Íntegra do acordo de delação premiada do caso Petrobras

Recebi na tarde de hoje a íntegra do acordo de delação premiada firmado pelo ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, com o Ministério Público Federal, e o torno disponível aos interessados.

 

 

Uma rápida leitura inicial dos termos deste acordo confirmam que a ida ao congresso foi apenas um jogo de cena, pois qualquer declaração invalidaria o protocolo firmado para que Costa fosse beneficiado pelo instituto da delação premiada.

Prisão de comandante e subcomandante representa mais um duro golpe na imagem do (des) governo Cabral/Pezão

Coronel e major do COE são presos em operação no Rio de Janeiro

Policiais militares são acusados de receber propina de comerciantes e de agir em empresas irregulares de transporte de mercadorias

Coronel e major do COE são presos em operação no Rio de Janeiro

“Na casa do coronel Alexandre Fontenelle Ribeiro de Oliveira foram apreendidos R$ 287 mil”

 RIO – O coronel Alexandre Fontenelle Ribeiro de Oliveira e o major Carlos Alexandre de Jesus Lucas foram detidos na manhã desta segunda-feira, 15, em operação contra uma quadrilha de policiais acusados de corrupção. Eles eram, respectivamente, comandante e subcomandante do Comando de Operações Especiais (COE), ao qual estão subordinados o Batalhão de Operações Especiais (Bope), o Grupamento Aeromarítimo (GAM), e o Batalhão de Choque (BPChoq).

O coronel Fontenelle era o terceiro na hierarquia da Polícia Militar e foi preso em casa. A quadrilha atuava principalmente no bairro de Bangu, na zona oeste do Rio. Também foram presos os majores Nilton João dos Prazeres Neto (chefe da 3ª Seção) e Edson Alexandre Pinto de Góes (coordenador de Operações), além dos capitães Rodrigo Leitão da Silva (chefe da 1ª Seção) e Walter Colchone Netto (chefe do Serviço Reservado) – todos lotados no 14º Batalhão (Bangu).

De acordo com as investigações da Subsecretaria de Inteligência (SSINTE) da Secretaria de Segurança (Seseg), os policiais cobravam propina de comerciantes, empresários, ambulantes, mototaxistas e motoristas de cooperativas de vans e de empresas transportadoras de carga na área do 14º BPM. Eles são acusados de “prejudicar o policiamento ostensivo em Bangu, deixando de servir à população, ignorando o combate a transporte irregular de pessoas por vans ou Kombis em situação irregular, mototaxistas, com motocicletas em situação irregular, sejam elas roubadas, furtadas ou com chassi adulterado”, informou a nota enviada pela Seseg.

Os acusados também agiam em empresas irregulares de transporte de mercadorias e na venda varejista de produtos piratas. O pagamento era divido entre os integrantes da quadrilha. Depois de pagar pelo serviço, a pessoa lesada recebia uma espécie de autorização oficiosa para continuar com suas atividades, sejam elas quais fossem. A propinas cobradas pela quadrilha variavam de R$ 30 a R$ 2.600 e eram cobradas diária, semanal ou mensalmente, “como garantia de não reprimir qualquer ação criminosa, seja a atuação de mototaxistas, motoristas de vans e Kombis não autorizados, o transporte de cargas em situação irregular ou a venda de produtos piratas no comércio popular de Bangu”, afirmou o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ).

Segundo o MPRJ, entre 2012 e o segundo semestre de 2013, os seis acusados e outras 80 pessoas, entre os quais policiais do 14° BPM, da 34ª DP (Bangu), da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM), além de PMs reformados, praticavam diversos crimes de concussão (extorsão cometida por servidor público) na área de atuação do 14° BPM.

A denúncia, baseada em depoimentos de testemunhas, documentos e diálogos telefônicos interceptados com autorização judicial que compõem mais de 20 volumes de inquérito, aponta que “o 14° BPM foi transformado em um verdadeiro ‘balcão de negócios’, numa verdadeira ‘sociedade empresária S/A’, em que os ‘lucros’ eram provenientes de arrecadação de propinas por parte de diversas equipes policiais responsáveis pelo policiamento ostensivo, sendo a principal parte dos ‘lucros’ (propinas) repassada para a denominada ‘Administração’, ou seja, para os oficiais militares integrantes do ‘Estado-Maior’, que detinham o controle do 14º BPM, o controle das estratégias, o controle das equipes subalternas e o poder hierárquico”.

Os acusados responderão na 1ª Vara Criminal de Bangu por associação criminosa armada, que não está prevista no Código Penal Militar. A pena é de dois a seis anos de reclusão. Os integrantes da quadrilha também serão responsabilizados pelo Ministério Público pelos diversos crimes de concussão, que serão apurados pela Auditoria de Justiça Militar estadual.

Operação. O objetivo da ação, batizada de Operação Compadre II, é cumprir 25 mandados de prisão, sendo 24 contra PMs e um contra policial civil, e 53 de busca e apreensão. Além dos agentes da SSINTE e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Rio (Gaeco/MPRJ), também participam da ação a Corregedoria da Polícia Militar e da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (DRACO/IE).

A Operação é um desdobramento da Operação Compadre, deflagrada em abril de 2013, quando 78 mandados de prisão foram expedidos, 53 deles contra policiais militares, para a desarticulação de uma quadrilha que cobrava propina de feirantes e comerciantes com mercadorias ilícitas, em Bangu.

FONTE: http://estadao.br.msn.com/ultimas-noticias/coronel-e-major-do-coe-s%C3%A3o-presos-em-opera%C3%A7%C3%A3o-no-rio-de-janeiro

Em meio ao bombardeio das gravações, Rodrigo Bethlem jogou a toalha e desiste de candidatura

bethlem

Fulminado com centenas de horas de gravações de conversas indiscretas que manteve com sua ex-esposa Vanessa Felipe, o ex-xerife de Eduardo, o deputado federal Rodrigo Bethlem, jogou a toalha e suspendeu a sua campanha para suposta cuidar de sua defesa.

Pois é, resta apenas saber se Bethlem será a única vítima das gravações de Vanessa Felipe ou mais gente vai afundar junto.

Confira a nota, na íntegra, que foi publicada pelo Jornal O DIA (Aqui!)

‘Diante dos recentes acontecimentos envolvendo o meu nome e pela necessidade de cuidar da minha família e preparar a minha defesa , declaro que vou encaminhar ao partido a retirada da minha candidatura para o pleito de 2014.

Rodrigo Bethlem – Deputado Federal’

Transparência e Participação: Queremos a CPI do Bethlem!

No ar há 19 horas em Transparência e Participação

Queremos a CPI do Bethlem!

A situação do ex-secretário de Ordem Pública e Assistência Social, Rodrigo Bethlem, é cada vez mais delicada. Em gravações obtidas pela revista ÉPOCA, o ex-“xerife do Rio”, braço direito do prefeito Eduardo Paes, admite receber um mensalão da ONG Casa Espírita Tesloo, que tinha convênios com a Prefeitura no valor de aproximadamente R$ 80 milhões.

Nas conversas gravadas por sua ex-mulher, Bethlem também fala sobre a abertura de uma conta na Suíça e de relações suspeitas com o rei dos ônibus, Jacob Barata, outro velho conhecido de escândalos desse tipo. E, ao que tudo indica, o buraco de corrupção do ex-“xerife do Rio” é ainda mais embaixo.

Um grupo de vereadores está se movimentando para protocolar, na próxima terça (5/8), um pedido de CPI para investigar as graves denúncias envolvendo o ex-secretário. Para que a investigação seja aberta, é necessário que 17 parlamentares apoiem o pedido mas, até o momento, apenas 8 dos 51 se mostraram favoráveis. Os vereadores têm a obrigação de fiscalizar o Executivo; eles não podem se omitir!

Envie agora um e-mail exigindo que assinem o pedido de CPI do Bethlem.

Fontes:

Época: nova gravação sugere caixa 2 bancado por Jacob Barata

VEJA: Homem forte de Paes opera esquema de corrupção na Prefeitura

O Globo: contratos com ONG Tesloo avançaram na gestão Bethlem

FONTE: http://paneladepressao.minhascidades.org.br/campaigns/491

De Pezão para Rodrigo Bethlem: te conheço muito e quero estar a seu lado! Será?

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O Jornal do Brasil traz uma matéria muito interessante, onde consta um vídeo de uma declaração de campanha do (des) governador Luiz Fernando Pezão diz a Rodrigo Bethlem que “ nós começamos juntos, você é um batalhador. Te conheço muito, você é um grande deputado, acompanhei sua vida toda. Conte comigo. No que eu puder te ajudar nesse voos mais altos que você vai dar, com certeza eu quero estar do seu lado” (Aqui!).

Esta declaração teria sido dada um dia antes da casa cair literalmente sobre a cabeça de Bethlem, até então um dos queridinhos de outra estrela do PMDB fluminense, o Sr. Eduardo Paes, prefeito da cidade do Rio de Janeiro.

Eu teria só uma observação e uma pergunta para fazer. A observação é a seguinte: Pezão, está com todo jeito de pé-frio. E a pergunta vai nas seguintes linhas: será que Pezão vai manter o apoio político a Rodrigo Bethlem. Em qualquer um dos casos, a situação ficou tão ruim que já circula a notícia de que candidatos a deputado estadual que estavam fazendo dobradinhas com  Rodrigo Bethlem já mandaram recolher as placas de campanha. E Pezão vai fazer o que?

Eduardo Paes e o caso Bethlem: quanto mais explica, mais se complica

Abaixo segue material publicado na sua página do Facebook pelo vereador Paulo Pinheiro do PSOL/RJ sobre as “aturdidas” declarações de Eduardo Paes depois que o caso envolvendo Vanessa Felipe e o deputado federal Rodrigo Bethlem do PMDB/RJ veio a público. 

Realmente, se essas contradições continuarem emergindo, não vai nem precisar a esposa de Eduardo Paes vir a público para compartilhar conversas íntimas. O próprio Eduardo Paes vai acabar sendo o principal inimigo de si mesmo.

O Caso Bethlem

Por Paulo Pinheiro

tesloo

O Prefeito deu coletiva dizendo que o contrato referido nas gravações do deputado Rodrigo Bethlem foi cancelado em 2012. Curioso é ver que em 2013, segundo o Rio Transparente, a mesma ONG – Casa Espírita Tesloo – recebeu quase R$ 12milhões da prefeitura.

Esses pagamentos, lembro, foram feitos mesmo depois de várias denúncias do companheiro Eliomar Coelho.

Então o Sr. Prefeito deve explicar se a prefeitura continuou pagando em 2013 um contrato que foi cancelado em 2012; ou se celebrou outro contrato com uma ONG que tinha problemas em prestar contas.

A ONG Tesloo, segundo o o site Rio Transparente, recebeu mais de R$ 50 milhões durante o governo de Eduardo Paes.

FONTE: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=598600856924481&set=a.126429880808250.23333.100003237158162&type=1&theater

Rodrigo Bethlem, a mais nova vítima de uma ex-mulher disposta a ajustar contas

Vanessa Felippe e Rodrigo Bethlem, em foto de 1997

O deputado federal Rodrigo Bethlem do PMDB/RJ está no centro de um tremendo furacão depois que sua ex-mulher, Vanessa Felipe, decidiu jogar gravações de conversas íntimas que teve com seu ex-marido no ventilador. A partir do que está sendo divulgado pela mídia corporativa, essas gravações feitas por Vanessa Felipe mostram que um dos “xerifes” de Eduardo Paes (que comandou ironicamente uma secretaria que atendia pelo sugestivo nome de “Secretaria de Ordem Pública”) pagava a pensão que devia à ex-esposa em espécie! Se o montante não fossem poucos módicos R$ 20.000,00 até poderia parecer que Bethlem favorece a circulação extra-bancária. Mas o que Vanessa Felipe nos ajudou a conhecer é que esses recursos vinham de uma “caixinha” que o secretário da Ordem Social possuía junto a uma empresa prestadora de serviços à Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro.

E por que raios Vanessa Felipe resolveu revelar o esquema de Rodrigo Bethlem? Pelos exatos mesmos motivos que já levaram Nicéa Pitta a colocar o seu marido e ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta, numa fogueira semelhante.

Agora, chega a ser comovente o desespero que parece ter tomado conta de Eduardo Paes que foi quem nomeou Rodrigo Bethlem para as várias posições de mando que Bethlem ocupou na prefeitura do Rio de Janeiro. É que agora Paes se vê obrigado a dar explicações sobre o comportamento de um dos seus comandados favoritos.

Finalmente, será que alguém no Rio de Janeiro realmente se surpreendeu com essa situação? É que depois da turma do Guardanapo de Sérgio Cabral, qualquer coisa parece pequena. 

“Eles estão roubando vocês!”

Em livro recém-lançado no Brasil, o jornalista britânico Andrew Jennings desnuda farsa de ingressos da Copa e avisa: os brasileiros estão pagando por uma Copa que só trará lucro para Fifa e patrocinadores. Confira aqui a entrevista e trecho do livro em primeira mão.

“Conseguir um ingresso para a Copa do Mundo é ganhar na loteria”, resume o jornalista britânico Andrew Jennings, parceiro da Pública, ao falar de seu novo livro “Um jogo cada vez mais sujo”, lançado no Brasil no dia 5 de maio pela Panda Books. A FIFA novamente é o alvo das investigações de Jennings, desta vez focada na distribuição de ingressos por sorteio anunciada para os torcedores que, segundo ele, esconde um mundo de negócios sujos, mercado negro e troca de favores. O repórter também revela outro negócios ilegais que enriqueceram dirigentes da FIFA, incluindo os brasileiros Ricardo Teixeira (ex-presidente da CBF e do Comitê Organizador Local) e João Havelange (ex-presidente da CBF e da FIFA).

 Andrew Jennings revela esquema ilegal de venda de ingressos para a Copa do Mundo (Foto: o.canada.com)

Com um estilo descontraído e irônico, Jennings conta quem são os irmãos mexicanos Jaime e Enrique Byrom, donos do grupo Byrom PLC, acionista majoritário da Match Services  e da Match Hospitality, prestadoras de serviço para FIFA. São eles que controlam todos os negócios relacionados a ingressos, acomodações e hospitalidade nas Copas do Mundo da FIFA. E fazem mais: no livro, o jornalista prova que nos mundiais da Alemanha, em 2006, e da África do Sul, em 2010, os Byrom forneceram ingressos para o vice-presidente da FIFA Jack Warner vender no mercado negro em troca de votos que os favoreciam no Comitê Executivo da FIFA.

Jennings recebeu e-mails do advogado dos Byrom, ameaçando processar jornalista e editora, mas não pretende se calar. “Eu disse que se eles continuassem, ia publicar os documentos”, contou o jornalista em entrevista à Pública em que detalha os negócios ilegais relacionados aos ingressos e os motivos que fazem da Copa do Mundo um pote de ouro para a FIFA e os patrocinadores sem trazer benefícios para o torcedor.

Capa do novo livro de Andrew Jennings "Um Jogo Cada Vez Mais Sujo" (Foto: Reprodução)

No livro você mostra os negócios entre os irmãos Byrom e o vice-presidente da FIFA Jack Warner nas Copas de 2006 e 2010. Em linhas gerais, como esses negócios funcionam?

Existe um mundo negro que os fãs do futebol não conhecem, que é o mundo dos negócios de ingressos. Há 209 associações nacionais de futebol na FIFA, como a CBF, no Brasil. Algumas são bem honestas, mas a maioria não é. As associações nacionais pedem ingressos aos Byrom, que os fornecem em nome do Blatter [presidente da FIFA] e da FIFA. Os negociadores de ingressos do mercado negro vão até essas pessoas em diferentes países da África, da Ásia, alguns da Europa – especialmente os do antigo bloco soviético – e conseguem os ingressos com eles.

Em 2006 na Alemanha, eu revelei que eles estavam vendendo milhares e milhares de ingressos para Jack Warner, que agora está sendo forçado a sair da FIFA. Foi uma grande história, uma grande confusão, e eles fizeram isso de novo em 2010! O Warner, [presidente] da União Caribenha de Futebol, solicitou ingressos [por e-mail] mas copiou um negociante na Noruega! Então os Byrom sabiam que Jack estava comprando deles em nome do cara na Noruega. E eles copiam a correspondência para a FIFA e para a Infront, empresa do Philippe Blatter [sobrinho do presidente da entidade]. Então todos eles sabem o que está acontecendo.

Na Alemanha eles tiveram muito lucro, mas na África do Sul esse mercado entrou em colapso porque ninguém queria ir para lá. É por isso que o escritório de ingressos dos Byrom estava entrando em contato com o Jack e com a Noruega, dizendo: “se vocês não mandarem o dinheiro logo, nós cancelamos seus ingressos”. O Jack Warner estava comprando os ingressos em nome do cara do mercado negro na Noruega e os Byrom precisavam dar ingressos para ele porque ele controla pelo menos três votos no Comitê Executivo da FIFA: se Jack,  quer ingressos, ele ganha ingressos. E o que ele dá em troca é que ele e os amigos votam em você para que você consiga todos os contratos dos ingressos.

O que nós não sabemos é: que outros membros do Comitê Executivo ganha ingressos nessa escala?

Os Byrom conseguem os ingressos por meio do contrato que a FIFA tem com a Match?

Não, a Match é hospitalidade. Existem três diferentes contratos entre os Byrom e a FIFA. Um é para os 3 milhões de ingressos para todos os jogos que vocês vão ter no Brasil nos próximos meses. Esses ingressos são para pessoas como eu e você ficarmos nas arquibancadas de concreto gritando e torcendo pelos times. Outro é para acomodação, porque nós estrangeiros e vocês brasileiros de outras cidades que precisam de um lugar para ficar. Então os Byrom reservam uma grande quantidade de quartos, perto da Copa do Mundo percebem que não venderam todos e começam a se livrar deles.

A terceira coisa é a Match Hospitality, da qual os Byrom são acionistas majoritários, da qual o Philippe, sobrinho do sir Blatter, tem 5% e outros grupos também têm ações… A Match é responsável pela hospitalidade, que são aqueles grandes e caros camarotes de vidro nos estádios, todos novos, pagos, em sua maioria, pelos contribuintes. Tem muito dinheiro na hospitalidade. Eu acho que vai ser um desastre porque essas pessoas não vão vir, mas isso é outra questão.

 O que os pacotes de hospitalidade oferecem e para quem eles são vendidos?

Você pode ver no artigo eu fiz para a Pública: A hospitalidade é um bom translado para o estádio, muito espaço, comida, bebidas…Você é pode comprar até as mais luxuosas suítes hospitalidade com uma parede de vidro para que você possa assistir um pouco do jogo de vez em quando, quando você não está fazendo negócios. Onde você não precisa se misturar com as pessoas comuns. Imagine ficar no mesmo terraço que todos esses brasileiros? Urgh.

Está tudo no site deles, com preços astronômicos. Quem compra esses pacotes são pessoas muito ricas que levam seus amigos; executivos; e empresas que levam seus melhores clientes ou seus melhores vendedores, como uma espécie de prêmio. O alvo é o mercado corporativo, é uma hospitalidade corporativa.

Os contribuintes pagaram por esses camarotes de vidro luxuosos, mas vocês não podem comprar esses pacotes. Você pode ter sorte na loteria e conseguir um ingresso para ver um jogo, mas não vai ter dinheiro para esse camarote a não ser que seja um brasileiro muito rico do mundo dos negócios.

A FIFA argumenta que a Match ter o controle exclusivo das vendas de ingressos e de pacotes de hospitalidade impede vendas não autorizadas. Isso é verdade? Por que é interessante para a FIFA manter esse esquema?

Isso é uma besteira. Os Byrom controlam todos os ingressos. Você vai no site da FIFA e encontra todo tipo de lixo sobre impedir as vendas não autorizadas, o que é ridículo, porque todo ingresso vem da porta do fundo dos Byrom. Eu não consigo imprimi-los, você também não. Muitos ingressos são impressos na última hora, porque agora nós não sabemos que time vai jogar na segunda fase e em qual estádio.

Então você ouve um monte de lixo sobre como você deve comprar deles, se não você pode ter o ingresso rasgado na entrada do estádio. Se você compra exclusivamente dos Byrom ou de seus amigos, você vai entrar. Mas o Warner estava comprando ingressos para outras pessoas! Ele não queria 5 mil ingressos para ele assistir à Copa da Alemanha, era para colocá-los direto no mercado!

A FIFA diz que está policiando esse mercado paralelo de ingressos, mas não está. É como um padre que olha para o outro lado!

E os líderes da FIFA também lucram com esse esquema?

Nós não podemos provar. Eu valorizo muito os documentos. Eu ouço histórias, vejo como Jack Warner se safou com milhares e milhares de ingressos, será que outros líderes da FIFA fazem negócios semelhantes? É legítimo fazer essa pergunta, mas nós não temos prova.

Os Byrom controlam todos os ingressos para a Copa do Mundo no Brasil. Os parceiros comerciais deles aqui são o Grupo Traffic e o Grupo Águia, que, como você mostra, tem ligações comprovadas com a CBF e o Ricardo Teixeira. O que isso sugere?

No caso dos ingressos, o Teixeira forçou os Byrom a terem parceiros brasileiros para que seus amigos pudessem ganhar uma fatia. Por isso esses grupos têm alguma ação. Você encontra as referências à Traffic se olhar os relatórios do senador Álvaro Dias [relatórios finais da CPI da CBF, elaborados em 2001]  (volume 1 –  volume 2 – volume 3 – volume 4).

Isso significa que o povo brasileiro está excluído. Vocês estão pagando pela Copa do Mundo e para vocês é dito que os ingressos vão ser distribuídos de forma justa. Aí você descobre que todo tipo de atividade ilegal relacionada aos ingressos está acontecendo.

Baixe aqui um trecho exclusivo do novo livro de Andrew Jennings “Um jogo cada vez mais sujo” 

 No livro, você faz uma analogia entre a pilha de ingressos para a Copa do Mundo e um iceberg, mostrando que apenas a ponta está disponível para os torcedores, enquanto, embaixo d’água, o resto é vendido por meio de negócios ilegais. Então, o documento em que a FIFA explica a distribuição dos ingressos é falso?

Sim, porque existe um mercado negro. E se você está comprando um ingresso de mercado negro, ele pode vir de um país africano, ou de outro lugar. A FIFA fala sobre a ponta do iceberg, mas o fato é que existe um outro mundo sombrio embaixo da superfície, onde existe um imenso mercado de ingressos.

Qual é a chance de um brasileiro que ama futebol assistir o Brasil jogar no estádio na Copa do Mundo?

Gaste o seu dinheiro em uma televisão. Eles não colocam todos os ingressos na loteria! Você não pode acreditar nos gráficos, porque não há como checá-los! Os Byrom têm todas as estatísticas! Você pode checar o que o governo está fazendo, porque você consegue os números, mas os Byrom não precisam publicá-los. Se eles dizem que 100% dos ingressos estão na loteria, você nunca vai provar que isso não é verdade.

Segundo o jornalista, dirigente da FIFA vendia ingressos no mercado negro (Foto: Marcello Casal Jr/Abr/ Reprodução Portal da Copa)

O ingressos do mercado negro são vendidos apenas para pessoas ricas ou para pessoas comuns também?

Pessoas como Jack Warner comprariam ingressos, mas ele os venderia para empresas que os colocariam em pacotes com vôos e acomodação. Se você fosse um turista na Copa do Mundo da Alemanha ou da África do Sul, você viajaria no vôo que eles reservaram, ficaria no quarto que eles reservaram. Mas você olharia no seu ingresso e veria que em vez do seu nome, nele está escrito “Fred Smith”. Todo ano você ouve que eles vão checar os passaportes, mas eles nunca fazem isso. Isso faz parte da farsa de dizer que se você não tem seu nome no ingresso, você está em apuros. É uma grande mentira.

O Ricardo Teixeira e o João Havelange (ex-presidente da CBF e da FIFA) têm relação com esse esquema?

O que nós sabemos é que antes de forçarmos o Teixeira a sair, eles estava no Comitê Organizador Local, que fazia de tudo: ingressos, estádios… Eu não sei qual fatia o Havelange ainda consegue. Ele tem 96 anos. Mas Ricardo estava lá desde o começo. Ele preparou tudo, os negócios, tudo que tinha a ver com a Copa. Nós o forçamos a sair apenas por escândalos externos, ele não esperava por isso. Então você pode atribuir a ele tudo que está errado com a Copa, porque antes dele sair, todos esses contratos já estavam sendo arranjados, não são contratos novos. Ele diz que não tinha controle sobre o que estava acontecendo. Ah, por favor…

O que você descobriu sobre o Ricardo Teixeira?

Eu investiguei as propinas dele na Suíça e os relatórios  do Álvaro Dias [da CPI da CBF]. As investigações nos relatórios provam que Teixeira é um grande ladrão. Eu li todas as 500 mil palavras com a ajuda do Google Tradutor [risos]. Você tem que fazer um ato muito criminoso antes de entrar em uma máfia. Eu estaria errado se dissesse que a FIFA deu a Copa do Mundo para o Brasil. Isso é besteira. Blatter deu a Copa do Mundo para o Teixeira. Não a FIFA, o Blatter. São coisas diferentes.

A FIFA é uma máfia, uma família de crime organizado. No livro, eu mostro que ela não é uma organização legítima. Os líderes são ladrões, eles dividem tudo entre eles e estava na hora de dar ao Ricardo a sua Copa do Mundo. A CBF estava falida  e isso provou ao Blatter que Teixeira era justamente o tipo que ele queria para organizar a Copa do Mundo.

Que pessoas e organizações lucram com a Copa do Mundo?

Vocês contribuintes pagam por ela. A FIFA consegue lucrar com a bilheteria. Todos o dinheiro da FIFA vem da Copa do Mundo, é sua grande fonte de renda. Nos outros torneios: futebol feminino, sub-17, sub-21, eles perdem dinheiro. Mas eles precisam fazê-los para mostrar que são inclusivos. O Valcke prevê que a FIFA vai ganhar US$ 2,7 bilhões com a Copa, os brasileiros ficam bravos e ele responde: “Mas nós estamos colocando tanto dinheiro de volta”. Isso não é verdade. Quando um quarto de hotel é alugado, isso não é colocar dinheiro, é alugar um quarto de hotel!

Os patrocinadores, como McDonald’s, Visa, Samsung e outros conseguem uma maravilhosa isenção fiscal de 12 meses pela “lei da FIFA”. O Romário lutou contra ela, mas a Dilma forçou sua aprovação. A isenção fiscal para eles é um fardo para vocês. Se eles não pagam os impostos, vocês pagam. Eles estão roubando vocês! Essas empresas, como a Coca-Cola e a Samsung, estão vendendo produtos e não há impostos! Não tem motivo! Se eu for começar uma empresa em São Paulo, eu tenho isenção fiscal? Não, não tenho.

Então a Copa do Mundo é um pretexto para eles lucrarem?

Eu acho que nós poderíamos ter um campeonato mundial de futebol sem eles. Nós não precisamos desse nível de pessoas não transparentes só se preocupando com eles e com seus associados comerciais. Só o dinheiro da venda dos direitos televisivos, que você conseguiria legitimamente, é suficiente para pagar pela Copa do Mundo. As emissoras pagam uma fortuna para transmitir. Você não precisa de negócios por baixo dos panos com patrocinadores ou isenções fiscais especiais.

FONTE: http://apublica.org/2014/05/eles-estao-roubando-voces/

Milho, censura e corrupção na ciência

Revista científica que, em 2012, publicou artigo mostrando que 70% dos ratos alimentados com milho transgênico da Monsanto haviam desenvolvido câncer se retrata após contratar ex-funcionário da Monsanto como editor especial

Por Silvia Ribeiro

Publicado originalmente em espanhol no La Jornada

Tradução da Adital

Em 2012, uma equipe científica liderada por Gilles-Éric Séralini publicou um artigo mostrando que ratos de laboratório alimentadas com milho transgênico da Monsanto durante toda a sua vida desenvolveram câncer em 60-70% (contra 20-30% em um grupo de controle), além de problemas hepático-renais e morte prematura.

Agora, a revista que publicou o artigo se retratou, em outra amostra vergonhosa de corrupção nos âmbitos científi cos, já que as razões apresentadas não são aplicadas a estudos similares da Monsanto. O editor admite que o artigo de Séralini é sério e não apresenta incorreções; porém, os resultados não são conclusivos, algo característico de uma grande quantidade de artigos e é parte do processo de discussão científica. A retratação aconteceu após a revista ter contratado Richard Goodman, exfuncionário da Monsanto, como editor especial. É o corolário de uma agressiva campanha de ataque contra o trabalho de Séralini, orquestrado pelas transnacionais. O caso recorda a perseguição sofrida por Ignacio Chapela, quando publicou na revista Nature que havia contaminação transgênica no milho camponês de Oaxaca.

Em outro contexto, Randy Schekman, premiado com o Nobel de Medicina 2013, ao receber o prêmio pediu o boicote às publicações científi cas, “como Nature, Science e Cell” (e poderia ter incluído a que agora retratou Séralini) pelo dano que estão causando à ciência, ao estarem mais interessadas em impactos midiáticos e lucros do que na qualidade dos artigos.

Schekman assegurou que nunca mais publicará nessa revista e conclamou cientistas a publicarem em revistas de acesso aberto, com processos transparentes. Soma-se a outras denúncias sobre a relação incestuosa das indústrias com esse tipo de revista, para conseguir a autorização de produtos através da publicação de artigos científi cos.

Tortilhas

O estudo de Séralini é muito relevante para o México porque os ratos foram alimentados com milho 603 da Monsanto, o mesmo que as transnacionais solicitam plantar em mais de 1 milhão de hectares, no norte do país. Caso seja aprovado, esse milho entraria massivamente na alimentação diária das grandes cidades do país por meio das ‘tortillerías’ (que fabricam tortilhas feitas de milho).

Como o México é o país onde o consumo humano direto de milho é o mais alto do mundo e durante toda a vida, o país se converteria em uma repetição do experimento de Séralini, com gente em vez de ratos, com altas probabilidadesde desenvolver câncer em alguns anos, em um lapso de tempo sufi ciente para que o governo tenha mudado e as empresas neguem sua responsabilidade, alegando que foi há muito tempo e não se pode demonstrar o milho transgênico como causa direta.

O artigo de Séralini foi publicado na revista Food and Chemical Toxicology após uma revisão de meses por outros cientistas. Poucas horas após sua publicação e de forma totalmente anticientífica (já que não podiam avaliar os dados com seriedade nesse tempo), cientistas próximos à indústria biotecnológica começaram a repetir críticas parciais e inexatas, curiosamente iguais, já que provinham de um tal Centro de Meios de Ciência, financiado pela Monsanto, pela Syngente, pela Bayer e por outras transnacionais.

Dois pesos

Para retratar o artigo, agora se alega que o número de ratos do grupo de controle foi muito baixo e que os ratos Sprague- Dawley usados na experimentação têm tendência a tumores. Omitem dizer que a Monsanto usou exatamente o mesmo tipo e a mesma quantidade de ratos de controle em uma experimentação publicada em sua revista, em 2004; porém, somente por 90 dias, reportando que não havia problemas, conseguindo a aprovação do milho Monsanto 603. Séralini prolongou a mesma experimentação e o ampliou, durante toda a vida dos ratos e os problemas começaram a aparecer a partir do quarto mês. Fica claro que a revista aplica duplo padrão: um para a Monsanto e outro para os que mostram resultados críticos.

A equipe de Séralini explicou que o número de ratos usados é padrão em OCDE em experimentos de toxicologia; porém, para os estudos de câncer são utilizados mais. Porém, seu estudo não buscava câncer, mas possíveis efeitos tóxicos, o que fi cou amplamente provado. O maior número de ratos em estudos de câncer é para descartar falsos negativos (que haja câncer e não se veja); porém, nesse caso, a presença de tumores foi tão grande que, inclusive, para essa avaliação seria suficiente. Desde o início, sua equipe também assinalou que mais estudos específicos de câncer devem ser feitos. Em âmbito global, há vários comunicados assinados por centenas de cientistas defendendo o estudo de Séralini; porém, no México, a Cibiogem (Comissão de Biossegurança), fazendo jus à sua falta de objetividade e compromisso com a saúde da população, publica somente o lado da controvérsia que favorece às transnacionais, ignorando as respostas de inúmeros cientistas independentes.

Isso é mais preocupante já que o governo afirma que a liberação do milho transgênico no México será decidido por critérios científicos. No entanto, consulta somente cientistas como Francisco Bolívar Zapata, Luis Herrera Estrella, Peter Raven e outros que têm confl itos de interesse devido à sua relação com a indústria biotecnológica.

O tema do milho no México excede os aspectos científicos; porém, qualquer consulta deve ser aberta e com cientistas que não tenham conflitos de interesse.

Por exemplo, levar em consideração os documentos da Unión de Científicós Comprometidos con la Sociedad, apoiados por mais de 3 mil cientistas em âmbito mundial.

Foto: Reprodução