O Tsulama de Brumadinho é um caso explícito de crime corporativo da Vale

vale brumadinho

Indiferença e insensibilidade dos dirigentes Vale aos riscos causaram morte e destruição em Brumadinho.

A busca pelos mortos causados pelo Tsulama da Vale em Brumadinho ainda não terminou, mas o número de mortos já alcançou 150. Além disso, as primeiras análises da situação do Rio Paraopeba mostram que até onde o Tsulama já chegou o cenário é de devastação completa.

Enquanto isso, as primeiras investigações realizdas pela Polícia Federal descobriram que o perigo de ruptura das barragens em Brumadinho já era conhecido pela Vale há pelo menos 48 horas, e os dirigentes da empresa decidiram dar de ombros para a iminência de mais este incidente de graves proporções em suas operações de mineração em Minas Gerais produzido pelo jornalismo da Rede Globo (ver vídeo abaixo).

Somando as três informações que eu dei acima, não há outra definição para o comportamento dos dirigentes da Vale em relação ao Tsulama de Brumadinho do que de crime corporativo. É que definitivamente o problema afetando as estruturas das represas de rejeitos era conhecido e, mesmo assim, os dirigentes da empresa se comportaram de forma irresponsável e impiedosa ao manter suas operações no Córrego do Feijão como se nada de perigoso estivessem ameaçando a vida de centenas de seus empregados e da população de Brumadinho.

O crime corporativo da Vale fica ainda mais hediondo quando se descobre que um estudo feito por um engenheiro geotécnico que trabalha há mais de 20 anos para a Vale já apontava, em 2010, para a possibilidade de liquefação na barragem de Brumadinho. Na dissertação de mestrado defendida por Washington Pirete da Silva na Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) em 2010, a principal conclusão foi de que os rejeitos presentes na estrutura constituem materiais que tendiam a exibir “susceptibilidade potencial a mecanismos de liquefação“.  Além disso, Washington Pirete da Silva apontou ainda que “em função de alguns procedimentos operacionais inadequados realizados nesta barragem” seria recomendável aumentar o nível de segurança da barragem.Em outras palavras, o risco era conhecido pela Vale há quase 10 anos e ainda assim os dirigentes da empresa continuaram aumentando o tamanho da represa.

Como o atual cenário político do Brasil aponta para uma opção clara por parte do governo Bolsonaro de ignorar as responsabilidades da Vale no caso de Brumadinho, insistindo em manter a ladainha de que a saída para as atividades de mineração é aumentar o nível de autocontrole por parte de empresas como a Vale e a Anglo American, o caso para fazer face aos riscos instalados na forma de barragens de rejeitos em todo o território nacional terá de passar pelo fortalecimento dos movimentos sociais que há muito tempo fazem o enfrentamento político com as mineradores e seus lobbistas dentro do parlamento brasileiro.