Título de pós-graduação dos EUA: um desejo explícito de quem está no poder, mas rejeita fortalecer a universidade pública

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Eu e o meu diploma de doutorado da Virginia Polytechnic Institute and State University, o qual posso garantir a legitimidade.

Há algo essencialmente esquisito quando autoridades investidas em altas responsabilidades na república são flagradas ostentando títulos acadêmicos que simplesmente não possuem. Ainda que esse não seja um fenômeno exclusivo do Brasil, já que casos de pessoas poderosas pegas com títulos obtidos de forma fraudulenta foram descobertos em anos recentes na Alemanha e na Espanha, o problema aqui parece tomar contas contornos mais graves.

É que depois de se descobrir que o antiministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, não possuía o título de mestre da Yale University que lhe era atribuído e nunca negado, agora se descobriu que o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, fez constar em seu currículo um título de doutor pela Harvard University igualmente inexistente.

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Esses dois casos parecem demonstrar uma enorme contradição entre desejos e práticas: é que enquanto se deseja ter um título de uma universidade estadunidense, as ações por aqui vão no sentido de inviabilizar o nosso emergente sistema nacional de pós-graduação, seja negando a importância ou tesourando recursos fundamentais para que nossas universidades funcionem de forma adequada.

Eu que possuo um título de doutor pela Virginia Polytechnic Institute and State University pelo qual efetivamente derramei muito suor, posso compartilhar que as universidades estadunidenses são o que são porque receberam sempre, e continuam recebendo, vultosos investimentos públicos. Essa é a lição que deveria ser aprendida por aqueles que tanto cobiçam títulos de universidades estadunidenses, mas que aqui em terras brasileiras fazem o que podem para inviabilizar as nossas. Será que Freud explica?