
Os eleitores médios do deputado federal Jair Bolsonaro não se dão muito ao trabalho de verificar as propostas econômicas do seu guru econômico, o Sr. Paulo Guedes. Mas provavelmente começariam a procurar outro candidato se olhassem minimamente as propostas do programa econômico da dupla.
Vejamos, por exemplo, a proposta apresentada por Paulo Guedes de recriar a CMPF e criar uma alíquota única de contribuição para o Imposto de Renda, começando desde os menores salários até os maiores (ver tabela abaixo) [1].

O que parece, eu disse parece, igualitário em termos de cobrança de imposto de renda é, na verdade, uma armadilha para os pobres e outro prêmio para os ricos, conforme mostra a tabela abaixo.

A coisa é simples: quem ganhar até R$ 10.000,00 vai pagar mais imposto, e quem ganhar acima de R$ 15.000,00 vai pagar menos! Em outras palavras, mais imposto para os mais pobres e menos ainda para o mais ricos.
Aí aparece a questão que não quer se calar: o que ganharão os pobres com a instalação com o governo matiz ultraneoliberal que vai piorar ainda mais a desigualdade social já existente no Brasil?
Ah, sim, pressionado pela evidência de que aumentará a cobrança de impostos em cima dos mais pobres, Jair Bolsonaro desautorizou o seu guru econômico no tocante a esta proposta [2]. Mas será que isto deve servir de consolo em um país onde Fernando Collor usou o argumento de que Lula confiscaria a poupança como instrumento de terror eleitoral para depois ele mesmo usar esse instrumento contra seus eleitores?