A prisão de Daniel Silveira com base na LSN deveria alertar e não alegrar a esquerda

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Daniel Silveira, à esquerda, durante comício onde ocorreu a infame destruição da placa que celebrava a memória da vereadora assassinada Marielle Franco

A prisão do deputado Daniel Silveira (PSL/RJ) é uma daquelas situações que não deveriam causar júbilo, principalmente entre aqueles que se opõe às suas ideias. É que apesar de todas as bizarrices autoritárias que ele tenha proferido contra os ministros do Supremo Tribunal Federal, o uso de uma legislação, a famigerada Lei de Segurança Nacional (LSN), criada pelo regime militar de 1964 é lembrança de que convivemos com um trambolho autoritário que também poderá ser facilmente usado contra os que se opõe, por exemplo, às políticas ultraneoliberais do governo Bolsonaro.

Na verdade, considero as declarações de Daniel Silveira como uma daquelas ações de marketing que visam duas coisas: 1) esconder sua completa inutilidade enquanto deputado federal, e 2) manter a sua base mobilizada, a despeito do que disse no item 1. A sua prisão com base na LSN para ser séria já deveria ter sido precedida pela prisão de peixes mais graúdos (é que a despeito da envergadura física ser grande, na política ele não passa de uma manjubinha mal educada), incluindo o próprio presidente Jair Bolsonaro que já disse coisas semelhantes ou até piores. Aliás, se é para prender Silveira, como explicar que a declaração de Eduardo Bolsonaro (PSL/SP) no sentido de que bastaria “um soldado e um cabo para fechar o STF tenha permanecido impune?

Aos apoiadores de partidos de esquerda é precisa recusar os festejos desta prisão arbitrária, sob pena de um futuro não tão distante terem que ir às ruas para protestar contra o encarceramento de suas próprias lideranças sob os mesmos exatos argumentos que agora estão sendo usados para colocar Silveira no xilindró. Afinal, todos sabemos que no Brasil, o pau que bate em Francisco, bate ainda mais duro em Chico. Simples assim!

Candidatos do partido de Bolsonaro vandalizam placa póstuma de Marielle Franco. O que isso nos mostra sobre eles?

 A depredação da homenagem póstuma a Marielle Franco, barbaramente executada em março, realizada por 2 candidatos do PSL de Bolsonaro (ver imagem abaixo).

placa marielle
Eles são Rodrigo Amorim, que tenta a vaga de deputado estadual e foi candidato a vice em 2016 na chapa de Flávio Bolsonaro para a Prefeitura do Rio, e Daniel Silveira, candidato a deputado federal.

Agora, me digam, se esses dois são capazes de fazer este tipo de atentado à memória de alguém que foi assassinada por defender o direito dos mais pobres e socialmente marginalizados enquanto seu líder Jair Bolsonaro não está no poder, o que fariam depois se ele vier a ser eleito?

E, mais , o que estes dois poderão contribuir para a melhoria do parlamento brasileiro se forem eleitos?