A crescente economia paralela das publicações acadêmicas

Por Jeffrey Beall, publicado originalmente em inglês Aqui!

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Identifcador de objeto científico?

Há evidências de uma economia paralela está se  desenvolvendo em torno da indústria das publicações  acadêmicas. Os componentes desta economia paralela incluem editoras predatórias, empresas de métricas fictícias, falsos serviços de revisão de línguas, e agora, uma empresa fornecedora  de

A empresa que vende a identificação de um indicador não-padrão é chamado  de Identificador de Objeto Científico (SOI). É evidente que esta é uma tentativa de criar uma identificação ao longo das linhas do DOI, ou  Identificador de Objetos Digitais.

Contudo, o termo  Identificador de Objeto Cientifico é mal escolhido, pois “objeto científico” soa como um termo para uma peça de equipamento de laboratório – como um microscópio – Ao invés de um objeto digital,  que essencialmente é um arquivo de computador.

A principal coisa que promove o mercado cinza de publicações acadêmicas é o sistema de pagamentos de autores. Existem inúmeras pequenas e  “start-ups“,  ou  mesmos empresários individuais, que copiam funções e os planos de negócios das editoras tradicionais e das empresas que lhes dão suporte.

O mercado cinza fornece serviços diretamente aos autores acadêmicos ou a empresas que os vendem para os autores.

Todos estas empresas procuram receitas obtidas da venda de serviços a autores acadêmicos, direta ou indiretamente. Eles querem o dinheiro obtido de agências de fomento, fundos pessoais, dinheiro de fundos, de bibliotecas acadêmicas, e de decanatos.

O problema é que empresas   como a empresa Scientific Object Identifier – são cópias tolas de empresas legítimas.

Geralmente  a criação de uma nova empresa neste ramo significa o envio de milhares de mensagens “spams” para os membros da comunidade científica.

Embora seja ótimo que o movimento de acesso aberto tenha o acesso à publicação de artigos científicos seja mais fácil, ele também resultou na desestabilização da publicação acadêmica e o estabelecimento do caos.

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Vencendo a batalha do acesso aberto, perdendo a guerra científica

  1. Agradeço a Ravi Murugesan por  me alertar sobre o artigo sobre halitose Aqui!.

Percalços da “trash science”: sua revista favorita entrou em manutenção sem avisar e nem dizer adeus

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As peripécias dos pesquisadores que enveredam pelo caminho do “trash sicence” são muitas. Mas a maioria dos que enveredam por esse caminho só fica mesmo em alerta quando algo mais do que esperado ocorre: a revista onde se colocam “n” artigos repentinamente sai do ar, sem deixar maiores vestígios ou informações de quando deverá retornar ao ar para permitir acesso aos arquivos que contem, os arquivos com o material publicado.  

Essa situação, que era impensável até o advento da internet, hoje assola muitos pesquisadores em diferentes momentos de suas carreiras, os quais sacrificam o rigor e a qualidade em nome da quantidade que, no frigir dos ovos, é que premiações, enquadramentos e progressões e, ainda mais importante, financiamentos de agências de fomento e ministérios. Mas hoje não são raros os casos em que um pesquisador se vê diante da situação insólita de clicar no link do “Document Object Identifier” (DOI)  (Aqui!) que deveria levar ao seu artigo, e descobrir que a revista simplesmente não está mais operacional. Em outras palavras, a revista simplesmente tomou chá de sumiço.

Quando isso acontece é um tremendo “Deus nos acuda” porque não há mais prova virtual de que o artigo sequer existiu caso o pesquisador não tomou o cuidado de imprimir uma cópia física ou salvar o documento em um repositório digital.   E as consequências para isso não poucas, a começar pelo fato de que  o preenchimento do famoso Currículo Lattes contem um aviso de que quaisquer preenchimentos falsos implicam em crime de falsidade ideológica. 

O interessante é que acabei de identificar esse fenômeno com uma revista muito utilizada por pesquisadores que eu conheço, e que, inclusive, se encontra qualificada por diversos comitês técnicos da CAPES que determinam a classificação de revistas no sistema Qualis. E para não ter dúvidas no momento de escrever esta postagem, tomei o cuidado de ligar para a instituição onde a revista estava hospedada até recentemente, e lá fui dirigido ao Serviço de Informática. Ao falar com um dos técnicos que trabalham nesse departamento, o mesmo me ofereceu uma resposta que considerei enigmática: o serviço a que a referida revista estaria associada está em manutenção por tempo indeterminado, mas que brevemente deverá online. Em outras palavras,  apesar de eu insistir, não me foi dada uma informação mais precisa de quando, ou mesmo se, a revista voltará a ficar disponível online.

Agora, a pergunta que se coloca é a seguinte: o que farão os pesquisadores em diferentes momentos de formação que enviaram seus artigos para esta revista? Essa é uma boa pergunta para o CNPq, que é responsável pela base Lattes, e para a CAPES, responsável pela base Qualis.  A ver!