Padrão de difusão no RJ reforça o caráter multipolar do coronavírus

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Ainda que se desconte o alto fato de subnotificação que marca a difusão do coronavírus no Rio de Janeiro, o mapa abaixo reforça algo que já se sabe sobre o caráter multipolar que caracteriza o seu espalhamento espacial.

disseminação covid rj

Com base na concentração do número de casos confirmados, identifiquei vários áreas polos (marcadas por cada um dos círculos com cores diferentes para identificar a região administrativa a que pertencem os municípios).

Se usarmos a “teoria dos lugares centrais” desenvolvida pelo geógrafo alemão Walter Christaller fica fácil entender porque determinados municípios estão servindo como pólos de difusão do coronavírus. É que ao assumir papéis centrais no processo de circulação de pessoas e por serem áreas mais dotadas de determinados serviços, estes municípios acabam sendo mais impactadas pela chegada e saída de pessoas. Daí a razão para que se transformem neste momento áreas focais, mas também irradiadoras, do coronavírus.

Um elemento que o mapa acima nos permite dizer é que o estado do Rio de Janeiro, apesar de possuir áreas mais “quentes” em termos do número de casos de infecção, está totalmente ocupado pelo coronavírus.  E as diferenças existentes na magnitude de casos confirmados se dá por suas características demográficas e de nível de atividade econômica. Entretanto, o fundamental é que o coronavírus está perfeitamente distribuído no território fluminense. E isto deveria ser respondido com um maior articulação entre as autoridades sanitárias, de modo a conter a percolação mais intensa do coronavírus, impedindo que se aumente o número de casos nos municípios com menor capacidade hospitalar instalada.

No caso de Campos dos Goytacazes, também não há nada de surpreendente no fato de que o município seja com o maior número de casos confirmados. Isto se dá por todas as características já apontadas acima. A confirmação de que Campos se tornou uma das áreas focais de disseminação do coronavírus é particularmente preocupante, pois em seu interior existem profundas diferenças sociais, o que poderá resultar em uma alta perda de vidas humanas nas áreas mais periféricas e desprovidas de serviços básicos de saúde, abastecimento de água e tratamento de esgotos.