Marketing acadêmico: defesa de dissertação sobre o processo de licenciamento ambiental do Porto do Açu

Em meio às graves dificuldades impostas sobre a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) pelo (des) governo do Rio de Janeiro, continuamos tentando remar contra essa corrente de destruição. 

E o que fazemos melhor na Uenf é produzir conhecimento qualificado para contribuir não apenas com o avanço da ciência básica, mas também de um modelo de desenvolvimento científico que sirva ao conjunto da sociedade.

Por isso é que hoje terei a satisfação de participar da banca examinadora da dissertação que orientei no âmbito do Programa de Ecologia e Recursos Naturais da Uenf cujo cartaz é mostrado abaixo.

dissertação juliana

A minha expectativa é que essa banca examinadora sirva para auxiliar a candidata a trabalhar nas possíveis falhas que tenham passado por mim, de modo a oferecer uma contribuição inequívoca ao entendimento dos potenciais e limitações do uso da Avaliação de Impacto Ambiental no Brasil. De quebra, que os atingidos pela implantação do Porto do Açu em suas várias facetas negativas tenham um documento acadêmico que lhes seja útil na defesa de seus direitos que tem sido pisoteados desde o início da construção desta mega obra.

Eike Batista na iminência de novas oferendas: PRR2 cobra reparação total de danos ambientais do Porto do Açu (RJ)

sal da terra

Pode parecer até que ao escrever a minha postagem anterior eu já tinha recebido o material abaixo, mas esse não é o caso. Como se vê, Eike Batista vai precisar ainda fazer muitas oferendas para se livrar dos “pepinos” salgados que ele ajudou a plantar no V Distrito de São João da Barra.

Aliás, não é só o ex-bilionário Eike Batista que vai precisar começar a pensar em oferendas, mas também os dirigentes do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama) que também são co-réus no caso da salinização causada pelo aterro hidráulico do Porto do Açu e que prejudicou de forma permanente as propriedades rurais de pequenos agricultores no V Distrito.

Agora, quem sabe, pessoas como o Sr. Durval Alvarenga, uma das principais vítimas daquele incidente, possam ter um pouco de esperança de serem um dia ressarcidos pelos prejuízos que lhes foram causados pelo Porto do Açu.

PRR2 cobra reparação total de danos ambientais do Porto do Açu (RJ)
MPF rebate recursos de estaleiro OSX e de operadora para restringir ação

O Ministério Público Federal (MPF) se opôs, no Superior Tribunal de Justiça (STJ), aos recursos especiais do estaleiro OSX e do Porto do Açu Operações, responsáveis pelo complexo logístico portuário em construção em São João da Barra, no Norte fluminense. O MPF/RJ processou o grupo empresarial EBX para paralisar as obras por salinizarem o Canal de Quitingunte com danos ao meio ambiente e ao consumo humano. As empresas questionaram a decisão judicial que considerou como área atingida todo o 5º distrito (Pipeiras), como quis o MPF (o juiz em Campos considerou inicialmente apenas os danos comprovados ao canal).

A Procuradoria Regional da República da 2ª Região (PRR2) argumentou, em suas manifestações (contrarrazões aos agravos), que a delimitação da área pelo juiz de primeira instância representa risco de graves danos de difícil reparação ao meio ambiente. A partir de um inquérito civil antes restrito aos danos no canal, o MPF avaliou que a salinização pode alcançar áreas do solo, de águas doces em canais e lagoas e águas tratadas para a rede de abastecimento em toda a região.

“Considerar os eventuais efeitos da salinização do canal só em relação ao abastecimento humano de água, como na decisão inicial, desprezaria as áreas de solo e recursos hídricos de águas doces de canais e lagoas, também possivelmente atingidos”, afirma o procurador regional da República Luiz Mendes Simões, autor das manifestações ao STJ, que rebateu o argumento da defesa de que a ação deveria se restringir ao canal por ele ter sido o objeto inicial do inquérito civil. “Se o inquérito civil é desnecessário para propor a ação civil pública, não há que se falar, nem raciocinar, em qualquer restrição da ação civil pública ao objeto do inquérito civil.”

Na ação contra as empresas do grupo EBX e os institutos ambientais IBAMA e INEA, o MPF levou em consideração pesquisas da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) que detectaram um índice de salinidade sete vezes maior ao permitido para o consumo na água fornecida à região pela Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae). O aumento da salinidade no solo e em águas doces destrói a vegetação, inutiliza o solo para plantio e torna impróprias ao consumo as águas dos mananciais, entre outros danos.

FONTE: Assessoria de Comunicação,  Procuradoria Regional da República da 2ª Região

Enfrentando nuvens carregadas, Eike Batista gasta fortuna em oferenda a Iemanjá

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Enfrentando tempos de nuvens carregadas, o ex-bilionário Eike Batista acaba de gastar uma fortuna, supostamente amealhada na forma de moedas de ouro, para tentar acalmar os ânimos de Iemanjá. Pelo menos é isso o que diz a matéria abaixo publicada nesta terça-feira (01/02) pelo jornal Extra.

Essa ação generosa com Iemanjá é mais uma tentativa de Eike Batista de acertar suas dívidas com os santos, segundo informa o mago Ubirajara Pinheiro. Aliás, o mago previu na matéria que Eike Batista logo voltará ao topo. Uma questões de meses teria afirmado Pinheiro.

Apesar de não ter nenhuma disposição para brigar com Iemanjá, se Eike Batista estivesse mesmo disposto a livrar a sua barra com os santos, bem que poderia ter entregue esta dinheirama toda para um fundo de compensação para as famílias atingidas pela salinização de águas e solos que foi causada pelo aterro hidráulico do Porto do Açu. 

Aliás, falando em V Distrito de São João da Barra e Eike Batista, lá não faltam pessoas e malfeitos nos quais o ex-bilionário poderia usar suas posses residuais para  fazer várias tentativas de estabelecer algum tipo de armísticio com os deuses.

Agora, o que Eike Batista e o mago Ubirajara Pinheiro pode não ter levado em conta é que Iemanjá poderia estar ocupada naquele mesmo dia 02 de Fevereiro em acompanhar outro tipo de entrega de oferendas.  Mais no estilo “Lava Jato”,  por exemplo.  A ver!

Eike Batista faz oferenda de R$ 700 mil a Iemanjá, e vidente diz: ‘Ele vai voltar ao topo’

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Eike Batista se apegou no oculto e na fé para sair da crise Foto: Dado Galdieri/Bloomberg / Agência O Globo

No último dia 2 de fevereiro, Dia de Iemanjá, Eike Batista despachou no mar de Ipanema, na Zona Sul do Rio, uma oferenda que, se achada, poderia valer um tesouro. Aproximadamente R$ 700 mil foram gastos com a oferenda à rainha do mar. Eike foi aconselhado por dois videntes a “fazer as pazes com Iemanjá”. “Falei com ele que tudo o que havia tirado do mar teria que ser devolvido e agradecido. Tudo que ele explorou nos últimos anos estava ligado ao oceano”, diz um destes videntes, que prefere se manter no anonimato.

Eike chegou à Urca, também na Zona Sul do Rio, numa lancha grande, e encontrou um babalorixá à sua espera com a oferenda pronta. No barco foram colocadas flores, perfumes importados, garrafas de champanhe, imagem da entidade e 700 moedas de ouro. As moedas não têm um valor exato. Mas para se ter uma ideia, uma destas moedas comemorativas da Copa do Mundo de 2014 pode ser encontrada no mercado por R$ 1 mil.

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Julgamento de ação penal contra Eike Batista na Justiçaa Federal, em 2014 Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo

O despacho aconteceu numa cerimônia muito íntima no mar de Ipanema, do qual só participaram Eike, a tripulação e o pai de santo. “Ele vai voltar a ser o homem mais rico do Brasil em questão de meses”, profetiza. Em junho de 2015, na primeira entrevista que deu após meses sem fazer declarações públicas, Eike Batista disse que sua dívida de US$ 1 bilhão, cerca de R$ 4 bilhões, estava zerada e que ele iria recomeçar. O empresário, que já foi o sétimo mais rico do mundo segundo a “Forbes”, em 2011, no entanto, continua pedindo aos céus uma ajudinha extra, com um X bem grande.

Esta não é a primeira vez que Eike Batista recorre ao oculto, Supersticioso, o empresário chegou a ir para Cusco, no Peru, após os conselhos de uma vidente carioca que o mandou alinhar os chacras e a fazer uma readaptação cósmica. O ex-marido de Luma de Oliveira ficou deitado por pelo menos cinco minutos no alto de uma colina, meditando sobre seu futuro. Depois disso, por indicação de um guia, chegou até uma mulher que fazia previsões com folhas de coca. Na mesma viagem, nos anos 90, deu de cara com um sol inca, numa barraquinha de souvenir, e teve a ideia de colocar aquele símbolo como logomarca de suas empresas.

eike 3Ubirajara Pinheiro, da Casa do Mago: conselheiro espiritual Foto: Gustavo Miranda / Agência O Globo

“Ele vai voltar ao topo”

O mago Ubirajara Pinheiro é um velho conhecido de Eike Batista. Ele é responsável pela Casa do Mago, situada no Humaitá, na Zona Sul do Rio, frequentada por políticos e celebridades. É no templo que Eike costuma ir há anos em busca de alento espitirual. “Falo o que tenho para falar na lata, como falo para qulquer pessoa que busca esta casa. E avisei a ele de tudo o que aconteceria”, diz Ubirajara, que foi entrevistado pelo EXTRA.

O senhor aconselhou Eike Batista a fazer uma oferenda a Iemanjá?
O aconselhei assim como aconselho a todos. Eike sabe que é filho de Iemanjá com Oxóssi, Nossa Senhora e São Sebastião.

Mas precisava ser algo muito caro?
Quantidade não é questão de fé. A fé é maior sempre. Você pode me dar potes de ouro e uma broa de milho, que adoro, e eu preferir a broa…

O senhor acredita que Eike Batista estava endividado espiritualmente?

Você não retira o minério da terra sem agradecer, sem devolver a ela benfeitorias. Nem sempre estamos preparados para os castigos de Deus, e só vamos perceber o que fizemos depois.

Ele é um homem muito místico. Finalmente fez as pazes com as entidades?
Apesar de não ser um religioso, ele conta com luz de Luma (de Oliveira, ex-mulher do empresário). É na força dela que ele consegue a dele.

Ele vai voltar ao topo?
Vai. É questão de meses.

eike 4Casamento de Luma de Oliveira com Eike Batista em 91: a força vem dela Foto: Leonardo Aversa

eike 5O símbolo das empresas: sol inca como logomarca Foto: SERGIO MORAES / REUTERS

eike 6Eike Batista acompanha o embarque da mulher, Flavia Sampaio, e do filho, Balder: avião de carreira Foto: Lindson Junior / Agência O Globo

eike 7Eike Batista é flagrado numa lanchonete popular: novos hábitos Foto: Fotos Extra / Agência O Globo

eike 8Eike Batista, empresario e seus advogados, fotografados durante a audiencia no Tribunal do Juri: tempos ruins estão acabando Foto: Leo Pinheiro / Agência O Globo

eike 9Eike Batista conseguiu recuperar seus carrões. Um deles estava sendo dirigido pelo juiz do caso Foto: Xande Nolasco

FONTE: http://extra.globo.com/famosos/eike-batista-faz-oferenda-de-700-mil-iemanja-vidente-diz-ele-vai-voltar-ao-topo-18777755.html#ixzz41fiWUlib

Vai um acarajé ai, Eike Batista?

Eike-Batista Foto Luís Macedo Câmara dos DeputadosFoto Luís Macedo/ Câmara dos Deputados

As duas notas abaixo são da lavra do jornalista Lauro Jardim e versam sobre duas situações aparentemente díspares envolvendo o ex-bilionário Eike Batista. 

É que enquanto a primeira nota fala de uma tentativa de ressurreição de Eike num novo conglomerado que já não carrega o “X” da multiplicação (o que é compreensível porque a única coisa que o Grupo EBX multiplicou foram perdas financeiras); a segunda fala das preocupações que teriam levantado os cabelos implantados de Eike após a realização da chamada Operação Acarajé no âmbito da temida “Lava Jato”.

Agora, juntando as duas notas, fica parecendo que Eike Batista tem todas as razões do mundo para continuar seu giro mundial atrás de recursos para seu novo projeto. É que se voltar logo para o Brasil, ele pode acabar tendo de engolir vários acarajés.

Assim, a pergunta que fica no ar é a seguinte: Quo Vadis, Eike Batista? A ver!

Eike monta empresa e já sonha com Bill Gates e Di Caprio no conselho

POR LAURO JARDIM

Michel Filho / Agência O Globo | Mary Cybulski / Paramount
Michel Filho / Agência O Globo | Mary Cybulski / Paramount | Andrew Harrer / Bloomberg

 

Eike Batista tem um novo xodó empresarial. Trata-se de um empreendimento que o fez mandar para o espaço uma tradição cara a ele.

Criou uma empresa e não a batizou com o X, a letra que para ele era sinal de multiplicação: é a CWT (Clean World Technologies), uma espécie de núcleo de novos negócios.

Para Eike,o grupo X acabou com a entrega no mês passado de vários ativos ao fundo Mubadala.

Por enquanto, o Eike é o CEO da empresa e o seu filho Thor o diretor-geral, mas o empresário procura alguém para comandar a CWT.

Eike já perambulou pelos EUA e Europa em busca de investidores. Mas, por enquanto, nada rolou. Se, no entanto, abandonou o X, não deixou de lado a ambição.

Em reuniões de diretoria da CWT, já se discutiu até uma lista de convidados para o futuro conselho consultivo. Os nomes falados iam de Leonardo Di Caprio e Bill Clinton a Bill Gates e Al Gore.

Acarajé deixa Eike tenso

POR LAURO JARDIM

Aílton de Freitas

Aílton de Freitas | Agência O Globo

Eike Batista ficou de cabelo em pé assim que tomou conhecimento dos detalhes da Operação Acarajé, a nova fase da Lava-Jato.

Terminal da Edison Chouest no Porto do Açu e suas promessas fabulosas de geração de empregos

Vista aérea do T2

A mídia corporativa regional e nacional estão trombeteando a aprovação de mais um financiamento público para o Porto do Açu e aproveitando a ocasião para anunciar a geração de milhares de novos empregos (Aqui!Aqui!Aqui!Aqui!).

Confesso que esperei um pouco para comentar sobre mais esse desembolso milionário no Porto do Açu por não ter identificado claramente quem iria bancar mais essa fatura de R$ 610 milhões. Agora, me parece que mais essa “bagatela” sairá dos cofres do tesouro nacional via a Secretaria Nacional dos Portos.  Só esse aspecto já merece um comentário inicial que é de como deve ser maravilhoso atuar num país que oferece dinheiro público subsidiado para empresas e fundos de investimentos que remeter quase todos os seus lucros para os países centrais onde suas sedes estão localizadas, nem sempre em prédios claramente identificados.

O outro elemento que me parece peculiar se refere à promessa de geração de novos empregos. Como em todos os casos anteriores que se referiam ao anúncio de investimentos públicos no Porto do Açu, a entrega de adicionais R$ 610 milhões é acompanhada pela promessa de, pelo menos, 26.100 empregos. Esse número é curioso porque não se explica onde eles aparecerão dentro do empreendimento ou fora dele. É que algumas matérias falam de empregos diretos e indiretos, sem explicar a diferença. Além disso, a menção é de que eles se materializarão na “região”, deixando propositalmente imprecisa a distribuição espacial onde os postos serão gerados. 

Acho particularmente estranho que um terminal portuário possa gerar milhares de novos empregos após iniciar seu funcionamento, já que o normal é que ocorra o oposto. Mas é provável que a imprecisão sobre localização e distribuição dos novos postos sirva exatamente apenas a um propósito: gerar expectativas exageradas de empregos para justificar o dispêndio de recursos públicos vultosos num período em que hospitais e escolas estão sendo fechados por falta de recursos.

Em meio a esse descompasso entre a propaganda e o que efetivamente poderá ocorrer, a imagem mais reveladora que encontrei é da própria cerimônia realizada no Palácio Guanabara para celebrar a aprovação do dispêndio em favor da Brasil Port Logística Offshore (subentenda-se Edson Chouest) e que vai logo abaixo.

pezao neco

Será que sou só que noto as face contritas do (des) governador Luiz Fernando Pezão e do ainda prefeito de São João da Barra, José Amaro Martins de Souza, popularmente conhecido como Neco? Para uma ocasião tão festiva seria de se esperar que os sorrisos estivessem presentes e aqueles famosos momentos de “olhos nos olhos” aparecessem em alegre profusão.  Mas não é isso o que se vê, o que não deixa de ser curioso.

O pior é que enquanto centenas de milhões são disponibilizados para o Porto do Açu, a vida de agricultores e pescadores que habitam o V Distrito de São João da Barra continua sendo marcada por grandes dificuldades. Erosão, salinização, fechamento de áreas de pesca e expropriação de terras são até agora as principais marcas do legado dos bilhões de dinheiro públicos que foram colocados no empreendimento iniciado pelo ex-bilionário Eike Batista, e que hoje é controlado pelos fundos internacionais EIG Global Partners e Mubadala.

E aqueles milhares de empregos que foram prometidos por Eike Batista? Obviamente ficaram muito aquém do prometido.  O pior é que não há qualquer garantia que a história não se repita com essa nova liberação para a Edson Chouest. Simples, mas tragicamente assim.

O regaste de Eike Batista: Fundo Mubadala compra Hotel Glória e 29% da OSX

eike

O intrincado mundo das finanças globalizadas de tempos em tempos traz alguns negócios inexplicáveis.  Hoje a mídia corporativa está repercutindo a venda feita por Eike Batista do Hotel Glória e de 29% da OS(X).  Segundo o jornal Valor Econômico também estariam em curso negociações a venda do que ainda resta a Eike na OGPar (ex OG(X)), a petrolífera que começou o afundamento do conglomerado EBX),  da CC(X) (empresa de carvão) e da MM(X) (a mineradora que passou a perna na Anglo American em Conceição do Mato Dentro) (Aqui!).

Alguém pode dizer que essas operações refletem apenas a tentativa de Eike Batista de se livrar dos verdadeiros pepinos corporativos em que suas empresas se tornaram. Até aí tudo bem, mas o que ganha com isso o Fundo Mubadala? É que com a crise do petróleo até os sheiks de Abu Dabhi devem estar colocando as suas barbas de molha ao escolher ativos para despejar seus petrodólares.

Eu suspeito que essa passagem de ativos deve estar ligada a questões mais complexas do que a simples derrocada de Eike Batista, pois não há como investir em um hotel semidestruído ou em empresas com mais dívidas do que ativos ser visto racionalmente como um bom investimento. Em outras palavras, tem mais caroço nesse angu do que podem ver inicialmente os nossos olhos pouco treinados para entender os meandros da especulação financeira global.

Mas a pergunta que não quer calar: o que farão os donos do Mubadala com o que restou da MM(X) e da OS(X) no Porto do Açu e em Conceição do Mato Dentro?

Sítio do Birica resiste no meio do distrito industrial fantasma da Codin/Prumo

Desde 2010 acompanho a tenaz resistência do casal Noêmia Magalhães e Valmir Batista para defender o seu pedaço de terra da sanha expropriadora do (des) governo do Rio de Janeiro pelas mãos da Compahia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (Codin).  Noêmia e Valmir já poderiam ter entregue as terras e movido o seu sonho de um lugar para gozar a sua terceira idade fazendo um jeito diferente de agricultura, mas teimaram e lutaram com todas as forças possíveis para preservar a integridade do Sítio do Birica.

Eu diria que a luta de Noêmia e Valmir deveria ser a luta de toda a sociedade organizada do Rio de Janeiro, e a razão é muito simples: a luta deles interessa a todos que desejam um futuro diferente do presente caótico que estamos vivendo neste preciso momento histórico.

As imagens abaixo devem deixar mais claro o que estou querendo dizer.

Sítio do Birica 2

Visto do alto o Sítio do Birica, a propriedade de Noêmia e Valmir, é um oásis verde que abriga membros da fauna que foram desprovidos do seu habitat natural pelo desmatamento ocorrido na vegetação de restinga para a implantação do Porto do Açu.

Mas o principal aspecto da resistência exemplificada pelo Sítio do Birica aparece nas duas imagens que se seguem e e vou tentar explicar a razão.

sitio do birica 1Sítio do Birica 3

Na imagem da esquerda se vê, uma placa colocada pela Codin atestando que uma propriedade expropriada seria de sua “propriedade privada”, bem ao lado do Sítio do Birica.  Esta placa ficou na área por quase dois anos, até que foi substituída agora colocando a propriedade expropriada dentro do natimorto “distrito industrial de São João da Barra”.

Qual a razão dessa mudança de placa? Provavelmente avançar a ideia de que há de fato um distrito industrial nas terras que foram tomadas da agricultura familiar para serem entregues primeiro ao ex-bilionário Eike Batista e, depois, para o fundo de “private equity” EIG Global Partners, também conhecido como Prumo Logística Global.

De quebra suspeito que a colocação da nova placa imediatamente ao lado do Sítio do Birica procura anular o valor social e ecológico que a propriedade de Noêmia e Valmir efetivamente possui.

Por essas e outras é que eu espero que em 2016, Noêmia e Valmir recebam a devida solidariedade da sociedade civil organizada, especialmente dos movimentos sociais do campo. É que, para mim, a luta deles simboliza a luta de todos os oprimidos do campo. 

EIG vai fechar capital da Prumo após troca de diretor presidente

A agência Reuters está informando algo que já era para se desconfiar pelo andamento da carruagem no Porto do Açu, qual seja, a decisão do fundo EIG Global Partners de fechar o capital da Prumo Logística, o que deverá aumentar ainda mais o grau de opacidade do fluxo de informações dentro do megaempreendimento iniciado pelo ex-bilionário Eike Batista com a ajuda célere do ex-(des) governador Sérgio Cabral.

Prumo Eduardo

Mas um detalhe quase de rodapé na matéria da Reuters me chamou especial atenção que foi a saída da Prumo Logística do agora ex-diretor presidente Eduardo Parente Menezes. É que ao longo ao de 2015 o Sr. Eduardo Parente foi o porta-voz de muitas maravilhas relacionadas ao Porto do Açu que a mídia corporativa repercutiu quase com sofreguidão.  

De toda forma, a troca do CEO de qualquer empresa não é um momento qualquer e geralmente quem sai do cargo o faz por cansaço pessoal, melhores ofertas de emprego ou, simplesmente, por perda da confiança dos patrões. Como o Sr. Eduardo Parente se tornou a face pública das promessas de que o Porto do Açu iria finalmente decolar após investimentos públicos bilionários, é muito provável que hoje muitos estejam coçando a cabeça com essa saída.

A minha avaliação inicial é de que  tanto o fechamento do capital quanto a troca do CEO apontam claramente que as coisas não estão tão boas no Porto do Açu como a propaganda queria nos fazer acreditar, e que muito provavelmente o pior ainda não chegou. 

Finalmente, achei curioso o fato de que uma foto do julgamento de Eike Batista foi usada pelo site UOL para ilustrar a repercussão da matéria da Reuters. O que será que os jornalistas do UOL quiseram dizer com isso pode ser uma daquelas questões de vários milhões de dólares. A ver!

O legado do “Império X” em São João da Barra  

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Por Ulysses Ferraz

Eike Batista está proibido de exercer o cargo de administrador nos próximos cinco anos. A julgar pelo estrago que fez em São João da Barra, região esquecida pela irrelevância econômica de seus habitantes, a punição administrativa ao empresário, única até o momento, saiu de graça. As manipulações de resultados para inflar o preço das ações da OGX são “café pequeno” se comparadas à destruição ambiental provocada pelo grupo de Eike Batista, por meio das empresas LLX e OSX, nas áreas destinadas à construção do Complexo Portuário do Açu.

Destruição da agricultura familiar e da pesca artesanal, que viviam em perfeito equilíbrio ecológico na região; desapropriações dos moradores locais, violentas e ilegais, ocorridas em plena madrugada, com uso de força policial e agentes de segurança particulares; retirada desenfreada e sem planejamento da vegetação local; contaminação do lençol freático e salinização da água em 7.200 hectares de terras próximas ao empreendimento. Este é o saldo deixado pelo “Império X” em uma das áreas mais belas e equilibradas ecologicamente do litoral Estado do Rio de Janeiro.

Mais um caso de abandono e esquecimento em face de uma população cujo drama não é digno de ocupar as seletivas páginas dos grandes jornais brasileiros. 

FONTE: http://ulyssesferraz.blogspot.com.br/2015/11/o-legado-do-imperio-x-em-sao-joao-da.html?spref=fb

Incidente da Samarco: outro golpe mortal no Neoextrativismo. Outros estão a caminho!

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Ainda que eu esteja devendo uma reflexão acadêmica mais robusta sobre todos os telecouplings (teleconexões) (Aqui!) que estão emergindo da lama lançada pela Mineradora Samarco (Vale+BHP Billiton)  no Rio Doce, a qual chega agora de forma gradual mas inexorável ao litoral capixaba, me lembrei de uma entrevista que concedi ao Instituto Humanitas da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) em 19 de Novembro de 2013 para comentar os efeitos do colapso do Grupo EBX do então bilionário Eike Batista (Aqui!).

Vejo agora que a chamada da entrevista tinha um caráter de premonição ao anunciar que o ” Colapso de Eike Batista é ensaio do que virá com a manutenção das Parcerias Público-Privadas”.  Pois bem, passados pouco mais de dois anos da queda inexorável de Eike Batista, eis que outro campeão nacional do ex-presidente Lula, o Grupo Vale, está imerso em mais um incidente de grandes proporções que abala o já indefensável modelo Neoextrativista (alcunhado de Neodesenvolvimentista para efeitos de propaganda governamental) que embalou a bonança dos oito anos de governo Lula, e deu sobrevida ao primeiro mandato de Dilma Rousseff.

Ainda que a chamada oposição de direita (PSDB e DEM) tente se banquetear na lama fétida que foi lançada em Mariana pela negligência da Samarco (Vale+BHP Billiton) essa postura não passa de hipocrisia, pois nos estados governados por ela, principalmente em Minas Gerais com Aécio Neves e Anastasia, o modelo Neoextrativista também reinou e reinava absoluto até o fatídico dia 05 de Novembro de 2015. Aliás, cabe aos tucanos mineiros explicar o que acontecia debaixo de seus bicos nas minas que a Vale possui em Minas Gerais sob diferentes franquias e joint ventures!

Mas vamos ao que interessa porque é exatamente o que não está sendo mostrado pela mídia corporativa brasileira.  O que vem surgindo nas mídias sociais e veículos de imprensa regional é um genuíno repúdio ao modelo Neoextrativista, com populações locais apontando o dedo e fazendo questões cruciais que têm sido ignoradas por quase todo mundo, inclusive pela comunidade científica brasileira.  Essa indignação que não me parece ser apenas um reflexo momentâneo das graves consequências que o incidente da Mineradora Samarco (Vale + BHP Billiton) vem trazendo para a vida de centenas de milhares de pessoas e para o ecossistema do Rio Doce.  O que eu venho ouvindo é que as pessoas estão entendendo perfeitamente o papel dos telecouplings existentes entre o papel das corporações agudizado pela solidariedade ativa do Estado brasileiro e a piora da sua condição de existência e subsistência.

E desse entendimento das vítimas dos efeitos negativos do Neoextrativismo e da subserviência das diferentes esferas do Estado brasileiro às corporações que nasce a possibilidade de que este castelo de cartas esteja para desmoronar.  O mais interessante disso é que esse processo nasce por fora da estrutura política formal, o que torna tudo muito mais volátil e obviamente mais difícil de controlar. 

Finalmente, eu diria que não é impensável que a BHP Billiton decida em breve terminar sua joint venture com a Vale e se retirar da Mineradora Samarco e do Brasil, apesar das inevitáveis perdas financeiras que terá. É que os donos do capital internacional sabem como ninguém que um incidente das proporções que o de Mariana alcançou é péssimo para seus interesses em esfera global. Daí que entregar os anéis para não perder os dedos será um pequeno passo. Já a Vale, para essa corporação privada nascida das benesses da privataria tucana, o jeito vai ficar ser ficar por aqui e conviver com a revolta dos atingidos. A ver!