Como Pezão ainda é o (des) governador do Rio de Janeiro?

pezao temer

Se um alienígena vindo de alguma galáxia distante aportasse no Rio de Janeiro neste momento não iria apenas se deslumbrar com suas belezas naturais, nem com seu povo que combina irreverência com disposição impar para continuar enfrentando as dificuldades do cotidiano. Essa alienígena provavelmente ficaria surpreso com a permanência do (des) governador Luiz Fernando Pezão à frente do executivo estadual.

É que , convenhamos, o seu (des) governo acabou mesmo antes de começar, e os últimos 16 meses têm sido uma completa tragédia. Não falo aqui apenas do calote salarial que está sendo aplicado, nem dos múltiplos de corrupção que chegaram muito perto do (des) governador e sua equipe.  A questão chave que emerge desse suplício coletivo em que o (des) governo Pezão se tornou é a sua flagrante incapacidade de gerar alternativas que não impliquem em mais sofrimento e degradação da qualidade de vida da maioria da população.

A última medida, que agora se encontra suspensa temporariamente pela justiça, foi a suspensão do passe escolar para mais de 27.000 estudantes  que sem este benefício não terão mais como ir para a escola e, provavelmente, se somarão a um crescente exército de pessoas que não possuem qualquer função social. E, por isso mesmo, se tornam cada vez mais dependentes dos bandos criminosos que parecem estar cada vez mais fortes.

Entretanto, apesar das evidências de que seu (des) governo se encontra numa condição de insolvência, Pezão continua firmemente sentado na cadeira de (des) governador. Essa situação é sui generis, já que Pezão não tem demonstrado sequer que entende as ramificações da falência política de seu (des) governo. Agora, se é assim por que é que Pezão ainda foi apeado do poder por meio dos mecanismos institucionais existentes?

A resposta para mim é simples: ele continua a ser útil ao projeto de desmanche do setor público, não apenas no âmbito fluminense, mas em todo o Brasil. E aí que parece surgir a real explicação da permanência de Pezão no Palácio Guanabara. É que sem ele, o presidente “de facto” Michel Temer e seu ministro e dublê de banqueiro Henrique Meirelles não teriam um estado que serviria como um experimento avançado para as medidas de arrocho que pretendem aplicar em todo o Brasil.

Entender essa relação entre Pezão e Temer é fundamental para que haja a devida reação contra seus planos de ataque ao serviço público e de constrangimento dos servidores públicos.  É que sem entender essa conexão vamos continuar no papel incompleto de vítimas de um (des) governante incompetente. A verdade é que a ameaça é muito maior, e o Rio de Janeiro é hoje apenas um laboratório para as políticas ultraneoliberais que já foram  aplicadas na Grécia e na Espanha.

Reagir a esse quadro então terá de passar por uma mudança de postura, principalmente dos sindicatos,  que precisam encarar o (des) governo Pezão como um inimigo estratégico que deve ser combatido sem nenhum tipo de concessão às chantagens que estão sendo impostas em troca de coisas básicas, como passes escolares e pagamentos de salários.

E não esqueçamos: Pezão é Temer, e Temer é Pezão!

Rio de Janeiro em transe. Até quando?

Como faço há quase 20 anos, estou me preparando para dar aula nesta 2ª. feira, enquanto eu e mais de 200 mil servidores estaduais não temos nem a deferência da informação sobre quando o (des) governo Pezão pretende começar a pagar os nossos salários de março.  Essa é uma situação vergonhosa e vexaminosa, já que ainda está formalmente restaurada a escravidão no Brasil.

Se engana quem pensa que professores universitários não possuem obrigações financeiras e nem necessidades pessoais que precisam ser honradas sob pena de terem seus nomes inseridos na lista de devedores. Mas pior  que não ter como pagar suas dívidas é vivenciar o completo descaso dos ocupantes do Palácio Guanabara, que se negam a sequer informar quando pretendem pagar os salários atrasados.

O pior é que apesar de todas as mazelas e acusações que emergem quase diariamente contra o (des) governador Pezão e sua equipe, o fato é que a mídia corporativa segue blindando este (des) governo.  As poucas notícias que emergem não são acompanhadas daqueles editoriais revoltadas que vimos contra os ex-presidentes Dilma Rousseff  e Lula. Na prática o que os donos da mídia parecem falar sem medo de ser felizes  é que Pezão é “coisa nossa”.  Só isso explica tanta proteção na forma de informações fragmentadas.

Já o (des) governador Pezão decidiu acampar em Brasília para obter do congresso nacional um pacote de medidas  de arrocho contra os servidores estaduais que virtualmente destruirá o serviço público estadual, com o objetivo claro de avançar o processo de privatização do aparelho estatal. E para quem acha isso bonito, lembro que os servidores terceirizados tendem a custar mais caro do que os concursados, e normalmente são vítimas potenciais de patrões inescrupulosos.

E a Alerj? Seguindo o ditado de que “de onde menos se espera é que não de nada de bom sai mesmo” , a maioria dos deputados estaduais continua ignorando as suas responsabilidades com a população fluminense.  Isso se explica pelo fato de que essa verdadeira hecatombe financeira e moral que se abateu sobre o Rio de Janeiro não causou nenhuma perda para a maioria dos parlamentares. E, pior, pelo menos no caso da FETRANSPOR, existem indícios de que houve benefício financeiro e, claro, ilegal.

Diante de todos esses elementos não deveria ser nada demais apontar que no Rio de Janeiro poderemos ter em breve um processo incontrolável de convulsão social. Os indícios estão todos aí para serem vistos, a começar pela explosão de assassinatos e casos de roubos de carga.

A questão que se coloca é sobre até quando as elites econômicas e políticas que controlam o Rio de Janeiro vão continuar impunes por todo o castigo que estão impondo à maioria pobre da população. 

Já no caso dos servidores, vamos ver até quando dura a posição letárgica de esperar pacientemente por medidas básicas como a divulgação de um calendário de pagamentos dos salários atrasados.  Mas que ninguém reclame se essa aparente ilimitada paciência acabar.

Uenf: contra o descaso do (des) governo Pezão, bazar da solidariedade como instrumento de luta

Os servidores da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) estão se preparando para realizar um bazar que visa obter recursos para apoiar os que estão sendo mais duramente atingidos pelo descaso programado do (des) governo Pezão. 

bazar

Essa iniciativa é organizada pela delegacia local do Sindicato dos Trabalhadores das Universidades Estaduais do Rio de Janeiro (Sintuperj) e conta com o apoio da ADUENF e da reitoria da Uenf. 

Esse bazar é um dos muitos instrumentos de luta que estão sendo utilizados para chamar tanto a comunidade universitária como a população para que participem da defesa da Uenf.  Maiores informações sobre o evento, pode ser obtidas (Aqui!)

O (des) governo Pezão agoniza, mas só terminará com os servidores nas ruas

pezão salarios

Com três meses de salários atrasados e sem sequer um calendário para quando os débitos com os servidores serão honrados, o (des) governador Luiz Fernando Pezão concedeu uma longa entrevista ao jornal campista “Folha da Manhã” (Aqui!).

De conjunto a leitura desta entrevista aponta que o (des) governador Pezão é completamente incapaz de fazer um balanço sincero das causas da crise econômica e social em que seu (des) governo afundou o rio de Janeiro.  É que além de uma defesa insípida do tal projeto de recuperação fiscal que se encontra tramintando no congresso nacional, as respostas oferecidas por Pezão são um testamento da sua incompetência para o cargo que ocupa. Apertando aqui e ali, a verdade é que não sobra nada de substancial, sendo as respostas um testemunho de uma grosseira incompetência e, pior, aparentemente refletem uma completa incapacidade de sequer entender o tamanho do buraco ele se meteu.

Por outro lado, toda essa incapacidade está sendo compensada, ao menos nas manifestações públicas que têm ocorrido desde o ano passado, é o aumento da virulência com a qual a Polícia Militar atua para dissipar a reação organizada da sociedade. Isto ficou especialmente claro no dia 28/04 onde até um palanque cheio de deputados de oposição foi bombardeado, enquanto um deles pedia que a PM suspendesse o ataque com bombas que fazia contra uma multidão que apenas queria se manifestar pacificamente.

Ao contrário de ser uma demonstração de força, esse tipo de ação das forças de repressão explicitam a fraqueza do (des) governo Pezão. É sempre assim, quanto mais fraco um governo se torna, mais repressiva ele tende a se tornar. E no Rio de Janeiro está máxima vem se materializando de forma bastante pedagógica.

A questão aqui é que, ao contrário do que pretende o (des) governo Pezão, a única forma de barrar seus planos de regressão social e cortes de direitos trabalhistas é exatamente ocupar as ruas, de modo a colocar um ponto final num mandato que já foi cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) por grosseiras violações no financiamento de campanha.   O fato é que não há governo, por mais morimbundo que seja, que caia por si só. Há que haver a necessária pressão das ruas para que até as forças repressivas desistam de sustentar um (des) governante cujo maior apelo para se manter no poder é evitar o  mesmo caminho trilhado por seu antecessor e mentor político, qual seja, o da penitenciária.

Por isso tudo, não resta nada mais aos servidores do que ocupar as ruas e exigir os seus salários e o repúdio de quaisquer medidas que o inepto (des) governador Pezão queira aplicar para jogar-lhes sobre suas costas o custo de seus próprios erros.

A Uenf e a crise: resignação com caos instalado não será jamais solução

Artigo inicialmente publicado pelo jornal Folha da Manhã (Aqui!)

Julgamento-da-história-Hegel-768x361 (1)

Tendo chegado à Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) há quase duas décadas não posso deixar de notar que vivemos uma crise que não tem nada a ver com tantas outras que já se abateram sobre essa jovem instituição no passado.  O lamentável que às vésperas de completar 24 anos de uma existência marcada por mais sucessos do que fracassos, a Uenf já demonstrou sua centralidade para qualquer projeto sério voltado para alavancar o processo de desenvolvimento regional do Norte e Noroeste Fluminense, como, aliás, era o desejo de seu idealizador Darcy Ribeiro.

Mas entender a crise da Uenf vai além de notar a falta do aporte dos recursos minimamente necessários para que a universidade possa se manter aberta seja para pagar salários e bolsas, ou para honrar compromissos básicos com concessionárias de serviços públicos e empresas prestadoras de serviços terceirizados. Penso que na raiz dos problemas que vivemos há um ataque direto ao próprio papel da Uenf enquanto um lócus de geração de formação de recursos humanos, e que foi firmemente ancorada num modelo institucional revolucionário que une umbilicalmente as atividades de ensino, pesquisa e extensão.  Um aspecto pouco conhecido, mas que torna a Uenf especialmente singular. é o fato de ela ser uma das poucas universidades do mundo em que foi rompido o modelo departamental que segrega áreas de conhecimento. Na Uenf, a célula básica de funcionamento é o laboratório de pesquisa cujo caráter é essencialmente multidisciplinar.

Tal singularidade é que permitiu a Uenf se tornar um centro de disseminação de conhecimento científico, e que logrou contribuir em descobertas científicas de ponta, como foi o caso da pesquisa sobre até os recentemente desconhecidos corais de recife na foz do Rio Amazonas. Graças a esta pesquisa liderada por um grupo de pesquisadores da Uenf, a ciência brasileira teve um daqueles momentos luminares de reconhecimento dentro da comunidade científica mundial.

Agora, uma armadilha que podemos cair quando se fala da crise da Uenf é isolar o problema dos contextos estadual e nacional. A verdade é que vivemos neste momento no Brasil um período de completa reação contra o conhecimento científico, especialmente o autóctone.  Basta ver o recente corte de mais de 50% do orçamento federal para a área científica e tecnológica.  De quebra, vimos ainda o rebaixamento dos principais órgãos de fomento da ciência brasileira como o CNPq e a Capes que foram colocados literalmente no porão de um ministério Frankenstein, o qual foi criado após a chegada de Michel Temer à condição de presidente “de facto” do Brasil. Nesse contexto de esvaziamento da área científica e tecnológica no plano federal é que se inscreve a crise do aporte de verbas não apenas para a Uenf, mas também as suas co-irmãs Uerj e Uezo, bem como para as escolas da Fatec. De uma forma bem perversa, o Rio de Janeiro tem se mostrado ser a vanguarda do atraso, já que aqui esse esvaziamento começou antes.

E é preciso sempre lembrar que, enquanto inexistem verbas para as universidades e escolas técnicas estaduais, bilhões de reais estão sendo tragados por pagamentos de uma dívida pública da qual não se tem a menor idéia do tamanho, nem de como a mesma está estruturada. Isto sem falar nos bilhões que foram perdidos nos múltiplos casos de corrupção que já foram revelados ou ainda estão em vias de serem revelados.

O moral dessa história é que só poderemos estabelecer vias de superação da crise que a Uenf vive neste momento se entendermos a totalidade do contexto em que o problema está inserido. Mas entender essa complexidade seria apenas o primeiro passo na busca de soluções.  O que realmente precisamos é que a sociedade civil organizada e os governos municipais das cidades que são beneficiadas pela existência da Uenf se engajem de forma explicita num movimento de pressão política que force o governo do Rio de Janeiro a voltar a cumprir o orçamento aprovado pela Assembleia Legislativa.

Considero que na permanência do atual quadro as perspectivas para a Uenf são de um processo prolongado de agonia que eventualmente desembocará num processo de privatização. Caso esse prognóstico venha a se confirmar, temo que quaisquer possibilidades da nossa região ser retirada do seu permanente estado de atraso social e econômico vão ficar ainda mais remotas, punindo de forma mais direta as gerações futuras.  E é preciso que se saiba não será suficiente culpar o governador Luiz Fernando Pezão por sua condução inepta de uma crise que ele próprio ajudou a construir.  Na verdade, de certa forma, seremos todos cúmplices da destruição de um patrimônio que pertence a toda população fluminense.

Finalmente, lembrando mais uma vez de Darcy Ribeiro, recordo que ele dizia que só há duas opções nesta vida: se resignar ou se indignar.  E que, por isso, ele nunca se resignaria. Pois bem, não há como resignar em relação à crise imposta sobre a Uenf. Em vez disso, que partamos todos, independente de nossas preferências e gostos, para a sua defesa incondicional. Do contrário, a história tratará merecidamente de nos condenar.

Profecia cumprida: secretário aparece na Uenf e diz que não pode se comprometer com nada

20170410_103334.jpg

O secretário estadual de Ciência, Tecnologia, Inovação e Desenvolvimento Social (SECTIDS), Pedro Fernandes, chegou no campus Leonel Brizola em torno das 10:30 portando um vistoso colete, e foi logo recepcionado com uma ruidosa, mas respeitosa, manifestação por parte da comunidade universitária da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf).

Este slideshow necessita de JavaScript.

Visivelmente pressionado, mas calmo, o secretário Pedro Fernandes repetiu a ladainha de que nada pode fazer para resolver o atraso do pagamento de salários e bolsas, e se declarou envergonhado por visitar uma instituição que ainda está funcionando, mas onde a comunidade tem que cumprir suas funções sem quaisquer das condições essenciais garantidas.

Erro
Este vídeo não existe

De prático, Pedro Fernandes apontou que quaisquer soluções práticas para se saldar os atrasos de salários, bolsas e no pagamento das empresas terceirizados só poderá ser resolvido pelo secretário estadual de Fazenda, Gustavo Barbosa, ou pelo (des) governador Luiz Fernando Pezão.

Bom, se era para vir na Uenf e dizer isso, o secretário Pedro Fernandes poderia ter se poupado da viagem. Mas pelo menos ele poderá voltar para o Rio de Janeiro com uma amostra pequena do estado de insatisfação que grassa hoje na comunidade universitária da Uenf,  e que certamente aumentará após esta visita que promete ter, quando muito, resultados pífios.

 

A Uenf resiste! Já o governador….

uenf

Por Luciane Soares*

Ao ler o texto de Elio Gaspari publicado esta semana sobre a ruína do governador Luiz Fernando Pezão, remexi algumas lembranças sobre os anos recentes como professora desta Universidade. Cheguei a Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, em junho 2010, sem conhecer Campos dos Goytacazes. Tinha apenas o registro principal de que a cidade guardava um passado opulento, economicamente calcado no trabalho escravo em usinas espalhadas por seu território (o maior em extensão de terra do Rio de Janeiro). Minha chegada coincidia com a intensificação das obras no Porto do Açu e toda a região experimentava uma excitação quanto a possibilidade de empregar-se ou participar da roda viva, estampada pela grande mídia e do culto à personalidade em torno do “grande empresário do Brasil”, hoje preso em Bangu 9, Eike Batista. Minha primeira saída de campo ocorreu em uma tarde de sexta, na praça São Salvador. A prefeita Rosinha Garotinho havia liberado a passagem de ônibus durante as horas em que o ato em defesa dos royalties. Mesmo assim, encontramos apenas funcionários comissionados em uma praça vazia. A população não atendera ao chamado e não atenderia mais tarde, às ameaças de que o fim do governo representaria o fim dos programas sociais e demais benefícios vinculados à prefeitura. Sua gestão foi rechaçada em primeiro turno no ano de 2016.

Neste cenário, as representações sobre a Uenf eram bastante ambivalentes. Para boa parte dos entrevistados campistas acima de 40 anos, ela representava uma espécie de “elefante branco”. Passei meus dois primeiros anos de Uenf pesquisando as representações sobre qualificação nas cidades da região. Estas pessoas guardavam vivas as memórias da chegada de Darcy Ribeiro ao local onde hoje está construído o campus Leonel Brizola, tinham a memória dos professores estrangeiros que chegaram para construir a Universidade do Terceiro Milênio. Para a geração entre 13 e 30 anos, a Uenf representava uma das principais possibilidades de mobilidade social ascendente e qualificação na região norte fluminense.Representava uma alteração estrutural de seu status na região. Muitos conheciam ou tinham parentes que haviam passado pela Universidade. Outros estavam inseridos em programas de extensão na modalidade Universidade Aberta, que amplia a interação com a comunidade por meio de bolsas para realização dos inúmeros projetos ligados a Pró Reitoria de Extensão.

Desde então tenho formado dezenas de pesquisadores na graduação e pós graduação e participado ativamente dos atos de resistência desta jovem Universidade, classificada entre as melhores do país. Ao realizar o tripé ensino, pesquisa e extensão a Uenf contribui decisivamente para o desenvolvimento da região- mas não apenas por promover a qualificação para o mercado de trabalho. Realizamos em 11 de março uma feira de Ciências com o envolvimento de todos os cursos. Ao unir cursos como administração pública, ciências sociais, pedagogia, biologia, física,agronomia, medicina veterinária entre outros, demonstramos a importância de construir um conhecimento que guarde também um potencial crítico. No meio da maior crise de nossa história abrimos o campus à comunidade e mostramos como são feitas nossas pesquisas, além dos inúmeros e interessantes projetos de extensão. O resultado? Encantamento. Brindamos escolas e sociedade local com um dia inteiro de experimentos, música, oficinas. Sem um centavo do governo Pezão.

Pois bem, é este potencial que os últimos governos têm atacado decisivamente ao deixar as Universidades Estaduais sem verbas de custeio e no último mês, sem salários. No quadro atual, técnicos administrativos precisam de ajuda financeira para fechar o mês, professores usam seus próprios vencimentos para tocar pesquisas que dependem de continuidade e recursos. Passamos a negociar semanalmente as condições de funcionamento da Universidade. Para manutenção de água, luz e serviços básicos. Este governo, que não possui mais a menor legitimidade para manter-se no poder, ataca particularmente instituições como a Uenf, Uerj, Faetec, Cecierj. Não há crise, e é preciso que toda população fluminense saiba disto. O desmonte da Uenf é um projeto. Considero que somos um exemplo concreto de ocupação. Estamos ocupando uma Universidade para que ela permaneça viva. Até que este governo caia.

Ao acompanhar os jornais nos deparamos com a farra feita por Sérgio Cabral e sua corte. Jóias, casas nababescas, tudo realizado enquanto íamos incansáveis tardes à Alerj em busca de condições dignas para realizar o que fazemos com excelência: manter vivo o papel desempenhado pelas Universidades Públicas em um país desigual como o Brasil. E seguiremos lutando até a ruína definitiva deste governo, inimigo da educação pública, gratuita e de qualidade.

* Luciane Soares da Silva, gaúcha de Porto Alegre, alvinegra de coração, colorada por tradição. Negra, bisneta de alemães, neta de sambista estivador. Professora associada da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro e presidente da ADUENF. Tem estudado racismo, favela e cultura urbana. Temas de seu interesse e sobre os quais desenvolve pesquisas.

FONTE: http://revistavirus.com.br/a-uenf-resiste-ja-o-governador/

Não, a situação não está “normal” na Uenf

uenf normalidade

Em mais uma inserção de vídeo comento a situação caótica em que se encontra a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) que se encontra sem verbas de custeio desde Outubro de 2015, e com salários de seus professores e servidores atrasados desde Fevereiro de 2016.

Em suma, apesar de alguns tentarem propalar o mito de que as coisas estão “normais” na Uenf, essa normalidade não resiste a uma análise minimamente criteriosa de sua realidade.  Enquanto isso o (des) governo Pezão quer conceder mais R$ 650 milhões de isenções fiscais para a AMBEV.

Assim, não há de normal na situação em que a Uenf se encontra!

 

 

Notícias da ADUENF divulga ações da nova diretoria para publicizar situação crítica na Uenf

Diretoria da ADUENF prepara campanha para disseminar informações sobre situação crítica da Uenf

megafone 1

Entre as diferentes estratégias de comunicação já acertadas, a diretoria da ADUENF já acertou a criação de um programa radiofônico que será veiculado diariamente com depoimentos de membros da comunidade universitária sobre os impactos que o descompromisso do governo do Rio de Janeiro vem causando sobre as atividades acadêmicas e sobre o cotidiano de estudantes e servidores.

Além disso, já está sendo preparada uma campanha publicitária que contará com a colocação de outdoors em alguns pontos de grande circulação na cidade de Campos dos Goytacazes para denunciar a situação crítica em que o governo do Rio de Janeiro colocou a Uenf.

No plano das ações dentro do campus Leonel Brizola, a diretoria da ADUENF está articulando com os demais sindicatos  (SINTUPERJ/UENF, DCE e APG) a realização de uma assembleia comunitária para discutir formas de atuação conjunta para lutar contra o processo de privatização que está por detrás da precarização em curso na Uenf. Esta assembleia deverá ocorrer na próxima terça-feira (11/04) na área externa do Restaurante Universitário da Uenf a partir das 09:00 horas.

Por fim, a diretoria da ADUENF está se preparando para recepcionar o secretário estadual de Ciência, Tecnologia, Inovação e Desenvolvimento Social, Pedro Fernandes, que deverá cumprir agenda na Uenf na próxima segunda-feira (10/04).

A diretoria da ADUENF entende que a partir deste conjunto de atividades é que será possível organizar uma ampla unidade dos sindicatos em defesa do caráter público e gratuito da Uenf, bem como da normalização do pagamento de salários e bolsas estudantis.

Campos dos Goytacazes, 06 de Abril de 2017.

DIRETORIA DA ADUENF

Gestão Resistência & Lutas

FONTE: http://aduenf.blogspot.com.br/2017/04/diretoria-da-aduenf-prepara-campanha.html