O lema do (des) governo Pezão: não se mexe em time que está perdendo

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O (des) governo Pezão está sacramentando uma nova máxima futebolística: não se mexe em time que está perdendo.  O porta-voz dessa nova máxima foi nada menos do que o pai da operação Delaware (aquela estranha operação de securitização que faliu o RioPevidência), o oblíquo (des) secretário estadual de Fazenda, Gustavo. É que Barbosa anunciou que o (des) governo Pezão pagará os salários de Setembro a determinados segmentos do funcionalismo estadual com cerca de 38 mil servidores desprovidos dos seus vencimentos de Agosto!

pezão perdendo

O (des) governo Pezão continua com essa tática de dividir para aprofundar o garrote nos servidores públicos porque sabe que continuará contando com a boa vontade do judiciário fluminense, da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, e também dos sindicatos que representam as categorias que estão com seus vencimentos relativamente em dia.

Essa aliança nada santa é que permite a punição seletiva de um segmento minoritário dos servidores. Mas mais importante, essa aliança é que esta permitindo que a privatização da Cedae seja conduzida da maneira escandalosa com que está sendo feita.  E esse é o maior escândalo de todos os muitos escândalos em que os sucessivos (des) governos do PMDB já foram pegos a partir da chegada do ex (des) governador e hoje presidiário Sérgio Cabral ao Palácio Guanabara.

Um detalhe a mais na persistência dessa opção racional de não mexer em time que está perdendo é a desmoralização completa de todos os níveis de governo. Essa desmoralização ainda poderá trazer consequências ainda mais nefastas para o Rio de Janeiro, a começar pela perda total de controle sobre a volátil situação de segurança.  É que muitos policiais sabem que por detrás da seletividade que os beneficia na questão salarial, existe uma opção por deixá-los expostos a uma condição cada vez mais perigosa no seu cotidiano.

Em suma, em não mexer em time que está perdendo, o (des) governo Pezão está aumentando a chance da anomia social ser completamente instalada no Rio de Janeiro. E quando a história vier julgá-lo por isso, haverá muitas páginas para serem dedicadas aos seus cúmplices e apoiadores silenciosos.

Caio Vianna e seu correto senso de oportunidade histórica ao se comprometer com a defesa da UENF

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Na semana passada o Comando de Greve dos professores da Uenf foi visitado pelo ex-candidato a prefeito da cidade de Campos dos Goytacazes, Caio Vianna (PDT). Ele havia feito contato para que pudesse comparecer na semana da ADUENF para demonstrar seu apoio à luta dos professores em defesa da universidade criada por Darcy Ribeiro e fundada por Leonel Brizola.

Conheci Caio Vianna quando ele ainda era um adolescente que seguia seu pai , o ex-prefeito Arnaldo Vianna, por todos ladoscom aquela admiração que os filhos tendem a dispensar seus pais.  Quis o tempo que ele estabelecesse um percurso próprio para se firmar com identidade própria num universo de políticos que raramente demonstram o correto senso de oportunidade. 

É que ter comparecido ao campus da Uenf de forma até discreta, o compromisso que ele deixou gravado e mostro abaixo indica que Caio Vianna possui a clareza sobre a importância que a universidade criada por demanda popular possui para o futuro de Campos dos Goytacazes.  Assim, ainda que tenhamos opções distintas de ação política, há que se reconhecer que Caio Vianna é um personagem que chegou para ficar na cena política.

Abaixo o vídeo gravado por Caio Vianna onde se compromete a atuar para que a bancada estadual do PDT pressione o (des) governador Pezão aja para garantir que a Uenf não seja destruída.

A crise da UENF e o silêncio obsequioso dos seus principais colegiados

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Muito tem sido questionado sobre a validade da greve que professores e servidores técnico-administrativos estão realizando na Universidade Estadual do Norte Fluminense para cobrar seus direitos trabalhistas e o fim da asfixia financeira que o (des) governo Pezão vem impondo à instituição.

Entretanto, pouco ou nada se fala sobre a inoperância política dos principais órgãos colegiados que regem a vida da Uenf, especialmente o Conselho Universitário (Consuni) que vem a ser o seu órgão máximo de deliberação.

Para mostrar o contraste entre crises anteriores e o comportamento do Consuni frente ao que está acontecendo agora, posto abaixo uma declaração pública que foi publicada em Outubro de 1999 quando houve uma sinalização de que o então governador Anthony Garotinho iria acabar com a Secretaria Estadual da Ciência e da Tecnologia (SECTEC).

consuni

Após a mobilização das universidades estaduais, o plano de fechamento não foi levado à frente e o processo de financiamento da ciência e tecnologia continuou fluminense passando por dentro da SECTEC.

Esse contraste entre comportamentos passados e presentes precisa ser imediatamente diminuído, mesmo porque a crise atual que foi causada pelo (des) governo Pezão e ameaça a sobrevivência das universidades estaduais e até da FAPERJ é muito mais grave do que qualquer outra que vivemos no passado.

A questão que se coloca é até quando os chamados “colegiados superiores” da Uenf vão continuar em seu silêncio obsequioso e paralisia política frente aos ataques do (des) governo Pezão. A ver!

Luiz Fernando Pezão e seu papo “de deixar legado diferente” só convence quem quer ser convencido

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O jornal Folha da Manhã publicou neste domingo (24/09) uma entrevista com o ainda (des) governador Luiz Fernando Pezão com o sugestivo título “Pezão: Vou deixar um legado diferente”. 

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A entrevista é como um todo um amontoado de “nonsense” onde destaco o inverossímil empréstimo (na verdade postergação de pagamento de dívidas) de R$ 63 bilhões e chegando à construção de um suposto legado “diferente” daquilo da qual participou diretamente nos anos em que Sérgio Cabral segurava o timão no Palácio Guanabara.

Na parte mais substantiva do que o (des) governador Pezão tentou esboçar como seu “legado diferente” aparecem dois pecados capitais.  O primeiro é a insistência de indicar que as principais dificuldades que seu (des) governo Pezão tem uma relação causal com o encurtamento com as rendas dos royalties do petróleo, coisa que já é sabido não ser verdadeiro.  Mas mais do que apontar o dedo para a causa errada, o (des) governador Pezão sinaliza uma insistência irreal na possibilidade de se reverter a diminuição das rendas dos royalties. Esse tipo de insistência somada à ilusão de que há qualquer perspectiva de renascimento econômico a partir da pílula amarga batizada sob o enganoso nome de chamado “Regime de Recuperação Fiscal”. É que já tentei demonstrar neste blog que de recuperação este regime não tem nada. Aliás, o mais provável é que piore o que já está péssimo.

O segundo pecado capital é não apenas se esquivar das próprias responsabilidades sobre o que ocorreu nos tempos de Sérgio Cabral, mas como sinalizar uma pouquíssimo crível posição de que as eventuais contaminações do período anterior sobre seu próprio (des) governo estão sendo sanadas.  Aqui a coisa é simples: a equipe de Pezão é majoritariamente formada por indivíduos que estavam umbilicalmente ligados a Sérgio Cabral, e da equipe anterior só não está sendo aproveitado quem está preso.

A pitada de “vivo no mundo da lua” nas respostas do (des) governador Pezão aparece naquela onde ele afirma que “quem errou está pagando”, mas se esquecendo de mencionar não apenas diretamente o seu padrinho político Sérgio Cabral, mas como seu grande amigo e ex-secretário de várias pastas, Hudson Braga, ambos presos por causa de acusações de grossas corrupções enquanto estiveram no executivo fluminense.

Mas, convenhamos esperar o que mais de um (des) governador cuja inapetência para cumprir os altos desígnios do cargo para o qual foi eleito só faz à disposição demonstrada em se hospedar em resorts de luxo enquanto a maioria da população sofre os graves efeitos de seu desastroso (des) governo.

E que ninguém caia na conversa mole de que o Rio de Janeiro está saindo da crise. A dura verdade é que a crise causada por Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão ainda está no seu limiar. Piores tempos ainda virão por aí para a maioria pobre da população fluminense.

Para quem desejar ler a entrevista completa do (des) governador Pezão, basta clicar no link que segue ao fim desta postagem [1].


[1] http://www.folha1.com.br/_conteudo/2017/09/politica/1225120-pezao–vou-deixar-um-legado-diferente.html

 

(Des) governo Pezão continua abusando da paciência dos servidores

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Que respeitar os direitos constituídos dos servidores estaduais não é uma das prioridades do (des) governo Pezão é fato corrente e mais do que conhecido. Agora, a decisão da Secretaria de Fazenda de alocar apenas R$ 91 milhões para pagar uma parcela dos servidores que estão sem os salários de Agosto é uma prova irrefutável de que não há sequer nenhuma disposição de ocultar isso.

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É que as desculpas esfarrapadas para não se concluir o pagamento de Agosto a todos os servidores que ainda estão sem seus vencimentos simplesmente não levam em conta alguns fatos básicos em relação à assinatura do famigerado “Regime de Recuperação Fiscal”.  É que, por exemplo, inexistem novos arrestos de recursos estaduais pelo governo “de facto” de Michel Temer e pagamento das dívidas está temporariamente suspenso!

Então pode-se perguntar por que raios os salários não estão sendo pagos a todos sem discriminação de categorias ou ramo de governo. A explicação é daqueles que saltam aos olhos para quem quiser entender: os recursos que estão sobrando estão sendo alocados para jogar dinheiro nos cofres dos fundos de especulação que controlam a dívida pública do estado e também as empresas “muy amigas” do (des) governo Pezão, a começar pelas Organizações Sociais (OSs) que se refastelam do dinheiro público, enquanto oferecem péssimos serviços e submetem seus funcionários a condições cada vez mais precarizadas de trabalho.

É preciso ainda lembrar que para continuar com o discurso da crise (seletiva) deixar servidores sem salários se encaixa muito bem com o projeto de privatização da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (CEDAE) que será entregue a algum fundo especulativo internacional a preço que não é de banana, pois bananas andam caras neste momento.  Essa venda da CEDAE é certamente um dos maiores crimes que esse (des) governo cometerá contra a população fluminense, não apenas pela distância entre o preço real da empresa e do que se proporá para sua venda, mas também porque prejudicará milhões de usuários pobres que nos próximos sofrerão graves dificuldades para ter acesso a água potável.

Finalmente, é preciso enfatizar mais uma vez que se do (des) governo Pezão não há que esperar nenhuma ação em prol dos servidores e da população, o mesmo não pode ser dito dos sindicatos que dizem representar os servidores estaduais. A inação predominante na maioria das associações e sindicatos expressa uma vergonhosa capitulação ao projeto de destruição do aparelho de estado e de precarização dos serviços públicos e dos servidores que os fazem funcionar.  Sair dessa condição é mais do que uma obrigação, mas sim uma necessidade. 

Do contrário, o desrespeito de hoje será apenas uma memória de tempos que não era ainda o fundo do poço.  É preciso lembrar que não há que não esteja tão ruim que não possa piorar. 

E agora? O Regime de Recuperação Fiscal não foi a tábua de salvação prometida

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A assinatura do chamado “Regime de Recuperação Fiscal” (RRF) foi apontado pelo (des) governador Pezão como uma espécie de ponto de inflexão na grave crise financeira e social em que o Rio de Janeiro está enfiado, muito por conta das políticas ineptas que têm sido aplicadas ao longo da última década pelo PMDB.

Baixada a poeira da falsa euforia da assinatura do RRF, voltamos à realidade tal como ela é e às práticas divisionistas com que o (des) governo Pezão tem mantido os servidores públicos estaduais virtualmente paralisados enquanto seus salários e direitos são jogados na conta única onde se refastelam os fundos especulativos e as empresas terceirizadas e organizações sociais que objetivamente controlam hoje o tesouro fluminense.

Como já apontei aqui, o RRF não foi idealizado para aliviar a situação da população e dos servidores públicos. O RRF foi basicamente uma assinatura de capitulação do (des) governo Pezão aos ditames ultraneoliberais impostos pelo “governo de facto” de Michel Temer para dar um alívio momentâneo no sufoco em que o Rio de Janeiro está.  A questão é que Michel Temer e Henrique Meirelles têm pouco controle sobre a forma de gerenciamento da crise, visto que a necessidade de concessões intermináveis que precisam ser realizadas para que o governo que eles comandam não termine simplesmente com todo saindo algemado dos palácio de governo  em direção ao presídio da Papuda.

Todo esse cenário é complicado pela objetiva acomodação que os maiores sindicatos ligados ao funcionalismo têm mostrado em relação ao (des) governo Pezão.  Aparentemente em troca do pagamento dos salários a determinados setores do funcionalismo estadual e de concessões pecuniárias pontuais, o (des) governo Pezão e sua base na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro vêm executando a agenda de privatização do estado sem maiores solavancos.

Entretanto, toda essa aparente tranquilidade é instável.  O fato da crise econômica estar gerando um descontentamento inédito em amplas camadas da população poderá eclodir em uma revolta aberta. E refletindo essa realidade já tivemos até um oficial de alta patente do Exército, o general Antônio Hamilton Mourão, ameaçando dar um golpe militar para evitar o que ele chamou de “caos” [1].

A questão que se coloca hoje não apenas para os servidores públicos estaduais, estejam eles com os salários parcialmente em dia ou não, mas para todos que não concordam com a aniquilação do estado ou com o retorno dos militares ao poder se refere a uma questão simples: vamos assistir a isso tudo passivamente ou não?

Os custos de assistir passivamente já estão postos e o tempo para reagir é agora.


[1] https://www.brasil247.com/pt/colunistas/marcelozero/318303/Golpe-de-Civil-a-Militar.htm