Porto do Açu: um belo exemplo de que tamanho não é documento

dúvidas

A matéria abaixo publicada pelo jornal  O DIÁRIO é mais uma daquelas que estão sendo disseminadas na imprensa regional para que nós pobres mortais possamos nos dar conta do brilhante futuro que o Porto do Açu nos assegurará. Desse tipo de matéria já vi várias, só que não no  O DIÁRIO. Parece que a tática de “enamoramento” adotada pela Prumo Logística está tendo efeito, ainda que não na medida desejada.

Por que digo isso? É que se lermos atentamente o conteúdo da matéria, notaremos a presença de vários elementos condicionantes, tais como “poderão“, “irá“, “sejam gerados“, “previstas“. Em outras palavras, passados oito anos, tudo de bom ainda parece estar reservado para um futuro incerto. E como se sabe, o futuro a Deus pertence.

Mas se olharmos também os números declarados, veremos que o Porto do Açu diminuiu para não sumir de vez. No lugar dos centenas de milhares de empregos prometidos por Eike Batista, a matéria nos conta que o Porto do Açu emprega um mirrado número de 6.000 trabalhadores! E ainda temos os 20 navios que terem vindo ser carregados de minério desde outubro de 2014! É que como estamos efetivamente no final de maio, isto representa um número médio de 2,86 navios por mês. E como se sabe que o mineroduto está operando no limite do custo operacional, esse número de navios não está dando nem para a Anglo American começar a recuperar as pesadas perdas financeiras que lhes foram causadas pelo empreendimento. E como a mineradora sul africana não anda bem das pernas, esse número irrisório de navios carregados aponta para catástrofe se não for rapidamente revertido.

Para mim, como em outras áreas sensíveis da vida, o Porto do Açu é um exemplo cristalino de que “tamanho não é documento”. É que em meio ao gigantismo herdado de Eike Batista, a situação das áreas ainda desocupadas representa uma verdadeira bomba de tempo, que pode explodir a qualquer momento caso, por exemplo, a CODIN não consiga mais sustentar as indecorosas desapropriações que foram realizadas em tempo expedito, apenas para criar um grande latifúndio improdutivo no V Distrito de São João da Barra.

Também achei peculiar a narrativa de que o “Porto do Açu tem como vocações o minério de ferro, petróleo e apoio ao setor offshore”. É que numa empreendimento que já passou por tantas mudanças, descobrir que ele virou um ‘jack of all trades” é, no mínimo, peculiar.

Por fim, eu espero sinceramente que mais matérias como essa continuem aparecendo na mídia regional. É que com elas podemos efetivamente, tomando-se o devido cuidado de ler a matéria por detrás da matéria, saber a quantas anda o tamanho do problema com o qual se defronta hoje a atual controladora do Porto do Açu. Simples assim!

Seis mil empregos no Porto do Açu

Phillipe Moacyr
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Porto do Açu tem como vocações o minério de ferro, petróleo e apoio ao setor offshore

Keylla Thederich

Desde o lançamento da pedra fundamental do Complexo Industrial do Porto do Açu, no município de São João da Barra (SJB), em 2007, oito anos se passaram. Durante esse tempo, o empreendimento passou por muitas mudanças e até incertezas. Hoje, seis mil pessoas trabalham no empreendimento, que possui além da Prumo Logística Global, atual responsável pela administração, mais 11 empresas que têm contrato, cinco delas efetivamente operando.

A principal dificuldade ocorreu com a derrocada do seu principal idealizador e acionista, o empresário Eike Batista, no ano passado. Mudanças ocorreram, desde a reformulação estrutural até o controle administrativo. As previsões eram ruins diante da crise, mas a nova administração trouxe boas perspectivas. Até o final deste ano, duas importantes operações devem ter início no complexo.

Com a saída das empresas “X”, houve uma mudança vocacional no porto. O empreendimento, que antes tinha como principais vocações o minério de ferro e a instalação de duas siderúrgicas, tem hoje como principais atividades, além do minério, petróleo e apoio ao setor offshore. Com essa nova demanda, o projeto original precisou sofrer ajustes e novos negócios se tornaram possíveis.

Novas operações no Terminal 2

As novidades são que, no segundo semestre do ano, duas importantes operações estão previstas para serem iniciadas: o Terminal Multicargas (T-Mut) da Prumo e as operações da Edison Chouest em parceria com a Petrobras, ambos no Terminal 2. O T-Mult irá movimentar cargas como contêineres, rochas, veículos, petróleo, entre outros, de várias empresas. Com 500 metros de cais já prontos para operação, o TMULT possui atualmente dois berços, que poderão movimentar até quatro milhões de toneladas entre graneis sólidos e carga geral. Sua capacidade estática de armazenagem é superior a 100 mil toneladas de granéis sólidos e 20 mil toneladas de carga geral.

Já a americana Edison Chouest fechou parceria com a Petrobras para atuar como base de apoio logístico offshore e estaleiro de reparos navais para suas próprias embarcações que atuam na Bacia de Campos. Essa é a segunda expansão da empresa no porto, cujo montante de investimentos previstos é de R$ 950 milhões. Com o início das operações para novembro deste ano, a estimativa é que sejam gerados 900 empregos na base.

Outras operações também estão previstas para ter início no segundo semestre de 2015 e início do ano que vem, que são: movimentação de container, instalação de usina termoelétrica, polo de reparo naval, transbordo de petróleo, distribuição de gás, entre outras.

Tamanho é documento

Com uma área total de 130 km², sendo 90 km² do empreendimento com o Terminal 1 (T1 – offshore) e o Terminal 2 (T2 – onshore), e 40 km² de área de reserva natural, o complexo conta com 17 km de píeres. O T1 é dedicado à movimentação de minério de ferro e petróleo e teve sua primeira operação outubro de 2014, já tendo recebido 20 navios.

Já o T2 está instalado no entorno de um canal para navegação, que conta com 6,5 km de extensão, 300 metros de largura e profundidade de, pelo menos, 10 metros em toda a sua extensão, chegando a 14,5 metros na sua maior profundidade. O T2 irá movimentar carga de projetos, contêineres, rochas, bauxita, grãos agrícolas, veículos, granéis líquidos e sólidos, carga geral e petróleo, através das empresas já instaladas e que têm contratos. Ainda no T2, tem a área da OSX, cujas primeiras instalações foram feitas e paralisadas em função do pedido de recuperação judicial. Os dois terminais juntos ocupam 10% da área.

Além disso, o porto ainda conta com uma extensa área a ser ocupada, que é chamada de retroárea, onde serão instalados um hotel, um centro de conveniência e outras empresas. As possibilidades de ocupação da área são enormes e por isso, vários negócios estão sendo discutidos. Com a ocupação e efetiva operacionalização, o Porto do Açu, que é considerado estratégico pela sua localização, possui área e vocação para ser o maior da América Latina.

FONTE: http://www.odiariodecampos.com.br/seis-mil-empregos-no-porto-do-acu-21744.html