Para salvar a Universidade do Terceiro Milênio de Darcy Ribeiro será preciso derrotar a universidade mínima do (des) governo Pezão

A semana passada foi marcada na Universidade Estadual do Norte Fluminense por atividades que celebraram os 24 anos do início das atividades da instituição pensada por Darcy Ribeiro e materializada por Leonel Brizola. Uma das marcas desse aniversário é certamente a crise profunda em que a Uenf foi imersa pela proposta de Estado mínimo que está sendo impulsionada a fórceps na instituição pelo (des) governo Pezão. 

E não haveria como ser diferente, pois, desprovida de verbas de custeio desde Outubro de 2015, a Uenf vem tendo sua capacidade criativa sufocada pela inexistência de condições mínimas de funcionamento.  Aqui não estou falando aqui do imenso matagal que está se formando em partes do campus Leonel Brizola, nem dos muitos prédios que se encontram incompletos e sem prazo de conclusão, que tanto chocam jornalistas que pedem imagens da situação em que a Uenf se encontra neste momento (ver imagens abaixo).

Na verdade a capacidade criativa da Uenf está sendo eficazmente sufocada em algo mais essencial que são suas práticas pedagógicas nos seus cursos de graduação e pós-graduação, onde a falta de insumos básicos está reduzindo o modelo revolucionário de Darcy Ribeiro ao mero oferecimento de uma perspectiva meramente conteudista, reproduzindo o que há de pior em outras áreas degradadas da educação pública.

E mesmo a versão minimalista se encontra de colapsar a partir de Outubro quando começam a ser encerrados os projetos de pesquisa de onde estão saindo as verbas que ainda estão mantendo as atividade de ensino e pesquisa realizadas na Uenf!

É como se aos poucos, a Uenf esteja sendo desprovida do que tem de melhor, e se adequando ao minimalismo criativo e descompromisso com a sociedade fluminense que transbordam em todas as ações do (des) governo Pezão.   O pior é que até mesmo a reverência mostrada a Darcy Ribeiro por alguns que esbaldam em lágrimas, supostamente em lamento pela situação em que a Uenf  foi colocada por inimigos invisiveis e de nomes impronunciáveis, é como aquela que as filas de cidadãos russos vão prestar no Mausoléu de Lênin na Praça Vermelha em Moscou, onde o corpo do líder da revolução de 1917 permanece embalsamado apenas para ser mostrado enquanto  uma imagem pálida do seu vigor intelectual (e deste modo inofensiva). Vigor intelectual este que foi aplicado com rara eficiência na concretização da maior revolução social que o sistema capitalista já presenciou

Entretanto, o pior é que tenho visto é a tentativa de se adequar ao modelo minimalista imposto pelo (des) governo Pezão como um gesto de resistência, quando, na prática, o que tenho visto é apenas uma naturalização do processo de destruição em curso.  Essa pseudo resistência é o pior desserviço que poderia ser feito à memória de Darcy Ribeiro que nunca foi homem de resignar a nada. E certamente Darcy Ribeiro não se resignaria a ver a Uenf sendo desmantelada de forma silenciosa e covarde.

Um exemplo disso é a sinalização pública, e que antes era oferecida apenas de forma privada entre quatro paredes, de que uma das saídas para a falta de recursos estatais seria a cobrança de mensalidades dos estudantes e a venda de serviços pelo corpo docente. Se concretizadas essas duas medidas significarão o fim da universidade pensada por Darcy Ribeiro e a consumação do Estado mínimo engendrado pelo governo “de facto” que se instalou de forma ilegítima em Brasília e que está sendo aplicado na forma de um laboratório avançado pelo (des) governo Pezão no estado do Rio de Janeiro.

O lado positivo desse processo é que existem cabeças pensando outras saídas para a Uenf que não seja a aniquilação objetiva de todo o seu potencial transformador e que tantos frutos já gerou desde o início do seu funcionamento em 1993.    Assim, seja qual for o resultado da atual greve de professores e técnicos-administrativos é certo que não estaremos encerrando o bom combate pela defesa da essência criadora da Uenf. Na verdade, superada a névoa da resistência subordinada, poderemos utilizar as ferramentas do pensamento crítico para ampliarmos o debate em torno do papel social da Uenf em nossa sociedade, mantendo-se acima de tudo o seu caráter público e gratuito.

Longa vida à Uenf de Darcy Ribeiro e um imenso não à universidade mínima do (des) governo Pezão!

Reflexões do meu reencontro com o cacique Álvaro Tukano

Em um algum momento do meio da década de 1980 participei da organização de um encontro organizado pelo Centro Acadêmico de Geografia da Universidade Federal do Rio de Janeiro sobre a questão indígena. Lá conheci o cacique Álvaro Tukano, um dos primeiros líderes do movimento indígena brasileiro, que aceitou o convite para falar da situação que os povos originários brasileiros enfrentavam naquele período final do regime militar de 1964.

Hoje,  mais de 30 anos depois daquele encontro, pude encontrar e conversar com o cacique Álvaro Tukano que veio participar de uma mesa redonda sobre a obra de Darcy Ribeiro que compôs a programação oficial dos 24 anos da Universidade Estadual do Norte Fluminense.

alvaro tukano apitao

Além das trocas de amabilidades que cercam encontros de pessoas que não se vêem por longos períodos de tempo, pudemos conversar rapidamente sobre a situação dos povos indígenas frente ao avassalador ataque que está sendo preparado contra suas terras pelo latifúndio agro-exportador e pelas empresas de mineração sob a batura do presidente “de facto” Michel Temer.  Ele me confidenciou que até nas terras onde seu povo vive ao longo do Rio Negro as ameaças proliferam contra a integridade das terras indígenas.

Depois de conversarmos, pude ouví-lo falar com a mesma oratória firme que me impressionou há mais de 30 anos sobre a importância de Darcy Ribeiro e de seus descendentes intelectuais na afirmação de uma sociedade mais justa para todos os brasileiros.  Além disso, Álvaro Tukano lembrou de outras lideranças indígenas que foram assassinadas ao longo do tempo e se transformaram em mártires da luta dos povos originários pelo direito de  permanecer em suas terras e defender a rica biodiversidade nelas existentes. Em especial ele refutou a noção disseminada pelos latifundiários de que os indígenas são invasores de terras, pois os povos indígenas já estavam aqui muitos antes da chegada dos conquistadores portugueses.

Essa visita de Álvaro Tukano, além de possibilitar o prazer do reencontro, também me lembra que preciso falar mais da situação dificílima em que se encontram os povos indígenas e os quilombolas sobre quem recai uma ofensiva durissíma neste momento. 

No aniversário de 24 anos da Uenf é preciso nos insurgir contra os que querem sua destruição

 

Neste 16 de Agosto, a Universidade Estadual do Norte Fluminense completará 24 anos de início de suas atividades que tanto impacto já causaram em nossa região e na vida de milhares de jovens que vieram até o campus Leonel Brizola em busca de formação acadêmica de qualidade sendo oferecida numa instituição pública.

O sucesso da Uenf pode ser medido de diversas maneiras, mas a que eu prefiro é na acolhida que sempre tenho entre as pessoas mais pobres de nossa população que genuinamente acreditam que podemos tornar as vidas de suas filhas e filhos em algo melhor daquilo que elas puderam ter.

O fato de que estamos atravessando uma crise que choca aos olhos minimamente sensíveis não irá nos fazer esmorecer, muito pelo contrário. Esse tipo de compromisso que vejo em muitos dos meus colegas de labuta é o que sempre me anima em face dos muitos momentos de incerteza e dificuldade que já vivi desde que cheguei a Campos dos Goytacazes no final de 1997.  

Mas não vamos negar o óbvio. O projeto de excelência com que sonharam os fundadores da Uenf se encontra sob grave risco. E o responsável por esse risco é o (des) governo comandado pelo Sr. Luiz Fernando Pezão.  E não falo aqui apenas da asfixia financeira que nos priva de verbas de custeio e de salários e bolsas pagos em dia. Essas questões são apenas facetas de um projeto muito maior que visa subtrair da Uenf a sua capacidade de formar jovens saídos das camadas médias e mais pobres da nossa população.

O real risco que vivemos é da cessação da entrega de verbas públicas para sustentar a Uenf da forma que ela foi idealizada.  A partir daí se tornará inevitável a cobrança de mensalidades para os estudantes e a venda de serviços para empresas em nome da viabilidade financeira da universidade. Se isso ocorrer, estaremos assistindo ao fim do modelo institucional visionário que foi engenhosamente desenvolvido por Darcy Ribeiro e um seleto grupo de intelectuais que se uniram a ele para criar o que viemos a conhecer pelo nome de Uenf.

Não menos importante é dizer que a Uenf e as nossas coirmãs Uerj e Uezo, como o estado do Rio de Janeiro, estão sendo utilizadas como um laboratório de destruição das universidades públicas existentes no Brasil. Esse aspecto é pouco abordado, mas é essencial que entendamos que os riscos impostos sobre a Uenf estão também colocados sobre todas as demais universidades públicas brasileiras, estaduais ou federais, e também sobre os institutos federais. É que para os impulsionadores das políticas ultra neoliberais que estão tentando quebrar a espinha dorsal do Estado brasileiro, universidades públicas e gratuitas são como espécies animais que se recusam a se tornar extintas.

Por isso mesmo, não nos contentaremos mais a dizer que resistiremos a esse projeto de destruição. A nossa obrigação efetiva é de nos insurgirmos contra os inimigos da educação pública para derrotar o seu projeto de retorno ao Século XVI. Como paranaense que sou me arrisco a dizer que nos comportaremos como as araucárias que se recusam a ser extintas e há milênios vem desafiando todas as probabilidades para se manterem  vivas.

Lembrando Darcy Ribeiro é preciso que digamos a quem quer destruir a Uenf que  só existem duas opções nesta vida: se resignar ou se indignar. E  nós não iremos nos resignar nunca.

Longa vida à Uenf pública, gratuita e democrática.

Professor denuncia a dramática situação da universidade que leva o nome de Darcy Ribeiro

uenf

 

Por Alessandro Coutinho Ramos*

Sou professor associado na Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro em Campos dos Goytacazes. A UENF foi idealizada pelo Senador Darcy Ribeiro num projeto inovador da chamada “Universidade do Terceiro Milênio” .

Nesta universidade, eu e muitos colegas, tivemos  oportunidades que definiram o nosso futuro. No meu caso, tive a  oportunidade de estudar e viver no exterior, realizando meu doutorado sanduíche e depois o Pós-doutorado, para posteriormente voltar ao Brasil como um profissional diferenciado.

Estamos vivendo o pior momento das nossas vidas com três meses de salários integrais atrasados e o décimo terceiro de 2016. A Universidade está sem os repasses aprovados em orçamento desde 2015 e com isso sem seguranças e com serviços de água e luz sob liminares.

Na UENF ainda temos alunos com bolsas em atraso e ainda convivemos com a falta de repasses do governo desde 2015. Peço-lhes que  nos ajude a divulgar este momento da nossa UENF porque a situação está precária. Amigos docentes estão doentes e com problemas psicológicos. Os técnicos administrativos numa situação pior ainda.

Infelizmente, a mídia do Rio e do Brasil tem dado ênfase apenas na UERJ e se esquecendo que são três universidades estaduais no RJ.

Somos todos em regime de Dedicação Exclusiva e sem quatro vencimentos integrais na conta.

Em agosto podemos completar 5 meses sem salário integral na conta, e o governo vem pagando pequenas parcelas humilhantes que nem chega para pagar o plano de saúde da família sem contar com as despesas com aluguel, luz, água e condomínio.

Tudo ainda se agrava  com os projetos de pesquisa que a FAPERJ, sem recursos, não faz os depósitos. A sensação de incerteza do plano do governo do RJ, especificamente do governador Pezão, com a “educação superior, ciência e tecnologia” é muito cruel. A UERJ e a UEZO estão na mesma situação da UENF. 

Peço gentilmente que nos ajudem na divulgação desta situação da UENF. 

Já enviei a diferentes veículos de comunicação porém sem respostas. O Rio de Janeiro esqueceu da UENF e o Brasil também!

A nossa associação docente (ADUENF) vem lutando e remando contra a maré para divulgar e lutar pelos nossos direitos e por isso lançou diversas campanhas no facebook, incluindo internacionais. A adesão virtual é sensacional mas sem efetividade prática.

O meu cuidado em pedir ajuda pela UENF é porque estamos no interior, e somos esquecidos em diversas formas, seja na mídia, seja politicamente.

Reforço que a UENF é a terceira melhor universidade  estadual do país, segunda do RJ e décima terceira do Brasil segundo o Ranking do INEP/MEC com base no IGC de 2015, recentemente divulgado.

Constituída por 100% de doutores tem uma importância imensa no norte e noroeste fluminense, formando jovens em diferentes áreas do conhecimento de origem das regiões mais pobres do RJ.

* Professor Associado, Centro de Biociências e Biotecnologia UENF, Vice-Presidente da ADUENF

FONTE: http://www.viomundo.com.br/denuncias/professor-denuncia-a-dramatica-situacao-da-universidade-que-leva-o-nome-de-darcy-ribeiro.html

Uenf resiste ao projeto de destruição do (des) governo Pezão e recebe prêmio nacional pela excelência na formação de recursos humanos para a pós-graduação

Foto historia ingles

Numa demonstração inequívoca da força do projeto idealizado por Darcy Ribeiro, a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) acaba de ser agraciada na 14a. edição do Prêmio Destaque na Iniciação Científica e Tecnológica – categoria Mérito Institucional- que vem sendo distribuído pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) desde 2003 (Aqui!).

merito institucional

É importante lembrar que esta é a terceira premiação que a Uenf recebe nesta categoria, o que a torna a instituição que mais vezes foi agraciada com este troféu que premia as instituições que alcançam melhor índice de sucesso na preparação de estudantes de graduação para a realização de cursos de Mestrado e Doutorado.

Nunca é demais lembrar que esta premiação nacional ocorre num momento em que a Uenf está à beira de completar 19 meses sem receber verbas de custeio e investimento do (des) governo Pezão. Isto sem falar nos atrasos crônicos no pagamento de bolsas acadêmicos e salários dos servidores.

A entrega do prêmio deverá ocorrer durante a realização da Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) quee ocorrerá entre os dias 16 e 22 de Julho de 2017 no campus da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) na cidade Belo Horizonte.

E é por essas e outras que não se permitir que o sonho dos campistas de ter no município uma universidade pública, gratuita e de qualidade seja destruído pelo (des) governo Pezão. 

Longa vida à Uenf, fora Pezão!

Feira de Ciências da UENF: um ato de resistência contra o projeto de privatização do (des) governo Pezão

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O Centro de Convenções da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) foi palco hoje de uma poderosa demonstração de que a população do Norte e Noroeste Fluminense, especialmente a sua juventude, entendem a importância que a universidade do Terceiro Milênio, criada por Darcy Ribeiro, possui para um futuro melhor para todos.  E como dizem os portugueses… foi bonita de se ver a festa, pá!

É que em pleno sábado ensolarado, centenas de estudantes e pais puderem interagir com estudantes e professores para ver de perto algumas mostras das múltiplas atividades de ensino, pesquisa e extensão que são desenvolvidas na Uenf. 

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Mas é importante ressaltar que esta Feira de Ciências foi um ato de resistência contra a política de privatização que está sendo executada pelo (des) governo Pezão contra o sistema de universidades estaduais que além da Uenf, também inclui a Uerj e a Uezo.

Abaiixo uma declaração que dei para a comunidade  UENF-resiste que foi criada na rede social Facebook para disseminar a mensagem de resistência contra o (des) governo Pezão.

 

 

Vamos salvar a Universidade do Terceiro Milênio

Por Isaac Roitman,  professor emérito da UnB, escreve artigo para o Jornal da Ciência

A Universidade do Terceiro Milênio como foi chamada por Darcy Ribeiro, que a concebeu, foi criada em 1993 como uma universidade experimental para introduzir inovações no ensino superior brasileiro em um ambiente interdisciplinar, com um corpo docente composto 100% por doutores com dedicação exclusiva. Esta universidade foi instalada na cidade de Campos dos Goytacazes, Norte do Estado do Rio de Janeiro tendo como uma das suas finalidades promover transformações sociais através da interiorização do ensino público de qualidade. Alguns frutos dessa experiência rapidamente foram colhidos. A Universidade do Norte Fluminense Darcy Ribeiro foi considerada pelo MEC entre 2007 e 2010 como uma das 15 melhores universidades brasileiras, com base no Índice Geral dos Cursos (IGC). No IGC/2011, divulgado em 2012, ela foi considerada a melhor universidade do estado do Rio de Janeiro e a 11º melhor do país. Em 2003 e em 2009 ela ganhou o Prêmio Destaque do Ano na Iniciação Científica, conferido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.

As dificuldades da UENF surgiram em outubro de 2015 com a interrupção do repasse de recursos orçamentários que acarretou no não pagamento de energia, segurança patrimonial, serviços de limpeza e manutenção, e telefonia. Estes problemas persistem até hoje e a cada dia está sendo agravado gerando insegurança em toda comunidade acadêmica. Em março de 2016 o Conselho Universitário da instituição afirmou que se os problemas persistirem o fechamento seria inevitável. Em agosto de 2016 a UENF tinha cerca de R$ 17 milhões em dívidas acumuladas e hoje ultrapassam os R$ 55 milhões de reais. A atual situação é catastrófica com atraso e parcelamento no pagamento de professores e servidores. Os salários de novembro de 2016 estão sendo parcelados em janeiro de 2017. Ninguém sabe quando serão pagos os salários de dezembro de 2016, o 13º salário e o salário de janeiro de 2017. A comunidade acadêmica sente-se humilhada, ultrajada e moralmente abalada. Servidores docentes e técnicos estão com dificuldades para manterem suas famílias e até mesmo chegar ao seu trabalho. Mesmo diante de tantas dificuldades a comunidade acadêmica continuou atuando até o final de 2016, porém há uma séria dificuldade para retornar as atividades em 2017 caso não haja uma normalização dos pagamentos de salários.

O fomento à pesquisa está totalmente interrompido, pois a Fundação de Amparo à Pesquisa Carlos Chagas Filho (Faperj) também sofre com dificuldades de repasse de verbas. Muitos estudantes perderam bolsas de estudos e os que não perderam vem recebendo os valores financeiros relativos às suas bolsas de maneira precária e sem calendário definido. Essa triste conjuntura gera sérios desdobramentos que transcendem as fronteiras estaduais. Um dos projetos na área de meio ambiente conduzidos por pesquisadores da UENF em colaboração com um grupo do Instituto Marx Planck da Alemanha, está comprometido pela falta de aporte de recursos já aprovados pela Faperj o que tem forçado os pesquisadores a tirarem recursos do próprio bolso para pequenas despesas. No entanto, para as grandes despesas essa solução doméstica é inviável. O projeto será interrompido e a credibilidade dos pesquisadores e da instituição irão pelo ralo abaixo. Outras situações semelhantes poderiam ser relatadas.  A própria segurança da universidade está comprometida. No período entre o Natal e o Ano Novo os prédios da UENF foram invadidos, roubados e vandalizados.

A Universidade do Terceiro Milênio está neste momento como um prisioneiro que seus últimos passos no corredor da morte. Temos que salvá-la. Não podemos ficar calados. É fundamental que a comunidade acadêmica e toda a sociedade brasileira se mobilizem para que a UENF atravesse sem sequelas essa tempestade de insensatez que ocorre no Brasil. A saúde financeira da UENF deve ser prontamente reestabelecida para que ela possa continuar com sua nobre e virtuosa missão. A sociedade campista e do Rio de Janeiro e de todo o país deve pressionar os governantes para que não morra o sonho de Darcy Ribeiro.  Segundo ele, “a crise da educação no Brasil não é uma crise; é um projeto”. Vamos todos combater esse projeto. É também pertinente lembrar outro pensamento desse grande brasileiro: “Só há duas opções nesta vida: se resignar ou se indignar. E eu não vou me resignar nunca.” Vamos à luta pois a causa é virtuosa. Lembremos também o pensamento de outro grande brasileiro, Oswaldo Cruz: “Não esmorecer para não desmerecer.”

* Professor emérito e coordenador do Núcleo de Estudos do Futuro da Universidade de Brasília, pesquisador emérito do CNPq, membro da Academia Brasileira de Ciências e membro do Movimento 2022 O Brasil que queremos. Foi diretor do Centro de Biociências e Biotecnologia da UENF (1995-1996).

FONTE: http://www.jornaldaciencia.org.br/edicoes/?url=http://jcnoticias.jornaldaciencia.org.br/20-vamos-salvar-a-universidade-do-terceiro-milenio/