson Torres que é quem tem o comando final sobre a Polícia Federal.

Como os escândalos de corrupção dentro do Ministério da Educação e Cultura (MEC) estão aparecendo aos borbotões e com indicações de que o presidente da república tem envolvimento direto na indicação de seus autores, no caso explicito dos dois pastores da Igreja Assembleia de Deus que foram presos junto com Milton Ribeiro, não é de surpreender que seu comportamento em relação aos resultados das eleições presidenciais esteja se tornando ameaçador. É que certamente cresce em Jair Bolsonaro a preocupação do que o futuro pode lhe reservar, mesmo porque seu governo afundou o país em uma profunda crise econômica, política e social. 

Em suma, o maior medo de Jair Bolsonaro não é mais perder as eleições até no primeiro turno, mas ter que sentir o peso da lei após ser removido pelo voto do cargo que ocupa. Aliás, não estivessem os ricos brasileiros tão felizes com os frutos do governo impopular e antinacional de Jair Bolsonaro, o mais provável é que ele estivesse sentindo repercussões das revelações que se seguiram à prisão do ex-ministro Milton Ribeiro.

Prisão do ex-ministro da Educação Milton Ribeiro e de dois pastores da IAD por caso do FNDE prega selo de corrupto no governo de Jair Bolsonaro

bolsonaro e os pastores

O presidente Jair Bolsonaro ao lado do ex-ministro Milton Ribeiro e dos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura

Apesar de todas as evidências do contrário, o presidente Jair Bolsonaro vinha tergiversando acerca dos múltiplos sinais de que seu governo estava impregnado por práticas de corrupção. Essa aura de pureza foi brutalmente dilacerada na manhã desta 4a. feira (22/06) com a prisão pela Polícia Federal do dublê de pastor e ex-ministro da Educação, Milton Ribeiro, e de dois pastores importantes da  Igreja Assembleia de Deus (IAD), Gilmar Santos e Arilton Moura, por comandarem um esquema de apropriação ilegal de verbas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

O grande problema para Jair Bolsonaro é que não apenas ele indicou Milton Ribeiro para ser mais um dos seus medíocres ministros da Educação, mas como também aparentemente o instou a estabelecer Santos e Moura como seus prepostos no processo de apropriação ilegal de verbas do FNDE. 

Como a lista de crimes atribuída Milton Ribeiro e os dois pastores da IAD é ampla, incluindo corrupção passiva, prevaricação, advocacia administrativa e tráfico de influência, é bem possível que eles resolvam fazer o que mais sabem fazer, qual seja, recitar versículos para se livrarem das penas que a legislação brasileira imputa a esse tipo de caso.

Mas de antemão já se sabe que, em pelo menos uma gravação, o ex-ministro Milton Ribeiro diz atender a uma solicitação de Jair Bolsonaro, mencionando ainda  pedidos de apoio que seriam supostamente
direcionados para construção de igrejas (da IAD, se supõe).

O fato é que se apenas “bolsonaristas” raiz ainda caiam na ladainha de que inexistiam casos de corrupção dentro do governo comandado por Jair Bolsonaro, as prisões de hoje e as revelações que as acompanham deverão representar um profundo abalo na base política que o presidente da república ainda possui, principalmente no chamado eleitorado protestante, especialmente entre os membros da IAD.

Em carta à OCDE, organizações da sociedade civil alertam sobre retrocessos recentes no Brasil

As ONGs destacam que o processo de entrada no bloco deve ser visto como uma oportunidade de correção de rumos e pedem maior participação

retrocesso

13 de abril — Em carta enviada, ontem, ao secretário-geral da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), Mathias Cormann, Anistia Internacional Brasil, Human Rights Watch, Transparência Internacional – Brasil e WWF-Brasil alertaram sobre retrocessos recentes para os direitos humanos, o meio ambiente, a transparência, o combate à corrupção e o fortalecimento da democracia, agravados no governo do presidente Jair Bolsonaro.

O documento destaca a preocupação das organizações de que o convite para que o Brasil inicie discussões formais para a entrada no bloco, recebido em janeiro, transmita a mensagem equivocada de que a OCDE não está atenta ao desmonte em políticas e órgãos ambientais e de combate à corrupção no Brasil, e a ataques sistemáticos praticados contra os direitos humanos.

Mauricio Voivodic, diretor executivo do WWF-Brasil afirma que “diante do desmonte ambiental no Brasil – retrocesso legislativo, paralisação de fiscalização e redução de orçamento – todas as iniciativas que visem parar a escalada de destruição são válidas. Esta carta é mais um esforço de colocar o país num rumo coerente com a ciência e com os países que se preocupam com um futuro sustentável e climaticamente justo”.

Para Jurema Werneck, diretora executiva da Anistia Internacional Brasil, “a população está tendo seus direitos violados dia após dia. O processo de entrada do Brasil na OCDE pode contribuir para que Estados nacionais através de seus representantes contribuam para que o país possa retomar seus compromissos e deveres em relação aos direitos humanos”.

A carta reconhece que a inclusão do Brasil em órgãos multilaterais pode ser positiva para o país, pois incentiva a adoção de boas práticas em diversas áreas de políticas públicas e o fortalecimento do Estado de Direito. Ressalta, no entanto, a necessidade de uma ampla e efetiva participação da sociedade civil na construção do roteiro (o roadmap), que guia o processo de adesão de um país ao bloco, na avaliação independente do cumprimento das políticas recomendadas pela OCDE e na formulação de planos de ação para uma eventual adesão.

“É fundamental garantir máxima transparência e participação social no processo de adesão do Brasil à OCDE, para que situações graves no país sejam avaliadas com independência, garantindo que o interesse público predomine sobre o interesse do governo por um troféu político.” alerta Bruno Brandão, diretor executivo da Transparência Internacional – Brasil. 

Para discutir medidas de transparência e alternativas para uma participação mais aprofundada da sociedade civil nesse processo, em direção a um desenvolvimento sustentável e socialmente justo, na carta, as organizações solicitam uma reunião com o secretário-geral da OCDE.

Estudo mostra que percepção de corrupção e falta de transparência diminuem disposição popular de custear adaptação à elevação do nível do mar

slr rio de janeiroO nível do mar na costa brasileira tende a aumentar nas próximas décadas. No Brasil – onde mais de 60% da população vive em cidades costeiras –,  inexistem análises integradas acerca da vulnerabilidade dos municípios litorâneos a este e a outros impactos decorrentes das mudanças climáticas, incluindo o aumento da frequência e da intensidade de chuvas

Começo este 2022 com a informação de que um artigo científico em que participo foi publicado pela revista “Ocean and Costal Management”.  O artigo intitulado “Preferences for sea level rise adaptation: A contingent valuation study in Rio de Janeiro State, Brazil‘ (ou em português “Preferências para adaptação ao aumento do nível do mar: Um estudo de avaliação contingente no Estado do Rio de Janeiro, Brasil“) é produto de uma parceria entre docentes da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) e duas universidades sediadas nos EUA (a Fairfield University e a Bryant University).

Artigo 1 2022

O artigo parte do fato de que a elevação do nível do mar tem o potencial de causar graves impactos nos estados costeiros do Brasil. Essa elevação deverá atingir de forma específica o estado do Rio de Janeiro que possui um alto percentual de sua população exposta às consequências do aumento do nível do mar. Neste estudo,  foi um método de avaliação contingente para explorar a disposição dos habitantes do Rio de Janeiro em pagar por políticas de mitigação do aumento do nível do mar . Dado o alto nível de corrupção percebida na máquina pública estadual, o trabalho também avaliou se os habitantes prefeririam que os esforços de mitigação fossem administrados pelo governo estadual ou por uma coalizão mais diversificada de partes interessadas da comunidade. Nossos resultados indicam que os residentes não estão dispostos a pagar impostos de propriedade adicionais para financiar políticas de mitigação do aumento do nível do mar, a menos que os formuladores de políticas sejam transparentes com o uso desses fundos.

Uma consequência prática deste estudo seria aumentar o nível de conscientização sobre os riscos potenciais da elevação do nível do mar  entre os habitantes do Rio de Janeiro. É que apesar de cerca da metade dos participantes do nosso estudo terem mostrado algum nível de preocupação sobre os efeitos da elevação do mar no estado do Rio de Janeiro, fato que é consistente com a porcentagem de entrevistados que acreditam ser provável ou muito provável observar os efeitos da elevação do mar no curto prazo (5-10 anos) . No entanto, mais de 20% de nossa amostra considera que a elevação do nível do mar será um problema no longo prazo (25 anos ou mais), mas não imediatamente. Essa crença pode levar a uma inação míope que deixaria o estado do Rio de Janeiro despreparado para lidar com a elevação do nível do mar e seus efeitos no futuro.

Quem desejar uma cópia do artigo, basta requisitar via o e-mail do Blog do Pedlowski.

Cláudio Castro age rápido para tentar se livrar de escândalo que eclodiu na Secretaria de Administração Penitenciária

claudio castro 2

O dublê de cantor e governador (por acaso) do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PSC), agiu de forma rápida e exonerou os policiais Wellington Nunes da Silva e Sandra Faria Gimenes dos cargos que ocupavam na Secretaria de Administração Penitenciária (ver imagem abaixo) após os dois serem pegos, junto com a agora também ex-secretário Raphael Montenegro, em relações para lá peculiares com líderes do Comando Vermelho.

exonerações

Essa velocidade toda não deverá impedir que Cláudio Castro tenha que fazer algo que ele tem feito pouco desde que assumiu de surpresa o governo do Rio de Janeiro, após o impeachment relâmpago do ex-juiz Wilson Witzel, qual seja, dar explicações e não cantorias.

Antonio Carlos Jobim dizia que o Brasil não era para principiantes. Imagine-se o que Jobim diria se ainda estivesse vivendo e frequentando a orla de Ipanema. É que se o Brasil não é para principiantes, o Rio de Janeiro é para quem?

Mas há que se dizer que dificilmente Cláudio Castro vai sair tranquilo para dar tais explicações, e muito menos irá de bike….

Jair Bolsonaro é eleito “personalidade corrupta de 2020”, prêmio atribuído a líderes internacionais que apoiam o crime organizado e a corrupção

JairBolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro foi  eleito como Personalidade do Ano do Projeto de Relatórios de Crime Organizado e Corrupção em 2020 por seu papel na “promoção do crime organizado e da corrupção”. Eleito após o escândalo Lava Jato (Lava Jato) como candidato anticorrupção, Bolsonaro se cercou de figuras corruptas, usou propaganda para promover sua agenda populista, minou o sistema de justiça e travou uma guerra destrutiva contra a Amazônia região que enriqueceu alguns dos piores proprietários de terras do país.

Bolsonaro venceu por pouco dois outros líderes populistas, o presidente dos Estados Unidos Donald Trump e o presidente turco Recep Erdogan, pelo duvidoso prêmio. Ambos os finalistas também lucraram com a propaganda, minaram as instituições democráticas em seus países, politizaram seus sistemas de justiça, rejeitaram acordos multilaterais, recompensaram círculos internos corruptos e moveram seus países da lei e da ordem democráticas para a autocracia. O oligarca ucraniano Ihor Kolomoisky completou a lista dos finalistas.

“Esse é o tema central do ano”, disse Louise Shelley, diretora do Centro Transnacional de Crime e Corrupção (TraCCC) da George Mason University, que participou do painel do prêmio. “Todos são populistas causando grandes danos aos seus países, regiões e ao mundo. Infelizmente, eles são apoiados por muitos, que é a chave do populismo. ”

Bolsonaro foi acusado de coletar salários para funcionários fantasmas – uma prática conhecida como repartição de salários. Mas os juízes o escolheram por causa de sua hipocrisia – ele assumiu o poder com a promessa de combater a corrupção, mas não apenas se cercou de pessoas corruptas, como também acusou erroneamente outros de corrupção.

“A família de Bolsonaro e seu círculo íntimo parecem estar envolvidos em uma conspiração criminosa em andamento e têm sido regularmente acusados ​​de roubar as pessoas.” disse Drew Sullivan, editor do OCCRP e juiz do painel. “Essa é a definição de livro de uma gangue do crime organizado.”

Essas conexões incluem :

 

As ações do Bolsonaro não afetam apenas o Brasil. Bolsonaro abriu grandes extensões da Amazônia à exploração por aqueles que já haviam se beneficiado da destruição da região crítica e ameaçada.

“A destruição contínua da Amazônia está ocorrendo por causa de escolhas políticas corruptas feitas por Bolsonaro. Ele encorajou e alimentou os incêndios devastadores ”, disse o jurado Rawan Damen, diretor do Arab Reporters for Investigative Journalism. “O Bolsonaro fez campanha com o compromisso explícito de explorar – ou seja, destruir – a Amazônia, que é vital para o meio ambiente global.”

No final das contas, os juízes levaram várias cédulas para escolher um vencedor. Um corpo internacional de jornalistas investigativos, acadêmicos e ativistas seleciona o vencedor a cada ano.

“É difícil escolher. São tantos candidatos dignos ”, disse o cofundador da OCCRP, Paul Radu. “A corrupção é uma indústria em crescimento.”

Donald Trump foi considerado apesar do fato de ainda não ter sido indiciado por nenhum crime em particular. Os juízes acreditam que sob a liderança de Trump, os EUA deixaram de ser um líder global em esforços anticorrupção e, em vez disso, recuaram para dentro. Trump tem cortejado e elogiado bajulando os líderes mais corruptos do mundo. Seu círculo íntimo está igualmente preenchido com uma série de oportunistas acusados, investigados e completamente corruptos com ligações com o crime organizado, bilionários antidemocráticos e atores estatais estrangeiros que influenciaram o presidente enquanto eram recompensados ​​com perdões.

Erdogan foi considerado porque seu governo autocrático de uma década na Turquia transformou cada vez mais o poder regional em um ator criminoso intrometido. Aprendendo com seu vizinho Vladimir Putin, Erdogan minou as instituições democráticas, atacou o sistema de justiça, esmagou a sociedade civil, recompensou seus amigos e transformou o sistema político da Turquia em um culto de um homem só. Sob seu governo, o Halkbank, estatal, ajudou o Irã a evitar sanções, lavando suas vendas de petróleo para a Turquia. Quando pessoas próximas a ele foram investigadas por corrupção, incluindo suborno para facilitar a lavagem de dinheiro, promotores, juízes, jornalistas e políticos da oposição foram presos e encarcerados.

Além disso, o oligarca ucraniano Ihor Kolomoisky completou os finalistas. O oligarca politicamente envolvido emprestou mais de US $ 5 bilhões de um banco que ele controlava para si mesmo sem garantias. O dinheiro desapareceu em uma série de offshores. As perdas representaram 40% de todos os depósitos privados do país. Mas Kolomoisky não foi preso e agora está fazendo lobby para recuperar o controle do banco depois que ele foi socorrido pelo Estado. Kolomoisky, que supostamente financiou a corrida do atual presidente ao cargo, deixou um histórico de invasões corporativas, fraude, roubo de ativos do Estado e intriga política e representa os muitos bilionários ideológicos e corruptos dos irmãos Koch a Aaron Banks que o fizeram minou a democracia para ganho pessoal.

Os vencedores anteriores do prêmio de pessoa do ano incluíram Vladimir Putin, o presidente do Azerbaijão Ilham Aliyev e o presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte.

OCCRP é uma plataforma de reportagem investigativa para uma rede mundial de centros de mídia independentes e jornalistas e uma das maiores organizações de reportagem investigativa do mundo, publicando mais de 150 histórias investigativas por ano. OCCRP acredita que é preciso uma rede para lutar contra uma rede. Desenvolvemos e equipamos uma rede global de jornalistas investigativos e publicamos suas histórias para que o público possa responsabilizar-se.

Os juízes

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Drew Sullivan

Jornalista investigativo e especialista em desenvolvimento de mídia. Ele é o fundador do Center for Investigative Reporting na Bósnia e Herzegovina, e o co-fundador e editor do OCCRP.

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Paul Radu

Repórter investigativo premiado, cofundador e diretor do OCCRP. Ele também é co-fundador do Projeto RISE, uma plataforma para repórteres investigativos na Romênia.

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Saska Cvetkovska

Editor-chefe do Investigative Reporting Lab na Macedônia e membro do conselho de diretores do OCCRP.

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Louise Shelley

Autor e professor titular da Escola Schar de Política e Assuntos Internacionais da George Mason University. Ela é a fundadora e diretora executiva do Centro de Terrorismo, Crime Transnacional e Corrupção da universidade.

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Sarah Chayes

Reconhecida por seu pensamento inovador sobre a corrupção, Chayes é autora de “Thieves of State: Why Corruption Threatens Global Security” e “On Corruption in America”. Chayes serviu como conselheira especial para as forças internacionais no Afeganistão e levou suas descobertas sobre corrupção global no Carnegie Endowment for International Peace.

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Ying Chan

Escritor, professor e diretor fundador do Centro de Jornalismo e Estudos de Mídia da Universidade de Hong Kong. Ela é uma ex-vencedora do Prêmio Nieman Fellow e George Polk. Ela editou seis livros na mídia chinesa.

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Maria Teresa Ronderos

Jornalista investigativo da Colômbia e membro do conselho do Comitê para a Proteção de Jornalistas. Ela é ex-diretora do programa de jornalismo independente da Open Society Foundation e fundadora do Centro Latino-Americano de Jornalismo Investigativo (CLIP, na sigla em espanhol), um centro de reportagem investigativa internacional.

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Rawan Damen

Jornalista, cineasta e consultor de mídia. Ela é a diretora executiva do Arab Reporters for Investigative Journalism e ex-comissária sênior da Al Jazeera Media Network.

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Rafael Marques

Rafael Marques de Morais é um jornalista angolano e ativista anticorrupção que recebeu vários prémios internacionais pelas suas reportagens sobre diamantes de conflito e corrupção governamental em Angola. Atualmente, ele chefia o órgão de fiscalização anticorrupção Maka Angola.

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Este texto foi escrito originalmente em inglês e publicado no site da OCCRP [Aqui!].