WWF-Brasil alerta sobre riscos ao Pantanal, a maior área úmida brasileira

No Dia Mundial da Água, instituição aponta as principais ameaças à segurança hídrica devido aos impactos da ação humana no Pantanal

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Conhecida como reino das águas, a maior área úmida do planeta, que fica nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e partes da Bolívia e Paraguai, tem sua segurança hídrica cada vez mais ameaçada. Esse é o alerta do WWF-Brasil no Dia Mundial da Água. Uma combinação de fatores que têm se intensificado ao longo dos anos – que vão das mudanças climáticas às queimadas, passando pelo crescente número de barragens que modificam o fluxo das águas – está alterando a dinâmica das águas do Pantanal, que se tornou especialmente vulnerável este ano. Níveis historicamente baixos do Rio Paraguai podem ocasionar uma nova temporada de queimadas como nos últimos anos, que pode trazer consequências irreversíveis.

Isso porque o Pantanal cumpre várias funções, entre as quais conservação de solo e da biodiversidade, estabilização do clima e fornecimento de água. Segundo o Serviço Geológico do Brasil, o Rio Paraguai, principal indicador das condições de inundação do Pantanal, apresenta uma tendência de seca para este ano de 2021. Especialmente as regiões de Cáceres e Porto Conceição, ambas no Estado de Mato Grosso, apresentam níveis historicamente baixos no Rio Paraguai. No Mato Grosso do Sul, em Forte Ladário e Coimbra também são previstos níveis historicamente baixos. Os modelos de previsão indicam que a seca continuará nos próximos períodos, com uma interrupção da recuperação do nível do rio. Os gráficos no fim do texto mostram o nível do rio fora da zona de normalidade.

“Mesmo que o regime de precipitação se normalize, é pouco provável que o Rio Paraguai e o Pantanal tenham cheias significativas, mantendo-se em níveis historicamente baixos. Além disso, o fogo e as mudanças no uso do solo tendem a afetar a própria precipitação na região. Com a diminuição da cobertura vegetal, a tendência é que haja menor evapotranspiração, menor umidade no ar, e, logo, menor índice de chuvas. Temos um cenário de mudanças climáticas aliado à falta de controle ambiental e infraestrutura para combate a incêndios, isso traz sérias ameaças à biodiversidade do Pantanal, assim como a segurança hídrica da região. Há o risco de haver uma nova catástrofe em razão dos incêndios e uma, como aconteceu em 2019 e 2020”, alerta Cássio Bernardino, analista de conservação do WWF-Brasil.

O equilíbrio do Pantanal depende basicamente do baixar e subir de suas águas. Esse ciclo se repetia todo ano com certa regularidade, possibilitando a renovação constante da fauna e flora e formatando a cultura pantaneira. Porém, desde a década de 1970, a bacia do Alto Paraguai registra uma progressiva mudança em suas paisagens por causa do intenso uso e ocupação do solo. O bioma já perdeu em torno de 18 % de sua cobertura natural, que se converte geralmente em pastos e terras aráveis. O ano passado foi especialmente danoso: em 2020, 22.119 focos de incêndios, cerca de 120% a mais que no ano anterior. Estima-se que mais de 2,1 milhões de hectares foram atingidos pelas queimadas em 2020.

Paralelamente, a ação humana está impondo outro obstáculo ao fluxo natural das águas: existem mais de 100 pequenas centrais hidrelétricas planejadas na região do Pantanal e bacia do Alto Araguaia. Segundo o relatório Alternativas Energéticas Renováveis da Bacia do Alto Paraguai, do WWF-Brasil, todas esses projetos de barramento poderiam ser substituídos por fontes renováveis que têm capacidade de gerar cerca de três vezes a potência nominal das PCHs planejadas para serem construídas na Região Hidrográfica do Paraguai. Essa energia poderia ser gerada a partir de recursos disponíveis na região, tais como biomassa de cana-de-açúcar, dejetos animais, resíduos sólidos urbanos, particularmente das duas principais cidades da região (Cuiabá e Campo Grande), além da energia dos efluentes líquidos (esgoto) e a energia solar. A mudança evitaria os impactos ambientais que podem comprometer o equilíbrio da região e afetar atividades econômicas importantes, como turismo e pesca, além de gerar empregos duráveis.

“Neste Dia Mundial da Água é importante chamar a atenção para a necessidade da criação de uma estrutura robusta de combate, prevenção e previsão de incêndios, mas também para o desenvolvimento de alternativas de desenvolvimento sustentável na região”, ressalta Bernardino.

Abaixo, gráficos mostram o nível do Rio Paraguai fora da zona de normalidade nas regiões de Cáceres, Porto Conceição (MT), Forte Ladário e Coimbra (MS).

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Sobre o Pantanal: O bioma ocupa os estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bolívia e Paraguai, uma área de 170.500.92km², equivalente ao tamanho de 4 países juntos: a Bélgica, Holanda, Portugal e Suíça. O bioma é morada de 4,7 mil espécies de animais e plantas e cumpre diversas funções: conservação da biodiversidade, conservação do solo, estabilização do clima e fornecimento de água.

Na época da cheia 80% do Pantanal é alagado, as enchentes se concentram entre dezembro e janeiro. Nesse período, cerca de 180 milhões de litros são despejados por dia nos rios pantaneiros. O equivalente a 72 piscinas olímpicas. Em 1988 o Pantanal foi decretado Patrimônio Nacional, e no ano 2000 foi reconhecido como Patrimônio da Humanidade e Reserva da Biosfera, pelas Nações Unidas.

Sobre o WWF-Brasil

O WWF-Brasil é uma organização não-governamental brasileira e sem fins lucrativos que trabalha para mudar a atual trajetória de degradação ambiental e promover um futuro em que sociedade e natureza vivam em harmonia. Criado em 1996, atua em todo Brasil e integra a Rede WWF. Apoie nosso trabalho em wwf.org.br/doe

No Pantanal, a instituição vem atuando de forma emergencial, por conta dos incêndios desde setembro de 2020, com apoio da Rede WWF, para atender pessoas e animais atingidos.
Algumas ações realizadas:

– Criação de 6 brigadas comunitárias com treinamento e equipamentos de proteção individual;
– Doação de 630 itens para ações de combate ao fogo;
– Doação de 105 cestas básicas para indígenas;
– Doção de 5 armadilhas fotográficas e 1 veículo para monitoramento da Arara-Azul;
– 35 caixas de analgésicos e anestésicos;
– 19 equipamentos de captura de animais;
– 5 caixas de transporte de animais.

Inação deixa o mundo jogando ‘roleta russa’ com pandemias, dizem especialistas

Nova coalizão pede aos governos que combatam a causa raiz das infecções emergentes – a destruição da natureza

DESMATAMENTOA destruição da natureza tem levado a um grande aumento na passagem de doenças de animais para pessoas nas últimas décadas. Fotografia: Rodrigo Abd / AP

Por Damian Carrington, editor de Meio Ambiente do “The Guardian

Os governos devem preencher uma grande lacuna nos planos de recuperação pós-COVID-19 com ações sobre a causa raiz das pandemias – a destruição da natureza – alertou uma nova coalizão de grupos de saúde e meio ambiente.

Faltam investimentos e ações cruciais , disse a coalizão Preventing Pandemics at the Source , deixando o mundo jogando um “jogo malfadado de roleta russa com patógenos”.

Muitos trilhões de dólares estão sendo gastos com razão para fortalecer a saúde humana e impulsionar a economia global, disse a coalizão, mas medidas muito menos caras para deter o desmatamento e acabar com o comércio ilegal de animais selvagens são vitais. O apelo é o mais recente de uma série de avisos de alto nível de que  mais pandemias e mais frequentes acontecerão sem ação, mas até agora não foram atendidos.

Acredita-se que o coronavírus que causa a COVID-19 tenha saltado de morcegos selvagens para humanos e cerca de dois terços das doenças que infectam humanos começam em outras espécies, incluindo os vírus da gripe, HIV, Zika, Nilo Ocidental e Ebola. A crescente destruição da natureza pela agricultura, exploração madeireira e comércio de animais selvagens trouxe as pessoas e seus rebanhos para um contato mais próximo com a vida selvagem e levou a um grande aumento na passagem de doenças de animais para pessoas nas últimas décadas.

“As vacinas COVID-19 ajudarão a nos resgatar dessa bagunça atual, mas não farão nada para nos proteger da próxima pandemia ‘”, disse Aaron Bernstein, da escola TH Chan de saúde pública da Universidade Harvard nos Estados Unidos, que faz parte da coalizão. “Somente com ações que interrompam infecções emergentes onde elas começam podemos terminar nosso jogo malfadado de roleta russa com patógenos.”

Amy Vittor, da Divisão de Doenças Infecciosas e Medicina Global da Universidade da Flórida, disse: “As florestas – e as florestas tropicais em particular – abrigam redes complexas de micróbios e seus hospedeiros selvagens. Degradar essas paisagens carrega o potencial de liberar esses micróbios sobre nossos animais domesticados e sobre nós mesmos. Portanto, manter a integridade das florestas serve não apenas para proteger a biodiversidade e mitigar as mudanças climáticas, mas também para conter essas redes de patógenos complexas e potencialmente perigosas. ”

Estima-se que os gastos globais em resposta à COVID-19 excedam US $ 20 trilhões (£ 14,45 trilhões), mas um estudo de julho estimou que gastar apenas US $ 27 bilhões por ano reduziria substancialmente os riscos de outra pandemia na escala do surto de coronavírus.

Jon Epstein, um especialista em vírus zoonóticos da EcoHealth Alliance, disse: “Gastos relativamente modestos e cooperação entre governos em áreas emergentes de doenças para combater o desmatamento, reduzir significativamente o comércio de animais selvagens e melhorar a biossegurança em torno do gado ajudaria significativamente.

Cortar o desmatamento tropical causado por carne bovina, soja, óleo de palma e polpa de madeira e papel é crucial, disse a coalizão. Reconhecer os direitos dos povos indígenas, que possuem séculos de conhecimento sobre como viver em harmonia com a natureza, também seria um passo importante para a proteção da floresta, afirmou.

Em outubro, os principais cientistas do mundo disseram que o mundo estava em uma “era de pandemias” e que as doenças iriam surgir com mais frequência, se espalhar mais rapidamente, matar mais pessoas e afetar a economia global com um impacto mais devastador do que nunca, a menos que a devastação de o mundo natural acaba.

Desde o início da pandemia do coronavírus, a ONU, a Organização Mundial da Saúde e outros alertaram que o mundo deve combater a causa desses surtos e não apenas os sintomas de saúde e econômicos . Em junho, especialistas chamaram a pandemia de “sinal SOS para o empreendimento humano”.

Melinda Kimble, pesquisadora sênior da Fundação das Nações Unidas, disse que uma cúpula do G7 sediada no Reino Unido em junho e uma nova administração dos Estados Unidos tornou “o momento perfeito para liderança global e ação concreta para proteger as pessoas e o planeta”.

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Este texto foi escrito inicialmente em inglês e publicado pelo jornal “The Guardian” [Aqui!].

Ascema Nacional convoca servidores da área ambiental federal para lutarem pelo Fora Bolsonaro-Mourão

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Os servidores públicos e suas entidades têm sido atacados sistematicamente há décadas por setores da sociedade que sempre colocaram o Estado e seus servidores como inimigos públicos. Governos neoliberais desmontaram políticas públicas, privatizaram setores estratégicos, não fizeram concursos públicos, mas nada se compara com o que temos vivenciado desde 2016 e principalmente a partir da eleição de Jair Bolsonaro que colocou em xeque a nossa frágil democracia e a sobrevivência da própria população. Ele sempre defendeu a ditadura militar, sua matança (que teria sido insuficiente) e seus torturadores. Nunca escondeu que tinha um projeto autoritário para o Brasil.

A ASCEMA Nacional está se engajando na luta coletiva de amplos setores da sociedade civil pelo impeachment do presidente Jair Bolsonaro, bem como pela cassação da chapa Bolsonaro-Mourão.

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Este texto foi originalmente publicado no site da Ascema Nacional [Aqui!].

Bastidores de uma tragédia: Os relações públicas da Samarco dão uma surra no Estado brasileiro, que sucumbe ao poder econômico

O rio do Carmo, 50 quilômetros abaixo de onde as barragens romperam!

por Luiz Carlos Azenha

A mineradora Samarco, joint venture da Vale com a australiana BHP Billiton, teve um lucro líquido de R$ 2,8 bilhões em 2014. Ou seja, limpinhos!

Como se sabe, o Brasil é uma “mãe” para as mineradoras. A Agência Pública fez uma reportagem interessante a respeito, quando Marina Amaral perguntou: Quem lucra com  a Vale?

O “pai” das mineradoras é Fernando Henrique Cardoso. Em 1996, com a Lei Kandir, isentou de ICMS as exportações de minerais!

O que aconteceu com a Vale, privatizada a preço de banana, é o mesmo que se pretende fazer com a Petrobras: colocar a empresa completamente a serviço dos acionistas, não do Brasil.

O que isso significa?

Auferir lucros a curto prazo, custe o que custar.

A questão-chave está no ritmo da exploração das reservas minerais.

Num país soberano, o ritmo é ditado pelo interesse público. É de interesse da população brasileira, por exemplo, inundar o mercado com o petróleo do pré-sal, derrubando os preços? Claro que não.

Quem lucra, neste caso, são os países consumidores. Os Estados Unidos, por exemplo. Portanto, quando FHC privatizou parcialmente a Petrobras, vendendo ações na bolsa de Nova York, ele transferiu parte da soberania brasileira para investidores estrangeiros. Eles, sim, querem retorno rápido. Querem cavar o oceano às pressas, até esgotar o pré-sal. É a dinâmica do capitalismo!

O Brasil é um país sem memória. Não se lembra, por exemplo, do que aconteceu na serra do Navio, no Amapá. Uma das maiores reservas de manganês do mundo foi esgotada porque interessava aos esforços dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial. Ficamos com o buraco e a destruição ambiental…

Obviamente, não é um problema brasileiro. Fui pessoalmente às famosas minas de diamante de Serra Leoa, na África, que mereceram uma visita da rainha Elizabeth. Investiguei o entorno. O local de onde sairam bilhões de dólares em diamantes não tinha rede de esgoto, nem de distribuição de água.

O mesmo está acontecendo neste exato momento com o coltan, do Congo, um mineral utilizado pela indústria eletroeletrônica. A exploração do coltan financia uma guerra interminável de milicias, que exportam o mineral para a Bélgica praticamente de graça!

Serra Leoa, Congo, Brasil…

Infelizmente, estamos no mesmo nível.

Como denuncia seguidamente o Lúcio Flávio Pinto, o ritmo da exploração do minério de ferro de Carajás é um crime de lesa-Pátria.

Por que haveria de ser diferente nas reservas de Minas Gerais?

A economia do estado, tanto quanto a brasileira, ainda é extremamente dependente da exportação de commodities. À Vale interessa produzir rápido, derrubar o preço a qualquer custo para apresentar lucro no balanço.

Infelizmente, a elite brasileira até hoje se mostrou incapaz de formular um projeto soberano de país. Isso vale para PSDB, PT e todos os outros, como ficou evidente na tragédia de Mariana.

Não podemos culpar a mineradora Samarco pela tragédia antes de uma investigação independente e rigorosa. Mas, será que ela vai acontecer?

Do prefeito de Mariana ao senador tucano Aécio Neves, passando pelo governador petista Fernando Pimentel, todos deram piruetas para salvaguardar a Samarco. Pimentel deu uma entrevista coletiva na sede da mineradora!

Enquanto isso, milhões de metros cúbicos de lama desceram o rio do Carmo e chegaram ao rio Doce.

A Samarco diz que a lama é inerte, ou seja, não oferece risco à saúde.

Numa situação ideal, não caberia à Samarco dizer isso — com reprodução martelada em todos os telejornais da Globo.

O familiar de um desaparecido comentou comigo que, na Globo, as vítimas da tragédia não tinham rosto…

A Vale, afinal, é grande patrocinadora.

Espanta é que os governos federal, estadual e municipal, que em tese deveriam atuar de forma independente — em nome do interesse público — não o façam.

A primeira providência em um país civilizado seria uma análise de emergência na lama, para determinar se ela oferece algum risco à saúde.

Afinal, milhões de brasileiros podem entrar em contato com os rejeitos, seja nas margens dos rios, seja através da água consumida.

Além disso, o tsunami de lama carregou corpos humanos e de animais por uma longa extensão, de centenas de quilômetros.

No entanto, a não ser pelo esforço de relações públicas da Samarco, as pessoas afetadas, como testemunhei pessoalmente, estão totalmente no escuro.

Mais adiante, outras questões importantes vão surgir.

O rio do Carmo foi completamente destruído, de ponta a ponta. Quem vai pagar a conta? O Estado brasileiro ou a Samarco?

A Samarco fez o que se espera de uma empresa privada que pretende minimizar os impactos econômicos do desastre ambiental que produziu.

De forma competente, acionou seu esquema de relações públicas para deixar no ar a ideia de que o rompimento de duas barragens foi consequência de um terremoto.

Transferiu os desabrigados para hoteis, evitando a ebulição de centenas de pessoas que, conjuntamente, poderiam conjurar contra uma empresa da qual sempre desconfiaram.

Conversei com os sobreviventes de Bento Rodrigues: todos sempre acharam um exagero o crescimento vertical, contínuo, da barragem, para guardar mais e mais lama.

Segundo eles, a Samarco começou a comprar novas áreas de terra porque pretendia construir uma outra barragem, mais próxima do povoado, para dar conta do armazenamento dos rejeitos.

Que a Samarco cuide de seus interesses é parte do jogo.

O espantoso é ver a captura do Estado brasileiro, em todas as esferas, pelo interesse privado.

Basta uma consulta às pessoas comuns, que vivem sob as barragens de rejeitos — que se contam às centenas em Minas — para que elas denunciem: as empresas aumentam indefinidamente as cotas, sem transparência, sem qualquer consulta pública, sem planos de resgate de emergência, sem um básico sinal sonoro para dar o alerta em caso de acidente.

É bem mais barato que construir uma nova barragem, certo? Lembrem-se: estas empresas estão a serviço do lucro de seus acionistas e a maioria deles não mora em Mariana, provavelmente nem mora no Brasil.

Minas Gerais, acossada pela crise econômica, sucumbe à lógica das mineradoras: como denunciou o leitor Reginaldo Proque, está tramitando na Assembleia Legislativa um projeto para simplificar o licenciamento ambiental, de autoria do governo Pimentel.

Em resumo, os desabrigados das margens do rio do Carmo fazem o papel, em carne e osso, da crise de representação da política brasileira.

Ninguém os ouve, nem consulta.

Quando muito, são sobrevoados por helicópteros que “representam” um Estado servil ao poder econômico.

FONTE:http://www.viomundo.com.br/denuncias/bastidores-de-uma-tragedia-os-relacoes-publicas-da-samarco-dao-uma-surra-no-estado-brasileiro-que-sucumbe-ao-poder-economico.html

Jornal Terceira Via informa sobre primeiras interdições de residências e estabelecimentos comerciais na Praia do Açu

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A matéria abaixo foi produzida ontem pelo Jornal Terceira Via e seu elementos mais importante é mostrar que chegamos a uma nova fase no processo erosivo na Praia do Açu que é a da interdição de residências e estabelecimentos comerciais como, aliás, eu já havia anunciado que ocorreria. Não é preciso muito cálculo científico para se chegar à conclusão de que isso ocorreria. Eu só estou surpreso com a velocidade com que chegamos a essa nova fase.

A pérola desta matéria ficou por conta do coordenador da Defesa Civil que sugeriu que a erosão na Barra do Açu é irreversível. O fato é que essa situação possui causas razoavelmente estabelecidas e existem sim opções para conter ou mesmo reverter o avanço da erosão. Agora, não vai ser com propostas pífias de colocar os moradores da localidade para se transferirem para abrigos públicos que vai se chegar à soluções que sejam justas para quem está ameaçado de perder tudo.  Aliás, eu me pergunto sobre o local onde fica o tal abrigo mencionado pelo coordenador da Defesa Civil.

De toda forma, o que realmente interessa e ainda não vejo sinais de que vai ocorrer é a tomada de responsabilidade por parte dos entes públicos (Prefeitura de São João da Barra, Inea, Ibama) e a Prumo Logística Global para que sejam iniciadas as obras de engenharia que são necessárias para conter o avanço da erosão. Simples, mas aparentemente elusivo.

Erosão no Açu se agrava e casas são interditadas

A energia elétrica ainda precisou ser cortada na Avenida Atlântica nesta terça-feira (14)

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Três casas precisaram ser interditadas e um poste de energia foi removido (Foto leitor)

A situação da população que reside em Barra do Açu ficou ainda mais complicada no último final de semana. As chuvas e a ressaca, típicas desta época do ano, fizeram com que o mar avançasse ainda mais. A Avenida Atlântica agora já faz parte da faixa de areia da praia e três residências com estabelecimentos comerciais tiveram que ser interditadas pela Defesa Civil na segunda-feira (14). Nesta terça, a concessionária Ampla cortou o abastecimento de energia elétrica desses imóveis porque o poste que abriga a fiação está perto de ser tomado pelo mar.

Na última semana, a reportagem do jornal Terceira Via esteve na localidade, que pertence o município de São João da Barra, e conversou com os moradores. Na ocasião, o mar já estava mais próximo das casas e a principal avenida também estava tomada pela areia, mas ainda era possível caminhar pelo local. No sábado (12), com a intensidade da chuva, a situação se agravou: o mar avançou cerca de dez metros e o paredão de areia que foi formado começou a erodir.

A Defesa Civil de SJB esteve no local na segunda-feira, interditou as residências e as vias de acesso, colocou placas de sinalização e orientou os moradores da área a saírem dos imóveis. Eles seriam levados para um abrigo da prefeitura na sede do município até que agentes do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) fizesse a análise dos perfis daquelas famílias e as enquadrasse no Aluguel Social. No entanto, nenhum dos moradores aceitou a medida.

“Eles preferiram permanecer nas casas, mesmo sabendo do risco que correm. Nós até entendemos o receio que eles têm de abandonar seus imóveis, mas é importante lembrar que a erosão do mar em Barra do Açu é irreversível. Estamos prestando assistência, dando suporte e vamos tomar todas as providências necessárias para evitar que o pior aconteça, mas os moradores precisam colaborar”, destacou o coordenador de Defesa Civil, Adriano Assis. Segundo ele, as famílias que tiveram suas casas interditadas assinaram um termo de responsabilidade.

Paulo César Ribeiro de Almeida, de 58 anos, foi ouvido pela reportagem do Terceira Via na semana passada e nesta terça-feira (15) foi novamente procurado. A casa em que ele reside foi interditada, mas o morador não concorda com a saída emergencial. “Eu não vou ficar em abrigo e nem em casa paga pela prefeitura. Eu construí essa casa e só sairei daqui quando eu puder construir outra que seja realmente minha. Estamos muito apreensivos, mas vamos resistir enquanto for possível”, disse.

O coordenador da Defesa Civil orientou à população e os visitantes da localidade a respeitarem a sinalização colocada na praia. Ele acrescenta que a ressaca deve terminar até o final desta semana, mas qualquer ocorrência pode ser comunicada por meio do telefone 199.

FONTE: http://www.jornalterceiravia.com.br/noticias/campos_dos_goytacazes/75116/erosao-no-acu-se-agrava-e-casas-sao-interditadas…#prettyPhoto

De saída, Sérgio Cabral assina decreto para desmatar área da Mata Atlântica para construir estrada

Não bastasse o legado ambiental vexaminoso que ele construiu ao longo de mais sete anos de (des) governo. Agora, no apagar das luzes do seu cambaleante (des) governo, Sérgio Cabral assinou o Decreto 44.704 que autoriza a remoção de 19.98 hectares do bioma altamente ameaçado da Mata Atlântica  dentro da área de amortecimento do Parque Estadual da Pedra Branca, como mostra a imagem abaixo.

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E mais este crime ambiental está sendo decretado com qual finalidade? Para a construção da chamada “Ligação Transolímpica”, ou seja, uma estrada! E isso tudo autorizado pelo INEA!

Esse tipo de legado não deveria surpreender mais ninguém, pois a dupla Sérgio Cabral/Luiz Fernando Pezão impuseram um cenário de devastação ambiental e de terra arrasada, sempre com a ajuda célere do sempre lépido ex-ambientalista Carlos Minc. Agora, convenhamos, desmatar Mata Atlântica para construir uma estrada é como voltar ao Século XVI. E ainda têm a cara de pau de falar em legado! Só se for um legado de destruição ambiental e segregação social!

O TEMPO: Obras do projeto Minas-Rio deixam rastro de destruição em 525 km

Em Conceição do Mato Dentro, a instalação do projeto da Anglo American está virando a vida dos moradores de cabeça para baixo

Por ANA PAULA PEDROSA E QUEILA ARIADNE

Economia - Especial - Minas GeraisMineroduto Minas Rio o maior do mundo aproximadamente 525km ligando Conceicao do Mato Dentro em Minas Gerais com o porto em Acu distrito de Sao Joao da Barra no Rio de Janeiro Empresas responsaveis pela Obra MMX Anglo American Camargo CorreaFOTOS: MARIELA GUIMARAES / O TEMPO 12.02.2014

Fazenda Santa Cruz Areas, no distrito de Alvorada, sofre com a falta de água e com a obra que passa pela região. Foto: Mariela Guimarães
Se Conceição do Mato Dentro, na região Central de Minas Gerais, tivesse saído da imaginação do colombiano Gabriel García Márquez, talvez a cidade se chamasse Macondo e sua riqueza fosse banana em vez de minério. Tal como o povoado fictício da obra “Cem Anos de Solidão”, do autor, a cidade mineira também viu sua vida alterada repentinamente pela chegada de uma empresa estrangeira. No livro, é a Companhia Bananeira quem faz “uma invasão tão tumultuada e intempestiva que nos primeiros tempos era impossível andar na rua”. Em Conceição, é a instalação do projeto Minas-Rio, pela Anglo American, que está virando a vida dos moradores de cabeça para baixo.

VEJA TAMBÉM

A cidade é apenas a ponta do projeto e dos problemas causados por ele. O empreendimento começa com a mina e a barragem de rejeitos em Conceição do Mato Dentro e termina no porto do Açu, em São João da Barra, no Norte do Rio de Janeiro. Um mineroduto que terá 525 km, que será o maior do mundo, vai unir as duas pontas. O projeto corta 32 municípios, sendo 25 em Minas Gerais e sete no Rio de Janeiro. Outras quatro cidades são afetadas indiretamente, totalizando 36.

Assim como a Companhia Bananeira criada pelo escritor que venceu o Nobel de Literatura, a atuação da Anglo American vai deixando um rastro de histórias quase invisíveis, escondidas em pequenos povoados e comunidades rurais onde os moradores relatam uma coleção de problemas que vão desde a invasão de terrenos até o soterramento de nascentes, falta de água, passando pela destruição de sítios arqueológicos e prejuízos a aldeias indígenas.

O Minas-Rio está em fase de Licença de Operação, a última antes de iniciar seu funcionamento. A expectativa é que a autorização para funcionar saia ainda neste ano. A obra que a empresa considera praticamente acabada, deixou cicatrizes profundas em gente simples que habita seu caminho.

Durante duas semanas, rodou 3.400 km de uma ponta a outra do empreendimento para descobrir essas histórias, que serão apresentadas na série de reportagens “Um Mineroduto que Passou em Minha Vida”, que começa hoje. 

FONTE: http://www.otempo.com.br/capa/economia/obras-do-projeto-minas-rio-deixam-rastro-de-destrui%C3%A7%C3%A3o-em-525-km-1.811973