
Os apoiadores do (des) governo Cabral/Pezão vivem alardeando que nunca se investiu tanto em ciência e tecnologia no Rio de Janeiro. Além disso não ser verdade, há que se convir que nada explica o fato de que todo o investimento feito em Ciência e Tecnologia no Rio de Janeiro seja apenas um quarto do que disponível em São Paulo, por exemplo. Afinal, apesar de não sermos tão ricos quanto nossos vizinhos, o Rio de Janeiro é a segunda economia da federação, e não se explica apenas pelo aspecto financeiro tamanha desproporção de investimentos.
Além disso, como alguém que acompanha a situação global do desempenho da C&T, vejo que parte do crescimento do orçamento da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do estado do Rio de Janeiro (FAPERJ) se deu à custa do encurtamento do orçamento das universidades, o que prejudicou a situação tanto das universidades como da própria fundação. É que nessa política de cobertor curto, ficamos com uma perda de autonomia financeira nas universidades e um desvirtuamento do papel da fundação. Basta notar quanto do montante investido pela FAPERJ se deu na forma de verba descentralizada para as universidades. Assim, vejo que o aparente crescimento do investimento não ocorreu de fato, pois o montante final acabou sendo basicamente o mesmo. Aliás, algo que é preciso ser ressaltado é que não temos nenhuma forma de controle sobre onde é gasto aquilo que se diz ter sido gasto em C&T. De quebra, a capacidade das Instituições de Ensino Superior estaduais de decidir de forma autônoma os seus eixos de pesquisa também se tornou praticamente nula. Além disso, tenho informações seguras de que a UENF está perdendo espaço em determinadas ações de descentralização financeira dentro da FAPERJ, dada a capacidade maior de pressão que o reitor da UERJ possui.
Por outro lado, a profusão de editais lançados pela FAPERJ à guisa de diversificar seu portfólio de áreas gerou uma prática nefasta para os pesquisadores que é de se cortar quase sempre 50% do que é solicitado, o que compromete a qualidade das pesquisas que, porventura, sejam agraciadas com financiamentos.
Outro aspecto pouco abordado é o uso da FAPERJ para apoiar instituições privadas de ensino que, a grosso modo, não possuem nenhuma tradição de pesquisa, fato que não tem impedido que recursos escassos nas instituições públicas sejam repassados para estas entes privados com um retorno para lá de duvidoso.
Quero lembrar também que nos anos de 1999-2002 (no governo de Anthony Garotinho) tivemos um afluxo impressionante de recursos na UENF via FAPERJ, o que não se repetiu em nenhum outro governo depois, ao menos no que tange nas atividades precípuas da FAPERJ, e não no que se transformou a fundação nos últimos 7 anos e cinco meses. E o interessante é que não vejo esse balanço sendo feito dentro da UENF, provavelmente porque teríamos de fazer uma auto-crítica de como todo aquele dinheiro foi empregado e quais foram resultados objetivos, tanto do ponto de vista de ciência básica como aplicada.
Voltando à minha análise sobre a falta de uma direção capaz à frente da Secretaria de Ciência e Tecnologia (Aqui!), não me prendi ao elemento financeiro, justamente por todos os itens listados acima. Para mim, o elemento econômico não sobrepõe ou resolve a inexistência de uma verdadeiro política de desenvolvimento científico e tecnológico. E esses três secretários que eu abordei jamais se posicionaram pela formulação de uma política fluminense de C&T. Em minha modesta opinião, e principalmente no primeiro mandato de Sérgio Cabral, o que ocorreu foi a troca dessa formulação por desembolsos financeiros que aliviam mas não resolvem as lacunas existentes no fortalecimento de um sistema fluminense de C&T. E não haveria como com o quilate dos secretários que foram se sucedendo cujo conhecimento da pasta era próximo do nulo. Aliás, o enfraquecimento da SECT está na raiz das dificuldades estruturais que todas as universidades estaduais sofrem neste momento.











