Guia inédito norteia pesquisadores sobre uso ético e responsável da IA generativa

Gratuito, livro foi elaborado por pesquisadores que têm se debruçado sobre os impactos da inteligência artificial generativa (IAG) na pesquisa acadêmica e no ensino

LIVRO IA

Por Camille Bropp para a UFPR 

Lançado em dezembro pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom) e já disponível para download, o livro Diretrizes para o uso ético e responsável da Inteligência Artificial Generativa busca discutir e promover o uso producente da inteligência artificial (IA) generativa no mundo acadêmico.

A obra tem entre seus autores o professor e pesquisador do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Rafael Cardoso Sampaio. Os outros autores são Marcelo Sabbatini, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), e Ricardo Limongi, da Universidade Federal de Goiás (UFG).

Segundo eles, a premissa do livro é “desmistificar o entusiasmo exagerado (hype) em torno da tecnologia, assim como os temores infundados”. Assim, tem como objetivo ser um guia prático e de fácil consulta em meio à ausência de materiais similares no Brasil.

O e-book aborda dos princípios de funcionamento e aplicações práticas da tecnologia às possibilidades de uso em diferentes fases da pesquisa acadêmica. Também aprofunda a discussão sobre as atuais limitações da IA, entre eles os vieses e os riscos à privacidade e integridade acadêmica, assim como a necessidade de preservação da agência humana e do uso eticamente orientado.

A publicação tem apoio da Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP) e da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs), que reconhecem a importância do debate sobre os impactos da IA nas pesquisas acadêmicas e a necessidade de maturação da discussão.


Fonte: UFPR

Earthworks divulga versão em português das novas diretrizes para a mineração

A organização não- governamental Earthworks acaba de divulgar a versão em português do relatório intitulado “Segurança Em Primeiro Lugar: Diretrizes Para Gestão Responsável de Rejeitos de Mineração” . Segundo o proposto pelo relatório,  a meta principal da gestão de rejeitos deve ser dano zero a pessoas e ao meio ambiente, e tolerância zero a fatalidades humanas. No ano passado, o trágico colapso de uma barragem que matou 270 pessoas no Brasil e destruiu a cidade de Brumadinho veio logo após falhas de barragens de rejeitos na mina de Mount Polley no Canadá e na mina da Samarco no Brasil, entre outras. Por todo o mundo, comunidades que vivem à sombra de grandes barragens de rejeitos vivem num estado perene de medo. 

diretrizes

As diretrizes vêm no momento em que a  Global Tailings Review, co-convocada pela associação internacional do setor de mineração, a ICCM, investidores e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, prepara-se para apresentar nos próximos dias o primeiro Padrão Global de Rejeitos para “uma gestão de armazenagem de rejeitos mais segura”.

 Os padrões atuais do setor, inclusive a proposta de Padrões de Rejeitos publicada em 2019, não são suficientes para proteger adequadamente as comunidades e ecossistemas contra falhas. Essa tendência de tragédias causadas por barragens de rejeitos é consequência de se permitir que as empresas de mineração sacrifiquem a segurança para cortar custos, controlem auditores e silenciem o dissentimento dos trabalhadores.

Outros destaques do relatório:

  • Instalações de armazenagem de rejeitos só devem ser construídas ou gerenciadas quando houver consentimento comunitário, respeito aos direitos humanos e internacionais dos Povos Indígenas e se forem adotadas as melhores práticas e tecnologias disponíveis.
  • Os protocolos internacionais de segurança devem ser independentes do controle da empresa e estabelecidos através de processos de consulta multiparticipativa que envolvam todas as partes interessadas, engajando trabalhadores, comunidades e a sociedade civil.
  • Padrões robustos de barragens de rejeitos devem incluir garantias financeiras e responsabilização nos níveis mais altos de governança corporativa. A participação do público nas decisões e um sistema confiável de denúncia e queixa são necessários para garantir que comunidades e trabalhadores possam dar o alarme sem sofrer consequências.
  • Para evitar passivos de longo prazo criados por resíduos mineiros e seu respectivo impacto social e ambiental é necessário que se reduza a demanda de minerais brutos.

O grupo responsável pelo relatório inclui organizações de vanguarda do setor de mineração nas comunidades afetadas no Brasil, Tanzânia, Papua Nova Guiné, Índia e outras partes do mundo, além de grupos internacionais como a Amnesty International Canada, Earthworks, IndustriALL Global Union Federation, MiningWatch Canada, Natural Resources Defense Council e o Sierra Club. 

O relatório em sua íntegra pode ser encontrado em português aqui e em inglês aqui.