Exame: OSX tem mais de 370 instituições em sua lista de credores

Segundo Estadão, bancos são a maior parte dos credores da companhia de Eike Batista

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Daniela Barbosa, de 

Divulgação 

Estaleiro da OSX no Porto de Açu, em São João da Barra (RJ)

 OSX:  estaleiro no Porto de Açu, principal empreendimento da companhia

 

São Paulo – A OSX, braço de construção naval do grupo EBX, de Eike Batista, tem exatamente 373 insituições em sua lista de credores. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo, desta quarta-feira.

Bancos são a maior parte dos credores da companhia, que soma dívida de 4,5 bilhões de reais. De acordo com a reportagem, os dez maiores credores da OSX concentram 90% de toda a dívida da empresa de Eike.

Ontem, a Justiça confirmou que  processo de recuperação judicial de OSX foi distribuído na 4ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio, a mesma que cuida da recuperação da petroleira OGX.

Na segunda-feira, a OSX entrou com pedido de recuperação judicial. Com a efetivação do pedido, companhia se tornou a segunda empresa do grupo

FONTE: http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/osx-tem-mais-de-370-instituicoes-na-lista-de-cred

Fama de Midas de Eike Batista vai morro abaixo por causa de tratamento aos credores

“Eike não está comprometido conosco”, diz credor

Roberta Paduan

“Chegamos à conclusão de que Eike Batista não está comprometido conosco”, afirmou, de Nova York, o executivo de um grande fundo de investimentos que está entre os principais credores da petroleira OGX. Juntos, esses credores detêm 3,6 bilhões de dólares em títulos emitidos pela OGX no início de 2012 com vencimento em 2018 e 2022. Segundo o executivo americano, a falta de compromisso de Eike ficou evidente em três situações: 1) Em julho deste ano, quando a petroleira pagou 449 milhões de dólares à empresa irmã OSX, num momento que a companhia já estava ficando sem caixa e não teria como pagar outros fornecedores; 2) Quando Eike não cumpriu a promessa feita um ano atrás, de injetar até 1 bilhão de dólares na OGX, com a compra de ações ao preço de 6,30 reais (instrumento conhecido como put); 3) E, por fim, na maneira como conduziu as negociações com os bondholders (os donos dos títulos). “Ele demitiu e recontratou executivos que lideravam as reuniões conosco, trocou de consultoria, suspendeu a negociação, voltou a negociar e suspendeu novamente. Isso não demonstra respeito”.

De acordo com o financista, os credores estão se preparando para o litígio, a menos que… Bem, nesse tipo situação, em que há muito dinheiro em jogo, é comum que até os desaforos sejam esquecidos quando surge uma chance de reduzir o prejuízo. Durante as reuniões ocorridas em Nova York em setembro e outubro, os bondholders já haviam sinalizado que aceitariam receber 1 bilhão de dólares, em vez dos 3,6 bilhões que investiram na petroleira. Para isso, a OSX (que alugava plataformas para a petroleira) também teria de dar desconto na dívida cobrada da OGX — de 2,5 bilhões de dólares para 1 bilhão. Por fim, Eike teria diluída sua participação na empresa de 60 para 5%, enquanto os bondholders passariam a deter 95% da companhia. Eike não aceitou.

FONTE: http://exame.abril.com.br/blogs/blog-do-rio/2013/11/08/eike-nao-esta-comprometido-conosco-diz-credor/

JB: Porto do Açu: Alerj pede termo de ajustamento de conduta

Empreendimento de Eike Batista enfrenta denúncias sobre violação de direitos

cláudia Freitas

A Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (CDHU/Alerj) realizou nesta segunda-feira (11) audiência pública para tratar das denúncias relacionadas às violações dos direitos humanos e violência praticada contra os moradores do V Distrito de São João da Barra, no Norte Fluminense, que teriam sido cometidas por órgão do governo do Estado e empresas do grupo de Eike Batista. As denúncias são referentes ao processo de implantação do Complexo Portuário  do Açu na região.

Moradores desapropriados pelo governo no Porto do Açu denunciam Cabral e Eike

Ministério Público Federal pede paralisação de obras do Porto do Açu

Na audiência, ficou acertado que o deputado estadual Marcelo Freixo (Psol), que preside a CDHU, vai se reunir com o procurador-geral de Justiça do Rio, Marfan Vieira, e solicitar a apresentação do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado entre o grupo produtor de aço Ternium e o Ministério Público Estadual (MPE), para que seja avaliado pela Alerj. O procurador Leandro Manhães, do  MPE em Campos dos Goytacazes, já havia solicitado o TAC, que foi assinado no início do mês de agosto de 2013. O termo foi motivo de polêmicas entre os moradores desapropriados da região e a produtora de aço, por eles desconhecerem as  razões da adoção do documento, assim como também tiveram o acesso ao seu conteúdo vedado.

Presidente da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Alerj, Marcelo Freixo, na audiência do Portuário do Açu
Presidente da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Alerj, Marcelo Freixo, na audiência do Portuário do Açu

No encontro desta segunda-feira também foi analisada uma agenda de reuniões específicas da CDHU com as secretarias envolvidas na implantação do Porto do Açu e seus órgãos correlatos. Essas reuniões teriam o objetivo de  apurar as responsabilidades sobre as violações dos direitos humanos que teriam ocorrido no processo de desapropriação, além das causas dos distúrbios ambientais que teriam ocorrido no distrito com a chegada do empreendimento. As duas secretarias relacionadas com a implantação do porto são de  Desenvolvimento Econômico e Social, do secretário  Júlio Bueno, e a de Ambiente, atendida por Carlos Minc. Já os órgãos do governo do Estado que deverão prestar esclarecimentos são o Inea e a Codin.

Segundo o presidente da associação de Pequenos Produtores Rurais do Açu (Asprim), Rodrigo Santos, deve ser encaminhado ao MPE de Campos um pedido elaborado pela  entidade representativa de novas investigações sobre as ações de desocupação da área pela Codin, que na opinião dos agricultores e proprietários viola os direitos humanos e, por ser executada por grupos de empresas em parceria com o governo estadual, deve ser observada como “formação de quadrilha”. A Asprim pede ainda investigações das questões ambientais, como é o caso específico da salinização causada pelo aterro hidráulico construído pela LLX e pela OSX.

Porto do Açu: empresa de Eike pode ter causado grande desastre ambiental

Rodrigo disse que uma comunicação será enviada ao deputado Roberto Henriques, que preside atualmente a “Comissão especial do Porto do Açu” , cujo objetivo  é apurar as consequências econômicas do colapso do Grupo EBX sobre o projeto do Porto do Açu, sobre as questões elencadas na audiência da CDDHU. Além disso, o deputado Marcelo Freixo deverá enviar solicitação a Henriques para que a comissão especial também inclua as organizações da sociedade civil no processo de discussão, de modo a ampliar o escopo das apurações para apurar as questões sociais e ambientais que foram geradas pela implantação do Porto do Açu.

FONTE: http://www.jb.com.br/rio/noticias/2013/11/12/porto-do-acu-alerj-pede-termo-de-ajustamento-de-conduta/

G1: OSX oficializa pedido de recuperação judicial

Conselho da empresa aprovou pedido na última sexta-feira. 

OSX é a segunda empresa de Eike Batista a recorrer à recuperação.

 

Do G1, em São Paulo

A OSX, empresa de construção naval controlada por Eike Batista, oficializou nesta segunda-feira (11) o pedido de recuperação judicial da companhia, segundo o advogado responsável pelo processo, Darwin Corrêa. O documento foi entregue no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

Na noite da última sexta, a empresa informou que seu Conselho de Administração havia aprovado, em caráter de urgência, que fosse feito o pedido de recuperação judicial. A medida abrange também as controladas OSX Construção Naval S.A. e OSX Serviços Operacionais Ltda., e deverá ser feito na Justiça do Rio de Janeiro.

Por conta desse pedido, os negócios com as ações da companhia foram suspensos na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). De acordo com comunicado ao mercado na bolsa, os negócios foram suspensos no aguardo da confirmação da efetiva entrada em juízo do pedido de recuperação judicial. O comunicado diz que a BM&F Bovespa também está solicitando os documentos que instruíram o pedido.

Na semana passada, a empresa já havia informado que poderia “exercer seu direito legal” de pedir recuperação judicial caso a administração da empresa considerasse a medida adequada para a continuidade dos negócios.

A OSX tinha dívidas de R$ 5,3 bilhões até junho, com R$ 1,1 bilhão na Caixa Econômica Federal, segundo a agência Reuters. No ano, as ações da OSX registram queda de cerca de 95%.

A empresa é a segunda de Eike Batista a recorrer à medida. No final de outubro, a, a petroleira OGX entrou com pedido de recuperação judicial depois de não conseguir negociar com seus credores. No total, apenas em bônus no mercado internacional, a OGX tem de pagar US$ 3,6 bilhões. Há preocupação em relação à contaminação da OSX por conta da dependência entre os negócios das duas empresas.

Troca de presidente, nome e sede

Em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a OSX informou que o Conselho também aprovou a troca do diretor presidente, destituindo do cargo Marcelo Luiz Maia Gomes e elegendo Ivo Dworschak Filho.Uma assembleia geral da companhia foi marcada para 28 de setembro, quando os membros deverão ratificar o pedido de recuperação e altera o nome e o endereço da sede da OSX.

Renegociação
O pedido de recuperação vem mesmo após a empresa ter conseguido algum alívio ao obter refinanciamento por 12 meses de empréstimo, após 18 dias do seu vencimento, de R$ 461,4 milhões, junto à Caixa Econômica Federal.”O contrato de garantia desse empréstimo, firmado com o Banco Santander S.A. (“Santander”), também foi aditado pelo mesmo prazo”, diz o segundo fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), na quarta-feira (6).

Rescisão de contratos com a OGX

Também na semana passada, a OSX informou a rescisão de contrato de afretamento (transporte) com a OGX Petróleo, companhia do mesmo grupo de Eike Batista, em função de “não pagamento”. A OSX, cujos ativos incluem um estaleiro inacabado no Porto de Açu, no norte do Rio de Janeiro, é uma das principais credoras da OGX.

A empresa de construção naval foi criada para fornecer plataformas de produção à OGX.A rescisão refere-se ao contrato que regulava as condições e a remuneração do afretamento da unidade flutuante FPSO OSX-1. Com este cancelamento, o contrato de operação e manutenção da unidade também foi rescindido, disse a companhia em fato relevante.
A OSX disse, ainda, que buscará exercer seus direitos legais para obter valores atrasados e verbas rescisórias previstas em contrato e na legislação aplicável.Além disso, a OSX também firmou com os bancos internacionais do sindicato constituído para financiar os custos de aquisição e customização do FPSO OSX 1 um acordo para negociar um plano de recomercialização ou renegociação da unidade, “visando ajustes do cronograma de vencimento desta dívida ao plano de negócios da companhia”.

BNDES

Em nota, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informou que a OSX tem um empréstimo de US$ 227,96 milhões junto ao banco, mas que o mesmo tem garantia de fiança bancária, “não havendo risco direto para o BNDES”.

O banco também informa que seu braço de investimentos, BNDESPar, não possui participação acionária na OSX.

FONTE: http://g1.globo.com/economia/negocios/noticia/2013/11/osx-oficializa-pedido-de-recuperacao-judicial.html

Daily Beast: símbolo X das empresas de Eike Batista virá pó

EIKE FALL

Jornal do Brasil

Eike Batista era o oitavo homem mais rico do mundo, o garoto-propaganda para o novo Brasil, chamava atenção pelo nível de riqueza, até que estourou a bolha envolvendo o seu petróleo e gás. A afirmação está na matéria publicada pelo portal do americano The Daily Beast, neste fim de semana. A reportagem foi assinada por Mac Margolis e comenta a ascensão e queda do império do ex-megaempresário Eike Batista.

Margolis comenta uma entrevista que Eike concedeu à uma revista de celebridades brasileira, há dois anos, quando ele comenta que “sabia onde queria estar”, se referindo a sua posição social e posição no ranking dos homens mais ricos do planeta. Segundo a reportagem, o pai de Eike, Eliezer Batista, um lendário executivo da mineração no país, ficou revoltado quando soube que seu filho havia comprado uma “mina de ouro na Amazônia”. “Eu vou dar-lhe o diploma de um idiota”, reproduziu Margolis a frase de Eliezer Batista. Segundo o jornal, Eike e seu pai não se falam há uns 10 anos, mas o Batista filho recuou.

O texto destaca que, com seu ego à prova de bala e o sorriso na camera-ready, Batista aproveitou suas participações na Amazon e dinheiro em caixa para alavancar empreendimentos cada vez maiores. Em pouco tempo, ele era o alto investidor emergente da nação brasileira, mudando a imagem “de playboy mimado” para se tornar o oitavo homem mais rico do mundo, cortejado por investidores e políticos. Todos os grandes grupos queriam a participação de Eike Batista. “Sua emergente mineração e conglomerado de energia dispararam para o topo do mercado de ações de São Paulo. Cordial, com um ar de superioridade tropical, Batista não era apenas um brasileiro, mas um emblema do próprio Brasil. Cerca de dois milhões de pessoas seguiram Eike pelo seu Twitter”, comenta o texto.

Segundo a publicação, a queda de Batista foi algo “tão espetacular”. Citando o declínio do império de Eike na Bolsa de Valores de São Paulo e no mercado internacional, a matéria afirma que a letra X que imprime uma marca registrada nas empresas de Batista e foram considerada símbolo da multiplicação de riqueza nacional, se transformou em pó.

FONTE: http://www.jb.com.br/internacional/noticias/2013/11/11/daily-beast-simbolo-x-das-empresas-de-eike-batista-vira-po/

Exame: Um blefe bilionário de Eike Batista na OGX

Os bastidores de uma promessa não cumprida de Eike Batista revelam o caos da petroleira que acaba de ir à lona

Roberta Paduan, de 

FERNANDO CAVALCANTI

Eike Batista durante a oferta pública inicial de ações da petrolífera OGX, na Bovespa, em 2008Eike, na Bovespa: a OGX pediu recuperação judicial no fim de outubro 

São Paulo – Nas poucas vezes em que se propôs a comentar sua derrocada, o empresário Eike Batista se manteve firme num ponto: ninguém acreditou em seu projeto mais do que ele próprio. As coisas deram errado, segundo sua lógica, por questões que estavam fora de sua alçada, como a crise internacional ou a imprevisibilidade dos poços de petróleo.

Mas Eike, segue o argumento, sempre acreditou em suas empresas — e esteve disposto a botar dinheiro do próprio bolso quando ninguém mais parecia ter coragem. A prova cabal de seu otimismo foi dada no dia 24 de outubro do ano passado, após três meses de queda brusca das ações de sua petroleira, a OGX, na bolsa.

Em meio à desconfiança que abalava o centro de seu império, Eike se comprometeu a investir na OGX até 1 bilhão de dólares do próprio bolso, caso a empresa precisasse, comprando ações a um preço fixo de 6,3 reais. A operação, conhecida no mercado financeiro como put, foi informada à Comissão de Valores Mobiliários por fato relevante.

Mas, um ano depois, a OGX entregou os pontos e entrou com um pedido de recuperação judicial. No caminho, é claro que precisou — e muito — do dinheiro prometido por ­Eike. Mas a OGX não viu um centavo. Tudo, hoje se vê, não passou de um blefe. Que deu no que deu.

A história do blefe de 1 bilhão de dólares é uma das dezenas que marcaram a rocambolesca crise que levou o grupo de Eike à situação atual. Mas a história secreta da promessa não cumprida é carregada de simbolismos — conhecê-la é uma excelente maneira de entender como funcionava, ou não funcionava, o grupo X.

Durante nada menos que oito meses, Eike se esquivou de assinar o contrato que daria validade legal à sua promessa. Ele cedeu apenas em junho, após a pressão de três conselheiros da OGX: os ex-ministros Rodolpho Tourinho Neto (Minas e Energia), Pedro Malan (Fazenda) e Ellen Gracie (Supremo Tribunal Federal).

Ao serem informados de que Eike vinha se negando a assinar a put, Tourinho, Ellen e Malan pediram uma reunião com o empresário. Internamente, Eike chegou a dizer a seus executivos que não assinaria um papel que podia matá-lo. Enviou José Roberto Faveret, diretor jurídico da petroleira na época, para que o representasse na reunião com os conselheiros estrelados. Sem documento, claro.

Foi quando os três decidiram entregar o cargo. Fizeram, no entanto, uma exigência. Queriam ver o contrato da put assinado. Caso contrário, falariam abertamente sobre o assunto. Eike ­assinou o contrato (não que o tenha cumprido, como se verá a seguir). Procurados por EXAME, nenhum dos três ex-ministros respondeu aos pedidos de entrevista. Faveret também não comentou o assunto, assim como a EBX.

Quase no tapa

A discussão em torno da put dá uma ideia do descontrole interno do grupo X. Em maio, houve uma reunião particularmente tensa para debater o assunto. De um lado da mesa, os diretores da petroleira argumentavam que precisavam que o controlador aportasse 100 milhões de dólares para pagar as contas básicas.

Era a única maneira de pagar os fornecedores que finalizavam as instalações da plataforma no campo de Tubarão Martelo, o maior da OGX. A plataforma estava, e está, parada, boiando em alto-mar. Do outro lado, diretores da EBX — a holding de Eike e fonte mais provável dos recursos para o pagamento da put — diziam que o documento não poderia sequer ser assinado.

O que era para ser uma reunião se transformou numa briga ruidosa, em que dois executivos quase saíram no tapa. O mais exaltado era o ex-diretor financeiro Otavio Lazcano, que defendia que Eike não assinasse o documento. Com quase 2 metros de altura, o ex-jogador de vôlei berrou palavrões e colocou o dedo a milímetros do nariz de Roberto Monteiro, então diretor financeiro da OGX.

A turma do deixa -disso interveio, evitando que Monteiro, lutador de jiu-jítsu, revidasse. Tudo aconteceu no 22o andar do elegante edifício Serrador, na região da Cinelândia, no centro do Rio. Entre os presentes estavam ainda Luiz Eduardo Carneiro e José Faveret, da OGX, e Marcelo Horcades e Joel Rennó Júnior, da EBX, todos já fora do grupo. Eike não participou do arranca-rabo.

Enquanto Eike e os executivos de sua petroleira não se decidiam, a situa­ção da empresa só piorava. Ricardo Knoepfelmacher (o Ricardo K), da gestora de private equity Angra Partners, chegou em agosto para reorganizar o grupo. Ele deixou claro várias vezes que os diretores da OGX não deveriam exercer a put. Mas a situação da empresa foi se deteriorando, e a pressão sobre os diretores, aumentando.

Cabia apenas a eles, afinal, dizer se a empresa precisava ou não do dinheiro do controlador. Se não o fizessem, poderiam ser processados por acionistas — acusados de não cumprir seu dever de proteger os interesses da empresa. No dia 6 de setembro, com o caixa da OGX secando, a diretoria enviou um e-mail a Eike dizendo que exigia o pagamento de pelo menos 100 milhões de dólares.

O empresário ficou furioso. Passou o dia enfurnado numa reunião com Ricardo K para decidir o que fazer. Ao fim do dia, enviou à CVM um comunicado informando que poderia contestar a validade da put numa corte arbitral. Em 40 dias, havia demitido todos os diretores da petroleira, menos o de operação.

Naquela época, os credores da OGX tinham alguma esperança de que seria possível chegar a um acordo com Eike. Mas as conversas foram para o vinagre. Em setembro, os diretores da OGX negociavam com os principais credores, donos de 3,6 bilhões dólares em títulos da empresa.

Segundo o executivo de um grande fundo de investimento com sede em Nova York, as negociações estavam bem encaminhadas. Os credores estavam dispostos a aceitar um desconto de 2,6 bilhões de dólares nos 3,6 bilhões. Em troca, ficariam com 95% da empresa. Eike continuaria dono dos outros 5%.

Eles também exigiam que a OSX, empresa de construção e afretamento naval do grupo de Eike, reduzisse de 2,5 bilhões para 1 bilhão de dólares a dívida cobrada da OGX. Mas Ricardo K considerou o acordo ruim para Eike e o convenceu a suspender a negociação e a demitir Roberto Monteiro, seu diretor financeiro, pelo telefone, ainda em Nova York, cortando seu celular e o e-mail corporativo.

Os credores, entre os quais os fundos americanos Blackrock e Pimco, sentiram-se desrespeitados com a demissão de seu interlocutor. Enviaram um e-mail a Eike dizendo que ele estava faltando com respeito às maiores potências financeiras do planeta. Recomendaram também que recontratasse o diretor financeiro demitido. Dito e feito.

Três semanas depois, Monteiro voltaria à mesa com os credores, dessa vez como consultor da OGX. Mas, mais uma vez, Eike mudou de ideia no meio do caminho. Avisou que um novo investidor estava interessado na petroleira e interrompeu as negociações. Dessa vez, o demitido foi Luiz Eduardo Carneiro, presidente da OGX, também enquanto estava em Nova York, por telefone.

O novo investidor não apareceu. Num episódio esdrúxulo, a OGX comunicou ao mercado que negociava com a gestora Vinci e outros interessados — mas a Vinci negou “categoricamente” que estivesse no páreo. Foi o último suspiro das ações da OGX, que chegaram a subir mais de 120% em uma semana. Mas durou pouco.

Em 30 de outubro, a OGX entrou com pedido de recuperação judicial, apenas cinco anos depois de fazer o maior IPO do país. Caso seja aceito pelos juízes que avaliarão o caso, a OGX protagonizará também a recuperação judicial mais complexa da história do país. Até o fechamento desta edição (em 5 de novembro), a Justiça não havia julgado o pedido.

FONTE: http://exame.abril.com.br/revista-exame/edicoes/1053/noticias/um-blefe-bilionario?page=1

UOL: Ações da OSX estão suspensas na bolsa até confirmação do pedido de RJ

InfoMoney

SÃO PAULO – A OSX Brasil (OSXB3) teve a negociação de suas ações suspensa na Bolsa a partir desta segunda-feira (11), até confirmar a efetiva entrada em juízo do pedido de recuperação judicial, informou a BM&Bovespa.

Os papéis encerraram o último pregão valendo R$ 0,51, registrando no acumulado do ano queda de 95,21% .

Além disso, a Bolsa também solicitou os documentos que instruíram o referido pedido. A empresa de construção naval controlada pelo empresário Eike Batista informou, na última sexta-feira (8), que seu conselho de administração aprovou, em caráter de urgência, que seja feito o pedido de recuperação judicial da companhia e de suas controladas OSX Construção Naval S.A. e OSX Serviços Operacionais Ltda. O pedido deverá ser feito na Justiça do Rio de Janeiro.

A empresa é a segunda de Eike a recorrer à medida. Há duas semanas, a OGX Petróleo entrou com pedido de recuperação judicial depois de não conseguir negociar com seus credores. A empresa tem uma dívida consolidada de R$ 11,2 bilhões.

FONTE: http://economia.uol.com.br/noticias/infomoney/2013/11/11/acoes-da-osx-estao-suspensas-na-bolsa-ate-confirmacao-do-pedido-de-rj.htm

A pirâmide de Eike Batista é decifrada por jornal inglês

Financial Times: OGX mostra falhas da Lei de Falências do Brasil

Por Joe Leahy e Samantha Pearson | Financial Times
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SÃO PAULO  –  Na tarde da sexta-feira 28 de junho, o magnata brasileiro Eike Batista encontrou os diretores de sua petroleira OGX, hoje quebrada, para uma reunião que se tornaria famosa entre seus credores.

Realizada no seu escritório art déco na praça Mahatma Gandhi, Rio de Janeiro, a reunião decidiu transferir US$ 449 milhões – ou mais de metade do caixa da companhia, que se esvaía rapidamente – para uma empresa-irmã, a OSX, da qual Eike Batista detém cerca de 75%.

Essa reunião durou até as 18h, mostram documentos da empresa. Meia hora mais tarde, os mesmos homens, além de um outro diretor, se encontraram novamente mudando seus chapéus para os de representantes do conselho da OSX.

“O conselho… por unanimidade e sem exceção decidiu aprovar o acordo com a OGX”, disse um documento da OSX.

Três dias depois, a OGX declarou que seu único poço em produção estava seco e iria fechar, colocando-se no caminho para o maior default corporativo da América Latina, com até US$ 6,7 bilhões em passivos, anunciado na semana passada.

Hoje, a OSX também está considerando pedir recuperação judicial, mas a sua situação financeira parece melhor do que a de sua empresa-irmã, em parte devido aos US$ 449 milhões. Não há nenhuma sugestão de que a OGX tenha infringido a lei. Mas a transferência de recursos na última hora indignou os investidores e credores, que terão sorte se conseguirem recuperar alguns centavos em cada dólar.

A partir de uma posição de caixa de US$ 1,15 bilhão em 31 de março, a OGX encerrou junho com caixa de US$ 326 milhões – principalmente em função da transferência.

“Isso mostra ao mundo que o Brasil não é um lugar sério para fazer negócios”, disse Aurélio Valporto, líder de um grupo de acionistas da OGX que planeja processar Eike Batista e os diretores da empresa.

Críticos dizem que o pagamento em dinheiro de última hora e outros assuntos na OGX apontam para problemas de governança no Grupo EBX, controlado pela família do Sr. Batista – uma pirâmide estreitamente interligada de empresas start-up de petróleo, mineração, energia e logística.

Eles estão prontos para destacar falhas na Lei de Falências no Brasil que só estão aparecendo agora que a economia vem desacelerando.

“Finalmente temos um caso de falência grande no Brasil, de modo que todos os pontos fracos da lei – e há muitos – podem finalmente ser expostos”, diz Rafael Fritsch, da JGP Crédito, um investidor especializado em ativos em reestruturação.

A OGX divulgou ao mercado pela primeira vez a transferência de dinheiro no mesmo comunicado de 1º de julho, quando anunciou que fecharia seus poços de petróleo.

O pagamento à OSX foi para compensar a empresa por cancelar contratos de equipamentos e para ajudar a completar uma terceira plataforma de petróleo flutuante, a OSX-3 , e outro navio, a ser colocado em seu campo petrolífero remanescente.

A OSX diz que o pagamento estava de acordo com um contrato de compensação assinado com a OGX em 2010 e já divulgado ao mercado. A OGX não respondeu aos pedidos de entrevista.

Mas inconsistências nas declarações da empresa sobre o pagamento logo surgiram. No anúncio de 1º de julho, a OGX disse que iria fazer um “pagamento imediato em dinheiro” à OSX de US$ 449 milhões.

No entanto, no meio do relatório de resultados do segundo trimestre, a OGX informava que, na verdade, já tinha desembolsado a maior parte desse dinheiro, ou US$ 369 milhões, até 30 de junho.

Em outras palavras, a OGX já estava transferindo dinheiro para a OSX antes de notificar os acionistas da sua decisão, em 1º de julho.

Sandra Guerra, diretora do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), disse que as empresas devem informar o mercado imediatamente quando são obrigadas a cumprir os termos de um contrato desse tipo, mesmo que o contrato já seja público.

“Se puder ter impacto sobre seus negócios e sobre a cotação das ações, eles devem oferecer aviso prévio para o mercado”, disse ela, recusando-se a comentar especificamente o caso da OGX e OSX.

Apenas dez dias antes, três conselheiros independentes respeitados da OGX renunciaram, sem qualquer explicação.

“O acordo tinha de ser aprovado pelos conselheiros independentes, mas três renunciaram antes”, disse uma pessoa familiarizada com a posição dos credores.

A demissão do trio deixou a OGX com dois conselheiros independentes, que renunciaram em 10 de julho.

Sejam quais forem as circunstâncias da transferência de recursos, é provável que ela se torne uma fonte de processos judiciais para a OGX. Advogados disseram que os processos não necessariamente inviabilizariam um plano de reestruturação para a companhia. Mas os credores da OGX estariam propensos a usar a transferência de dinheiro para negociar e reduzir as reivindicações rivais da OSX, que também é um grande credor da companhia petrolífera.

FONTE: http://www.valor.com.br/empresas/3333092/financial-times-ogx-mostra-falhas-da-lei-de-falencias-do-brasil

OSX segue caminho da OGX e entra em bancarrota

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Confirmando o que vinha sendo anunciado,  a OSX acaba de informar o mercado de que vai entrar em bancarrota.  Esse desdobramento coloca ainda mais pressão sobre o (des)governo Cabral,  principal fiador do Complexo do Açu.

Com a bancarrota daOSX também ganha mais importância a audiência quw ocorrerá na ALERJ para discutir as violações cometidas contea centenas de famílias de agricultores e pescadores do V Distrito de São João da Barra.

Cai mais um alto dirigente do grupo de Eike Batista

Presidente da OSX é demitido

RENATA AGOSTINI, DE BRASÍLIA & RAQUEL LANDIM DE SÃO PAULO

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O presidente da OSX, Marcelo Gomes, foi demitido nesta sexta-feira (8), segundo apurou a Folha. A empresa naval, de Eike Batista, prepara-se para entrar em recuperação judicial, seguindo o caminho de sua principal cliente, a petroleira OGX.

O pedido da OSX, que era esperado para quinta-feira (7), vem sendo adiado e agora deve acontecer apenas na semana que vem.

Com a demissão, a consultoria Alvarez & Marsal, que assumiu a reestruturação da OSX em meados deste ano, deixará a empresa. Gomes ocupava o cargo de presidente da companhia desde agosto.

A Angra Partners, de Ricardo K, deve passar a comandar o processo de recuperação da companhia juntamente com o da OGX.

A petroleira seguiu roteiro similar. Eike decidiu afastar o presidente Luiz Carneiro em outubro e deixou nas mãos da Angra Partners as negociações com os credores da companhia.

A OGX entrou com seu pedido de recuperação judicial na semana passada com dívidas de R$ 11,2 bilhões.

REAÇÃO EM CADEIA

A OSX ficou em situação delicada diante da derrocada da petroleira de Eike. A empresa foi criada justamente para suporte à campanha exploratória da OGX.

Com o fracasso de seus planos, sete das nove encomendas de plataformas feitas pela OGX para a OSX foram canceladas – e a empresa já avisou que deve desistir de mais uma.

Diante disso, a recuperação judicial da companhia tornou-se quase inevitável. A decisão, contudo, só foi selada na última terça-feira após o comando da companhia finalizar uma complexa negociação com os bancos credores, que permitiu a rolagem de dívidas de curto prazo de R$ 1 bilhão.

Os financiamentos, concedidos por Caixa e BNDES, têm os bancos Votorantim e Santander como garantidores. Ficou acertado que essa dívida só será paga agora em outubro do ano que vem.

A Caixa firmou novo contrato, prorrogando o pagamento dos R$ 461 milhões devidos pela empresa. Já o BNDES, cujo empréstimo vence no próximo dia 15, ainda analisa se irá exercer as garantias e reaver os cerca de R$ 550 milhões que concedeu à OSX.

O acordo prevê, contudo, que, caso isto aconteça, o Votorantim pagará o banco estatal, assumindo o crédito com a empresa, mas só o cobrará da OSX no ano que vem.

O plano prevê ainda que Santander e Votorantim, além de assegurarem a carência no pagamento dos financiamentos, aportem R$ 20 milhões na companhia após a recuperação judicial.

Eike Batista, que detém 66,7% da OSX, também prometeu injetar outros R$ 100 milhões.

O dinheiro é necessário para que a OSX sobreviva ao processo de recuperação. Mesmo com o pedido aceito pelo juiz, ela não pode quebrar enquanto prepara seu plano de reestruturação.

Procurada, a OSX ainda não respondeu ao pedido da reportagem.

FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2013/11/1368752-presidente-da-osx-e-demitido.shtml