Após suspensão dos serviços do bandejão, DCE/UENF antecipa assembleia estudantil

A resposta do Diretório Central dos Estudantes à suspensão do fornecimento de alimentação no bandejão da UENF foi rápida. A sua coordenação decidiu antecipar uma assembleia que ocorreria amanhã para esta segunda-feira no horário de 12:00 horas, como mostra a convocação abaixo.

dce bandejaoA gravidade da crise financeira na qual o (des) governo Pezão resolveu afundar as universidades estaduais já causava fortes transtornos no funcionamento cotidiano da UENF. Agora se empresa terceirizada resolver que só volta a fornecer alimentação após receber os atrasados, o mais provável é que a temperatura suba de vez no interior do campus universitário Leonel Brizola.

Em meio a essa crise, o que fica explícito é que o modelo de gestão adotado pela reitoria da UENF chegou ao seu esgotamento.  E mais prejudicados são os estudantes que estão com suas bolsas atrasadas desde fevereiro, e agora correm o risco de ficar sem a alimentação fornecida pelo bandejão. Simples assim!

 

Por que a desaceleração da China importa para o mundo

(Reuters)
Após décadas de forte crescimento, gigante asiático apresenta sinais de menor atividade econômica

Depois de um período de forte crescimento, a economia da China está agora desacelerando.

Até 2010, o PIB (Produto Interno Bruto, a soma de bens e serviços produzidos por um país) cresceu em média 10% ao ano durante três décadas.

Mas desde então a atividade econômica perdeu força. No ano passado, a economia chinesa cresceu 7,4%. Segundo a previsão mais recente do Fundo Monetário Internacional (FMI), o PIB do país deve registrar alta de 6,8% neste ano e 6,3% em 2016.

Mas por que isso é importante?

Por que a economia da China está desacelerando?

Crédito: Reuters
Política do filho único na China pode levar à escassez de trabalhadores?

O governo queria uma retração, e, de certa forma, a incentivou porque há forças de longo prazo que, inevitavelmente, produziram tal resultado.

O melhor dos mundos é que o gigante asiático obtenha uma desaceleração moderada ─ chamada de “aterrisagem suave” ─ do que uma abrupta.

Além disso, o rápido crescimento econômico do país era baseado em alguns fatores que não durariam para sempre.

Níveis de investimento muito altos têm papel fundamental nessa história.

No ano passado, eles respondiam por 48% do PIB, segundo estimativas do FMI.

Para efeitos de comparação, no mesmo período, no Brasil, essa proporção era de 19,7%, abaixo do que os especialistas recomendam para um crescimento sustentável da economia (em torno de 25%).

Há poucas economias no mundo onde essa taxa se mantém tão alta.

Na maioria dos países, como o Brasil, o número varia entre 15% e 30%.

O investimento é certamente essencial para ampliar a capacidade da economia no futuro.

Na prática, altas taxas de investimento são um fator importante por trás das histórias de sucesso de muitos países asiáticos.

Mas é quase impossível mantê-las a um nível tão alto por tanto tempo.

Há sempre um risco com os investimentos em larga escala: alguns projetos podem ser antieconômicos.

Forte investimento em construção, por exemplo, pode criar instabilidade nos preços dos imóveis, e, atualmente, há preocupações persistentes sobre se haverá uma crise imobiliária na China.

Sendo assim, o objetivo do governo é fazer com que o consumo das famílias chinesas desempenhe um papel mais preponderante na economia, o que conta com o apoio do FMI.

Um relatório da instituição concluiu em 2012 que o nível de investimento chinês estava muito alto.

Há também o limite de oferta de novos trabalhadores que saem do campo em direção às cidades.

O FMI alertou que a China poderia enfrentar uma escassez de trabalhadores, parcialmente por causa da política de filho único vigente no país.

O que aconteceu com as exportações da China?

Exportações de produtos baratos foram fundamentais para explicar crescimento formidável da China

Exportações de produtos muito baratos foram fundamentais para explicar o crescimento formidável da China.

Da virada do século até 2011, em apenas dois anos as vendas externas do país não cresceram mais do que 10% anualmente.

Desse período, em seis anos, as exportações chegaram a registrar alta superior a 20%.

As exceções foram 2008 e 2009, quando os principais destinos das vendas chinesas no Ocidente foram atingidos em cheio pela crise financeira.

Desde 2011, no entanto, as exportações chinesas vêm sendo mais modestas, caindo para 6,4% no ano passado.

O bom desempenho das vendas do país para o exterior, no entanto, é alvo de críticas, especialmente dos Estados Unidos.

Estudam afirmam que emprego e salários foram afetados na indústria americana exposta à competição com produtos feitos na China.

O saldo comercial ─ a diferença entre exportações e importações ─ também é visto por alguns especialistas como um sinal do desafio que o país representa para a indústria manufatureira em nações desenvolvidas.

Mas observando um único dado ─ o superávit em conta corrente ─ essa situação se moderou.

Essa é uma medida das transações da China com o resto do mundo, e não com um país específico.

Como proporção do PIB chinês, esse superávit atingiu 10% em 2007. No ano passado, contudo, foi de 2%.

Em termos financeiros, o saldo ainda é alto, em torno de US$ 200 bilhões (R$ 600 bilhões).

Qual será o impacto da desaceleração da China para todos nós?

Menor atividade econômica da China teve impacto no preço global das commodities

A China não só exporta, mas importa muito. Essa é uma das razões por que uma atividade econômica mais enfraquecida importa para o resto do mundo.

O gigante asiático é, atualmente, o segundo maior importador de produtos e serviços comerciais, atrás dos Estados Unidos.

É também o principal destino das exportações da Tailândia e ocupa o segundo lugar para países como Indonésia, África do Sul, Brasil e Japão – nos dois últimos, não está longe da primeira posição.

A China é, ainda, o terceiro maior mercado para a União Europeia (formada por 28 países) e o quarto principal destino das vendas do Reino Unido e dos Estados Unidos.

O país é um ávido consumidor de petróleo e de outras commodities, e a desaceleração do país está por trás da queda do preço internacional desses produtos nos últimos meses.

Assim, apesar de o crescimento mais moderado da China ser benéfico a longo prazo, o menor apetite do gigante asiático tem um impacto negativo para muitos países, especialmente os chamados “exportadores de commodities”, como o Brasil, por exemplo.

Há também a possibilidade de que a instabilidade financeira da China se espalhe pelo mundo.

Desde a crise financeira, a dívida do país tem crescido rapidamente.

Um relatório recente do FMI mostrou preocupação sobre o mercado imobiliário e como isso poderia afetar empresas que fizeram empréstimos vultosos a esse setor.

“Na China, exposições aos imóveis (excluindo hipotecas) estão a quase 20% do PIB, e uma instabilidade financeira entre empresas do setor pode causar efeitos nocivos diretos fora de suas fronteiras”, informou o estudo.

Qual é o tamanho da economia chinesa?

Crédito: Reuters
Em 2014, China ultrapassou EUA em paridade do poder de compra

Dependendo de como se analisam os números, a China é hoje a maior ou segunda maior economia do planeta.

A variação se deve ao fato de que, para comparar o tamanho de economias, é preciso converter os números em uma mesma moeda.

Normalmente, a divisa usada é o dólar americano, e há duas maneiras que os economistas fazem isso.

Uma é converter valores usando a taxa de câmbio; a outra consiste em um método chamado paridade do poder de compra (PPP, na sigla em inglês), que tende a ser mais preciso, pois corrige as distorções de preço.

No ano passado, a China ultrapassou os Estados Unidos em paridade do poder de compra.

Se a primeira medida for usada, contudo, o gigante asiático ainda permanece em segundo lugar. Por essa ótica, a economia chinesa vale cerca de US$ 10 trilhões (R$ 30 trilhões).

Para efeitos de comparação, os valores são de US$ 17,4 trilhões para os EUA, US$ 4,6 trilhões para o Japão, US$ 4 trilhões para a Alemanha e US$ 3 trilhões para o Reino Unido. Na lista, o Brasil aparece com US$ 2,3 trilhões.

Em termos per capita ─ o que dá uma indicação mais clara do que aconteceu com os padrões de vida ─ a China avançou 1.300% de 1980 a 2010.

É preciso salientar, no entanto, que nesses termos, a China ainda permanece muito distante dos países ricos.

O PIB do país pode ser muito alto, mas sua população é imensa.

Em PPP, o PIB da China por pessoa equivale a um quarto do dos Estados Unidos e a um terço do Reino Unido. Também é menor do que o do Brasil.

Essa lacuna, no entanto, está se estreitando.

A luta contra a corrupção impulsionada pelo presidente Xi Jinping teve um impacto na economia chinesa?

Crédito: AFP
Governo chinês vem fazendo ‘limpeza’ contra corrupção endêmica

Alguns dizem que sim.

Um relatório do Bank of America Merrill Lynch sugeriu que autoridades chinesas estariam mais relutantes em aprovar projetos pelo risco de serem acusadas de corrupção.

Rumores também indicam que essa mudança de postura do governo chinês também teve um impacto em hotéis e restaurantes.

Mas mesmo se tiver havido um impacto a curto prazo, há uma visão generalizada entre os economistas que a corrupção tem efeitos negativos a longo prazo.

O título de um estudo do Banco Mundial em 1999 traz consigo o próprio questionamento: “Corruption in Economic Development: Beneficial Grease, Minor Annoyance, or Major Obstacle?” (Corrupção no Desenvolvimento Econômico: Gordura Benéfica, Pequeno Contratempo ou Grande Obstáculo?”, em tradução livre)

A conclusão era de que a corrupção se tratava de um grande obstáculo.

A prática encoraja o excesso de gasto público, e distorce a maneira pelo qual ele deve ser usado. As verbas deixam de ser aplicadas em saúde e educação, por exemplo, para serem direcionadas a projetos públicos menos eficientes.

Também inibe o investimento privado ─ embora o investimento insuficiente não seja atualmente um problema na China.

O que devemos esperar para os próximos meses?

As autoridades chinesas divulgam dados econômicos a cada três meses.

No primeiro trimestre deste ano, a economia da China cresceu 7% em relação ao mesmo período do ano anterior e 1,3% sobre os três últimos meses de 2014.

Mas há muito ceticismo sobre a confiabilidade das estimativas oficiais.

Diana Choyleva, da consultoria Lombard Street Research, acredita que o PIB chinês tenha registrado queda de janeiro a março deste ano.

A desaceleração da economia chinesa será um dos principais assuntos dos grandes eventos internacionais de política econômica do ano: a cúpula do G20 na Turquia em novembro e o encontro anual do FMI em outubro, que será realizado no Peru.

Certamente, a menor atividade econômica da China será um fator-chave no cenário global por muitos anos e afetará todos nós.

A expectativa do resto do mundo, entretanto, é de que a China possa alcançar a tão sonhada “aterrisagem suave”.

FONTE: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2015/05/150508_china_desaceleracao_lgb

Docentes da UEZO mandam carta para (des) governador Pezão para mostrar situação crítica da instituição

uezo

Carta aberta dos docentes da UEZO ao Exmo Governador Sr. Luís Fernando Pezão

UEZO: Um Centro Universitário esquecido há 10 anos! 

Exmo Governador do Estado do Rio de Janeiro

Sr. Luiz Fernando Pezão,

O Centro Universitário Estadual da Zona Oeste – UEZO localizado no Bairro de Campo Grande, Zona Oeste do Rio de Janeiro, uma das regiões mais populosas desta cidade, com cerca de 2.600.000 habitantes foi criado com o intuito de atender à demanda desta região por um ensino público superior de qualidade.

A UEZO completou neste ano 10 anos de existência. Infelizmente os professores desta instituição não têm muito o que comemorar por diversos motivos:
• Somos a única instituição pública de ensino superior do país onde não se tem implementado o regime de dedicação exclusiva, apesar de 100% dos professores possuírem doutorado e nos dedicarmos às atividades de ensino, pesquisa e extensão com afinco, considerando a indissociabilidade entre estas atividades;
• Não possuímos um plano de cargos e salários;
• Não recebemos adicional de periculosidade, nem de insalubridade.
• Não possuímos Campus próprio. Segundo o deputado Waldeck Carneiro, presente na audiência pública realizada no dia 25 de março de 2015 para tratar do tema: “O Ensino Superior no Estado do Rio de Janeiro – UERJ, UENF, UEZO e FAETEC”, a UEZO é a única universidade no mundo sem Campus próprio.
• E ainda, no “Campus emprestado” (Instituto de Educação Sarah Kubitschek) convivemos com falta de água, falta de funcionários para as atividades de apoio, falta de professores contratados, falta de infraestrutura (a exemplo: salas de aula insuficientes para atender à demanda dos cursos da UEZO, falta de espaço físico para a instalação dos laboratórios de pesquisa para os professores.
• Nossas demandas já foram ouvidas diversas vezes pela Comissão de Educação da ALERJ. O regime de dedicação exclusiva está previsto na Lei 5.380, de 16 de janeiro de 2009, que assegurou autonomia administrativa à UEZO. O projeto de Lei 1.703, de 16 de agosto de 2012 da deputada Inês Pandeló, que autoriza o poder executivo a implementar o regime de trabalho em dedicação exclusiva para os docentes da UEZO ainda tramita na ALERJ, mesmo passado quase dois anos de sua criação. O Projeto de Lei, Processo E-26/15462 de 2011, que regulamenta a Dedicação Exclusiva na UEZO, tramita na SEPLAG/subsecretaria de remunerações e carreiras.

Por isso, nós professores da UEZO passamos a ter a sensação de que fomos esquecidos, embora exerçamos as mesmas funções de ensino, pesquisa, extensão e administração realizadas pelos nossos colegas professores da UERJ e da UENF, recebemos um salário de cerca de 70% menor que o daqueles professores, em função de não possuirmos implementado o regime de dedicação exclusiva. Vale salientar, neste momento, que o artigo 14, seção 4.4 da Lei nº 5.597 de 18 de dezembro de 2009, que definiu o Plano Estadual de Educação do Estado do Rio de Janeiro – PEE/RJ, não foi cumprido. De acordo com esse documento, deve ser assegurado um Plano de Cargos e Salários único para todos os professores da rede pública estadual, independente da Secretaria em que estejam atuando, garantindo carga horária semanal, isonomia salarial e enquadramento por formação e tempo de serviço.

Acreditamos que vossa excelência conhece todas as nossas demandas. Aguardamos, sinceramente, o estabelecimento de um diálogo afim de mitigarmos os problemas acima apresentados com objetivo de melhor atendermos à população de nosso estado, dever primeiro e fundamental e objeto de atenção de vosso governo.

Um viva à UEZO que comemora seus 10 anos de existência e sobrevive sem sede própria e com problemas sérios de infraestrutura.

Um viva muito especial aos professores, ao corpo técnico e ao pessoal de apoio terceirizado que lutam para que essa instituição se torne cada dia melhor, que não percamos a esperança de uma remuneração mais justa, igualitária, compatível com as funções que ora desempenhamos.

Um viva muito especial aos nossos alunos e à comunidade que depositam nessa instituição a esperança de um futuro melhor!

Respeitosamente

Mídia empresarial em crise financeira: Folha de São Paulo demite 50 profissionais e põe culpa na economia

Editor-executivo da Folha repete discurso de 2013 e culpa momento econômico por demissões

Assim como ocorrido em 2013, o editor-executivo da Folha de S. Paulo, Sérgio Dávila, voltou a relacionar o momento econômico brasileiro e a consequente queda de anúncios publicitários às recentes demissões de profissionais da redação do diário. Em carta direcionada aos jornalistas na tarde de segunda-feira, 13, o gestor afirmou que a redução no quadro de funcionários faz parte “ajustes em sua equipe”.

“A redução é efeito da crise econômica que afeta o país e atinge a publicidade”, escreveu o editor-executivo ao se dirigir aos colaboradores. Com outras palavras, a afirmação vai ao encontro do episódio de junho de 2013, quando outra série de demissões atingiu a redação. “O fraco desempenho da economia e seu reflexo na publicidade dos jornais obrigaram a Folha a fazer ajustes pontuais em suas despesas, com corte de vagas de trabalho”, afirmou Dávila dois anos atrás.

O posicionamento oficial de Dávila é divulgado na semana seguinte aos cortes promovidos pela direção. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo chegou a falar em 50 vagas fechadas e demonstrou preocupação com a possibilidade de “demissões em massa” no veículo de comunicação. O executivo, no entanto, não menciona o número de jornalistas que foram dispensados, mas garante que novas demissões não serão realizadas, apesar da marca preparar “reformas morfológicas” para o decorrer dos próximos dias.

O editor-executivo da Folha ressalta que determinados setores do jornal não sofreram baixas desta vez, caso da reportagem da secretaria, a área digital e o colunismo. Há afirmação, ainda, de que os profissionais que deixaram o diário paulistano na semana passada encerraram suas passagens “em comum acordo” com a empresa. Mesmo assim, Dávila reforça que as demissões são sempre vistas como último recurso da companhia e que as que foram seladas há dias ocorreram depois de semanas de negociações com a direção.

Em outro trecho da carta destinada aos integrantes do jornalismo da Folha de S. Paulo, Dávila fala da readequação de editorias e cadernos, com alguns setores sendo incorporados a outros. “Buscamos também reagrupar as editorias de equipes menores em núcleos maiores, caso de Ciência e Saúde, que passaram para Cotidiano; F5, que se incorporou à Ilustrada; e Comida, Folhinha e Turismo, agora juntos em Semanais”.

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Folha demitiu jornalistas na última semana

Confira a íntegra da carta enviada por Sérgio Dávila aos jornalistas da Folha:

Caros colegas,

A Folha realizou nos últimos dias ajustes em sua equipe. A redução é efeito da crise econômica que afeta o país e atinge a publicidade.

As negociações entre o comando da Redação e a empresa duraram semanas e tentaram preservar ao máximo os jornalistas. Em alguns casos, os cortes, sempre o último recurso, foram feitos em comum acordo com o profissional.

Algumas áreas estratégicas do jornal não foram afetadas, como a reportagem da Secretaria, que até ganhou um novo integrante, a área digital, que sofreu uma reordenação interna, e o colunismo.

Nós buscamos também reagrupar as editorias de equipes menores em núcleos maiores, caso de Ciência e Saúde, que passaram para Cotidiano; F5, que se incorporou à Ilustrada; e Comida, Folhinha e Turismo, agora juntos em Semanais.

Reformas morfológicas estão em discussão e devem ser anunciadas nos próximos dias. Elas não envolverão novos ajustes de equipe, no entanto. A meta é tornar o jornal mais eficiente para atender as demandas do leitor bem como otimizar o funcionamento da Redação.

A Folha continua líder em seu segmento, seja em circulação, audiência ou fatia publicitária, faz parte de uma empresa sem dívidas, que integra o segundo maior grupo de mídia do país, e preserva sua capacidade de investimentos editoriais.

Por mais dolorosos que sejam os  cortes – e eles sempre o são – , o objetivo é adequar o jornal para os tempos atuais, de extrema competitividade pela atenção do leitor e pela verba publicitária.

Contamos com vocês para esse desafio. Se tiverem dúvidas, sugestões ou críticas, não deixem de me procurar, ao vivo, por e-mail ou no ramal abaixo.

Obrigado,

Sérgio Dávila

Editor-executivo

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Sérgio Dávila é editor-executivo da Folha de S. Paulo desde 2010 (Imagem: Rogério Lorenzoni/Studio3x)

FONTE: http://portal.comunique-se.com.br/index.php/destaque-home/76994-editor-executivo-da-folha-repete-discurso-de-2013-e-culpa-momento-economico-por-demissoes

Trotsky e os coxinhas

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Já vai longe o tempo em que eu tinha tempo para fazer minhas leituras das principais obras de Leon Trotsky. Aliás, essa é uma coisa que eu deveria rapidamente mudar, pois a atualidade do pensamento de Trotsky em várias esferas é uma demonstração de seu brilhantismo intelectual.

Mas em face das manifestações de ontem, onde ficaram novamente explícitas formas de intolerância que remontam aos regimes impostos por Adolf Hitler e Benito Mussolini, não há outra saída para mim a não ser lembrar uma das mais famosas tiradas de Trotsky: a crise histórica da humanidade reduz-se à crise da direção revolucionária. Ainda que esta frase se explicasse no contexto da luta de Trotsky contra a burocracia stalinista, creio que o que vemos hoje, com a crise agônica do neoPT, e a incapacidade de partidos e agrupamentos de esquerda de apresentarem uma direção para a classe trabalhadora brasileira é que possibilita eventos como os de ontem.

Como do ninho do neoPT deverão sair apenas pequenas rupturas do pequeno número de militantes sinceros que ainda restaram ao partido, o problema está realmente nos diversos partidos que se proclamam de esquerda, visto que não consigo ver na maioria deles uma queda pela ação panfletária sem qualquer tipo de enraizamento social. É esse o nó que deverá ser desamarrado , caso queiramos apresentar uma resposta ao projeto de destruição da classe trabalhadora que hoje é movido pelas forças mais retrógradas da direita brasileira não nas manifestações coxinhas, mas dentro do congresso nacional.

E aqui é preciso lembrar outra frase célebre de Trotsky que dizia que “Expor aos oprimidos a verdade sobre a situação é abrir-lhes o caminho da revolução.”  Resta saber quem na esquerda brasileira vai conseguir sair do estado de acomodação à crise pós-fim da URSS e começar a dizer a verdade. E a verdade começa por algo simples: a luta de classes em tempos de reação completa só pode ser superada com a organização da classe trabalhadora, dos camponeses e da juventude sob um claro projeto de oposição à burguesia e de todos os grupelhos que se organizam para manter a sua ordem opressora. Entretanto, uma pré-condição para que isto ocorra será ter a capacidade da autocrítica. Ai é que mora o problema!

Ato em defesa da UFF de Campos: comunidade universitária realiza ato público na Praça São Salvador

A UFF Campos está sofrendo com a crise financeira da universidade, as obras do campus novo estão paralisadas; o Serviço de Psicologia Aplicada, que atende a população de Campos, está com suas atividades suspensas por falta de estrutura; os trabalhadores terceirizados tiveram seus salários atrasados e não estão recebendo os auxílios; e até mesmo o atual campus pode perder sua estrutura e ter seu funcionamento suspenso.

Os professores, técnico-administrativos e estudantes se reuniram na praça São Salvador nesta quarta-feira (08/04) partir das 14h e seguiram para a sede do campus novo, na avenida XV de Novembro na altura da ponte de ferro.

O ato faz parte das Jornadas de Lutas dos Servidores Públicos Federais, que tem apoio da ADUFF – Associação dos Docentes da UFF, SINTUFF – Sindicato dos Trabalhadores da UFF e o DCE – Diretório Central dos Estudantes da UFF.

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Entrevista no Jornal O Diário sobre a crise na UENF e os problemas no Porto do Açu

Uenf com a ‘alma’ comprometida

Por Keylla Thederich

Isaías Fernandes
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Em voga sempre que o assunto tem a ver com a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), o professor Marcos Pedlowski analisa a atual situação da instituição que está assolada em uma crise, fala sobre o presente e o futuro da universidade, sobre a política ‘antiuniversidade’ do governo Pezão e sobre a importância da universidade para o desenvolvimento da região. Ele fala também sobre o corte de R$ 19 milhões no orçamento da Uenf para este ano, que pode agravar a situação de atraso em pelo menos três meses no pagamento das contas. Pedlowski também fala sobre a salinização e a erosão que ocorrem no município de São João da Barra, principalmente, com a construção do Porto do Açu.

O Diário (OD) – A Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) atualmente enfrenta uma de suas piores crises. As contas estão atrasadas, as bolsas não foram repassadas e houve corte no orçamento. Qual é o problema mais grave da Uenf, hoje?

Marcos Pedlowski (MP) – A Uenf simplesmente não tem dinheiro para funcionar. Os problemas são muitos e emergenciais. Hoje, se eu quiser dar uma prova, tenho que comprar cartucho para a impressora, comprar papel, não tem combustível para os alunos fazerem trabalho de campo. As coisas só continuam a funcionar porque temos a verba dos projetos. Estamos vivendo uma situação caótica.

OD – O senhor se lembra de a universidade ter passado por uma crise dessas?

MP – Estou aqui desde 1997. A situação de endividamento da universidade, como está ocorrendo agora, só vi situação parecida no último ano do Governo Marcelo Alencar, em 1998. A última fase áurea da Uenf ocorreu no Governo de Garotinho (1999/2002), que tirou a universidade de uma forte crise.

OD – Hoje, quanto a Uenf custa ao Governo do Estado do Rio de Janeiro?

MP – Hoje, a Uenf custa para o Governo do Estado menos de R$ 13 milhões por mês. Está muito barata. Para termos uma universidade em condições e expandir, como deveria ser, custaria R$ 300 milhões e isso não é nada se compararmos aos orçamentos das universidades de São Paulo, que são bilionários, de primeiro mundo.

OD – O governo cortou R$ 19 milhões do orçamento da universidade para este ano. Isso agrava muito a situação?

MP – Nos últimos oito anos, o orçamento encolheu. Para este ano, o orçamento estipulado era de R$ 173 milhões e passou para R$ 154 milhões, sendo que cerca de R$ 104 milhões serão destinados para pagamento de salários, R$ 10 milhões para as bolsas e sobram R$ 40 milhões para pagar as contas de 12 meses de água, luz, telefone, serviços de limpeza, segurança, entre outros. O governo fez um verdadeiro arrocho nas universidades.

OD – Como o senhor mencionou, o governo “arrochou” as universidades. É um problema só de corte orçamentário?

MP – O PMDB não tem uma visão de desenvolvimento científico e tecnológico. Desde o Governo Sérgio Cabral, houve uma sucessão de secretários que não têm o perfil tecnológico. É uma política que incentiva anomalias e distorções. Eles (Cabral/Pezão) têm uma visão “antiuniversidade”, bem diferente do que Darcy Ribeiro tinha em mente quando criou a Uenf. No Rio de Janeiro, as universidades estão funcionando de maneira caótica e não era pra ser assim, pois somente na Região Metropolitana Fluminense temos a maior concentração de universidades do país. Não estão valorizando esse potencial. A universidade não é um bem de um governante ou partido político, mas sim da população.

OD – O senhor citou o professor Darcy Ribeiro. Pode-se afirmar que a Uenf cumpriu ou cumpre o seu papel, o que foi idealizado há 22 anos quando foi criada?

MP – Cumpriu, mas temo que não cumprirá mais se a situação continuar desse jeito. A Uenf foi criada a partir de um abaixo-assinado da população e idealizada para promover o desenvolvimento político e social do Norte/Noroeste Fluminense e Região dos Lagos. A Uenf foi criada para ser modelo de geração de conhecimento e retorno social. Não pode perder sua visão, o elemento da reprodução intelectual porque senão passa a ser uma fábrica de diplomas, perde sua alma, sua essência. A ciência é a rotina da universidade. Se você asfixia a universidade, acaba produzindo lixo acadêmico. É preciso revisitar a visão de Darcy, não da forma idealista, mas de forma a conceber o desenvolvimento.

OD – A Uenf corre esse risco?

MP – Muitos de nossos alunos estão hoje trabalhando em grandes empresas ou atuando em universidades federais. A Uenf tem produtividade científica, é a melhor do Estado do Rio de Janeiro e a 11ª do Brasil. O que estamos vivendo agora, por exemplo, com os alunos bolsistas que estão fechando a porta da universidade para protestar um direito que lhes é garantido, é o que tem que acontecer quando alguma coisa está errada. A universidade tem que ter capacidade de criticar, tem que ter pensamento crítico, senão não pode ter o título de universidade.

OD – Mesmo com essas dificuldades, a Uenf tem uma importância fundamental para a região. De alguma forma isso pode se perder? Como o senhor vê o futuro da Uenf?

MP – Na verdade, a Uenf não está se dando ao respeito. Não estão respeitando a população que precisa dessa universidade, os professores, os alunos. A Uenf, através de seus organismos, tem que se dar ao respeito para ter o orçamento que merece, para ter o desenvolvimento, para cumprir o seu papel. Eu penso que precisamos fazer alguma coisa agora, para que daqui a 15 anos todo trabalho não se perca, para que não estejamos nos doando, trabalhando à toa, para que essa universidade não consiga cumprir seu destino.

OD – Nesta semana, uma comissão da Uenf em visita à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), conseguiu apoio de deputados estaduais da região em prol das causas da universidade. O senhor acredita que com esse apoio a situação pode melhorar?

MP – A expectativa da comunidade universitária é de que, ao visitar o campus, os deputados voltem para a Alerj mais bem informados e com mais elementos para trabalhar no sentido de que sejam feitos esforços no legislativo a fim de retirar a universidade da situação crítica em que nos encontramos neste momento. Além disso, como os parlamentares em questão são aqui mesmo da região, creio que essa visita é importante porque nos dá a oportunidade de mostrar o que está sendo feito com o dinheiro público que nos é entregue. Em outras palavras, essa também seria uma oportunidade de fazer um tipo de prestação de contas para aqueles que podem ser nossos aliados dentro do legislativo estadual. A expectativa que essas visitas trazem é sempre positiva. Agora, temos que ter uma espécie de otimismo que não esteja isento de uma postura pró-ativa e responsável em torno da defesa da Uenf, especialmente num momento histórico tão adverso como o que estamos enfrentando por causa do arrocho orçamentário que está sendo imposto pelo governador Luiz Fernando Pezão.

OD- Outra questão em que o senhor atua é quanto aos impactos da instalação do Porto do Açu. Desde que as construções foram iniciadas, problemas como a salinização e erosão nas praias de São João da Barra vêm ocorrendo com maior frequência. Pode-se dizer que esses problemas são uma consequência do Porto?

MP – Não creio que seja uma questão apenas de intensidade, mas sim do Porto do Açu ser a raiz desses problemas. É que tanto no caso da salinização como da erosão costeira, esses processos foram previstos nos Estudos de Impacto Ambiental e descritos nos Relatórios de Impacto Ambientais que foram preparados pelo Grupo EBX para obter as licenças ambientais dos diferentes empreendimentos que foram ali implantados, começando pelo próprio porto. A dispersão da areia é outro fenômeno que só está ocorrendo porque a areia dragada do mar foi depositada no entorno do Porto do Açu.

OD – O senhor acredita que essa situação pode ser revertida?

MP – Em relação a reverter a manifestação desses diversos problemas ambientais, e que têm impactos também sobre a produção agrícola e a saúde humana, eu vejo que um primeiro passo seria uma mudança de postura por parte do Inea (Instituto Estadual do Ambiente) e da Prumo Logística em relação à própria magnitude e persistência dos mesmos. Há que primeiro se sair de uma posição de negação de que os problemas estão ocorrendo para depois para a tomada de decisões sobre as medidas corretivas que devem e podem ser executadas. O fato é que saída técnica existe para a maioria dos problemas, mas enquanto perdurar uma postura de negação que resulta numa omissão prática, não há como começar a propor quaisquer soluções que sejam.

FONTE: http://www.odiariodecampos.com.br/uenf-com-a-alma-comprometida%3Cbr%3E-19708.html

O DIA fala da crise financeira que ameaça fechar a UENF

Uenf sofre com corte de verbas e pode ficar sem água e luz

Sem R$ 19 milhões no orçamento, universidade não tem como pagar bolsistas e manter projetos

EDUARDO FERREIRA

Rio – Considerada a 11ª melhor do Brasil e a primeira do Estado do Rio, segundo estudo recente do Ministério da Educação, a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) vive uma situação dramática. O corte de R$ 19 milhões do orçamento da instituição pelo governo estadual — de R$ 172 milhões para R$ 153 milhões este ano — afetou diretamente os pagamentos de contas de energia, água, telefone, segurança e limpeza terceirizada, além do repasse dos recursos para o restaurante universitário e a contratação de professores auxiliares.

A universidade, considerada pelo MEC a segunda melhor estadual do país, agoniza com a falta de recursos. Foto:  Divulgação

A preocupação do presidente da Associação de Docentes da Uenf (Aduenf), Luis Passoni, é que a universidade não tenha mais condições de funcionar. “Estamos preocupados. Semana que vem (esta semana) vou ao Rio iniciar contatos com governantes para pedir uma ajuda. Estamos sem telefone por causa do atraso no pagamento. Se cortarem a água e a luz, a Uenf fecha as portas”, afirmou.

Outro problema, segundo Passoni, é que as bolsas estudantis de todas as modalidades estão em atraso há dois meses. “Isso prejudica diretamente a manutenção dos estudantes na universidade e os projetos estão paralisados. Os novos terão que ser indefinidamente adiados. Nenhum estudo de extensão está sendo pago. Os alunos carentes e os cotistas encontram dificuldades se as bolsas forem pagas com atraso”, comentou.

Em nota, o reitor da Uenf, Silvério de Paiva Freitas, explicou que as bolsas em atraso são pagas com a chamada “verba descentralizada da Faperj”, concedida a todas as universidades estaduais para que possam conceder bolsas para atuar em projetos vinculados à universidade. Segundo a nota, a reitoria tem tentado uma solução junto às secretarias estaduais e à Faperj para solucionar o problema.

“Todos os procedimentos do pagamento de janeiro deste ano foram concluídos no tempo correto e, desde o dia 9 de fevereiro, encontram-se à disposição da Secretaria Estadual de Fazenda (Sefaz), aguardando a sua execução. Do mesmo modo, todos os procedimentos referentes ao mês de fevereiro de 2015 foram concluídos na última terça-feira, restando a liberação financeira pela Sefaz”, informou. A Secretaria informou que os pagamentos à Faperj estão sendo negociados junto à instituição . “Não há um prazo a ser informado, está em negociação permanente”, informou a assessoria.

Professor fica sem material

O professor Marcos Pedlowski diz que as bolsas são a fonte de renda única para muitos estudantes, que dependem do pagamento regular para permanecerem nas cidades de Campos dos Goytacazes e Macaé, onde os programas de pós-graduação da Uenf são oferecidos. Na última quinta-feira, o movimento estudantil protestou pelo pagamento de bolsas atrasadas. “Os alunos não incendiaram o bandejão porque ele é mantido com dinheiro do MEC”, disse.

Segundo ele, só com despesas de salários e bolsas acadêmicas, a Uenf gasta R$ 120 milhões. “Soma-se luz, água, telefone, insumos para os quatro centros de pesquisa, funcionários terceirizados de limpeza e segurança. A conta não fecha. Houve uma perda de R$ 19 milhões. É muita coisa.”

O professor contou que teve que tirar dinheiro do seu projeto para pagar os testes para os alunos. “O papel almaço das provas que aplico quem compra sou eu. A tinta para impressão também. Antigamente, eu pedia material para o almoxarifado da universidade, agora não tem mais”, destacou.

De acordo com o diretor do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Braullio Fontes, apesar desse panorama, os estudantes continuam a tocar os programas. “Mesmo sem o pagamento, os alunos estão mantendo os projetos. Eu, por exemplo, não recebi a bolsa de janeiro e nem de fevereiro, mas continuo o meu curso de extensão em Filosofia”, observou.

Em outra nota, a Gerência de Recursos Humanos da Uenf informou que contestou a decisão do governo de não corrigir os percentuais de pagamento do adicional de insalubridade dos servidores estatutários, reajustados por conta de enquadramento, progressão ou triênio.

FONTE: http://odia.ig.com.br/odiaestado/2015-03-08/uenf-sofre-com-corte-de-verbas-e-pode-ficar-sem-agua-e-luz.html

Enfim, o desespero

Por Vladimir Safatle

“A situação desesperadora da época na qual vivo me enche de esperanças.” A frase é de Marx, enunciada há mais de 150 anos. Ela lembrava como situações aparentemente sem saída eram apenas a expressão de que enfim podíamos começar a realmente nos livrar dos entulhos de um tempo morto.

Há tempos, insisti que o lulismo entraria em um esgotamento. Era uma questão de cálculo. Chegaria um momento em que o crescimento só poderia continuar por meio de políticas efetivas de combate à desigualdade e acumulação. Afinal, estamos falando de um país que, ao mesmo tempo, apresenta crescimento econômico próximo a zero e bancos, como o Itaú, com lucro anual de 20 bilhões de reais. Um crescimento de 29% em relação a 2013, com inadimplência recuando para mínima recorde.

“Políticas efetivas de combate à desigualdade e acumulação” significam, neste contexto, ir atrás do dinheiro que circula no sistema financeiro e seus rentistas blindados. Mas isto o governo não seria capaz de fazer. Difícil fazê-lo quando você também se torna alguém a frequentar a roda dos dançarinos da ciranda financeira. Ninguém atira no próprio pé, ainda mais quando se é recém-chegado à festa.

Restaram ao governo federal duas coisas. Primeiro, chorar por não ser tratado como um tucano. É verdade. Nada melhor no Brasil do que ser tucano. Como acontece hoje no Paraná, você pode quebrar seu Estado, colocar quatro de suas universidades públicas em risco de fechamento por falta de repasse e, mesmo assim, irão te deixar em paz. Nenhuma capa de revista sobre seus desmandos nem sobre seus casos de corrupção.

Por estas e outras, o sonho de consumo atual de todo petista é ser tratado como um tucano. Eles até que se esforçaram bastante.

Fora isto, resta ao governo ser refém de um Congresso que ele próprio alimentou. Na figura de gente do porte de Eduardo Cunha e seus projetos de implementar o “dia do orgulho heterossexual”, entregar o legislativo à bancada BBB (Bíblia, Boi e Bala) e contemplar cada deputado com seu quinhão intocado de fisiologismo, o Brasil encontra a melhor expressão da decadência e da mediocridade própria ao fim de um ciclo.

Neste contexto, podemos enfim ver claramente como as alternativas criadas após o fim da ditadura militar não podiam de fato ir muito longe. Nenhuma delas sequer passou perto da necessidade de quebrar tal ciclo de miséria política dando mais poder não aos tecnocratas ou aos “representantes”, mas diretamente ao povo, que continua a esperar seu momento.

Por isto, a situação desesperadora me enche de esperanças.

Vladimir Safatle é professor livre-docente do Departamento de filosofia da USP 

FONTE:http://www.ihu.unisinos.br/noticias/540154-enfim-o-desespero

Jornal Extra faz Raio-X da crise financeira causada por Pezão nas universidades estaduais

Em universidades do Rio, faltam professores e até tinta para imprimir provas

Bruno Alfano

Falta de professores, baixos salários, obras paradas… O corte de gastos do governo do Rio, que contingenciou o orçamento de praticamente todos os setores da administração pública, amplia problemas antigos das universidades estaduais — que podem chegar, ao fim do ano, com R$ 144 milhões a menos de orçamento.

O cenário atual já é complicado, segundo docentes e estudantes. A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) precisa de 572 professores concursados para começar o ano — sob o risco de disciplinas não serem abertas. O Centro Universitário Estadual da Zona Oeste (Uezo) funciona nos fundos de uma escola estadual, e, na Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf), professores alegam que precisam pagar até a tinta para imprimir as provas.

A situação mais grave é a da Uerj. Proibida pela Justiça desde o ano passado de contratar professores substitutos, a instituição precisa realizar concursos. O site da universidade exibe 245 abertos. Os outros 327 estão apenas autorizados.

— O semestre não começa sem estes professores. Várias disciplinas obrigatórias estão sem docentes — denuncia o presidente da Associação de Docentes da Uerj (Asduerj), Bruno Deusdará.

A universidade foi procurada, mas afirmou que, com a proximidade do carnaval, todos os funcionários estariam indisponíveis para dar explicações. Enquanto isso, os cerca de 23 mil alunos da instituição sofrem — e a falta de professores é só uma das faces da crise.

Maria Bubna, de 21 anos, está no terceiro período de Direito e recebe Bolsa Permanência de R$ 400. O benefício, no entanto, tem atrasado até 20 dias.

— Tem bolsista que mora na Baixada Fluminense e gasta os R$ 400 em passagem. Se ficar sem, não vem para a aula. A minha sorte é que moro aqui em frente — diz a jovem.

Para a equipe do EXTRA sair do sétimo andar da universidade, foi preciso gritar no vão do elevador. É que o botão não está funcionando, e só assim os ascensoristas sabem que há gente esperando.

A previsão de menos R$ 15 milhões no orçamento de 2015 já causou problemas para a Uezo. O reitor Alex da Silva afirmou que a construção do campus precisou ser interrompida. Hoje, a universidade funciona nas dependências do Instituto Educacional Sarah Kubitschek, um colégio estadual.

— Só devemos retomar as obras em maio. Por enquanto, está parada — afirma.

A obra, que custa R$ 18 milhões, começou em maio do ano passado, e, segundo o reitor, está em fase de terraplanagem.

Na Uenf, professores afirmam que o orçamento já está curto e a conta não deve fechar até o fim do ano. Marcos Pedlowski, membro do Conselho de Representantes da Associação de Docentes da Uenf, conta que já precisou até pagar tinta para a impressão das provas.

— O orçamento deste ano não deve dar — alerta.

De acordo com a pró-reitora de Graduação, Ana Beatriz Garcia, a contratação de mais 60 professores resolveria o quadro docente.

O Ministério Público do Trabalho vai investigar a falta de pagamento dos funcionários terceirizados da Uerj. A procuradora Valdenice Amalia Furtado já pediu esclarecimentos por escrito aos investigados.

Os funcionários da empresa Construir, responsável pela manutenção da universidade, ficaram até três meses sem receber o pagamento. Alunos de cursos como Direito e Serviço Social fizeram arrecadação de alimentos para ajudar os funcionários, já que alguns estavam sem dinheiro até para comprar comida e pagar contas.

Em uma reunião interna, o reitor Ricardo Vieiralves afirmou que vai romper o contrato com a Construir.

FONTE: http://extra.globo.com/noticias/rio/em-universidades-do-rio-faltam-professores-ate-tinta-para-imprimir-provas-15338514.html#ixzz3RoCWdvQw