Moeda local e renda circulando

justa-troca-banco-comunitario-cedulas-xO Justa Troca foi criado há um ano. É o mais novo banco comunitário do Brasil, que se juntou a mais de cem iniciativas similares espalhadas por todo o território brasileiro. Localizado em Vila Nossa Senhora Aparecida, em Porto Alegre, uma das pioneiras na região em implantar um banco comunitário de desenvolvimento, o Justa Troca tem moeda própria e linha de crédito para pequenos projetos da economia local, e é uma conquista da união das pessoas do bairro.

Por Ranulfo Vidigal*

A desigualdade no município de Campos dos Goytacazes possui antigas e profundas estruturas, e não há dúvida de que sua efetiva redução (no prazo de uma geração, por exemplo) requer a formação de uma coalizão política ampla capaz de persuadir a sociedade e mobilizar os recursos e as energias necessários para essa finalidade.

Fortalecer e ampliar a rede municipal de proteção social para garantir recursos financeiros e institucionais para quebrar o ciclo vicioso do aumento e reprodução da pobreza e precarização é um dos desafios, para uma cidade que contabiliza 182 mil trabalhadores na informalidade e quase 50 mil famílias na pobreza extrema. Para 2020, o orçamento municipal na função “Assistência Social” será de R$ 50 milhões.

Os pobres pagam quase o mesmo imposto como proporção de sua renda, em comparação com a classe média e os mais ricos, mas recebem pouco em troca. O poder público geralmente não cumpre o seu papel, agindo com frequência como um Robin Hood às avessas. Superar essa deficiência é missão necessária e urgente.

Nesse contexto, uma importante revista de circulação nacional trouxe esta semana uma idéia interessante. Foi criada faz sete anos em Maricá – com seu orçamento fiscal lastreado em indenização dos recursos finitos da produção petrolífera da produção na camada pré sal – a moeda local denominada “Mumbuca”, que repassa 130 reais mensais para quem ganha, mensalmente, até três salários mínimos naquela cidade litorânea.

Prefeitura lança Moeda Social Mumbuca nesta segunda-feira | Prefeitura de  Maricá

Isso movimenta o comércio e serviços, mediante um cadastro de beneficiados de aproximadamente 40 mil pessoas. Pois bem, se revela uma bela forma de combater a extrema pobreza. O dinheiro que somente circula no perímetro da cidade fortalece a circulação de renda e garante preciosos empregos nos setores mais dinâmicos da cidade.

Na capital do açúcar, cuja massa ampliada de salários soma R$ 5 bilhões anuais, um programa dessa magnitude precisaria estar integrado com a construção de uma relação duradoura entre governo, universidades e empresas para desenvolver a industrialização de vanguarda no município, bem como superar a dicotomia entre agricultura familiar e empresarial. Construir uma economia de escala, centrais de abastecimento e parcerias com a reforma agrária para reconstruir um setor agrícola produtivo forte.

*Ranulfo Vidigal é economista, Mestre em Políticas Públicas, Estratégias e Desenvolvimento pelo Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e Consultor.