Falta de vacinas e cronograma “para inglês ver” geram caos na vacinação da COVID-19 em Campos dos Goytacazes

Enquanto espero pacientemente pela minha vez de ser vacinado em algum momento de abril ou quiçá maio, estou como plateia de um caos impressionante nas filas organizadas (ou seria desorganizadas?) pelo governo de Wladimir Garotinho para que idosos (e alguns membros de corporações bem organizadas) possam receber a sua dose de uma das vacinações contra a COVID-19 (ver imagens abaixo).

A primeira coisa que salta aos olhos é que o cronograma oficial de vacinação (ver abaixo) é do tipo “para inglês ver”, visto que as filas estão mostrando algo que nem é culpa da gestão municipal, mas do governo federal, que vem a ser o fato básico de que o número de vacinas disponibilizadas é muito aquém do total de pessoas habilitadas e interessadas em serem vacinadas.

CRONOGRAMA

Além disso, é de pouca ou nenhuma utilidade tentar avançar nos grupos etários habilitados a serem vacinados, sem que se conclua a vacinação daquelas pessoas que já receberam a primeira dose. É que, até onde eu sei, no caso da “Coronavac”, o tempo entre a 1a. e a 2a. dose é de 30 dias, coisa que já está ocorrendo para um certo número de pessoas, as quais agora estão correndo o risco de não serem vacinadas no prazo que a fabricante chinesa Sinovac considera a ideal para que a eficácia da sua vacina.

Então, o que me parece mais lógica é concluir a vacinação das pessoas que já estão chegando no tempo limite para receberem a segunda dose da Coronavac, antes que se convoquem outras pessoas.  Já as vacinas da Astrazeneca/Oxford poderiam ser alocadas de uma forma racional que não gere filas intermináveis e que estão servindo mais como “super spreaders” de COVID-19 do que qualquer outra coisa.  Isto sem falar na exposição de pessoas idosas à condições de espera que se aproximam do vexatório.

Finalmente, há que se ressaltar que o principal neste momento seria o prefeito Wladimir Garotinho se somar a todos os prefeitos e governadores que estão na linha de frente para fazer o que o governo federal não está fazendo direito que é garantir a aquisição de um número mais significativo de vacinas.

 

Governo dos EUA pressionou Brasil a não comprar a ‘maligna’ Sputnik V

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Por John McEvoy para o Brasil Wire

Enquanto o número de mortos no Brasil com a pandemia COVID-19 se aproxima de 275.000, documentos revelam que Washington pressionou o governo brasileiro a não comprar a vacina “maligna” Sputnik V da Rússia – uma decisão que pode ter custado milhares de vidas.

Influências malignas

O Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos publicou recentemente seu Relatório Anual para 2020.

“2020 foi um dos anos mais desafiadores da história do nosso país e da história do Departamento de Saúde e Serviços Humanos”, apresenta o ex-secretário de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, Alex Azar.

“Há um fim à vista para a pandemia”, ele continua, “com a entrega de vacinas seguras e eficazes por meio da Operação Warp Speed”.

Escondido na página 48, o relatório revela de forma chocante como os EUA pressionaram o Brasil a rejeitar a vacina russa Sputnik V.

Sob o subtítulo “Combatendo influências malignas nas Américas”, o relatório anuncia:

brasil wire

Também é surpreendente que os EUA tenham dissuadido o Panamá de aceitar médicos cubanos, que estão na linha de frente global contra a pandemia , trabalhando em mais de 40 países .

Além do Brasil, os Estados Unidos enviaram Adidos de Saúde para a China, Índia, México e África do Sul, provavelmente encarregados de realizar atividades semelhantes.

Os documentos demonstram como Washington vê a saúde global em termos estritos de poder, disposto a sacrificar inúmeras vidas para negar aos Inimigos Oficiais a vitória do soft power.

Resposta catastrófica

O Brasil sofreu o  segundo pior número de taxas de mortalidade por COVID-19 do mundo, com a política do governo Bolsonaro sendo descrita como “homicida negligente”.

Ao longo de 2020, o governo brasileiro se recusou consistentemente a buscar qualquer vacina, exceto a AstraZeneca, desconcertando especialistas médicos.

Um grupo de prefeitos brasileiros exortou o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, a renunciar, escrevendo : “Sua liderança não acreditava na vacinação como saída da crise e não fez o planejamento necessário para a aquisição das vacinas”.

Com o número de mortes aumentando, Bolsonaro eventualmente e tardiamente abriu discussões para a entrega de vacinas contra o Sputnik V.

Documentos secretos publicados pela Brasil Wire também revelaram que o Reino Unido fez lobby no Brasil em nome da AstraZeneca e também das mineradoras britânicas, mostrando que os EUA não são o único país a alavancar poder em nome de multinacionais farmacêuticas na América Latina.

Este é apenas o último episódio escandaloso na forma como Bolsonaro lida com a pandemia e a maligna interferência dos EUA na região.

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Este texto foi escrito originalmente em inglês e publicado pelo Brasil Wire [Aqui!].

Minta, minta, minta de novo

A fuga para a frente de Jair Bolsonaro

bolsonaro mascara

Por Peter Steiniger para o Neues Deutschland

Lula deu-lhe uma facada: no primeiro discurso depois de recuperar seus direitos políticos na semana passada, o ex-presidente do Brasil leu o ato de motim contra Jair Bolsonaro. Ele exortou as pessoas a não seguirem as “decisões tolas” de Bolsonaro na crise causada pelo coronavírus e a se vacinarem contra a COVID-19. Não importa de que país venha a vacina. Com esse ataque ao demagogo de direita, Lula afetou muitos brasileiros diante de uma política de saúde catastrófica e de um alto número de mortes causadas pela COVID-19. Bolsonaro sabe muito bem que não se compara ao excepcional político que Lula é, e teme a continuidade da grande popularidade do ex-presidente de esquerda do Partido dos Trabalhadores. Pode haver um grande duelo nas eleições de 2022.

O Brasil se tornou o foco mundial da pandemia da COVID-19. Tendo em vista os milhões  que vivem em condições miseráveis de trabalho e de vida no Brasil, grande parte da população está em maior risco desde o início do que no “Primeiro Mundo”. Isto sem falar nos indígenas. O preço que o Brasil está pagando pelo caos das vacinas que foi causado pela política ultraliberal é ainda mais amargo. Primeiro o país jogou dinheiro pela janela comprando a hidroxicloroquina que se mostrou inadequada para combater a COVID-19. Depois Bolsonaro rotulou a Coronavac como uma “vacina da China”. Depois da forte atuação de Lula, o clã Bolsonaro de repente ganha uma nota diferente: a vacinação é ótima e ajuda a economia.

O presidente Jair Bolsonaro agora declara que nunca foi contra a vacinação. E que ele nunca considerou a COVID-19 uma “gripezinha”. Mentir está em seu sangue.  Uma prova que o Lula funciona.

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Este texto foi escrito originalmente em alemão e publicado pelo “Neues Deutschland” [Aqui!].

Edição especial relaciona áreas protegidas e conservadas com a atual pandemia

Publicação traz 150 artigos sobre o impacto da pandemia de COVID-19 na conservação


parks

 

A IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza) lança uma edição especial da revista científica PARKS , sobre os impactos da pandemia do coronavírus na conservação da natureza em todo o mundo. A publicação é uma iniciativa da Comissão Mundial de Áreas Protegidas da IUCN e traz nesta edição o compilado mais abrangente até o momento da pesquisa científica mundial sobre as ligações e os impactos de COVID-19 na conservação da natureza.

A revista estima que no Brasil o número reduzido de visitantes pode levar a uma perda de US﹩ 1,6 bilhão em vendas para empresas que trabalham direta e indiretamente com o turismo em áreas protegidas. Enquanto na Namíbia, as Unidades de Conservação comunais podem perder US﹩ 10 milhões em receitas de turismo direto, segundo estimativas iniciais.

Os estudiosos apontam que mais da metade das áreas protegidas da África e 1/4 das áreas protegidas da Ásia foram forçadas a interromper ou reduzir suas ações de conservação, como patrulhas anti-caça, e um em cada cinco guardas florestais relataram ter perdido seus empregos. 

Dentre os ensaios, escritos por cerca de 150 autores, estão textos de Mariana Napolitano, gerente de ciências do WWF-Brasil; Yolanda Kakabadse, ex-presidente da Rede WWF; Juan Manuel Santos, ex-presidente da Colômbia e ganhador do Prêmio Nobel da Paz; Mary Robinson, ex-Presidente da Irlanda e ex-Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos; e Sir Richard Roberts, bioquímico e vencedor do Prêmio Nobel de Medicina.

Doenças zoonóticas e a natureza como prevenção

“A natureza é uma rede de segurança para muitas das comunidades afetadas por essa pandemia e pode ser uma das nossas maiores aliadas contra futuras pandemias”, comenta Mariana Napolitano, gerente de Ciências do WWF-Brasil e autora de um dos artigos da revista PARKS.

No ensaio “Causas de doenças zoonóticas”, ela e a equipe do WWF-Brasil trazem uma visão geral sobre como áreas protegidas e conservadas podem desempenhar um papel significativo na minimização da ameaça de transbordamento de doenças do mundo natural para as pessoas.

As chamadas doenças zoonóticas, ou simplesmente zoonoses, são diversos tipos de enfermidades que são transmitidas dos animais para os humanos.

• As zoonoses representam 60% das doenças contagiosas conhecidas.
• Dessas, 72% foram transmitidas por animais silvestres (em comparação com animais domésticos).
• 3/4 de todos os patógenos emergentes são zoonóticos.

As principais atividades que ajudam essas doenças a escaparem do mundo natural e nos infectarem são as mudanças no uso da terra, especialmente pela intensificação da produção agrícola e pecuária, o comércio de animais silvestres e o consumo da carne desses animais”, comenta Mariana.

As áreas protegidas e a conservação da vida selvagem são a forma mais eficaz de controlar essas atividades e minimizar os perigos associados a elas. Além disso, elas são aliadas na necessária recuperação verde frente à atual crise.

Esta edição do PARKS também revela que pelo menos 22 países propuseram ou promulgaram retrocessos nas regulamentações ou cortes orçamentários na conservação do meio ambiente. Os pacotes e políticas de estímulo econômico pós-COVID analisados pela revista continuam a minar em vez de apoiar a natureza, nossa melhor esperança contra futuras pandemias e atuais crises planetárias, como as mudanças climáticas.

“Cuidar do nosso planeta nunca foi tão urgente. A crise do coronavírus nos mostrou o que acontece quando estamos em desequilíbrio com a natureza. 2021 precisa ser o ano em que mudamos de rota, para uma economia mais justa, menos intensiva no uso de recursos naturais e de menor emissão de gases de efeito estufa. Precisamos nos unir como sociedade”, reflete Mariana.

Além do artigo sobre zoonoses, a Rede WWF contribuiu com mais quatro artigos nesta edição de PARKS: “Uma visão geral global e perspectivas regionais”; “Áreas marinhas protegidas e conservadas em um mundo pós-COVID-19”; “Turismo em áreas protegidas e conservadas em meio à pandemia” e “O impacto da COVID-19 nos guardas florestais”.

Confira a revista (em inglês) em: https://parksjournal.com/parks-27-si-march-2021/

Movimentos e organizações sociais divulgam carta contra a isenção fiscal de agrotóxicos

isenção agrotóxicos

Cerca de 75 movimentos e organizações sociais enviaram nesta quinta-feira (11) carta para secretarias de fazenda e governos estaduais solicitando que benefícios e isenções para agrotóxicos previstos nas cláusulas 1ª e 3ª do Convênio nº 100/97 não sejam renovados pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz). A próxima reunião do Conselho acontece nesta sexta-feira (12), às 10h, e precisa de decisão unânime dos membros sobre o assunto.

No documento, as organizações defendem que “alimentos essenciais para a vida da população brasileira devem ter benefícios fiscais, não os agrotóxicos”, lembrando que o maior volume de venenos agrícolas é direcionado para a produção de produtos para exportação – soja, milho e cana-de-açúcar corresponderam a 82% de todo o consumo de agrotóxicos em 2015.
Pode ser uma imagem de uma ou mais pessoas e texto que diz "QUEM PAGA A CONTA DA ISENÇÃO FISCAL DOS AGROTÓXICOS? #NÃO INCENTIVE INCEI AGROTOXICOS"
💲☠️ “Sobretudo em momento de colapso do SUS pela propagação da pandemia de COVID-19, é um contrassenso que o país permaneça estimulando, via benesses fiscais, o uso de produtos tóxicos que acarretam em internações por intoxicações crônicas ou agudas”, criticam.

📲 Confira na íntegra: https://bit.ly/3t7XppL

Fome, a outra pandemia mortal assolando o Brasil

Nos últimos dias temos sido distraídos não apenas pelos altíssimos números de novas infecções e mortes pela COVID-19, mas também pela volta triunfal do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva ao centro do picadeiro politico em que o presidente Jair Bolsonaro transformou o Brasil. De quebra, ainda tivemos a aprovação da famigerada PEC-186 que congela os salários dos servidores públicos até ainda longínquo ano de 2036.

Todas essas questões vem servindo para ocultar o recrudescimento de uma pandemia que há muito tempo afeta os brasileiros mais pobres, a da fome. Os sinais de que mais gente está passando fome estão por todas as esquinas brasileiras, mas a maioria da mídia corporativa trata de ocultar esse fenômeno, pois certamente sabe do potencial explosivo que o avanço da fome, em meio a reformas ultraneoliberais possui não apenas entre aqueles que já estão com a barriga roncando, mas também naqueles que a barriga irá roncar. 

Mas a imagem abaixo vinda da edição de ontem no jornal “A Tribuna” que é publicado na cidade de Santos (SP), mas que circula na maioria dos municípios da Baixada Santista mostra com clareza o processo que está germinando pelo Brasil afora que é de um grave convulsão social causada por uma mistura das duas pandemias: a da COVID-19 e da fome.

fome pandemia

Contraditoriamente, a imagem mostra uma fila quilométrica em uma unidade do chamado “Bom Prato”, a versão paulista do “Restaurante Popular”. Em tese, quem está ali terá a sua fome, ainda que parcialmente, saciada. O problema é que essa imagem mostra o grau da crise, em um momento em que a tesoura ultraneoliberal da dupla Bolsonaro/Guedes extermina várias políticas sociais que poderiam servir como apoio à da alimentação. Com isso, é muito provável que não apenas faltem recursos para novas políticas sociais, como também para a que impulsiona o “Bom Prato” e seus congêneres pelo Brasil afora.

Eu digo e repito: o que está sendo fermentado no Brasil, e a imagem acima não me deixa mentir, é uma gigantesca crise social que cedo ou tarde explodirá em dimensões avassaladoras. É que, ao contrário, do que se propala, não há povo que fique na mansidão quando a fome aguda se estabelece em proporções significativas como as que estamos gerando no Brasil neste momento. Depois que os governantes não digam que foram pegos de surpresa, pois as evidências estão aí para quem quiser ver.

Inação deixa o mundo jogando ‘roleta russa’ com pandemias, dizem especialistas

Nova coalizão pede aos governos que combatam a causa raiz das infecções emergentes – a destruição da natureza

DESMATAMENTOA destruição da natureza tem levado a um grande aumento na passagem de doenças de animais para pessoas nas últimas décadas. Fotografia: Rodrigo Abd / AP

Por Damian Carrington, editor de Meio Ambiente do “The Guardian

Os governos devem preencher uma grande lacuna nos planos de recuperação pós-COVID-19 com ações sobre a causa raiz das pandemias – a destruição da natureza – alertou uma nova coalizão de grupos de saúde e meio ambiente.

Faltam investimentos e ações cruciais , disse a coalizão Preventing Pandemics at the Source , deixando o mundo jogando um “jogo malfadado de roleta russa com patógenos”.

Muitos trilhões de dólares estão sendo gastos com razão para fortalecer a saúde humana e impulsionar a economia global, disse a coalizão, mas medidas muito menos caras para deter o desmatamento e acabar com o comércio ilegal de animais selvagens são vitais. O apelo é o mais recente de uma série de avisos de alto nível de que  mais pandemias e mais frequentes acontecerão sem ação, mas até agora não foram atendidos.

Acredita-se que o coronavírus que causa a COVID-19 tenha saltado de morcegos selvagens para humanos e cerca de dois terços das doenças que infectam humanos começam em outras espécies, incluindo os vírus da gripe, HIV, Zika, Nilo Ocidental e Ebola. A crescente destruição da natureza pela agricultura, exploração madeireira e comércio de animais selvagens trouxe as pessoas e seus rebanhos para um contato mais próximo com a vida selvagem e levou a um grande aumento na passagem de doenças de animais para pessoas nas últimas décadas.

“As vacinas COVID-19 ajudarão a nos resgatar dessa bagunça atual, mas não farão nada para nos proteger da próxima pandemia ‘”, disse Aaron Bernstein, da escola TH Chan de saúde pública da Universidade Harvard nos Estados Unidos, que faz parte da coalizão. “Somente com ações que interrompam infecções emergentes onde elas começam podemos terminar nosso jogo malfadado de roleta russa com patógenos.”

Amy Vittor, da Divisão de Doenças Infecciosas e Medicina Global da Universidade da Flórida, disse: “As florestas – e as florestas tropicais em particular – abrigam redes complexas de micróbios e seus hospedeiros selvagens. Degradar essas paisagens carrega o potencial de liberar esses micróbios sobre nossos animais domesticados e sobre nós mesmos. Portanto, manter a integridade das florestas serve não apenas para proteger a biodiversidade e mitigar as mudanças climáticas, mas também para conter essas redes de patógenos complexas e potencialmente perigosas. ”

Estima-se que os gastos globais em resposta à COVID-19 excedam US $ 20 trilhões (£ 14,45 trilhões), mas um estudo de julho estimou que gastar apenas US $ 27 bilhões por ano reduziria substancialmente os riscos de outra pandemia na escala do surto de coronavírus.

Jon Epstein, um especialista em vírus zoonóticos da EcoHealth Alliance, disse: “Gastos relativamente modestos e cooperação entre governos em áreas emergentes de doenças para combater o desmatamento, reduzir significativamente o comércio de animais selvagens e melhorar a biossegurança em torno do gado ajudaria significativamente.

Cortar o desmatamento tropical causado por carne bovina, soja, óleo de palma e polpa de madeira e papel é crucial, disse a coalizão. Reconhecer os direitos dos povos indígenas, que possuem séculos de conhecimento sobre como viver em harmonia com a natureza, também seria um passo importante para a proteção da floresta, afirmou.

Em outubro, os principais cientistas do mundo disseram que o mundo estava em uma “era de pandemias” e que as doenças iriam surgir com mais frequência, se espalhar mais rapidamente, matar mais pessoas e afetar a economia global com um impacto mais devastador do que nunca, a menos que a devastação de o mundo natural acaba.

Desde o início da pandemia do coronavírus, a ONU, a Organização Mundial da Saúde e outros alertaram que o mundo deve combater a causa desses surtos e não apenas os sintomas de saúde e econômicos . Em junho, especialistas chamaram a pandemia de “sinal SOS para o empreendimento humano”.

Melinda Kimble, pesquisadora sênior da Fundação das Nações Unidas, disse que uma cúpula do G7 sediada no Reino Unido em junho e uma nova administração dos Estados Unidos tornou “o momento perfeito para liderança global e ação concreta para proteger as pessoas e o planeta”.

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Este texto foi escrito inicialmente em inglês e publicado pelo jornal “The Guardian” [Aqui!].

COVID-19: um ano depois, o que aprendemos?

LIÇÕES

No dia 11 de março de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou a pandemia do novo coronavírus. Mas o que os brasileiros aprenderam com a crise? Quais os hábitos que a população mudou no dia a dia? Há pouco mais de 11 meses, a dona de casa Ivelise Souza, de 48 anos, não fazia ideia dos novos hábitos que adotaria. Moradora de Manaus, município que sofre com os altos índices de infectados pelo novo coronavírus, ela não fica mais sem o seu aliado: o álcool em gel. Antes de 2020, para grande parte da população brasileira, o item era utilizado em casos muito específicos – em hospitais e clínicas médicas. Hoje é um produto do cotidiano do brasileiro. Um ano depois do primeiro caso confirmado no Brasil, 10 milhões de casos e quase 250 mil vidas perdidas, o que mais a população aprendeu?

A manaura diz que, além de higienizar as mãos com álcool, passou a lavar todos os itens de compras quando chega em casa. “Os primeiros dias foram difíceis, mas me acostumei. Esses cuidados vão ficar na minha vida para sempre”, explica.

Para o produtor de elenco e guia turístico Eduardo Sá, de 47 anos, a pandemia trouxe novos aprendizados e hábitos. “Adotei alguns procedimentos durante a pandemia e devo levar comigo. Deixo roupas e sapatos na entrada de casa. Coloquei um cabideiro na porta de entrada e ali deixo esses pertences”, conta o morador do bairro da Lapa, no Rio de Janeiro. Ele conta que vai continuar, depois da pandemia, com o uso eventual da máscara.

“Acredito que é algo importante porque a gente pode ter uma doença transmissível, tipo um resfriado. Até mesmo porque sou alérgico. Percebi que a máscara me ajuda a diminuir as crises. Quantos aos alimentos, hortifrutis, sempre deixo numa bacia com uma solução de água comum e água sanitária”, detalha Eduardo.

No Distrito Federal, Maria de Lurdes Vieira de Souza, de 57 anos, trabalha como passadeira. “Quando saio de casa, levo meu álcool em gel, passo nas mãos ao entrar e sair dos ônibus. Trabalho com muito cuidado, quando chego em casa, troco a roupa e o sapato, higienizo tudo. Quando terminar a pandemia, quero continuar andando com meu álcool na bolsa e me cuidando ainda mais”.

Já o advogado José Maurício Medeiros Costa, de 55 anos, morador de João Pessoa, na Paraíba, diz que “o grande legado da pandemia é cuidar melhor dos alimentos que nós consumimos”.

Fonte técnica confiável

Em 28 de fevereiro de 2020, o Conselho Federal de Química (CFQ) se pronunciou pela primeira vez sobre o combate ao novo coronavírus para contradizer um vídeo que havia viralizado na internet. Um cidadão, que se autointitulava químico autodidata, afirmava que o álcool em gel não era eficaz no combate à COVID-19, e sim o vinagre.

Nota Oficial do CFQ reverberou na imprensa, e o Sistema CFQ/CRQs (formado pelo Conselho e 21 Conselhos Regionais de Química) posicionou-se como fonte técnica confiável, explicando à população formas de prevenção e combate à COVID-19. “O CFQ foi firme no compromisso de orientar a população e, como órgão fiscalizador, garantir a oferta à sociedade de bons produtos e serviços dentro da infinidade de possibilidades técnicas oferecidas pela Química nos tempos atuais”, afirma o presidente do Conselho Federal, José de Ribamar Oliveira Filho.

Naquele momento, começava um intenso trabalho de combate à desinformação, com a produção de conteúdos didáticos (notas, cartilhas, vídeos, podcasts e posts para as redes sociais) para mostrar à população como utilizar água sanitária para desinfetar ambientes, como lavar as mãos corretamente, como utilizar o álcool em gel com mais eficácia. Este foi o começo da campanha Química Solidária, exemplo de que a solidariedade também foi um dos grandes aprendizados em meio à pandemia. A população se uniu em prol de uma causa: o combate ao novo coronavírus

Em março, quando a pandemia se espalhou pelo país, o álcool em gel desapareceu das prateleiras de mercados e farmácias, tornando-se artigo raro e caro para muitos brasileiros.

Para minimizar o desabastecimento e garantir o produto para quem mais precisava, o Sistema CFQ/CRQs (formado pelo CFQ e os Conselhos Regionais de Química) incentivou a sociedade, especialmente a comunidade da Química no Brasil, a se engajar na campanha Química Solidária.

A ação articulou a produção e doação de mais de 100 mil litros de álcool 70% em várias regiões, com o apoio de instituições de ensino, empresas, associações e profissionais da área da Química. As primeiras iniciativas ocorreram nos estados do Rio de Janeiro e da Paraíba. Confira as ações da Química Solidária.

Em maio de 2020, o CFQ elaborou uma cartilha com 21 perguntas e respostas sobre como usar a solução de água sanitária no combate à COVID-19. Reveja aqui .

Além disso, o Sistema CFQ/CRQs mostrou para a sociedade a atuação dos profissionais da Química na linha de frente contra o vírus, seja na produção de álcool, na pesquisa de produtos, pesquisa sobre o vírus, terapias e vacinas, e fiscalização dos fabricantes.

“Eles atuam em fases importantes da produção do álcool em gel, por exemplo, para garantir qualidade e segurança. Além disso, mapeiam e controlam os processos industriais, elaboram procedimentos operacionais adequados às normas e às boas práticas, e realizam o controle de qualidade da produção, acompanhando todas as etapas do processo”, explica Oliveira Filho.

O pensamento puro de Jair Bolsonaro sobre a importância das vacinas antes do discurso do Lula

O presidente Jair Bolsonaro, sob evidente pressão do discurso do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, operou hoje uma súbita mudança em sua posição negacionista e passou a usar máscara e a defender a importância das vacinas no combate à pandemia da COVID-19 (ver imagem abaixo)

BOLSONARO MASCARADOO presidente Jair Bolsonaro (no centro), ladeado pelo senador Davi Alcolumbre, e o chefe da casa civil, general Braga Netto (à esq.) e pelo presidente do senado, Rodrigo Pacheco, e o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, no Palácio do Planalto após sanção de lei que amplia a aquisição de vacinas – Raul Spinassé/Folhapress

Assim, para não deixar ninguém esquecer o que o presidente Jair Bolsonaro já disse sobre as vacinas contra a COVID-19, posto a sequência abaixo que expressam o que eu considero o pensamento “puro” dele sobre o assunto.

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