Mais uma empresa “X” dá prejuízo bilionário: agora foi a MMX

MMX amplia prejuízo no 3º trimestre para R$1,2 bi

Maior impacto negativo, de R$ 913 milhões, foi relativo ao reconhecimento de redução do valor recuperável dos ativos de Serra Azul

Rich Press/Bloomberg

MMX

Caminhão na mina de ferro Serra Azul da MMX, em Minas GeraisMina de ferro da MMX: receita operacional líquida ficou em 339 milhões de reais no período de julho a setembro

 Rio de Janeiro – A mineradora MMX registrou prejuízo líquido de 1,2 bilhão de reais ante resultado negativo de 100,6 milhões de reais um ano antes, informou a empresa nesta sexta-feira.

O maior impacto negativo, de 913 milhões de reais, foi relativo ao reconhecimento de redução do valor recuperável dos ativos de Serra Azul e direitos minerários de Bom Sucesso.

A companhia afirmou que do lado operacional, ainda apresenta desafios na busca de maior eficiência.

“Diante de um cenário desfavorável de crédito, a diretoria manteve as mesmas diretrizes do trimestre anterior, buscando preservar ao máximo o caixa da empresa sendo obrigada a praticamente parar as obras de implementação do projeto Serra Azul bem como desacelerar as atividades no Superporto Sudeste”, disse a empresa em seu relatório de resultados.

A receita operacional líquida ficou em 339 milhões de reais no período de julho a setembro, aumento de 38 por cento na comparação com o mesmo período de 2012.

Em meio ao difícil cenário para a empresa no terceiro trimestre, a MMX reiterou a contratação de consultores externos para buscar “alternativas e oportunidades de negócios”.

A empresa revisou seu plano de negócios e celebrou contratos com a Trafigura e Mubadala para venda de 65 por cento do capital social da MMX Porto Sudeste, além de acordo para venda da totalidade de ações da Unidade Chile junto a Inversiones Cooper Mining. “E está em andamento a venda da Unidade Corumbá”, disse em seu relatório.

A companhia disse ainda ter enfrentado durante o terceiro trimestre problemas operacionais na Unidade Serra Azul (MG), o que levou uma queda na produção.

A MMX registrou queda de 33 por cento na produção de minério de ferro, que totalizou 1,4 milhão de toneladas, que também foi afetada pela paralisação das atividades da unidade de Corumbá e restrições operacionais na MMX Sudeste.

“No Sistema Corumbá, optou-se pela parada na produção desde julho procurando adequar a demanda da região ao estoque disponível com foco nos ajustes de custos da empresa.” No final do terceiro trimestre, a posição de caixa da MMX era de 87 milhões de reais, e a dívida financeira estava em 2,7 bilhões de reais.

O Ebtida (sigla em inglês para lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado foi negativo em 69,8 milhões de reais, ante um resultado positivo de 47,1 milhões de reais um ano antes.

Segundo a empresa, o Ebitda foi afetado negativamente em 113,4 milhões de reais pelo provisionamento dos valores relativos à multa do contrato de operação portuária entre a MMX Porto Sudeste e Usiminas.

FONTE: http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/mmx-amplia-prejuizo-no-3o-trimestre-para-r-1-2-bi

Exame: OGX tem prejuízo de R$ 2,118 bilhões no 3º tri

Prejuízo representa aumento de 516,4% sobre o resultado negativo do mesmo período do ano passado

Eulina Oliveira, do 

Divulgação

Funcionário da OGX, do Grupo EBX

 Funcionário da OGX: receita líquida foi de R$ 172,052 milhões, aumento de 14,2%

São Paulo – A OGX Petróleo e Gás Participações, empresa do Grupo EBX, do empresário Eike Batista, registrou prejuízo líquido de R$ 2,118 bilhões no terceiro trimestre de 2013, aumento de 516,4% sobre o resultado negativo do mesmo período do ano passado (343,619 milhões).

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi positivo em R$ 3,902 milhões entre julho e setembro deste ano, ante R$ 51,606 milhões negativos verificados em igual intervalo de 2012. Já a receita líquida foi de R$ 172,052 milhões, aumento de 14,2% em igual base de comparação.

Na semana passada, a Justiça aceitou o pedido de recuperação judicial da petroleira do Grupo EBX.

FONTE: http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/ogx-tem-prejuizo-de-r-2-118-bilhoes-no-3o-tri-2

Reuters: OSX tem prejuízo de R$1,84 bi no 3o trimestre

SÃO PAULO (Reuters) – A empresa de construção naval OSX teve prejuízo de 1,84 bilhão de reais no terceiro trimestre, revertendo o lucro de 6,92 milhões registrado um ano antes, informou a empresa do grupo do empresário Eike Batista na noite de segunda-feira.

O resultado foi impactado por provisões para queda no valor de plataformas e para perdas com calotes.

A geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ficou negativa em 1,839 bilhão de reais, ante resultado positivo em 13,1 milhões registrados um ano antes.

A receita líquida total da companhia somou 151,9 milhões de reais, avançando sobre os 80,4 milhões de um ano antes.

A OSX entrou com pedido de recuperação judicial este mês, vinculado ao processo da sua empresa-irmã OGX, em procedimento chamado juridicamente de “distribuição por dependência”.

O pedido de recuperação foi aceito na véspera, pelo juiz da 4a Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio, Gilberto Clovis Farias Matos, segundo informações do TJ-RJ.

Outras empresas do grupo EBX, do empresário, incluindo OGX e MMX, podem divulgar resultados de terceiro trimestre na sexta-feira, após adiarem datas marcadas anteriormente.

(Por Roberta Vilas Boas)

FONTE: http://br.reuters.com/article/businessNews/idBRSPE9AP00P20131126

UOL: Justiça aceita pedido de ‘concordata’ de estaleiro de Eike Batista

Do UOL, em São Paulo

O juiz Gilberto Clovis Faria Matos aceitou o pedido de recuperação judicial (antiga concordata) do estaleiro OSX (OSXB3), do empresário Eike Batista. A empresa entregou o pedido à 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro no dia 11.

Na última quinta-feira (21), o mesmo juiz aceitou, com ressalvas, o pedido de recuperação judicial de outra empresa de Eike, a OGX.

A decisão foi enviada nesta quinta-feira (21) para publicação no Diário da Justiça Eletrônico. O UOL entrou em contato com os advogados e com a assessoria de imprensa da empresa, e aguarda retorno.

O pedido foi aceito para as três empresas da OSX que pediram a proteção judicial: OSX Brasil, OSX Construção Naval e OSX Serviços Operacionais.

De acordo com o juiz, cada uma deverá “apresentar seu próprio plano de recuperação judicial, mesmo que sejam idênticos ou interdependentes, e deverão ser analisados separadamente por seus respectivos credores, com absoluto respeito à autonomia patrimonial de cada sociedade, de tal sorte que deverão ser publicados quadros gerais de credores distintos para cada empresa”.

O juiz também determinou a intimação da Delloite Touche Tohmatsu para atuar como administrador judicial. A empresa deve apresentar a proposta de honorários no prazo de 24 horas.

A OSX, cujos ativos incluem um estaleiro inacabado no Porto de Açu, no norte do Rio de Janeiro, é uma das principais credoras da OGX. Quase todos os negócios da OSX dependem da OGX, uma vez que a empresa de construção naval foi criada para fornecer plataformas de produção à petroleira.

A recuperação judicial, antiga concordata, é uma opção para empresas que estão em crise, mas acreditam ter chances de sobreviver se forem acionadas algumas medidas.

Bomba “X” ameaça o Banco do Brasil

O Banco do Brasil está cercado de possibilidades de más notícias, incluindo a possível votação pelo STF de questões relacionadas a diversos planos de estabilização econômica, mas uma delas foi plantada pela “generosidade” do governo Dilma com o ex-bilionário Eike Batista.  É que recentemente o Banco Votorantim foi obrigado a reconhecer uma dívida de R$ 570 milhões da OS(X) junto ao BNDES.

O problema que ninguém quis ressaltar na época da “generosidade” com a OS(X) é que o Banco do Brasil possui 50% do Votorantim e, por causa disso, vai ter uma perda de R$ 224 milhões no quarto trimestre de 2013.  Com isso todas as expectativas de lucros do Banco do Brasil deverão ficar comprometidas,  já que está mais do que claro que a OS(X) não terá como honrar mais essa dívida, dados os robustos prejuízos que a empresa continua tendo.

Em suma, no final para livrar a cara de Eike Batista, quem arca com o problema são os acionistas do Banco do Brasil e a população pagadora de impostos.

Mortandade de peixes continua no Canal Quitingute e desmente versão de “normalização” da situação

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Pesquisadores do Laboratório Ciências Ambientais (LCA) da UENF estiveram novamente no Canal Quitingute para coletar amostras de água nesta segunda-feira (25/11).  A primeira constatação é que a mortandade de peixes que começou há quase 15 dias continua. Essa constatação foi confirmada por moradores do V Distrito que estão encontrando peixes mortos boiando no Canal Quitingute desde Água Preta até Bajuru, numa demonstração de que o problema que causou a mortandade continua ocorrendo.

Essas constatações colocam em xeque a versão oficial do INEA de que a condições das águas do Canal Quitingute estariam voltando ao normal. Mais maiores informações sobre a qualidade das águas só deverão ser dadas até o final de hoje quando os primeiros resultados forem liberadas.

De toda forma, a situação é preocupante e agora se espera que o INEA e o Comitê de Bacias se juntem ao esforço de identificar as fontes do problema para contê-las o mais rápido possível. Agora uma coisa é certa: há algo de muito podre no reino do V Distrito, e não são só os peixes que estão aparecendo mortos que dão a pista.

Caderno Norte Fluminense do O GLOBO/EXTRA traz matéria sobre desapropriações e salinização no Porto do Açu

O Caderno Norte Fluminense que é publicado como encarte na edição deste domingo (24/11) traz uma matéria sobre a situação das famílias de agricultores que foram desapropriadas pelo (des) governo de Sérgio Cabral para beneficiar o Grupo EBX de Eike Batista. Além de tocar no assunto dos valores irrisórios das desapropriações, a matéria também aborda os diferentes problemas associados ao processo de salinização que foi causado pelo aterro hidráulico construído no Porto do Açu.

Como se vê, apesar dos desejos de alguns, essa problemática atrai cada vez mais a atenção até da mídia corporativa. Assim, mais do que nunca, há que se cobrar que seja feita a retrocessão com a devolução das propriedades aos agricultores. Afinal, se não pagaram e o motivo público alegado para os decretos já não existe mais, nada mais natural que após serem indenizados por todos os problemas que sofreram, os agricultores possam voltar para o que é seu de direito.

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Após OGX, OSX adia publicação do balanço

Por Daniela Meibak | Valor

SÃO PAULO  –  A empresa de estaleiros OSX adiou novamente a publicação do balanço do terceiro trimestre de 2013, na esteira da decisão tomada pela OGX Petróleo e Gás. De acordo com o calendário publicado  nos sites da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e da própria OSX, os números devem sair segunda-feira, dia 25, após o fechamento do mercado. Inicialmente, a empresa publicaria dia 14 novembro, previsão que já havia sido mudada para a data de hoje.

No caso da petroleira do mesmo grupo, a OGX, o adiamento também ocorre pela segunda vez. A empresa publicará seu balanço “até o dia 29 de novembro”. A primeira data marcada foi dia 13 e a segunda, dia 22.

Em comunicado, a OGX diz que a  mudança acontece em decorrência da maior necessidade de prazo para a valiar os impactos no relatório de revisão das informações pelos auditores independentes, tendo em vista a decisão da 4ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Estado do Rio de Janeiro em relação ao pedido de recuperação judicial da empresa.

FONTE: http://www.valor.com.br/empresas/3347710/apos-ogx-osx-adia-publicacao-do-balanco#ixzz2lN0mvmO9

BBC: Como a fragilidade das empresas de Eike passou despercebida?

Carisma de empresário, chamado de ‘ímã de dinheiro’ por revista ‘Economist’, boas relações com governo e ‘aura de seriedade’ ajudaram a atrair grandes investimentos de fora de Brasil.

 

Eike Batista convenceu investidores a apostar em suas empresas (Foto: AFP Photo)

Eike Batista convenceu investidores a apostar em suas empresas (Foto: AFP Photo)

O anúncio nos últimos dias de que a petrolífera OGX e a construtora naval OSX, do grupo empresarial EBX, de Eike Batista, entraram com pedido de recuperação judicial trouxe à tona uma pergunta que era pouco ouvida na época em que as empresas estavam no auge: como o brasileiro conseguiu convencer tanta gente de que seu império era sólido?

Entre os investidores internacionais que apostaram na OGX – carro-chefe da EBX – estão gigantes como Pacific Investment Management Company (Pimco) e BlackRock, duas das maiores empresas de gestão de fundos do mercado de renda fixa.

Esses e outros grupos experientes, ao lado de pequenos acionistas e de empréstimos como os do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), financiaram os projetos de Eike baseados em projeções, antes que a OGX produzisse um barril sequer de petróleo.

Segundo o banco UBS, a empresa chegou a ter valor de mercado de US$ 22 bilhões. Hoje é estimada em menos de R$ 1 bilhão. Em 2010, o valor de suas ações chegou a ultrapassar R$ 23. Na semana passada, eram cotadas em torno de R$ 0,15.

Agora que ficou comprovado que a maioria dos campos de petróleo da OGX é improdutiva e que a empresa tem uma dívida calculada em torno de US$ 5 bilhões – sendo US$ 3,6 bilhões em títulos nas mãos de credores internacionais –, analistas tentam compreender como o mercado se deixou iludir.

Entusiasmo
Um dos fatores apontados é o clima de empolgação generalizada com a economia brasileira no final da década passada, quando ela vinha demonstrando bons resultados diante da crise mundial de 2008 e comemorava as descobertas de petróleo na camada do pré-sal.

Em junho de 2008, a revista britânica “The Economist” fez um perfil do empresário brasileiro com o título: “Imã de dinheiro: Eike Batista, a cara do boom de commodities do Brasil”. A reportagem diz que a oferta pública da OGX levantou investimentos na ordem de US$ 3,6 bilhões – um valor semelhante ao obtido pelo gigante da internet Google em 2004.

Em 2008, a OGX havia sido criada há menos de um ano, possuía apenas cem funcionários, não havia começado trabalhos de perfuração ainda e não tinha nenhuma reserva de petróleo comprovada nos seus poços. Mesmo assim, os investidores continuaram atraídos pelo negócio de Eike Batista.

“A OGX pode até não precisar produzir petróleo algum para eles [os investidores] continuarem ganhando dinheiro. Mas se os resultados de exploração nos poços passarem do hipotético para o comprovado, Batista provavelmente passará a atrair grandes empresas de petróleo”, afirma a reportagem.

A revista britânica também se mostrava empolgada com o carisma de Batista e a possibilidade de seu império rivalizar com a Petrobras.

“Se Batista usar [suas vantagens] para chacoalhar as partes da economia brasileira que são dominadas por uma empresa gigante, melhor assim”, dizia a “he Economist” em 2008.

O otimismo contagiou investidores e se disseminou pelo mercado, facilitando a captação de recursos no exterior por parte de empresas brasileiras.

“Havia um sentimento geral de euforia no mercado em relação ao Brasil”, disse à BBC Brasil o analista Jefferson Finch, especialista em América Latina da consultoria Eurasia Group, em Nova York.

“Era a década dos Brics, quando todo mundo estava falando sobre Brasil, Rússia, Índia e China como o futuro de onde o crescimento iria surgir”, observa.

Nesse cenário, Eike, fluente em várias línguas, com vivência europeia, personalidade cativante e um talento de “vendedor” teria sido visto por investidores estrangeiros como uma porta de entrada “confiável” no mercado brasileiro.

“Ele se beneficiou do entusiasmo geral com o Brasil. Muita gente queria entrar no Brasil de qualquer maneira”, afirma Finch.

Para Mansueto Almeida, do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA), tanto o BNDES como bancos e investidores privados “acreditaram em suas promessas de grandes lucros”.

Em imagem de arquivo, Eike Batista comemora com a presidente Dilma Rousseff o início da produção da OGX (Foto: Reuters)
Dilma Rousseff apareceu ao lado de Eike em 2012, vestindo macacão da OGX (Foto: Reuters)

Aura de seriedade
Mas o clima de otimismo em relação ao Brasil e o carisma de Eike no exterior não foram os únicos motivos que levaram tantos investidores a apostarem nos projetos de Batista.

“Houve diversos fatores”, disse à BBC Brasil o economista brasileiro Aurélio Valporto, porta-voz de acionistas minoritários da OGX.

“Primeiro, a própria presidente da República era uma garota-propaganda”, afirma Valporto, referindo-se as vezes em que Dilma Rousseff apareceu ao lado do empresário, elogiando sua atuação e falando em parceria com a Petrobras. Em abril de 2012, Dilma apareceu ao lado de Eike Batista vestindo um macacão da OGX, em solenidade que marcou o começo da exploração da empresa no Rio de Janeiro.

A proximidade com o governo e a empolgação com que autoridades se referiam aos projetos do grupo EBX pode ter criado no mercado a falsa impressão de que Eike teria apoio do governo e acesso facilitado a recursos financeiros.

Além disso, Valporto lembra que a OGX tinha como membros independentes de seu conselho pessoas como os ex-ministros Pedro Malan (Fazenda), Rodolpho Tourinho Neto (Minas e Energia) e Ellen Gracie (Supremo Tribunal Federal), o tipo de associação que aos olhos de investidores pode atestar credibilidade ao projeto.

“Pessoas que davam aos investidores e credores uma certeza de que, se houvesse alguma mentira, eles iriam questionar. Era inclusive a função deles.”

“Tinha uma aura de seriedade, e as pessoas acreditavam”, afirma.

“Se houve alguma voz dissidente, a gente nem tomou conhecimento. Ele anunciava que tinha petróleo, todo mundo acreditava”, diz Valporto.

Um perfil da revista especializada Infrastructure Investor, em março de 2010, chamava Eike Batista de “o homem mais bem relacionado do Brasil”, citando suas boas ligações com autoridades brasileiras e investidores no mercado.

Ações
Valporto faz parte de um grupo de cerca de 70 acionistas minoritários que pretendem entrar com ações acusando Eike por manipulação de mercado, arrolando ainda alguns conselheiros do grupo, a CVM e a BM&F Bovespa, por não terem alertado para os problemas da empresa que segundo ele, teria supervalorizado suas reservas de petróleo.

Ele calcula que as perdas do grupo cheguem a R$ 50 milhões. “É muito difícil saber o prejuízo de cada um. Estamos deixando para o juiz definir no final”, diz.

Valporto discorda das declarações de Eike, que afirma ter sido quem mais perdeu com a queda de seu império.

“Ele arrecadou seu patrimônio vendendo ações. Ele sai dessa aventura com mais dinheiro do que quando entrou”, acredita.

“A fortuna dele foi toda fictícia, baseada em cotações em bolsa que não eram factíveis no mercado. Era uma fortuna absolutamente teórica. Oitavo, sétimo homem mais rico do mundo, só na teoria.”

Minas-Rio
Um dos casos mais notórios de erros de avaliação sobre o império de Eike Batista é o de Cynthia Carroll, que já foi considerada a mulher mais importante do mundo dos negócios pela revista Forbes.

Em 2007, ela se tornou a primeira mulher a dirigir a AngloAmerican, uma das maiores multinacionais de mineração do mundo. Naquele mesmo ano, a executiva fechou um negócio bilionário com Eike Batista no projeto Minas-Rio – uma das maiores minas de ferro do mundo, mas de difícil extração por estar localizada muito abaixo da superfície.

No ano seguinte, a AngloAmerican comprou o restante do Minas-Rio, totalizando mais de US$ 5 bilhões no negócio. O projeto para extração do minério de ferro e transporte de trem até o porto de Açu, no litoral do Rio de Janeiro, era considerado bastante complexo.

Analistas acreditam que a AngloAmerican foi otimista demais na sua avaliação sobre o projeto de Eike Batista. Atrasos elevaram muito o custo do projeto, afetando os dividendos pagos aos acionistas da multinacional. No ano passado, Carroll acabou pedindo demissão do grupo.

“A impressão que ficou é que Batista, um notório vendedor audacioso, se aproveitou de Carroll”, escreveu na época o jornal britânico “Sunday Times”.

* Colaborou Daniel Gallas, de Londres

FONTEhttp://g1.globo.com/economia/negocios/noticia/2013/11/como-a-fragilidade-das-empresas-de-eike-passou-despercebida.html

Porto do Açu sob os olhos dos satélites: muita areia para pouca área construída

A evolução das tecnologias de monitoramento remoto associadas ao desenvolvimento e disponibilização de ferramentas de geoprocessamento tornaram fácil vermos quase tudo que existe na superfície da Terra nos seus mínimos detalhes. Uma ferramenta da Google que eu uso muito como geógrafo é o Earth Google que mesmo em sua versão gratuita já dá muita informação boa.Como nos últimos tenho tido que me valer do Earth Google para explicar algumas questões sobre o que anda acontecendo no V Distrito de São João da Barra com a tentativa de implantar um Complexo Industrial Portuário na Barra do Açu, me dei conta de que não havia olhado as imagens com a devida atenção.

E eis que dar uma olhada nas imagens disponibilizadas pelo Earth Google e que são do dia 29.04.2013 pude verificar que no caso do empreendimento do Açu há muito mais areia (ou seria fumaça) do que área efetivamente construída. E como de lá para cá quase nada aconteceu, podemos assumir que o mostrado nessas imagens continua bastante atual. Assim, para não deixar dúvidas mostro duas cenas abaixo. Vejamos então:

AÇU LAND 1 AÇU LAND 2

E ai é que eu me pergunto uma vez mais: por que se desapropriou tanto terra no V Distrito se as áreas alteradas para receber os diferentes empreendimentos anunciados por Eike Batista ,e tão festejados seus acólitos dentro das diferentes níveis de governo e na imprensa corporativa, continuam basicamente intocadas? Por essas e outras é que eu digo: indenizem os agricultores e pescadores e devolvam logo seus meios de produção econômico e reprodução social! Afinal de contas, as imagens do Earth Google não deixam dúvidas sobre o embuste.