Bloomberg informa: Petronas pula fora de negócio com a OGX

petronas

A notícia não teve o devido eco na mídia corporativa brasileira, mas a Bloomberg circulou ontem a informação de que a petrolífera malaia Petronas decidiu abandonar seu projeto de financiar a petroleira de Eike Batista, a OGX. A Bloomberg relembra que a OGX esperava obter em torno de US$ 850 milhões da Petronas em troca da cessão de direitos no campo de Tubarão Martelo.

O negócio desandou porque a Petronas condicionou o negócio a uma clareza no processo de renegociação das dívidas da OGX, o que não aconteceu. O resultado foi que a Petronas decidiu então se retirar, aprofundando ainda mais a crise da OGX.

Enquanto isso aqui no Brasil, a OSX (outra empresa de Eike Batista que se encontra em “recuperação judicial”) acaba de ganhar uma mão com dinheiro público, a partir da entrada da Votorantim que decidiu honrar um empréstimo-ponte concedido pelo BNDES a Eike no valor R$ 427 milhões.

Petronas Abandons Batista’s OGX as Martelo Project Backer

By Peter Millard & Juan Pablo Spinetto 

OGX Petroleo & Gas Participacoes SA (OGXP3), the Brazilian explorer that filed for bankruptcy protection last month, lost Malaysia’s Petroliam Nasional Bhd. as a financial backer for its most promising field.

Petronas, as the company is known, canceled a contract to buy a 40 percent stake in two offshore exploration blocks that include the Tubarao Martelo field, Rio de Janeiro-based OGX said in a statement late yesterday. The company, controlled by former billionaire Eike Batista, said it’s studying legal options.

Petronas Twin Towers

A Petroliam Nasional Bhd. (Petronas) gas station stands in front of the Petronas Twin Towers (KLCC), background center, at night in Kuala Lumpur. Photographer: Goh Seng Chong/Bloomberg

OGX was counting on $850 million from the Petronas sale to develop the Martelo field where it plans to start output this year. The company, which expects to run out of cash in the last week of December, needs about $250 million to sustain operations through April, it said in an Oct. 23 presentation to Rothschild, the adviser hired by its bondholders.

OGX became the first Brazilian oil producer to seek protection from creditors last month when it filed in a Rio state court for a so-called judicial recovery, declaring total debts of 11.4 billion reais ($5 billion). Petronas had set as a pre-condition to the Martelo deal that OGX restructure its debt, Shamsul Azhar Abbas, chief executive officer of Malaysia’s state energy company, said in August.

A press official for OGX, who asked not to be named according to corporate policy, said the company still plans to start producing at Martelo this year. Petronas spokesman Azman Ibrahim in Kuala Lumpur didn’t reply an e-mail seeking comment.

Initial Success

OGX’s initial success finding oil in shallow waters off the coast of Rio sparked a stock market rally that made it more valuable than other established producers, including Repsol SA. The company’s cash fell to about $82 million at the end of September, it said in a separate document dated Oct. 7 and released after talks with bondholders collapsed.

Batista founded OGX in 2007 and it became the pillar of his group of commodities and logistics companies, transforming him into Brazil’s richest man. When OGX moved from exploration to production it encountered more complicated and compartmentalized geology than expected and started abandoning projects it had previously declared commercial.

Martelo may hold as much as 108.5 million barrels of oil, including proven, probable and possible reserves, DeGolyer & MacNaughton, an oil-reserves auditing company, said in a report posted on OGX’s website Oct. 3.

Entering Brazil

OGX dropped 6.7 percent to 14 centavos at the close in Sao Paulo after falling 97 percent in the last 12 months, erasing about 15 billion reais in market value. The company’s $2.56 billion in bonds due in 2018 traded at 9.50 cents on the dollar.

Petronas announced the stake purchase agreement with OGX in May, saying the company saw the acquisition as an opportunity to enter into oil exploration and production in Brazil. OGX would get $250 million from the sale once the deal was completed and another $500 million when the field started producing oil, the Brazilian company said at the time. The remaining $100 million would be paid in three separate installments after meeting some output targets, OGX said.

To contact the reporters on this story: Peter Millard in Rio de Janeiro atpmillard1@bloomberg.net; Juan Pablo Spinetto in Rio de Janeiro at jspinetto@bloomberg.net

FONTE: http://www.bloomberg.com/news/2013-11-19/batista-s-ogx-loses-partner-petronas-at-most-promising-field.html

Entrevista dada ao Instituto Humanitas da Unisinos sobre o colapso de Eike Batista

“Colapso de Eike Batista é ensaio do que virá com a manutenção das Parcerias Público-Privadas”. Entrevista especial com Marcos Pedlowski

 “Se analisarmos o que aconteceu não apenas com Eike Batista, mas com outros “campeões nacionais” escolhidos pelo governo Lula para mostrarem internacionalmente uma versão de capitalismo moderno à brasileira, veremos que os resultados foram pífios e causaram graves prejuízos ao tesouro nacional”, constata o geógrafo.
Foto: Enviada pelo entrevistado.

O anunciado fracasso das empresas do empresário Eike Batista é um “somatório de coisas que acabaram criando uma sinergia negativa para o Grupo EBX”, diz Marcos Pedlowski à IHU On-Line.

Na avaliação do pesquisador, que acompanha de perto os empreendimentos no Porto do Açu, no Rio de Janeiro, “os impactos reais ainda estão para ser mensurados, visto a velocidade da crise que consumiu a fortuna de Eike Batista. Mas, se olharmos de perto todos os projetos nos quais ele se envolveu nos últimos cinco anos, não há nenhum que tenha chegado à fase operacional, o que indica que todos foram negativamente afetados. Dois exemplos disso são os portos Sudeste e do Açu, os quais ainda não estão em operação e continuam tendo seus prazos de conclusão estendidos, mesmo após a sua venda para corporações multinacionais”.

Segundo Pedlowski, o governo brasileiro também é responsável pelos impactos negativos gerados pela derrocada do empresário, ao ter dado “carta branca a Eike Batista, o que o revestiu de certa aura de infalibilidade”.

Na entrevista a seguir, concedida por e-mail à IHU On-LinePedlowski informa que, apesar de os empreendimentos em São João da Barra, RJ, possivelmente não saírem do papel, a Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro – CODIN ainda quer desapropriar mais terras de famílias que moram na região. “O mais grave disso tudo é que toda essa terra vai passar para o controle de uma corporação estadunidense, o que implicará a criação de um enclave estrangeiro numa área onde até 2009 viviam pescadores artesanais e agricultores familiares”, denuncia. E dispara: “Só esse fato nos obriga a cobrar a anulação dos decretos de desapropriação, visto que não há qualquer interesse público que justifique este tipo de coisa”.

Marcos Pedlowski é graduado e mestre em Geografia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ e doutor em Planejamento pela Virginia Polytechnic Institute and State Unversity. Leciona no Laboratório de Estudos do Espaço Antrópico do Centro de Ciências do Homem da Universidade Estadual do Norte Fluminense.

Confira a entrevista.

Foto: Enviada pelo entrevistado.

IHU On-Line – A que o senhor atribui a crise financeira das empresas de Eike Batista? Que fatores influenciaram para a derrocada?

Marcos Pedlowski – Em minha opinião, seria equivocado atribuir o colapso do conjunto de empresas da franquia “X” a fatores individuais, mas sim ao somatório de coisas que acabaram criando uma sinergia negativa para o Grupo EBX. Entretanto, muitos especialistas atribuem o colapso de Eike Batista a uma série de apostas erradas na capacidade de suas empresas de entregarem os produtos prometidos. O principal exemplo disso foi a OGX, cujos anúncios da descoberta de reservas gigantescas de petróleo não resultaram numa produção que ficasse minimamente à altura das promessas. Outro aspecto parece ter sido aquilo que parecia o maior mérito do projeto de Eike, qual seja, a integração entre as diferentes empresas “X”. Assim, quando a OGX começou a dar sinais de que estava passando por problemas sérios ao não encontrar petróleo em seus poços, isto imediatamente contaminou negativamente a OSX, que produziria navios e plataformas para a coirmã.

A partir daí foi uma espiral de más notícias que acabou levando todo o grupo ao fundo do poço. Mas também existe um bom número de analistas que enxergam no próprio Eike Batista a origem de toda a instabilidade que se apossou sobre todas as empresas da sua franquia. Ao apostar numa superexposição midiática, Eike parece ter se convertido numa espécie de alvo móvel para críticos dos seus métodos corporativos. Além disso, o fato de Eike ter passado a substituir diretores das diferentes empresas de forma quase cotidiana ao começarem os problemas, pode ter contribuído para a fuga de novos investidores nos seus múltiplos projetos.

Também enxergo uma boa parcela de culpa nos diferentes níveis de governo que se dispuseram a dar um tipo de carta branca a Eike Batista, o que o revestiu de certa aura de infalibilidade. Entretanto, quando Eike mais precisou de apoio, talvez premidos pelas circunstâncias políticas que surgiram no Brasil, esses mesmos governantes se omitiram completamente no oferecimento de saídas para a crise que se abateu sobre o seu conglomerado.

IHU On-Line – Quais os impactos da derrocada de Eike Batista nos empreendimentos que estão sendo realizados pelas suas empresas no Rio de Janeiro? Quais empreendimentos foram afetados?

Marcos Pedlowski – Os impactos reais ainda estão para ser mensurados, visto a velocidade da crise que consumiu a fortuna de Eike Batista. Mas, se olharmos de perto todos os projetos nos quais ele se envolveu nos últimos cinco anos, não há nenhum que tenha chegado à fase operacional, o que indica que todos foram negativamente afetados. Dois exemplos disso são os portos Sudeste e do Açu, os quais ainda não estão em operação e continuam tendo seus prazos de conclusão estendidos, mesmo após a sua venda para corporações multinacionais.

Mas a derrocada de Eike fez vítimas em todas as áreas em que ele colocou seus longos tentáculos, desde o seu iate de luxo, que servia a socialites em passeios luxuosos pela Baía da Guanabara, até o Hotel Glória, que recebeu mais de R$ 200 milhões de financiamento do BNDES para atender os turistas que virão ao Rio de Janeiro na Copa da FIFA de 2014, mas que até hoje só fez consumir recursos, sem que a reforma pareça estar próxima de sua conclusão.

Aliás, parece que o único empreendimento de Eike Batista que ainda não sentiu os efeitos da sua debacle é o restaurante Mr. Lam, que funciona na orla da Lagoa Rodrigo de Freitas, na zona sul da cidade do Rio de Janeiro. Convenhamos que esta seja uma consolação de Pirro para quem sonhava chegar a uma fortuna de 100 bilhões de dólares ainda nesta década.

IHU On-Line – Segundo informações da imprensa, dois investimentos do empresário tiveram apoio financeiro cancelado: os investimentos em UPPs e a despoluição da Lagoa Rodrigo de Freitas. Como ficam esses projetos a partir de agora?

Marcos Pedlowski – Esse é um aspecto curioso da relação íntima que existiu entre Eike Batista e o governo do Rio de Janeiro, pois essas benesses eram indiretamente financiadas com empréstimos que eram concedidos pelo BNDESe outras fontes de recursos do tesouro nacional. Entretanto, no caso específico das UPPs, o fato de que a PM do Rio de Janeiro participou de forma ostensiva na remoção de agricultores de propriedades desapropriadas no V Distrito do município de São João da Barra, cujas terras foram entregues para a LLX, coloca uma nuvem de dúvida sobre a lisura ou genuinidade da doação de Eike Batista para este programa. No mesmo sentido vai a promessa de contribuir para a despoluição da Lagoa Rodrigo de Freitas, onde Eike Batista possui pelo menos um empreendimento. Ao que se sabe, essa promessa nunca foi materializada, e agora que a bonança acabou é muito provável que nunca se materialize.

Agora, independente do que tenha acontecido com Eike Batista e suas promessas e ações concretas de apoio financeiro, tanto as UPPs como a despoluição da Lagoa Rodrigo de Freitas já estavam enfrentando dificuldades financeiras para serem efetivadas. É que tanto o governo municipal, liderado por Eduardo Paes, como o estadual, deSérgio Cabral, gastaram bilhões em outras áreas (a começar pela bilionária reforma do Estádio do Maracanã, que depois foi entregue a um consórcio onde Eike Batista também tem participação) e deixaram as demais à mingua quase completa. Assim, mesmo sem ser um expert, creio que estes dois projetos vão enfrentar graves dificuldades em 2014. Aliás, a crise das UPPs já está ficando evidente, com policiais militares sendo encurralados por traficantes em comunidades que teoricamente tinham sido pacificadas.

IHU On-Line – Quais as repercussões da crise de Eike Batista em Porto do Açu?

Marcos Pedlowski – Como o Porto do Açu era uma das joias da coroa de Eike Batista, as repercussões são as piores possíveis. Se olharmos mais de perto o que foi efetivamente construído, veremos que, de todo o complexo prometido, apenas o porto avançou e possui alguma chance de operar num futuro próximo. Mas nada mais saiu do papel, e a última grande vítima foi o estaleiro que estava sendo construído pela OSX, que agora se encontra literalmente entregue às moscas.

A crise é tão profunda que nenhum dos grandes parceiros anunciados por Eike Batista acabou fincando suas estacas nas areias do Açu. A última desistência notável foi a GE Oil & Gas, que abandonou o seu projeto de construir uma nova unidade de montagem e testes de equipamentos de turbomáquinas no Porto do Açu, optando por levar as operações para o Porto de Recife, em Pernambuco.

No que tange a esse cenário, a EIG Global Partners, que adquiriu a LLX e, por extensão, o Porto do Açu, já deu sinais de que vai tentar finalizar as obras para iniciar o seu funcionamento em 2014. Agora, todo o resto do projeto parece ter sido colocado na geladeira de forma temporária ou definitiva. O fato de que nem a linha de transmissão que deveria fornecer energia para o porto foi concluída mostra a dimensão da crise. Este é para mim um dos símbolos maiores da derrocada do megaempreendimento idealizado por Eike Batista no Açu.

IHU On-Line – Como as desapropriações já realizadas até agora serão tratadas daqui para frente, diante do possível cancelamento dos investimentos?

Marcos Pedlowski – Essa é uma excelente questão! Quando o governo do Rio de Janeiro promulgou os quatro decretos que deram base legal para a desapropriação de quase 500 propriedades familiares, havia o argumento de que isto era feito em nome do interesse público, que seria teoricamente representado pela implantação do Distrito Industrial de São João da Barra. Agora que não há qualquer perspectiva de que esse empreendimento vai sair do papel, me parece lógico que esses decretos sejam anulados, e a terra, devolvida para os agricultores. Mas, por incrível que pareça, temos informações de que a Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro – CODIN ainda quer desapropriar mais famílias e que novas marcações estão sendo feitas para esta finalidade.

O mais grave disso tudo é que toda essa terra vai passar para o controle de uma corporação estadunidense, o que implicará a criação de um enclave estrangeiro numa área onde até 2009 viviam pescadores artesanais e agricultores familiares. Só esse fato nos obriga a cobrar a anulação dos decretos de desapropriação, visto que não há qualquer interesse público que justifique este tipo de coisa.

IHU On-Line- Como a derrocada de Eike tem repercutido no Rio de Janeiro?

Marcos Pedlowski – Com a exceção dos muitos amigos que Eike Batista mantinha dentro das diferentes esferas de governo e na imprensa corporativa, creio que o sentimento comum é de que estamos assistindo à queda de um bufão. É que a maioria das pessoas com as quais eu conversei nos últimos anos, ainda que admirasse a aura de sucesso que cercava Eike, tinha um pé atrás com sua capacidade de entregar produtos reais. Agora, se perguntarmos aos agricultores e pescadores do V Distrito, o sentimento é de que Eike está recebendo exatamente o que mereceu por praticamente destruir comunidades inteiras e contribuir para um caos social, econômico e ambiental que ainda deverá assombrar os habitantes de São João da Barra por muitas décadas.

Nesse caso, ainda há uma espécie de desencanto e um sentimento de que foram traídos, pois o número de pessoas endividadas por terem acreditado nas promessas de Eike Batista é alto. Em suma, não creio que muita gente no Rio de Janeiro vai chorar pela derrocada de Eike e seu império de empresas pré-operacionais.

IHU On-Line – Alguns especialistas dizem que o fracasso de Eike Batista demonstra a fragilidade das Parcerias Público-Privadas – PPPs. O senhor concorda?

Marcos Pedlowski – Se analisarmos o que aconteceu não apenas com Eike Batista, mas com outros “campeões nacionais” escolhidos pelo governo Lula para mostrarem internacionalmente uma versão de capitalismo moderno à brasileira, veremos que os resultados foram pífios e causaram graves prejuízos ao tesouro nacional. Assim, em que pese o investimento de bilhões de reais que foi feito em Eike Batista e outros personagens mais discretos, o que tivemos foi um aprofundamento de um modelo de reprimarização da economia brasileira, que aumentou o processo de dependência das economias centrais que vivemos historicamente desde que os conquistadores portugueses aportaram por aqui em 1500. Nesse sentido, uma lição que o governo Dilma poderia estar tendo é de que o paradigma das PPPs é equivocado e negativo para o desenvolvimento econômico sustentável do Brasil. Entretanto, essa lição parece não ter sido assimilada, e prevejo mais desperdício de outros tantos bilhões de reais nas PPPs, independente de quem vença as eleições presidenciais de 2014. E se isto for confirmado, antevejo uma situação de aprofundamento do controle internacional de setores estratégicos da economia nacional, processo esse que está tendo um belo ensaio com a venda das empresas de Eike Batista a um pool de corporações estrangeiras. Nesse sentido, considero que o colapso de Eike Batista é uma espécie de ensaio do que virá com a manutenção das PPPs.

IHU On-Line – Deseja acrescentar algo?

Marcos Pedlowski – Queria acrescentar que a minha expectativa é de que, com todos os equívocos que cercaram aascensão e queda de Eike Batista, fique a lição de que não existem salvadores da pátria para resolver a situação de profunda desigualdade que marca a existência dos brasileiros. Aliás, não vai ser com um Midas turbinado com dinheiro público que resolveremos as nossas dívidas sociais históricas. Se pelo menos os que efetivamente buscam um modelo de desenvolvimento que seja social, econômica e ambientalmente sustentável entenderem isso, acredito que já teremos avançado bastante.

FONTE: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/525210-nyt-ascensao-e-queda-de-eike-espelham-trajetoria-recente-do-brasil

Como Eike, egocêntrico e vendedor de ilusões, afundou o Império X

Paula Pacheco – iG São Paulo

Em 2011, o mineiro Eike Batista vivia possivelmente o melhor momento como empresário. Estampava publicações nacionais e estrangeiras, embolsava prêmios como grande homem de negócios do País (e uma promessa mundial, ousariam afirmar) e era a inspiração de empreendedores brasileiros. Meses antes, o ex-bilionário, que fundou o Grupo EBX, mandou o recado: passaria Bill Gates, da Microsoft, para trás e se tornaria o homem mais rico do mundo. Para muitos, ele era o cara.

Em dezembro daquele ano, Eike aproveitou toda a popularidade do momento e lançou a autobiografia “O X da Questão – A trajetória do maior empreendedor do Brasil”. O livro alcançou 203 mil exemplares e foi o título mais vendido até hoje pela editora Primeira Pessoa, braço da Editora Sextante especializado em biografias.

Amadeu Bocatios/Futura Press, Eike Batista durante noite de autógrafos de “O X da Questão”, na Livraria da Travessa, no Rio de Janeiro

 Hoje, depois de 23 meses, ler o relato de Eike ao longo de rasas 159 páginas proporciona momentos irônicos e analíticos. Irônicos porque sua autobiografia traz um amontoado de clichês e afirmações que não passaram de promessas. Sem nem um traço sequer de modéstia, o empresário avalia um de seus momentos nos negócios – a exploração de uma operação de garimpo de ouro em Alta Floresta, ao norte de Mato Grosso. “Os méritos maiores foram persistência, obstinação, ousadia e o que as pessoas costumam qualificar de capacidade visionária”.

“Minha trajetória é a prova de que o capitalismo brasileiro está mais maduro (Eike Batista)

Sobram frases no livro de culto ao ego, como “sou um empreendedor diferente da média”, “sou perito em identificar diamantes não polidos e aprendi, ao longo da vida, a polir esses diamantes”. Ou ainda “minha trajetória é a prova de que o capitalismo brasileiro está mais maduro. As aberturas de capital de minhas companhias são verdadeiros atestados de maioridade”.

Ego, um grande companheiro

Ao mesmo tempo que o livro confirma que Eike tem um ego difícil de ser delimitado, mostra hoje a inconsistência do plano de negócios do empresário. Naquela época, Eike afirmava no livro: “Por trás do mito, há uma saga empresarial erguida acima de tudo com muito suor e trabalho… Felizmente acertei bem mais do que errei e numa escala e num tempo impensáveis no mundo empresarial”. Quem não ruborizaria ao falar de si recorrendo a palavras como “mito” e “visionário”? Eike Batista.

Eike, o empresário que não teve recato ao se auto-proclamar um mito, afundou. Na última semana (dia 11), mais uma de suas empresas, a OSX (chamada por ele de Embraer dos mares), teve de recorrer à recuperação judicial na tentativa de ganhar tempo junto aos credores e conseguir uma sobrevida. A primeira a usar esse expediente foi a OGX, em 30 de outubro (“A OGX tem no seu DNA algo especial que herdou de mim: a vontade de encantar e surpreender”, descreveu no livro). De figura de destaque nas listas dos maiores bilionários do mundo, o dono do Império X virou sinônimo de caloteiro e agora tem de conviver com o peso de bilhões de reais na forma de dívida, não mais em fortuna.

 Com frases e mais frases feitas, o ex-bilionário oferece em “O X da Questão” grandes momentos de auto-ajuda para quem sonha em se tornar empreendedor. “Uma lição que fica para quem decide iniciar um negócio é não desistir na primeira dificuldade”, ensina.

No mesmo capítulo, o autor avança no tema: “A única coisa certa no mundo dos negócios é que você vai errar. Se tiver humildade para reconhecer esta verdade, terá meio caminho andado para aprimorar suas práticas como empreendedor”. A frase, lida sob a luz do atual momento de Eike, certamente causaria irritação e indignação nos investidores que aportaram bilhões de reais em seus projetos. Provocaria também indignação entre os minoritários que apostaram no vendedor de sonhos e colocaram suas economias em ações que viraram pó. “Posso ser acusado de excesso de ousadia, mas nunca pensei em correr atrás do Santo Graal”, garante no livro.

“Eu desejo entregar ao mercado, aos acionistas, aos colaboradores e à sociedade o que me comprometo a entregar (Eike Batista)

Outro capítulo, o “Visão 360 graus”, também deve incomodar quem comprou os sonhos de Eike, tamanha a sua incoerência. “Eu não aspiro à perfeição. Aspiro ao êxito. Aspire ao êxito você também. Eu desejo entregar ao mercado, aos acionistas, aos colaboradores e à sociedade o que me comprometo a  entregar.     Ele ficou na promessa. Demitiu boa parte de seu quadro de funcionários e viu suas seis empresas listadas na Bolsa minguarem. “Meu negócio é converter sonho em realidade, e talvez seja este o principal traço da minha trajetória”, explicou. Sua crença, mostram os atuais fatos, fez água.

Para o investidor ainda em dúvida sobre as diferenças entre Eike escritor e Eike gestor, mais um trecho: “Não se deve subestimar a própria capacidade de cometer erros de avaliação. Alguma dose de cautela é vital… Mas se alguém quer risco zero, o melhor é colocar dinheiro no cofre e enterrar a chave em lugar seguro”. Entenderam, senhores investidores?

No capítulo ” Cartilha da Ética”, um reforço de mensagem de confiança aos que tinham alguma dúvida naquele momento. O dono da EBX afirmou que “há empresários que operam 100% dentro da cartilha correta. Sou um deles e faço questão de me manter assim.”

Taxativo, o autor ensina em sua autobiografia que é preciso se cercar de informações científicas quando se está estruturando um negócio (“Acredite na sua intuição, mas procure confirmá-la com dados científicos ou pesquisa”). Em outro trecho, o empresário volta ao assunto – “Por isso a pesquisa foi tão importante em minha trajetória”. A dica, no entanto, parece não ter sido útil para o consumo interno. No caso da petroleira OGX, relatórios mostraram que as reservas dos campos de exploração eram bem menores do que havia sido anunciado. Faltou informação? Quem sabe.

Megalomania

No capítulo 10, “A perfeição é uma utopia”, Eike Batista volta ao tema da megalomania – “Na medida certa, um pouco de megalomania ou ousadia é recomendável. Nã há empreendedor bem-sucedido que não tenha provado uma pequena dose. Quando o negócio se mostra viável, seu idealizador deixa de ser um megalomaníaco”. O leitor poderia então perguntar hoje, com os negócios e a credibilidade de Eike mergulhados em um lamaçal: o autor da frase acima é um megalomaníaco?

Talvez faça parte de pessoas com o perfil de Eike a estratégia da repetição. Fala-se muitas vezes a mesma coisa de forma convincente na intenção de que as pessoas acreditem que aquilo é uma verdade. Um exemplo é quando o autor se descreve como alguém com habilidade para transitar entre várias especialidades, já que “posso lidar com ouro, prata, níquel, cobre, zinco, petróleo, energia, enfim, posso fazer um mundo girar à minha volta…”

Hoje, ao chegar a última página de “O X da Questão”, a conclusão que o leitor tem é de que Eike deixou de citar uma característica importante. É apressado. Foi assim ao se lançar em várias frentes de negócios ao mesmo tempo, ao correr para o mercado para capitalizar suas empresas quando ainda não passavam de projetos e ao proclamar-se um empresário exitoso muito antes de conseguir entregar o que prometeu.

FONTE: http://economia.ig.com.br/2013-11-16/como-eike-egocentrico-e-vendedor-de-ilusoes-afundou-o-imperio-x.html

Linha de transmissão que não transmite simboliza fracasso do megaempreendimento de Eike Batista no Açu

Estive hoje visitando agricultores na localidade de Água Preta no V Distrito de São João da Barra, Passando pela estrada de acesso à localidade me deparei com o que deveria ser a linha de transmissão de energia elétrica que iria alimentar o Complexo Industrial e Portuário do Açu e um detalhe chamou a minha atenção: as torres estão lá, mas “esqueceram” de colocar os cabos de eletricidade.

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O mais desastroso disso tudo é que um número desconhecido de propriedades passou pelo doloroso processo de desapropriação, e muitas famílias que tiveram suas terras expropriadas continuam sem receber a devida compensação financeira.

E o que restou em Água Preta, além de linhas de transmissão que não transmitem, foram as placas da CODIN que hoje já estão tão desbotadas como o discurso megalômano de Eike Batista.

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BNDES e Caixa são os maiores credores nacionais da OSX

Valor

Entre os mais de R$ 4,5 bilhões em dívidas declaradas pela OSX, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Caixa Econômica Federal (CEF) somam mais de R$ 1 bilhão. Em ambos os casos, a empresa apresentou garantias bancárias. No caso da CEF, a garantia é do Santander, com obrigação solidária da OSX Brasil. Já o BNDES recebeu como garantia carta-fiança do Banco Votorantim, também com garantia de ações, proventos e dividendos vinculados às empresas e operações do grupo.

A informação consta do Quadro Geral de Credores anexado à petição que aguarda a decisão do juiz da 4ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ). Os dois maiores credores, porém, são estrangeiros: bônus que somam R$ 1,1 bilhão e um leasing no valor de R$ 956 milhões.

A Acciona, responsável pelas obras do Porto do Açu, é credora, de acordo com a empresa, em R$ 300 milhões. Constam ainda da lista, com créditos superiores a R$ 100 milhões, o Credit Suisse (R$ 193 milhões) e o BTG Pactual (R$ 198 milhões).

O quadro apresentado pela OSX ainda será objeto de contestação dos credores, que poderão divergir dos valores e até inscrever novas dívidas. Antes, porém, o juiz precisa aceitar o pedido de recuperação judicial e nomear o administrador judicial. Neste momento, o processo da OSX está no Ministério Público.

FONTE: http://economia.uol.com.br/noticias/valor-online/2013/11/14/bndes-e-caixa-sao-os-maiores-credores-nacionais-da-osx.htm

Violência: outra faceta indesejável da herança maldita do Grupo EBX no Porto do Açu

Manifestantes reivindicam maior efetivo policial no 5º distrito de SJB

Foto: Gisele Soares

Moradores do 5º distrito de São João da Barra, revoltados com o constante número de assaltos e outros crimes na região, fizeram uma manifestação na divisa com o município de Campos — entre as localidades de Cazumbá (território sanjoanense) e São Bento. Eles reivindicaram o aumento de efetivo policial no distrito e reativação do DPO na localidade de Sabonete. Com pneus queimados, os manifestantes bloquearam a ponte sobre o canal São Bento — ligação entre o distrito campista e sanjoanense.

Segundo os participantes do manifesto, a população do 5º distrito é superior a oito mil habitantes e conta apenas com o DPO do Açu para atender toda região. Eles afirmam ainda que, nos últimos anos, está aumentando o número de crimes como furtos, assaltos e estupros.

— Fizemos um movimento pacífico para chamar atenção da Polícia Militar e dos governantes. Queremos a reativação do DPO de Sabonete, para ajudar o efetivo do Açu. É por isso que hoje estamos reunindo os moradores do quinto distrito — explicou a manifestante Shana Carla Siqueira, 51.

A comerciante Jocineia Peixoto participa do protesto. Ela conta que já foi assaltada três vezes e vive com medo de ser vítima da criminalidade novamente. “Às vezes penso em parar, mas preciso trabalhar e não tenho outra renda. O medo aumenta a cada dia”.

Foto: Gisele Soares

No último domingo, 10, o Bazar Ribeiro, na localidade de Campo de Areia, foi assaltado pela terceira vez somente neste ano. “Dessa vez os bandidos avisaram que voltam no próximo mês”, disse um manifestante.

Cerca de 80 pessoas participam do movimento, que é acompanhado por três guarnições da Polícia Militar. A ponte ficou interditada por mais de uma hora.

Reativação do DPO de Sabonete é o principal pedido

“SOS DPO de Sabonete. Patrulhamento ostensivo como sempre foi”. Essa era uma das faixas usadas pelos manifestantes, que não se conformam com o fato de o DPO contar com apenas um policial, sem viatura para atender a localidade. Segundo os moradores da localidade, a reativação do Destacamento daria mais segurança à comunidade, além de diminuir a sobrecarga do DPO do Açu.

Morador de Campo de Areia, Luis Fabiano conta que apoia o ato desde o início. Ele acredita que quando o efetivo policial era maior, o 5º distrito não sofria com a violência. “A situação está complicada, o DPO de Sabonete só tem um policial e até ele corre risco. Estão roubando motos dentro de casa e as pessoas tem medo de andar nas ruas porque constantemente assaltam celulares”.

8º BPM não considera baixo efetivo da região

Em resposta a matéria Insegurança no 5º distrito, divulgada pelo SJB Online no dia 29 de outubro, a assessoria de imprensa do 8º Batalhão de Polícia Militar (Campos) afirmou que as ocorrências na região não chegam a 0,5% da atendidas pelo. Confira a resposta da PM na matéria Polícia Militar não considera baixo efetivo no 5º distrito.

Foto: Gisele SoaresFoto: Gisele SoaresFoto: Gisele Soares

 

FONTE: http://www.sjbonline.com.br/noticias/manifestantes-reivindicam-maior-efetivo-policial-no-5-distrito-de-sjb

JB: Com apenas 6 anos, OGX tem direito à recuperação?

Investimentos de 52 mil trabalhadores foram perdidos

Jornal do Brasil

Criada em julho de 2007, a OGX, petrolífera de Eike Batista, nunca produziu uma gota sequer de petróleo, apesar do alarde de que seus campos, arrematados em leilão, teriam reservas de dar inveja aos árabes. A Lei 11.101, que estabelece as normas para recuperação judicial de empresas em dificuldades, determina que, para ter direito a esse benefício legal, a empresa tem que estar “exercendo suas atividades” há pelos menos dois anos.

Embora tenha seis anos de existência, há dúvidas sobre o direito da OGX à recuperação judicial, pelo fato de nunca ter produzido petróleo. Que critérios podem caracterizar a atividade da empresa? E o que essa atividade poderia ter como objetivo? Seria justamente ter como alvo a recuperação judicial? A Justiça terá que levar em consideração ainda que aproximadamente 52 mil trabalhadores, cujos fundos de pensão investiram na OGX, tiveram perda total dessas aplicações.

Eike Batista
Eike Batista

A empresa usou dinheiro do povo e a recuperação deveria ter como objetivo ressarcir as perdas do povo e não dar um prêmio a quem causou tantos prejuízos a investidores que, em vários casos, tinham como única poupança justamente esses investimentos feitos na OGX. Investimentos que não serão recuperados. A recuperação da petrolífera deveria ser feita pelo BNDES que enterrou mais de R$ 10 bilhões de recursos públicos nas empresas de Eike; recursos que poderiam ter sido usados em prol da população, para o desenvolvimento do país.

A generosidade de Eike – com dinheiro do povo – fez com que ele distribuísse dinheiro pelo Rio para vários projetos, o que colaborou para uma falsa imagem de patrocinador de obras sociais e até mesmo de infraestrutura, como a despoluição da Lagoa Rodrigo de Freitas, para a qual ele “doou” R$ 8 milhões. A benevolência de Eike com o dinheiro do povo resultou ainda numa “doação” de R$ 30 milhões para o Hospital Pró-criança Cardíaco, em Botafogo, no Rio, além de R$ 13 milhões com iniciativas esportivas, como um time de vôlei, visando as Olimpíadas de 2016.

Em seus sonhos delirantes, transformou o Hotel Glória, um ícone do Rio de Janeiro, num prédio fantasma, semidestruído. Um prédio que recebeu ilustres visitantes, chefes de estado, personalidades internacionais de destaque em vários setores, teve sua história implodida, ficando embaixo de escombros, da mesma forma como ele implodiu suas empresas.

Eike, que chegou a ter uma coleção de aviões particulares, se gabava de emprestar sua frota aérea para autoridades sem o menor pudor do que esse ato representava. Em sua coluna nos jornais Folha de S. Paulo e Globo, o jornalista Elio Gaspari reproduziu uma das frases do empresário sobre esses favores: “Tive satisfação em ter colocado meu avião à disposição do governador. (…) Sou livre para selecionar minhas amizades, contribuir para campanhas políticas [e] trazer a Olimpíada para o Rio”.

A OGX, uma empresa que teve apenas cerca de 300 empregados em seus quadros, se comparada com a Petrobras e outras do setor, com mais de cem mil contratados em todo o mundo, pode ser considerada uma gota no oceano. No entanto, apesar do diminuto tamanho que agora fica evidente, conseguiu fazer uma dívida de R$ 8 bilhões que gera ainda mais dúvidas. Onde foram parar esses recursos? As doações de Eike, “o generoso”, somaram alguns milhões, mas bem longe dos dez dígitos dos bilhões.

A empresa usou recursos públicos, vindos do povo, para distribuição de bônus a seus diretores, contemplados com verdadeiros prêmios de loteria, embolsando fortunas num período curto de tempo. De acordo com informações apresentadas à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), executivos da OGX e da OSX – construtora naval também de Eike Batista – teriam embolsado cerca de R$ 300 milhões referentes a salários, pagamentos por participação em comitês e remuneração atrelada a ações. Alguns desses diretores, inflados pelo dinheiro e, consequentemente, com súbita fama, tiveram a brilhante e acintosa ideia de ir para o Flamengo recuperar o Clube.

Antes da bancarrota, no entanto, a petrolífera teve seus momentos de glória, com seu valor de mercado nas alturas, refletindo nessa época os delírios de seu dono, que possuía carros espetaculares estacionados em sua sala de jantar. Que presenteava os filhos com também carros espetaculares e que para satisfazer seus caprichos, comprou um restaurante num dos lugares mais valorizados do Rio de Janeiro, em que pobre não serve nem para ser garçom, que dirá passar na porta.

Enquanto as falcatruas se sucedem, as autoridades parecem mais preocupadas em atacar outras frentes, reprimir outro tipo de ação, ação que se revolta exatamente contra os maus governantes que priorizam seus interesses. A Polícia Federal concentra suas forças na investigação contra os black blocs, seus paus e pedras. E os maus empresários circulam livremente.

Na próxima semana, será proferida a decisão sobre o pedido de recuperação judicial da OGX que tramita na 4ª Vara Empresarial do Rio. Caberá ao juiz Gilberto Clovis Matos decidir se a empresa tem direito ou não ao que determina a Lei.  A aceitação do pedido pela Justiça, no entanto, não vai significar o início imediato do processo de recuperação. A empresa terá que apresentar em 60 dias um plano de reestruturação, com prazos estipulados para pagamento das dívidas, que deverá ser aceito pelos credores. Caso esse plano seja rejeitado, a empresa poderá ter sua falência decretada.

FONTE: http://www.jb.com.br/opiniao/noticias/2013/11/14/com-apenas-6-anos-ogx-tem-direito-a-recuperacao/

FSP: OSX, de Eike Batista, demite cem funcionários

Renata Agostini de Brasília, e Raquel Landim de São Paulo

A OSX, de Eike Batista, confirmou o  corte de cerca de cem funcionários. As demissões foram feitas na última sexta-feira, às vésperas do pedido de recuperação judicial da companhia, oficializado nesta segunda-feira (11).

Com isso, a empresa tem agora pouco mais de 500 empregados.

Com dívidas de R$ 4,5 bilhões, a companhia naval de Eike Batista protocolou seu esperado pedido de recuperação judicial nesta tarde no Tribunal de Justiça do Rio.

A redução do quadro de funcionários faz parte do plano de reestruturação da OSX, que envolve ainda a devolução de metade do terreno que ocupa no porto do Açú, conforme antecipou a Folha.

Inicialmente, a OSX planejava demitir até 40% de seu quadro de funcionários. Os cortes foram sendo protelados diante do alto custo das demissões para uma empresa que estava com grandes dificuldades de caixa.

As demissões, que já estavam programadas há meses, acabaram ocorrendo no mesmo dia que Eike afastou o presidente da companhia, Marcelo Gomes.

A demissão marcou a saída da consultoria Alvarez & Marsal, que coordenava a reestruturação da empresa desde meados deste ano, e a entrada da Angra Partners, que já lidera o processo de recuperação da OGX.

Gomes foi substituído pelo diretor de construção naval da companhia, Ivo Filho, que passou a acumular os dois cargos.

FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2013/11/1369807-osx-de-eike-batista-demite-cem-funcionarios.shtml

Entrevista concedida ao “Programa Faixa Livre” da Band AM do RJ sobre a situação do Porto do Açu

BARCO

Abaixo segue o acesso a uma entrevista que concedi no dia 04/11/2013 ao economista Paulo Passarinho que comanda o programa “Faixa Livre” na Band AM da cidade do Rio de Janeiro sobre a situação criada no V Distrito de São João da Barra para a implantação do chamado “Complexo Industrial-Portuário do Açu”.

Complexo Industrial e Portuário do Pecém: um Açu que deu certo, ou quase certo

Em busca de uma ampliação dos meus estudos sobre o modelo que Eike Batista tentou implantar em São João da Barra com o Complexo Industrial Portuário do Açu (CPIA), estive visitando o entorno do Complexo Industrial e Portuário do Pecém que se localiza no município de São Gonçalo do Amarante, distante 60 km de Fortaleza. O Complexo do Pecém cobre uma área de aproximadamente 4.000 hectares, e inclui um porto, uma siderúrgica e, sim, uma termelétrica que foi construída pela MP(X) do ex-bilionário Eike Batista.

As imagens que vão abaixo mostram que, ao contrário do CPIA, o Complexo do Pecém já está em estágio avançado, e o porto está funcionando a pleno vapor. Além disso, a termelétrica da ENEVA (novo nome da MP(X), também já está pronta, enquanto que a siderúrgica ainda está em construção.

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Graças a essa evolução positiva, a área abriga a primeira Zona de Processamento de Exportação (ZPE) que funciona desde 30 de agosto de 2013. Eu voltarei a falar nas ZPEs em breve, mas o importante aqui é notar que na visita que fiz na região do entorno, não visualizei grandes modificações na situação das comunidades existentes. E num estranho paralelo com os acontecimentos de São João da Barra, a implantação do Complexo do Pecém também resultou em conflitos sociais, inclusive com comunidades indígenas que ocupavam tradicionalmente aquele território.

Assim é importante notar que apesar de todas as responsabilidades que Eike Batista e seus patronos possuem no caso do Porto do Açu, essa situação não é única no Brasil, que está servindo de palco para uma experiência de reprimarização da sua economia, com a instalação de pontos de apoio para a exportação de materiais primários.  É dos efeitos desse aspecto particular do modelo neodesenvolvimentista que teremos de nos ocupar nas próximas décadas.

Finalmente é importante ressaltar que todo o ar de novidade com que o Complexo do Açu nos foi apresentado era, como de todo o resto da mensagem que Eike Batista ecoava, uma velha novidade. E pior onde os perdedores são os mesmos de sempre desde que os conquistadores portugueses chegaram por aqui para começar a saquear os recursos naturais existentes.