Pescadores denunciam que novo vazamento de óleo próximo da Reduc lançou mais poluição na Baía de Guanabara

oleo rio iguaçu

Ontem (08/12/2021) ocorreu novo vazamento de óleo próximo à Refinaria Duque de Caxias (REDUC) que atingiu o rio Iguaçu, o manguezal e as águas da Baía de Guanabara, além de atingir aquele Território Pesqueiro de onde os pescadores artesanais tentam diariamente tirar o sustento de suas famílias. O fato foi comunicado nesta tarde pela coordenação do Baía Viva por meio de WhatsApp ao Secretário Estadual do Ambiente e Sustentabilidade (SEAS), Thiago Pampolha, e ao presidente do Instituto Estadual do Ambiente (INEA), Philipe Campelo, para os quais foi enviado um vídeo feito hoje no local, com pedido de providências para apurar a origem do vazamento de óleo e avaliar o dano ambiental e os impactos ao Território Pesqueiro.

Desde 2020, a partir de denúncias feitas em conjunto pela Colônia de Pesca de Duque de Caxias e o Movimento Baía Viva, o Ministério Público Federal de São João de Meriti apura as responsabilidades pelo despejo ilegal de substância química denominada pelos pescadores de “Água Vermelha” que vez por outra tem vazado para a Baía de Guanabara.

Também desde o ano passado, por denúncias feitas pelas duas organizações, o MPF de São João de Meriti apura as responsabilidades pelo vazamento de substâncias químicas pela BRASKEM que tem vazado periodicamente de forma ilegal para as águas da Baía de Guanabara.

“Estamos em plena Década do Oceano e da Restauração dos Ecossistemas (ONU, 2021-2030), mas infelizmente as baías fluminenses continuam sendo sacrificadas pela poluição industrial, esgotos não tratado e lixo. As comunidades pesqueiras passam por forte empobrecimento provocado pela intensa e crescente poluição; e muitas famílias de pescadores estão passando por insegurança alimentar. Até quando esta Impunidade Ambiental vai continuar!?”, ressalta indignado Sérgio Ricardo Potiguara cofundador do Baía Viva .

Vários vídeos sobre a poluição provocada pela REDUC e a BRASKEM estão disponíveis no canal YouTube Baía Viva Movimento e no site: http://www.baiaviva.com

Agência Lupa mostra que acusação de inação de ONGs no caso do vazamento de óleo é falsa

#Verificamos: É falso que nenhuma ONG ajudou a limpar óleo em praias do Nordeste

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Por MAURÍCIO MORAES, Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news

Circula pelas redes sociais um post com a afirmação de que organizações não-governamentais (ONGs) não participaram de mutirões de limpeza do óleo que tem atingido as praias do Nordeste. Desde o início de setembro, enormes manchas desse produto têm sido trazidas do mar para o litoral. Ainda não há explicação para a origem do vazamento, nem se sabe a quantidade total despejada no oceano. Por meio do ​projeto de verificação de notícias, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da ​Lupa​:

ongs-mutirao-praias-nordesteTexto de post publicado no Facebook que, até as 15h30 de 21 de outubro de 2019, tinha 710 compartilhamentos

FALSO

A informação, analisada pela Lupa, é falsa. A ONG Projeto Praia Limpa tem realizado mutirões de limpeza com a ajuda de voluntários para remover o óleo das praias de Coruripe, em Alagoas. Além disso, outras três entidades – Instituto VerdeluzAquasis e Instituto Biota de Conservação –, especializadas em fauna, prestam primeiros socorros a animais atingidos pelo produto, além de participar de grupos de trabalho montados nos estados para combater o problema.

O Projeto Praia Limpa foi criado há quatro anos e, como o próprio nome diz, tem o objetivo de atuar em defesa da conservação do litoral. “Nós fazemos um trabalho de combate ao lixo do mar e proteção das tartarugas marinhas”, afirmou o coordenador da entidade, Felipe Santos, à Lupa, em conversa pelo Instagram. Ele cuida da ONG junto com a esposa, a bióloga Solange Santos. Para combater o óleo e limpar as praias de Coruripe são convocados grupos de 30 pessoas, formados, em sua maior parte, por voluntários. Algumas fotos das ações estão disponíveis no Instagram da entidade

Também em Alagoas, o Instituto Biota de Conservação presta primeiros socorros a animais contaminados pelo óleo. O foco da entidade está em cuidar de tartarugas e mamíferos marinhos. Na página da ONG no Facebook há posts que falam sobre alguns dos resgates ligados à contaminação, como o de uma tartaruga encontrada em Maragogi (AL) de outra encontrada em Coruripe. Também foi encontrado um golfinho morto, com manchas de óleo. Representantes da entidade ainda participaram de reuniões de emergência com órgãos ambientais, para discutir medidas de contenção.

No Ceará, as ONGs Instituto Verdeluz e Aquasis também têm ajudado os animais atingidos pelo óleo e participam de um grupo de trabalho formado pelo governo do estado em resposta à crise. De acordo com um balanço feito pelo Verdeluz, sete das 37 tartarugas que encalharam no Ceará entre o início de setembro e meados de outubro tiveram contato com o óleo. Já a Aquasis usa o seu Centro de Reabilitação de Mamíferos Marinhos para atender animais oleados, após pedido do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e da Superintendência Estadual do Meio Ambiente do Ceará.

Nota: esta reportagem faz parte do projeto de verificação de notícias no Facebook. Dúvidas sobre o projeto? Entre em contato direto com o Facebook

Editado por: Natália Leal

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Este material foi originalmente publicado pela Agência Lupa [Aqui!].