A Uenf e o assassinato em curso do sonho de Darcy Ribeiro

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A insistência da atual reitoria da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) de reduzir os graves problemas afetando o funcionamento da instituição à ausência de aulas representa, intencionalmente ou não, um ataque profundo ao revolucionário modelo institucional idealizado por Darcy Ribeiro.  É que quem já seu deu ao trabalho de ler os textos fundacionais da Uenf sabe que em sua gênese ela foi idealizada para estabelecer um nexo inseparável entre ensino, pesquisa e extensão. Darcy Ribeiro viajou para diversas partes do mundo e se inspirou entre outros modelos no que viu no Instituto de Tecnologia da Califórnia (conhecido como Cal Tech), pois ali se impressionou com a exposição dos estudantes às atividades de pesquisa [1]. Ao que viu na Califórnia, Darcy Ribeiro adicionou a noção de que não há devida formação técnica sem que haja uma compreensão cidadã do conteúdo que um dado profissional esteja recebendo. Tal modelo é que foi responsabilizado por três prêmios nacionais pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) pela formação de profissionais que chegam nos programas nacionais e internacionais de pós-graduação.

Assim, ao omitir os graves prejuízos que o (des) governo Pezão já causou em dezenas de projetos de pesquisa que beira a extinção pura e simples, bem como à disseminação na sociedade fluminense via ações de extensão, a reitoria da Uenf contribui diretamente para um assassinato frio e calculado do espírito revolucionário com que Darcy Ribeiro inoculou o projeto institucional que pariu esta jovem instituição. E nem é preciso dizer que neste modelo, Darcy Ribeiro inseriu os seus sonhos de justiça social e democracia.

É preciso dizer que as últimas três administrações que passaram pela reitoria da Uenf também deram uma ajuda considerável nesse assassinato em curso. É que em tempos de vacas gordas, uma lição fundamental de Darcy Ribeiro foi jogada no lixo. Darcy Ribeiro dizia para quem ninguém se impressionasse com prédios novos e equipamentos caros, pois o que forma e consolida uma instituição universitária são as pessoas que as constroem ao longo do tempo, a começar pelos seus professores e servidores técnico-administrativos e alcançando os estudantes que passam por suas de aulas e laboratórios de pesquisa. Aliás, uma frase favorita de Darcy Ribeiro para sintetizar essa visão era “Livros, livros e pessoas”. Isso queria dizer que sem a simbiose entre livros e pessoas não haveria uma Uenf que estivesse à altura das suas responsabilidades institucionais. Mas para as administrações anteriores o mantra foi “prédios, prédios, prédios”. E em alguns casos, os esqueletos continuam espalhados pelo campus Leonel Brizola para serem vistos por quem quiser ver de perto como se desperdiça dinheiro público.

E aqui é preciso lembrar que Darcy Ribeiro via como uma responsabilidade estratégica da Uenf o desenvolvimento de uma forte base tecnológica para a região Norte Fluminense, de modo a que a sua população pudesse se levantar da planície abissal da injustiça social que séculos de escravatura colocaram a maioria dos seus membros.

Como a missão da Uenf é composta pelo tripé ensino-pesquisa-extensão, a ênfase à volta às aulas mesmo sem que existam condições mínimas para que sua comunidade universitária possa circular com segurança nas 24 horas do dia é não apenas um desserviço ao presente, mas também uma sentença de morte para o futuro. É que não há como violar tão grosseiramente as estruturas fundacionais da Uenf sem que existam fortes reverberações em suas estruturas conceituais. É que para fazer cumprir o modelo idealizado por Darcy Ribeiro, o funcionamento da Uenf tem que se dar 24 horas durante todos os 365 dias do ano. E hoje, dadas as condições de abandono criadas pelo (des) governo Pezão, não há simplesmente como fazer isso sem que se tema pela bolsa ou até pela vida.

Finalmente, imaginemos que a Uenf está em uma guerra pela sua sobrevivência e a reitoria representa o que seria o alto comando das armas de um país em conflito. Aliás, não é preciso imaginar que a Uenf está em uma guerra para sobreviver aos ataques do (des) governo Pezão, pois é disso mesmo que se trata. Numa guerra, o que se espera do alto comando é que primeiro pense em ações estratégicas para atacar e se defender do inimigo, e depois que essas ações representem ou tragam o mínimo de danos às tropas que estão aplicando no terreno de combate aquilo que os líderes estabelecem. Ao objetivamente agir para demonizar em vez de se colocar como primeira linha de defesa dos professores e servidores técnico-administrativos que entraram em greve para demandar a questão básica do pagamento de salários, o que a reitoria da Uenf está fazendo equivale a uma traição de guerra. É que em vez de ficar demandando o início de aulas, o que a reitoria da Uenf deveria estar fazendo seria levar a cabo as consequências da decisão do Conselho Universitário que decretou que a instituição se encontra em condição de calamidade institucional. Por essa traição e os riscos de que o modelo de Darcy Ribeiro seja assassinado pelo (des) governo Pezão, essa reitoria e seus membros serão julgados pela História.

E antes que haja mais um surto de ameaças contra a minha pessoa e meus parcos pertences em grupos de Whatsapp, aviso logo que se a próxima assembleia da Aduenf decidir que os professores devem retornar às aulas irei estar em sala de aula fazendo o que faço desde 1998, qual seja, dar o meu melhor para oferecer conhecimento qualificado para os meus estudantes. Entretanto, esta será apenas outra etapa na guerra para impedir o assassinato da Uenf de Darcy Ribeiro. e não o escolão em que a reitoria, como agente do (des) governo Pezão, está agindo para transformá-la.


[1] http://www.caltech.edu/

ADUENF lança carta aberta aos pais de alunas e alunos da UENF

CARTA ABERTA AOS PAIS DE ALUNAS E ALUNOS DA UENF

A Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF), criada em 1993 por Leonel de Moura Brizola e Darcy Ribeiro, teve como princípio fundacional a interiorização do ensino público superior, gratuito e de excelência. Neste sentido, na sua concepção original a UENF como é conhecida, foi a primeira universidade no país a possuir 100% do seu corpo docente com doutorado e dedicação exclusiva, iniciar simultaneamente o ensino de graduação e pós-graduação que foi apoiado por um amplo programa de bolsas para apoio estudantil. A UENF e Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) foram as primeiras universidades brasileiras que estabelecerem o programa de cotas estudantis como um política afirmativa e de inclusão social. A UENF, juntamente com as universidades públicas existentes no estado do Rio de Janeiro, também foi a precursora do Ensino Público a Distância no estado fazendo parte desde o início da criação do Consórcio das Universidades Públicas e, juntas, oferecem hoje 45 mil vagas para 15 cursos (http://cederj.edu.br/cederj/sobre/).

Hoje, estamos em uma greve prolongada que afeta a vida de toda comunidade acadêmica, isto é, alunos, técnicos e professores. Esta greve não é apenas pela total falta de perspectiva salarial, mas também pelas condições degradantes de trabalho. Não há segurança no campus universitário, a limpeza e iluminação são precárias e a UENF não recebe os recursos necessários para manutenção das suas instalações desde outubro de 2015.

Em muitos momentos, discursos inflamados clamam pelo retorno às aulas porque estamos prejudicando a vida dos nossos alunos, porém, temos que deixar claro que este é um discurso falacioso, pois as vidas, de professores e servidores técnicos, também estão sendo prejudicadas. Há meses, vários servidores têm apresentado problemas de saúde, física e mental, e precisamos ressaltar que todos nós temos famílias, as quais dependem dos nossos salários e da nossa estabilidade emocional.

Em síntese, a greve tem como princípio a defesa incondicional da UENF e do seu melhor funcionamento para atender aos nossos alunos e a toda comunidade regional e nacional. Não somos inconsequentes em nossos atos, e enfatizamos que pensamos nas inúmeras gerações que têm o direito de usufruir de uma universidade pública, gratuita e de excelência, tal como a UENF foi constituída e pensada na sua fundação. Portanto, através desta correspondência, estamos esclarecendo a todos os pais de alunas e alunos que defendem estes princípios e chamamos a todos para se unirem em defesa da UENF. Gostaríamos ainda de chamar para reflexão toda sociedade brasileira e especialmente a do Norte Fluminense, pois este é um momento crítico na história das universidades públicas brasileiras. O fato é que o caminho traçado até a presente data pelos  governos comandados por Luiz Fernando Pezão e   Michel  Temer compromete nosso futuro como sociedade e afeta duramente a soberania nacional que passa fundamentalmente pela Educação e a Ciência.  Nesse sentido, se faz ainda mais relevante a frase de Darcy Ribeiro que dizia: A crise na Educação não é uma crise e sim um projeto.

Por último, deixamos a mensagem exposta no portal da UENF: O Governador Leonel de Moura Brizola fez erguer esta Universidade Estadual do Norte Fluminense para que no Brasil floresça uma civilização mais bela, uma sociedade mais livre e mais justa, onde viva um povo mais feliz.  A missão de todos que entendem a importância da UENF como instituição é contribuir para que este momento de dificuldade seja ultrapassado, pois sobre ela há a responsabilidade de um futuro melhor para os cidadãos deste país, e em especial dos segmentos mais pobres da população do Rio de Janeiro.  Por isso, convidamos a que todos se engajem ativamente na defesa da UENF, de modo a pressionar o governo Pezão a interromper o projeto de destruição do ensino superior público estadual.

A UENF é todos nós, defende-la é preciso!

Campos dos Goytacazes, 19 de Outubro de 2017.

COMANDO DE GREVE DA ADUENF

Para salvar a Universidade do Terceiro Milênio de Darcy Ribeiro será preciso derrotar a universidade mínima do (des) governo Pezão

A semana passada foi marcada na Universidade Estadual do Norte Fluminense por atividades que celebraram os 24 anos do início das atividades da instituição pensada por Darcy Ribeiro e materializada por Leonel Brizola. Uma das marcas desse aniversário é certamente a crise profunda em que a Uenf foi imersa pela proposta de Estado mínimo que está sendo impulsionada a fórceps na instituição pelo (des) governo Pezão. 

E não haveria como ser diferente, pois, desprovida de verbas de custeio desde Outubro de 2015, a Uenf vem tendo sua capacidade criativa sufocada pela inexistência de condições mínimas de funcionamento.  Aqui não estou falando aqui do imenso matagal que está se formando em partes do campus Leonel Brizola, nem dos muitos prédios que se encontram incompletos e sem prazo de conclusão, que tanto chocam jornalistas que pedem imagens da situação em que a Uenf se encontra neste momento (ver imagens abaixo).

Na verdade a capacidade criativa da Uenf está sendo eficazmente sufocada em algo mais essencial que são suas práticas pedagógicas nos seus cursos de graduação e pós-graduação, onde a falta de insumos básicos está reduzindo o modelo revolucionário de Darcy Ribeiro ao mero oferecimento de uma perspectiva meramente conteudista, reproduzindo o que há de pior em outras áreas degradadas da educação pública.

E mesmo a versão minimalista se encontra de colapsar a partir de Outubro quando começam a ser encerrados os projetos de pesquisa de onde estão saindo as verbas que ainda estão mantendo as atividade de ensino e pesquisa realizadas na Uenf!

É como se aos poucos, a Uenf esteja sendo desprovida do que tem de melhor, e se adequando ao minimalismo criativo e descompromisso com a sociedade fluminense que transbordam em todas as ações do (des) governo Pezão.   O pior é que até mesmo a reverência mostrada a Darcy Ribeiro por alguns que esbaldam em lágrimas, supostamente em lamento pela situação em que a Uenf  foi colocada por inimigos invisiveis e de nomes impronunciáveis, é como aquela que as filas de cidadãos russos vão prestar no Mausoléu de Lênin na Praça Vermelha em Moscou, onde o corpo do líder da revolução de 1917 permanece embalsamado apenas para ser mostrado enquanto  uma imagem pálida do seu vigor intelectual (e deste modo inofensiva). Vigor intelectual este que foi aplicado com rara eficiência na concretização da maior revolução social que o sistema capitalista já presenciou

Entretanto, o pior é que tenho visto é a tentativa de se adequar ao modelo minimalista imposto pelo (des) governo Pezão como um gesto de resistência, quando, na prática, o que tenho visto é apenas uma naturalização do processo de destruição em curso.  Essa pseudo resistência é o pior desserviço que poderia ser feito à memória de Darcy Ribeiro que nunca foi homem de resignar a nada. E certamente Darcy Ribeiro não se resignaria a ver a Uenf sendo desmantelada de forma silenciosa e covarde.

Um exemplo disso é a sinalização pública, e que antes era oferecida apenas de forma privada entre quatro paredes, de que uma das saídas para a falta de recursos estatais seria a cobrança de mensalidades dos estudantes e a venda de serviços pelo corpo docente. Se concretizadas essas duas medidas significarão o fim da universidade pensada por Darcy Ribeiro e a consumação do Estado mínimo engendrado pelo governo “de facto” que se instalou de forma ilegítima em Brasília e que está sendo aplicado na forma de um laboratório avançado pelo (des) governo Pezão no estado do Rio de Janeiro.

O lado positivo desse processo é que existem cabeças pensando outras saídas para a Uenf que não seja a aniquilação objetiva de todo o seu potencial transformador e que tantos frutos já gerou desde o início do seu funcionamento em 1993.    Assim, seja qual for o resultado da atual greve de professores e técnicos-administrativos é certo que não estaremos encerrando o bom combate pela defesa da essência criadora da Uenf. Na verdade, superada a névoa da resistência subordinada, poderemos utilizar as ferramentas do pensamento crítico para ampliarmos o debate em torno do papel social da Uenf em nossa sociedade, mantendo-se acima de tudo o seu caráter público e gratuito.

Longa vida à Uenf de Darcy Ribeiro e um imenso não à universidade mínima do (des) governo Pezão!

Reflexões do meu reencontro com o cacique Álvaro Tukano

Em um algum momento do meio da década de 1980 participei da organização de um encontro organizado pelo Centro Acadêmico de Geografia da Universidade Federal do Rio de Janeiro sobre a questão indígena. Lá conheci o cacique Álvaro Tukano, um dos primeiros líderes do movimento indígena brasileiro, que aceitou o convite para falar da situação que os povos originários brasileiros enfrentavam naquele período final do regime militar de 1964.

Hoje,  mais de 30 anos depois daquele encontro, pude encontrar e conversar com o cacique Álvaro Tukano que veio participar de uma mesa redonda sobre a obra de Darcy Ribeiro que compôs a programação oficial dos 24 anos da Universidade Estadual do Norte Fluminense.

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Além das trocas de amabilidades que cercam encontros de pessoas que não se vêem por longos períodos de tempo, pudemos conversar rapidamente sobre a situação dos povos indígenas frente ao avassalador ataque que está sendo preparado contra suas terras pelo latifúndio agro-exportador e pelas empresas de mineração sob a batura do presidente “de facto” Michel Temer.  Ele me confidenciou que até nas terras onde seu povo vive ao longo do Rio Negro as ameaças proliferam contra a integridade das terras indígenas.

Depois de conversarmos, pude ouví-lo falar com a mesma oratória firme que me impressionou há mais de 30 anos sobre a importância de Darcy Ribeiro e de seus descendentes intelectuais na afirmação de uma sociedade mais justa para todos os brasileiros.  Além disso, Álvaro Tukano lembrou de outras lideranças indígenas que foram assassinadas ao longo do tempo e se transformaram em mártires da luta dos povos originários pelo direito de  permanecer em suas terras e defender a rica biodiversidade nelas existentes. Em especial ele refutou a noção disseminada pelos latifundiários de que os indígenas são invasores de terras, pois os povos indígenas já estavam aqui muitos antes da chegada dos conquistadores portugueses.

Essa visita de Álvaro Tukano, além de possibilitar o prazer do reencontro, também me lembra que preciso falar mais da situação dificílima em que se encontram os povos indígenas e os quilombolas sobre quem recai uma ofensiva durissíma neste momento. 

No aniversário de 24 anos da Uenf é preciso nos insurgir contra os que querem sua destruição

 

Neste 16 de Agosto, a Universidade Estadual do Norte Fluminense completará 24 anos de início de suas atividades que tanto impacto já causaram em nossa região e na vida de milhares de jovens que vieram até o campus Leonel Brizola em busca de formação acadêmica de qualidade sendo oferecida numa instituição pública.

O sucesso da Uenf pode ser medido de diversas maneiras, mas a que eu prefiro é na acolhida que sempre tenho entre as pessoas mais pobres de nossa população que genuinamente acreditam que podemos tornar as vidas de suas filhas e filhos em algo melhor daquilo que elas puderam ter.

O fato de que estamos atravessando uma crise que choca aos olhos minimamente sensíveis não irá nos fazer esmorecer, muito pelo contrário. Esse tipo de compromisso que vejo em muitos dos meus colegas de labuta é o que sempre me anima em face dos muitos momentos de incerteza e dificuldade que já vivi desde que cheguei a Campos dos Goytacazes no final de 1997.  

Mas não vamos negar o óbvio. O projeto de excelência com que sonharam os fundadores da Uenf se encontra sob grave risco. E o responsável por esse risco é o (des) governo comandado pelo Sr. Luiz Fernando Pezão.  E não falo aqui apenas da asfixia financeira que nos priva de verbas de custeio e de salários e bolsas pagos em dia. Essas questões são apenas facetas de um projeto muito maior que visa subtrair da Uenf a sua capacidade de formar jovens saídos das camadas médias e mais pobres da nossa população.

O real risco que vivemos é da cessação da entrega de verbas públicas para sustentar a Uenf da forma que ela foi idealizada.  A partir daí se tornará inevitável a cobrança de mensalidades para os estudantes e a venda de serviços para empresas em nome da viabilidade financeira da universidade. Se isso ocorrer, estaremos assistindo ao fim do modelo institucional visionário que foi engenhosamente desenvolvido por Darcy Ribeiro e um seleto grupo de intelectuais que se uniram a ele para criar o que viemos a conhecer pelo nome de Uenf.

Não menos importante é dizer que a Uenf e as nossas coirmãs Uerj e Uezo, como o estado do Rio de Janeiro, estão sendo utilizadas como um laboratório de destruição das universidades públicas existentes no Brasil. Esse aspecto é pouco abordado, mas é essencial que entendamos que os riscos impostos sobre a Uenf estão também colocados sobre todas as demais universidades públicas brasileiras, estaduais ou federais, e também sobre os institutos federais. É que para os impulsionadores das políticas ultra neoliberais que estão tentando quebrar a espinha dorsal do Estado brasileiro, universidades públicas e gratuitas são como espécies animais que se recusam a se tornar extintas.

Por isso mesmo, não nos contentaremos mais a dizer que resistiremos a esse projeto de destruição. A nossa obrigação efetiva é de nos insurgirmos contra os inimigos da educação pública para derrotar o seu projeto de retorno ao Século XVI. Como paranaense que sou me arrisco a dizer que nos comportaremos como as araucárias que se recusam a ser extintas e há milênios vem desafiando todas as probabilidades para se manterem  vivas.

Lembrando Darcy Ribeiro é preciso que digamos a quem quer destruir a Uenf que  só existem duas opções nesta vida: se resignar ou se indignar. E  nós não iremos nos resignar nunca.

Longa vida à Uenf pública, gratuita e democrática.

Professor denuncia a dramática situação da universidade que leva o nome de Darcy Ribeiro

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Por Alessandro Coutinho Ramos*

Sou professor associado na Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro em Campos dos Goytacazes. A UENF foi idealizada pelo Senador Darcy Ribeiro num projeto inovador da chamada “Universidade do Terceiro Milênio” .

Nesta universidade, eu e muitos colegas, tivemos  oportunidades que definiram o nosso futuro. No meu caso, tive a  oportunidade de estudar e viver no exterior, realizando meu doutorado sanduíche e depois o Pós-doutorado, para posteriormente voltar ao Brasil como um profissional diferenciado.

Estamos vivendo o pior momento das nossas vidas com três meses de salários integrais atrasados e o décimo terceiro de 2016. A Universidade está sem os repasses aprovados em orçamento desde 2015 e com isso sem seguranças e com serviços de água e luz sob liminares.

Na UENF ainda temos alunos com bolsas em atraso e ainda convivemos com a falta de repasses do governo desde 2015. Peço-lhes que  nos ajude a divulgar este momento da nossa UENF porque a situação está precária. Amigos docentes estão doentes e com problemas psicológicos. Os técnicos administrativos numa situação pior ainda.

Infelizmente, a mídia do Rio e do Brasil tem dado ênfase apenas na UERJ e se esquecendo que são três universidades estaduais no RJ.

Somos todos em regime de Dedicação Exclusiva e sem quatro vencimentos integrais na conta.

Em agosto podemos completar 5 meses sem salário integral na conta, e o governo vem pagando pequenas parcelas humilhantes que nem chega para pagar o plano de saúde da família sem contar com as despesas com aluguel, luz, água e condomínio.

Tudo ainda se agrava  com os projetos de pesquisa que a FAPERJ, sem recursos, não faz os depósitos. A sensação de incerteza do plano do governo do RJ, especificamente do governador Pezão, com a “educação superior, ciência e tecnologia” é muito cruel. A UERJ e a UEZO estão na mesma situação da UENF. 

Peço gentilmente que nos ajudem na divulgação desta situação da UENF. 

Já enviei a diferentes veículos de comunicação porém sem respostas. O Rio de Janeiro esqueceu da UENF e o Brasil também!

A nossa associação docente (ADUENF) vem lutando e remando contra a maré para divulgar e lutar pelos nossos direitos e por isso lançou diversas campanhas no facebook, incluindo internacionais. A adesão virtual é sensacional mas sem efetividade prática.

O meu cuidado em pedir ajuda pela UENF é porque estamos no interior, e somos esquecidos em diversas formas, seja na mídia, seja politicamente.

Reforço que a UENF é a terceira melhor universidade  estadual do país, segunda do RJ e décima terceira do Brasil segundo o Ranking do INEP/MEC com base no IGC de 2015, recentemente divulgado.

Constituída por 100% de doutores tem uma importância imensa no norte e noroeste fluminense, formando jovens em diferentes áreas do conhecimento de origem das regiões mais pobres do RJ.

* Professor Associado, Centro de Biociências e Biotecnologia UENF, Vice-Presidente da ADUENF

FONTE: http://www.viomundo.com.br/denuncias/professor-denuncia-a-dramatica-situacao-da-universidade-que-leva-o-nome-de-darcy-ribeiro.html

Uenf resiste ao projeto de destruição do (des) governo Pezão e recebe prêmio nacional pela excelência na formação de recursos humanos para a pós-graduação

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Numa demonstração inequívoca da força do projeto idealizado por Darcy Ribeiro, a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) acaba de ser agraciada na 14a. edição do Prêmio Destaque na Iniciação Científica e Tecnológica – categoria Mérito Institucional- que vem sendo distribuído pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) desde 2003 (Aqui!).

merito institucional

É importante lembrar que esta é a terceira premiação que a Uenf recebe nesta categoria, o que a torna a instituição que mais vezes foi agraciada com este troféu que premia as instituições que alcançam melhor índice de sucesso na preparação de estudantes de graduação para a realização de cursos de Mestrado e Doutorado.

Nunca é demais lembrar que esta premiação nacional ocorre num momento em que a Uenf está à beira de completar 19 meses sem receber verbas de custeio e investimento do (des) governo Pezão. Isto sem falar nos atrasos crônicos no pagamento de bolsas acadêmicos e salários dos servidores.

A entrega do prêmio deverá ocorrer durante a realização da Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) quee ocorrerá entre os dias 16 e 22 de Julho de 2017 no campus da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) na cidade Belo Horizonte.

E é por essas e outras que não se permitir que o sonho dos campistas de ter no município uma universidade pública, gratuita e de qualidade seja destruído pelo (des) governo Pezão. 

Longa vida à Uenf, fora Pezão!