Eleições 2020: será que continuaremos presos à uma lógica onde o novo já nasce sempre velho?

pobeza extremaMoradia precária na Estrada do Jacu, no Parque Aldeia, em Guarus (Foto: Carlos Grevi)

Por Carlos E de Rezende e Marcos A Pedlowski

No ano de 2020, o Brasil respira com intensidade as eleições municipais e, na maioria das cidades brasileiras, vivemos a expectativa de que haja uma mudança de fato na forma em que nossos destinos são geridos pelos governantes de plantão. Em Campos dos Goytacazes, presenciamos – mais uma vez – a disputa entre nomes que nos remetem à dinastias políticas que há décadas se alternam no poder, seja no executivo e/ou no legislativo. É importante também ressaltar a expectativa de alguns atores locais tentando influenciar direta ou indiretamente no jogo de escolhas. Sim, jogo de escolhas, pois nas inúmeras considerações que certos arautos de uma democracia amordaça não entram, por exemplo, a qualificação das candidaturas e da possibilidade real de mudança, pois se opta por ressaltar a idade das candidatas, sem que se faça o mesmo com os candidatos, evidenciando uma evidente questão de intolerância de gênero que beira a misoginia explícita.

Por outro lado, a tentativa recorrente de enfraquecer e desacreditar as pautas identitárias é no mínimo uma bofetada no rosto de todos os cidadãos campistas que, em algum momento na sua vida, sofreram algum tipo de discriminação, seja por causa da cor da sua pele ou da sua orientação sexual. Portanto, aos teóricos reacionários informamos que estas pautas podem e devem ser defendidas por todas as candidaturas como forma de corrigir erros do passado, e também incluir toda a população de forma simétrica, sem que seja preciso abandonar a questão da classe social como elemento fundante das análises sobre a realidade social.

Desta forma, os componentes dentro do jogo de escolha nas candidaturas possíveis para sentar na cadeira de prefeito de Campos dos Goytacazes deveriam trazer a luta pela justiça e vulnerabilidade social, pois somos um dos países com a maior desigualdade e  o nosso município não é diferente, muito pelo contrário, pois os últimos quatro anos foram marcados por um profundo ataque  às políticas sociais que precariamente serviam como formas de mitigação da miséria extrema que se mostra ainda abundante. Outro ponto que chama nossa atenção é que a alternância de determinados grupos da política local não representou uma transformação na forma de gerir o município, e mantendo como prioridade as demandas das elites locais.

Ao se governar para quem sempre ganhou com os diferentes ciclos de riqueza que marcaram a história do nosso município, as demandas sociais da população mais pobre sempre foram ignoradas. Desta forma, entendemos que a mudança de fato só ocorrerá quando se levar em conta as demandas de toda a população, olhando em detalhe as necessidades dos que foram alijados das benesses trazidas por quase duas décadas de rendas do petróleo. A priorização das ações do governo municipal impõe como meta a garantia de serviços públicos de qualidade na saúde e assistência social, educação e na agricultura familiar. Do contrário, veremos o número lamentável de 45 mil famílias vivendo em miséria extrema em Campos dos Goytacazes aumentar exponencialmente.

Agora, quanto à continuidade no jogo de escolha das candidaturas gostaríamos de destacar o papel do legislativo local, ou seja, a da escolha dos futuros vereadores. A função dos vereadores é criar leis, representar os interesses da população, defender os interesses da sociedade com independência entre os poderes, e o mais importante, fiscalizar as contas públicas e o cumprimento das ações do poder executivo. Portanto, quando se responsabiliza apenas o prefeito sobre a não execução das suas propostas enquanto candidatos, não se pode deixar de levar em conta que os vereadores também possuem uma grande responsabilidade.  E mais, um prefeito que responsabiliza gestões anteriores pela situação encontrada, tendo ele sido vereador, como é o caso de Rafael Diniz, é no mínimo uma expressão leviana, pois deveria ter atuado com responsabilidade no controle das contas públicas e, pelo menos, conhecer minimamente a situação que iria encontrar a frente da Prefeitura.

Concluindo, esta também é a hora de conhecer os projetos daqueles que se apresentam para os próximos 4 anos na nossa Câmara Municipal. E temos alguns fatores a serem considerados, a saber: 1) os que pensam na reeleição devem mostrar os serviços que prestaram a população campista; 2) os que se apresentam como oposição ao atual governo, mas na realidade estiveram presentes no governo, se saíram por questões eleitorais simulando um novo que na realidade e o mesmo de sempre, e poucos foram os serviços prestados à população e ao nosso município; e 3) as candidaturas que vem com as propostas sociais e que tentam definitivamente incluir as populações vulneráveis e os pobres dentro do orçamento municipal.

Finalmente, acreditamos que chegou a hora da população campista votar em candidaturas para a Prefeitura e a Câmara de Vereadores que defendam uma nova pauta política que permita a inclusão social da população mais vulnerável, bem como a defesa intransigente da redução da desigualdade social em nosso município. Sem isso, corremos o risco de ficarmos em um eterno ciclo vicioso onde o novo já nasce sempre velho, e a chuva cai sempre onde inunda mais rápido.

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*Carlos Eduardo de Rezende é professor titular do Laboratório de Ciências Ambientais do Centro de Biociências e Biotecnologia (CBB) da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), e Marcos Pedlowski é professor associado do Laboratório de Estudos do Espaço Antrópico do Centro de Ciências do Homem (CCH) da Uenf.

Diálogos com a Democracia

Venham discutir, dialogar e participar conosco

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A Frente Antifascista promove uma série de encontros em várias instituições de ensino da cidade de Campos. Chama-se Diálogos com a Democracia, a intenção é nobre: a promoção da cidadania e defesa dos Direitos Humanos.

O primeiro encontro será na Universidade Estadual do Norte Fluminesne (Uenf).

Vivemos tempos sombrios onde um neo-fascismo ascendeu dos escombros da sociedade,  nos últimos anos, promovendo a violência como forma de desestruturação de nossa sociedade, o fim das políticas sociais, a criminalização dos movimentos populares, a privatização dos bens públicos como a Embraer e Eletrobrás, a entrega de nossas riquezas naturais como petróleo e água, o enfraquecimento das instituições públicas de ensino superior e o desmonte da política de ciência e tecnologia e de nossa engenharia nacional.

Nos últimos meses vimos o aumento do desemprego, do subemprego, a volta da mortalidade infantil, o cozimento de alimentos a lenha pelos mais pobres, insegurança alimentar (fome), o estrangulamento dos investimentos públicos em saúde, educação, moradia e transferência de renda.

Nós, cidadãos e cidadãs, temos a obrigação de nos posicionar contra o aprofundamento das mazelas em nossa já extrema desigualdade social. Lutar contra o retrocesso promovido por setores ultraconservadores de nossa sociedade.

Não é justo que os bens sociais sejam repartidos apenas ao 0,5% da população, os super-ricos.

Não é justo flagrarmos crianças e adultos remoendo o lixo em busca de algo para se alimentarem.

Não é justo as pessoas estarem em situação de rua por perderem seus empregos e não terem suas casas.

Não é justo vermos neo-fascistas defenderem a pena-de-morte como solução para a ineficiente segurança pública, num país onde mais de  318 mil jovens, maioria negros, foram brutalmente assassinados por arma de fogo, entre 2005 e 2015, dados do Atlas da Violência.

Não é justo jovens mães não trabalharem e estudarem por falta de creches públicas, para suas crianças, e serem vítimas da violência doméstica e sexual.

Não é justo vermos crianças perambulando pelas ruas em busca do mínimo de dignidade e esperança, sem escolas e parques para brincarem.

Como bem lembra o mestre Gonzaguinha: GUERREIRO MENINO

Um homem se humilha
Se castram seus sonhos
Seu sonho é sua vida
E vida é trabalho
E sem o seu trabalho
O homem não tem honra
E sem a sua honra
Se morre, se mata
Não dá pra ser feliz
Não dá pra ser feliz.

A FRENTE ANTIFASCISTA conclama todos e todas que defendem uma Democracia que construa uma sociedade mais justa e solidária, que garanta a todos e todas os mesmos direitos, o direito a máxima felicidade possível.

Data e horários serão anunciados em breve.

Nos encontramos lá.

FRENTE ANTIFASCISTA

Meritocracia que nada, o negócio dos ultrarricos brasileiros é concentrar renda

O jornal espanhol El País publicou hoje um artigo assinada pela jornalista Marina Rossi sobre um estudo realizado pela OXFAM Brasil sobre o nível de desigualdade de renda entre os brasileiros que contém uma informação que escancara a abissal diferença que existe entre os brasileiros: seis ultrarricos [ Jorge Paulo Lemann (AB Inbev), Joseph Safra (Banco Safra), Marcel Hermmann Telles (AB Inbev), Carlos Alberto Sicupira (AB Inbev), Eduardo Saverin (Facebook) e Ermirio Pereira de Moraes (Grupo Votorantim)] detém mais riqueza que os 100 milhões mais pobres da nossa população [1]

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Ao buscar mais informações na página oficial da própria OXFAM Brasil encontrei o documento na qual a matéria do El País foi baseado sob o título de “A distância que nos une: um retrato das desigualdades brasileiras” e que também foi publicado nesta 2a. feira (25/09).

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O principal elemento que salta das diversas variáveis incluídas neste documento é que persistem profundas desiguldades na divisão da riqueza entre os brasileiros. Além disso, há uma série de barreiras para que essa desigualdade seja significativamente diminuída. 

E aquela conversa de que o problema do Brasil é que não prezamos a meritocracia no funcionamento na nossa sociedade? Só conversa mesmo, pois não há como sequer mencionar a aplicação de critérios de meritocracia onde tão poucos têm tanto e tantos têm tão pouco.

Quem desejar acessar e baixar o documento da OXFAM Brasil basta clicar [Aqui!].


[1] https://brasil.elpais.com/brasil/2017/09/22/politica/1506096531_079176.html

Karl Marx, quem diria, já pode voltar

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