Jair Bolsonaro, um mestre predigistador, em (en) cena no 7 de Setembro da COVID-19

Neste dia 7 de Setembro, com o Brasil tendo ultrapassado 126 mil mortos por COVID-19, o presidente Jair Bolsonaro pôs novamente o seu show na Esplanada dos Ministérios, com direito a caminhada sem máscara com crianças.  Mas ele e sua equipe também abusaram dos ângulos fechados para mostrar o encontro, onde também não portava máscara, com um punhado pequeno de apoiadores sob a desculpa de celebrar o dia da Independência.

Mas as imagens abaixo mostram que esse encontro não passou de mais um truque de ilusão, pois o que no ângulo parecia massivo, do alto se revelou uma reunião de poucos, ainda que apaixonados apoiadores.

bolso 2 tempos

O problema para o presidente Jair Bolsonaro é que com o preço de 5 Kg de arroz ultrapassando R$ 40,00 na maior parte do Brasil, ele precisará mais do que truques de mágica para continuar governando sob risco de sair de cena de forma inglória.

E não nos esqueçamos que no ritmo que anda o Brasil ainda conviverá com a COVID-19 até que haja a aplicação em massa de uma vacina que ainda está por vir. Até lá continuaremos contando os mortos e ouvindo a negação cada vez mais insustentável de que a COVID-19 não passa de uma “gripezinha”.

Enquanto Paulo Guedes sonha em vender tudo, empresas privatizadas sinalizam para colapso iminente no transporte público do Rio de Janeiro

Depois de passar anos cobrando tarifas escorchantes e prestando serviços de qualidade duvidoso, SuperVia e Metro Rio ameaçam parar em agosto se não receberem apoio financeiro estatal

A cada dia que passa cresce a percepção de que o ministro da Fazenda Paulo Guedes ainda não entendeu que o sonho dourado que ele acalanta de privatizar estatais estratégicas, não obstante os anúncios bombásticos de que o governo Bolsonaro irá promover uma liquidação na bacia das almas no segundo semestre de 2020.

Mas os sinais de alerta não estão vindo apenas para as privatizações que se pretende fazer, mas as que já foram feitas em governos passados. Exemplo disso está ocorrendo nos serviços privatizados de transporte no estado do Rio de Janeiro, onde, por um lado, a Supervia está indicando que deverá interromper serviço de trens no Rio de Janeiro a partir de agosto e, por outro, o Metro Rio, que promete fazer a mesma coisa.

O problema poderá ser maior ainda se se confirmarem as  informações da Fetranspor de que as empresas de ônibus poderão seguir o mesmo caminho sob a alegação de que estão acumulando prejuízos milionários em função da diminuição do número de passageiros causada pelas medidas de isolamento impostas para controlar a pandemia da COVID-19.

Em comum, além da suposta crise financeira, o que as empresas de transporte que foram privatizadas estão demandando é o aporte de centenas de milhões de reais por parte dos governos estadual e federal, sob a alegação (a correta por sinal) de que o transporte público é um serviço essencial. A única coisa que estas empresas  estão esquecendo de informar é de quanto foi os lucros fabulosos que obtiveram antes da erupção da COVID-19.

Por essa situação em pleno andamento, e no caso do Rio de Janeiro inexistirem recursos em caixa para socorrer as empresas privatizadas, não será de se estranhar se nas próximas semanas o ministro da Fazenda, Paulo Guedes, tiver que fazer malabarismos extremos para dizer que vai mesmo vender estatais lucrativas para, pasmemos todos, socorrer empresas privatizadas a preço de banana no passado, e que agora ameaçam ir a pique.

No fundo o que está mesmo afundando é a lógica neoliberal de entregar setores estratégicos para empresas privatizadas sob a alegação de que isto irá melhorar a qualidade dos serviços prestados. É que ao primeiro sinal de que suas margens de lucro irão diminuir, essas empresas correm para demandar ainda mais dinheiro público. Assim, diria meu falecido pai, é mole.

A encruzilhada de Bolsonaro

Sustentação de popularidade em segmentos mais pobres da população benefício emergencial de R$ 600 cria situação quase implausível para o presidente que foi eleito com o apoio das elites

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Segundo artigo do colunista Josias de Souza, que não é propriamente um bolchevique, estando mais para uma das mais conservadoras vozes na mídia corporativa brasileira, a mais recente pesquisa do Datafolha indica que Jair Bolsonaro mostra que sua popularidade não despencou porque a passou a ser escorada  no segmento do eleitorado que passou a receber o chamado “coronavoucher”  de R$ 600,00.

Além disso, Josias de Souza aponta que, dos 33% que apoiam Bolsonaro,  apenas 22% são bolsonaristas empedernidos, enquanto que os  11% são compostos por eleitores pobres que não votaram nele, mas foram seduzidos pelo “coronavoucher“.

Assim, sem apoio dos mais pobres, Jair Bolsonaro já estaria em apuros maiores do que já se encontra, porque sua taxa de reprovação saltou de 38% no mês passado para 43% agora.

Essa dependência dos mais pobres coloca Jair Bolsonaro e as políticas ultraneoliberais em uma encruzilhada, na medida em que se não prolongar para além de três meses o pagamento do auxílio emergencial criado pelo Congresso Nacional, o seu índice de popularidade beirará um limite bastante crítico, do qual não poderá se levantar facilmente. E isto já se sabe, poderia ser a senha para um rápido processo de impeachment.

Por outro lado, se estender o “coronavoucher” ou ainda um auxílio pós-pandemia, o que estará em jogo será a permanência de Paulo Guedes e sua equipe de economistas ultraneoliberais. O nó do laço fica ainda mais apertado porque inevitavelmente há o risco dos níveis de desemprego atingirem níveis estratosféricos ainda em 2020.

Então esqueçam dos embates de fachada porque a encruzilhada do presidente Jair Bolsonaro é quase um beco sem saída, estando já muito próxima de uma sinuca de bico. Talvez por isso, as declarações mais ácidas do que costume nos últimos dias.

 

Campos dos Goytacazes sofre com as agruras de um ocaso precoce de seu prefeito neoliberal

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A gestão do prefeito de Campos dos Goytacazes, Rafael Diniz (Cidadania), chega a um ocaso precoce em meio a uma enorme crise política, econômica e institucional

As últimas cenas da conjuntura política de Campos dos Goytacazes dão conta de um ocaso precoce da administração neoliberal do jovem prefeito Rafael Diniz.  Os ingredientes desse ocaso são muitos, incluindo a debandada de boa parte de sua base de apoio na Câmara Municipal, o pagamento forçado judicialmente de 50% do 13o. salário dos servidores municipais, e a cereja no bolo que foi a demissão de um punhado de cargos comissionados indicados por vereadores que decidiram impor duras derrotas no cair do pano de 2019.

A reação de Rafael Diniz e de seus principais porta-vozes (a começar pelo agora deputado federal Marcão Gomes) tem sido da mais pura forma de ressentimento político, inclusive com ameaças de judicialização da decisão do legislativo municipal sobre o orçamento municipal que incluiu o teto de 10% nas chamadas “reordenações de despesas” com as quais os prefeitos transformam o orçamento municipal em uma mera peça de ornamentação.

Como ressentimento e medidas retaliatórias raramente resultam em reviravoltas positivas, o prefeito Rafael Diniz e sua trupe de menudos neoliberais devem estar coçando a cabeça para reverter uma conjuntura política que lhes é completamente adversa. Mas como passados praticamente três anos de governo está claro que a única receita que possuem é a aprofundar a forma especialmente perniciosa de neoliberalismo paroquial com a qual destruíram as políticas sociais herdadas de governos anteriores, não vejo muita esperança para quem se elegeu vendendo as formas mais esperançosas de gestão.

O problema para quem vive em Campos dos Goytacazes é que Rafael Diniz ainda tem um longo ano de governo pela frente. E ao longo desses próximos meses é possível que Diniz e seus menudos ensaiem o que no futebol americano é chamado de “Hail Mary” (no futebol americano a expressão é usada para caracterizar um passo muito longo feito em condições de desespero, com chances muito pequenas de sucesso).  Ao fazer isso, é possível que assistamos situações muito inusitadas que apenas servirão para garantir um final inglório a uma administração que conseguiu executar um dos maiores estelionatos eleitorais da história política do principal município do Norte Fluminense.

O mais trágico é que  além de negar todas as esperanças que gerou em uma campanha eleitoral glamourosa, Rafael Diniz está deixando um município em condição de terra arrasada e sem perspectivas imediatas de recuperação econômica.  Essa sim é uma herança maldita que o futuro chefe do executivo municipal terá que lidar.

Mas que esse governo desastroso sirva, pelo menos, para que se saiba que a adoção de políticas ultraneoliberais que removem os pobres do orçamento só servem para alimentar crises sociais e atraso econômico em nome de um equilíbrio fiscal que servem apenas para enriquecer os que já estão ricos em primeiro lugar. Simples assim.

China e Brasil estão em crise, mas oferecem respostas completamente opostas na área do desenvolvimento científico

Um dos mantras preferidos atualmente entre governantes e opositores no Brasil é o corte de investimentos (que eles acham que são gastos) em áreas estratégicas para “equilibrar as contas públicas”. Dois locais que já sentiram o ferrão neoliberal foram a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) que tiveram seus orçamentos fortemente drenados. Na Capes, como informa o jornalista Maurício Tuffani no seu blog “Direto da Ciência” (Aqui!), houve um corte de 9% no total de bolsas de pós-graduação oferecidos pela agência. J

Essa tendência de cortar em áreas estratégicas como a ciência sequer é explicada pelos que seguram a tesoura em Brasília, provavelmente porque não há qualquer explicação justifique a opção por atrasar ainda mais o desenvolvimento científico nacional..

Mas um paralelo curioso em relação ao percentual de 9,0% vem da China (como mostra a ilustração abaixo tirada do sítio da revista Science (Aqui!)). É que para responder à desaquecimento da economia chinesa, o governo chinês decidiu aumentar o orçamento do ministério da Ciência em exatos 9,1% para o ano de 2016.

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Além disso, o governo se comprometeu a diminuir as amarras burocráticas que têm dificultado o uso dos recursos governamentais pelos cientistas chineses.  E este é outra diferença marcante  em relação às políticas aplicadas no Brasil, onde os pesquisadores são obrigados a explicar cada centavo gasto e perder horas em relatórios científicos que sabidamente são apenas rotinas burocráticas que pouca gente lê e nenhuma utilidade têm para o avanço do conhecimento.

Mas a matéria da Science ainda traz as áreas em que a ciência chinesa deverá receber mais aportes nos próximos cinco anos, e sua leitura revela a amplitude estratégica com que o governo chinês trata o desenvolvimento científico e tecnológico do país.

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Uma coisa que me chamou a atenção quando visitei a China em 2010 foi a preocupação dos líderes de governo com a questão da poluição ambiental.  E não é que nessa mesma matéria da Science que o governo chinês está reorganizando o Ministério do Ambiente para tratar dos problemas relacionados à poluição (do ar, solos e água) ambiental.

Enquanto isso, aqui no Brasil ficamos assistindo o desmanche das nossas universidades em prol do financiamento de cervejarias e montadoras de automóveis.  E, sim, tolerando incidentes como o da Mineradora Samarco (Vale+ BHP Billiton) que após cinco meses ainda continua jogando seus rejeitos no Rio Doce.