Ciência brasileira em crise: o buraco é definitivamente mais embaixo

crise

Alertado pelo jornalista Maurício Tuffani em sua página no Facebook, me deparei com dois artigos que discutem a raiz da crise que assola atualmente a comunidade brasileira (Aqui! e Aqui!). Apesar de achar as duas análises interessantes, creio que perdem o essencial da questão.

Mas vamos por partes. Como passei algum tempo vivenciando o sistema universitário estadunidense, creio que relacionar os problemas de gestão que temos nas universidades brasileira à crise quantitativa e qualitativa que temos no nosso sistema universitário à uma suposta falta de profissionalização dos dirigentes é equivocado. É que as universidades estadunidenses passam por problemas sérios nas suas relações internas por uma distância objetiva que existe entre gestores e geridos. Além disso, a superposição de uma lógica mercadológica sobre as questões acadêmicas tem servido para reprimir o pleno desenvolvimento de novas gerações de pesquisadores, além de criar um sistema ainda mais injusto nas relações de trabalho. 

Assim, se olharmos de perto e sem olhos colonizados, veremos que o sistema estadunidense enfrenta uma crise que nasce justamente da negação da autonomia para a produção de conhecimento científico que não esteja sendo produzido apenas para encher ainda mais a empada das corporações. Desta forma, apesar de ainda lideraram os diferentes rankings de universidades no mundo, a pressão pró-mercado tem sido apontado como um poderoso elemento de asfixia na capacidade de gerar conhecimento científico, e até mesmo de gerar bons quadros para a iniciativa privada. 

Ainda nesse tópico, há que se lembrar que muitos dos problemas vividos pelas universidades brasileiras ainda decorrem da herança maldita que foi deixada pela ditadura militar de 1964, que privou nosso jovem sistema universitário de lideranças capazes de apoiar o desenvolvimento de um modelo universitário que estivesse atento aos problemas reais da nossa sociedade.  E isso foi feito não apenas pelas aposentadorias forçadas e exílio de muitos intelectuais, mas também pela ascensão de uma classe de dirigentes totalmente servis ao regime de exceção. Desta forma, essas lideranças institucionais acabaram atrelando as nossas universidades às vontades políticas dos ocupantes de plantão dos diferentes palácios de governo, um fato que se mantém até hoje. Em suma, em minha opinião, o problema que enfrentamos nas universidades brasileiras não é de capacidade de gerir sob o ponto de vista administrativo, mas político.

O segundo aspecto abordado nas reflexões que o jornalista Maurício Tuffani divulgou é que a falta de conhecimento da população sobre a importância da ciência e das instituições que a produzem acabaria fragilizando a posição que as mesmas ocupam na sociedade e, por extensão, nas disputas que eventualmente ocorrem por orçamentos encolhidos. Creio que a primeira questão aqui é relacionada ao que eu disse no item anterior. É que se não produzimos uma ciência antenada com as necessidades mais estratégicas do país, e nos contentamos em produzir ciência de segunda mão, dificilmente teremos o devido reconhecimento de nossa importância para o desenvolvimento nacional. E olha que eu acho que as universidades, a Universidade Estadual do Norte Fluminense é um bom exemplo disso, ainda recebem muito crédito da população, muito mais pelo que poderiam ser, e não que efetivamente são.

Em suma, o nosso problema não é falta de divulgação, mas ausência de um entendimento de que ciência, especialmente aquela produzida num país de economia periférica como o Brasil, não pode ser algo que sirva apenas para o engrandecimento de currículos pessoais.  O buraco é muito mais embaixo, pois não apenas persistem problemas básicos e profundamente graves, mas porque abrir caminho para um efetivo processo de desenvolvimento deveria ser encarado como uma tarefa coletiva de todos os que militam profissionalmente em nosso ainda jovem sistema universitário. Mas não é o que se vê, aliás, muito pelo contrário, já que estamos vivendo um período de grande obscurantismo, onde um mínimo de aceno para reflexões críticas sobre a universidade são rotuladas com adjetivos perversos, seja pela esquerda ou pela direita.

Outro aspecto que deveria servir como elemento de discussão se refere à verdadeira bagunça que foi criada pela implantação de uma visão de quantidade sem qualidade, e que resultou numa euforia inebriante por muitos dirigentes de nossas agências de fomento e das próprias universidades. Em função disso, por quase uma década, vivemos uma espécie de “milagre brasileiro” onde se difundiu a idéia de que havíamos nos tornado uma potência científica mundial.

Agora que a cortina de fumaça está baixando e a dura realidade do “trash science” como “modus operandi” de turbinamento de CVs Lattes aparece nos horizonte, podemos ver que no quesito da produção científica estamos deparados com um verdadeiro tigre de papel, pois, em nome de uma súbita aceleração no número de mestres e doutores, acabamos criando um sistema sórdido de confecção em massa de dissertações e teses baseadas em pesquisas pouco rigorosas que, além de não resistir a uma análise minimamente rigorosa, ainda estão servindo para a erupção de um número incrível de fraudes acadêmicas.

Por último, é preciso ressaltar que a política de financiamento adotada pela maioria dos governos civis que sucederam ao regime de 1964 tem sido na direção das instituições privadas de ensino, onde efetivamente não há qualquer produção científica que merece essa nome. No caso do governo de Dilma Rousseff temos assistido, até de forma inaceitável, a aplicação de bilhões de reais em políticas que servem apenas para robustecer a produção de vagas de graduação, enquanto turbinam as contas bancárias dos donos das empresas de ensino.  Essa decisão do governo federal evidencia não apenas a opção preferencial pelas corporações privadas de ensino, mas também, e principalmente, o abandono das instituições públicas, onde se concentra a produção científica.

Essa opção preferencial pelo ensino privado é revelador de algo ainda mais crucial, o do abandono de um projeto nacional para a ciência. E frente a esse fato é que deveríamos estar nos posicionando, o que não está ocorrendo, pois a maioria das análises se concentra em elementos, me desculpem, periféricos e secundários. 

Retornando ao reino desencantado das commodities

porto

No dia 03 de junho de 2012 publiquei o artigo abaixo na Revista Somos Assim. Ao reencontrá-lo em uma dessas buscas que se faz na rede mundial de computadores, eu não consegui resistir à tentação de republicá-lo aqui no blog. É que ao reler o que eu mesmo escrevi há mais de 3 anos, não posso deixar de dizer o famoso “eu avisei!“. 

E como o Sr. Júlio Bueno continua ocupando papel de relevo no (des) governo Pezão, também fico com aquela tremenda vontade de perguntar a ele onde anda o prometido desenvolvimento que viria após se retirar centenas de famílias de suas terras em troco de nada!

Aliás, esta semana comi um delicioso maxixe que ganhei de presente de um agricultor do V Distrito, o qual até hoje está sem receber a justa compensação financeira por uma de suas pequenas propriedades que foi 

expropriada pela Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (Codin). E saibam todos que o maxixe estava delicioso.

Problemas à vista no reino desencantado das commodities 

Marcos A. Pedlowski, artigo publicado no número 247 da Revista SOMOS ASSIM em 03.06.2012

O fato de que a economia brasileira se tornou perigosamente dependente da exportação de commodities minerais e agrícolas já deveria ter feito soar o alarme de perigo para as autoridades federais há quase uma década. Mas não foi o que se viu e, aliás, o caminho assumido por Lula e Dilma Rousseff foi justamente o oposto, pois todas as apostas feitas foram no sentido de fortalecer o papel ocupado pelas commodities na balança comercial. Assim, bilhões de reais retirados do FGTS e do Fundo de Apoio ao Trabalhador (FAT) foram usados para apoiar um pequeno número de empresas. Exemplos desta aposta nas commodities são a JBS-Friboi, atualmente a maior empresa da área de carnes, a Vale que atua na área de minérios, e o Grupo EBX cujo motor é a área de petróleo e gás. Mas, além de turbinar os negócios destas mega empresas, o governo federal também investiu vultosas somas de recursos na área de infraestrutura e logística através do chamado Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). 

A aposta no peso econômico das commodities estava ancorada em dois aspectos básicos: a elevação sem precedentes nos preços de recursos minerais e produtos agrícolas, e o crescimento vertiginoso da economia da China, que passou a se comportar como um aspirador de pó gigante que absorvia grande parte da produção mundial de produtos primários. Além disso, a transformação das commodities em elemento com os quais as grandes corporações financeiras faziam o seu jogo especulativo contribuiu para dar uma aura de inevitabilidade de que o Brasil se dobrasse ao seu apelo comercial. 

Mas, agora que a economia chinesa está dando claros sinais de que vai entrar num ciclo menos virtuoso e os países europeus permanecem enredados numa colossal crise econômica, a aposta nas commodities está se mostrando um erro descomunal. E os sinais disto estão por todo lado. Primeiro foram as indústrias de celulose que congelaram seus planos de expandir os plantios de eucalipto e pinus na região Sul; só a papeleira sueca Stora Enso diminuiu em 80% as suas metas de plantio, além de ter fechado o escritório que mantinha em Porto Alegre, num claro sinal de que está querendo dar um “adjö” ao Brasil. Outra evidência apareceu numa entrevista dada à Revista Exame por Ruben Ometto, que até recentemente jogava fundo na área de produção de açúcar e álcool, mas que repentinamente decidiu mudar o seu foco para a área de logística, e se manter o mais distante possível de tudo que tenha a ver com a cana de açúcar. Mas um sinal mais próximo de que o chamado “superciclo” das commodities pode ter chegado a um final pouco glorioso foi a desistência das multinacionais Ternium (francesa) e Wisco (chinesa) de instalarem siderúrgicas no chamado Complexo Portuário-Industrial do Açu. Apesar de Eike Batista ter tentado, como sempre aliás, colocar uma face risonha na derrocada de suas sonhadas siderúrgicas, o fato é que a produção do aço também está comprometida com o que está acontecendo na China e na Europa. 

Os mais puros de alma poderiam dar de ombros para a débâcle das commodities e se refugiar no mito disseminado pelos ideólogos do governo Dilma de que a economia brasileira está forte o suficiente para resistir à pulverização dos valores estratosféricos que as commodities desfrutaram por mais de duas décadas. Aliás, há que se ressaltar: os valores inflacionados das commodities serviram ainda para disseminar e legitimar o mito de que o Brasil tinha superado nosso histórico atraso econômico para se inserir no fechado clube das economias desenvolvidas. 

Neste processo todo o Brasil perdeu a oportunidade de efetivamente reorganizar para melhor o modus operandi da economia brasileira. Assim, ao invés de apostar em políticas estruturantes como a reforma agrária e o desenvolvimento de alternativas de ponta na área energética, o que se deu foi uma aposta justamente no sentido contrário. Assim, o que temos hoje é um aumento acelerado na concentração da terra para o cultivo das monoculturas agroexportadoras. Por isso, apenas a COSAN de Rubens Ometto detém 100.000 hectares de terras nos estados de São Paulo, Mato Grosso, Bahia e Maranhão que estão usando exclusivamente apenas para o plantio de cana de açúcar voltado para a produção de açúcar e álcool. Mas não seria preciso ir tão longe para ver como a opção pelas commodities está afetando a produção de alimentos, pois aqui mesmo no V Distrito de São João da Barra, centenas de famílias tiveram suas terras altamente produtivas tomadas para a implantação do Complexo do Açu! O problema é que agora toda a aposta feita no mirabolante Eike Batista está parecendo apenas outro erro trágico dos adoradores de commodities. Aliás, neste caso, caberia perguntar ao secretário estadual de Desenvolvimento, Júlio Bueno, que disse um dia que preferia aço ao maxixe, o que ele fará com as terras desapropriadas agora que o sonho da siderurgia virou pesadelo. 

O mais trágico disto tudo é que se o pior cenário se confirmar, o Brasil terá de se defrontar com uma grave crise econômica e social. Mas talvez aí as mudanças venham finalmente a ocorrer.

Segunda feira do massacre: 414 bilhões de reais evaporaram só em Londres

bolsas

O dia é trágico para quem aposta na ciranda das bolsas de valores em todo o mundo, mas a Europa parece estar experimentando boa parte do massacre. É que o jornal inglês “The Guardian” acaba de informar que só a Bolsa de Londres viu evaporar a fabulosa quantia de 414 bilhões de reais como resultado direto da contaminação causada pelo desaquecimento da economia chinesa. 

Este é o pior dia das bolsas de valores em escala mundial desde a crise das hipotecas que balançou a economia dos EUA em 2008.

O problema aqui é que a causa inicial deste derretimento global é algo muito bem atrelado à economia real, qual seja, a diminuição do apetite chinês por commodities minerais e agrícolas. E esse impacto na economia real, especialmente de países como o Brasil, é que ainda deveria emergir nos próximos. É como diz aquela lei de Murphy… não há nada que esteja tão ruim que não possa piorar. A ver!

Exame: Bovespa reduz queda a 3,4%, mas segue em níveis de 2009

thinkstock
Bolsas

Bolsas: todas as ações da carteira teórica seguiam no vermelho

Paula Arend Laier, da REUTERS

São Paulo – O principal índice da Bovespa seguia nos níveis de meados de 2009 nesta segunda-feira, mas recuperava-se das mínimas da sessão, quando chegou a cair mais de 6 por cento, contaminado pelo pânico que tomou conta dos mercados globais por preocupações com a economia chinesa.

Às 12:38, horário de Brasília, o Ibovespa caía 3,32 por cento, a 44.201 pontos, tocando a mínima durante os negócios desde abril de 2009. No pior momento até esse horário, a queda foi de 6,5 por cento, a 42.749 pontos.

Todas as ações da carteira teórica seguiam no vermelho. O volume financeiro na bolsa somava 3,3 bilhões de reais.

Na China, o índice SSE, da bolsa de Xangai, perdeu 8,46 por cento, conforme medidas do governo da segunda maior economia do mundo para conter o declínio no mercado acionário e a desaceleração econômica não surtiam efeito.

Na Europa, o índice FTSEurofirst 300, que reúne as principais ações do continente, fechou em queda de 5,39 por cento, segundo dados preliminares. Em Wall Street, o S&P 500 caía quase 3 por cento e o Nasdaq cedia 5,4 por cento, distanciando-se das mínimas.

“Todos os dados de atividade da economia chinesa apontam para uma desaceleração maior do que vem indicando o PIB (Produto Interno Bruto) oficial. E essa é a grande questão de fundo por trás dessa deterioração do mercado acionário”, disse o analista Marco Aurelio Barbosa, da CM Capital Markets.

A decisão chinesa de permitir que fundos de pensão administrados por governos locais invistam no mercado acionário pela primeira vez não trouxe alívio ao mercado. Conforme nota do Credit Suisse, havia expectativa de corte da taxa de depósito compulsório dos bancos chineses para estimular a economia, o que não aconteceu.[nL1N10Z0C4] Entre as commodities, o minério de ferro caiu 4 por cento na China e o petróleo perdia cerca de 4 por cento.

Em nota a clientes, Barbosa, da CM Capital Markets, escreveu que as medidas do governo chinês visam estancar o pânico entre investidores pessoas físicas e evitar o contágio da economia real pela perda de lastro para o consumo devido à redução da poupança.

“O que vem ocorrendo é que as medidas de ‘socorro’ à bolsa (chinesa) vêm afastando os poupadores e atraindo mais especulação. Há uma sensação de que o governo chinês está perdendo o controle da situação”, afirmou. O Credit Suisse destacou que o movimento recente do banco central da China de desvalorizar o iuan levou a um choque negativo no apetite de risco e, em caso de piora, poderia afetar negativamente também o crescimento global.

Na cena local, era visto como novo elemento de incerteza a decisão do vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Gilmar Mendes, de pedir investigação das contas de campanha da presidente Dilma Rousseff, assim como o risco de saída do vice-presidente Michel Temer da articulação politica.

“Passado o ‘modo pânico’, a bolsa tende a reagir um pouco conforme os investidores começam a fazer contas”, disse o chefe da mesa de renda variável da corretora de um banco estrangeiro em São Paulo.

Destaques

VALE tinha queda entre 6 e 7 por cento para as ordinárias e as preferenciais de classe A, em meio aos temores sobre a China, uma vez que uma desaceleração mais forte naquele país tende a trazer impactos relevantes sobre o preço das commodities.

Os preços do minério de ferro na China recuaram nesta segunda-feira, com os contratos futuros atingindo limite diário de queda.

USIMINAS e CSN caíam 8,14 e 8,20 por cento, respectivamente, entre as maiores quedas do Ibovespa, também afetadas pelas apreensões ligadas à economia chinesa, com relatórios do Itaú BBA e do Credit Suisse negativos sobre o setor.

No caso do Itaú BBA, o analista abre sua análise afirmando que boas notícias para as siderúrgicas e mineradoras brasileiras são improváveis por ora. GERDAU, mesmo citada ainda como a preferida dos analistas, recuava quase 10 por cento.

PETROBRAS perdia perto de 6 por cento, tanto as preferenciais como as ordinárias, em meio ao declínio acentuado dos preços do petróleo no exterior.

ITAÚ UNIBANCO diminuía o declínio para 2,77 por cento e BRADESCO recuava 3,01 por cento.

TIM PARTICIPAÇÕES caía 4,86 por cento, também afetada pela notícia de que a TELEFÔNICA BRASIL não está mais disposta a fatiar a companhia controlada pela Telecom Italia e mira a Sky, do grupo AT&T, segundo reportagem publicada pelo jornal Valor Econômico nesta segunda-feira.

O Credit Suisse avaliou também que a notícia seja negativa para OI, que caía 8,33 por cento, pois uma potencial compra da empresa nao é mencionada, conforme nota a clientes. Para ver as maiores baixas do Ibovespa, clique em Para ver as maiores altas do Ibovespa, clique em (Edição de Cesar Bianconi)

FONTE: http://exame.abril.com.br/mercados/noticias/bovespa-reduz-queda-a-3-4-mas-segue-em-niveis-de-2009

Exame: Wall Street abre em queda livre após queda de ações chinesas

©AFP/Archives / Timothy A. Clary
Placa indicando Wall Street

Wall Street: às 10h57 (horário de Brasília), o indicador Dow Jones caía 3,9 por cento, a 15.819 pontos

Da REUTERS

Wall Street entrou no território de correção nesta segunda-feira, com a Dow ficando abaixo dos 16.000 pontos pela primeira vez desde fevereiro de 2014, na sequência da queda de mais de 8 por cento das ações chinesas e a venda generalizada no petróleo e outras commodities.

Às 10h57 (horário de Brasília), o indicador Dow Jones caía 3,9 por cento, a 15.819 pontos, depois de chegar a cair 6,6 por cento. Já o S&P 500 tombava 4,2 por cento, a 1.889 pontos, após recuar 5,3 por cento. O índice de tecnologia Nasdaq .IXIC operava em baixa de 4,5 por cento, a 4.494 pontos, depois de chegar a desabar 8,8 por cento.

Mais informações em instantes

FONTE: http://exame.abril.com.br/mercados/noticias/wall-street-abre-em-queda-livre-apos-queda-de-acoes-chinesas

Refletindo crise, preço do petróleo cai ao menor valor desde 2009

 

petroleo

Um indicativo de que o comportamento regressivo da economia chinesa já está tendo impactos importantes, a Bloomberg News já colocou no ar uma matéria mostrando que o Índice Brent, principal indicador dos preços do petróleo bruto no mundo, caiu para menos de 45 dólares, o menor valor desde 2009 (algo em torno de US$ 43.72 como mostrado no infográfico acima).

Como os efeitos do desaquecimento da economia chinesa precisam ser associados ao aumento da oferta de petróleo, incluindo a entrada do óleo iraniano no mercado mundial, as expectativas é de que a queda nos preços vá continuar. Dai se depreende que a extração do petróleo do pré-sal poderá se tornar inviável economicamente.  Por outro lado, diante de preços cada vez menores, é de se esperar que em algum momento o preço da gasolina comece a cair no mercado brasileiro. Ou não!

Manchete que está faltando: contagiadas pela China, bolsas mundiais afundam e ameaçam aprofundar recessão mundial

china

Tenho hábito de todas as manhãs ler os principais veículos de mídia em inglesa, e na manhã desta segunda-feira (23/08) estou lendo manchetes sobre o mergulho profundo que ocorreu nas bolsas de valores da Ásia e que já contaminou o mercado de ações na Europa. Os principais motivos para essa segunda-feira devastadora são o desaquecimento da economia da China e o seu efeito sobre a tímida recuperação que se esboçava na economia dos EUA. O jornal inglês inglês “The Guardian” já colocou online uma matéria com a estimativa que só nas bolsas chinesas as perdas alcançaram 40 bilhões de libras esterlinas (uma bagatela equivalente a 220 bilhões de reais ao câmbio de hoje) (Aqui!).

Ainda que eu saiba que a imprensa corporativa brasileira possui horários diferenciados, procurei ver o que apareceu e para minha surpresa, quase nada. Aliás, há que se mencionar o site brasileira da Agência Reuters que já colocou no ar uma pequena matéria com um título muito revelador “Ações chinesas têm queda brutal e devolvem ganhos do ano (Aqui!).

Em relação ao Brasil, a expectativa é de que a Bolsa de Valores de São Paulo vá sofrer também um forte impacto, mas esse é o menor dos problemas. É que muitos analistas avaliam que haverá uma queda ainda maior no preço do petróleo e um desaquecimento ainda maior no preço das principais commodities minerais, ameaçando, entre outras coisas, colocar o custo da extração do pré-sal acima do valor pago pelo petróleo. Ambos fatores atingem diretamente o modelo neodesenvolvimentista (ou seria neoextrativista?) abraçado pelo Brasil desde a ascensão do neoPT ao poder. 

A questão que se coloca é sobre quando começaremos a ter uma cobertura pela mídia brasileira que esteja à altura dessa pequena hecatombe que assola as bolsas mundiais e que ameaça recolocar a economia mundial em um modus operandi de recessão profunda?

A crise das universidades estaduais e o papel vergonhso das reitorias-estafetas no seu aprofundamento

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A crise instalada na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) possui características variadas, indo desde os aspectos financeiros até o profundo autoritarismo com que seu reitor (ou seria feitor?) Ricardo Vieiralves vem dirigindo a instituição. Contudo, os conflitos ocorridos na última 5a. feira estão sendo jogados nas costas de “estudantes radicalizados” que querem apenas atentar contra o bom funcionamento de uma instituição que, convenhamos, faz tempo anda muito mal das pernas.

Os atores que tentam objetivamente esconder a natureza da crise são muitos, a começar pelo causador dos problemas, o (des) governador Luiz Fernando Pezão. O (des) governador teve o desplante de declarar ao notório “O Globo” que todos os recursos financeiros estão sendo repassados à Uerj. Esqueceu Pezão de dizer que não apenas a Uerj, como também a Uenf e a Uezo, vive hoje com orçamentos insuficientes e contingenciados (em outras palavras cortados ao limite). Essa é a principal causa dos problemas que estão sendo vividos nas universidades estaduais do Rio de Janeiro.

Agora, os malfeitos desse (des) governo só são possíveis com a presença de figuras do quilate de Ricardo Vieiralves e Silvério Freitas, no caso da Uenf, no cargo de reitor. É que eleitos sabe-se lá por quais combinações de interesses, esses reitores se transformaram desde o primeiro dia de seu mandato em meros estafetas do (des) governo do Rio de Janeiro dentro de suas universidades. E para melhor cumprir isso não hesitam em transformar os órgãos colegiados em simulacros de uma falsa governança democrática que só se presta a naturalizar o estado de caos que é gerado pela asfixia financeira. No caso da Uerj, a situação é mais dramática porque Vieiralves não tem hesitado em suspender reuniões de colegiados, e nem tem se sentido constrangido quando ordena suspensões precoces de calendário escolar ou adota o fechamento do campus Maracanã como estratégia de cerceamento da livre manifestação política dos que se opõe às suas formas autoritárias de gestão.

Sair dessa situação não é tarefa fácil, pois parte substancial dos corpos docentes e técnicos estão bem ajustados a essa forma canhestra de tocar a vida universitária, e especialmente porque veem seus interesses privados melhor atendidos por esse tipo de governança antidemocrática. Quebrar essa lógica que é uma expressão pura da “Lei de Gerson” levará tempo, e necessitará uma dose extra de paciência e foco. Sem isso, as forças que apoiam a privatização na prática das universidades estaduais não se sentirão nenhum um pouco constrangidas e não hesitarão em usar todos os meios para se manter no poder.

E uma palavra sobre o que eu tenho visto no movimento estudantil dentro desse processo de reação às políticas de sucateamento impostas pelo (des) governo Pezão. Apesar de erros pontuais e de excessos pontuais, os estudantes têm representado a única forma organizada de resistência a esse processo de desmanche. Assim, ao ler todos os ataques que estão sendo feitos contra o movimento estudantil da Uerj, fico com a impressão de que os inimigos da universidade pública e gratuita também já entenderam a centralidade que os estudantes ocupam na sua defesa neste momento.

UFRJ: é grave a crise

Reitoria recomenda a paralisação de atividades em toda a UFRJ

A decisão foi tomada agora há pouco, durante reunião entre a Administração Central, decanos e estudantes que ocupam a reitoria da universidade. Após pressão do movimento estudantil e diante de trabalhadores vivendo em situação análoga à escravidão, o reitor Carlos Levi declarou que todas as unidades serão recomendadas a paralisarem suas atividades na segunda-feira, dia 18, quando haverá reunião entre a reitoria da UFRJ e o Ministério Público do Trabalho.

Ao fim do dia, outra reunião será convocada, dessa vez com participação também de diretores de unidades, para avaliar a situação dos terceirizados. “Caso permaneça em aberto a situação e não seja confirmado o pagamento devido aos trabalhadores, permaneceremos com as atividades suspensas”, disse.

Foto de Adufrj SSind.
Foto de Adufrj SSind.

Jornal Terceira faz matéria sobre crise na UENF

Alunos da Uenf fazem paralisação nesta segunda por atraso de bolsas

Estudantes afirmam que todas as bolsas da universidade estão com atraso no repasse

Alunos participaram de uma reunião no início desta tarde (Foto: Priscilla Alves)

Bolsistas da Universidade Estadual Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf) fizeram uma paralisação nesta segunda-feira (11) por causa do atraso no repasse de verbas. Segundo eles, todas as bolsas estão com os repasses atrasados. Os alunos se reuniram na porta do restaurante universitário no início desta tarde para discutir os rumos da paralisação. Segundo eles, a partir de hoje as atividades na Uenf estão paralisadas e a partir das 6h desta terça-feira (12), eles vão ocupar a entrada da instituição de ensino para impedir a entrada e o funcionamento.

Além do ato nesta segunda, os 18 bolsistas do programa de residência veterinária do Hospital Veterinário da Uenf já haviam paralisado as atividades desde a última sexta-feira (8). Eles trabalham 60 horas por semana e atendem mais de mil animais por mês. Atualmente, o hospital funciona com professores e técnicos, mas o número de atendimentos foi reduzido.

“Os nove bolsistas mais antigos estão sem receber há três meses e quem entrou agora, há dois meses, ainda não recebeu também. Optamos pela paralisação e vamos ficar até sexta sem realizar nossas atividades ou até que saia a bolsa ou alguma notícia”, contou a veterinária Milene Botelho Bartolasi.

Segundo informações do Diretório Central dos Estudantes (DCE), a paralisação já havia sendo tema de discussão entre os alunos por causa dos atrasos, mas uma possível interrupção dos serviços de funcionários do restaurante universitário, nesta segunda, agravou a situação.

“Funcionários do bandejão ameaçaram parar porque também estão sem receber, mas desistiram depois de uma negociação com a reitoria. Estudantes estão passando necessidades por causa do atraso das bolsas e aqui na Uenf tivemos um corte de cerca de R$ 35 milhões sem nenhuma justificativa. Temos estudantes que a única refeição do dia que fazem é aqui no bandejão”, desabafou Gilberto Gomes, um dos diretores do DCE.

Estudantes de doutorado, que recebem bolsas de R$ 2.300 também estão sem receber e com atividades acadêmicas prejudicadas.

“São cerca de R$ 7 mil atrasados no somatório para cada aluno de doutorado. Precisamos prestar conta das nossas atividades e não podemos ficar sem verbas. É complicado porque não temos uma posição e a reitoria não diz nada. A situação está insustentável. A maioria dos alunos não é da cidade e tem muitos gastos para ficar aqui. Não estamos conseguindo honrar nossos compromissos”, comentou o doutorando Gabriel Taveira.

Sempre respeitando o princípio do contraditório e buscando as diferentes versões para um mesmo fato, o jornal Terceira Via tentou contato com a reitoria da Uenf e com a secretaria Estadual de Fazenda, sem obter respostas. Ainda assim, o jornal aguarda e publicará as versões para este fato.

Fonte: http://jornalterceiravia.com.br/noticias/campos_dos_goytacazes/69327/alunos-da-uenf-fazem-paralisacao-nesta-segunda-por-atraso-de-bolsas