Reunião da ASPRIM aponta rumos para continuidade da luta dos agricultores afetados pelo Porto do Açu

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Como anunciado neste blog, a reunião mensal dos associados da Associação de Proprietários Rurais e de Imóveis de São João da Barra (ASPRIM) acabou confirmando a disposição anunciada pelo seu vice-presidente de retomar a luta em defesa dos agricultores desapropriados no V Distrito, bem como de ampliar a agenda política de atuação da entidade.

As novidades deverão ser comunicadas formalmente ao longo das próximas semanas, mas sinalizações vindas do Rio de Janeiro dão conta que a luta da ASPRIM continua sendo notada e valorizada em diversos fóruns, incluindo deputados que já participaram de diversas audiências públicas relacionadas aos problemas causados pelas escabrosas desapropriações realizadas para beneficiar inicialmente o conglomerado econômico do ex-bilionário Eike Batista, e atualmente do fundo EIG Global Partners que herdou esses benefícios ao adquirir a LL(X) Logística.

Para quem acha que a disposição de luta dos agricultores já acabou, a ASPRIM sempre aparece para dizer que não. É por causa dessa formidável resistência que todos os efetivamente interessados num modelo de desenvolvimento que seja socialmente justo e ambientalmente sustentável deveriam estar apoiando a ASPRIM!

Eike Batista fala da perda do seu patrimônio, mas esquece dos que perderam o pouco que tinham

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A entrevista abaixo, publicada pelo Jornal O GLOBO, apresenta a visão de Eike Batista sobre sua derrocada do alto da glória de ser um dos homens mais ricos para alguém que deve, segundo ele mesmo, US$ 1 bilhão. A leitura da entrevista nos revela um Eike Batista levemente mais humilde e capaz de reconhecer parcialmente sua própria culpa no trágico destino das suas empresas pré-operacionais.

Mas essa disposição a falar precisa ser relacionada aos processos que está tendo responder após as ações iniciadas pelo Ministério Público Federal no Rio de Janeiro e em São Paulo. Assim, parte do que está dito pode ser entendido como uma espécie de defesa prévia. Nada melhor para alguém totalmente encrencado do que tentar limpar uma imagem pública que, convenhamos, não é das melhores. Talvez se tivesse agido mais como formiga do que como cigarra, Eike Batista não tivesse que estar nesta posição de contrição.

Aliás, há algo que eu efetivamente não engulo. É que Eike Batista diz que suas empresas pré-operacionais foram projetos custeados pelo seu próprio bolso e que levaram todo o seu patrimônio. Ora, um exame minimamente atento do percurso de Eike de milionário a bilionário, e agora bilionário negativo, vai nos mostrar que o dinheiro da viúva foi usado para regar fartamente o seu complexo de empresas de Powerpoint. Além disso, Eike Batista parece esquecer que no rastro de sua megalomania no Porto do Açu centenas de famílias humildes foram expropriadas e, muitas delas, jogadas na beira da estrada apenas com a roupa do corpo e os poucos pertences que as máquinas da LL(X) não tinham passado por cima. Então, Eike Batista que me desculpe, mas esse lamentar é insuficiente para produzir a expiação pelo mal que foi cometido contra pessoas humildes e trabalhadoras. 

Uma nota interessante. Ao ser perguntado sobre as suas dívidas com o BNDES,  Eike Batista apontou o dedo para o lado dos novos controladores de suas ex-empresas, começando pela EIG Global Partners que controla a Prumo Logística. Interessante saber o que a EIG tem a dizer sobre isso. Afinal, com quem vai segurar o papagaio?

Eike Batista: ‘Botei do bolso. Levaram todo o meu patrimônio’

Empresário diz que tem dívidas de US$ 1 bilhão. E afirma ter sido ‘criado como um jovem de classe média’, quando perguntado sobre arresto de seus bens

POR MARIA FERNANDA DELMAS / GLAUCE CAVALCANTI

Eike Batista: “Talvez tocar cinco empresas foi muita coisa” – / Patrick Fallon/Bloomberg/30-4-2012

RIO – Pouco menos de um ano atrás, o tagarela Eike Batista se calou — à exceção de uma rara entrevista, em abril, ao “Wall Street Journal”, época em que começou a ser investigado pela Polícia Federal. A petroleira OGX entrara no fim de 2013 em recuperação judicial, um símbolo de seu império em derrocada. Ontem, após ter virado réu em ação penal no Rio, Eike decidiu falar. Dispôs-se a 20 minutos de entrevista, com breve exposição prévia sobre seu otimismo e a ressalva dos advogados de que não “saberia responder muito bem” às questões técnicas sobre a Justiça.

Acusado de manipulação de mercado e uso de informação privilegiada, diz que vendeu ações da OSX porque a empresa tinha de se enquadrar a uma regra de ter ao menos 25% de seu capital em Bolsa. E que as ações da OGX tinham sido dadas em pagamento de uma dívida.

Não permitiu ser fotografado. Com mais cabelos brancos, continua exibindo vaidade com os negócios, apesar de ter inserido mea culpa no seu vocabulário. Na conversa que teve antes da entrevista, repetia frases de um roteiro entregue às repórteres com sua defesa. Entre as frases: “Nunca tive a intenção de ludibriar nenhum investidor”.

Eike já foi o mais rico do país e o oitavo do mundo, com US$ 34,5 bilhões, segundo índice da Bloomberg. Agora, diz, sem rodeios, que tem patrimônio líquido negativo de US$ 1 bilhão.

O criador do grupo X, que detestava que tratassem seus projetos como “negócios de PowerPoint”, valeu-se várias vezes de um mapa exibido numa tela de computador para destacar os investimentos em curso no Porto do Açu, no Norte Fluminense. No mercado, o porto é tido como essencial para manter pagamentos a credores.

Perguntado sobre como a família reagia à possibilidade de arresto de bens, afirmou: “Fui educado como um jovem de classe média. Não sei se você perde isso, não.”

As denúncias do Ministério Público tratam de vendas de ações em dois momentos específicos do ano passado. Como o senhor explica isso?

Uma era pela obrigação de me enquadrar. Eu não queria, mas tive de me adaptar às regras do jogo. No segundo caso, eram ações que pertenciam a outro, não eram minhas ações mais. Foram vendidas para quitar dívidas.

O senhor já foi o homem mais rico do Brasil, com US$ 34,5 bilhões. Hoje (ontem) o BC encontrou e bloqueou R$ 117 milhões seus. Qual é seu patrimônio hoje?

Com toda essa renegociação da dívida, minha situação líquida de patrimônio hoje é de menos US$ 1 bilhão (US$ 1 bilhão negativo). É uma negociação de cinco a dez anos de prazo, em que eu trabalho para trazer novos investidores para instalar fábricas no Porto do Açu. Nesse prazo, vou fazer minhas ações se valorizarem. Eles (credores) hoje têm em garantia. Se o valor dobrar, triplicar, vou ter a chance de, na frente, isso sair positivo. Mas hoje minha situação é de menos US$ 1 bilhão líquido.

Isso contando imóveis, dinheiro no exterior etc.?

Tudo. Essa é minha situação hoje. Meu patrimônio.

Petróleo é um negócio de risco em qualquer lugar no mundo, mas vemos muitas companhias investindo nisso e tocando normalmente suas operações, mesmo com projetos ruins. Por que houve essa ruína com a OGX?

Primeiro, a OGX (rebatizada de OGPar e em recuperação judicial) ainda está em pé. Ela produz, tem a perspectiva do BMS-4 e novas parcerias. Na hora em que você vai produzir não é um quarto do que esperava, isso faz parte do negócio. Mas foi uma aposta muito grande que fiz. Podia ter vendido um pedaço antes.

A OGX está em pé, mas foi ela que causou a derrocada do seu grupo. O que poderia ter sido diferente na OGX?

Infelizmente, é um setor de risco muito alto. Confiei demais, até porque o Brasil é um país de baleias, toda semana a Petrobras anuncia uma descoberta. Eu ganho uma área gigantesca na maior bacia produtora do Brasil, e ela é um terço do que a gente imaginava em produtividade.

O senhor ainda não disse por que o problema da OGX causou toda essa crise. O que teria feito diferente?

Nada, nada, nada. O que se poderia dizer é que ninguém no mundo tem uma participação tão grande em uma empresa de petróleo. Deveria ter vendido participações, fechado o capital das companhias e ficado no mercado de private equity. É dinheiro privado que tem mais prazo, em que você aguenta o tranco numa queda gigante e tem chance de recuperar.

A interrelação entre as empresas X pode ter pesado na crise de confiança?

Lógico. Se esse negócio do Eike está mal, por que os outros não estariam? O que quero mostrar é que a venda para novos participantes mostra que a história é um pouco diferente. Não é porque é uma empresa de PowerPoint.

O senhor sempre defendeu investimentos no Brasil. O que acha de agora seus empreendimentos estarem passando para a mão de estrangeiros?

Que triste. Adoraria vender para brasileiros.

O senhor falou que não recebeu do seu corpo técnico as informações que deveria ter recebido. O senhor acha que errou na contratação ou, mesmo dizendo que trabalhava dia e noite, não enxergou o que estava acontecendo no grupo? Era pressão por resultados?

Contratei os melhores, e houve trocas. O pessoal que assumiu na segunda leva teve de completar os estudos que fizeram até a famosa data de junho, e estes são os resultados. Fomos transparentes, e eu confiante. A Petronas estava dando o aval num campo de petróleo, sócios mundiais de primeira linha. Eu não era especialista em petróleo, você vai ouvir as pessoas que falam. E tem um lado de furar sem saber qual é a produtividade do petróleo. Eu tinha confiança absoluta, e não sou tão criança… Aliás, vocês poderiam corrigir essa história de mais rico do mundo, eu já disse que queria ser o mais generoso do mundo. Corrijam isso para mim.

Infelizmente, a lista é dos mais ricos, não há lista dos mais generosos. Mudando de assunto, há empresas suas em recuperação judicial, outras operando, outras em situação difícil. Quais são as prioridades nas suas viagens ao exterior?

Por exemplo, trazer empresas coreanas para o Porto do Açu. Assim agrego valor aos meus ativos penhorados. Dou conselho a todos eles (investidores), todos eles me querem, porque eu concebi esse negócio.

Que lições o senhor aprendeu com a derrocada do grupo?

Nossa… Talvez tocar cinco empresas foi muita coisa. Teria sido mais fácil se elas não fossem de capital aberto, porque no setor privado, com private equity, você tem sete, dez anos para fazer. Você atravessa diferentes crises sem estar exposto àquele resultado trimestral que é duro e te cobra um preço alto. E esses projetos vão beneficiar o Brasil nos próximos 200 anos. Botei dinheiro do meu bolso, estou pagando minhas dívidas, levaram todo meu patrimônio, me deram a chance de nos próximos cinco a dez anos sobrar algo para mim. Por isso trabalho todo dia. Imagina poder pagar a dívida e ainda ficar com meus 20% do Açu?

O senhor pensa em ficar lançando mais negócios?

A prioridade é trabalhar na reestruturação, me dedicar a isso. Muita gente já me disse: “Eike, o que você passou muita gente não iria aguentar”.

Como sua família está lidando com a ameaça de arresto dos bens?

Não é fácil, né?

Mudou muito a rotina deles?

(Risos) Fui educado como um jovem de classe média. Não sei se você perde isso, não.

Quando o senhor vai negociar no exterior, há desconfiança?

No fundo, os investidores estrangeiros encaram pessoas que criam coisas desse porte como pessoas que merecem uma volta. Tem gente que me diz que tem interesse em investir capital comigo, em novos projetos. No Brasil, não, talvez porque eu não tenha falado neste ano e meio (com exceção de entrevista concedida ao “Wall Street Journal”, em abril passado).

O senhor avalia que houve uma superexposição sua?

Pode ter havido, mas eu tinha confiança nos projetos, e no fundo sempre quis passar uma mensagem aos jovens brasileiros de que este país precisa pensar grande, pensar projetos de infraestrutura. Sair desse raciocínio de puxadinho. Sem superexposição você não atinge o jovem.

No auge do grupo, muita gente queria trabalhar com o senhor. Hoje, consegue atrair gente para seus negócios?

Os executivos que trabalharam aqui que façam bom proveito dos recursos que ganharam, que tenham sucesso nos seus empreendimentos, estou tocando a vida com gente nova que gosta de trabalhar com alguém que sabe construir essas coisas.

Por que falar agora? Foi um erro não ter falado antes?

Talvez. Muitos investidores credores não gostam, na negociação, de ver falar. Vamos mostrar primeiro (a estruturação). Vou voltar a falar. Quem sabe me deixam até tuitar.

Como está a relação com o BNDES?

Meus projetos são de infraestrutura. Vocês sempre dizem que o dinheiro do BNDES deve ser usado para infraestrutura. E não foi dinheiro direto do BNDES, foi tudo garantido por bancos privados. Então, uau.

Há alguma pendência com o BNDES?

Não. Há sócios novos hoje, a EIG, hoje é em cima deles.

O senhor pensou em sair do Brasil?

Não, nunca.

O mercado falava muito que o senhor vendeu vento…

Térmicas são vento? Porto, vento? Como você tem uma empresa de petróleo, com as parcerias que elenquei, e não vou ser otimista, com os dados que eu tinha na mão? Quando um pilar quebrou, infelizmente derrubou a casa toda. Me ajudem a mostrar…

O governo dizia que queria outros Eikes Batistas…

Todo meu capital foi para fazer isso acontecer. Se não tivesse aqueles US$ 8 bilhões que investi nos projetos, isso não fica em pé. Porque aí o governo vai “diminui”, “encolhe”, cada um tem uma pauta, aí você tem de empurrar para fazer o certo, o antipuxadinho.

FONTE: http://oglobo.globo.com/economia/eike-batista-botei-do-bolso-levaram-todo-meu-patrimonio-13969727#ixzz3DgmbRoT0

Eike continua entregando seus “assets”: Fundo Mubadala também abocanha a MM(X)

A saga morro abaixo de Eike Batista tem outro capítulo envolvendo o fundo Mubadala que pertence nominalmente ao emirado de Abu Dabhi. É que além de sua parte na Prumo que hoje controla o Porto do Açu, Eike também teve de entregar ações e junto com elas o controle da MM(X). Com isso, ele também perde sua participação em outro porto, o do Sudeste.

Com esse encolhimento de Eike Batista, o que estamos assistindo é também o fracasso da lógica dos “campeões nacionais” idealizada no governo Lula que, por tabela, entrega áreas estratégicas e bilhões de dólares de dinheiro público a fundos de investimentos estrangeiros. 

E pensar que a este tipo de entrega se arriscou dar o nome de “Neodesenvolvimentismo”. O nome correto, agora podemos ver com mais clareza, deveria ser “Neoentreguismo” ou “Neosocialliberalismo”. Mas seja o nome que se dê, já sabemos bem quem são os maiores perdedores. E uma pista, Eike Batista não é um deles!

Eike vai transferir 10,52% do capital total da MMX para fundo Mubadala

Por Natalia Viri | Valor

SÃO PAULO  –  A mineradora MMX informou que o controlador Eike Batista vai transferir 10,52% do capital total da companhia para o fundo Mubadala, de Abu Dahbi. A transferência faz parte da reestruturação do investimento do fundo árabe no grupo EBX.

Com a transferência, Eike deve perder  controle absoluto da companhia, com redução de sua participação dos quais 59,3% para pouco menos de 49%. 

O Mubadala já é sócio da MMX no projeto do Porto do Sudeste. O controle do projeto, o mais promissor da companhia, foi vendido para um consórcio formado pelo fundo árabe e a operadora de portos holandesa Trafigura, por US$ 400 milhões, em meados do ano passado. A MMX ficou com 35% do empreendimento.

Em comunicado divulgado há pouco, a mineradora ressaltou que a transferência de ações está sujeita a “condições precedentes usuais” e está prevista para acontecer ainda o terceiro trimestre. Hoje, os papéis da MMX encerraram o pregão em alta de 1,42%, a R$ 1,43. Na máxima do dia, contudo, chegaram a R$ 1,48, com avanço de quase 5%. 

Fonte: http://www.valor.com.br/empresas/3639054/eike-vai-transferir-1052-do-capital-total-da-mmx-para-fundo-mubadala#ixzz39Yid1DOj

Porto do Açu: apesar de todas as contínuas promessas, o desrespeito ainda é a única coisa real para centenas de famílias de agricultores

Tenho assistido a uma nova onda de promessas e repercussões das mesmas sobre o megaempreendimento portuário (será mesmo que conseguira ser mega?) idealizado pelo ex-bilionário Eike Batista, o Porto do Açu. Se olharmos todas as “novas” indicações de futuro lustroso, parece (notem que eu disse parece) que parte dos planos virará realidade em algum momento do segundo semestre de 2014.

Me perdoem os crédulos, mas o empreendimento, que agora pertence à corporação EIG Global Partners com sede em Washington DC e que aqui atende sob o nome de Prumo, não parece que viverá à altura das promessas grandiloquentes de Eike Batista, que sonhava (como um dia sonhou Percival Farquat) ser uma espécie de novo Henry Ford.

Entretanto, não é a diferença entre a propaganda, custeada sabemos por bilhões de reais saídos do BNDES, que me incomoda. É que eu sou desses que acredita que o mercado, com todas as suas imperfeições e idiossincrasias, acaba separando o que é espuma de projetos reais.

O que me incomoda mesmo é constatar que o desrespeito em relação à centenas de famílias de agricultores familiares, iniciado sob a batuta de Sérgio Cabral, Júlio Bueno e Eike Batista perdura até o dia de hoje.  Digo isso porque estive hoje no V Distrito de São João da Barra iniciando mais um projeto de pesquisa que resultará num estudo sobre algumas das consequências sociais e ambientais do Porto do Açu, e conversando com algumas dessas famílias pude ver que nada mudou, e que elas ainda não viram um centavo de propriedades que lhes foram tomadas para a construção de um distrito industrial cujo localização efetiva continua sendo alguma gaveta empoeirada na Companhia de Desenvolvimento industrial do Rio de Janeiro (CODIN).

Mas numa prova que a generosidade e a disposição de trabalhar incansavelmente para produzir alimentos que vão matar a fome na cidade, fui presenteado com queijo, abacaxi, jiló, berinjela, e até o maxixe que um dia o (des) secretário Júlio Bueno um dia desdenhou em nome de uma pseudo siderúrgica que hoje sabemos era só outra lorota de Eike Batista.

Para quem ainda não foi até o V Distrito de São João da Barra e conversou de perto com pessoas da estatura moral do Sr. Reinaldo Toledo e seus filhos, compartilho as imagens abaixo. E, sim, são essas as pessoas que fazem brotar daquelas areias alimentos em uma quantidade que chega realmente a surpreender até pessoas que, como eu, estudam a agricultura familiar há quase três décadas. Por isso, é que mantê-las constrangidas e sem as devidas compensações financeiras não pode ser tolerado como algo inerente a qualquer coisa que se queira chamar de “desenvolvimento” ou “progresso”.

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Série de reportagens do “O TEMPO” publica artigos sobre o Porto do Açu

Porto do Açu ‘salgou’  a terra dos produtores 

Morador reclama que a construção do porto, destino final do minério que sairá de Conceição do Mato Dentro, na região Central de Minas, tirou dos agricultores a possibilidade de plantar

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“Eu não sou contra o porto. Eu sou contra o ‘desarrespeito’”. A frase é do agricultor José Roberto de Almeida, 51, o Pinduca, morador do distrito de Água Preta, em São João da Barra (RJ), onde fica o porto do Açu. Ele reclama que a construção do porto, destino final do minério que sairá de Conceição do Mato Dentro, na região Central de Minas, tirou dos agricultores a possibilidade de plantar. “Quando eles puxaram a água do mar, o sal veio junto, e isso arrasou a agricultura”, conta.

Ele caminha rápido para mostrar as plantações totalmente secas, e as palavras saem quase que no mesmo ritmo dos passos, dando dimensão da revolta. “Aqui era abacaxi, aqui era maxixe, aqui era quiabo. Agora, olha, tudo seco. Perdi 70% do que plantei. A água que usamos para irrigar a lavoura está podre por causa do sal. O que é isso? É crescimento?”, desabafa.

Essa revolta levou os agricultores a procurarem o Laboratório de Ciências Ambientais (LCA), da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), que, desde de 2012, faz um estudo para medir a salinização no canal de Quitingute, na bacia do rio Doce, que banha a região. Na ocasião, foram encontradas amostras com índice de até 640 microsiemens por centímetro (µS/cm – unidade de medida de condutividade, usada para verificar a quantidade de sódio e indicar se a água é salobra). Segundo o professor Carlos Rezende, que coordenou o estudo, a água boa para irrigação deve ter, no máximo, 300 µS/cm.

Outro levantamento, feito pela empresa ERM em 2013, comprovou que a condutividade alcançou picos de 42 mil µS/cm. Para abacaxi, que tem presença marcante na região, o recomendável é 3.000 µS/cm. As referências estão em um estudo inédito, ao qual a reportagem teve acesso.

O levantamento foi encomendado pela LLX (atual Prumo e ex-empresa do grupo de Eike Batista) ao Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense (IFF) para verificar as condições atuais das águas do canal de Quitingute. De acordo com o relatório, a água foi avaliada em 55 propriedades, e, em agosto de 2013, 11% ainda apresentavam alto nível sódico no solo.

A medição aconteceu um ano depois que um dos tanques de transferência da LLX apresentou uma falha técnica durante as perfurações e extração do sal para a construção do porto do Açu. A água salgada vazou para córregos e rios.

Estudos como os da Uenf embasaram uma ação civil pública do Ministério Público Federal de Campos dos Goytacazes para provar que as obras para a construção do porto causaram a salinização em áreas de solo, de águas doces em canais e lagoas e da água tratada para o consumo humano. Em fevereiro deste ano, o Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2) reconheceu que houve impactos no canal de Quitingute e em toda a região. A desembargadora Maria Helena Cisne reconheceu que a salinização pode ter atingido ainda a rede de água para abastecimento humano em toda região.

Grupo X

Desde 2012, o procurador da República, Eduardo Santos de Oliveira, do MPF de Campos dos Goytacazes, move uma ação civil pública contra EBX, OSX (do grupo de Eike) e LLX (agora Prumo), por conta da degradação ambiental causada pelas obras do porto do Açu. O Instituto Estadual do Meio Ambiente (Inea) e o Ibama também são réus.

Agora, com a decisão do TRF2, Oliveira espera um precedente para que os agricultores sejam ressarcidos. “Essa vitória significa que o MPF foi reconhecido como órgão competente para fiscalizar os impactos das obras do porto do Açu, o que era questionado, pois o licenciamento é fatiado e, no caso do porto, foi concedido pelo Estado do Rio de Janeiro, e não pelo Ibama. A partir daí, temos expectativas de decisões favoráveis aos prejudicados”, diz.

FONTE: http://www.otempo.com.br/cmlink/hotsites/especial-mineroduto/porto-do-a%C3%A7u-salgou-a-terra-dos-produtores-1.814800

Porto do Açu: placas velhas levantam questão sobre a propriedade das terras desapropriadas

Apesar do grupo estadunidense EIG ter se tornado o controlador do Porto do Açu desde outubro de 2013 e a LL(X) ter mudado de nome em dezembro passado, quem anda pelas estradas do V Distrito do município de São João da Barra continua encontrando as mesmas placas dos tempos em que Eike Batista e seu conglomerado de empresas pré-operacionais reinavam absolutos. Como o Grupo EIG acaba de ser abastecido com mais um generoso financiamento do BNDES para concluir a construção do porto, a manutenção das placas velhas deve ter algum outro motivo que a falta de dinheiro para fazer as novas.

Aliás, quem se der ao trabalho de verificar o sistema do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro para verificar os múltiplos processos que existem envolvendo o conflito agrário instalado no V Distrito de São João da Barra encontrará apenas a LLX Logística seja como réu ou como reclamante, enquanto o mesmo não ocorre com a Prumo, a sua suposta sucessora. Ainda que isto possa ainda vir a ocorrer num futuro imediato, mesmo porque muitos agricultores continuam querendo ser ressarcidos pelos problemas causados pela salinização de suas terras e águas, este fato não deixa de ser curioso.

E isso tudo levanta uma questão importante para a discussão em torno a luta que os agricultores familiares do Açu travam neste momento em defesa de sua cultura e modo de vida: quem controla hoje as terras desapropriadas pela Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (CODIN)?

Mas para que restem dúvidas sobre o que eu estou falando, vejam as placas que ainda hoje avisam aos passantes para que não entrem nas terras da finada LLX.

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A sopra transnacional de letrinhas que tomou conta dos escombros do Império “X”

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A Bloomberg fez hoje uma matéria sobre a venda do Porto Sudeste pelo grupo do ex-bilionário Eike Batista para as corporações Trafigura Beheer BV e Mubadala Development Co. pela bagatela de 400 milhões de dólares (Aqui!).  Mas a Bloomberg também nota que essas duas corporações vem se juntar a outro conjunto de empresas estrangeiras (EON SE, a EIG Global Energy Partners LLC e a Acron AG ) que já tinham se aproveitado da desgraça de Eike para comprar fatias do seu império combalido. E eu aproveito e acrescento: por preços para lá de generosos.

A questão que está sendo relegada ao segundo plano por diferentes analistas é justamente essa faceta de desnacionalização da economia brasileira em áreas estratégicas e que se dá sob os olhos complacentes do governo Dilma Rousseff. O significado estratégico dessa desnacionalização não se prende ao fato de que Eike Batista construiu seu império de empresas pré-operacionais com empréstimos baratos do BNDES. Isso é apenas mais detalhe numa equação mais complexa. O central é que dada a política do neodesenvolvimentismo engendrada pelo governo Lula,  a economia brasileira se encontra hoje profundamente dependente do comportamento do mercado de commodities. Assim, o controle da extração e escoamento dessas commodities é um elemento chave.  Como Eike Batista concentrou algumas áreas chaves, e que agora estão sendo passadas para corporações estrangeiras.

Isto tudo posto junto significa que o aumento do controle estrangeiro sobre o que restou do Império “X” vai muito além da receita ditada pelo governo Dilma de que o mercado seria a saída. Essa postura que foi enunciada pelo ministro da Fazenda Guido Mantega escancara uma postura anti-nacional que cedo ou tarde (talvez mais cedo do que tarde) ainda irá render ao Brasil uma grossa dor-de-cabeça.

As contas complicadas do Porto do Açu e o papel do BNDES neste imbróglio

Perdoem-me os áulicos do Porto do Açu que ainda insistem em ver o empreendimento iniciado pelo ex-bilionário Eike Batista como um farol para o desenvolvimento da região Norte Fluminense, mas há algo de errado nas contas financeiras do negócio. Comecemos por lembrar que em agosto de 2013, houve o anúncio de que a EIG Management Company iria desembolsar R$ 1,3 bilhão de reais para assumir o controle da então LL(X) (hoje rebatizada como Prumo) (Aqui!). Naquele momento as promessas era de que isso seria suficiente para concluir as obras do que então se chamava “Superporto do Açu”. 

Desde então, o que se lê aqui e ali é de que o Porto do Açu irá começar a funcionar ainda no primeiro semestre de 2014, em que pesem as informações de que há um problema crítico no abastecimento de energia elétrica para o interior do empreendimento como, aliás, já foi publicado no blog que o jornalista Esdras Pereira hospeda no site do Jornal Folha da Manhã (Aqui!).

Mas na semana que está se encerrando surgiu o anúncio de que o BNDES teria aprovado um empréstimo ponte para a EIG/Prumo no valor de R$ 1,8 bilhão para que seja investido na conclusão do Porto do Açu (Aqui!). Ai é que contas começam a ficar complicadas, e eu não falo apenas da parte financeira. É que no dia 12 de janeiro, o jornal Folha da Manhã publicou uma matéria sob o pomposo título de “Porto do Açu quase pronto para operar” (Aqui!), o que torna estranho que o BNDES tenha que liberar mais recursos para a conclusão da obra.  A verdade é que não é preciso ser economista ou matemático para notar que as contas não fecham. Afinal, se a EIG investiu R$ 1.3 bilhão para que mais esse empréstimo do BNDES para completar algo que já se inicia estar quase pronto para operar?

Há ainda que se lembrar que nenhuma das anunciadas vindas para a chamada retroárea do Porto do Açu vai se concretizar. Aliás, se nem as poucas empresas que estão já presentes não estão com o fornecimento de energia elétrica garantido, qual seria a corporação que viria começar um novo empreendimento numa situação em que a economia mundial simplesmente está com ojeriza de riscos? Essa é uma clara improbabilidade, e só os muito ingênuos ou os muito mal intencionados não vão conseguir entender o que eu estou falando.

Uma última palavra para o BNDES e seu empréstimo ponte para a EIG. O que mais me chama a atenção nessa operação é que salvo engano, a EIG é na prática uma gerenciadora de fundos de investimento que atuam na área energética. Isso deveria significar que a EIG deveria estar atraindo capitais externos para investir no Porto do Açu sem precisar de um empréstimo graúdo do BNDES que, aliás, o faz, ao menos em parte, com dinheiro do Fundo de Apoio ao Trabalhador (FAT). Será que ninguém na diretoria do BNDES vê que esse é um empréstimo com um grau alto de risco? Eu que nem economista sou, sinto o cheiro de problemas bem perto.

Todas essas questões são ainda agravadas pelo fato de que enquanto o Porto do Açu recebe bilhão após bilhão de dinheiro público na mesma região persiste uma condição de total desrespeito à centenas de famílias que tiveram suas propriedades expropriadas a preços que o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro está considerando como irrisórios? E, pior, um número significativo dessas famílias continua sem ver a cor do dinheiro? Isto sem falar no absurdo que muitos agricultores continuam a ser cobrados para pagar os valores devidos do Imposto Territorial Rural (ITR)?

Ai é que eu digo: contas complicadas e BNDES cada vez mais enrolado!

Folha da Manhã faz resumo da ópera sobre o Porto do Açu: muita desapropriação e pouca instalação industrial

(Des) governo Cabral criou latifúndio improdutivo que agora é controlado por uma corporação estrangeira

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O Jornal Folha da Manhã publicou hoje (16/02) uma matéria para divulgar a evolução do projeto do Porto do Açu que, aparentemente, vai se dirigir essencialmente para a área do petróleo (Aqui!). Além das costumeiras estimativas otimistas sobre o futuro do empreendimento que hoje é controlado pelo fundo estadunidense EIG (em suma, o porto que era de Eike agora é mesmo um enclave estadunidense), a matéria traz duas informações preciosas:

1. Da área total desapropriada, menos de 10 quilômetros quadrados estão hoje ocupados. E parte disso refere-se ao estaleiro da OSX, cujo futuro é incerto.

2. O porto vai vingar, mas será menor e terá outro perfil”, diz uma fonte próxima ao projeto.

Essas duas informações colocadas juntas colocam definitivamente em xeque as justificativas feitas pelo (des) governo de Sérgio Cabral para ter desapropriado centenas de famílias de agricultores familiares e pescadores numa área total de 7.500 hectares (o equivalente a 75 quilometros quadrados)! Em suma, em nome de um modelo ultrapassado de desenvolvimento, o que o (des) governo Cabral está fazendo é criando um imenso latifúndio improdutivo e, ainda por cima, colocando-o de bandeja nas mãos de uma corporação estrangeira.

Como amanhã (16/02) haverá mais uma daquelas audiências organizadas pelo deputado Roberto Henriques para supostamente discutir a situação do Porto do Açu, a qual deverá contar com a presença do (des) secretário Júlio Bueno e da presidente da Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (CODIN), bem que alguém poderia perguntas à essas autoridades, por que ainda se continua desapropriando terras no V Distrito de São João da Barra!?

Exame: Império ‘verde e amarelo’ de Eike vai para múltis

Sem crédito na praça, Eike Batista acabou encontrando em investidores externos a solução para uma saída honrosa das companhias que idealizou

Mariana Durão, do 

Marcos Issa/Bloomberg 

O empresário Eike Batista

 O empresário Eike Batista: fim do império verde e amarelo

 Rio de Janeiro – A derrocada do grupo X enterrou o projeto de construção de um império industrial verde e amarelo.

Sem crédito na praça, Eike Batista acabou encontrando em investidores externos a solução para uma saída honrosa das companhias que idealizou, mas não tirou do papel.

O saldo até aqui inclui a transferência de ativos ou participações a sete grupos: a turca Yildirim, a alemã E.On, a americana EIG, a suíça Acron, a argentina Corporación América, a holandesa Trafigura e o Mubadala, fundo soberano de Abu Dabi.

Apontado muitas vezes como megalomaníaco, Eike resgatou a imagem do empreendedor nacionalista e o “espírito animal” constantemente evocado pelo ministro Guido Mantega em momentos de crise.

Carismático, imprimia um tom ufanista a seus discursos e encerrava fatos relevantes de suas empresas com expressões como “Viva o Brasil!”.

Se tivesse entregado o que prometia, o País teria hoje uma “mini-Petrobrás” (a petroleira OGX), uma “mini-Vale” (MMX), a “Embraer dos mares” (OSX) e o “Roterdã dos trópicos” (Porto do Açu).

Antes de cair em descrença, o controlador da EBX recebeu elogios do Planalto e amealhou forte capital político, além do apoio de banqueiros e a admiração de seus pares na indústria nacional.

A pergunta no ar é por que nenhum grupo nacional disputou para valer os ativos ofertados em meio à crise do grupo?

Alguns deles acabaram vendidos na chamada “bacia das almas”. Foi o caso das minas de carvão da CCX na Colômbia, que serão alienadas ao grupo turco Yildirim por US$ 125 milhões.

O acordo divulgado no dia 3 tem valor 72% inferior ao que constava no memorando assinado entre as duas companhias em outubro. O montante de US$ 450 milhões estava sujeito à análise operacional do negócio e acabou reduzido, revelando a fragilidade do projeto.

X da questão. Para Cláudio Frischtak, sócio da Inter.B Consultoria Internacional de Negócios, um dos X da questão está justamente no fato de muitas dessas companhias ainda serem pré-operacionais.

Isso se soma a um momento em que o investidor brasileiro está com o freio de mão puxado diante da economia menos aquecida, do cenário de indefinição política e de juros em alta, abrindo a janela para aplicações financeiras em detrimento de apostas no setor real.

“Há uma percepção de risco alta em relação a empresas que não performaram. Depois da maior debacle da história empresarial do País, as pessoas estão mais cautelosas. É mais difícil um ‘projeto de papel’ decolar”, diz Frischtak.

De acordo com fontes que participaram do processo de venda de ativos, grupos nacionais fizeram propostas por alguns ativos, mas quase sempre indecorosas do ponto de vista estratégico e de preço.

A Odebrecht tentou comprar uma área do Porto do Açu que pode operar como base de apoio offshore para o setor de petróleo e gás. Eike recusou porque seria como vender o filé mignon do gigantesco complexo.

Se loteasse o Açu, o empresário ficaria com um elefante branco na mão. Com a venda do controle da LLX, dona do porto, para a americana EIG, ele manteve 20,9% do negócio.

Já no caso da mineradora MMX, Eike acabou aceitando separar os ativos e vender somente o controle do Porto do Sudeste, por onde escoaria o minério de ferro da MMX, à trading holandesa Trafigura e ao Mubadala.

O fundo soberano de Abu Dabi detém uma fatia da EBX e chegou a ter exposição de US$ 2 bilhões ao grupo, um fator que certamente pesou nas tratativas.

“O tombo aqui foi muito forte e o julgamento dos brasileiros sobre o Eike mais duro. O distanciamento permitiu aos estrangeiros enxergar o potencial de recuperação dos ativos”, diz um investidor internacional.

Não foi só isso. O apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pesou 100% na análise dos estrangeiros. A americana EIG Global Energy Partners já tem engatilhado novo pedido de financiamento para o Açu.

Na Eneva (ex-MPX) e na SIX Semicondutores o banco detém participações relevantes (10,34% e 33,02%, respectivamente). No caso do Hotel Glória, o financiamento de R$ 190,6 milhões depende apenas de documentação para ser repassado à Acron.

Apesar de contar com fianças bancárias para garantir os empréstimos dados às empresas X, o banco ficaria em situação desconfortável caso não houvesse uma solução ordenada que viabilizasse os projetos.

Os juros subsidiados do BNDES ajudaram na hora de fechar a conta de dívida dos novos sócios das empresas.

O professor de economia da PUC-SP Antonio Correa de Lacerda destaca que o Brasil é o 5.º no ranking global de atração de Investimento Estrangeiro Direto (IED), por isso é natural que o capital externo esteja atento às oportunidades de investimento no País.

Além disso, Eike Batista sempre fez questão de dar visibilidade às companhias no exterior, onde fez uma série de road shows.

Para Lacerda, a desnacionalização do grupo X preocupa por reduzir a inserção do País nas cadeias globais de produção.

A aquisição de fatias das empresas X foi uma porta de entrada desses grupos para o Brasil ou em um novo setor.

FONTE: http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/imperio-verde-e-amarelo-de-eike-vai-para-multis?page=1