Mares revoltos nos escombros do Império X: OS (X) tem falência pedida

Nordic pede falência da OSX

Navio da OSX

Navio da OSX: segundo o fato relevante da OSX Brasil, que está em processo de recuperação judicial

Marcelle Gutierrez, do Estadão Conteúdo

São Paulo – A Nordic Trustee ASA, agente fiduciária dos detentores de Bonds emitidos pela OSX 3 Leasing B.V, celebrada em 15 de março de 2012 e aditada em 12 de setembro de 2014, apresentou, na Holanda, pedido de falência das sociedades OSX 3 Holding, OSX 3 Holdco e OSX Leasing Group.

Segundo o fato relevante da OSX Brasil, que está em processo de recuperação judicial, enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Nordic Trustee entende que companhias têm ativos em valor suficiente para saldar todas as suas dívidas e “tomará as medidas cabíveis para proteção de seus direitos, mantendo os seus acionistas e o mercado informados acerca da evolução de sua reestruturação e demais eventos relevantes relacionados ao assunto”, detalhou a empresa de construção naval, do grupo EBX, de Eike Batista.

FONTE: http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/nordic-pede-falencia-da-osx

As lições da queda de Eike Batista

Por Juliano Medeiros*

Em lista divulgada no mês de março de 2012, Eike Batista era considerado o 8º homem mais rico do mundo, com um patrimônio estimado em R$ 34,5 bilhões de reais. Nos últimos meses, porém, tem estampado os jornais devido à decadência de seu império.

As empresas do grupo EBX somam prejuízos de quase R$ 25 bilhões. Apesar disso, as abordagens mais comuns na grande imprensa atribuem à “personalidade” de Eike as razões de sua derrocada: excesso de confiança decorrente do sucesso, a busca desenfreada por mais lucros e a falta de cautela diante investimentos arriscados…

Seria muito simples se o fracasso do maior grupo econômico privado do Brasil pudesse ser atribuído apenas à personalidade de seu principal executivo. A questão, porém, é que essa explicação não corresponde à verdade do fenômeno.

No controle do grupo EBX, Eike entrou de corpo e alma no mercado de capitais, um mercado sempre considerado de risco. Enfrentou uma brutal crise econômica expandindo e diversificando investimentos.

Nessa empreitada encontrou apoio de players de peso na bolsa de valores, além, claro, de generosos financiamentos públicos.

Segundo matéria publicada pela revista Exame, apenas entre 2005 e 2012, Eike Batista captou investimentos de 26 bilhões de dólares para as empresas que levou à bolsa. Também financiou o conglomerado com empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que chegam a R$ 10,4 bilhões.

Há muitas versões sobre as razões da queda de Eike, mas poucas delas chegam ao “X” da questão (com o perdão do trocadilho, já que o empresário tem um livro com esse nome).

A verdade é que Eike aproveitou-se da absurda dinâmica que comanda o mercado de ações e que permite que uma empresa recém-criada acumule “valor” equivalente a de grupos tradicionais com décadas no mercado. Um bilionário da especulação, com um império pouquíssimo produtivo, com exceção da MMX, mineradora vendida recentemente.

Além disso, a remuneração de seus executivos seguia uma lógica insana: enquanto outras multinacionais oferecem bônus atrelados ao crescimento de longo prazo das companhias, Eike distribuía dividendos atrelados ao preço das ações no curto prazo.

O resultado é que vários executivos da EBX ficaram milionários antes mesmo que a empresa tivesse extraído uma gota de petróleo. Tudo graças à valorização artificial – isto é, especulativa – das ações das empresas de Eike.

Alguns dirão que “essas são as regras do jogo”, que Eike está colhendo os frutos de uma estratégia arriscada. Acontece, porém, que neste “jogo” estão envolvidos milhões de empregos e enormes quantidades de recursos públicos oferecidos através de empréstimos (recursos que poderiam ser direcionados à infraestrutura nacional ou à ampliação de direitos como saúde e educação). Por isso é necessário discutir se este é um “jogo” interessante para o Brasil e o mundo.

No início, Eike foi financiado por grandes fundos privados. Não demorou muito para que fosse impulsionado também pelo BNDES.

Isso porque os governos petistas apostaram na estratégia dos “campeões nacionais”, preconizada pelo ex-presidente da instituição, Luciano Coutinho, que visava privilegiar grandes grupos econômicos privados que deveriam ser fortalecidos com a anunciada intenção de conter a internacionalização da economia brasileira.

Uma estratégia aparentemente bem-intencionada, mas com trágicas repercussões sobre o conjunto das cadeias produtivas nacionais. Isto porque, diferente de outros países que adotaram a mesma estratégia com suas empresas de ponta, o governo investiu nos gigantes do setor primário-exportador (a JBS Friboi, na exportação de carnes, ou Vale, na exportação de minério, por exemplo), aprofundando a monopolização – vide a quebra de diversos pequenos frigoríficos pelo país afora – e a fragilidade externa, já que quanto maior o grupo, mais dependente do mercado de ações, e assim, das flutuações do mercado internacional.

Claro que diante da explosão do preço das commodities no mercado internacional, a partir de 2005, era de se prever que os financiamentos seriam concentrados em empresas que exportassem esses bens (grãos, carne, minério de ferro, petróleo, etc.). Além disso, esperava-se que o boom das commodities pudesse acelerar os investimentos em infraestrutura, o que acabou não acontecendo – nesse caso a solução de Dilma foi a privatização de portos, aeroportos e rodovias.

Além disso, essa estratégia veio acompanhada de desindustrialização e fortalecimento do setor primário-exportador, um péssimo negócio para o Brasil.

Um país da periferia do sistema deveria investir no fortalecimento de cadeias produtivas capazes de aumentar a competitividade externa, diminuir a vulnerabilidade de nossa economia e ampliar o investimento produtivo, único gerador de empregos.

A queda de Eike, portanto, não se explica apenas pelas opções equivocadas do empresário. Ela é também expressão do fracasso de uma estratégia na qual estavam todos envolvidos, governo, acionistas e executivos de grandes grupos econômicos: a estratégia de apostar nuns poucos grupos econômicos, que apesar de concentrarem boa parte dos investimentos públicos e privados, não tem dado o retorno esperado.

Num tempo em que o mundo todo – de Piketty a Obama – consideram necessárias profundas mudanças nas “regras do jogo” o Brasil vai na contramão da história.

Como lembrou um intelectual de esquerda, o lulismo fez seus milionários: alguns deram certo – na JBS Friboi, TAM, Ambev, etc. – e outros não. Essa história toda ainda precisará vir à tona.

Que a debacle de Eike Batista sirva como alerta àqueles que ainda acreditam que apostar em “poucos e bons” é o melhor caminho.

*Historiador, é Secretário de Comunicação da Executiva Nacional do PSOL.

FONTE: http://www.viomundo.com.br/politica/juliano-medeiros-queda-de-eike-e-de-um-modelo-fracassado.html

Exame: Eike causou prejuízo bilionário a bancos, diz jornal

Dado Galdieri/Bloomberg

Eike Batista, CEO da EBX, durante um encontro com investidores no Rio de Janeiro, em uma foto de maio de 2012
Priscila ZuiniPriscila Zuini, de EXAME.com

São Paulo – Os bancos foram um dos maiores perdedores com a queda de Eike Batista e suas empresas. Segundo cálculo da Folha de S. Paulo, os bancos tiveram prejuízo de 7,9 bilhões de reais por causa do empresário; o valor é quase 30% do prejuízo causado na praça. 

O banco que mais perdeu, segundo o jornal, foi o Itaú BBA (R$ 2,4 bilhões), seguido pelo BTG (R$ 919 milhões), e o Votorantim (R$ 588 milhões). Este prejuízo foi calculado levando em conta os pedidos de recuperação judicial das empresas OGX, OSX, Eneva e MMX e as dívidas da holding EBX.

A recuperação judicial da Eneva foi um dos principais problemas dos bancos, já que a empresa pediu recuperação com dívida de R$ 2,3 bilhões. Segundo a publicação, os bancos ainda têm esperanças em diminuir esses prejuízos, tentando tirar alguns projetos do papel.

Eike Batista chegou a estar entre os dez homens mais ricos do mundo em vários rankings internacionais. De bilionário Eike passou a “classe média” quando suas empresas começaram a entrar em recuperação judicial.

No final do ano passado, o empresário começou a ser julgado em uma ação penal, acusado de crimes contra o mercado de capitais.

Também no ano passado, fechou um acordo com seu principal credor, o fundo soberano Mubadala e pelo acerto recebe um valor anual de US$ 5 milhões, até 2018.

FONTE: http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/eike-causou-prejuizo-bilionario-a-bancos-diz-jornal

O tudo ou nada de Malu Gaspar: a ascensão e queda de Eike Batista, e a ameaça da Fênix

Passei os últimos dias de 2014 e os primeiros de 2015 lendo os capítulos que me restavam da obra “Tudo ou Nada” da jornalista Malu Gaspar cujo mote é analisar a ascensão e queda do império “X” de Eike Batista. A obra que está dividida em um prologo, 22 capítulos e um epílogo e que consome 494 páginas para realizar uma narrativa de tirar o fôlego de todas as idas e vindas, peripécias e personagens que serviram de escada de Eike Batista em seu processo de passar de milionário e bilionário, e depois, como ele mesmo disse, de volta à “classe média”.

Como Malu Gaspar reconhece que o livro começou a ser escrito em 2006, eu até entendo porque os capítulos que narram a ascensão e a incipiente permanência de Eike Batista no topo da glória são mais cativantes e ocupam um número maior de capítulos, enquanto a maioria dos dedicados à debacle são mais curtos e menos detalhados. Eu atribuo isso à debandada de funcionários, diretores e Chief Executive Oficcers (CEOs) que certamente abasteceram a autora com detalhes tão íntimos quanto picantes sobre o cotidiano de Eike Batista e seu conglomerado financeiro. No entanto, no conjunto da obra, este desiquilíbrio acaba não afetando a qualidade do seu conteúdo.  Não como negar, o livro de Malu Gaspar é muito informativo e elucida as entranhas do maior colapso financeiro ocorrido na história das bolsas de valores latino-americanas.

Uma reserva que eu tenho é o roll restrito de vítimas desse processo, já que Malu Gaspar acabou restringindo sua análise ao âmbito do mundo financeiro. Fora disso, todos são invisíveis e aparentemente secundárias na grande narrativa estabelecida no livro. Esse é um detalhe que pode parecer secundário, mas não é. É que se levarmos o único caso em que Malu Gaspar vislumbra a oportunidade de que haja algum tipo de legado histórico, o Porto do Açu, existem tantas vítimas deixadas na obscuridade que, se reveladas, deixariam os acionistas minoritários da G(X) parecendo apenas como personagens merecedoras de seu cadafalso. É que, para começo de conversa, ninguém colocou a Polícia Militar para obrigar ninguém a comprar as ações turbinadas da OG(X), como aconteceu com os agricultores do V Distrito de São João da Barra, os quais continuam até hoje abandonados à própria sorte. Neste aspecto em particular, Malu Gaspar simplificou o enredo. Mas como nunca declarou que iria dar uma fotografia completa, talvez nem devesse ser criticada por essa “pequena” lacuna.

A obra é concluída com um interessante capítulo de Epilogo que soa como uma lembrança de que Eike Batista pode, afinal de contas, não estar acabado como muitos vaticinam neste momento, e que ele pode, dadas condições novamente propícias, irromper no cenário restrito dos bilionários. Malu Gaspar sintetiza essa possibilidade do dito galego de que “não creio em bruxas, mas que elas existem, existem“. 

Agora, algo que deveria ser mais bem analisado por todos os interessados nos problemas econômicos afligindo a economia fluminense, e que é apenas insinuado por Malu Gaspar, se refere ao impacto do tombo de Eike Batista sobre as chances de algum tipo de crescimento econômico sustentado no Rio de Janeiro. E se alguém se dispor a fazer essa análise, provavelmente encontrará pela frente não apenas Eike Batista, mas também Sérgio Cabral e todos os que orbitaram ao seu redor nos anos dourados do ex-bilionário.

Finalmente, eu indicaria o livro aos que ainda se iludem com as chances do Porto do Açu vir a ser uma Roterdã dos trópicos. É que apesar de não se prender a prognósticos sobre o futuro do empreendimento “legado”, Malu Gaspar coloca definitivamente “os pingos definitivamente no is”.  Depois de ler o livro, que se iluda quem quiser.

Tudo ou nada: resenha parcial do livro de Malu Gaspar

tudo ou nada

Para quem ainda não comprou, eu não hesito em recomendar o livro da jornalista Malu Gaspar sobre a mirabolante história em que se configura a ascensão e queda de Eike Batista. Após ler quase um terço do livro em menos de dois dias, eu só posso dizer que o livro vale todo o dinheiro que eu gastei nele.  Eu o caracterizaria como uma mistura de um thriller policial com um daqueles filme de realidade fantástica e tudo numa velocidade do filme Velocidade Máxima que foi estrelado por Keanu Reeves.

Apesar de eu achar o detalhado relato de vários episódios que antecederam o derretimento do Império X um tanto difícil de aceitar no tocante à precisão da descrição, o estilo que Malu Gaspar emprega em sua narrativa é bastante convidativo a que se devorem as páginas com avidez, sempre na espera do que acontece em cada um dos capítulos que ela dividiu a sua obra.

Em relação à Eike Batista, eu ainda vou esperar o que Malu Gaspar vai apresentar nos dois terços restantes do livro para decidir como ela efetivamente o pretende retratar. Até o onde eu cheguei, a narrativa mistura traços de completo escárnio com certo grau de reverência. É como se Malu Gaspar quisesse retratar as fraquezas e limitações de Eike sem, no entanto, perder de vista sua capacidade realizadora.

Mas ao contrário de que possa parecer, eu estou quase convencido que este livro não é nem sobre Eike Batista nem sobre seu império de empresas pré-operacionais que um dia apareceram como verdadeiros cometas no céu das bolsas de valores. Acredito que o cenário que Malu Gaspar é muito mais complexo e revela um projeto jornalístico mais ambicioso que seria algo como uma crônica dos tempos áureos do neodesenvolvimentismo lulista e, ao mesmo tempo, uma crítica à forma com que as engrenagens de grandes corporações se movem em busca de lucro em escala planetária.

E, sim, tudo isso é envolto em muita prepotência, egocentrismo, manipulação, viagens luxuosas, bebedeiras homéricas, e comilanças regadas com todo o tipo de vantagens financeiras para quem opera um sistema onde o cidadão comum é simplesmente invisível.

Para os leitores do Norte Fluminense, eu diria que esse livro é fundamental para se ver como os projetos de Eike Batista, começando pelo decantado Porto do Açu, foram tramados e implementados sem a menor consideração com um projeto minimamente preocupado com a superação das históricas dificuldades sociais e econômicas que ali existem.

 

Valor Econômico também repercute venda da Lamborghini de Eike Batista

Eike Batista vende Lamborghini avaliado em R$ 2,75 milhões

Bloomberg

SÃO PAULO  –  Depois de ver seu império ruir no ano passado, o empresário Eike Batista se desfez de sua Lamborghini Aventador LP 700-4 modelo 2012. Um veículo zero quilômetro do mesmo modelo está anunciado no site Webmotors por R$ 2,750 milhões.

O carro esportivo de cor branca ficou por muito tempo estacionado no meio da sala da casa do empresário, ao lado de um outro, o Mercedes SLR McLaren prata, que era dirigido pelo seu filho Thor Batista, quando o jovem atropelou e matou um ciclista em março de 2012 no Rio.

Procurada, a assessoria de imprensa do grupo EBX não comentou a venda, mas a reportagem apurou que o empresário passou o veículo adiante há poucos meses.

Lançado em 2010 no Salão de Genebra, na Suíça, o carro tem motor 6.5 litros V12, de 700 cavalos de potência. O veículo vai de 0 a 100 quilômetros em 2,9 segundos. A velocidade máxima é de 350 quilômetros por hora.

Na última quarta-feira, o empresário entregou mais uma participação no que restou do seu império para o fundo árabe Mubadala em uma tentativa de equacionar suas dívidas.

Conforme comunicados divulgados nos últimos dois dias, Eike se comprometeu a transferir 10,4% da Prumo Logística (antiga LLX) e 10,5% da MMX (mineração) para o Mubadala.

Em junho, uma assembleia de credores do grupo na Bolsa de Valores do Rio decidiu pela recuperação judicial da antiga petroleira OGX, hoje chamada Óleo e Gás Participações.

A derrocada do império ocorreu depois que os primeiros poços adquiridos pela empresa não renderam o esperado e os investidores passaram a duvidar da capacidade da companhia de arcar com suas dívidas e fazer novos investimentos.

(Folhapress)

FONTE: http://www.valor.com.br/empresas/3644756/eike-batista-vende-lamborghini-avaliado-em-r-275-milhoes#ixzz39tjHahQx

Valor: Eike diz que não vai recorrer contra decisão que quebrou seus sigiloS

Por Rafael Rosas | Valor

Eike Batista é acusado de vender ações de sua empresa para evitar futuros prejuízos pessoais

SÃO PAULO  –  O empresário Eike Batista informou em nota divulgada pela assessoria da EBX nesta sexta-feira que não vai recorrer da decisão de quebra dos sigilos bancário e fiscal determinada hoje em caráter liminar pelo juiz Flávio Roberto de Souza, da 3ª Vara Federal Criminal do Rio.
“A respeito de notícias de quebra de sigilo bancário, fiscal e de busca e apreensão, a assessoria de imprensa da EBX informa que, segundo comunicação feita pela Secretaria da 3ª Vara Federal, não houve qualquer pedido de busca e apreensão, não tendo, consequentemente, sido realizada qualquer diligência com esse fim”, diz a nota divulgada pelo empresário. “Quanto à ordem de quebra de sigilo bancário e fiscal, a medida coincide com o propósito reiterado de mostrar aos órgãos judiciários, ao Ministério Púbico e a todos os interessados a regularidade de tais elementos, tanto assim que a defesa não interporá qualquer recurso dessa decisão”, acrescenta o comunicado.
O texto divulgado por Eike diz ainda que, no momento oportuno, “a própria defesa irá pedir a verificação de todas as operações bancárias, bem como de todas as informações prestadas à Fazenda”.
A assessoria da EBX frisou ainda que voltará ao assunto assim que os advogados do empresário tiverem vista do processo judicial, o que ainda não ocorreu.

FONTE: http://www.valor.com.br/empresas/3543048/eike-diz-que-nao-vai-recorrer-contra-decisao-que-quebrou-seus-sigilos#ixzz31LHSvKk6

Exame: EBX nega uso de informação privilegiada por Eike na OGX

O grupo alega que a venda de ações questionada pela área técnica da CVM ocorreu porque as ações estavam comprometidas por dívidas vencidas

Mariana Durão, do 

Jonathan Alcorn/Bloomberg

O ermpresário Eike Batista

 A nota diz que “explicações cabíveis serão dadas à CVM com a apresentação da defesa e a instrução do processo administrativo”

 Rio – A EBX divulgou nota em resposta às notícias veiculadas a respeito do relatório de acusação em que a área técnica da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) indica que o empresário Eike Batista deve ser responsabilizado por uso de informações privilegiadas, manipulação de preços e prática não equitativa. O grupo afirma que “em nenhum momento houve má-fé ou uso de informação privilegiada pelo controlador da OGX”.

A nota diz que “explicações cabíveis serão dadas à CVM com a apresentação da defesa e a instrução do processo administrativo. O termo de acusação ainda será julgado pelo Colegiado da CVM”.

A EBX destaca que, “embora não estivesse obrigado a tanto”, Eike Batista se manteve no controle da OGX, com mais de 50% do capital total e votante, por acreditar no potencial da companhia. “Se tivesse acesso a informação privilegiada na época questionada e intenção de se valer disso, Eike Batista poderia ter vendido toda sua participação na OGX”, diz a nota.

O grupo alega que a venda de ações questionada pela área técnica da CVM ocorreu porque as ações estavam comprometidas por dívidas vencidas junto a credores da holding EBX. E afirma que “os recursos obtidos na venda foram destinados ao pagamento dessas dívidas”.

“Eike Batista foi o maior investidor individual na OGX, com o maior o volume de capital investido, e o acionista que mais restou prejudicado em função do insucesso do plano de negócios da companhia. A acusação formulada não resiste a uma análise criteriosa dos fatos e isso será provado no processo”, acrescenta o advogado Darwin Corrêa, sócio do escritório PCPC – Paulo Cezar Pinheiro Carneiro, encarregado da defesa do empresário no processo da CVM.

Na última sexta-feira, 11, a CVM informou que além da acusação contra Eike por “insider trading” na OGX há outros oito processos administrativos sancionadores envolvendo as companhias do grupo EBX em andamento. Eles podem levar o empresário e pelo menos outros 12 executivos e conselheiros do grupo a julgamento. A Superintendência de Relações com Empresas (SEP) do órgão regulador toca ainda outras 13 investigações que, após concluídas, poderão levar à abertura de mais processos sancionadores.

FONTE: http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/ebx-nega-uso-de-informacao-privilegiada-por-eike-na-ogx

Exame: Império ‘verde e amarelo’ de Eike vai para múltis

Sem crédito na praça, Eike Batista acabou encontrando em investidores externos a solução para uma saída honrosa das companhias que idealizou

Mariana Durão, do 

Marcos Issa/Bloomberg 

O empresário Eike Batista

 O empresário Eike Batista: fim do império verde e amarelo

 Rio de Janeiro – A derrocada do grupo X enterrou o projeto de construção de um império industrial verde e amarelo.

Sem crédito na praça, Eike Batista acabou encontrando em investidores externos a solução para uma saída honrosa das companhias que idealizou, mas não tirou do papel.

O saldo até aqui inclui a transferência de ativos ou participações a sete grupos: a turca Yildirim, a alemã E.On, a americana EIG, a suíça Acron, a argentina Corporación América, a holandesa Trafigura e o Mubadala, fundo soberano de Abu Dabi.

Apontado muitas vezes como megalomaníaco, Eike resgatou a imagem do empreendedor nacionalista e o “espírito animal” constantemente evocado pelo ministro Guido Mantega em momentos de crise.

Carismático, imprimia um tom ufanista a seus discursos e encerrava fatos relevantes de suas empresas com expressões como “Viva o Brasil!”.

Se tivesse entregado o que prometia, o País teria hoje uma “mini-Petrobrás” (a petroleira OGX), uma “mini-Vale” (MMX), a “Embraer dos mares” (OSX) e o “Roterdã dos trópicos” (Porto do Açu).

Antes de cair em descrença, o controlador da EBX recebeu elogios do Planalto e amealhou forte capital político, além do apoio de banqueiros e a admiração de seus pares na indústria nacional.

A pergunta no ar é por que nenhum grupo nacional disputou para valer os ativos ofertados em meio à crise do grupo?

Alguns deles acabaram vendidos na chamada “bacia das almas”. Foi o caso das minas de carvão da CCX na Colômbia, que serão alienadas ao grupo turco Yildirim por US$ 125 milhões.

O acordo divulgado no dia 3 tem valor 72% inferior ao que constava no memorando assinado entre as duas companhias em outubro. O montante de US$ 450 milhões estava sujeito à análise operacional do negócio e acabou reduzido, revelando a fragilidade do projeto.

X da questão. Para Cláudio Frischtak, sócio da Inter.B Consultoria Internacional de Negócios, um dos X da questão está justamente no fato de muitas dessas companhias ainda serem pré-operacionais.

Isso se soma a um momento em que o investidor brasileiro está com o freio de mão puxado diante da economia menos aquecida, do cenário de indefinição política e de juros em alta, abrindo a janela para aplicações financeiras em detrimento de apostas no setor real.

“Há uma percepção de risco alta em relação a empresas que não performaram. Depois da maior debacle da história empresarial do País, as pessoas estão mais cautelosas. É mais difícil um ‘projeto de papel’ decolar”, diz Frischtak.

De acordo com fontes que participaram do processo de venda de ativos, grupos nacionais fizeram propostas por alguns ativos, mas quase sempre indecorosas do ponto de vista estratégico e de preço.

A Odebrecht tentou comprar uma área do Porto do Açu que pode operar como base de apoio offshore para o setor de petróleo e gás. Eike recusou porque seria como vender o filé mignon do gigantesco complexo.

Se loteasse o Açu, o empresário ficaria com um elefante branco na mão. Com a venda do controle da LLX, dona do porto, para a americana EIG, ele manteve 20,9% do negócio.

Já no caso da mineradora MMX, Eike acabou aceitando separar os ativos e vender somente o controle do Porto do Sudeste, por onde escoaria o minério de ferro da MMX, à trading holandesa Trafigura e ao Mubadala.

O fundo soberano de Abu Dabi detém uma fatia da EBX e chegou a ter exposição de US$ 2 bilhões ao grupo, um fator que certamente pesou nas tratativas.

“O tombo aqui foi muito forte e o julgamento dos brasileiros sobre o Eike mais duro. O distanciamento permitiu aos estrangeiros enxergar o potencial de recuperação dos ativos”, diz um investidor internacional.

Não foi só isso. O apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pesou 100% na análise dos estrangeiros. A americana EIG Global Energy Partners já tem engatilhado novo pedido de financiamento para o Açu.

Na Eneva (ex-MPX) e na SIX Semicondutores o banco detém participações relevantes (10,34% e 33,02%, respectivamente). No caso do Hotel Glória, o financiamento de R$ 190,6 milhões depende apenas de documentação para ser repassado à Acron.

Apesar de contar com fianças bancárias para garantir os empréstimos dados às empresas X, o banco ficaria em situação desconfortável caso não houvesse uma solução ordenada que viabilizasse os projetos.

Os juros subsidiados do BNDES ajudaram na hora de fechar a conta de dívida dos novos sócios das empresas.

O professor de economia da PUC-SP Antonio Correa de Lacerda destaca que o Brasil é o 5.º no ranking global de atração de Investimento Estrangeiro Direto (IED), por isso é natural que o capital externo esteja atento às oportunidades de investimento no País.

Além disso, Eike Batista sempre fez questão de dar visibilidade às companhias no exterior, onde fez uma série de road shows.

Para Lacerda, a desnacionalização do grupo X preocupa por reduzir a inserção do País nas cadeias globais de produção.

A aquisição de fatias das empresas X foi uma porta de entrada desses grupos para o Brasil ou em um novo setor.

FONTE: http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/imperio-verde-e-amarelo-de-eike-vai-para-multis?page=1

E Eike Batista continua entregando seus anéis. Agora foi a vez da IMX, dona do Rock in Rio

O desmantelamento do império “X” de Eike Batista não está deixando pedra sobre pedra, e agora foi a vez da IM(X) vender um porção significativa da empresa que controla o Rock in Rio. Após mais essa venda, resta a Eike Batista apenas uma pequena fração de sua antiga holding, um processo que pode ainda não ter se encerrado, especialmente porque tampouco se encerraram os problemas judiciais que o ex-bilionário está tendo que responder.

E pensar que havia gente que entoava aos quatro ventos a infalibilidade de Eike Batista. Está agora provado de que infalível ele não tem nada. Pior para quem caiu na sua conversa e perdeu economias acumuladas ao longo de longo anos de trabalho.

Mas ruim mesmo está a situação das centenas do V Distrito de São João da Barra que tiveram suas vidas destroçadas em nome de um suposto processo de desenvolvimento que agora se prova ter sido apenas um tigre de papel que não resistiu ao primeiro teste de durabilidade.

Eike reduz participação no Rock in Rio

IMX reduziu a sua participação de 50% para 20% na Rock World, detentora do festival de música

Mariana Sallowicz, do 

Buda Mendes/Getty Images

Visão geral do público durante o show de Ivete Sangalo na abertura do Rock In Rio 2013Visão geral do público durante o show de Ivete Sangalo na abertura do Rock In Rio 2013: Eike comprou metade da Rock World em 2012

Rio – A organização do Rock in Rio anunciou a venda de 50% de uma nova entidade, que deterá os ativos e operações do evento de música para a produtora americana SFX Entertainment. O negócio foi concluído por R$ 150 milhões.

O empresário Roberto Medina, que criou o evento em 1985, continua com a gestão do Rock in Rio. Já a IMX, empresa de entretenimento de Eike Batista, reduziu a sua participação de 50% para 20% na Rock World, detentora do festival de música Rock in Rio.

Segundo a organização, será constituída uma holding, ainda sem nome, na qual Medina e a SFX terão igualdade de controle sobre a empresa que possui os ativos e operações do Rock in Rio.

Eike comprou metade da Rock World em 2012, mas, diante da crise que atingiu o seu grupo, o empresário está se desfazendo de ativos ou reduzindo participações desde o ano passado. O valor do negócio não foi divulgado na época, mas a operação foi estimada em R$ 120 milhões.

Em outro caso em que Eike se desfez de ativos, o fundo suíço Acron confirmou no início do mês a compra do Hotel Glória, um dos mais tradicionais do País. O Glória foi inaugurado em 1922 e está em reforma desde 2008, quando foi comprado pelo grupo EBX por R$ 80 milhões.

Em nota, a IMX informou que a sua participação na sociedade visava, prioritariamente, expandir os negócios do Rock in Rio para novos mercados. “Através de suas conexões internacionais a IMX colaborou para atingir esta meta, formando novas parcerias, viabilizando novos projetos como o Rock in Rio em Las Vegas e aumentando a visibilidade da marca Rock in Rio no mercado americano”.

Em 28 anos, foram realizadas 13 edições do evento no Rio de Janeiro, Lisboa e Madri. O público alcançou, em 2013, a marca de 7 milhões de pessoas. A última edição ocorreu no ano passado, no Rio. O evento será realizado nos Estados Unidos pela primeira vez em 2015, segundo a organização.

“A parceria com a SFX nos permitirá acelerar o crescimento de nossa marca em novos territórios”, disse em nota Roberto Medina, presidente do Rock in Rio.

FONTE:http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/eike-reduz-participacao-no-rock-in-rio–2